Um dia na Favela do Moinho

 

A Favela do Moinho é como todas as outras que estão no imaginário paulistano. Tem cerca de 900 famílias, 4.500 moradores, sem rede de água e esgoto, e a energia elétrica é garantida pelos “gatos” que dão luz e perigo de vida. Apenas não se pode dizer que ali se tem uma vida típica do paulistano despejado na periferia porque a favela está esmagada entre as linhas de trem da CPTM, no centro da cidade, a três quilômetros da Praça da Sé.

No Dia das Crianças, um grupo de grafiteiros e fotógrafos foi até lá, pintou paredes, interagiu com as crianças, distribui brinquedos e doces, e saiu convencido de que a cidadania é um direito ainda a ser conquistado por comunidades paulistanas.

O Massao Uehara, que integra o Adote um Vereador, levou sua versão fotógrafo para o evento batizado de “A vida é um moinho” e compartilha com os leitores do blog sua experiência.

Adote um Deputado de olho no Tiririca

 

Com 1,3 milhão de votos e candidatura questionada pela justiça, Tiririca é um dos primeiros eleitos a ser alvo do Adote um Deputado, irmão mais novo do Adote um Vereador lançado há dois anos. Alecir Macedo que acompanha a vida parlamentar de Netinho de Paula do PC do B, na Câmara Municipal de São Paulo, decidiu ampliar seu foco de ação ao Congresso Nacional.

No nome do blog, uma ironia com o jargão da campanha do deputado mais votado no Brasil: “Pior do que tá não fica? – Cuidando do Tiririca”.

E no conteúdo que começou a ser postado dia nove de outubro, Alecir explica de maneira dura porque pretende fiscalizar o novo parlamentar: “Estarei de olho em suas ações na Câmara de Deputados, acompanhando seus passos e fazendo valer cada voto inconsequente que teve a seu favor. Você votou por analfabetismo eleitoral, agora eu acompanho o mandato dele”.

Boa parte do material ainda é resultado de pesquisa feita nos meios de comunicação e divulgação de vídeos sobre o candidato, mas em breve a ideia é fazer cobranças diretas ao palhaço e humorista Tiririca, caso ele consiga assumir o cargo de deputado federal, já que ainda precisará comprovar que é alfabetizado – aliás, um caso inédito na política brasileira.

Além de fiscalizar Tiririca e Netinho de Paula – este através do Blog Cuidando da Cidadania -, Alecir Macedo mantém o Vila Cachoeirinha Urgente.

E você, já escolheu qual deputado vai seguir a partir de agora.

Lá vem o Adote um Deputado …

Era inevitável, na primeira reunião do Adote um Vereador após a eleição o rumo da conversa seria como agir com os novos parlamentares. Tem vereador que virou deputado estadual, tem vereador que virou federal, tem vereador suplente que vai virar vereador de verdade. E tem a cobrança para se estender a campanha para as demais casas legislativas.

Desta vez não estive por lá, mas não faltaram café e esfiha nem gente interessada em discutir a importância da cidadania, apesar do início do feriadão de Aparecida. Do Blog Fiscalizando o Ricardo Bezerra, mantido pelo versátil Mário Cezar Nogales, reproduzo alguns parágrafos:

Neste sábado houve mais um encontro da turma do Adote Um Vereador, ali na cantina do Centro Cultural São Paulo, e mais uma vez, entre cafézinhos e esfihas conversamos a respeito do que os parlamentares vem fazendo. Além de mim também estavam presentes o Cláudio Vieira, Sérgio Mendes e Massao ( os três mosqueteiros ) e entre conversas e fotografias trocamos ideias sobre as ultimas eleições e os vereadores que foram eleitos para outras esferas parlamentares.

Como não podíamos deixar de citar, já estou controlando os parlamentares que votei e que foram eleitos, o Aloysio Nunes para o Senado e o Carlos Alberto Bezerra Jr (este último atual vereador), além de estar acompanhando o Vereador Aurélio Miguel, o Deputado Estadual Re-eleito Fernando Capez, e o Senador Suplicy.

