Mundo Corporativo: Cleber Morais, da AWS, diz como trabalhar na nuvem e manter os pés no chão

“Da mesma forma que eu quero entender qual é a necessidade do meu cliente, eu quero entender a necessidade do meu funcionário”

Cleber Morais, AWS-Brasil

O clique para você ter energia na sua casa, que possibilita que a luz da sala acenda, é o que inspira os desenvolvedores da computação em nuvem. Se quando surgiu, era necessário armazenar energia em geradores e você dependia do combustível que mantinha aquele gerador ligado, com a evolução tecnológica a energia passou a ser distribuída e entregue na sua casa, bastando você clicar no interruptor da parede. Por trás da ideia da computação em nuvem está a mesma lógica. Em lugar de você ter de armazenar uma quantidade incalculável de informação e dados em seu ‘gerador’, com a tecnologia basta dar um clique para acessar todo esse arsenal

Foi Cleber Morais, diretor geral da Amazon Web Services, no Brasil, quem fez essa relação para explicar o que é a computação em nuvem, ou qual é o negócio da AWS, o braço de serviços tecnológicos da Amazon. Na entrevista ao Mundo Corporativo, fomos além das nuvens. Ou aquém —- conforme o ponto de vista. Muito do que falamos estava ligado às relações aqui na terra, com clientes e com colaboradores:

“Eu acho que um pouco desse DNA nosso, que a gente chama de DNA de construtores, é que ajuda a fazer essa conexão entre as necessidades do cliente e  a motivação e propósito da minha equipe para trabalhar com eles”.

Há 18 meses, a AWS está com seus profissionais trabalhando de forma remota; e mesmo sendo uma empresa de inovação tecnológica e com infraestrutura disponível, encarou desafios no momento dessa migração. Para Cleber Morais, um deles foi manter a equipe próxima, e para isso criou-se uma série de novas dinâmicas com atividades que incentivassem o relacionamento entre os líderes e suas equipes, a começar por cafés da manhã e happy hours virtuais. Mapeou-se as necessidades dos funcionários, também, já que cada um tinha demandas específicas conforme as condições de trabalho em casa. 

Uma vantagem que Cleber identifica como tendo sido um facilitador neste momento —- seja na integração das equipes seja no atendimento aos clientes, que também enfrentavam dificuldades — é o sistema de trabalho que faz parte da formação da própria Amazon: a “regra das duas pizzas”. Uma ideia que surge do criador da empresa, Jeff Bezos, que consiste em ter equipes que jamais sejam maiores do que o número de pessoas que podem ser alimentadas adequadamente por duas pizzas grandes. 

“Com times menores, você ganha uma flexibilidade maior. Em alguns desenvolvimentos que a gente faz, a mesma pessoa que desenvolve aquele produto é a que dá a manutenção, é a que continua responsável. Isso trouxe para nós um diferencial de velocidade muito forte e esse diferencial ele reflete na atuação nossa com o cliente”.

Aqui cabe um parênteses: apesar do destaque em relação a funcionalidade da equipe de “duas pizzas”, que o Cleber Morais nos apresenta, hoje, internamente, a Amazon evoluiu para um modelo que tende a ser ainda mais eficiente: o dos times de líder de segmento único (single-threaded leader), como explicaram Colin Bryar e Bill Carr, autores do livro, sem tradução para o português, Working Backwards: Insights, Stories, and Secrets from Inside Amazon . Mas isso é um outro papo. 

Voltemos para nossa entrevista do Mundo Corporativo.

A AWS é quem desenvolve a computação em nuvem dentro da Amazon, mas está longe ter a empresa-mãe como única cliente. Um dos trabalhos que orgulham Cléber Morais, porque só foi possível explorando as possibilidades da computação em nuvem, é o que vem permitindo o desenvolvimento de startups brasileiras. O exemplo mais significativo é o do Nubank, fintech que nasceu em 2014 com a ideia de desburocratizar os serviços e produtos financeiros, e hoje tem valor que supera o tradicional e centenário Banco do Brasil. 

“A gente conseguiu através da onipresença da nuvem, através de incentivos da nuvem, criar um mercado que a gente chamou de startup, criar empresas que hoje estão aí como Nubank, como a VTX,  Como empresas que há sete anos, que é o caso do Nubank, iniciou com uma ideia e hoje é uma multinacional brasileira. Então, a gente é sim o grande habilitador da inovação para os clientes e, também, para um dos nossos clientes que é a Amazon, a gente também os ajuda”. 

