Erros humanos: a pressão da perfeição e o caso de Ludmilla no GP de São Paulo

Por Christian Müller Jung

Reprodução de imagem da transmissão oficial do GP Brasil da F1

A psicanalista clínica Jassanan Amoroso Dias Pastore, em seu artigo “Quem é o Culpado,” escreveu:

“O ideal de perfeição, característica do contemporâneo, contribui para o desenvolvimento da culpa, na medida em que o aparecimento de qualquer erro, inerente a todo processo de aprendizagem, é sentido como um fracasso.”

Na nossa sociedade, o erro é visto como falha, incapacidade e até mesmo incompetência! Somos tão cobrados pela eficiência que cometemos julgamentos, jogamos a empatia para debaixo do tapete e prontamente apontamos o dedo!

Refiro-me ao “erro” neste artigo — e já falei sobre os meus como MC em solenidades em outra oportunidade — pelo ocorrido nos últimos dias com a cantora Ludmilla, no GP de São Paulo de Fórmula 1. Ela teria esquecido a letra do Hino Nacional. Negou o esquecimento e alegou que houve uma falha no som do microfone. Independentemente do que tenha acontecido, de imediato, o tribunal das redes sociais já lhe atribuiu o julgamento de gafe, desrespeito ao símbolo nacional, falta de preparo, enfim, uma série de adjetivos negativos que colocam em dúvida a capacidade do ser humano.

Não me canso de falar, ao vivo tudo é muito diferente. Tudo pode acontecer, até mesmo quando nos sentimos extremamente preparados e capacitados para tal. O que nos permite ser melhores que a inteligência artificial em matéria de sentimentos e humanidade, por outro lado, nos torna cruéis em não admitir que nem tudo que se faz é por querer e que os erros podem sim acontecer.

Pode ter sido excesso de confiança? Pode! Pode ela ter ensaiado várias vezes e não ter errado nenhuma? Pode! Poderia ela ter utilizado o recurso da leitura para acompanhar e não dar chance ao erro? Sim, tudo isso pode! Mas aconteceu! Ou, aparentemente, aconteceu! E, mais do que o nosso constrangimento, para Ludmilla, talentosa na arte de cantar, o julgamento interno deve estar cobrando a cada instante que se lembra do ocorrido, ainda que tenha se tornado uma estrela nesse caldeirão cultural que consome artistas de uma hora pra outra.

De origem humilde, filha de dançarina que teve o pai preso quando tinha apenas um mês e treze dias, não pode errar. Sim, ela deve se cobrar muito mais do que dizem as redes sociais, entre um copo e outro de cerveja na mesa do bar. Somos perfeitos e imbatíveis, mas, na maioria das vezes, não colocamos a cara para bater.

E amanhã, quem será o próximo? O nosso Hino Nacional não tem uma letra fácil, e certamente você já ficou só mexendo os lábios durante uma execução ou já trocou alguma estrofe. É natural. Mas a menina que um dia foi pobre não pode errar. 

Acompanho o trabalho da fonoaudióloga Thays Vaiano, que cuida de inúmeros talentos, entre eles a cantora Ludmilla. O que demonstra, por parte da artista, o respeito e responsabilidade que tem com o seu instrumento de trabalho, a voz e com a própria carreira! Aliás, é da Thays o termo que gosto de utilizar de “ATLETAS DA VOZ!” Sim, porque é isso que nós que usamos essa ferramenta de comunicação somos. Ainda sim, seremos eternamente dependentes da nossa memória. E são inúmeros os pensamentos na hora do “AO VIVO” e os atrativos visuais que podem nos tirar da linha de raciocínio e nos levar à falha.

E, certamente, ouviremos do Ipiranga às margens FLÁCIDAS (como dito pelo ex-presidente da República em vídeo que pode ser conferido na internet), se erguer a clava forte da justiça e aí entenderemos que errar o Hino não é descaso nem desrespeito, é humano, assim como aconteceu com a Cantora Fafá de Belém, Vanusa, Luan Santana e Carlinhos Brow. Diga-se de passagem, já vi um cantor de ópera errar e um secretário de cultura que também é cantor se atrapalhar com a letra!

Talvez, um dia (não creio), veremos que um filho teu não foge à luta, nem teme, quem te adora, a própria morte, terra adorada, entre outras mil, os filhos deste solo tentam, mas não conseguem assim como tu ser mãe gentil, Pátria amada, Brasil!

Christian Müller Jung é publicitário de formação, mestre de cerimônia por profissão. Colabora com o blog do Mílton Jung — o irmão dele, com muito orgulho.

Dez Por Cento Mais: compreendendo os conflitos conjugais

Foto de Alex Green

O número de divórcios ultrapassou a marca de um milhão, em junho de 2023, refletindo uma tendência preocupante de separações conjugais. O psicólogo Juliemerson Garcia, em entrevista ao programa Dez Por Cento Mais, enfatizou que muitos casais não se separam porque deixaram de se amar, mas sim porque deixaram de se entender. A falta de entendimento mútuo leva, em muitos casos, ao caminho mais fácil, que é a separação. 

Especialista em conflitos conjugais, Juliemerson também mencionou a influência da cultura familiar na formação dos conflitos. Cada pessoa traz consigo sua história de vida, crenças, valores e regras aprendidas em sua família de origem. Quando esses aspectos não são compreendidos e discutidos de forma clara no relacionamento, os conflitos tendem a surgir com o tempo. 