Dentre os parlamentares que a turma acompanha temos também a novidade, o Alecir que não pôde comparecer, começou a acompanhar o Candidato Eleito Francisco Everardo, mais conhecido como TITIRICA. Em breve mais parlamentares como Deputados Estaduais e Federais estarão sendo acompanhados por esta turma.

Um ponto da nossa conversa ficou para definição em geral, agora com parlamentares de outras esferas como deveremos nos chamar? adote um politico? adote um parlamentar? adote um deputado? adote um senador? ou todos de uma vez só? Não chegamos a uma conclusão.

Minha preferência é seguirmos a mesma linha do Adote um Vereador e batizarmos os próximos passos de Adote um Deputado e Adote um Senador. Quem tiver ideia melhor, não se acanhe. Mande sugestão para cá. E mesmo que não a tenha, adote alguém, passe a acompanhar o trabalho dele, fiscalize, monitore e controle. E não deixe de compartilhar todas as informações que você levantar em um blog.

E aí, vamos controlar esta turma ?

 

A eleição ainda está em curso, a campanha no rádio e TV recomeça hoje e o segundo turno está logo ali. Durante a semana, olhamos e revisamos a lista dos deputados e senadores eleitos. No CBN SP, estiveram alguns deles, inclusive Aloysio Nunes PSDB e Marta Suplicy PT que serão nossos representantes no Senado.

Você que lê este post talvez tenha se sentido satisfeito com o resultado e conseguido eleger o seu representante para o parlamento. É um privilegiado, pois a maioria dos eleitores não conseguiu porque não compareceu às urnas, votou em branco, anulou ou, simplesmente, escolheu alguém que não teve voto suficiente para garantir uma vaga.

Em uma ou em outra situação, o certo é que dentro de poucos dias, semanas, meses a eleição será passado e, muito provavelmente, boa parte do brasileiro esquecerá em quem votou, por isso temos de aproveitar este momento, em que a discussão política ainda está viva, para darmos início a mais uma etapa do projeto Adote um Vereador, que se iniciou em 2008. Vamos ampliar estas fronteiras.

Ainda nesta semana, Mário Cezar Nogalez colocou no ar o Blog Fiscalizando Aloysio Nunes, onde irá postar todas as informações que obtiver sobre o senador eleito. Ele, com apoio de voluntários, já mantém um blog para fiscalizar Eduardo Suplicy PT, desde o ano passado.

Deputados estaduais e federais também devem ser alvo deste controle da sociedade com acompanhamento dos primeiros movimentos antes mesmo da posse e, depois, do trabalho deles no parlamento. Algumas experiência neste sentido já existem na Assembleia Legislativa de São Paulo, mas os resultados mais avançados ainda se concentram nas câmaras municipais.

Participar do Adote (um Vereador, um Deputado ou um Senador) é muito mais simples do que parece e com resultados bem interessantes, seja na forma do parlamentar agir seja na consciência que o ‘adotador’ desenvolve.

Escolha um dos parlamentares eleitos, abra um blog e publique todas as informações que você considerar importante sobre o trabalho dele.

Para conseguir estas informações, não deixe de acompanhar o noticiário no rádio, TV e jornal; crie uma rotina e procure referências ao político nos sites de busca; se for possível mande e-mails cobrando posições e respostas sobre o tema de seu interesse; se quiser vá até o gabinete dele, peça para ser recebido por ele, conheça aquele ambiente de trabalho e reproduza suas sensações.

Encontro neste sábado

Uma vez por mês, integrantes do Adote Um Vererador de São Paulo se reúnem em volta da mesa do bar do Centro Cultural São Paulo, na rua Vergueiro, a partir das duas horas da tarde. É um encontro informal, marcado pela troca de experiência e contação de história sobre a relação com os “adotados”. Não adianta perguntar para a coordenação do Centro onde estaremos porque eles nunca sabem. Às vezes, nem mesmo nós. Mas lá na lanchonete do Centro, a mesa mais animada e com uma placa do Adote um Vereador em cima é onde estaremos.

Conheça um pouco mais desta experiência no wikisite do Adote um Vereador e no site Adoteumverador.net.

Controle os políticos, antes que os políticos controlem você.