A VTEX, que o Cleber lembrou na resposta acima, é uma plataforma de comércio colaborativo, que integra comércio digital, marketplace nativo e recursos de gerenciamento de pedidos. Startup que cresceu 98% durante a pandemia e, em setembro do ano passado, transformou-se em mais um unicórnio brasileiro; portanto, sendo avaliada em mais de US$ 1 bilhão.

Analistas do setor calculam que o mercado de computação em nuvem vai crescer na faixa de 34% ao ano. Um segmento que deve acelerar ainda mais com a chegada da tecnologia 5G no Brasil que multiplicará de forma exponencial o número de dados e informações que circulam na rede. Transformar isso em número? Para Cleber é difícil calcular. Ele prefere lembrar alguns aspectos da nossa vida que são influenciados pelo uso da nuvem:

“Hoje, grande parte das transações de PIX passam pela nuvem, grande parte do e-commerce que é feito globalmente passa pela nuvem, transações bancárias, pedidos de delivery. A quantidade de dados é muito grande e nos permite viver esse novo normal com o qual nos acostumamos cada vez mais. Imagine ficar alguns segundos sem WhatsApp?”

Para quem trabalha com nuvem, como manter os pés no chão? Foi a pergunta que fiz logo no início da nossa entrevista — e no vídeo você ouve a resposta inicial de Cleber Morais. Uso o mesmo gancho para introduzir aqui neste texto um tema que faço questão de compartilhar com você: o hábito da meditação. Foi nesse exercício que Cleber buscou o equilíbrio para enfrentar a pandemia:

“Eu fiz um curso de meditação com a minha família, aprendendo algumas técnicas. E eu trouxe para o meu dia a dia, meditando, aprendendo a fazer minhas aulas de yoga e ginástica de maneira virtual. O executivo tem que ter muito esse equilíbrio para poder passar à liderança e passar a motivação para sua equipe”. 

Investir na educação dos colaboradores e capacitar o mercado brasileiro são preocupações da AWS, de acordo com Cleber. Para os profissionais de uma maneira geral a empresa põe à disposição uma série de cursos que permite desenvolver o conhecimento sobre nuvem computacional. 

(e você pode conferir alguns deles por aqui)

Para os parceiros de negócio, a AWS tem avançado em programas específicos como o que está capacitando entregadores do iFood e mais de sete mil pessoas do setor de restaurantes para trabalhar e se beneficiar dos serviços em nuvem. A ideia central desses projetos e fazer com que as pessoas também possam, com um clique, ter acesso ao que há de mais avançado no tema. 

Para saber mais sobre computação em nuvem e conhecer outras estratégias de relacionamento interpessoal nas empresas, assista ao vídeo completo da entrevista que fiz com Cleber Morais, da AWS:

Este capítulo do Mundo Corporativo teve a participação da Izabela Ares, do Renato Barcellos, do Bruno Teixeira, da Priscila Gubiotti e do Rafael Furugen.

Livro traz evidências para você combater o negacionismo que desinforma e mata

Carlos Orsi e Natália Pasternak Foto: Instagram

O cético exige evidências robustas para corroborar um fato ou um achado científico. O negacionista nega os fatos e o achado científico sem oferecer evidências robustas. 

Bem mais do que um jogo de palavras, as duas frases que iniciam este texto estabelecem de forma definitiva o campo de ação de cada um desses comportamentos; e os coloca em lados extremamente opostos. Fazer essa diferença é fundamental porque há um enorme esforço de parcela da sociedade —- menos mal que não é tal parcela significativa —- em negar a verdade apenas porque ela não lhe convém; e chama isso de ceticismo. Não o é. Tem nome próprio: negacionismo. E negacionismo prejudica, deseduca, desinforma e mata. 

Exemplos não nos faltam nem exigem voltar ao tempo: quantos morreram porque não acreditaram na existência de que estávamos em uma pandemia; quantos foram mortos porque líderes políticos e gestores públicos negaram as evidências que a ciência havia encontrado desde o surgimento dos primeiros focos de contaminação pelo SarsCov-2; quantos lerão essa história lá na frente, quando nós não estaremos mais por aqui, e dirão que aquela suposta tragédia humana dos anos 2020 foi uma estratégia de governos dominadores em conspiração com laboratórios de ciência que teriam ficado de joelhos diante do império chinês que se estabelecia —- e não me peça para explicar a lógica desta frase porque ela só existe na mente de negacionistas.

