Conte Sua História de SP 468: os embalos de domingo na USP

Samuel de Leonardo

Ouvinte da CBN

Cidade Universitária da USP Foto Wikipedia

Naqueles anos de 1970, assim como os nossos embalos de sábado à noite, com reuniões entre amigos e “bailinhos na garagem”, foram marcantes, as tardes de domingo igualmente nos deixaram saudades. Morávamos próximos à Cidade Universitária — era assim que chamávamos o campi da USP. Sem muitos recursos para o lazer, procurávamos lugares que pouco ou quase nada nos custavam: era lá o nosso refúgio.


No decorrer da semana, no pátio da escola, combinávamos os encontros em frente aos colégios Daniel Paulo Verano Pontes ou Lourival Gomes Machado – ambos no bairro do Rio Pequeno, região do Butantã. Desses pontos partíamos em turmas de até 20 jovens, formadas por meninos e meninas. Trago na memória cada um daqueles amigos e amigas com os quais compartilhamos momentos especiais nas tardes de domingo.


Era quase rotina sairmos a pé em direção à Cidade Universitária.  Nada entendíamos de paisagismo ou de arquitetura, mas o “leiaute” da sua estrutura nos encantava, nos atraía, simplesmente uma magia.

Em suas alamedas desfilávamos absoluto. Nos gramados verdejantes um futebolzinho sem compromisso, linhas nas mão e pipas no ar. Nas sombras de seus arbustos, namoricos sem malicia, amizades sem cobrança — ainda nos sentíamos crianças. Ah, quantas lembranças! Cada cantinho daquele lugar; o nosso “playground”; o espaço predileto de todos. Tudo aquilo nos era familiar. 


Ao término dessa agitação, nos sentíamos recarregados para enfrentar a “segundona” e partíamos para nossas casas, sem uma despedida formal, com a certeza de que aquela não seria a última tarde de domingo.


Agora, maduro e longe de ser taxado de saudosista, posso atestar convicto que, de todos os encantos dessa pauliceia gigante, o campi da USP, no Butantã, é para mim o lugar especial nessa imensidão de cidade, quer seja pela sua pujança, quer seja pelas lembranças. 


Samuel de Leonardo é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Você ainda pode participar das comemorações dos 468 anos da nossa cidade. Envie seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos, visite o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Conte Sua História de São Paulo 465 anos: a travessia na ponte de canos para nadar no lago da “Cidade Universitária”

 

Eduardo Coelho Pinto de Almeida
Ouvinte da CBN

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Hoje, levando minha esposa para fazer um exame com o médico que a operou há 15 dias, colocando uma prótese na cabeça do fêmur, atravessei a ponte que sai da Praça Panamericana e vai para a Rua Alvarenga. Reparem quando passarem nesta ponte, neste sentido, do lado esquerdo, sobre o Rio Pinheiros: existe uma outra ponte, somente para suportar canos enormes, penso eu que de água potável.

 

Quando eu era criança, hoje tenho 81 anos, só existia aquela ponte, não existia esta que atravessei hoje. Eu morava em Pinheiros e do lado de lá, do lado do Butantã, onde hoje é a Cidade Universitária, existia uma lagoa, penso eu que era no lugar onde está a raia olímpica da USP, não tenho certeza, mas era por ali e o lugar era conhecido como Cachoeirinha.

 

Era costume das crianças da nossa vizinhança, ou como diziam os vizinhos, os moleques, irem nadar na Cachoeirinha. Era costume mas nossos pais proibiam. E por isso íamos escondidos. Meu irmão Mário era, e é, cinco anos mais velho do que eu. Penso que ele tinha 12 e eu sete anos de idade. Eu queria ir também sempre que os ouvia combinando de nadar lá. Mas eu morria de medo para atravessar por cima dos canos daquela ponte e talvez por isso ou porque era realmente perigoso ele nunca queria me levar.

