Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: Tendências para 2026 pedem menos espuma e mais substância

“hoje a IA dirige o próprio consumo” Foto de ThisIsEngineering

Em 2026, marcas serão cobradas não apenas por presença, mas por relevância, eficácia e vínculo real com as pessoas. Esse foi o tema do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, apresentado no Jornal da CBN, ao abrir o ano com uma leitura atenta das tendências que devem orientar decisões em marketing e branding.

A inteligência artificial deixou de ser promessa e passou a interferir diretamente no consumo. Segundo dados citados no programa, cerca de 25% dos consumidores já recorrem a ferramentas de IA para escolher produtos. Cecília Russo chamou atenção para o novo papel dos gestores de marca nesse ambiente: “As marcas precisarão estar presentes nos modelos de inteligência artificial, porque hoje a IA dirige muitas vezes o próprio consumo”. Isso muda a lógica conhecida de busca e exige adaptação às recomendações geradas por essas plataformas.

Ao mesmo tempo, o avanço tecnológico não elimina o fator humano. Cecília reforçou que personalização e reconhecimento ganham ainda mais peso. “As pessoas querem ser lembradas, bem tratadas, vistas como únicas”, afirmou, ao destacar a valorização de ações dirigidas, ofertas customizadas e relações menos automatizadas.

Outro ponto levantado foi a necessidade de pertinência. Estar em todos os lugares deixou de ser sinônimo de acerto. Marcas que não identificam seu nicho, sua comunidade e o espaço onde fazem sentido correm o risco de falar sem ser ouvidas.

Jaime Troiano destacou que 2026 também será um ano de cobrança por resultados. “Será o ano de prestar contas, de mostrar a eficácia por trás de todos esses conteúdos gerados, quem gera valor e quem faz apenas espuma”, disse, ao tratar da produção de conteúdo e da necessidade de métricas claras.

Num calendário marcado por Copa do Mundo, eleições e muitos eventos, captar atenção exigirá mais do que criatividade isolada. Jaime resumiu o desafio como um “olhar duplo”: ideias consistentes, conectadas ao que a marca representa para as pessoas.

Ele também alertou para a construção de marcas dentro dos marketplaces, onde o produto muitas vezes se sobrepõe à identidade. “Noiva não se escolhe no altar”, lembrou, ao defender que o vínculo com a marca precisa ser criado antes da decisão de compra, mesmo quando a venda acontece em grandes plataformas.

A marca do Sua Marca

Menos espuma e mais substância. Em 2026, marcas serão chamadas a provar valor, combinar tecnologia com sensibilidade e trocar presença dispersa por relações com significado.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: me engana que eu gosto

Foto de Kampus Production

Consumidores muitas vezes justificam escolhas de forma racional, mas, na prática, são guiados por emoções. Esse é o ponto central do comentário de Jaime Troiano e Cecília Russo no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, no Jornal da CBN.

Os atributos racionais são apenas o suporte para a decisão. O que gera o comportamento de compra são as emoções”, explicou Jaime Troiano, ao citar uma pesquisa sobre a escolha de um carro. Para o consumidor, na fala direta, valiam argumentos como baixo custo de manutenção e economia de combustível. Mas, em conversas informais, o que aparecia era a sensação de respeito e status proporcionada pelo veículo.

Cecília Russo trouxe outro exemplo: o do amaciante de roupas. “O que toca mesmo é o sentimento de invadir as roupas da família com uma dose adicional de carinho”, disse, lembrando campanhas que associavam a fragrância do produto à lembrança do cuidado materno. Ela destacou também a experiência de consumo em restaurantes como o Pirajá, em São Paulo, que transporta os clientes ao Rio de Janeiro não só pela comida, mas pela playlist que embala o ambiente: “algo que eu não mastiguei, mas me inspirou o tempo todo”.

A marca do Sua Marca

A lição central do comentário pode ser resumida em uma frase repetida ao longo da conversa — que podemos incluir entre os clássicos de Jaime Troiano: “Consumidor diz o que pensa, mas faz o que sente.”