Essa conversa que tenho com você agora, se iniciou hoje cedo na “Conversa de Primeira”, que faço todas as terças-feiras com uma cética que trava batalha diária contra o negacionismo. Cética e com orgulho como ressaltou a doutora Natália Pasternak, que não requer crachá nem apresentações; mas que faço questão de registrar ser  a primeira brasileira com nome inscrito no Comitê para a Investigação Cética, criada pelo astrônomo Carl Sagan, nos anos de 1970.  Ela está lançando com o jornalista científico (e marido) Carlos Orsi, o livro “Contra a realidade — a negação da ciência, suas causas e consequências” (Papirus 7 Mares)

“É um tema que a gente vem explorando há muito tempo por causa do nosso trabalho no Instituto Questão de Ciências. Principalmente por causa do negacionismo em ciência e que durante a pandemia a gente presenciou de camarote — vimos acontecer no Brasil de uma maneira que é difícil de acreditar.  Mas não apenas em ciências”.

Eis aí na explicação de Natália outro fato incontestável. O negacionismo ataca a verdade construída pela ciência, mas não se contenta em atuar apenas nessa área. Vai além. Vai para a história quando nega a existência do holocausto, a despeito da robustez de registros  e testemunhos. Uma teoria que se torna ainda mais absurda quando se tem a exposição da verdade diante dos nossos olhos em locais como o United States Holocaust Memorial Museum, em Washington DC, que, por coincidência ou não, foi visitado pela doutora Natália e a filha dela, nesta semana. Um programa que só a fez ratificar a ideia de que enfrentar o negacionismo é fundamental para evitarmos erros históricos que podem se transformar em novas tragédias humanas.

No livro, são identificados alguns aspectos que movem esses grupos a atrapalhar o desenvolvimento humano, com campanhas contrárias a vacinação ou rejeição à tese de que a ação do homem impacta o ambiente e leva ao aquecimento global. Para Natália e Carlos deve-se considerar o fato de que ao aceitar algumas dessas ideias, mesmo que tenham comprovação científica, precisamos necessariamente mudar nossos comportamentos —- algo nem sempre muito fácil. Em um dos capítulos, somos lembrados da negação aos malefícios do tabaco:

“Se eu aceito que tabaco dá câncer, eu tenho de parar de fumar. Se eu aceito que o aquecimento global é real e prejudica o meio ambiente, tenho de mudar meu estilo de vida. Para não mudar o meu comportamento, eu nego essa realidade porque é mais confortável”.

O negacionismo se constrói em diversas dimensões e inspirado por diferentes motivações — ideológicas, sem dúvida. Basicamente, é uma atitude de negar fatos estabelecidos ou consensos científicos, a despeito das evidências. E pode vir combinado com outros métodos, tais como o ilusionismo —- com o devido respeito aos profissionais da área. 

Foi isso, por exemplo, que assistimos na “batalha da cloroquina”, liderada pelo chefe supremo da nação. As crenças de que uma droga para a doença viral transmitida por mosquitos teria eficácia em tratamentos precoces da Covid-19 e sua distribuição em rede pública conteria o avanço da doença eram manipulações, alterações da realidade, para escamotear a incompetência de se gerir uma crise. Chamei isso de ilusionismo? A CPI da Covid, parece, preferir batizar de charlatanismo. Que seja!

Negar a eficácia da cloroquina, da hidroxicloroquina ou da ivermectina no tratamento da Covid-19 não é negacionismo? Não. É ceticismo! Porque céticos fazem questionamentos saudáveis, como nos ensina Natália Pasternak:

“(ceticismo) é exigir evidências para então aceitar um consenso ou um fato. Exigir evidências de que a cloroquina funciona para a Covid-19 é ceticismo. Opa, essa afirmação que você esta fazendo tem de ser baseada em evidências científicas. Onde estão as evidências, as provas? Me mostra as evidências que aí a gente pode conversar”.

Para saber como podemos colaborar com a ciência e o conhecimento combatendo os negacionistas, leia o livro “Contra a realidade — a negação da ciência, suas causas e consequências” e ouça a nossa conversa — minha e da Marcella Lourenzetto — com a doutora Natália Pasternak, no quadro “A Hora da Ciência”, do Jornal da CBN.

A Moda perde espaço

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Em pé: Vera Fiori, Deise Sabbag, Maria Aparecida Saad, Eleny Kronka, Regina Di Marco e Cristine Yufon.
Sentado: Grazia Lodi, Margarete Abussamra, Meg Guida e Maria Helena Pena.

 

 

 

Há dias, visualizando a foto acima, em “Modos e Modas”,  do blog da jornalista Deise Sabbag, foi convidativo fazer uma reflexão a respeito do momento atual da Moda.

 

Para começar, tenho dúvida, se hoje teríamos esse contingente de fashionistas de mídia — mesmo porque não temos mais a quantidade de veículos especializados em moda aí representados — e  tal  qualidade de jornalistas e veículos de Moda. Em tempo: naquela época poderíamos ter mais um ou dois grupos como o retratado.

