Duas oportunidades para a gente conversar sobre “É proibido calar!”

 

 

Nesta sexta-feira, dia 10 de agosto, estarei na Bienal do Livro, em São Paulo, onde participarei de uma conversa, com o filósofo Luis Felipe Pondé, mediada pela colega de CBN Fabiola Cidral. O tema central será “Em tempos tão difíceis como os atuais, como a filosofia pode nos ajudar?”. O convite surgiu a partir do lançamento do livro “É proibido calar! Precisamos falar de ética e cidadania com nossos filhos” (Best Seller) sobre o qual conto algumas histórias em vídeos que publicarei aqui no blog, a partir de hoje. O encontro na Bienal será das 18h30 às 19h30, na Arena Cutural – M080. Se for até lá, será um prazer conversar com você.

 

Já antecipo que o lançamento oficial do livro será na segunda-feira, dia 13 de agosto, às 19 horas, na Livraria Saraiva do Shopping Ibirapuera, em São Paulo. E lá eu terei ao meu lado a Cássia Godoy que aceitou o convite para conversar comigo sobre histórias e pensamentos que me levaram a escrever “É proibido calar!”. Logo depois do talk show, que será gravado para ser reproduzido na programação da CBN, teremos a sessão de autógrafos.

 

Nos próximos dias, também confirmo datas e locais de lançamento no Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte, Curitiba e Vitória.

A Lei da Ficha Limpa e a candidatura de Lula

 

Por Antônio Augusto Mayer dos Santos

 

A candidatura do ex-presidente Lula homologada em convenção realizada neste sábado, é uma miragem. A sua mais singela cogitação esbarra em postulados elementares de Direito. Na prática, a expectativa de registrá-la orbita em torno de uma ficção. Por quê? Porque a Lei da Ficha Limpa é incisivamente clara: decisão colegiada reconhecendo a prática de crimes contra a administração pública e de lavagem ou ocultação de bens e valores torna inelegível o condenado. É exatamente o caso. Nunca antes na história desse país havia acontecido com um ex-chefe de Estado.

 

Diante das decisões proferidas pela 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (Porto Alegre/RS), a pacífica jurisprudência do TSE assinala pela impossibilidade de concorrer.

 

Ressai daí que embora a tal candidatura venha sendo trombeteada por meses a fio mediante o uso sagaz de manifestações públicas, discursos parlamentares e redes sociais, a mesma não reúne os requisitos legais exigíveis.

 

Isso tudo somado à movimentação da engrenagem estatal (tribunais, servidores, serviços) em nome e função de uma candidatura que afronta normas e colide à interpretação pretoriana evidencia intolerância à organização do sistema. Porém, conforme recentemente reafirmado em bom tom pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral, quem estiver inelegível pela Lei da Ficha Limpa “está fora do jogo democrático”.

 

As vozes e vontades de uma parcela da população que brada de forma contrária, não encontram lastro para amparar uma pretensão que, em última análise, se configura ilegítima e agride a ordem jurídica.

 

Noutro giro, não obstante argumentos metajurídicos brotarem aqui e acolá, por vezes num providencial plantão judiciário de domingo, o certo é que o ex-mandatário está impedido de ser votado por conta da pena de 12 anos e um mês de reclusão que lhe foi imposta.

 

Ante a legislação vigente e jurisprudência dominante, preso ou solto, Lula está enquadrado como inelegível até 2026.

 

Antônio Augusto Mayer dos Santos é advogado especialista em direito eleitoral, professor e escritor. Autor de “Campanha Eleitoral – Teoria e Prática” (2016). Escreve no Blog do Mílton Jung.

Inspirações, pressões e sugestões que me levaram a escrever “É proibido calar!”

 

 

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A ideia do livro surgiu da editora. O nome, de um convidado. A coragem, de uma colega. O incentivo, de minha mulher e meus filhos. A solidariedade de uma figura que vai lhe parecer tão estranha quanto excepcional. Já as histórias surgiram dentro de casa — da minha, das dos meus avós, dos meus pais e de gente conhecida.
 