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.

Mundo Corporativo: pessoas com deficiência têm de estar incluídas na agenda ESG, diz o advogado Stefano Maximo

Photo by Marcus Aurelius on Pexels.com

“Não dá para negar que ainda falta muito para a inclusão acontecer, mas com o diálogo, o que eu pude perceber, é que as empresas estão incluído o tema da pessoa com deficiência nas pautas no ESG e isso me dá um pouco de otimismo”

Stefano Maximo, advogado

A invisibilidade das pessoas com deficiência é uma realidade mesmo em empresas comprometidas com a agenda da governança ambiental, social e corporativa. Diante dos tantos desafios que precisam ser enfrentados, esse segmento — cerca de 46 milhões de brasileiros, conforme o Censo de 2010 — muitas vezes é esquecido na formação dos comitês de afinidade e nas políticas internas de inclusão. Talvez você mesmo, caro e raro leitor deste blog, ao olhar para os lados — no escritório, na escola, nos ambientes que frequenta — vá perceber a ausência dessas pessoas. 

Foi esse incomodo que levou o advogado Stefano Maximo a pesquisar a realidade vivenciada pelas pessoas com deficiência no mercado de trabalho. O conhecimento desenvolvido na área se transformou em dissertação do mestrado realizado na Universidade Federal de Itajubá e o fez perceber que o interesse pelo assunto ganhou nova dimensão, seja pela imposição das leis criadas ao longo das últimas décadas seja pela demanda das próprias pessoas com deficiência que passaram a elevar suas vozes em busca do respeito a que têm direito.

“Isso tem refletido muito na postura das empresas, não só normativamente, não só na questão regulamentar, nas regras as quais as empresas têm que se adequar, mas na cultura mesmo das empresas de entenderem, de buscarem saber qual a demanda dessas pessoas de compra, qual a demanda de atendimento e o que elas querem quando buscam ser parte do mercado de consumo”

Um fato inusitado tanto quanto cruel acabou dando um destaque inesperado ao trabalho de mestrado desenvolvido por Stefano Maximo. Uma imagem dele, durante a apresentação da dissertação, foi alterada e  usada para a disseminação de mentiras — essa coisa aí que você prefere chamar de fake news — com o objetivo de desvalorizar a universidade pública e o trabalho científico. Em lugar do nome oficial da dissertação “A pessoa com deficiência e o mercado de trabalho – Um estudo na microrregião de Itajubá”, os falsificadores escreveram “O uso indiscriminado de figurinhas no WhatsApp e seu impacto social”. A manipulação foi identificada por empresas de checagem de fatos que publicaram o tema correto da dissertação.

No Mundo Corporativo, Stefano Maximo, advogado no escritório Meira Breseghello Advogados e mestre em Desenvolvimento, Tecnologia e Sociedade pela UNIFEL, trouxe uma visão realista da situação enfrentada pelas pessoas com deficiência; mostrou-se otimista em relação a inclusão do assunto na agenda ESG; e sabe que apesar da legislação consistente que o Brasil tem, muitas empresas ainda são reticentes na contratação e na adaptação de seus espaços para uma inclusão plena. Mas enxerga as mudanças que começam a se realizar:

“A partir do momento que a a empresa tiver essa dimensão já ali dentro da cultura dela, ter essa noção integral da deficiência, as coisas vão com certeza melhorar e muito. E eu acho que isso já tá acontecendo”.

O certo é que nenhuma empresa que se preza a dar publicidade às suas práticas ESG pode abrir mão das estratégias de inclusão das pessoas com deficiência. Uma inserção que precisa se realizar na contratação de colaboradores com deficiência, na geração de ambientes inclusivos e, também, no mercado de consumo:

“É preciso entender o que está afastando as pessoas com deficiência do mercado de consumo. Quais são as barreiras que precisam ser ultrapassadas. E as empresas têm buscado fazer isso como uma maneia de mudar a política de atendimento, a política de criação de produtos para poder fornecer mais meios da pessoa com deficiência acessar os produtos”.