A influência na criação dos filhos

Na entrevista a Abigail Costa e Simone Domingues, o psicólogo fez uma observação interessante sobre como a diferença na criação de filhas e filhos pode prejudicar os relacionamentos. Ele destacou que, muitas vezes, as mães tendem a catapultar suas filhas, incentivando-as a buscar autonomia e independência desde cedo. Enquanto isso, com os filhos, as mães costumam adotar um papel de acolhimento constante. Essa diferença na criação pode levar a desequilíbrios nas relações futuras, com os homens buscando o acolhimento constante das parceiras. 

Outro ponto abordado foi a divisão de tarefas domésticas. As mulheres têm enfrentado desafios relacionados à sobrecarga de trabalho, tanto no mercado profissional quanto nas responsabilidades domésticas. Muitas vezes, a falta de colaboração por parte dos parceiros gera conflitos, deixando as mulheres com a sensação de estarem sobrecarregadas mentalmente e fisicamente. 

Invista na qualidade da comunicação

A má gestão financeira também foi apontada como uma causa comum de conflitos nos relacionamentos. A falta de diálogo sobre questões financeiras, aliada à falta de cooperação na administração das finanças, pode levar a desentendimentos significativos.

A falta de comunicação tem se mostrado um dos fatores mais relevantes na origem dos conflitos conjugais, como evidenciado por Juliemerson. Ele destacou a importância da comunicação eficaz entre casais e como a ausência dessa habilidade pode levar a desentendimentos e problemas nos relacionamentos.

O psicólogo apontou que a comunicação assertiva é uma habilidade que muitas vezes precisa ser desenvolvida ao longo do tempo. Garcia enfatizou que ser assertivo envolve a capacidade de expressar pensamentos, sentimentos e preocupações de maneira clara e empática, em vez de responder com monossílabos ou silêncio quando confrontados com um problema.

“A assertividade não é uma habilidade inata, mas algo que precisamos desenvolver. É a capacidade de comunicar aos outros com empatia o que estamos pensando e sentindo”

Evite o jogo de adivinhação

Um dos principais obstáculos à comunicação eficaz é a tendência de muitas pessoas em tentar adivinhar o que seus parceiros estão pensando, em vez de realmente expressar seus próprios sentimentos e preocupações. A leitura da mente  é uma armadilha comum que pode levar a mal-entendidos e conflitos.

É importante que casais reconheçam a necessidade de aprimorar suas habilidades de comunicação, desenvolvendo a capacidade de se expressar de maneira clara, empática e oportuna. À medida que a comunicação melhora, os casais têm a oportunidade de fortalecer seus relacionamentos e enfrentar os desafios juntos, construindo uma base sólida para um futuro mais harmonioso. Afinal, como enfatizou Julie Emerson Garcia, a comunicação é a chave para uma relação saudável e feliz.

Dica Dez Por Cento Mais 

Ao fim da entrevista, Juliemerson Garcia destacou a importância de se conhecer a linguagem do amor, ao deixar sua Dica Dez Por Cento Mais:

“Uma coisa fundamental é que os casais, cada vez mais, não importa quanto tempo tenha transcorrido já desde o início dessa relação, procurem compreender a linguagem de amor, como diria Gary Chapman, que um e o outro fala. Existe uma linguagem de amor. Muitas vezes velada, muitas vezes não abordada, não conversada. Se interesse pela pela história de vida do seu cônjuge desde antes de estarem juntos: o que aconteceu? o que você passou? Para entender que em determinado momento, às vezes, um elogio é tão importante para aquele cônjuge, um reconhecimento é tão fundamental, palavras de incentivo são tão fundamentais. Então, conheçam a linguagem de amor um do outro”.

Assista ao Dez Por Cento Mais

O programa Dez Por Cento Mais pode ser assistido, ao vivo, toda quarta-feira, às oito da noite, no YouTube, com apresentação de Abigail Costa e Simone Domingues. A entrevista completa também está disponível em podcast no SPotify:

A prepotência humana

Por Nina Ferreira

@psiquiatrialeve

Ilustração produzida pelo Dall-E 2

Queremos comer açúcar e não inflamar nosso corpo nem engordar.

Queremos usar celular o tempo todo e não ter ansiedade.

Queremos estimular o cérebro até tarde da noite e dormir bem.

Esses são só alguns exemplos da nossa prepotência enquanto espécie humana.

Nós nos julgamos muito inteligentes, espertos, tecnológicos, avançados… e ficamos brigando com quem manda – a natureza.

Epidemias, catástrofes naturais, a parte sombria do ser humano que leva a ofensas, fome, guerras… isso tudo prova que quem manda não somos nós – “os grandes pensadores”, “a espécie especial”.

Temos sim algum poder de escolha das nossas atitudes; no entanto, a lei de causa e efeito é certeira e nos obrigará a sentir e viver as consequências de cada ato realizado.

E, para além do que nossa razão é capaz de compreender, existem fatores que não têm “explicação”, são “injustos”, mas ocorrem mesmo assim.

Então, perante essa clara realidade…

Até quando?

Até quando vamos nos desencaixar do que a natureza desenhou pra gente, insistir em fazer coisas fora do adequado e esperar um resultado “nada menos que perfeito”?

Coerência. Falta muito, pra nós, humanos dos tempos de hoje (talvez tenha faltado desde sempre). Não há colheita boa sem plantio de boas sementes, sem cuidado no cultivo, sem obedecer às leis universais.

Eu faço essa reflexão aqui dentro de mim e me pego nessa prepotência diversas vezes – faço um esforço (já que não é nada natural nem prazeroso) pra me corrigir.

