Foto-ouvinte: Céu bordado no Masp

 

Céu no Masp


Por Marcos Paulo Dias

Ouvinte-internauta e jornalista

A artista plástica  brasileira Regina Silveira “bordou” o céu nos vidros do MASP, quem passar pela avenida Paulista a partir de hoje,  15/11,  terá a oportunidade  de ver a instalação “Tramazul”, adesivos de vinil que recobre todos os vidros da fachada do museu. Da Avenida 9 de Julho,  a obra se torna ainda mais bela. De lá  podemos observar  uma agulha gigante que  com ela são “bordadas as nuvens”, lembrando um bordado de ponto cruz , cria-se um contraste com o dia a dia da cidade ,onde nem sempre o céu é azul. Apesar do alto  fluxo de veículos e  movimentação  de pessoas  na Avenida 9 de Julho  vale a pena dar uma paradinha para observar a obra  na altura da Parada Getúlio Vargas (corredor de ônibus  da avenida ), pois deste trecho você tem uma visão ampla e ótima para  observar , entender , fotografar e filmar, pois além da obra, temos a Avenida 9 de Julho e o mais antigo  túnel viário construído na cidade.

Canto da Cátia: Sala de aula

 

Volta às aulas no JD Helena

A caminho da escola, os alunos do CEU Três Pontes tem à disposição um rico material pedagógico. Lama, móveis destruídos e imóveis alagados alertam para os riscos ambientais que a ação do homem gera. Ensinam que nossa forma de consumo, a maneira como exploramos a terra ou mesmo a falta de respeito das autoridades com populações mais pobres deixam suas marcas no ambiente urbano. Da geografia à história, da ciência à biologia, boa parte das matérias que estudam na sala de aula tem capítulos relacionados ao cenário fotografado pela Cátia Toffoletto, na rua Capachós, onde fica o CEU.


Ouça a reportagem de Cátia Toffoletto sobre a volta às aulas nos bairros atingidos pelas enchentes, na zona leste de São Paulo

Pode parecer irônico, mas a prefeitura teve de construir uma ponte para que os alunos consigam entrar no CEU Três Pontes.

De céu e inferno


Por Maria Lucia Solla

Ouça “De céu e inferno” na voz da autora

Angustia

há dois modos apenas
de curar a vida
lamber a ferida
ou roer
as
penas

há dois modos da boca sorrir
arrastar a cara com ela
ou com a cara amarela

rir

há dois modos de ser amada
dançar ao som do amor
driblar aqui ali a dor
ou partir para o jogo do tudo
ou
nada

há dois modos de ser
ser na vida ser com ela
ou assistir da janela
e de inveja
pa
de
ser

há dois modos de chegar ao céu
reconhecer o inferno
partilhar com ele o denso véu
ou negar o demo e vagar
ao
léu

há dois modos de dizer a que veio
pular na frente
vim
gritar de trás olha eu aqui
enfim
ou estagnar na fileira
do
meio

há dois modos de sonhar
assistir ao sonho do outro
esticar o pescoço torto
ou sonho a sonho
or
ques
trar

há dois modos de beijar
a alma nos lábios do outro entregar
ou sonegar
sonegar

negar

Maria Lucia Solla é terapeuta, professora de língua estrangeira e realiza cursos de Comunicação e Expressão, aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung provocando nossos sentimentos de todos os modos.

Foto-ouvinte: Crepúsculo paulistano

 

Crepusculo de São Paulo

“Uma lua no imenso céu tendo somente uma estrela ao seu lado, durante o nascer do sol” – cena que ela própria descreve – inspirou a ouvinte-internauta Sílvia Maria Vasconcelos a encarar os quilômetros de congestionamento e o tempo seco que marcaram o início da semana na capital paulista. Ao fotografar o horizonte ela se questionou se “o paulistanos param por alguns minutos para observar as coisas que a natureza oferece em meio a tantos prédios”.

De Natureza e seus afins

 

Por Maria Lucia Solla

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Olá,

Criamos cada dia maior barreira entre nós e a Natureza e, separados dela, nos perdemos.
De que Natureza é Vida, e de que somos Um com ela, disso nos esquecemos.

Temos alma, repetimos prepotentes; cheios de certeza,
e essa jóia ela não tem, a tão defendida Natureza.

“Bando de naturebas.
Esquecerem-se de que aprendemos a nos unir por Reinos, eu, você e eles
e a mantermos, bem separados, cada um e todos eles?”

“Olha só com que tipo de gente você está se misturando, meu filho!
Espera só que se não me obedecer, te faço ajoelhar no milho, até o
anoitecer.”

Mas o simples mortal nunca se considera tão simples assim e acha brega o papo de voltar à Natureza e à própria essência.
Estratificamos assim a nossa existência:

Lá em baixo o inferno
onde faz calor mesmo no inverno.

Depois vem nosso planeta, a Terra
onde há riqueza, e o alimento se encerra.

Logo depois, o que brota dela
milho, feijão, boi, vaca, cão e cadela.

Em seguida viemos nós
que separados disso tudo, com orgulho,
nos sentimos cada dia mais sós.

E finalmente vem o céu,
mas o que não percebemos, de tão sutil que tudo isso é,
é que logo depois dele, vem de novo o inferno.

É que, na verdade, é o céu que nos separa dele – do mundo cruel – com um simples e tênue véu.

Disso tudo, o que ainda mais não percebemos é que todas essas camadas nos permeiam e que nós as permeamos também.

Me perdoe, mas por hoje cansei.
Permite, Vida, que eu desligue só por hoje, mente e coração!
Não aguento mais, a cada segundo, ter de aprender uma nova lição.

E você se sente assim também?
Pense nisso, ou não, e até a semana que vem

PS 1: Quero agradecer a Mário Castello e a Stratos Giamoukoglou o enriquecimento do meu album de fotografia.

PS 2: Música: De e por Maxime Le Forestier, “Comme un arbre” do cd Essentielles

Maria Lucia Solla é terapeuta e professora de língua estrangeira. Aos domingos, escreve e desvenda o véu da vida no Blog do Mílton Jung