Chapéu, moda que supera o tempo

 

Por Dora Estevam

 

 

Para proteger dos raios solares, para aquecer no frio ou, simplesmente, para valorizar a roupa que você veste. O chapéu é peça distinta no guarda-roupa e, embora muitos não percebam, as lojas seguem vendendo o produto, mesmo que poucas pessoas tenham o hábito de usá-lo na cidade. Cada estilo pede um modelo, assim como cada ocasião e época.

 

Nesta semana, encontrei dois amigos que estavam usando bonezinhos lindos. Um deles, o jornalista Marcelo Tas, vestia um boné na cor vinho todo em veludo, muito quentinho e gracioso. O outro foi o DJ Lalá Moreira que se apresentou com modelo xadrez em preto e branco, um clássico moderno. Os dois trajavam roupas casuais e os bonés deram um toque de graça e elegância no visual. Além da parte funcional: aquecer a cabeça.

 

Aproveitando a aparência dos amigos, fui até a loja mais antiga de chapéus da cidade, a Chapelaria Paulista, na Rua Quintino Bocaiúva, centro de São Paulo, fundada em 1914. Além de fotografar alguns modelos, aproveitei para vestir um bem estiloso, anos 1930. A loja vende chapéus em diversas opções de tecido. Se não tiver o tamanho certo, eles encomendam, fazem sob medida.

 

 

Se o leitor não gosta da moda vintage e prefere algo mais moderno, a opção fica por conta da loja que encontrei no shopping Market Place, a UV Line, um quiosque que vende lindos chapéus. As estilistas se preocuparam em usar cores marcantes, tecidos leves, aliados à proteção contra os raios UV. Os modelos variam entre os de palha e os de tecido. A marca está sempre atenta às novidades e muito ligada aos esportes e à saúde.

 

O bom de tudo isso é que os chapéus, se comparados com roupas e sapatos, não são caros, além de durarem muito. De acordo com as meninas da UV, os de tecido devem ser lavados a mão e os de palha não podem ser molhados, deve-se passar um pano seco ou um lenço umedecido.

 

Para conhecer melhor esta história, encontrei vídeo produzido pelo repórter Rodrigo Leitão que entrevistou um dos donos da Chapelaria Paulista, Aldo Zucchi, hoje falecido, e descobriu muitas curiosidades sobre o acessório. Novelas, filmes, épocas, tudo influencia na venda do chapéu:

 

 

Informações:

 

Chapelaria Paulista
R Quintino Bocaiúva 94

(11) 3107-5803

 

UV.Line
www.uvline.com.br

 


Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo de vida, no Blog do Mílton Jung

Tomei um chapéu no caso do Duque de Caxias

 

Era alto demais para alcançar. Mas por que desconfiar da habilidade de jovens em busca de um “tesouro” ? Vimos tantas coisas nessa cidade acontecer. Por vezes me surpreendi, por exemplo, com incompreensíveis grafites que surgem em pontos aparentemente inalcançáveis. Além disso, ver o patrimônio ser depredado por quem vive aqui não chega a ser novidade para ninguém. É triste.

Foi neste embalo que tomei o chapéu do Duque de Caxias, homem forte, venerado pelos militares brasileiros e de muitas batalhas, homenageado em monumento que está na Praça Princesa Isabel, região central de São Paulo. E com base em informação e foto passadas por e-mail noticiei o sumiço do que nunca houve.

O patrono do Exército usou chapéu em suas inúmeras batalhas. Aparece com o adereço na homenagem feita na cidade que leva seu nome, no Rio de Janeiro.Tem também em duas imagens dele que estão na base do monumento aqui em São Paulo, que representam a Batalha de Itororó, e a presença em Bagé, no interior gaúcho. Porém, o chapéu nunca esteve na cabeça do Duque que monta o cavalo no alto da criação de Vitor Brecheret.

A estátuta em Duque de Caxias e o detalhe da Batalha de Itororó

Quem me alertou foi o ouvinte-internauta Samuel Oliveira que fez pesquisa de imagens no Google e não encontrou nenhuma com o adereço sobre a cabeça de Caxias, ao menos na estátua inaugurada em 1960. Informação confirmada pela assessoria de comunicação da Secretaria Municipal de Cultura que, por e-mail, pediu para que a correção fosse feita.