Te convido a trabalhar a coerência, se encaixar no fluxo da natureza, agir de acordo com os resultados que deseja obter… Te convido a ser verdadeiramente esperto e estratégico ao caminhar pela vida e, assim, ser verdadeiramente dono de si e feliz.

A Dra. Nina Ferreira (@psiquiatrialeve) é médica psiquiatra, especialista em terapia do esquema, neurociências e neuropsicologia. Escreva a convite do Blog do Mílton Jung

Dez Por Cento Mais: mindfulness e auto-compaixão são caminhos para uma vida mais plena

Foto de Yan Krukau

Em uma sociedade onde a crítica, comparação e busca incessante pela perfeição frequentemente dominam nossos pensamentos, é fundamental acolher a nós mesmos com gentileza e compreensão, reconhecendo nossas imperfeições como parte essencial de nossa humanidade. Fenícia Andrade, psicanalista, destacou a importância da auto-compaixão em nossa jornada de autoconhecimento e bem-estar no programa Dez Por Cento Mais.

A entrevista conduzida por Abigail Costa e Simone Domingues começou com uma reflexão sobre como a mente humana muitas vezes se torna uma inimiga de nosso próprio crescimento. Fenícia ressaltou que nossa mente pode sabotar nossos esforços quando alimentamos crenças disfuncionais enraizadas em nossas experiências passadas, especialmente da infância, resultando em profecias autorrealizáveis que minam nossa confiança e nos impedem de buscar oportunidades.

O poder transformador do mindfulness

Fenícia também explorou como nossa atenção frequentemente é desviada por estímulos externos e internos, tornando desafiador manter o foco. Durante a entrevista, ela enfatizou a importância de viver o momento presente e como o mindfulness pode aprimorar nossa qualidade de vida. A mente humana muitas vezes se prende a pensamentos sobre o passado ou preocupações com o futuro, resultando em ansiedade e estresse. No entanto, o mindfulness nos permite direcionar nossa atenção para as sensações presentes, proporcionando uma experiência mais rica e equilibrada do mundo ao nosso redor.

Fenícia explicou que o mindfulness envolve a prática de observar nossos pensamentos sem julgá-los, permitindo-nos entender melhor nossos padrões de pensamento e nos afastar de pensamentos negativos ou preocupações desnecessárias. Ela também compartilhou técnicas simples que todos podem incorporar em suas vidas diárias para praticar a atenção plena, como prestar atenção às sensações ao escovar os dentes, tomar banho ou realizar tarefas comuns.

A necessidade de exercitar a auto-compaixão

Um aspecto crucial discutido na entrevista é a Auto-Compaixão. Fenícia comparou a autoestima, muitas vezes baseada em sucessos e realizações, com a auto-compaixão, que se estende ao cuidado e aceitação de nós mesmos em momentos de falha e dificuldade. Ela destacou como a cultura muitas vezes valoriza a modéstia em detrimento da auto-aceitação, especialmente no caso das mulheres, que são frequentemente ensinadas a não se elogiar.

Fenícia ressaltou a importância de reconhecer que somos seres humanos, não perfeitos, e que todos cometemos erros e enfrentamos desafios. A auto-compaixão nos permite abordar essas dificuldades com uma mentalidade de cuidado e compreensão, em vez de autocrítica severa.

Ela sublinhou que a jornada para a autodescoberta e o bem-estar requer a disciplina de reconhecer nossas próprias necessidades e tratar a nós mesmos com a mesma compaixão que estenderíamos a um amigo querido. É uma mensagem poderosa que nos convida a abraçar nossa humanidade e buscar uma vida mais plena através da auto-compaixão.

Dica Dez Por Cento Mais

“Bora ser feliz agora”. Aproveitando o bordão que usa no podcast que apresenta, Fenícia Andrade deixou sua Dica Dez Por Cento Mais. Lembrou que costumamos adiar nossos planos para segunda-feira, para o próximo ano, para quando os filhos crescerem, para quando nos aposentarmos:

“A vida está acontecendo agora, no presente. Então começa a agir. Use qualquer ferramenta. Pode ser as que eu tenho para dar, pode ser entrar na dança, no jazz. Qualquer coisa que tire um pouco desse turbilhão do dia a dia das preocupações e te faça relaxar, dar risada, igual quando a gente tinha 18 anos, que parecia boba alegre. É isso: resgatar essa alma mais livre e leve”.

Assista ao programa Dez Por Cento Mais

O programa Dez Por Cento Mais apresenta uma nova entrevista ao vivo toda quarta-feira, às oito da noite, e pode ser assistido no YouTube. A apresentação é feita pela jornalista Abigail Costa e pela psicóloga Simone Domingues.

Dez Por Cento Mais: mulheres inspiradoras compartilham experiências na superação do Câncer de Mama

Projeto Ka.ora ajuda mulheres com câncer de mama Foto: divulgação

Três mulheres unidas pelo propósito de informar, proteger e cuidar da saúde feminina alertaram sobre a necessidade de superar os tabus persistentes relacionados ao câncer de mama. Cristiane Valentini, Vanessa Faro e Claudia Talermann compartilharam suas experiências e enfatizaram a importância do apoio mútuo nessa jornada, no programa Dez Por Cento Mais, no YouTube.

A entrevista, comandada por Abigail Costa, foi emocionante e esclarecedora, e as três convidadas destacaram a necessidade de conscientização ao longo do ano, não apenas durante o mês do Outubro Rosa, que é dedicado a prevenção ao câncer de mama. Elas encorajaram as mulheres a falarem abertamente sobre essa condição que afeta tantas vidas.