Da nossa conversa ficou muito claro que se desperdiça um tremendo potencial a medida que se demora para criar processos de inclusão no mercado de trabalho e de consumo. A começar porque existem talentos que deixam de se expressar toda vez que uma deficiência é vista como barreira para a execução de determinadas funções. O olhar diverso da pessoa com deficiência fará falta na criação de soluções e resposta à sociedade. Assim como a empresa abre mão de uma camada importante dos consumidores ao não integrar no desenvolvimento de seus produtos e serviços o conceito de desenho universal, que assegura que todos possam usar com segurança e autonomia os diversos espaços construídos e objetos.

“A empresa tem que estar preocupada com a inclusão, pronto! Mas a gente tem que entender também do viés mercadológico; que isso é um um caminho para a empresa crescer, se solidificar, para ter uma imagem reputacional cada vez melhor e sem dúvida atender um mercado muito maior”.

Para pequenos e médios empreendedores que não têm os recursos ou estruturas das grandes empresas para implantar estratégias de inclusão, talvez uma ótima saída seja a observação. Assim como no início deste texto, chamei atenção para o fato de ao olharmos para os lados não enxergarmos pessoas com deficiência nos ambientes que frequentamos, é preciso ajustar nosso foco e  buscar essas pessoas. Sempre que deparar com uma delas em especial no contato com o seu negócio, faça questão de conversar e ouvir suas demandas. Uma grande oportunidade pode estar surgindo naquele instante:

“Você tem uma pessoa com deficiência comprando com você: já busca saber com ela o que que está achando do atendimento, o que precisa melhorar, o que não precisa, porque, às vezes, é uma medida simples, de baixo custo, que vai resolver um problema enorme, vai tirar uma barreira enorme da vida dessa pessoa, e vai trazer benefícios para empresa”.

Assista à entrevista completa com Stefano Máximo no Mundo Corportivo ESG:

O Mundo Corporativo tem a colaboração de Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Priscila Gubiotti e Rafael Furugen.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: a Belina, o branding, o mocinho e o vilão

 

Anúncio de revista da Belina Ford 1987

“Será que somos nós os culpados de criar desejos antes ainda inexistentes, e contribuir para o consumo pouco consciente?”

Jaime Troiano

Quem já teve carro a álcool  — álcool raiz, não esse etanol moderno que temos hoje — sabe o drama que era ligar o motor nas manhãs de inverno. Precisava injetar gasolina, tentar uma ou duas vezes, torcer para não forçar a bateria e, às vezes, deixar o motor ligado por algum tempo para não sair titubeando pelo caminho. 

O Jaime, nosso colega do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, teve um Passat – Passat raiz, não este alemão e chique que roda hoje em dia. Era a álcool e câmbio mecânico. Dureza! Um dia, um amigo deu-lhe  carona em uma Belina à gasolina e automática. “Ainda vou ter uma dessas”, pensou Jaime, que assim que chegou ao trabalho esqueceu da promessa que fez a si mesmo. Algumas semanas depois, abriu a revista Quatro Rodas e deparou com o anúncio da Belina a espera dele. Mas sabe como é …. projeto pra entregar, família pra cuidar. Deixa o desejo da troca de carro para outro dia. Duas semanas depois, ele passou diante da concessionária Ford e voltou a ver a Belina dos sonhos. Entrou, negociou, barganhou e levou. 

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso e descubra qual foi o destino da Belina do Jaime Troiano

O que o fez comprar: a necessidade de um carro mais moderno, a experiência que teve com o amigo, o anúncio na revista ou a fachada da loja no caminho de casa?  Ele próprio responde: a mistura de desejo e necessidade. É assim que costuma funcionar nossa jornada de compra, do carro (nem álcool nem gasolina, eu sonho com um elétrico) à camisa; do computador ao sapato. Quem faz a gestão de marcas sabe como isso funciona, tem estratégias para conquistar o cliente mas precisa ter consciência de que não pode criar armadilhas. 