 

“É proibido calar! Precisamos falar de ética e cidadania com nossos filhos”, meu quarto e mais novo livro, começou em uma conversa de livraria, no café da Cultura, no Conjunto Nacional, na avenida Paulista, em fevereiro, quando a editora Best Seller me procurou propondo que eu escrevesse sobre ética e política. Reticente, como costumo ser diante de desafios que considero grandes demais para mim, desconversei, puxei outros assuntos e imaginei que entre nós o café bem tomado já estaria de bom tamanho. Fui vítima de minha própria estratégia, pois ao ouvir minhas histórias de família e da relação com meus pais e meus filhos, a editora retomou o tema inicial, revelou sensibilidade e o adaptou para a minha realidade: vamos falar sobre ética e cidadania com nossos filhos! — disse-me entusiasmada.
 

 

Pedi algumas semanas para pensar —- tempo suficiente para arrumar uma desculpa e quem sabe deixar esse papo para lá. Ganhei apenas alguns dias de prazo. E não precisava muito mais mesmo: já estava convencido de que a proposta era tentadora e mexeria com os meus instintos mais profundos. Falar sobre a relação com meus pais e meus filhos em público era assustador tanto quanto emocionante — e nesse coquetel de emoções montei um projeto inicial, rabisquei um roteiro a ser seguido e comecei a escrever.
 

 

Escrever sempre foi motivo de sofrimento e prazer. Desde o primeiro livro, Jornalismo de Rádio, de 2004, passando pelo Conte Sua História de São Paulo, da mesma época, e do Comunicar para Liderar, de 2015, enfrentei as mesmas reações e embates: internos e externos.
 

 

Havia prazo para a entrega do livro, prazo para copidesque, prazo para observações, prazo para mudanças, prazo para o prefácio, para a orelha, para as colaborações, para a capa, para a diagramação, para a impressão e para o lançamento. Ao mesmo tempo que os prazos me pressionavam, me desafiavam e isso tende a me ajudar.
 

 

Na caminhada, além do apoio da editora, ganhei o incentivo em casa, apesar de eles por aqui não terem ideia das inconfidências que eu seria capaz de cometer.
 

 

Fui encorajado quando uma das mais respeitadas jornalistas que conheço, Miriam Leitão, aceitou, leu e escreveu o prefácio do livro — e que histórias incríveis compartilhou com os leitores:
 

 

“Por que estou contando tudo isso? Porque este livro que o leitor tem em mãos nos faz pensar profundamente sobre nós mesmos, nossas relações com os pais e com os filhos. No meu caso, também em relação com os netos”

 

 

E fiquei fortalecido ao ler o texto que o filósofo Mário Sérgio Cortella, de inteligência impar neste país. me enviou para publicar na orelha do livro:
 

 

“Mílton Jung recusa a falência da esperança e produz uma narrativa plena de beleza”.
 

 

Cortella não se conteve e sugeriu —- no que foi aceito imediatamente — o nome para o livro. “É proibido calar!” — nome preciso, matador e chamativo, como devem ser os títulos de livros:
 

 

“…(Mílton) decidiu agora nos falar sobre o que não podemos não falar com nossos filhos: ética e cidadania”.
 

 

Agradeço muito à Miriam e ao Cortella por terem aceitado participar deste projeto tanto quanto ao Walter Maierovitch, ao Oded Grajew e à Tabata Amaral que registraram o que pensam sobre ética e cidadania para os nossos filhos — em frases que estão publicadas na quarta capa do livro.
 

 

Minha gratidão à Abigail, ao Gregório, ao Lorenzo, aos meus pais e à minha família que me ajudaram a entender o verdadeiro papel dos pais nestes tempos modernos.
 

 

Meu muito obrigado à editora Best Seller por apostar na minha capacidade e me desafiar.
 

 

E — não posso deixar de registrar: valeu Bocelli, que me acompanhou durante toda esta aventura, fazendo questão de ficar junto de mim, às vezes sobre o próprio teclado do computador, enquanto eu me esforçava para cumprir minha tarefa. Você, como sempre, foi um baita companheiro!

Se é proibido calar, então vamos falar!

 

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Contextualizando pauta e roteiro do livro ontem anunciado pelo Mílton Jung, cabe ressaltar o raro e grave momento em que o nosso país precisa deste fio de esperança.