Você é responsável pelo seu voto

 

A caminho da urna, você será assediado por dezenas de cabos eleitorais e, talvez, ouvirá sugestões de última hora do amigo que encontrar na seção. Caído na calçada ou ilegalmente colado no poste, haverá “santinhos” espalhados com a cara e o número de gente nem tão santa assim. Ter seu voto influenciado por este ataque na reta final não é bom indício.

A sua escolha tem de ser feita com antecedência. Com tempo suficiente para pensar sobre os critérios que o levam a votar neste ou naquele candidato e partido. É preciso ter consciência de que o seu eleito ficará ao menos quatro anos no Executivo ou Legislativo, e se for um senador, terá oito anos de mandato.

A lista de candidatos eleitos a ser anunciada sabe-se lá quando, devido a insegurança jurídica proporcionada pelo parlamento e pelo judiciário, é resultado da sua decisão e da sociedade, também. Portanto, não adianta reclamar de “tudo isso que está aí” se no momento do voto, você escolhe qualquer um “porque são todos iguais”.

Quanto mais você é convencido pelas ideias que estão entre aspas no parágrafo acima, mais os mesmos se perpetuam no poder. Beneficiam-se aqueles que apostam no cenário nebuloso da política brasileira para garantir sua cadeira no parlamento, de onde se esforçarão para manter tudo como sempre esteve.

Se você acredita na necessidade de mudança, comece pela maneira de escolher seu candidato. Pense bem antes de teclar o número dele na urna eletrônica. Reveja seus conceitos, repense os critérios usados até aqui, informe-se sobre os compromissos que ele assumiu durante a campanha, e o comportamento que teve quando assumiu algum cargo público.

Os meios de comunicação, tradicionais e digitais, têm oferecido uma série de fontes para que você saiba um pouco mais sobre o seu candidato. O pessoal da igreja que você frequenta, os amigos do clube, a turma do escritório e os parentes também podem ser consultados em caso de dúvida.

Saiba, porém, que diante da urna a decisão é única e exclusivamente sua. Não desperdice a oportunidade conquistada por aqueles que lutaram em favor da democracia no Brasil. Não se deixe levar pela propaganda mais legal ou de última hora; pelas promessas baratas ou campanhas caras; pelas carinhas bonitas ou corpos esculturais; pela fama da personalidade ou má-fama do personagem.

Você é responsável pelo seu voto e, portanto, valorize este ato.

Ouça entrevista com Gilberto de Palma, diretor do Instituto Ágora em Defesa do Eleitor, sobre a campanha do Voto Responsável

Se quiser mais sites para ajudar na sua escolha, clique em “Internet ajuda a escolher seu candidato”

Haja paciência, vereador !

 

“O exercício de um cargo público exige também o exercício da paciência”.

A frase abre artigo assinado pelo vereador Aurélio Miguel do PR que está publicado em jornal de bairro que circula em redutos eleitorais dele. Nada mais apropriado do que ele falar sobre o tema, afinal é um vereador que chegou a política impulsionado por seus feitos em esporte no qual a paciência é um mérito.

Surpreendeu-me, porém, o que li nas demais linhas de texto que tomou espaço considerável da publicação.

Aurélio Miguel não exercita a virtude da paciência para suportar a pressão de grupos econômicos poderosos que tentam – e conseguem – influenciar as decisões na Câmara. Ao menos não é sobre isto que o vereador escreve.

Como também não é sobre a necessidade de praticá-la com o intuito de obter sucesso nas negociações com forças políticas antagônicas dentro da Casa. Menos ainda a propósito do tempo para o convencimento de seus pares na aprovação de algum projeto de lei que, por ventura, tenha interesse em particular.

O que demanda muita paciência do vereador, está escrito, é o comportamento de instituições que “se auto-intitulam fiscais dos mais diversos poderes”.

Diz lá: “a crítica fácil, os julgamentos apressados e feitos sob critérios pouco claros, sem rigor técnico, baseados no ‘achismo’ de seus autores terminam publicados como verdades ‘verdadeiras’. Notas são dadas pelos desempenho dos legisladores e governantes”.