As histórias de superação

Cristiane Valentini, neuropsicóloga clínica e membro da equipe do projeto Ka.ora, tem como objetivo a reabilitação física e mental de mulheres com câncer de mama na região de Santos, litoral paulista. Ela enfatizou a importância do exercício físico em todas as fases do tratamento, destacando o papel do remo como uma atividade que promove não apenas a saúde física, mas também o fortalecimento mental e emocional das participantes.

Vanessa Faro, uma jornalista esportiva e paciente oncológica que descobriu o câncer de mama em 2020, compartilhou sua experiência ao fazer parte do projeto Ka.ora e como o esporte, especialmente o remo, desempenhou um papel crucial em sua recuperação e transformação. Vanessa enfatizou a importância de enfrentar o câncer com positividade e humor, o que a levou a criar a persona “Patricinha Casca Grossa” nas redes sociais.

Claudia Talermann é fisioterapeuta com mais de 30 anos de experiência. Ela coordena a equipe de fisioterapia na gestão de pacientes internados e da Oncologia do Hospital Albert Einstein. Claudia descobriu que estava com câncer de mama aos 35 anos quando seus dois filhos ainda eram pequenos. Ao longo dessa jornada, enfrentou desafios inesperados. Dezoito anos depois, deparou-se com um tumor no cerebelo. No entanto, Claudia não vê com tristeza as histórias que tem para contar porque, afinal, está aqui para compartilhá-las, e isso é o que importa.

Na entrevista, Abigail Costa abordou a importância da rede de apoio emocional e familiar durante o tratamento do câncer, enquanto cada uma das convidadas destacou a transformação pessoal e a força que encontraram ao longo de suas jornadas. Elas também ressaltaram que, embora o câncer de mama seja um desafio, a positividade, a determinação e o apoio são elementos essenciais para enfrentar essa condição.

A doença ressignificou a vida

Claudia explicou que, durante o tratamento do câncer de mama, enfrentou vários sentimentos e transformações. Ela destacou a queda de cabelo como uma das partes mais difíceis de lidar, pois é algo que torna visível para os outros que você está passando por um tratamento de câncer. Inicialmente, Claudia usou peruca, mas depois ganhou força para enfrentar a perda de cabelo e mostrar sua verdadeira essência.

“A queda do cabelo para uma mulher é muito desafiadora. Você dorme um dia com cabelo e acorda no dia seguinte com metade do cabelo que tinha. Você olha e pensa: meu Deus, o que farei agora?”

O momento mais desafiador para a fisioterapeuta, porém, foi quando, depois superar a doença na mama, descobriu um tumor no cerebelo após uma viagem à Disney. Ela recorda a angústia de ouvir o diagnóstico, mas um de seus filhos, Guilherme, a motivou a não desistir. Claudia passou por uma cirurgia e superou essa fase difícil.

Claudia Talermann compartilhou sua jornada de superação e ressaltou que, apesar das cicatrizes físicas e emocionais deixadas pelo câncer, é possível encontrar luz no fim do túnel. Ela enfatizou a importância de encarar o câncer como um desafio que pode levar a uma ressignificação da vida. E disse que por meio do apoio da rede de amigos e familiares, é possível enfrentar o câncer e emergir mais forte. O amor e o apoio são essenciais na jornada de combate à doença, lembrou.

O esporte ajudou a superar o câncer de mama

A entrevista também incluiu interações dos espectadores, muitos deles demonstrando admiração e apoio à Claudia e às outras entrevistadas. Vanessa Faro compartilhou como o esporte a ajudou em sua jornada de recuperação e ressaltou a importância da atividade física na prevenção e no tratamento do câncer.

Vanessa Faro, uma das convidadas do programa, é uma mulher determinada. Ela falou sobre o Projeto Ka.ora, em Santos, que visa apoiar mulheres que enfrentam o câncer de mama. Vanessa compartilhou sua própria experiência como paciente e a importância de buscar os direitos como cidadãs. Ela encorajou as mulheres a procurarem projetos sociais semelhantes em suas cidades e a não hesitarem em pedir ajuda.

A jornalista esportiva também destacou a importância da rede de apoio, referindo-se carinhosamente às suas companheiras de luta como “meninas”. Ela enfatizou que somente aqueles que passam pela mesma experiência podem verdadeiramente compreender os desafios e as emoções envolvidas.

É preciso falar sem vergonha 

Christiane Valentini trouxe à tona questões importantes, como ressecamento vaginal, falta de libido e insônia, que muitas vezes são efeitos colaterais do tratamento do câncer de mama. Ela enfatizou que esses são tópicos que as mulheres frequentemente têm vergonha de discutir, mas são cruciais para a qualidade de vida das pacientes.

A neuropsicóloga incentivou as mulheres a não terem vergonha de falar sobre esses temas com seus oncologistas e a buscar ajuda para melhorar sua qualidade de vida. Ela também ressaltou a necessidade de os familiares que cuidam de pacientes com câncer também procurarem apoio e terapia, pois a jornada é desafiadora para todos os envolvidos.

Foi uma noite emocionante e inspiradora, repleta de lições de superação e esperança, que deixou claro que o Outubro Rosa é mais do que uma campanha de conscientização; é um movimento de apoio e solidariedade entre mulheres que compartilham suas histórias e forças para enfrentar o câncer de mama. Elas nos lembram que, com amor e apoio, é possível vencer os desafios do câncer de mama.

Assista ao Dez Por Cento Mais

O programa Dez Por Cento Mais traz entrevistas inéditas todas às quartas-feiras, às 20 horas, no YouTube. É apresentado pela jornalista Abigail Costa e a psicóloga Simone Domingues. O Dez Por Cento Mais também pode ser ouvido no Spotify.