 

Mílton tem absoluta razão a registrar, a feliz oportunidade de discutir os males causados pelo incessante individualismo vigente, açodado pelo infeliz desrespeito ao bem público, em benefício ao próprio bolso. Em sua fase mais aguda. Num tempo em que ainda há chance de mudança.

 

E dentro desse cenário gostaria de sinalizar e aplaudir, que tanto os pontos referendados da ética e da cidadania levantados teriam mesmo que ser levados à nova geração. E, o começo pelos filhos é providencial e genial.

 

Não tenho dúvida e nem esperança que a velha ou a atual geração hoje no poder possa ser modificada.

 

O caminho é o indicado pelo autor de “É proibido calar!”. Precisamos pregar aos nossos filhos, a civilidade plena. Ética e moral. Não podemos calar. Vamos falar.

 

E votar.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung

Apresento a você meu novo livro: “É proibido calar!”

 

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“Sou apaixonado pelo que faço. E o que faço parte do público sabe por ouvir falar.
Sou jornalista e apresento um programa de rádio.
Falo muito, na crença de que os outros vão ouvir. E falo da vida dos outros, pois o jornalista conta histórias do cotidiano que interessam ou devem interessar às pessoas — de preferência para ajudá-las a construir seu próprio pensamento.

 

Falo de políticos e politiqueiros. De autoridades e autoritários. De pessoas sobre quem vale a pena falar. E de uma gente que não valeria uma nota de rodapé, mas acaba nas manchetes pelo cargo que ocupa e pelo mal que perpetua.
Falo para inspirar as boas ações e para incentivar transformações, mas também para denunciar aqueles que ocupam a vida pública em benefício privado, que desviam nosso dinheiro para o próprio bolso e que, com os tostões que nos levam, deixam o brasileiro sem hospital, sem escola, sem segurança e sem dignidade.

 

Mas não pense que eu só falo!

 

Tem outras coisas que faço, coisas que poucas pessoas conhecem, mesmo porque são da minha vida particular — e não deve ser interessantes para os outros. Essas coisas eu também faço por amor.

 

Este livro me provocou a falar sobre uma dessas coisas.
Sobre a coisa que eu mais amo fazer: ser pai.”

 

Assim inicio minha conversa com os leitores de “É proibido calar! Precisamos falar de ética e cidadania com nossos filhos” — publicado pela Best Seller do Grupo Editoral Record.

 

Antes desse já havia escrito “Jornalismo de Rádio”, “Conte Sua História de São Paulo” e “Comunicar para liderar”— em coautoria com a fonoaudióloga Leny Kyrillos. Todos até aqui ligados, direta ou indiretamente, a profissão que escolhi exercer: o jornalismo.

 

Esta é a primeira vez que me atrevo a escrever sobre missões que escolhi para a vida: ser pai e ser cidadão. É a partir dessas duas perspectivas que compartilho com o leitor momentos que vivenciei dentro de casa, com meus pais, meus avós e meu filhos. Cometi algumas inconfidências, porque só sei escrever a partir de histórias que vivenciei.

 

Também escrevo sobre experiências com gente que “faz política de verdade, mesmo que a prática seja demonizava por boa parcela dos brasileiros devida aos maus exemplos que vemos todos os dias. Gente que faz política na cidade, na escola, no trabalho e na comunidade”. Uma turma que acreditou, há dez anos, na ideia de participar da rede Adote um Vereador.

 

A partir dessas escritas tento mostrar a crença que tenho no papel de pais, mães e toda pessoa que “aceitou o convite que a vida lhe fez de ser o responsável por assegurar a sobrevivência e o desenvolvimento pleno de uma criança”. Somos — e me incluo por ser pai de dois filhos — fundamentais na educação das nossas crianças que tem de estar baseada em princípios e valores éticos. Que não se constróem apenas por palavras, mas, e principalmente, por atos e ações — até porque a ideia do “faça o que eu digo, não faça o que eu faço” faliu. Somos referências e como tais temos de nos comportar.

 

O livro é lançado agora não por coincidência — sua publicação tem muito a ver com o processo político que estamos assistindo no Brasil às vésperas de uma importante e complexa campanha eleitoral. Indignados, milhares de brasileiros têm negado a política e revelado sua descrença com os acontecimentos registrados no país.

