Por Abigail Costa
Chega uma certa idade, um certo alguém e, como um relógio, bate o instinto materno. Neles, o paterno. Começam as conversas, os planos de ter um filho e, por fim, o desejo é concretizado. Passado o momento de emoção, o lado racional cutuca.
Do jeito que o mundo está, da maneira como andam as coisas, o que restará para eles?
A sua responsabilidade vai até um certo ponto. Num dado momento não será mais possível seguir de mãos dadas com as “nossas crianças”. Até para encontrar alívio próprio, você acaba se dando respostas otimistas. Daquelas: “é, mas a tecnologia avança a cada dia”, “as descobertas da medicina andam aceleradas”.
Um dia você abre o jornal e lá está: “Fulano, aquele eleito com trocentos votos, tem um castelo”. Que bom ! Uma maravilha que a Receita Federal desconhece. Prá quem lê o assunto, vira o estômago. Fico imaginando, para quem votou nele a sensação deve ser: “FDP!”. Com razão.
Passa mais uma semana e alguns dias e outra bordoada. “Ele” que tem um cargo de confiança, que trabalha há mais de dez anos em Brasília, diz que declarou a compra de um terreno numa área nobre da cidade. O valor da terra: 180 mil reais. Um detalhe foi esquecido. Um detalhe de cinco milhões de reais, preço estimado da “residência”.
E daí ? De que vale a tecnologia para desviar o trânsito, para construir aterros sanitários ? De que vale o homem receber um coração totalmente artificial, se o que corre nas veias é a ganância, a falta de vergonha ? Eles mentem ou, politicamente correto, omitem.
Calma ! Sou otimista por vocação. O que me faz acreditar que no futuro, naquelas cadeiras do Planalto Central, poderão estar sentados homens de bem é a criação que investimos em nossos filhos hoje. Não se trata de quem pode pagar uma escola particular ou não. Falo de valores que não são aprendidos, necessariamente, em instituições de ensino.
Outro dia, tive o privilégio de ouvir do meu pequeno:
– “Papai, como a criança pode ganhar dinheiro sem depender da mesada?”
– “Porque a pergunta, filho?”
– “Quero tanto ajudar quem tem menos do que eu !”
Ele, junto com os seus filhos, seguramente vão tentar fazer desta uma vida melhor.
Abigail Costa é jornalista e toda quinta-feira, neste blog, mostra por que ainda acredita na capacidade do cidadão