Dez Por Cento Mais: os velhos também fazem sexo!

Ilustração da capa do livro “Sexualidade na velhice”

Muitos de nós pensamos no futuro, seja no âmbito profissional seja no pessoal. Mas quantos de nós paramos para refletir sobre como será nossa vida sexual na maturidade? A verdade é que a maioria teme esse tema, visto que vivemos em uma sociedade que hipersexualiza a juventude e frequentemente marginaliza os desejos e necessidades dos mais velhos. A jornalista e escritora Tania Celidonio, por meio de suas pesquisas, derruba tabus e revela uma perspectiva surpreendente e inspiradora sobre a sexualidade na terceira idade. Ela foi entrevistada pelo programa Dez Por Cento Mais, no YouTube.

Tania tem uma longa trajetória no jornalismo, mas foi ao explorar as complexidades da sexualidade na terceira idade que encontrou novas paixões e desafios. Em uma pesquisa ampla, que começou com seu círculo pessoal e se expandiu através das redes sociais, ela coletou cerca de 250 depoimentos sobre o tema. Os relatos, ricos e diversos, revelam uma amplitude de sentimentos, desejos, dúvidas e certezas que muitos preferem esconder por trás de pseudônimos. A pesquisa deu origem ao livro  “Mistérios e aflições da sexualidade na velhice” (Terra Redonda).

O sexo além do desejo físico

Para começar, é preciso entender que a sexualidade não se limita ao desejo físico e ao ato em si. Conforme destacado pela psicóloga Simone Domingues, uma das apresentadoras do programa, a sexualidade envolve intimidade, parceria, entrega e afeto. Essa dimensão profunda e abrangente da sexualidade se torna ainda mais evidente com o passar dos anos, quando a conexão emocional pode se sobrepor ao desejo físico.

Além disso, a pesquisa de Tania revela que muitos idosos sentem alívio ao não ter mais a “obrigação” de desejar constantemente, e conseguem abraçar a intimidade sem o foco exclusivo no ato sexual. Esta é uma revelação esclarecedora para os mais jovens, mostrando que a sexualidade se transforma, mas não desaparece.

Por outro lado, a sociedade ainda carrega muitos preconceitos. Tania citou Simone de Beauvoir, que em 1970 observou que se os idosos demonstrassem os mesmos desejos e sentimentos que os jovens, seriam vistos com desdém ou ridicularizados. Esta percepção parece ainda ressoar em muitas sociedades contemporâneas. No entanto, a questão é: por quê? Por que a sociedade tem padrões tão diferentes para homens e mulheres à medida que envelhecem? 

O preconceito é ainda maior com mulheres

Para as mulheres, o cenário é ainda mais complexo. A menopausa pode trazer consigo uma série de desafios, desde a diminuição do desejo até questões físicas, como ressecamento. Ao contrário dos homens, cujas soluções para disfunção erétil são amplamente discutidas e medicadas, as mulheres enfrentam uma lacuna no tratamento e compreensão de suas necessidades sexuais durante o envelhecimento. 

Talvez o ponto mais revelador de toda a discussão seja o padrão social imposto sobre os idosos, especialmente as mulheres. No universo dos relacionamentos, enquanto homens mais velhos com parceiras mais jovens são muitas vezes vistos como aceitáveis, mulheres mais velhas que expressam atração por homens mais jovens enfrentam julgamentos mais duros. 

O que fica claro na entrevista é que, assim como em qualquer fase da vida, a sexualidade na terceira idade é multifacetada. Não há uma única “maneira correta” de vivenciá-la. O que é essencial é o respeito, a comunicação e a abertura para entender e aceitar as mudanças que ocorrem ao longo do tempo. É preciso desmistificar e normalizar as conversas sobre sexualidade na velhice. Afinal, como bem destacou a jornalista Abigail Costa, “sexualidade é algo tão natural para o ser humano”, e não deveríamos ter vergonha ou medo de discutir, compreender e abraçar essa verdade em todas as fases da vida.

Dica Dez Por Cento Mais

Tania Celidônio, convidada por Abigail Costa e Simone Domingues, deixou sua Dica Dez Por Cento Mais: 

“Envelhecer é difícil. Não vai ser fácil para ninguém. Eu acho que se a gente encarar com bom humor, além do realismo que vem junto fica mais fácil. Porque não é fácil segurar essa onda. A minha dica seria essa. E também apostar na diversidade, porque isso que eu falei, o grande barato para mim foi perceber que a sexualidade tem uma diversidade incrível e a gente pode aproveitar mesmo depois de velho”.

Assista à entrevista no YouTube

Um novo episódio do Dez Por Cento Mais pode ser assistido ao vivo todas as quartas-feiras, às oito da noite (horário de Brasília), no YouTube. O programa também está disponível em podcast, no Spotify. A apresentação e produção é da jornalista Abigail Costa e da psicóloga Simone Domingues.

Com que cara?

Por Nina Ferreira

@psiquiatrialeve

Foto de Darya Sannikova

Com que cara você vai dizer para o seu chefe que está insatisfeito com sua falta de autonomia e que pode fazer diferente e melhor?

Com que cara você vai contar para seu parceiro ou parceira que não gosta quando ele/ela faz silêncio e não te conta o que está acontecendo?

Com que cara você vai assumir para todo mundo que quer mudar não só de emprego, mas desistir de tudo e recomeçar em outra carreira?

O que dirão sobre você? Pensarão que você é ingrato, só reclama, está louco!?!