 

A busca da explicação pelo fato, menos por saudosismo e mais por preciosismo técnico, vale a pena, pois a perda de espaço da Moda tem trazido prejuízos econômicos, sociais e culturais.

A Moda evoluiu intensamente  na segunda metade do século passado, em termos de acompanhamento dos novos comportamentos dos consumidores, dos formatos de distribuição, na formação de profissionais de nível médio e superior, ficando aquém apenas na confecção, onde sempre encontrou regiões com mão de obra abaixo da linha de pobreza.

Entretanto, a transformação dos meios de comunicação e a disrupção nos veículos tradicionais, em conjunto com a proliferação de propostas distanciadas da qualidade mínima, convergindo com discursos do próprio meio da Moda louvando o “laissez faire”, desorganizou todo o sistema.
Se, na época da foto da Deise, alguém listasse as 10 principais fashionistas, não iria aparecer ninguém que não fosse expert em Moda. Faça isso hoje, no Google, buscando brasileiras —- vai aparecer pouca gente que, efetivamente, seja fashionista.

 

É bem verdade que na esfera internacional aparecerão assumidades como Chiara Ferragni, Anna Wintour, Anna Dello Russo, Kristina Bazan, Aime Song, Giovanna Battaglia e Christine Centenera. Porém, todas com o respaldo de revistas de moda de expressão, entre as quais a Vogue predomina.

Tecnicamente, a Moda é uma forma de comunicação e, como tal, possui uma linguagem, que serve para quem usa e para quem produz. E precisa ser apreendida. Afinal, seres com inteligência precisam usá-la para evoluir sempre, e o caminho é a aprendizagem. Isto vale para a música, para a gastronomia, para a arte, etc.

Na medida em que se propaga que nada disso importa e que a roupa é um mero apetrecho para não ficar nu, aí viramos todos neandertais. E passamos a agir como primatas da moda e do mundo. O que é confirmado pelos dados atuais.
Sob o aspecto econômico e sustentável, o vestuário polui mais que os aviões e os navios. O setor produz a enormidade de 2,4 trilhões de dólares, que corresponde a 3% do PIB mundial, que de acordo com o FMI, para 2020, será de 80 trilhões de dólares. E este PIB da Moda é maior que os PIBs do Brasil, Itália, Rússia, Canadá, Coreia, Espanha, México e Indonésia.

Desse imenso montante, 33% das roupas são usadas por apenas um ano, e a média mundial é usar cada peça sete vezes, onde 500 bilhões de dólares vão para o lixo.

Na questão do comportamento em que a chance de expressar a personalidade e o estilo através da roupa deveria ser bem aproveitada, estão acionando o modo errado, que é copiar ao invés de criar. Tanto de estilistas quanto de consumidores. Porque antes é preciso estudar Moda. Para pelo menos copiar certo. E divulgar.

 

Carlos Magno Gibrail é consultor, autor do livro “Arquitetura do Varejo”, mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.

Mundo Corporativo: prepare-se, seu próximo colega de trabalho será um robô

 

 

“Se você não quer ser substituído por um robô, não seja um robô” — Martha Gabriel

 

A medida que as máquinas foram realizando trabalhos que antes eram feitos pelos seres humanos — e vimos que elas faziam melhor do que nós — , tivemos a oportunidade de progredir intelectualmente, buscar novos conhecimentos e desenvolvermos melhores estratégias. Isso é histórico, não começou agora. A grande mudança que assistimos com a evolução da inteligência artificial é a velocidade com que ocorre. Hoje, o crescimento é exponencial e exige dos profissionais constante transformação, educação permanente e saber lidar com os “seres digitais” — expressão usada por Martha Gabriel, professora de inteligência artificial, entrevista pelo jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da CBN.

 

O certo é que todas as áreas serão impactadas pelo avanço da tecnologia e, muito provavelmente, seu próximo “colega de trabalho” será um robô, por isso é preciso estar preparado para tirar o melhor proveito desta parceria. Autora do livro “Você, eu e os robôs —- pequeno manual do mundo digital” (editora Atlas) , Martha Gabriel insiste na ideia de que em vez de repudiarmos a tecnologia, saibamos usá-la em nosso favor: “o ser humano mediano é empoderado pela tecnologia; ele é melhor do que o melhor cara naquele assunto específico sem tecnologia”. Ela alerta para a necessidade da criação de políticas públicas que ajudem as pessoas a se integrarem rapidamente na sociedade digital, pois a defasagem no conhecimento vai se transformar em uma questão econômica e social.