E reclama: “No caso da Câmara Municipal, boa parte dos avaliadores nunca sequer colocou os pés no Palácio Anchieta. Baseiam suas análises a partir de dados parciais, critérios subjetivos e sem nenhum conhecimento do trabalho legislativo”.

Aurélio Miguel não é original em seu pensamento, lamentavelmente.
Reproduz o que parte de seus pares diz nos gabinetes ou mesmo no plenário da Câmara. Ficam incomodados pela  vigilância do cidadão – organizado ou não. Preferem o eleitorado amorfo que se restringe ao ato de votar.

Mesmo tendo se consagrado pela coragem com que enfrentava seus adversários, no artigo Miguel preferiu não citar o nome das “organizações não governamentais (ongs) e outras instituições particulares”, apenas levantar suspeitas: “A questão está em saber quem as financia e quais os verdadeiros motivos que as movem”.

É uma pena, pois com isso vai me obrigar a partir para o ‘achismo’ que tanto exige de sua paciência.

Das instituições que fiscalizam o trabalho dos vereadores, conheço bem ao menos uma: o Voto Consciente. A esta, porém, não cabe a crítica de que seus integrantes desconhecem a ação parlamentar, pois os ‘fiscais’ assistem às reuniões das comissões, participam de audiências públicas e acompanham as sessões em plenário. Mais não controlam porque a própria Câmara impede.

Tampouco procede a reclamação sobre os critérios usados pelo Voto Consciente para a avaliação anual que faz dos vereadores. Estes são de conhecimento público, devidamente divulgado aos parlamentares e, em sua maioria, objetivos. Não se avalia, por exemplo, o comportamento de um determinado vereador quando tem seus interesses negados em uma determinada subprefeitura. É difícil de ver e mensurar tal atitude.

Dos cidadãos que expandem seu papel de eleitor ao cotidiano do legislativo, conheço alguns,  parte reunida em torno de uma ideia lançada no CBN SP, o Adote um Vereador. Mas a estes chega a ser risível a desconfiança sobre o interesse de seus financiadores e do que os move. Do cafezinho que pagam nas reuniões mensais a passagem de ônibus que usam para visitar a Câmara Municipal, o dinheiro tem origem conhecida: o trabalho de cada um.

A motivação ? A cidadania.

(“E o senhor acha pouco ?”, perguntaria o motorista Eriberto França.)

Sei lá se são estes grupos e pessoas que levaram Aurélio Miguel a desabafar. Tivesse sido mais transparente, facilitaria a vida deste leitor.

Mas que fique bem claro, aos incomodados e impacientes: o cidadão tem o direito – chego a dizer, o dever – de fiscalizar, monitorar e controlar o trabalho dos parlamentares, conheça ou não o que é feito dentro da Câmara Municipal, na Assembleia ou no Congresso Nacional.

E para fazer este trabalho é preciso mesmo, vereador, muita paciência !

Estou de saída e hoje vou pedalando !

Vou tentar mais uma vez. Depois de completar o percurso de 14 quilômetros do Desafio Intermodal, vou encarar 18 pedalando no Dia Mundial Sem Carro. Na primeira vez não havia compromisso com o tempo, apenas com a causa. Desta vez, tenho de estar atento aos dois.

Para quem está acostumado com a bicicleta como meio de transporte, tarefa simples. Para mim, sempre um desafio.

Saio logo cedo de casa, próximo do Portal do Morumbi, e vou para o bairro de Santa Cecília, quase no centro, onde está a rádio CBN. Lá “bato ponto” às 10:02, assim que a vinheta do CBN SP vai ao ar. Meu “guia do pedal” Marcelo Mig disse que é bom sair às 7 e meia da manhã e não ter necessidade de acelerar o pedal. Cheguarei, se o previsto ocorrer, com boa antecedência.

Ele também me fez vários alertas: não esqueça o capacete; óculos para proteger é importante, e de preferência troque os pneus por modelo mais apropriado ao asfalto. Luz de alerta na frente e atrás, luvas, câmbio ajustado e espaço para o celular que vai gravar parte do trajeto foram cuidados que eu acrescentei na lista.