Olhe no espelho.

Você tem rugas, manchas na pele… tem seu olhar carregado de dores, angústias e histórias.

Essa é sua cara.

É com ela que você tomará as atitudes que precisa pra fazer sua vida melhorar.

É com ela que você vai descobrir o que quer e falar o que tiver que falar pra fazer acontecer.

Porque é você quem acorda e dorme com seus sofrimentos e suas batalhas. É você quem sente os medos e a tristeza de estar vivendo uma situação que te incomoda. É você quem não pode fugir disso tudo, porque isso tudo te pertence.

Então, vai com a sua cara, assume suas vontades e fala, faz, movimenta.

Os outros podem criticar ou não entender.

Deixa eles com o mundo deles.

Cuida de você.

E, então, já imagina aqui comigo:

Com que cara você irá comemorar seu sucesso e suas conquistas?

(Saboreie!)

Dra. Nina Ferreira (@psiquiatrialeve) é médica psiquiatra, especialista em terapia do esquema, neurociências e neuropsicologia.

Dez Por Cento Mais: hiperpersonalização é a chave para extrair o melhor desempenho

Foto de Kampus Production

O conceito de hiperpersonalização tem ganhado destaque como chave para maximizar o desempenho humano, seja no esporte seja no mundo corporativo. Jean Schiavinatto, especialista em gestão e performance humana, apresentou essa perspectiva no programa “Dez Por Cento Mais”, apresentado por Abigail Costa e Simone Domingues, no Youtube. Observando a dinâmica entre treinadores e atletas paralímpicos, Schiavinatto percebeu que a abordagem personalizada de treinamento e feedback é essencial para alcançar resultados excepcionais, já que cada atleta, com suas peculiaridades, requer uma estratégia diferente.

A necessidade da psicologia e do autoconhecimento

Entretanto, existe resistência à integração de psicólogos sobretudo nos esportes. Muitos ainda veem a busca de apoio psicológico como sinal de fraqueza. No mundo corporativo, trata-se de reconhecer e acomodar as diferenças individuais dos membros da equipe. A perspectiva de Schiavinatto sugere que, no cenário em rápida evolução de hoje, a hiperpersonalização é mais do que uma tendência; é uma necessidade. Seja no campo de jogo ou na sala de reuniões, a capacidade de se adaptar às necessidades individuais pode ser o diferencial entre o sucesso e o fracasso.

Ao se referir às potencialidades no mundo corporativo, Schiavinatto destaca a importância de identificar e capitalizar as qualidades individuais. Seja como funcionário ou candidato a uma vaga, é vital reconhecer suas habilidades e usá-las para alcançar objetivos profissionais.

A importância do “Life Long Learning”

O conhecimento técnico adquirido durante a graduação ou cursos é renovado frequentemente. Segundo estudos, em média, a cada três ou cinco anos, 100% desse conhecimento técnico é renovado. Essa realidade implica uma necessidade ininterrupta de aprendizado ao longo da vida, onde o estudo constante é vital. Além disso, empresas hoje reconhecem que a formação acadêmica muitas vezes não é suficiente. Por isso, muitas empresas estão investindo em universidades corporativas para capacitar ainda mais seus funcionários.

A valorização das Soft Skills

Em meio a essa evolução do aprendizado, 60% do que faz uma pessoa crescer em uma empresa, seja vertical ou horizontalmente, está ligado às habilidades comportamentais ou soft skills. Isso ressalta a importância do autoconhecimento e autodesenvolvimento. Cursos voltados para inteligência emocional, compreensão do perfil comportamental, entre outros, são essenciais neste processo.

A abordagem dos atletas e profissionais do mundo corporativo em relação ao gerenciamento das emoções também é crucial. A necessidade de reconhecimento da importância da saúde mental, tanto para os atletas quanto para os líderes empresariais, é imperativa. Afinal, são seres humanos em ambos os contextos, e a chave para a maximização da performance está em reconhecer e valorizar essa individualidade. A capacidade de lidar com as emoções, de ter autoconhecimento e de buscar ajuda quando necessário, é fundamental para alcançar a excelência em qualquer área da vida.

Dica Dez Por Cento Mais

Jean Schiavinatto, entre outros títulos, é mestre em Educação e Desenvolvimento Humano pela Unicamp e MBA em Liderança, Inovação e Gestão 4.0 pela PUC. Ao fim do programa, deixou sua Dica Dez Por Cento Mais:

“A minha Dica 10% Mais é assim: pensa na vida de vocês como uma régua. Existem réguas de 30 cm, 50 cm e 100 cm. A gente transforma os centímetros em anos. O mais importante independentemente do tamanho da régua é a hora que você olhar para trás e chegar lá no finalzinho dela, você ter feito a diferença na vida das pessoas com as quais você convive.”

Assista ao Dez Por Cento Mais

Um novo episódio do Dez Por Cento Mais pode ser assistido ao vivo todas as quartas-feiras, às oito da noite (horário de Brasília), no YouTube. O programa também está disponível em podcast, no Spotify. A apresentação e produção é da jornalista Abigail Costa e da psicóloga Simone Domingues.

Envelhecer com dignidade e amor: as reflexões inspiradas pela jornada do Sr. Duílio

Por Diego Felix Miguel

Seu Duilío Rossi em foto de arquivo pessoal

Homens e mulheres envelhecem de maneiras distintas, não  apenas por razões biológicas, mas devido à intersecção entre diversos fatores determinantes pela sociedade e cultura.