 

Minha proposta é que em vez de deixarmos o espaço público à disposição daqueles que há algum tempo já demonstraram estarem a serviço apenas de seus interesses privados e desistirmos do país, comecemos a desenvolver ações de mudança buscando influenciar aqueles que estão a nosso alcance: nossos amigos, nossos colegas, nossos parentes e nossos filhos — principalmente nossos filhos. É a partir deles que podemos ajudar a reconstruir uma sociedade justa e generosa. Portanto, temos de assumir a responsabilidade pela criação deles com base na ética, educando as crianças para a vida pública, transformando-as em cidadãos, com direito à felicidade — deles, de suas famílias e de seu país.

 

Nos próximos dias, estarei aqui no blog conversando mais sobre este projeto e contando algumas curiosidades da sua construção. O livro será lançado oficialmente em agosto, mas já pode ser encomendado pela internet.

 

Espero que você goste e também compartilhe a sua experiência e o seu desejo de transformar o país, começando pela sua própria mudança de comportamento diante dos desafios e dilemas que o cotidiano nos apresenta.

Um crime contra a liberdade de se fazer política

 

 

Por Mílton Jung
criador do Adote um Vereador SP

 

 

 

 

Os vereadores têm o dever de defender os valores fundamentais para que as pessoas possam viver e terem chances iguais de felicidade. Dentre esses valores estão o respeito aos direitos humanos, a liberdade de expressão e a democracia. Aqueles que constróem seu mandato pautados nessas ideias devem ser respeitados e valorizados, pois fazem da política uma arte maior.

 

 

Os assassinos de Marielle Franco, vereadora pelo PSOL do Rio de Janeiro, morta na quarta-feira à noite, no centro da cidade, quiseram atingir esses valores e mais uma vez colocar a sociedade como refém do medo.

 

 

Marielle foi eleita com 46,5 mil votos, a quinta mais votada no Rio de Janeiro, e teve sua trajetória dedicada a defender bandeiras relacionadas ao feminismo, aos direitos humanos e aos moradores de favelas.

 

 

Mesmo que a apuração ainda esteja em curso, as características do crime não deixam dúvidas: foi uma execução. E fica muito claro que, com este ato, os assassinos e seus mandantes pretendem enviar a mensagem de que não vale a pena fazer da política uma ferramenta em favor do bem comum.

 

 

Que ninguém se engane e pense nesse acontecimento como se fosse um ato isolado. O que Marielle Franco sofreu foi o grau máximo de violência que os defensores dos direitos humanos sofrem em seu cotidiano.

 

 

A intolerância em relação aos que acreditam no direito à vida e à liberdade é frequente e ocorre de diversas formas: na maior parte das vezes, através de palavras; outras tantas, pelo descrédito oferecido a seus porta vozes; e em alguns casos com a violência física que pode, inclusive, levar à morte, como ocorreu com a vereadora carioca.

 

 

Infelizmente, persiste em parcela da sociedade a ideia que a defesa dos direitos humanos é a defesa dos bandidos. A ponto de o assassinato de Marielle Franco estar servindo de cenário para este falso dilema.

 

 

É preciso entender que se defendemos de verdade os direitos humanos, não temos o direito de escolher quem os merece. São direitos de todos. Se quero que o homem de bem seja respeitado, tenho por obrigação oferecer este mesmo respeito a todos os demais seres humanos, independentemente de seu comportamento.

 

 

Aos que cometem crimes contra a sociedade e violentam o cidadão cabe a justiça. E justiçar não é vingar. A sociedade que age com o sabor da vingança é uma sociedade injusta.

 

 

Nós do Adote um Vereador acreditamos na ideia de que a proximidade do cidadão, através do monitoramento e fiscalização do mandato, é importante para que os parlamentares atuem nas câmaras municipais em busca do bem comum.

 

 

Portanto – e peço licença aos demais participantes para dizer o que digo -, não podemos aceitar em hipótese alguma qualquer atitude que vise coibir a ação legítima desses representantes.

 

 

Sendo assim, espera-se que a polícia e as autoridades brasileiras investiguem com rigor e eficiência esse crime que pretende calar todos os parlamentares e pessoas que defendem os direitos fundamentais. Espera-se que os assassinos – os que mandaram matar e os que cumpriram a ordem – sejam identificados, julgados e condenados pelo crime cometido.