 

“Se você quer fazer diferença na era digital, aprenda a perguntar. Quanto mais você perguntar mais respostas vem, mais você tem pensamento crítico” — sugere Martha Gabriel.

 

O Mundo Corporativo é transmitido, ao vivo, quartas-feiras, 11 horas da manhã, no site da CBN e nos canais da CBN no Facebook e no Instragram. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN. Colaboram com o Mundo Corporativo Guilherme Dogo, Rafael Furugen e Débora Gonçalves.

Menos impostos para maior arrecadação e menos seguridade para mais empregos

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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“Nem tudo que reluz é ouro”

 

Eis aí um provérbio tão antigo quanto atual para o nosso país, que vive a contingência de aumento de impostos e de redução de direitos trabalhistas. O fato é que as verdades aparentes podem encobrir a realidade, que somente poderão ser alcançadas pelo conhecimento. E neste ponto vale lembrar o artigo publicado neste Blog ontem, de autoria de Jaime Pinsky, ao colocar com propriedade que é necessário buscar o conhecimento com aqueles que possuem autoridade nas respectivas matérias.

 

Impostos e empregos são assuntos da alçada de economistas, que podem até apresentar análises diversas, mas sempre dentro do conhecimento inerente ao tema.

 

A “Curva de Laffer”, por exemplo, usada por Arthur Laffer para demonstrar que a partir de determinado ponto da taxação a arrecadação cai e, consequentemente, abaixando o imposto o recolhimento aumenta, pode ser contestada, mas não pode ser ignorada.

 

A esse respeito há muitos estudos que indicam que 33% é o ponto máximo para a taxação de impostos.

 

Do mesmo modo que o aumento da arrecadação poderá ser obtido pela redução de impostos, o crescimento dos empregos também poderá vir através da diminuição de alguns direitos trabalhistas. O empregador com menos encargos demitirá mais e admitirá também mais, gerando aumento de empregos. Embora aqui não haja métrica que possa indicar com precisão a exata correlação entre os fatores.

 

Ao mesmo tempo, outro postulado da Economia pode ajudar no entendimento destas correlações. É o principio da otimização em relação à maximização.

 

Ou seja, ao utilizarmos um equipamento 24hs por dia, sem descanso, estaremos maximizando sua produção. Entretanto, a vida útil dessa unidade de produção será menor do que aquela em que se opere, por exemplo, apenas 80%, reservando 20% do tempo restante à sua manutenção.

 

A otimização vale para serviços e até mesmo como estilo de vida. A maximização deveria ficar apenas para a busca do conhecimento real.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

Onde estarão os leitores de livros?

 

Por Jaime Pinsky
historiador e editor
doutor e livre docente da USP
professor titular da Unicamp

 

Texto escrito originalmente para o site de Jaime Pinsky, ótima fonte de consulta e conhecimento

 

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A questão da leitura no Brasil é difícil de formular. Por um lado envidam-se esforços no sentido de proporcionar acervos de livros adequados para leitores em escolas e universidades, centros de juventude, bibliotecas públicas e particulares. Por outro se treina as novas gerações em mídias digitais, o que não seria problemático, não fossem elas utilizadas quase que exclusivamente para mensagens e informações apressadas e superficiais, quando não levianas. Ao dar o mesmo valor a qualquer blog do que se dá a uma fonte criteriosa, como um bom jornal, o leitor se torna vítima fácil de notícias plantadas, informações maliciosas, ou simplesmente mau jornalismo. Todos nos tornamos médicos, advogados e historiadores após uma rápida consulta ao que disse tia Cotinha no Facebook da família, ou no Whatsapp da turma da escola. Há professores que simplesmente mandam pesquisar “na internet”, como se tudo que se encontra na web tivesse equivalência. Nem damos bola para o fato de que a especialidade de tia Cotinha é uma deliciosa sopa de legumes com ossobuco e que o primo de Paraguaçu Paulista não se notabiliza pela capacidade de selecionar informações. Confunde-se espaço democrático e direito de expressão com competência e divulgam-se asneiras de todo tipo sob o argumento de que todos têm o direito de se expressar. A única ressalva é que direito de se expressar não pode ser confundido – uma vez mais – com qualificação em todas as áreas. Para dar um exemplo extremo e obvio Dr. Paulo não me consultou sobre a técnica que deveria usar para implantar o marca-passo no meu peito. E eu ouso dar aulas e fazer palestras sem perguntar a opinião dele sobre fatos históricos. A qualificação existe, senhores…

 