A história e a reflexão que se seguiu surgiram no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso depois que perguntei ao Jaime Troiano — o dono da Belina — e a Cecília Russo — que não sei se algum dia pegou carona no carrão dele — se o branding é mocinho ou vilão do consumidor. 

“É uma questão que invade o território ético. Será que somos nós os culpados de criar desejos antes ainda inexistentes, e contribuir para o consumo pouco consciente? Já refletimos muito sobre isso, e nossa conclusão é que essa dualidade, mocinho e bandido, não faz muito sentido.”

Cecília Russo

Quando profissionais de branding fazem seu trabalho a partir de marcas sérias e comprometidas com suas entregas, produtos e serviços, estão atuando dentro de limites éticos e atendendo a necessidades das pessoas, explicam Jaime e Cecilia. Um exemplo, para ir além da Belina, é quando sentimos sede. Não é  a marca quem provoca essa sede. A sede nos leva a marca. E aí sim entra o trabalho do branding: direcionar a pessoa que sente sede para um determinado produto. 

“Seres humanos somos uma fábrica de desejos. Eu já os tenho dentro de mim e são esses desejos que me levam ao consumo. As marcas fazem parte daquela equação que já falamos no programa: o que eu sou mais alguma coisa que me falta, é uma soma, digamos assim, que me conduz ao que eu quero ser, ao meu eu ideal”. 

Cecília Russo

Leia aqui mais sobre a equação citada por Cecília Russo

Estar comprometido com a transparência e desenvolver o projeto de branding baseado na verdade da marca e em um profundo conhecimento das pessoas a quem elas se destinam é uma responsabilidade que os profissionais da área têm de assumir.  

“Branding não é uma máquina de vendas. É um caminho para criar significados autênticos para as marcas satisfazerem necessidade e desejos igualmente autênticos nos consumidores”

Jaime Troiano

Mundo Corporativo: Flávia Ávila, da InBehaviorLab, fala do frete grátis e do comportamento do consumidor

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“Quanto mais você entende você, mais você consegue fazer coisas efetivas para o outro”

Flávia Ávila, InBehaviorLab

Foi nosso colega de CBN, Thassius Veloso que, brincando com seus seguidores no Twitter, escreveu dia desses que duas expressões que ele adora ouvir é “eu te amo” e “frete grátis”. Thassius sabe do que fala. Entende muito do cenário digital e acompanha o crescimento do comércio eletrônico no mundo, tanto como profissional quanto como consumidor. Para as reações diante da primeira expressão, recomendo a leitura do livro “Por que amamos”, do filósofo Renato Noguera. Para nosso comportamento frente a entrega de graça, sugiro a entrevista com Flávia Ávila, da InBehaviorLab, no programa Mundo Corporativo. 

Flávia é mestre em Economia Comportamental, pela Universidade de Nottingham, na Inglaterra; organizou o primeiro Guia de Economia Comportamental e Experimental, do Brasil; e criou a InBehavior Lab — consultoria em que aplica o conhecimento e a experiência desenvolvidos ao longo de seus estudos e carreira. Aliás, a tese de doutorado dela foi sobre o frete grátis, inspirada na observação de que, na época em que estudava em Londres, livrarias já vendiam livros na loja ou na internet pelo mesmo preço, não cobravam o valor da entrega:

“A teoria racional diria que poderíamos cobrar um valor pequeno para a entrega, que o consumidor nem sentiria. Depois de ter estudado o assunto, aprendi que quando o consumidor já planejou a compra e vê aquele frete, por menor que seja, pensa: será que não tem outro mais barato?”

A Economia Comportamental ensina que nós sempre comparamos as coisas e quanto menos comparações nós tivermos, mais rapidamente vamos agir. No caso, fechar a compra. Ensinamentos que surgem a partir de uma série de experimentos e instrumentos de medição de comportamento que ajudam na elaboração de estratégias do comércio – e não apenas o eletrônico. 