 

 

Que a justiça seja feita em nome da nossa liberdade de fazer política seja através de um mandato – como devem fazer os vereadores – seja através da ação cidadã – como fazemos nós no Adote um Vereador.

Adote um Vereador: conversas cruzadas e satisfação pessoal

 

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Foi há quase uma semana, mas ainda lembro bem de alguns assuntos. Na mesa 17 em que a turma do Adote um Vereador se reuniu, sábado passado, no café do Pateo do Colegio, havia muitas conversas cruzadas: política, cidadania, participação ativa, reclamação do prefeito, do vereador e do próprio cidadão.

 

Logo cedo chegaram pai e filho, Ary e Gabriel. O pai participa de vários grupos aqui na capital e seu objetivo é “polinizar” – levar aos outros ideias e inspirações para que se transformem em novas ideias e inspiradores. O filho estuda em Assis. E um dos programas lá no interior é visitar a Câmara Municipal para assistir ao trabalho dos 13 vereadores. Tem a ajuda de um advogado da região que aponta erros e enganos nos projetos de lei e procedimentos dos parlamentares.

 

Os dois queriam saber o que nos levava àquela mesa todo segundo sábado do mês. Satisfação pessoal, falei de bate-pronto, sem autoridade sob o grupo. É possível que os outros tenham dito coisas diferentes: cidadania, ativismo, realização, transformação .. não cheguei a ouvir bem porque, como disse, as conversas eram cruzadas.

 

E nessa troca de palavras, dois santo-andreenses se identificaram: Almir de Azevedo, também novato no grupo, e Gabriel Vasconcelos, recém-chegado, que ainda não adotou ninguém, mas tem consultado nomes e participado de discussões na Câmara de São Paulo. Esteve lá na Virada Paulista. E demonstra interesse em persistir.

 

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Aliás, persistência é outra palavra que tem muito a ver com o trabalho que realizamos há 10 anos. Pois não faltaram motivos para acreditar que fazemos pouco e nossos desejos jamais se realizarão. Quantas vezes perdemos colegas que pareciam dispostos a mudar a cidade, mas desistiram da caminhada? E cada vez que um se vai, um pingo de frustração aparece.

 

Em compensação, quando fico sentado naquela mesa do Pateo do Collegio – e chego cedo para assistir a essas cenas – e vejo a chegada de um por um sinto respingos de ânimo e satisfação. Aquela satisfação pessoal sobre a qual comentei com o Ary.

 

O Alecir, a Lúcia, a Rute e a Gabriela – mãe e filha sempre ativas -, o Moty, a Silma e o Vitor, todos velhos conhecidos, e persistentes como eu, estiveram por lá e ajudaram a transformar esses respingos em uma enxurrada.

 

Confesso que, sem demérito a nenhum dos companheiros que estão há mais tempo conosco – tenho certeza que eles entenderão o que vou dizer -, a coisa fica ainda melhor na aparição de gente nova como o Ary, o Gabriel, o Almir e o Adriano de Souza, que também se aprochegou, puxou a cadeira, pediu um café e com brilho nos olhos revelou seu entusiasmo em fazer algo para melhorar a cidade.

 

Estar no Adote me traz satisfação pessoal, sim. Mesmo que a descrença teime em surgir quando enxergo nossos limites e incapacidade de organização e mobilização. E me traz essa satisfação pois toda vez descobrimos que em algum lugar, por mais distante que seja, tem alguém que ouve falar do nosso trabalho e por conta própria renova sua esperança no poder do cidadão.

 

A propósito, e você: por que está no Adote? Ou por que não está no Adote?

Um canal para exercer o seu papel de cidadão

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

 

 

Cada vez mais cobramos o papel do Estado perante a sociedade que, obviamente, tem suas obrigações e leis a seguir. Mas convido você, leitor do Blog do Mílton Jung, a questionar a si próprio:

 

“estou cumprindo o meu papel de cidadão?”