Assim, que me desculpem os palpiteiros, mas competência é preciso. Claro (não finjam que não entenderam meu argumento) que não me refiro a assuntos e temas sobre os quais qualquer cidadão pode e deve se manifestar. Qualquer um pode e deve opinar, por exemplo, sobre reforma política (menos partidos? Voto distrital? Fim das coligações? Financiamento oficial? De empresas? Só de pessoa física?). Todos podem e devem entrar na discussão sobre se questões de saúde pública (como o aborto) devem ser confundidas com questões religiosas. Se foro especial não é uma prática antirrepublicana que beneficia apenas os já beneficiados e cria cidadãos de classes diferentes em uma sociedade que deveria privilegiar a igualdade de oportunidades. Se já não chegou o momento de acabar com essa folga de autoridades requisitarem aviões oficiais para passar o fim de semana em seus feudos (feudos, sim senhor) eleitorais, etc, etc, etc…

 

É evidente que não se deve tolher o exercício pleno da cidadania, que inclui o direito à manifestação, pelo contrário. O que defendo é o direito à informação séria, responsável, relevante. É fundamental ficar alerta, selecionar criteriosamente as fontes, evitando-se divulgar notícias falsas, textos apócrifos, supostas opiniões de figuras conhecidas que nunca disseram aquilo, trechos truncados que distorcem o conteúdo e, não menos importante, provocações irresponsáveis. E aí voltamos à questão da leitura de livros. Se você, improvável leitor deste artigo, não for um leitor de livros eu sinto muito. Ainda é neles que está depositado grande parte do patrimônio cultural da humanidade. Em livros estão registrados desde os textos sagrados das três mais importantes religiões monoteístas do mundo até as reflexões mais sofisticadas dos pensadores contemporâneos, passando por todos os teóricos sociais, estudos de economia, avaliações históricas das principais organizações sociais criadas pelo homo sapiens. Há livros para adultos e para crianças, para ler na praia, no metrô, no escritório, na cama. E se pensarmos em ficção, com livros a gente cria o personagem do nosso jeito, não fica sujeito aos caprichos do diretor do filme, por isso melhor que ver um bom filme é ler um bom livro.

 

Em uma sociedade em que o celular fica obsoleto em dois anos e uma relação amorosa não costuma durar nem isso; em que não temos tempo para conhecer as pessoas, elas nos aborrecem antes de sabermos quem elas são; em uma sociedade em que não degustamos, devoramos; em que não sabemos mais apreciar os caminhos, só queremos chegar; em que aprendemos a ler “por cima”, pulando linhas, letras e sentidos, sem curtir a construção elegante, o uso correto das palavras, o texto coeso, a mensagem clara; Quem teremos para ler livros nas próximas décadas?

CBN Professional – podcast: “a gente é as relações que a gente constrói”, diz Ana Moisés, do Linkedin

 

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O algoritmo pauta negócios e relações. Programado, acelera decisões e torna boa parte das tarefas mais fáceis. Tem sido usado em diversas áreas e com funções que variam conforme a criatividade e conhecimento de cada setor. Dele, partimos para a inteligência artificial já aplicada em alguns mercados e prometendo revolucionar o que quer que você pense, pois, dizem, essa tecnologia poderá pensar ainda melhor.

 

É um avalanche de inovação que causa medo e provoca dilemas éticos, como escreveu Yuval Harari, nos livros Sapiens e Homo Deus, que estão em destaque na vitrine das livrarias da cidade. Mesmo sem desconsiderar essas verdades, Ana Moisés, executiva do Linkedin, recomenda, porém, que se continue investindo nos relacionamentos pessoais:

 

“Uma coisa que a nova geração deveria saber é que relacionamento é tudo nessa vida; as relações pessoais que você constrói na sua vida são a única coisa que realmente têm um valor que ultrapassa o tempo, e isso a gente deveria trazer para o profissional, também”

 

Ana tem 45 anos, um filho, é diretora de vendas para a América Latina, no setor de Marketing Solution do Linkedin, plataforma de networking que se transformou em fonte de conhecimento. Tive a oportunidade de conhecê-la na entrevista que fizemos por cerca de uma hora para o segundo episódio da série de podcast CBN Professional, parceria da CBN com a HSM Educação Executiva, com produção (e entrevistas) do Thiago Barbosa. Com o tema “Construindo carreiras contra a maré da automação”, ela falou do Linkedin, de sua carreira, das preocupações e dos desafios que tem pela frente:

 

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Ouça a entrevista completa no podcast da Rádio CBN.