Vou sair pela avenida Eliseu de Almeida para fugir da complicada Francisco Morato. Apesar dela não ser grande coisa, também, era lá que deveria haver uma das muitas ciclovias prometidas na cidade. Se tudo der no tempo certo, encontrarei uma turma de ciclistas lá no fim da Bela Cintra para recuperar o fôlego da subida até o espigão da Paulista. Dali pra frente, é só descida.

O que interessa mesmo é me convencer de que posso usar a bicicleta sempre que sentir necessidade. E chamar atenção para o fato de que a cidade precisa se adaptar a este modelo de transporte, também.

Se não somos capazes de criarmos pistas específicas e mais seguras que sejamos de construir uma consciência cidadã em favor da bicicleta.

Até mais !

Adote um Vereador destacado em jornal do NE

 

Webcidadania

A dificuldade que partidos e políticos têm encontrado para explorar de maneira apropriada a internet se contrapõe ao uso que o cidadão faz das ferramentas que tem à sua disposição. Quem reforça esta ideia que tenho há algum tempo, é o jornalista Charles Cadé, consultor e especialista em redes sociais, em entrevista ao jornal Diário do Nordeste – indicada ao Blog por Claudio Vieira pelo Twitter

Dentre as várias experiências que permitem a participacão política dos usuários da rede, apontadas na reportagem, Cadé destaca o trabalho do Adote um Vereador e o jornal explica que a ideia do projeto desenvolvido em São Paulo “é o usuário acompanhar o mandato do parlamentar e postar, em uma plataforma tipo enciclopédia virtual, todas as ações referentes ao mandato do vereador da Capital”.

Cadé constata que “O cidadão não pode participar da democracia só de dois em dois anos, com o voto. Esse trabalho de engajamento deve ser diário. É realmente um grande desafio”.

Veja outros projetos citados pelo Diário Do Nordeste:

Eleitor2010

Espaço para que o internauta acompanhe detalhes da legislação e dos crimes eleitorais e denuncie qualquer prática criminosa, apontando no mapa (Google Maps) os locais em que ocorreram os atos ilícitos.

Sem Sujeira

O blog posta imagens de poluição visual nas cidades e, nestas eleições, está se dedicando a mostrar as propagandas visuais irregulares de muitos candidatos.

Extrato Parlamentar

A intessante plataforma submete o internauta a um questionário sobre temas atuais e projetos de discussão nacional e traça um perfil dele com o dos candidatos do estado que ele indicar na consulta.

Vote na Web

O site submete à votação dos internautas os projetos que estão sendo discutidos no Congresso Nacional. O cidadão pode votar pela web.

Google Eleições 2010

Por meio da página, o eleitora tem acesso à nota dos principais candidatos a presidência da República. É só indicar o presidenciável e o mapa mostra o destino dos candidatos.

Um dia na Câmara de Vereadores de São Paulo

 

Vereador discursa e plenario não presta atenção

Os três mosqueteiros e seus seguidores.

Claudio Vieira, Massào Uéhara e Sérgio Mendes, são três cidadãos paulistanos que acreditam no efeito da participação da sociedade na vida do legislativo. Por isso, aderiram a ideia do Adote um Vereador e conectados em rede passaram a tarde a informar, pelo Twitter, o dia de trabalho dos parlamentares paulistanos. À distância, Mário Nogales e Alecir Macedo retuitavam e trocavam informações

Logo que chegaram à Câmara souberam pela segurança que somente poderiam tomar assento nas galerias – espaço reservado ao público – após a chegada dos vereadores em plenário. Esperaram até que as portas se abrissem. Eram os três e mais duas pessoas ligadas ao Serviço de Zoonose.

“Quorum total: 5 cidadãos ! Pífia a presença do POVO” – escreveu Cláudio Vieira, o mais agitado dos três.

Convenhamos, nem pode ser diferente. Quem deveria incentivar a presença do cidadão no parlamento são os menos interessados. Quanto menos gente lá em cima a controlar, “mais” se pode fazer lá em baixo. Sem contar que boa parte das decisões tomadas na Casa é às portas fechadas em conversas de gabinete ou na reunião dos líderes, que o cidadão não tem o direito de assistir.