 

Boa parte do que nos deparamos no cotidiano é fruto de nosso comportamento. Temos o dever de seguir as leis e nos desvincular do famoso “jeitinho brasileiro” em pequenas ações, por exemplo: estacionar em local proibido, parar em vaga especial para idoso … quantas vezes ouvimos as pessoas dizendo “são apenas 5 minutinhos”? A lista vai à frente: cobrar por fora, pagar um dinheiro extra para que seu serviço saia antes, furar a fila e mais um monte de coisa que você sabe do que estou falando.

 

Na capital de São Paulo, o cidadão tem canais digitais que podem ajudá-lo a exercer o papel de guardião da cidadania. A prefeitura paulistana desenvolveu, há algum tempo, um site e também um aplicativo para celular – o SP156, disponível para download na AppStore e Google Play – nos quais os contribuintes podem denunciar reserva irregular de vaga (aqueles famosos cones que pessoas e estabelecimentos comerciais colocam na rua para “guardar” estacionamento) e veículos estacionados em local proibido; solicitar de poda de árvore, inclusão ou atualização de placas e sinalizações de trânsito na rua, consertos no asfalto, entre outros.

 

É possível também denunciar veículos abandonados em via pública. Esse último, chega a ser assustador se lembrarmos da Teoria das Janelas Quebradas (Broken Windows Theory) – modeloamericano de política de segurança pública no enfrentamento e combate ao crime, cuja visão fundamental é que a desordem é fator de elevação dos índices da criminalidade.

 

O nosso papel cada vez mais será fundamental para a construção de um bairro, uma cidade, um país melhor… não apenas porque estamos desesperançosos com nossos governos, mas principalmente porque é gratificante termos o poder de fazer o bem por nós, pelo próximo e para as gerações futuras.

 

E você, o que está fazendo pela sua cidade?

 

Ricardo Ojeda Marins é Coach de Vida e Carreira, especialista em Gestão do Luxo pela FAAP, Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. É também autor do Blog Infinite Luxury e escreve no Blog do Mílton Jung.

Adote um Vereador: o legado da Virada Política agita grupos e cidadãos

 

 

O único grupo de WhatsApp do qual faço parte está agitado nestes últimos dias. Sim, é verdade. Por incrível que pareça, só tenho meu nome incluído em um desses muitos grupos que surgem por aí, apesar da insistência de parentes, amigos e outros quetais. Costumo correr deles – dos grupos – como o diabo da cruz. Não é antipatia, não! É incapacidade de administrar tantas conexões ao mesmo tempo.

 

Estou incluído apenas no grupo do WhatsApp do Adote um Vereador de São Paulo que reúne algumas das pessoas dispostas a acompanhar o que acontece na Câmara Municipal. E aceitei porque as regras para publicar mensagem são bastante rígidas e cumpridas por todas. Se interessar a você, as publicarei qualquer dia desses.

 

E é o pessoal do Adote que está agitado, ao menos desde o fim de semana retrasado. Não é por acaso. Foi quando tivemos a Virada Política que reuniu uma centena de pessoas na Câmara Municipal de São Paulo, além de outros dois locais na capital e mais uma dezena de cidades pelo Brasil.

 

Estive na Virada há dois anos quando ocorreu em uma casa no bairro de Pinheiros, na Zona Oeste. Já havia me surpreendido com a maneira como os participantes são capazes de se organizar no caos das discussões naquela oportunidade. Sábado retrasado quando estive na Câmara apenas tive a confirmação do que já imaginava: esses caras são incríveis!

 

 

A primeira pessoa que encontrei ainda no saguão da Câmara foi a Milena Franceschinelli. Ela fez parte do Adote há mais ou menos dois anos. Foi tocar suas próprias atividades e agora integra a organização da Virada. Estava entusiasmada com os trabalhos em andamento. Fiz questão de destacar minha satisfação em ver que a Virada concentrou boa parte de sua força na Câmara, onde as políticas públicas e os debates que impactam a cidade ocorrem.

 

Por mais que a presença nas diferentes comunidades que temos na capital paulista seja fundamental para que se desvende o que realmente pensa e quer o paulistano de todas as matizes, levar as pessoas e as discussões para dentro do legislativo quebra com o preconceito e o desconhecimento.