É conhecido que a velhice é feminina e cisgênera[1]: as mulheres idosas vivem mais que os homens; muitas são solteiras ou viúvas e estão mais propensas a participar de atividades em grupos, como  centros de convivência, onde a presença masculina é disputada, principalmente em oficinas como Dança de Salão.

Sob uma ótica sociocultural, as mulheres são condicionadas ao cuidado. Se cuidam mais para prover a assistência aos seus familiares e pessoas mais próximas. Isso não quer dizer que envelheçam em melhores condições, visto que acumulam funções ao longo de sua vida, entre trabalho formal, atividades domésticas e atenção à família, e pouco conseguem se dedicar à sua saúde. 

Um outro dado importante é sobre o preconceito do homem em integrar centros de convivência para pessoas idosas. Sem dúvida, envelhecer numa cultura machista, que posiciona o homem como principal responsável por prover o sustento da família e o incentiva a não se cuidar ou ser cuidado, o submete à velhice numa condição de maior vulnerabilidade, mais exposto a doenças incapacitantes e ao isolamento social.

Experiências pessoais e aprendizados no Convita

Nos últimos anos tenho me dedicado à gestão de um centro de convivência e de referência para pessoas idosas imigrantes italianas, o Convita – Patronato Assistencial Imigrantes Italianos. Esse serviço foca duas frentes: o suporte assistencial para pessoas idosas em situação de vulnerabilidade social e a promoção de saúde, com uma programação de atividades que favorecem o bem-estar físico, mental e social.

Com o retorno das atividades presenciais, após a pandemia de Covid-19, o centro de convivência se desenvolveu. Com o crescimento do número de participantes e atividades, tive a oportunidade de conhecer novas histórias que tem contribuído bastante para meu processo de aprofundamento e aprendizagem na área do envelhecimento.

No primeiro semestre deste ano, numa manhã ensolarada de uma segunda-feira, escutei uma conversa entre a equipe sobre um senhor que há poucos dias havia realizado o cadastro e as inscrições para participar dos cursos que oferecemos. O que me chamou atenção foi o entusiasmo dos comentários, dizendo que, em tão poucos dias de participação, ele estava se destacando pela educação e gentileza com que tratava todas as outras pessoas, além de provocar uma atenção especial das mulheres idosas que também frequentam o serviço, a maioria solteira ou viúva.

Decidi conhecer esse senhor e, antes mesmo de sermos apresentados, já o reconheci. Poucos minutos após minha curiosidade ser despertada, ouvimos uma batida na porta de nossa sala e ele pediu permissão para entrar. Era um homem alto, de pele e cabelos brancos, e suas roupas denunciavam a sua vaidade e autocuidado. 

Conheci o Sr. Duílio Rossi, que imediatamente chamou a atenção por sua linguagem culta e gentileza: pedindo licença e desculpas por interromper nossa conversa, tratando-nos por “senhor” e “senhora” e desejando-nos “um bom dia de trabalho”. Naquele momento, notei outro aspecto marcante de sua presença: o brilho em seu olhar e um sorriso que transbordava afeto.    

Desde então passei a reparar com mais refinamento sua postura, principalmente durante as atividades, onde vivia rodeado de idosas. Não associo isso apenas a um aspecto romântico ou sexual, mas à atenção e ao cuidado ao conversar e escutar. Nas interações, ele fazia questão de enfatizar as qualidades da outra pessoa e demonstrava interesse no assunto que estava sendo compartilhado.

A reintegração social do Sr. Duílio

O Sr. Duílio tem 82 anos, é descendente de italiano e conheceu o Convita a partir da indicação de sua filha, a Miriam, uma idosa de sessenta e poucos anos que é sexóloga. Pelo que percebi, ela foi a principal motivadora para que seu pai superasse o luto de 13 anos após a viuvez.

Durante anos ele se dedicou a ficar em casa, onde mora sozinho, mantendo a relação com a família e vizinhos, sem muitas oportunidades de pensar sua vida com novas perspectivas e projetos.

Em algumas semanas de intensa participação no centro de convivência, ele começou um novo relacionamento romântico, dedicando-se a cuidar e permitindo-se ser cuidado. Isso gerou uma significativa mudança nas relações entre as pessoas idosas que também participam das atividades. 

O assunto rapidamente tomou conta das conversas das pessoas idosas e não demorou muito para que outros casais começassem a flertar e a vivenciarem uma nova história.

Esse movimento gerou uma transformação em nosso serviço, uma ressignificação cultural, favorecendo que outras pessoas idosas pudessem compartilhar com muito mais naturalidade e segurança seus sentimentos, receios e desejos, ao viver uma nova fase da vida. Assim, percebemos novas demandas que ainda são desafios a serem superados.

Família, autonomia e a vivência da sexualidade na velhice 

É inconcebível que idosos, com autonomia preservada, peçam autorização da família para viver uma nova paixão, amor ou apenas buscar seu prazer sexual. Esse assunto foi um dos mais comentados quando o novo casal que se formou, que teve apoio da família, tornou pública sua relação. 

Muitas pessoas idosas se tornam reféns de uma convenção social, impedidas de exercerem sua sexualidade de forma livre, por conta do idadismo (estereótipo, preconceito e discriminação por conta da idade), de ideias e posturas conservadoras, baseadas em preceitos moralistas e religiosos. Esses contextos expõem essas pessoas a vulnerabilidades, como violência, doenças e isolamento, além de comprometer a sua autonomia, um dos aspectos relevantes do envelhecimento ativo.