 

 

A tecnologia, que pode fulminar o emprego e o negócio de qualquer um de nós, dependendo de onde e como estivermos colocados neste momento, não chega a causar sustos na executiva do Linkedin – até porque, vamos lembrar, essa é base do trabalho realizado pela empresa que conecta profissionais e negócios. Curiosamente, Ana tem medo é de perder o emprego:

 

“Toda às vezes que tenho minha discussão de carreira, eu digo que a única preocupação que eu tenho é que eu gostaria de garantir que eu pudesse ter emprego até pelo menos os 70 anos. A única coisa que tenho medo é ficar sem trabalhar, sem emprego, porque eu acho que deve ser muito frustrante você ser uma pessoa produtiva, ter muita coisa para oferecer e não ter oportunidade de trabalho”.

 

O medo não a paralisa. A faz buscar mais conhecimento, pois entende que este será o diferencial do profissional do futuro. Diz que todas as escolhas profissionais que faz têm como objetivo continuar aprendendo para que “aos 70 anos, eu ainda seja uma pessoa interessante, disputada e desejada por uma empresa”.

 

Por isso, recomenda: amplie seu repertório e isso deve ser feito, também, a partir dos relacionamentos que você construir na sua carreira, aprendendo com todas as pessoas, independentemente do cargo que ocupam e da situação que vivem:

“Em um mundo que é tudo etéreo, tudo desaparece muito rápido, as pessoas precisam cultivar relações de longo prazo e mais profundas … a gente é as relações que a gente constrói ao longo da vida”.

A importância do conhecimento no mercado do luxo

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

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Grifes de prestígio, joias, glamour, perfeição: palavras que vêm à mente ao pensarmos em mercado do luxo. Essa expectativa de que no setor há um mudo perfeito à nossa disposição vai embora, porém, quando se percebe que mesmo marcas renomadas pecam no atendimento, em alguns casos.

 

São comuns os problemas comportamentais, mas se identifica também a falta de conhecimento sobre produtos, a história e os valores da marca. Muitas vezes os profissionais de atendimento esquecem que é necessário ouvir cada cliente para entender o que é o luxo para ele, quais são as suas necessidades e perfil de consumo. É essencial que o cliente AAA sinta segurança nas informações que recebe, independentemente do tipo de produto e serviço que está sendo oferecido: bolsa, carro, imóvel ou mesmo aplicação financeira, cada um com sua característica, exige olhar (e ouvido) apurado por parte do vendedor.

 

Fatores como a falta de conhecimento de conceitos sobre o luxo em si, o mercado, o DNA da marca dificultam ao profissional de vendas lidar com a experiência esperada pelo cliente, além de acarretar situação desconfortável no ponto de venda, na relação marca versus cliente.

 

Na atualidade, com a concorrência e globalização, o departamento responsável pela gestão de pessoas deve se ver como fonte fundamental de vantagem competitiva e capacitar suas equipes, motivá-las e ter uma gestão estratégia de Recursos Humanos para qualificar e reter talentos.

 

Ricardo Ojeda Marins é Professional & Self Coach, Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. Possui MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

Cartier lança programa global de MBA em Gestão do luxo, em Paris

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

 

O Institut Supérieur de Marketing du Luxe (Sup de Luxe Paris), fundado pela joalheira francesa Cartier (Richemont Group), em 1990, lançará MBA Global em Gestão do Luxo, em setembro deste ano. O programa será o segundo MBA no segmento em Paris, após o da renomada escola Essec, apoiada pelo grupo LVMH. O MBA terá aulas de segunda à quinta-feira à noite e em 2 sábados por mês, sendo ministradas no idioma inglês, com duração de até Julho de 2015. O MBA não terá foco apenas em Marketing, como muitos espectadores costumam confundir antes de ingressar no curso, e sim envolverá todas as áreas importantes na gestão da marca de luxo, tais como política de negócios, logística, finanças, Marketing e varejo, análise setorial e assuntos relacionados à legislação (contratos, leis, transações entre empresas), e ainda ênfase em gestão da criação.

 

Para ingressar no MBA é necessário graduação em universidades reconhecidas, além de submeter-se ao Graduate Management Admission Test (GMAT), prova de admissão exigida pela maior parte das escolas de negócios da Europa e dos Estados Unidos. Para alunos que não tenham o inglês como língua nativa, é necessário realizar testes como TOEFL, TOEIC ou CPE, a menos que estes tenham frequentado universidade de língua inglesa por dois anos. O custo é de 26.000 Euros para o programa completo, além da taxa de aplicação de 200 Euros.

 

Como uma das premissas do luxo é a exclusividade, o MBA terá classe limitada a um número razoavelmente pequeno de alunos com potencial internacional e quer formar profissionais capacitados para o segmento que cada vez mais cresce ao redor do mundo. Vai se tornar, assim, fonte de perfis interessantes para as empresas de luxo, segmento peculiar que para obter resultados positivos e atender a demanda de seus clientes exige profundo conhecimento dos profissionais dedicados ao mercado.

