Conte Sua História de São Paulo: cheguei cego e menino na cidade que me acolheu

 

Por Geraldo Pinheiro da Fonseca Filho
Ouvinte da CBN

 

 

O dia 2 de março de 1965, uma terça-feira, constituiu-se num marco definitivo em minha vida, pois naquela manhã um tanto assustadora desembarquei juntamente com meu saudoso pai, na antiga rodoviária de São Paulo, no bairro da Luz, procedente de minha cidade de origem no Estado do Paraná, a cidade de Maringá, visando iniciar meu ciclo de formação escolar fundamental no instituto de cegos Padre Chico, no bairro do Ipiranga.

 

Inicialmente, para mim que contava então com a idade de seis anos, considerando ainda que jamais deixara minha cidade a não ser para tratamento médico, abria-se um mundo sombrio e totalmente desconhecido onde a profusão de sons que se misturavam em uma sinfonia severa, num primeiro momento muito mais assustavam e constrangiam do que arrebatavam.

 

Logo ao desembarcar, o ruído quase uníssono e o odor que entorpecia de dezenas de veículos da marca DKW Vemago, que naquela época eram utilizados como táxis, iam aos poucos absorvendo minha percepção, demonstrando de forma avassaladora a austeridade e o domínio implacável da cidade-gigante que me recebia.

 

E foi assim sob este misto de temor e expectativa que chegamos ao instituto Padre Chico, a escola que eu tanto aguardava, porém nos moldes da rotina de minha irmã mais velha, na escola que ela já frequentava há algum tempo lá em minha longínqua cidadezinha e que me despertara para aquela ansiosa expectativa da escola; porém, quando meu pai me deixou no internato em um ambiente inovador mas totalmente estranho, ao cair na realidade da distância e da falta da família, sobretudo de minha mãe, passei por um período de difícil adaptação, mas gradativamente fui desvendando, através da dinâmica eloquente das atividades desenvolvidas no Instituto, os enigmas e a magia da cidade que me acolhera, convertendo mais e mais todo aquele temor inicial em conquistas que iam sedimentando meu apreço e admiração por seus valores, sons que me conquistavam, sua história e sua potencialidade predominante de proporcionar inovações, mutações e conquistas diante de desafios inimagináveis para uma criança cega como o meu caso e também para minha família.

 

Embora as atividades da dinâmica escolar absorvessem parte substanciosa de minha vida como aluno interno do Instituto, paralelamente fui sendo cada vez mais inserido no âmbito das novidades peculiares à cidade de São Paulo, ensejando assim cada vez maior enquadramento e uma crescente afeição aos seus valores, que me envolviam em uma verdadeira magia de sons que, se inicialmente assustavam e até constrangiam, iam consubstanciando em meus sentimentos um apreço cada vez mais vinculante e também fascinante em face a esta cidade que me acolhera, e ia definindo um futuro moldado por aspirações e expectativas.

 

Um dos primeiros sons que me encantou por sua característica estridente e o tilintar do seu sinalizador sonoro de alarme foi o inesquecível bonde, que ligava o Ipiranga à praça João Mendes; muitas vezes aos finais de semana, aos sábados eu era retirado do Instituto para passar o domingo com uma família de amigos de meu pai que residira em Maringá no passado, quando então tomávamos o bonde cujo ponto inicial era em frente à portaria do Instituto, descíamos na praça João Mendes, seguíamos pela rua Direita, atravessávamos o viaduto do Chá e seguíamos para a praça Ramos de Azevedo, lá tomávamos o ônibus para a vila Leopoldina onde residiam. A vila Leopoldina era provinciana, parecia mesmo uma cidadezinha do interior; ali me encantava com o ruído emitido pelos subúrbios da antiga Sorocabana, a sineta de sinalização da cancela da estaçãozinha por onde transitavam os trens.

 

O Museu do Ipiranga também tornou-se reduto de visitas frequentes dos alunos internos do Instituto, percorríamos aos domingos, seus extensos jardins adornados por vastos gramados, ouvindo os sons inconfundíveis dos realejos e a nostalgia de suas melodias, sempre repetitivas e no mesmo ritmo como a acalentar nossas imaginações sonhadoras de criança.