Por isso, é importante falarmos e investirmos em ações que favoreçam a reflexão acerca dos desejos e relações que vivenciamos ao longo da vida, seja em nosso meio familiar, social ou profissional. Não se trata apenas de palestras ou de limitar o assunto à saúde biológica, mas sim, de aproximarmos e valorizarmos oportunidades de novas vivências românticas e sexuais livres de todo e qualquer preconceito, num processo que favoreça o acesso à informação e um diálogo respeitoso e acolhedor. 

Não sabemos ao certo qual o desfecho dessa relação romântica vivenciada pelo Sr. Duílio, pois reconhecemos que é uma questão privada do casal. No entanto, independentemente de quanto tempo dure, essa relação já transbordou e influenciou positivamente muitas pessoas, idosas ou não, promovendo novas percepções e reflexões sobre um tema que ainda é negligenciado. Mostra que é possível vivenciar a sexualidade, seja por meio de uma relação romântica ou sexual, permitindo-se sentir prazer e tudo associado a ele, promovendo saúde. 

[1] Pessoas que se identificam com o gênero atribuído no nascimento.

Diego Felix Migue é especialista em Gerontologia pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia e membro da Diretoria da SBGG-SP, gerente do Convita – Patronato Assistencial Imigrantes Italianos, mestre em Filosofia e doutorando em Saúde Pública pela USP.

Dez Por Cento Mais: câmera de celular influencia novas cirurgias faciais e rinoplastia

Foto de Polina Tankilevitch

No mundo da cirurgia plástica, o Brasil e seus profissionais ocupam uma posição de destaque, sendo reconhecidos internacionalmente. Dado esse reconhecimento, é esperado que, nas clínicas, os pacientes encontrem algumas das técnicas mais avançadas para melhorias estéticas e correções de deformidades. O programa Dez Por Cento Mais entrevistou o Dr. Lessandro Martins, especialista em cirurgia facial e rinoplastia, que destacou o impacto das redes sociais na percepção das pessoas sobre seus próprios corpos.

Com a propagação de imagens e a exposição das pessoas nos meios digitais, a autopercepção tornou-se um ponto de debate constante. Dr. Lessandro esclareceu essa complexidade, indicando que, enquanto muitos enxergam a perfeição nos outros, a autocrítica prevalece quando se olha para si mesmo, fenômeno intensificado pelas redes sociais.

De acordo com o médico, a estética masculina também tem ganhado destaque, principalmente nos últimos 10 anos, e ele acredita que a presença mais numerosa de homens nas clínicas de cirurgia plástica é impulsionada pela sua maior visibilidade nas mídias digitais.

Inovações no campo da rinoplastia

Foi o Dr. Lessandro Martins quem desenvolveu uma técnica de rinoplastia conhecida como Fishbone, um método de fratura do nariz que utiliza um instrumento de corte e modelagem com precisão milimétrica. A intenção é aprimorar o efeito de luz e sombra no nariz do paciente, levando em consideração a distorção causada pelas câmeras frontais dos smartphones.

Recuperação pós-Rinoplastia

Ao ser questionado sobre a recuperação após a rinoplastia, Dr. Alessandro destacou que os avanços na anestesia, aliados às técnicas de rinoplastia preservadora, reduziram significativamente o tempo de recuperação dos pacientes. No passado, era comum os pacientes apresentarem extensos hematomas e inchaços após a cirurgia. Com as técnicas modernas, esses efeitos são bem menos evidentes. Ele também sublinhou a evolução na qualidade dos anestésicos e dos novos equipamentos que auxiliam na precisão dos procedimentos.

Queloides e cirurgia facial: desafios e soluções

Durante a entrevista, conduzida pela jornalista Abigail Costa e pela psicóloga Simone Domingues, uma das questões levantadas foi sobre o tratamento de queloides em cirurgias faciais. Com os avanços tecnológicos e a aplicação estratégica de corticoides, hoje é possível minimizar e prevenir a formação de queloides, tornando o procedimento mais seguro e eficaz.

Tratamento de Rugas

Em relação ao tratamento de rugas, Dr. Alessandro fez uma distinção entre rugas (linhas finas) e sulcos (linhas mais profundas). Enquanto as primeiras podem ser tratadas com técnicas menos invasivas, como o botox, as últimas podem demandar procedimentos mais complexos. Ele ressaltou a importância de se evitar tratamentos exagerados que possam alterar as características faciais naturais e destacou a eficácia da técnica Morpheus 8 no rejuvenescimento da pele.

Reversão de procedimentos

Por fim, foi discutida a possibilidade de reversão de procedimentos. Dr. Alessandro salientou que, enquanto algumas cirurgias podem ser revertidas, outras podem ser mais desafiantes. Ele citou, especificamente, o desafio de restaurar narizes que foram reduzidos em excesso. Mesmo nesses casos, com paciência e uma abordagem correta, é possível alcançar melhorias significativas.

Dica Dez Por Cento Mais

Ao encerrar a entrevista, Dr. Lessandro compartilhou sua dica Dez Por Cento Mais:

“Minha dica Dez Por Cento Mais se aplica a todas as áreas. São nove da noite, e vocês estão aqui com um sorriso, empenhadas, com uma energia imensa. Por quê? Tudo que fazemos com amor gera resultados positivos. Somos responsáveis por nossos atos. Se plantamos arroz, colhemos arroz. Se plantamos amor, colhemos amor. Portanto, digo: faça tudo com amor. Nunca se acomode e, sempre que possível, busque ser melhor amanhã. Isso vale para sua área e para a minha. Em tudo que fazemos, o amor gera bons frutos.”

Assista à entrevista completa no YouTube.

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