 

No Adote, há quase dez anos, defendo a ideia de que o cidadão pode e deve participar da política da sua cidade e interferir nas decisões dos vereadores. Temos canais para isso e se ocuparmos nosso espaço na Câmara ficará mais difícil dos parlamentares darem de ombro, como costumam fazer, às nossas opiniões.

 

 

No sábado em que participei da Virada havia uma ação denominada “Flertaço” para a qual todos os 55 vereadores foram convidados a participar. Era chegar, sentar em uma cadeira e aguardar a presença de pessoas interessadas em conversar (ou flertar) com eles. O Gabriel e a Gabriela, do Adote, aproveitaram a oportunidade. Momento de fazer um cara a cara com o seu representante: perguntar, questionar, sugerir, trocar ideias. Pelas minhas contas, foram de seis a sete vereadores apenas. Os mesmos de sempre, os poucos que costumam incentivar a participação cidadã no parlamento. Parabéns a eles!

 

Fui interessado em assistir ao debate com representantes de movimentos eleitorais que têm se apresentado ao longo do último ano. A despeito de estarem presentes 10 pessoas no palco, o que dificulta o aprofundamento de ideias, em pouco mais de uma hora, foi importante para mostrar que existem diferentes frentes de atuação na cidade. Algumas já são conhecidas como o pessoal do Vem Pra Rua e do Frente Favela Brasil. Apresentou-se também o RenovaBR, apartidário e disposto a preparar pessoas dispostas a se candidatar no ano que vem, oferecendo apoio pedagógico e financeiro aos que forem selecionados – é uma espécie de incubadora de candidatos à eleição de 2018.

 

 

A conversa não se encerrou com a Virada.

 

Como disse, a agitação persistiu no WhatsApp com trocas de informações, inspirações e impressões sobre o encontro. Vitor, Silvia, Rute, Sonia, Danilo, Moty, Silma e Eliana têm tratado de suas “descobertas” a partir do encontro: seja um nome de vereador para o qual devemos ficar atentos pelo trabalho realizado, seja um nome de vereador para o qual devemos ficar alertas pelas manobras realizadas, seja por uma iniciativa que vale a pena ser levada à frente.

 

O Danilo, mais sistemático, fez uma espécie de relatório sobre o que presenciou na Virada. Tento aqui fazer um resumo das informações relatadas por ele:

 

– o APP Cívico propõe várias ferramentas digitais, principalmente para organizações.
– o Atlas Político faz um ranking de políticos
– o Mudamos permite angariar assinaturas eletrônicas para projetos de lei de iniciativa popular.
– Carla Meireles apresentou o site Politize! de educação política.
– Laila Bellix destacou as cartilhas da Controladoria Geral do Município de São Paulo e do Artigo 19 sobre como fazer um pedido de informação pela LAI que seja menos sujeito a negativas.
– Leandro Salvador mencionou o site Achados e Pedidos da Transparência Brasil que reúne solicitações de cidadãos feitas pela LAI, com as respectivas respostas do governo.

 

Inspirado pelas conversar, o Gabriel que já havia estado conosco nas reuniões do Adote, quer aprofundar o seu trabalho e recebeu a ajuda da Eliane sobre como abordar o seu vereador. Neste ano, criamos uma série de perguntas que podem ser enviadas aos vereadores adotados. Reproduzo-as neste post, para relembrar a todos:

 

– Conte sua trajetória até se transformar em vereador:
– Quais serão as principais pautas para o ano de 2018?
– Qual o projeto de lei prioritário para o/a senhor/a?
– Como o/a senhor/a pensa em compor o gabinete? Qual o critério para a escolha dos funcionários? Eles estão relacionados a área em que você pretende atuar? Tem algum tipo de política de diversidade na escolha dos funcionários do gabinete?
– Qual o critério que o/a senhor/a vai usar para decidir como serão os gastos do seu gabinete?
– O/A senhor/a assinou alguma carta compromisso ou plano durante a campanha?
– Qual sua relação ou como pretende se relacionar com a prefeitura?
– Como o/a senhor/a pretende fiscalizar o trabalho da prefeitura?
– O/A senhor/a vai criar algum instrumento que facilite o acesso do cidadão as ações do seu mandato?
– Qual a sua opinião sobre (escolha um ou mais temas do seu interesse para saber o que o/a vereador/a pensa)

 

Como se percebe, há muitos e bons motivos para o grupo do Adote um Vereador estar tão ativo. É isso, aliás, que me faz permanecer nele, apesar de todas as implicâncias que tenho com este tal de WhatsApp.