Flávia destaca uma das ferramentas que usa na consultoria que é o experimento de campo, aplicado, por exemplo, em uma ação da Heineken para reduzir o número de motoristas que consomem álcool. Os pesquisadores promoveram nos bares pequenas intervenções que levavam o motorista a parar e pensar no hábito de misturar bebida e direção. Uma das medidas foi convidá-los a assinar o “juramento do motorista” e em troca ganhavam uma porção de batatas fritas. Mesmo que informal, ao colocar o nome no papel, o motorista assumia com ele próprio o compromisso de não beber. Resultado: nos locais em que houve a intervenção reduziu-se em 25% o número de motoristas que bebiam.

Os estudos sobre o comportamento do ser humano também servem para que o consumidor tenha mais consciência das atitudes que adota, evitando alguns padrões que podem ser prejudiciais e oferecendo a possibilidade de escolhas melhores:

“A gente observa que, quando tem uma coisa muito incerta como agora, tendemos a exacerbar, amplificar, o que chamamos de vieses: essa tomada de decisão mais impulsiva, instintiva, emocional. Por quê? Porque a gente está sobrecarregado mentalmente e algumas decisões tomamos de forma corriqueira e sem consideramos (seus efeitos)”.

Por falar em vieses. Flávia alertou para a influência que os vieses de confirmação e o de ancoragem geram nas nossas decisões. O primeiro se caracteriza diante da busca de certificações que apoiem a nossa ideia. Porém, como estamos crentes na escolha que fizemos, a mente é incapaz de absorver qualquer mensagem que vá na contramão da nossa hipótese. O segundo, se dá a partir da autoridade que construímos diante de nossas equipes de trabalho ou grupos de convivência, que, em algum casos, confiam tanto na decisão que, mesmo desconfiando de seu resultado, são incapazes de se contrapor. É preciso ter consciência desses padrões de comportamento para permitir que novas ideias — contrárias, especialmente — surjam no cenário. 

Na conversa com Flávia, aproveitei o conhecimento dela para tratar do consumo de um produto que tem se disseminado na sociedade contemporânea —- quando deveria ser banido: a desinformação, batizada de fake news. E ela não tem uma notícia boa, não! Estudos mostram que a notícia verdadeira nem sempre é captada pelo nosso cérebro, porque ela é normal, não é absurda. Diante de uma notícia falsa, escandalosa, inédita — por exemplo, 90% das pessoas não se vacinaram — o cérebro entra em modo de atenção e capta a informação. Mesmo que reconheça ser falsa,  já está na mente e pode influenciar os processos decisórios, inconscientemente.

“Um dos pontos é fazer uma ‘dieta cerebral’. Ter noção de que mesmo quando é mentira, captamos a informação. E evitar de pegar (informação) de fontes que não são confiáveis, que vão afetar nossa decisão de agora e a nossa decisão futura”.

Assista a entrevista completa com Flávia Ávila, CEO e fundadora da InBehaviorLab, no Mundo Corporativo: o frete é grátis.

O Mundo Corporativo tem a colaboração de Bruno Teixeira, Renato Barcellos, Débora Gonçalves e Rafael Furugen.

Consumidor é ‘figital’ e quer uma relação mais simples e acessível com as marcas

Desde que passamos a fazer parte desta barafunda que a pandemia nos impôs, entender o que está acontecendo é um desafio. Temos muitas pretensões, e poucas convicções. Achamos coisas, imaginamos cenários e quando arriscamos um ‘com certeza’, damos um cavalo de pau na frase para concluir com um definitivo “eu acho”. Pensando bem, melhor assim do que esses loucos que andam a solta nos planaltos e palácios, com suas verdades mentirosas. 

Mesmo diante da incerteza, não duvidamos que a gente está muito mais digital. A despeito das desigualdades de acesso, comprar pela internet foi o recurso que restou para a maioria de nós neste mais de ano e meio de pandemia. Hábito que veio para ficar —- mas não ficar sozinho como bem mostra a pesquisa “A nova jornada do consumidor no e-commerce”, promovida pela MRM Commerce, em parceria com a MindMiners.