Painel da CMSP as 15h55

Cidadãos em seus postos e vereadores, também – ao menos no painel eletrônico. O número de presenças no placar, porém, não condizia com os gatos pingados que apareciam diante da mesa diretora. “Eles registram presença pelo leitor biométrico, na sala que fica ao lado do plenário, ou ao lado de um elevador próximo; depois sobem para seus gabinetes e ficam livres para voar, inclusive os que são candidatos podem sair a fazer campanha”, soube Cláudio.

Massáo decidiu, então, fotografar o plenário quase vazio no que foi interrompido por um policial militar que faz a segurança no local (deve ser para que o povo não invada as galerias). “Só com autorização do 8º andar”, disse a autoridade. Pouco satisfeito com a resposta, enquanto Massao seguia a fotografar, Sérgio foi ao céu – ou ao tal 8º andar, onde foi informado que por ser um popular (e do Adote), e não um jornalista, não precisava de autorização. O policial aceitou a resposta “mas ficou de longe, sem entender o que aqueles três malucos faziam ali”, relatou Cláudio.

Logo que vereadores souberam que a “imensa maioria” do público presente fazia parte do Adote um Vereador, reagiram. Alguns com simpatia acenavam lá de baixo, como Floriano Pesaro (PSDB) e Dalton Silvano (PSDB). “Escreve no Twitter que estou aqui”, disse este último. O presidente da Casa e candidato suplente ao Senado, Antonio Carlos Rodrigues (PR) retribuiu os cumprimentos recebidos de um dos populares que ocupavam as galerias.

Os debochados também marcaram presença. Milton Leite (PMDB) chegou quase no fim da sessão e fez piadinha: “Olha eu estou aqui, heim ! Podem me fotografar que estou aqui”. Nos bastidores, costuma dizer que quanto mais falam mal dele, mais ele fica popular.

Plenario da CMSP

Sessão encerrada. Encerrada ? Como ? E os projetos de lei a serem votados ?

Não havia quorum. Ou seja, não tinha vereador suficiente para que os trabalhos continuassem. É que apesar de haver mais ou menos 47 parlamentares registrados no painel eletrônico, apenas mais ou menos 17 estavam no plenário para votar. Na maioria das vezes, eles fazem vistas grossas e votam assim mesmo, no que chamam de votação simbólica.

Desta vez, porém, havia cinco cidadãos para contar a história.

96% dos projetos de deputados são de baixo impacto

 

adoteTem nota boa, sim. E tem muita nota ruim, também. Mas o maior problema dos deputados estaduais de São Paulo pode ser identificado quando se verifica os índices de produtividade nos quase quatro anos de mandato.

Dos 1.533 projetos que se transformaram em leis, 96% são de baixo impacto e se resumem a denominações de equipamentos públicos, inclusão de datas em calendário turístico, entre outros – segundo avaliação do Movimento Voto Consciente.

Não bastasse isso, o rendimento das comissões parlamentares é mínimo conforme levantamento feito pela ONG que fiscaliza a atuação na Assembleia Legislativa de São Paulo. Os encontros deveriam ocorrer às terças, quartas e quintas-feira, porém “a falta de quórum é gritante” disse Rosângela Giembinsky, coordenadora do Voto Consciente. Em média, as comissões fizeram 40 reuniões em três anos – pouco mais de 10 por ano. “Tem comissões que se reuniram cinco ou seis vezes em todo este tempo”, contou.

O resultado é preocupante a medida que a maioria dos deputados concorre à reeleição, ou seja pretende voltar ao parlamento apesar de não ter cumprido seu papel no atual mandato. Rosângela Giembinsky explica que “o levantamento do Voto Consciente tem a intenção de levar ao cidadão o trabalho do deputado dentro do parlamento”. Ela sugere que o eleitor também leve em consideração o que pensa, quais as ideias e a ação que este deputado realiza fora da Assembleia Legislativa.

Ouça a entrevista de Rosângela Giembinsky, do Voto Consciente, ao CBN SP


Veja aqui a nota dos deputados estaduais