 

Ricardo Ojeda Marins é Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. Possui MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

Um caminho para nossa Educação

 

Por Julio Tannus

 

Muito tem se falado sobre o nível de nosso ensino, tanto nos cursos básicos como nas universidades. Para Edgar Morin há sete saberes necessários à educação para promover a formação de futuras gerações. Diz que são necessárias novas práticas pedagógicas para uma educação transformadora que esteja centrada na condição humana, no desenvolvimento da compreensão, da sensibilidade e da ética, na diversidade cultural, na pluralidade de indivíduos. E que privilegie a construção de um conhecimento interdisciplinar, envolvendo as relações indivíduo-sociedade-natureza. Para ele é fundamental criar espaços para o diálogo que propicie a reflexão, capaz de viabilizar práticas pedagógicas fundamentadas na solidariedade, na ética, na paz e na justiça social.

 

Uma educação baseada nos Sete Saberes (*) poderá colaborar para que os indivíduos possam enfrentar as múltiplas crises sociais, econômicas, políticas e ambientais, que colocam em risco a preservação da vida no planeta.

 

Aqui vão os “Sete Saberes”.

 

As cegueiras do conhecimento, o erro e a ilusão – Todo conhecimento comporta o risco do erro e da ilusão. A educação do futuro deve enfrentar o problema de dupla face do erro e da ilusão. O maior erro seria subestimar o problema do erro; a maior ilusão seria subestimar o problema da ilusão.

 

Os princípios do conhecimento pertinente – O conhecimento dos problemas-chave, das informações-chave relativas ao mundo, por mais aleatório e difícil que seja, deve ser tentado, sob pena de imperfeição cognitiva, mais ainda quando o contexto atual de qualquer conhecimento político, econômico, antropológico, ecológico… é o próprio mundo. A era planetária necessita situar tudo no contexto e no complexo planetário.

 

Ensinar a condição humana – A educação do futuro deverá ser o ensino primeiro e universal, centrado na condição humana. Estamos na era planetária; uma aventura comum conduz os seres humanos, onde quer que se encontrem. Estes devem reconhecer-se em sua humanidade comum e, ao mesmo tempo, reconhecer a diversidade cultural inerente a tudo que é humano.

 

Ensinar a identidade terrena – A partir do século XVI, entramos na era planetária e encontramo-nos desde o final do século XX na fase da mundialização. A mundialização, no estágio atual da era planetária, significa primeiramente, como disse o geógrafo Jacques Lévy: “o surgimento de um objeto novo, o mundo como tal”. Porém, quanto mais somos envolvidos pelo mundo, mais difícil é para nós apreendê-lo. Na era das telecomunicações, da informação, da internet, estamos submersos na complexidade do mundo – as incontáveis informações sobre o mundo sufocam nossas possibilidades de inteligibilidade.

 

Enfrentar as incertezas – Ainda não incorporamos a mensagem de Eurípedes, que é a de estarmos prontos para o inesperado. O fim do século XX foi propício, entretanto, para compreender a incerteza irremediável da história humana.

 

Ensinar a compreensão – A situação é paradoxal sobre a nossa Terra. As interdependências multiplicaram-se. A consciência de ser solidários com a vida e a morte, de agora em diante, une os humanos uns aos outros. A comunicação triunfa, o planeta é atravessado por redes, fax, telefones celulares, modens, internet; entretanto a incompreensão permanece geral. Sem dúvida, há importantes e múltiplos progressos da compreensão, mas o avanço da incompreensão parece ainda maior.

 

A ética do gênero humano – individuosociedadeespécie são não apenas inseparáveis, mas coprodutores um do outro. Cada um destes termos é, ao mesmo tempo, meio e fim dos outros. Não se pode absolutizar nenhum deles e fazer de um só o fim supremo da tríade; esta é, em si própria, rotativamente, seu próprio fim. No seio desta tríade complexa, emerge a consciência. Desde então, a ética propriamente humana, ou seja, a antro-poética, deve ser considerada como a ética da cadeia de três termos. Essa é a base para ensinar a ética do futuro.

 

Para cada um, Morin faz uma análise que não cabe aqui ser reproduzida, mas certamente merece ser lida, estudada e apreendida.

 

(*) Edgar Morin, Os sete saberes necessários à educação do futuro – 2a Edição Revisada; Cortez Editora

 

Julio Tannus é consultor em Estudos e Pesquisa Aplicada,
co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier), e escreve no Blog do Mílton Jung, às terças-feiras.