Segundo o levantamento, o consumidor brasileiro passou a comprar mais pela internet — foi o que disseram 80% das 1.000 pessoas que participaram da pesquisa. E a maioria, 68%, vai manter o hábito ao fim da pandemia  — o que se pode perceber mesmo agora quando o mal ainda está entre nós, mas muitos vivem como se o pós-pandemia já tivesse se realizado.

Até aqui, sem muito novidade. Comprou-se mais pela internet, mais gente vendeu pela internet, então acostumou-se a fazer negócio pela internet. Óbvio! O ponto que considero interessante, porque ratifica o que tenho ouvido de vários convidados no programa Mundo Corporativo, é que não seremos só ‘físicos’ tanto quanto não seremos só ‘digitais’. 

Senão, vejamos.

Para 71% das pessoas, a jornada começa  com a pesquisa na loja física e a compra se realiza na internet. E o fazem especialmente pelo preço, comodidade, facilidade e diversidade de produtos e marcas. 

Mas não se engane, porque muitos desses não têm o menor pudor de percorrer o caminho inverso, também. Haja vista que  65% afirmaram que começam a pesquisa na internet e compram na loja física. E o fazem principalmente para poder levar o produto na hora e pela experiência na loja. 

reproduçao de tabela da pesquisa MRM Commerce/MindMiners

Aqui uma observação: 39% buscam a experiência na loja, e apenas 22% dizem que compram lá por causa do vendedor. Na minha cabeça, uma experiência gratificante só se faz plena com a participação do vendedor, que vai muito além do moço que me pergunta: “o senhor tá procurando alguma coisa?” — mas isso é assunto para outro artigo e de preferência escrito por alguém que seja entendido no assunto; no máximo sou um consumidor experiente e gastador (apesar da fama de pão duro, entre os amigos do Hora de Expediente).

De volta à pesquisa e ao ponto. 

Se não somos só físico nem só digital, então, somos ‘figital’, um neologismo que tem aparecido com frequência na avaliação de consultores do setor de varejo que estende seus braços para outras áreas da economia.  O problema é que muitas empresas estão demorando para entender que se o consumidor é ‘figital’, o negócio também tem de sê-lo. As operações não podem ser dissociadas, a experiência tem de ser única em todos os ambientes. Meu contato com a marca vai do computador para o celular que me acompanha até o shopping. De lá, segue com aconselhamento ou consultoria, sem que vender seja o único objetivo. E se migro de um espaço para o outro, a percepção tem de ser de que estou sendo atendido pela mesma pessoa ou persona. 

Antes de me despedir, mais um destaque entre tantos  números, dados e informações disponíveis em “A nova jornada do consumidor no e-commerce”.  Facilidade é elemento que predomina nesse relacionamento. Seja na navegação no site, que se reflete na boa experiência de compra online – 69% escolheram a marca devido a esse item; seja em encontrar o que se precisa, no online ou no físico; seja na forma de se comunicar. 

A vida já é complicada demais. O consumidor não tem tempo para se perder em meio a sites, serviços e atendimentos com várias camadas de relacionamento, filtros, códigos, senhas e perguntas mal feitas. Se a ideia é manter o cliente ao seu lado na jornada pós-pandemia – no físico, no online ou seja lá onde for – simplifique-a! Eu agradeço!

Aqui, você tem acesso a pesquisa completa

Sua Marca: pesquisa mostra o desejo dos brasileiros na Black Friday

“Na Black Friday, quando a gente fala em gestão de marcas não pode ter fraudes. Transparência e verdade são mais importantes do que nunca”— Cecília Russo

A Black Friday —- data importada dos Estados Unidos — será na próxima sexta-feira, dia 27 de novembro, e será muito influenciada pelo período de pandemia que o consumidor está enfrentando, desde março. No Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, Jaime Troiano e Cecília Russo apostaram na ideia de que este será o ano do comércio eletrônico, a medida que muitos já iniciaram essa migração digital desde o inicio da pandemia, em março.