É o que faço substituindo o post que você vê na imagem abaixo por este pedido de desculpas ao Duque – que, assim, não teve sua honra atingida -, aos Nóias que vivem no entorno da praça, mas não cometeram este desrespeito, e a você, caro e raro leitor deste blog, induzido ao erro.

Existe, atualmente, um projeto desenhado pelo engenheiro e general reformado Euclydes Bueno Filho em parceira com a Fundação Brecheret para recuperar o monumento de 40 metros de altura, retomando as cores originais e oferecendo novo brilho ao bronze e granito que o compõem.

Quem sabe eu não sugiro a inclusão do chapéu no novo projeto ?

N.B 1: As imagens da estátua de Duque de Caxias em São Paulo são do álbum digital Artexplorer, no Flickr

N.B 2: As mensagens de 1 a 11 foram escritas com base na informação errada que publiquei no Blog.

Moda pra não tirar o chapéu

 

Por Dora Estevam

Esta semana, a chapeleira Silvia Lucchi inaugurou exposição de chapéus, em São Paulo. Ela está de volta ao Brasil depois de morar uma boa temporada na Holanda. Por aqui, a estilista teve destaque na década de 1980 quando criou peças para as marcas Zoomp e Fiorucci. Depois, foi para o exterior, onde seguiu carreira profissional.

Silvia Lucchi

Quando se fala em chapéu vem logo a imagem de homens sóbrios dos anos 1900, conversando em rodinha nas ruas de Paris com seus novos ternos – sim, a casaca já havia caído. Era uma época em que homens e mulheres não saíam de casa sem ele. Mas o chapéu faz parte de várias gerações e os estilistas nacionais e, principalmente, internacionais amam trabalhar com este acessório tão encantador.

Chapéu e luvas faziam parte da toillette de toda mulher de 1930 a 1939. Por optarem por uma moda mais prática os pequenos e planos eram fáceis de serem presos ao penteado. Foi uma época fantástica para as criações. Elsa Schiaparelle Elsa Schiaparelle (foto ao lado), que desbancou Coco Chanel com seu estilo moderno e prático para a época, criou chapéus que eram obras de arte. Schiap, como era chamada pelos amigos, gostava de penas, não por acaso o chapéu mais famoso dela foi confeccionado com feltro vermelho e uma pena de galo. Logo virou uma marca da estilista italiana.

Foram muitas as criações: ficou célebre, também, o sapato que Schiap transformou em chapéu ao dobrá-lo para cima, com sola vermelha, sem nenhum pudor. O modelo foi usado por ela mesma e em poucas clientes ousadas. Amigo de Schiap, Salvador Dali apreciou muito a criatividade dela.

Se for pensar em loucuras de chapeleiros, logo vem à mente os mais modernos como Philip Treacy (foto a seguir) e Stephen Jones.

No Brasil, o uso do acessório não é tão frequente, a não ser em ocasiões muito especiais. Apesar disso, a moda sobrevive. No Rio de Janeiro, a chapelaria Alberto que funciona há mais de 100 anos e, em São Paulo, a chapelaria Maurice Plas com 40 anos, resistem bravamente às mudanças do tempo vendendo chapéus de todos os modelos.

O mais comum é ver o chapéu sendo usado no verão para se proteger do sol; no inverno alguns senhores com o boné inglês de lã – parece ser bem confortável. As mulheres resistem muito, com exceção de algumas que viajam para o exterior e acabam usando como opção de moda. Também por isso, o chapéu é uma peça que chama muito a atenção. Todo mundo comenta quando tem alguém usando.

Philip Treacy

Quem se diverte mesmo são as produtoras de moda e os estilistas. Eles procuram muito o acessório para as produções de fotos e desfiles. Mas é bem raro encontrar um na rua.

Que sabe a exposição “Na cabeça” de Silvia Lucchi renove e traga de volta o gosto pelo chapéu. Seria bem interessante. São mais de 200 modelos elaborados em materiais e estilos diversos. Tem até modelo que já foi vendido na famosa Barneys, de Nova York. A mostra vai até 26 de agosto, no Museu do Objeto Brasileiro, com entrada franca, em SP.


Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo de vida, aos sábado, no Blog do Mílton Jung