 

Criança que eu era, não sabia que é muito feio fazer chantagem, e então eu fazia: “ou me leva ou conto pra mãe que você foi nadar escondido”. E ele me levava. Coitado, pagava do mesmo jeito porque nadávamos de cueca, que eram brancas, antes de nadar, e chegavam em casa cor de barro. O castigo vinha da mesma forma, mas eu conseguia ir nadar na cachoeirinha.

 

Eduardo Coelho Pinto de Almeida é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Participe da série em homenagem aos 465 anos da nossa cidade: envie seu texto agora para contesuahistoria@cbn.com.br.

Cidade Universitária e a “Operação Portuga”

 

O livro é sobre corridas de rua ou sobre gente que corre, como ressalta na orelha o autor, jornalista Sérgio Xavier, da Placar. Da leitura de “Operação portuga – cinco homens e um recorde a ser batido” (Arquipélago Editorial), porém, destaco neste post trecho que fala de área privilegiada da capital paulista que não pode ser perdida pelo olhar míope de gestores públicos, a Cidade Universitária:

Não há placas nos postes, mas as regras são conhecidas. A primeira pista é deles, dos corredores. A segunda é ocupada pelos cilcistas, que costumam se deslocar em pelotões. Na terceira, os carros se espremem. Quem desrespeita essa lei tácita será xingado com fúria. O sentido dos corredores é habitualmente o anti-horário. As bicicletas é que andam no sentido horário. Os treinadores montam suas estruturas ao longo da Universidade de São Paulo, a USP.

Não há nada parecido no mundo. A Cidade Universitária é um espaço na zona oeste de São Paulo com 36 km de avenidas e alamedas. Durante a semana, a vida acadêmica da o tom do lugar. Alunos se deslocam de carro ou de ônibus. Nas calçadas, professores caminham com livros debaixo do braço. De segunda a sexta, a USP se parece com o que realmente é, uma universidade. Na manhã dos sábados, porém, a vida do lugar muda. A Cidade Universitária se transforma em uma das maiores áreas esportivas do Brasil.

Não vira exatamente um parque, porque ninguém esstá ali para passear ou caminhar com os filhos. A USP passa a ser um imenso campo de treinamento que chega a receber mais de cinco mil pessoas em uma única manhã. Pela grande extensão plana, pelas áreas sombreadas, pelo modo como os atletas acuaram os carros e lhes tomaram duas das faixas de rodagem, não há lugar melhor na cidade de São Paulo para se treinar. É possível escolher a rota plana de 6 km, a com subida de 10 km, a menos movimentada de 12 km, cada um faz o seu caminho. Os treinadores das grandes assessorias espalham pontos de abastecimento de água pela Cidade Universitária, a tribo do esporte dominou o pedaço

Para saber o que é a “Operação Portuga” vá na livraria mais próxima ou encomende pela internet

USP vai punir vítima pra evitar roubo de bicicleta

 Cadastrar ciclistas e apenas permitir a entrada de quem tiver em mãos uma carteira de identificação são as maneiras que a USP encontrou para reduzir o número de roubos de bicicleta dentro da Cidade Universitária, na zona oeste da capital paulista. Foram três bicicletas roubadas em dezembro, além de uma série de violências que vão desde acidente de trânsito a furto e roubo.

Para os demais casos, a coordenadoria do Campus a USP não tem uma solução aparente, pois admite que faltam vigilantes para atender toda a área da universidade. De acordo com estatísticas oficiais da USP, ocorreram 29 furtos qualificados e 11 roubos no mês de novembro (último mês em que as estatísticas foram publicadas). Desde setembro, o número de casos de violência registrados tem aumentado na comparação com o mesmo mês do ano anterior. Por exemplo, em novembro de 2008 ocorreram 61 registros contra 84 em 2009.

Ouça as justificativas do coordenador do Campus da USP Antonio Marcos Massola, em entrevista ao CBN SP

Restringir o acesso de ciciclistas no campus para evitar roubos de bicicletas é inverter os papéis e punir às vítimas.