“Não só pelo isolamento, mas o crescimento do comércio eletrônico também vai ocorrer porque estamos mais confortáveis no uso e os mecanismos de segurança estão mais confiáveis”

De acordo com estudo do Google, 70% dos consumidores já têm em seus celulares os aplicativos de suas marcas de varejo preferidas e 59% das pessoas disseram que pretendem usá-los para as compras.  Jaime também destaca o fato de que há um desejo represado de consumo, que ficou mais contido ao longo da pandemia:

“A gente adia, mas não mata o desejo. E tudo indica que a soma desses desejos que foram guardados deve voltar com muita velocidade”

Um outro estudo, realizado pela Provokers, empresa de consultoria e marketing, mostra que os celulares estão no topo da lista dos consumidores com 38% das pessoas ouvidas demonstrando intenção de compra. Em seguida, aparecem eletrodomésticos, com 30%, ítens de informática e notebook, com 28%, empatado com roupas. Com tanto desejo e tentação, é preciso cuidado:

“O maior cuidado é aquilo que a gente chama de bom senso, calma. Veja se o que você vai fazer ou comprar está alinhado com o seu posicionamento e a sua forma de ser. Não faça na Black Friday aquilo que você nunca fez na vida apenas porque tem uma promoção sendo oferecida”, alerta Jaime

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, às 7h55, no Jornal da CBN

Sua Marca: a sua relação com as marcas mudará depois da pandemia?

 

“Estamos vendo parte substancial da população brasileira reagindo em termos de consumo de uma forma distinta, quase como se estivéssemos aprendendo (a consumir)” —- Cecília Russo

Forçados pelo confinamento e o risco de contrair o novo coronavírus, os consumidores mudaram sua dinâmica, relacionando-se com as marcas no comércio on-line, encomendando pelo WhatsApp ou, em alguns casos, terceirizando essa compra, através de parentes, amigos ou vizinhos mais jovens que vão ao mercado em lugar dos mais velhos e daqueles que estão no grupo de risco da Covid-19. Por outro lado, empresas —- independentemente do tamanho —- tiveram de rever a forma de vender e se relacionar com o consumidor.

 

No Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, Jaime Troiano e Cecília Russo conversaram com Mílton Jung sobre a possibilidade desse momento proporcionar uma mudança no hábito de consumo das pessoas. Para Jaime, há duas perguntas a serem respondidas diante dessa transformação:

“Será que este é um cenário pedagógico em que vamos aprender a consumir marcas com maior racionalidade, ser mais rígido com preços, etc? Ou será, que esta é uma fase em que estamos recalcando vários desejos de consumo; e eles ficarão apenas hibernando?”

Pelas experiências anteriores, no Brasil e outros países, Jaime acredita que o mais provável é que o desejo — seja de consumo, seja de relacionamento — não vai morrer, ao contrário, voltará talvez em força ainda maior, podendo ajudar a economia a se recuperar mais rapidamente do que se imagina.

 

De acordo com Cecília, já é possível identificar esse comportamento, a medida que tanto pessoas quanto empresas fazem planos para quando a pandemia terminar:

“Não seremos um novo consumidor depois da pandemia; acho que a gente sai com mais atenção a cada novo momento que nós vamos viver. E as marcas que amamos fazem parte disso”.

Como ninguém tem certeza do que acontecerá, a sugestão é que as marcas não se precipitem, vivam semana a semana, analisando comportamentos e se adaptando ao momento presente. Lembre-se, também, do que já foi dito na edição anterior do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: as marcas que mostrarem uma empatia com esse momento vão se sair melhor.

É só sintonizar, não paga nada!

 

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“As novas gerações consomem informações jornalísticas pelo celular, preferencialmente pelas redes sociais e não estão dispostas a pagar para ter acesso a conteúdo informativo”

Esses são algumas das conclusões da pesquisa “A próxima fronteira da mídia”, realizada pela Comscore, a qual tive acesso através do site do Meio e Mensagem . O estudo mapeou as diferenças dos hábitos de consumo entre as gerações X, Y e Z.