Adote um Vereador : os mesmos nomes e as mesmas caras mas sempre dispostos a mudar

 

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Era meio de feriado e sábado de calor intenso: o último dia de calor antes do domingo que chegaria com uma hora a menos e termômetros em baixa, em São Paulo. O ideal para passear na cidade, caminhar no parque, encontrar os amigos no boteco ou ficar à toa. Nada disso é suficiente, porém, para demover algumas pessoas que conheço de um programa que repetem todo segundo sábado do mês, faça sol ou faça chuva: eles se sentam em torno de uma mesa para falar de política e cidadania, no Pateo do Collegio, centro da capital paulista.

 

No sábado, mesmo com todos seus atrativos não foi diferente. Lá estavam velhos e novos conhecidos que participam do Adote um Vereador tratando de temas da nossa cidade. E da nossa política. Nossa mesmo. Porque apesar de aqueles que nos representam não estarem a altura do que gostaríamos, somos responsáveis por controlar o trabalho que realizam. A política que se faz aqui é de nossa responsabilidade. Impacta a minha e a sua vida. Temos de estar atentos.

 

Digo isso porque é curioso ouvir de algumas pessoas dúvidas em relação ao projeto sempre que dizemos que estamos ali para adotar um vereador. “Mas tá difícil de encontrar algum pra adotar, heim!?” – disse-me um dos que visitavam o Pateo pela primeira vez e estava curioso em relação ao que fazíamos naquela mesa.

 

Tá nada, amigo (e amigas)! Adotar é bem simples.

 

Ao contrário do que pensam, adotar não é apoiar. Não é gostar ou admirar. Isso a gente deixa para os cabos eleitorais. Adotar é controlar, monitorar, fiscalizar e espalhar o que se controla, monitora e fiscaliza. Quanto pior estiver, mais motivos temos para adotar. Se o cara ou a cara não nos ouve, vamos gritar. Se não nos atende, azar! Vou falar o que penso, publicar o que quero e seus assessores que corram atrás para dar uma resposta.

 

Difícil é escolher um para eleger. Alguém que entenda o papel de representante público e atue com coerência, equilíbrio e a responsabilidade que o cargo exige. O nosso objetivo é, ao adotar o vereador, mostrar ao cidadão o perfil, os projetos que propõe, como se comporta, opiniões que dá, a atenção que oferece ao cidadão. E assim ajudá-lo a ter mais informações sobre o vereador, o que permitirá uma escolha mais consciente na próxima eleição. Além disso, nós mesmos aprendemos sobre nossos direitos, nossas responsabilidades e o papel que o vereador deve exercer. Até onde vão os direitos e as responsabilidades deles.

 

Do bate-papo desse sábado, uma curiosidade: um dos nossos trouxe panfleto com anúncio de conferência sobre democracia participativa, que foi realizada, se não me engano, em 1997, na Câmara Municipal. Na relação de participantes, nomes conhecidos nossos: Marco Antônio Teixeira, Gilberto Di Palma, Oded Grajew …. Dentre eles, Sônia Barbosa, que estava mais uma vez ao nosso lado e começou seu trabalho de cidadã na fundação do Movimento Voto Consciente, criado em 1987, e atualmente compartilha sua experiência com a gente.

 

Curioso foi perceber que naquela lista havia em destaque os mesmos nomes que encontraremos em conferências, seminários e discussões sobre democracia participativa nos tempos atuais, com as exceções de praxe e caras novas que por ventura tenham surgido neste tempo. Mudaram muito pouco os nomes e as caras.

 

Convencer outras pessoas a estar conosco tem sido mesmo um tremendo desafio. Sempre que se fala em política, muitos saem correndo: “não quero me envolver com essas coisas”. Política não é coisa ruim, não. É coisa boa. Tem é uma turma que usa essa coisa de maneira errada. Pra coisa errada. E a gente tenta provar que só com a participação popular pode-se mudar este cenário. E uma das maneiras de participar é adotar um vereador.