Obrigado, 2018! Bem-vindo, 2019!

 

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Obrigado, 2018!

 

Sei que você — caro e raro leitor deste blog —- tem os mais variados motivos para reclamar do ano que se vai. Muita gente boa, perdemos nesse caminho. Outros tantos, se perderam por aí. Tem quem se encontrou, mas do lado oposto que se imaginava e não conseguiu voltar. E no meio dessa multidão, houve crise ampliada, emprego perdido, doença que maltrata, golpe na praça e tantas mazelas que levaram muitos de nós a desejar o fim deste ano, o mais rapidamente possível.

 

E acabamos formando uma torcida  pela chegada de 2019, não pelo que nos reservam os próximos 365 dias, mas por aquilo que queremos deixar para trás,  como se a virada do calendário fosse uma espécie de “zerésima”, em que tudo começa do zero — dos problemas às contas. Infelizmente, não é assim que funciona. Ou felizmente, porque seria muito ruim se à meia-noite do dia 31 de dezembro zerassem as memórias dos instantes que nos fizeram sorrir e dos problemas que nos fizeram aprender.

 

Ok, não foi fácil para ninguém, não é mesmo?

 

Comigo não foi diferente.

 

Fui exposto a alguns desafios e tive de olhar no olho do adversário. Houve momentos em que pensei que o melhor era atravessar a rua e não encontrar o desafeto — como se o desvio eliminasse os males proporcionados pelo outro. Tive de fazer escolhas, e nas escolhas sempre deixamos para lá alguma que teria proporcionado muito mais prazer do que encontramos no caminho que decidimos percorrer.  Tive medo, fui inseguro, preocupei-me em demasia e as minhas fragilidades tornaram muito mais difíceis os desafios que fui obrigado encarar. Sem contar os amigos dos quais nos afastamos diante dos mais variados motivos. E as doenças que deixaram pessoas queridas mais distantes.

 

Dei trabalho para os mais próximos, também. Porque não sou fácil de entender. Perdi a chance de comemorar com a devida alegria algumas das conquistas, pois me emaranhei na dúvida do merecimento.  A preocupação chegou muito antes da hora e sem me dar o direito ao princípio da presunção do sucesso. Atrapalhei-me comigo mesmo e atrapalhei os outros, mesmo que muitos tenham dito: tudo bem, não precisa se desculpar!

 

Não, 2018, não foi fácil para ninguém.

 

Que me perdoem os céticos e rabugentos, a despeito de todo e qualquer problema, meus e seus, não posso encerrar este ano sem agradecer por 2018. E não agradeço pelo seu fim, como talvez muitos o façam durante o estouro dos foguetes. Agradeço pela sua existência.

 

Vivenciei momentos muito especiais. Comemorei os 25 anos de casamento e assisti aos meus filhos serem reconhecidos pelo trabalho que realizam e pela forma como se relacionam com a vida. Eles amadureceram e trouxeram neste crescer parte daquilo que ajudamos a construir juntos.

 

Publiquei um livro, o quarto, no qual reproduzo muito do que penso sobre as relações pessoais e em sociedade —  foi uma experiência emocionante. E com o livro, viajei pelo Brasil, onde conheci uma gente genial —- que torce pela gente, que está ansiosa para conversar e que tem muito a ensinar com suas palavras.

 

Foi, também, o ano em que mais exercitei o dom da paciência, especialmente para suportar ataques, ouvir críticas e ter a conduta profissional questionada por todo tipo de pessoa. E isso também foi muito bom, pois aprendi como lidar nessas situações —- para ser sincero, estou aprendendo, ainda preciso melhorar muito.

 

E por 2018 ter sido tão generoso comigo, eu agradeço. Como agradeço a você — caro e raro leitor deste blog — que passou por aqui, deu uma espiadela em um texto, compartilhou outro, registrou sua mensagem ou torceu o nariz para o que leu. Sua presença neste espaço é mais um ótimo motivo para comemorar o ano que se encerra.

 

Seja bem-vindo, 2019!

De ORAÇÃO na comemORAÇÃO

 

Por Maria Lucia Solla

Ouça “De ORAÇÃO na comemORAÇÃO” na voz da autora

Flores Maria Lucia Solla

Olá,

vou deixar que o ego fale de uma vez, e em primeiro lugar como é do seu feitio, para que ele se aquiete e permita que o divino fale, e que eu me cale.

vitória
e isso sem dúvida
é motivo de história

Durante duzentas semanas produzi um texto por semana. Ininterruptamente. Escrevi dos lugares mais inusitados, mas escrevi. Escrevi sorrindo, chorando, mergulhada em todo tipo de emoção.

jorrei alegria quando tinha
tristeza eu deixava fluir
quando vinha

sussurrei gritei
militei dengosei
no fundo e na superfície
me domei

e sigo me apequenando dia a dia
ante a Criatura e o Criador
na alegria e na dor

Criador que a religião quer enlatar
nas suas leis quer encaixar
nas palavras dos livros sagrados quer justificar
exclusividade vive a alardear
e que graças a Ele nada disso consegue alcançar

e termino agradecendo
a você que me vem lendo

lembrando um trecho da Oração de Cáritas, onde pedimos, na minha leitura:

Pai/Mãe,
dai-nos a força de ajudar o progresso a fim de subirmos a Vós;
dai-nos caridade, fé e razão;
dai-nos simplicidade para que nossas almas reflitam a Vossa Imagem.

Comemore comigo e pense nisso, ou não, e até a semana que vem.

Maria Lucia Solla é terapeuta, professora de língua estrangeira e realiza curso de comunicação e expressão. Aos domingos, escreve no Blog do Mílton Jung sempre com uma oração à vida