 

Para não nos perdemos em letras e rótulos, vamos esclarecer que a turma da geração X passou dos 40 anos e abraça aqueles que já alcançaram os 60 — dentre os quais me encontro. O pessoal da Y, que também recebe o nome de Millenial, tem entre 25 e 40 anos. Enquanto o da Z é aquele que tem menos de 25 anos — onde meus filhos estão.

 

As gerações mais novas já abandonaram o desktop há algum tempo e se informam através do celular. Essa migração já é superior a 50% para o consumo da maioria dos diferentes segmentos de notícia —- de esporte à política, de entretenimento à economia.

 

Se os mais velhos dedicam mais tempo à leitura para entender o conteúdo disponível, os mais novos leem as notícias de forma rápida e superficial. Curiosamente, mesmo que o celular seja o aparelho preferido, os mais jovens ainda confiam na TV quando o assunto é jornalismo.

 

O que mais me chamou atenção nos dados divulgados é a baixa disposição dos jovens em, espontaneamente, pagar para ter acesso a conteúdo jornalístico. A maioria não quer saber de pagar para ter melhor informação. Foi o que disseram 85% na geração Z; 82% entre os millennials e 87% na geração X.

 

Como explicar então o sucesso de Netflix, Spotify e assemelhados? Simples, eles dizem que não querem pagar por qualquer informação, mas o farão se identificarem que a informação é relevante para a sua vida ou proporcionar entretenimento.

 

E por que gostei de saber que a gurizada não quer pagar para se informar? Porque desde sempre (ou quase sempre), o rádio ofereceu informação de graça. Ou seja, meninos e meninas, estamos à sua disposição. É só sintonizar, não paga nada!

Filas no caixa prejudicam experiência do consumidor e fragilizam propósito da loja

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

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Nas lojas da Apple não existem caixas e o próprio vendedor faz a cobrança

 

Experiência de Compra e Propósito são efetivamente as demandas principais do varejo pós-NRF — somadas ao arsenal tecnológico que se intensifica. Foi o que, entre outras coisas, a Cecilia Andreucci lembrou no programa Mundo Corporativo, da CBN, há uma semana.

 

Entretanto, diante de tanto avanço, é injustificável que o varejo físico atual dependente crescentemente das datas comemorativas; e,  disputando o mercado cada vez mais com os players virtuais, ainda deixe o seu cliente em grandes filas de caixa. Situação que inviabiliza tanto a Experiência de Compra quanto o Propósito da empresa.

 

Supondo na realidade física que a Experiência de Compra tenha sido boa para o consumidor até o atendimento do vendedor. A seguir ele espera na fila do caixa e depois estará diante de uma outra pessoa, que não é de vendas e não tem nada a ver com o processo da Experiência de Compras.

 

Supondo ainda que a caixa tenha sido gentil com ele, olhando-o ao receber o pagamento e agradecendo a compra, e até sorrindo. Ainda assim ficará claro que o sistema foi interrompido. De propósito e sem Propósito.

 

A Teoria das Filas —  sim, existe uma teoria matemática no ramo da Pesquisa Operacional — demonstra que as filas surgem pelo desequilíbrio entre o número de vendedores, de caixas e do fluxo de clientes.

 

A prática das filas ensina que para resolver esse desequilíbrio nas lojas em que há vendedores, eles devem exercer a função de caixa, também. Nas lojas onde não há vendedores é preciso colocar os caixas-vendedores em quantidade suficiente.

 

As lojas que começaram a perceber essa necessidade e identificaram a facilidade – afinal hoje os sistemas de pagamento são automatizados – de atribuir ao vendedor a função de caixa, estarão possibilitando o processo da Experiência de Compra. De propósito, para também possibilitar que o Propósito do cliente bem atendido possa ser real.

 

Carlos Magno Gibrail, Consultor e autor do livro “Arquitetura do Varejo”, é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung