Depois dos times da Europa, o e-Sport é o novo desafio para o futebol brasileiro

 

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Hoje, Juca Kfouri chamou atenção para o comportamento abusivo de torcedores que insistem em levar sinalizadores para os estádios e a forma como a CBF trata o tema incentivando esta atitude. Ontem, alertou para a dificuldade de o Brasil organizar melhor a principal competição do seu calendário, o Campeonato Brasileiro, especialmente quando a realidade da Champions League nos é esfregada na cara, como aconteceu no belo jogo e espetáculo de sábado, em País de Gales, no qual o Real Madrid confirmou sua superioridade diante da Juventus.

 

A audiência da TV brasileira esteve a altura do show proporcionado pelos europeus e mobilizou milhares de torcedores que se reuniram em suas casas, bares e outros locais para assistir ao jogo. Diante disto, não surpreende que nossas crianças nas escolas e nos campos de futebol  têm vestido camisas de times da Espanha, França, Itália e Inglaterra.

 

Nossos times mal sabem como enfrentar a concorrência europeia e, desde já, deparam com outra disputa: a dos esportes eletrônicos.

Sim, lá vou eu falar de e-Sport para desespero de torcedores conservadores que ainda perdem tempo nas redes sociais negando que CG:GO, Lol e outros jogos eletrônicos possam ser colocados na categoria de esporte. Enquanto negam, vemos sites e canais de TV paga dedicando cada vez mais espaço para o e-Sport. E os estudos sustentam essa decisão, como veremos mais à frente.

 

Hoje, volto ao assunto, após ler “L.E.K. Sports Survey — Digital Engagement Part One: Sports and the “Millennial Problem”, escrito Alex Evans and Gil Moran, executivos da L.E.K. consulting. Nos dados apresentados temos a ratificação do que havia sido publicado, semana passada, no maior e mais profundo estudo sobre tendências da internet, produzido pela analista Mary Meeker, em parceria com a Kleiner Perkins, sobre o qual escrevi também neste blog  

 

Conforme Evans & Moran, embora os Milleniuns representem um segmento enorme e cada vez mais integrado da base de fãs de esportes nos Estados Unidos, ao contrário das gerações anteriores (Baby Boomer e GX), eles seguem uma gama muito mais ampla de esportes, incluindo os tradicionais e os eletrônicos. E, mesmo com menos tempo à disposição, têm muito mais alternativas para assistir aos eventos.

 

Essa geração já ignora parte dos canais por assinatura de televisão, até então uma das principais fontes de engajamento dos jovens ao esporte, especialmente nos Estados Unidos. Dados recentes da ESPN-EUA, mostram que o número de assinaturas diminuiu em 10%, em apenas três anos, estando agora com 90 milhões de telespectadores. Seu público mais jovem busca os eventos esportivos nas plataformas de mídia digital.

 

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Se o público com mais de 65 anos de idade mantém sua performance diante da televisão, assistindo a cerca de 450 minutos por dia, em média, de acordo com pesquisa Nielsen; o tempo diante da TV tem diminuído, anualmente, desde 2010, em alta velocidade para os Milleniuns: 4,7% entre os jovens de 18 a 24 anos – hoje, dedicando menos de 300 minutos por dia) e 2,8% para os de 25 a 34 anos, que dedicam menos de 250 minutos.

 

Outra comparação capaz de revelar esta mudança de tendência: 20% do consumo total de mídias pelos Millenius são dedicados a videos online gratuitos ou serviços pagos OTT – over-the-top, que são os serviços de áudio e video pela internet, dos quais os mais conhecidos no Brasil são Netflix e iTunes; apenas 13% é dedicado a TV Tradicional.

 

Ao avaliar a mudança de atitude da geração Millenium, os consultores alertam para o risco de os esportes tradicionais perderem espaço no coração e memória dos fãs.

 

A maioria das pessoas entrevistadas disse ter passado a admirar determinada atividade esportiva devido as transmissões na televisão, tanto quanto por praticar essas modalidades quando jovens.Concluem assim os consultores que, diante do fato que a TV tem sido o canal histórico para apreciação do esporte, o declínio na audiência aponta para uma queda simultânea de ‘fandom’ esportivo no futuro.

 

A desafiar ainda mais os gestores dos esportes tradicionais, está a crescente popularidade dos e-Sports já competindo diretamente na preferência do público como mostra o gráfico abaixo. Preste atenção na coluna dedica a todos os Milleniuns, tema de artigo anterior escrito neste blog:

 

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O relatório identifica que cerca de 61% dos seguidores de esportes eletrônicos ficaram menos tempo diante da TV, nos últimos 12 meses, 45% reduziram a visualização de esportes tradicionais e 35 compareceram menos a eventos esportivos devido ao maior engajamento com o e-Sports.

 

Um fenômeno que tem impactado negócios e um dos exemplos citados no relatório dos consultores foi o acordo de US$ 300 milhões pagos pela empresa de serviços de transmissão de vídeo e tecnologia BAMTech, criada para Major League Baseball, que lhe dá o direito de transmissão das competições de League of Legends.

 

Essa transformação já percebida e estudada em outros cenários parece ainda não ser levada em consideração pelos gestores do futebol brasileiro que, se antes tinham de se preocupar com a concorrência dos times europeus, que passaram a desfilar com muito mais freqüência na nossa tela, agora também correm o risco de serem atropelados pelas modalidades eletrônicas.

 

Mesmo que o futebol ainda tenha maior dimensão, maior base de fãs e muito mais dinheiro circulando em território nacional – situação que ainda vai demorar para ser superada -, é preciso lembrar que mercados tradicionais têm sido rapidamente abalados pelo surgimento de novas tecnologias. Por que o futebol estaria imune a essas transformações? Se ficarem esperando para ver o que vai acontecer, os clubes brasileiros e as instituições que os representam correm o risco de assistirem ao surgimento de uma geração de não-torcedores – uma legião que, por sinal, já aparece em pesquisas de opinião no Brasil.

Os produtos desejados pelas mulheres

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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As mulheres, como se sabe, são as grandes compradoras do mundo. Palpitam até mesmo nas compras masculinas. E, convenhamos, têm conhecimento e autoridade para tanto, pois são mais antenadas que os homens na diversidade comercial.

 

Por isso mesmo a quantidade de pesquisas sobre a preferência feminina é imensa. Continuadamente, vemos rankings sobre marcas, lojas, sites e blogs que mais agradam as mulheres.

 

Entretanto, no setor de moda onde predominam de forma absoluta, há estudos e pesquisas de segmentos e marcas, mas poucas informações sobre desejos femininos de produtos específicos. O que seria uma grande ajuda para os agentes econômicos desta área, inclusive para os próprios consumidores.  Principalmente nesta véspera de Natal para escolha dos presentes femininos.

 

Contribuição que pretendo apresentar, em função de anos de pesquisa qualitativa nos setores de vestuário, acessórios e sapatos.

 

A roupa é considerada pelas mulheres como preponderante. Tanto é que unanimemente dizem:

 

“Ao acordar, por melhor que tenha sido a noite, a primeira coisa que penso é na roupa que vou usar”. 

 

Os acessórios – joias, semi-joias e bijuterias – contribuem bastante para a autoestima feminina, mas o brinco é o destaque:

 

“O brinco é peça fundamental. Já me esqueci de colocar a calcinha e não voltei, mas voltei quando me esqueci do brinco”. 

 

Os sapatos atuam emocionalmente na consumidora, que os compra preenchendo os desejos de posse e paixão. É o estímulo ao prazer e ao poder.

 

“O sapato é paixão. O salto alto remete a poder e sexo.”

 

“Com salto alto me sinto poderosa e atraente”.

 

Depois de tantas pesquisas, chegamos finalmente a uma simples realidade:

 

A roupa é preponderante, o brinco é a peça mais importante e o sapato é o produto mais apaixonante.

 

Agora é só escolher em que área dos sentimentos e desejos atuar na compra para a mulher a ser presenteada. Atente apenas para o estilo dela, e se não entender do assunto, peça auxílio a outra mulher.

 

Elas entendem!

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

 

Obs. As pesquisas que serviram como base ao texto foram realizadas nos últimos seis anos, com a metodologia padrão das qualitativas. As frases inseridas foram tiradas destes trabalhos.

O IBOPE das Marcas

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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O IBOPE, em pesquisa realizada com 25 mil consumidores no varejo, apresenta o ranking das 200 marcas mais significativas no mercado brasileiro de shopping centers.

 

O trabalho executado pelo IBOPE Inteligência, e intitulado de MARCAS VAREJISTAS, permite a lojistas e shoppings terem a real posição das marcas em setores, por classe social, idade e sexo.

 

As marcas, como sabemos, são hoje um bem precioso para qualquer negócio, a tal ponto que são ativos das empresas, mas pertencem aos seus consumidores.

 

Para Daryl Travis, em “A emoção das Marcas”:

 

“Uma Marca é um contrato não escrito de valor intrínseco, uma expectativa de desempenho, um pacto de coisas boas, uma apresentação de credenciais, um sinal de confiança, uma reputação, um acervo de memórias, e mais do que a soma de todas estas partes, uma Marca representa um aperto de mão como o sinal de um acordo bem realizado”.

 

A importância das marcas valoriza o seu estudo, e permite que o mercado possa usar os dados obtidos em área tão carente de informações.

 

Nesta pesquisa IBOPE, foram considerados os setores de vestuário masculino e feminino, calçado masculino e feminino, artigos esportivos, artigos infantis, roupa de cama, mesa e banho, e eletrodomésticos. As classes A, B e C com potencial de consumo respectivo de 13%, 40% e 31%, com renda familiar de R$2.7 mil a R$ 20,8 mil. Também foi criado um índice com base 100 para equilibrar as marcas expressivas que possuem distribuição regional com aquelas que têm cobertura nacional. Quanto maior o índice, maior a força da marca.

 

O quadro abaixo expressa a posição das marcas resultante destes fatores.

 

Marcas

 

Na classe A, que pela base de renda considerada não inclui o mercado de luxo, desponta a Le Lis Blanc com a maior pontuação da pesquisa. A Richards por sua vez encabeça Vestuário Masculino e Calçado Masculino.

 

Na classe B, as Pernambucanas é a única a comparecer em três setores. Lidera Eletrodomésticos, e ocupa o segundo em Roupas de Cama, Mesa e Banho e o terceiro em Artigos Infantis. A Luigi Bertolli, do GEP, tradicional em moda feminina, é líder em Vestuário Masculino. A Renner aparece em dois segundos lugares: Vestuário Feminino e Masculino.

 

Na classe C, o destaque é para a Torra Torra com primeiros lugares em Vestuário Feminino e Artigos Infantis, e segundo em Vestuário Masculino. A Impecável aparece na liderança de Vestuário Masculino e Calçado Masculino.

 

A Zara é a única marca estrangeira que aparece. Ocupa o segundo lugar em Artigos Infantis.

 

Em nosso artigo anterior chamávamos a atenção sobre algumas características do consumidor brasileiro que procura atendimento personalizado e parcelamento longo, entre outros fatores. Talvez esta seja a explicação pela ausência das marcas globalizadas.

 

Nesta hora em que algumas destas marcas bem ranqueadas estão enfrentando dificuldades, é tempo de usufruir deste sucesso.

 

E, por que não?

 

Leia aqui o artigo “Varejo internacional: fracasso e oportunidade”

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

Mundo Corporativo: Fábio Stul, da McKinsey, mostra onde estão as oportunidades de emprego e negócio

 

 

“O passado não significa o futuro, ou seja se os negócios prosperavam mais nas capitais e nas grandes cidades, isso não quer dizer que vai acontecer no futuro. então, dependendo da categoria, a minha sugestão para o seu ouvinte é pensar com muito carinho nas cidades do interior ou próximas das capitais”. A afirmação é de Fábio Stul, sócio diretor da Mckinsey, consultoria que desenvolveu estudo para identificar as “categorias de ouro do consumo brasileiro”. Em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no Mundo Corporativo, da rádio CBN, Stul diz que a ideia de estar no lugar certo na hora certa ou escolher o portfólio de produtos e regiões de forma correta responde por 70% do crescimento das empresas. Por exemplo, o consumo de produtos para o cuidado do cabelo, no interior de São Paulo, vai crescer mais que em toda a Alemanha, nos próximos 10 anos, enquanto o consumo de bebidas não carbonatadas (caso dos sucos), no interior do Brasil, vai crescer 30% mais que toda a França.

 

O Mundo Corporativo pode ser assistido ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no site cbn.com.br. O quadro é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN.

Mercadão de São Paulo na ponta dos dedos

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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O Mercado Municipal de São Paulo, depois do MASP, é a maior atração turística da cidade e, está agora à disposição 24h por dia, na internet. Graças à iniciativa privada de uma StartUp local, a SÖKS.

 

Reserva acumulada de tradições paulistanas, o Mercadão foi inaugurado em 1933. Projetado por Ramos de Azevedo, e adornado com vitrais do russo Conrado Sorgemicht Filho, possuindo hoje 12.600m2 de área, e quase 300 lojas, que reúnem ícones da cultura gastronômica nacional e internacional.Além de iguarias exclusivas.

 

Não bastassem as qualificações históricas e gastronômicas, é um espaço onde os cinco sentidos, visão, tato, olfato, paladar e audição se interpõem resultando um estado de motivação ao prazer do consumo. Ao lado de requintadas espécies encontram-se artigos comuns com raro frescor. É por isso tudo que a procura é maior do que a capacidade do local. Há congestionamento de tráfego, estacionamento e de pessoas. Segundo estudos, existe uma demanda reprimida que para supri-la seria necessária uma estrutura quinze vezes maior.

 

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Do perfil dos frequentadores 65% moram em SP, 30% em outros estados e 5% no exterior. 70% têm curso superior e 45% são profissionais liberais e empresários.

 

Um olhar atento dificilmente deixaria de avalizar a oportunidade de empreender uma operação de e-commerce, que pudesse se servir deste rico complexo de cultura e de produtos para oferecer àqueles que gostariam de usufruir do Mercadão a qualquer hora e em qualquer lugar.

 

A SÖKS, associada à MULTIPLUS e ao UOL PAGUE SEGURO, entendeu assim, e está oferecendo o Dommercatto.com.br. Uma plataforma em 3D que oferece mais de 5.000 itens do Mercadão, que são entregues no mesmo dia para São Paulo e cobre todo o Brasil. É mais um passo na direção do futuro, da internet das coisas e de todos.

 

As 10 maiores atrações turísticas de SP pela Prefeitura
1. MASP
2. Mercado Municipal de São Paulo
3. Parque Ibirapuera
4. Centro da cidade
5. Bairro da Luz
6. Bairro da Liberdade
7. Vila Madalena
8. Museu do Futebol
9. Museu do Ipiranga
10. Rua 25 de março

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras

Mundo Corporativo: Luiz Carlos Dutra, da FSB Consumo, fala como as marcas podem engajar consumidores

 

 

Para engajar o consumidor, que às vezes é consumidor e às vezes é cidadão, o desafio das empresas é desenvolver conteúdo e de maneira integrada. Esta transformação se deu, especialmente nos últimos cinco anos,com a evolução das redes sociais. A opinião é de Luiz Carlos Dutra, sócio-diretor da FSB Consumo, em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN. Dutra fala, também, das mudanças na estratégia de comunicação para as empresas que atuam no setor B2B.

 

O Mundo Corporativo vai ao ar, às quartas-feiras, 11 horas, no site http://www.cbn.com.br. Os ouvintes participam pelo e-mail mundocorporativo@cbn.com.br e pelo Twitter @jornaldacbn e @miltonjung (#MundoCorpCBN). O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN.

Como você ouve rádio?

 

Foi no Meio e Mensagem, programa que vai ao ar, às 9h20, dentro do Jornal da CBN, que ouvi, pela primeira vez, os último dados publicados pelo Ibope Media sobre o consumo de rádio no Brasil. Logo me chamaram a atenção pela expressividade do veículo diante do público em momento no qual muitos questionam o papel das mídias consideradas tradicionais. Soube depois que o instituto produziu um infográfico com base nos dados do Target Group Index, da Pesquisa Regular de Rádio e do Monitor Evolution, que permite se ter ideia ainda mais clara do perfil do ouvinte e dos hábitos de consumo do rádio. É este infográfico que compartilho com você:

 

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Os Shopping Centers como cidadania

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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A um ano de completar o seu cinquentenário, desde que o Iguatemi SP abriu, é inegável que a operação Shopping Centers ocupa um importante espaço econômico, social e cultural em nosso país.

 

A par de significativos números como 142 bilhões de reais em vendas anuais, um milhão de empregos, e 33 milhões de m2 de lojas, há um aspecto diferencial de cidadania urbana ao se comparar 1966 com 2015. Fato que deve explicar os 430 milhões de pessoas que visitam mensalmente os Shopping Centers. Grosso modo, o Brasil circula duas vezes por mês nos Shoppings.

 

Em SP, há 49 anos, a nata dos comerciantes estabelecidos na Rua Augusta não apostou no Iguatemi, além de menosprezar o formato inovador à época, quando imaginavam que ninguém iria fazer compras em um “caixote fechado”.

 

Imaginação errada e imagem certa, pois as vantagens urbanas desgastadas neste espaço de tempo passaram para o ambiente fechado dos modernos equipamentos de hoje.

 

Ao formato em si, que já potencializava vantagens competitivas suficientes ao sucesso, foi adicionado o mais da cidadania perdida. Que ficou fora do “caixote fechado”, e dentro dos Shoppings como bem analisa Ivan Angelo na VEJA SP. Ao lembrar que o “citadino recupera a cidadania roubada, reencontra o despreocupado privilégio de flanar, de vagabundear, descuidado dos perigos. E não tropeça em sem-teto, craqueiros, mendigos profissionais. Não há flanelinhas, fealdades, pichações”.

 

O modelo que foi segmentado em categorias e valores compõem-se de lojas Âncora 3%, Megalojas 2%, lojas Satélites 72%, Alimentação 12%, lojas de Serviço 7%, salas de Cinema 3%, e lazer 1%. Esta estruturação encontra agora o desafio da crise econômica, que atinge principalmente as lojas satélites.

 

Os altos custos operacionais que transformam as despesas de condomínio e locação reduzem as margens destas lojas, que em maior número começam a desestabilizar.

 

Aos Shoppings a saída ainda não foi visualizada. A miopia fará mal aos lojistas, mas também aos Shoppings, pois ao abrir mão delas poderão estar entregando-as de mão beijada ao comércio eletrônico.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

Facetas: na prática a teoria é a mesma

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Logo ao entrar para a universidade, uma das questões que entendi foi que o preconceito popular contra a teoria não tinha fundamento. Ora, se para uma prática chegar a teoria é preciso comprová-la através da metodologia científica, então podemos afirmar que a teoria é uma prática comprovada.

 

De posse dessa descoberta que teoria e prática caminham juntas, e não se opõem, abracei ambas e cheguei até a decisão do tema da dissertação de mestrado. Escolhi a indústria de moda, onde atuava, para aplicar a teoria aprendida e a prática vivida.

 

Após a graduação no mestrado de Administração, decidi que já tinha as condições para lecionar. Comecei então a dar aulas em cursos de pós-graduação na área de moda.

 

Em 2013, quando completava 40 anos de trabalho, resolvi que estava apto para escrever um livro. “Marketing de Moda” foi o tema. Fui ao SENAC, que era a editora mais indicada, mas o “Marketing & Moda” estava no prelo e, embora a semelhança fosse apenas ao título, tive que procurar editoras não especializadas. Não deu certo.

 

Finalmente, no início deste ano, José Marton, designer de produtos, cenários e lojas, um dos profissionais com quem mais tenho conectado a teoria e a prática da arquitetura do varejo de moda, convidou-me para biografar a sua obra de Arquitetura. Patrocinado pelo Banco TOYOTA, com apoio do Ministério da Cultura, Marton obteve capital para lançar o livro “FACETAS – A arte e o design na obra de JOSÉ MARTON”. Em quatro volumes, Arte, Arquitetura, Cenografia e Design.

 

Em Arquitetura foram inúmeros trabalhos, com destaque para a Arquitetura de Varejo. A loja é o fim da cadeia produtiva dos produtos, e o inicio da batalha no Marketing do consumo. Cabe à arquitetura representar todo espectro tangível e intangível das marcas para atrair o consumidor alvo. Nestes projetos, Marton não abriu mão dos recursos existentes na arte, arquitetura, design, comunicação, pesquisa de mercado, comportamento, e, sobretudo, teoria e prática conjugadas com emoção e talento. Biografar neste contexto foi puro prazer.

 

Nota do editor: o lançamento do livro é nesta terça, dia 25 de novembro, na Galeria Vermelho, rua Minas Gerais, 350, em São Paulo. Carlos Magno estará lá ao lado de Marton.

 


Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

Publicidade infantil: a lição bem dada

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

Criança

 

Ao abordar a propaganda infantil, o ENEM conseguiu levar um tema atual e relevante aos quase nove milhões de alunos que compareceram no domingo à sua prova, de modo didático. Exigindo do aluno apenas a técnica da redação, pois o conhecimento do assunto foi bem apresentado.

 

No texto I, informou que a resolução do CONANDA de abril de 2014 proibiu toda a propaganda dirigida à criança com a intenção de persuasão de consumo. Fato que gerou embate entre entidades que defendem a proibição e outras que são favoráveis à autorregulação através do CONAR.

 

No texto II, mostrou o panorama mundial da propaganda infantil. Canadá e Noruega proíbem. Reino Unido e Suécia proíbem personagens e parcialmente o restante da propaganda. Dinamarca, Bélgica, Itália, Irlanda e Coréia do Sul, proíbem parcialmente. A França emite alerta. Brasil, Estados Unidos e Austrália atuam com autorregulamentação.

 

No texto III, registrou que há correntes argumentando a favor da liberação, pretendendo com isto a formação de crianças aptas para lidar com a sociedade de consumo.

 

Percebemos alguns ruídos apontando críticas à escolha da dissertação em função da falta de notoriedade do tema. A repercussão, talvez por isso mesmo, foi extensa e intensa. Nas manifestações as posições foram mantidas. Alana, Milc, Rebrinc e ONGs de defesa das crianças são favoráveis ao CONANDA; a Abrinq, Maurício de Souza Produções, apoiam o CONAR.

 

Acreditamos que a dificuldade da prova estava menos na técnica e mais na reflexão, pois a questão entre a censura e a liberdade fica entre interesses econômicos e sociais. Portanto, o resultado destas dissertações pode conter opiniões com juízos de valores mais brandos, mas também contaminações da propaganda a que foram expostas.

 

Seria recomendável que o ENEM aproveitasse este material sob este aspecto comportamental. Ao mesmo tempo, poderia dar significativa contribuição semântica, e diferenciar PROPAGANDA, como a comunicação paga, da PUBLICIDADE, como a comunicação informativa. É só dar uma olhada mais apurada no Aurélio.

 

*pra não deixar dúvida:

 

ENEM Exame Nacional do Ensino Médio
CONANDA Conselho Nacional de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente
ALANA Instituto Alana ONG para proteção da criança
MILC Movimento da Infância Livre de Consumismo
REBRINC Rede Brasileira da Infância de Consumo
ABRINQ Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos
CONAR Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.