 

Ainda envolto pelas recordações singelas daquele período inicial, o parque Xangai, na baixada do Glicério, com seus brinquedos exóticos e muitas vezes temerosos para mim em razão da confusão dos sons estridentes que emitiam, tornou-se um dos nossos ambientes preferidos de diversão, conquanto me intimidassem até que superasse a barreira severa da primeira experiência.
No rádio da época a Jovem Guarda ousava confrontar a explosão dos Beatles, da onda avassaladora das canções italianas e norte-americanas, proporcionando neste devaneio sonoro a nova característica da música jovem brasileira.

 

O rádio fazia fluir por pontos diversos da cidade os toques soturnos e melancólicos do carrilhão do mosteiro de São Bento, irradiados hora a hora pela extinta rádio Piratininga, uma espécie de clamor do coração paulistano que até hoje e creio que para sempre, persistirá latente em minhas recordações mais sutis desta cidade-gigante que jamais perderá sua magia de encantar.

 

Todos os anos no mês de outubro, na semana da criança, visitávamos o inesquecível salão da criança que era instalado no Ibirapuera, que nos acolhia em um recanto de singelas imaginações e sonhos acalentadores e sublimes.

 

A biblioteca infantil Monteiro Lobato na vila Buarque era frequentada pelos alunos do Instituto todas as quintas-feiras. Naquele ambiente saudoso e inesquecível, tínhamos acesso a um acervo de livros em Braille, discoteca com um diversificado repertório de canções e histórias infantis, sala de jogos e brinquedos pedagógicos, teatrinho de fantoches e até academia infanto-juvenil de letras fazendo-me já naqueles tempos imemoriais, usufruir das nuances culturais de São Paulo, cujos preceitos e riquezas prevalecentes prosseguem emoldurando minha vida com intensidade e nobreza.

 

E foi assim, envolto por esta trajetória evolutiva da cidade que me acolheu, me encaminhou e me formou que fui transpondo todas essas etapas precedentes, deixei o Instituto após ter concluído o primeiro grau, prossegui meus estudos no ensino médio ainda no bairro do Ipiranga, ingressando por fim no curso de direito da PUC-SP, onde me formei em 1984.

 

Como se pode depreender desta singela síntese histórica, não mais me afastei desta cidade, que um dia foi até designada por alguém que não me lembro quem como (selva de pedra) mas que para mim foi e sempre será o símbolo da nobreza, da cultura, da conquista da inclusão e do sucesso decorrente da valorização profissional.

 

São Paulo em minha opinião é mais mãe do que pai, pois tal qual um coração de dimensões imensuráveis, sabe acolher, confortar e amar, sem abdicar da prerrogativa de exigir e valorizar seus filhos, sejam naturais ou adotivos, todos na mesma amplitude de amor maternal, por isso São Paulo, quero exprimir meu amor filial delineado neste abraço supremo e eterno.

 

Geraldo Pinheiro da Fonseca Filho é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Claudio Antonio. Envie a sua história, também: escreva para contesuahistoria@cbn.com.br

Conte Sua História de SP: os sons e sensações da Avenida Paulista

 

 

Por Francisco Wanderley Midei
Ouvinte-internauta da rádio CBN

 

 

 

 

 

No Conte Sua História de São Paulo, o texto do ouvinte-internauta Francisco Wanderley Midei, que, cego, descreve o passeio ao lado da filha, Daniela, na avenida Paulista:

 

 

 

Sou paulista, da tribo Paulistano Paulista. E urbano. E como paulista que procura o que fazer num domingo de sol antes que a chuva forte chegue, estive na mais paulistana das avenidas, a Paulista.

 

 

Todas as tribos estiveram por lá neste domingo. Movimento de público nas ruas e nos bares. E com policiamento severo. Até o prefeito João Dória Junior apareceu por lá no meio da tarde. Soube por causa da agitação por onde ele passava. Espero que ele não tenha tocado nenhum instrumento.

 

 

Ele pode não ter tocado, mas um cantor mostrou todo o seu desafino, enfrentando a multidão nas cercanias do Parque Trianon. E não se acanhou, tocando até Raul Seixas, que, com certeza, deve ter se mexido no túmulo. Tão desafinado que o cantor cantou até Desafinado.

 

 

Andei pela Avenida em meio à multidão. Estive no Degás, o restaurante do MASP, mas não almocei lá. Era muito caro e um pouco barulhento. Passamos pela FIESP e descobri que lá não tem restaurante e não havia atividades porque estão de férias.

 

 

Paramos, eu e minha filha Daniela, para muitos selfs, inclusive um que mostrava, atrás de nós as bandeiras do Brasil e de São Paulo, a bandeira de treze listas, paulista como eu.

 

 

Para finalizar, fomos ao Conjunto Nacional e tomamos um icecream, assim mesmo, em inglês, porque estávamos no centro econômico do País e não ficaria bem tomar um sorvete de milho verde.

 

 

E como bom “paulista paulistano” voltamos correndo, temendo que a chuva nos impedisse de entrar em casa.

 

 

Foi bom.

 

 

Ouvi barulhos de skates, bicicletas e de cães que latiam aos montes acompanhados de seus donos. Ainda não sei se quem leva o cão é o dono ou o dono é quem leva o cão. Também não quero saber porque não vai ajudar em nada a minha cultura, já que tenho pavor de cachorro, inclusive os humanos.

 

 

Francisco Wanderley Midei é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Claudio Antonio. Conte você também a sua história: escreve um texto para milton@cbn.com.br.

Conte Sua História de SP: sentindo as emoções do Museu do Futebol

 

Nesta semana, o Conte Sua História de São Paulo tem edição especial, em homenagem aos 459 anos da nossa cidade, com novos capítulos contados pelos ouvintes-internautas e lidos às 7h10, no Jornal da CBN. Os textos serão publicados aqui no Blog e você, se gostar, é convidado a compartilhar este momento nas redes sociais. Vamos ao primeiro texto da série:

 

Regina Fátima Caldeira de Oliveira
Ouvinte-internauta CBN

 

Museu do Futebol

 

 

Ouça este texto sonorizado pelo Cláudio Antonio, no Jornal da CBN

 

Sou uma paulistaníssima que nasceu na Parada Inglesa ainda a tempo de fazer algumas viagens no Trenzinho da Cantareira. Não posso dizer que tenho minha terra natal guardada na retina. Nasci com um glaucoma que me fez perder por completo a visão aos sete anos de idade. Mas posso afirmar que São Paulo está impressa na minha pele, gravada nos meus ouvidos e impregnada nas minhas narinas.

 

Acho que a minha história com São Paulo começou muito antes do meu nascimento porque sinto um prazer indescritível quando leio romances de Maria José Dupré, Dinah Silveira de Queiroz, Zélia Gattai e tantos outros escritores que retratam a vila bandeirante do século 18, a cidade colonial do século 19, percorrida a cavalo, a promessa de megalópole do início do século 20 em cujas avenidas circulavam bondes barulhentos.

 

Muitos são os fatos marcantes no meu relacionamento com Sampa e se eu tivesse tempo e inspiração talvez também pudesse escrever um lindo romance para homenageá-la. São Paulo tem muitos problemas, mas tem a melhor gastronomia do mundo e, principalmente, tem um povo maravilhoso que recebe de braços abertos todos os que aqui chegam. Tem também coisas grandiosas que enchem de orgulho o meu coração. Tem a Cidade Universitária, o Autódromo de Interlagos, o Mercado da Cantareira; tem o Memorial da América Latina, o Hospital das Clínicas, o Parque do Ibirapuera; e tem … ah!, tem tanta coisa boa e bonita que seriam necessárias muitas páginas para contá-las!

 

Mas hoje, para ajudar a celebrar os 459 anos de fundação dessa minha terra querida, vou falar de um momento muito agradável que vivi há cerca de quatro meses no Museu do Futebol. Ao contrário de todos os museus, este já foi concebido prevendo a visita de pessoas com deficiência. Éramos um grupo de aproximadamente 40 pessoas, entre as quais havia cinco cegos. Logo na entrada, as monitoras que vieram nos receber explicaram que a visita seria voltada para os interesses das pessoas cegas.

 

A primeira emoção veio ao tatear a maquete do Estádio do Pacaembu, concretizando formas e locais que desde a infância eu apenas imaginava. Depois, a surpresa de, tocando uma estatueta, saber exatamente em que posição fica o corpo de um jogador para fazer um gol de bicicleta.

 

Em outra sala, tocando botões em um grande painel, pude ouvir gravações de gols em diferentes épocas, feitas por narradores que foram ídolos de meu saudoso pai e meus também. E o que dizer da emoção de ouvir o ruído das diversas torcidas como se estivéssemos, de fato, presentes nos grandes clássicos!?

 

Tudo isso, acompanhado de textos em braille e das explições claras, objetivas e delicadas das monitoras, fez daquela tarde de setembro um momento inesquecível! E o Museu do Futebol está aqui, nessa São Paulo tão querida, para a qual sempre volto cheia de saudade mesmo depois de uma viagem de apenas alguns dias!

 


Regina Fátima Caldeira de Oliveira foi o personagem do Conte Sua História de São Paulo. Envie seu texto para milton@cbn.com.br e vamos comemorar juntos os 459 anos de São Paulo.

Foto-ouvinte: piso tátil vira armadilha para cegos

 

Piso sem rumo

 

Na avenida Faria Lima esquina com a avenida Rebouças, a prefeitura – ou seja lá quem for o responsável -, preparou, sem querer, uma armadilha para os cegos que passeiam nesta área nobre da capital paulista. Um piso tátil foi colocado com o objetivo de ajudar a passagem dos deficientes visuais, mas a faixa leva as pessoas para um canteiro, conforme mostra a imagem feita por um ouvinte-internauta do Jornal da CBN.

 


Ouvinte esclarece e a gente agradece:

 

Paula Fagundo @paulafagundo: A ideia é levar o piso tátil até a borda do canteiro, pois esta borda serve como linha guia identificável, o que não está errado

Sinalizador ajuda cegos a pegar ônibus, em Londrina

 

Placas que lembram os sinalizadores usados antigamente pelas equipes de fórmula 1 têm ajudado pessoas com problemas de visão a pegar ônibus, em Londrina, no Paraná. A ideia foi do presidente da Adevilon – Associação de Deficientes Visuais de Londrina, Antônio Carlos Ferreira, virou lei na cidade e está valendo desde a semana passada, leio em post do Blog Ponto de Ônibus, do colega Adamo Bazani. Foram distribuídas até agora 100 dessas placas feitas de papelão, divididas em três filetes, presos em espiral e com letras e números convencionais e braile. O equipamento serve para as pessoas que têm dificuldade de identificar o número da linha de ônibus que está chegando no ponto. Assim que ouvem um ônibus se aproximando, estendem a placa com o código da linha e o motorista para facilitando o embarque. Até então, era necessário contar com a ajuda dos demais passageiros ou parar todos os ônibus quando se estava sozinho no ponto.

Leia a reportagem completa no Blog Ponto de Ônibus

Deficientes visuais fotografam ‘Acessibilidade’

 

Deficientes visuais fotografam o mundo que enxergam e transformam este material artístico em ato político na exposição “Acessibilidade” que está no Senac de Santo Amaro, zona sul de São Paulo. A ideia de abordar este tema partiu dos próprios alunos do curso realizado pelo professor e curador João Kulcsár que desenvolve o conceito de alfabetização visual. Navegue no álbum digital que traz algumas das imagens que fazem parte da mostra e sinta você mesmo a profundidade do olhar de cada um destes fotógrafos do cotidiano.

O Centro Universitário Senac, unidade Santo Amaro, fica na avenida Engenheiro Eusébio Stevaux, 823. A entrada é gratuíta.

Prefeito veta lei que garante acesso a cegos em lan house

 

Uma lei vetada e outra a espera da palavra decisiva do prefeito Gilberto Kassab (DEM) levaram a vereadora Mara Gabrilli (PSDB) a questionar o compromisso da administração municipal com a causa da pessoa deficiente. Descartada, foi a proposta de obrigar as lan houses a adaptarem computadores e ambiente para cegos; no aguardo, o projeto que cria o censo da inclusão e pretende mapear onde vivem as pessoas com deficiência ou restrição de mobilidade.

Mara Gabrilli foi secretária municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida na administração Serra/Kassab, por isso o tom de sua crítica durante entrevista ao CBN SP surpreendeu e revelou o quanto ela está incomodada com as atitudes tomadas até aqui pelo prefeito, ao menos em relação ao tema.

Na conversa, além de explicar a que se prestam as duas leis aprovadas na Câmara, a vereadora tucana também falou sobre regras que estão em vigor há algum tempo mas não estão sendo cumpridas na capital: uma de 1988 que obriga tornar acessível todas as calçadas no entorno de prédios públicos; outra, mais recente, que exige a recuperação de cerca de 3 mil km de calçadas localizadas em rotas estratégicas do município.

Ouça a entrevista da vereadora Mara Gabrilli (PSDB)

Em tempo: a lei que obriga as lan houses a se adaptarem para clientes cegos, é de autoria da vereadora Gabrilli e do vereador Ricardo Teixeira (PSDB).


Agora o outro lado
(atualizado 12:30 de 23/12)

O secretário municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida, Marcos Belizário, disse que não sabe os motivos ténicos que levaram a prefeitura a decidir pelo veto ao projeto de lei que prevê acessibilidade de cegos a lan houses. Em entrevista ao CBN SP, apesar de ter explicado que o parecer da secretaria dele havia sido favorável,
ressaltou que donos de lan houses teriam alegado dificuldades técnicas para a implantação do sistema exigido.

Ouça a entrevista com o secretário Belizário que falou também sobre os problemas das calçadas não-acessíveis

A difícil arte da leitura acessível

Em pleno século 21 existem pessoas que não tem o direito de ler um livro. E o fato não ocorre em nenhuma cultura totalitária ou sob qualquer religião ultra-ortodoxa. É aqui no Brasil, país que restringe a leitura às pessoas com deficiência apesar de o Congresso Nacional ter aprovado a lei 10.753/03 que obriga a produção de livros em formato universal, permitindo o acesso de pessoas cegas, com baixa visão, paralisadas ou amputadas de membros superiores, disléxicos entre outros.

Cid Torquato, comentarista do Cidade Inclusiva, que vai ao ar às segundas, no CBN SP, lembrou que no caso dele, paraplégico, ler livros convencionais apenas se estiver sentado e mesmo assim com dificuldade para folhear. Deitado, nem pensar.

Em nosso bate-papo dessa semana, Cid chamou atenção para o site Livro Acessível, criado por Naziberto Lopes, deficiente visual, que reúne volume considerável de informações sobre políticas de inclusão. Uma das sessões interessantes é a que reúne depoimentos de “excluídos da leitura”, pessoas como Virgínia Menezes que realiza pós-graduação em Educação Especial Inclusiva e, imagine, não tem acesso aos muitos textos que necessita para concluir o curso.

Navegando no trabalho de Naziberto sabe-se, por exemplo, que boa parte das pessoas cegas não usa braile, sistema eficaz quando o cidadão nasce sem visão. “Tendo ficado cego em vida adulta, ser novamente alfabetizado em um outro sistema de comunicação foi impensável e praticamente impossível”, relata na primeira pessoa. Com isto, o computador passa a ser a principal ferramenta.

No site existe acesso ao abaixo-assinado que pede a regulamentação da Lei do Livro, a fim de que esta garanta o direito de acesso universal à leitura por parte de pessoas que por alguma deficiência não podem acessar os livros em seu formato convencional (impressos a tinta); e defende que estas pessoas possam negociar diretamente com as editoras e livrarias, sem necessitarem a “terceirização” por uma entidade de assistência; além de propor a existência deste material acessível nas bibliotecas.

Um dos aspectos defendidos por Naziberto é que a pessoa com deficiência não tenha de recorrer a terceiros para obter o que é de direito. Em vários depoimentos e em e-mails enviados para editoras, torna claro que a maior parte da sociedade ainda o enxerga como um pobre coitado e imagina que ele está em busca de esmola.

Mais sugestões

O ouvinte-internauta Wilson Benites Jr. escreveu para sugerir que as pessoas com dificuldade de acesso a leitura procurem a Fundação Dorina Nowill para cegos, instituição que põe a disposição livros e revistas faladas. Além disso, divulga o site Worldwide Association of Jehovah’s Witnesses no qual é possível baixar arquivos de áudio da Bíblia.