Conte Sua História de SP: O primeiro supermercado

 

Mineiro, nascido em 1930, Seu Antonio Perez começou a trabalhar cedo com o pai. Chegou em São Paulo quando estava com 21 anos e conheceu uma grande novidade da metrópole: o supermercado. Um capítulo que ele descreveu em depoimento gravado pelo Museu da Pessoa e se transformou em mais um Conte Sua História de São Paulo:

 

Ouça a história de Antonio Perez, sonorizado pelo Cláudio Antonio

 

O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar, aos sábados, logo após às 10 e meia da manhã, no CBN SP. O programa é uma parceira com o Museu da Pessoa. Clique no link do Museu e saiba como agendar uma entrevista em áudio e vídeo. Se quiser, mande sua história por escrito para milton@cbn.com.br.

Conte Sua História de SP: Dos tempos da rádio-patrulha

 

Nascido em 1933 na cidade de São Paulo, Domingos Sérgio Barone, morou na rua Fortunato, no bairro de Santa Cecília, região central. No depoimento gravado pelo Museu da Pessoa e reproduzido no Conte Sua História de São Paulo, seu Domingos lembra dos tempos em que fugia da rádio-patrulha. Seu crime, quebrar as vidraças das casas vizinhas.

 

Ouça Domingos Barone, em gravação sonorizada pelo Cláudio Antônio e editada pela Juliana Paiva

 

O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar aos sábados, logo após às 10 e meia da manhã, dentro do programa CBN SP. É resultado de parceria da rádio com o Museu da Pessoa que coleta depoimentos a partir de gravações em áudio e vídeo. Para você contar mais um capítulo da história da nossa cidade, agende uma entrevista no site do Museu da Pessoa. Ou envie um texto para milton@cbn.com.br.

Conte Sua História: Dona Maria do Carmo, uma mulher de verdade

 

No Conte Sua História de São Paulo você acompanha o texto da ouvinte-internauta Meg Guida, no qual fala da Dona Maria do Carmo, a mãe dela que tinha uma enorme capacidade de começar de novo:

 


Ouça este texto que foi ao ar, sonorizado pelo Cláudio Antonio

 

No bairro da Vila Romana, nos idos de 1970, muitas famílias ainda incorporavam expressões em italiano em frases do dia-a-dia. Eu me lembro que minha avó fumava sem culpa porque, na lavoura, quando emigrou da Sicília para cá, pitava para espantar os mosquitos.” Va via”, repetia a minha mãe quando eu ia roubar a massa do crostole estendido sobre a mesa, me repelindo da cozinha, imitando o que a nonna fazia com os mosquitos. Trabalhar pesado era tão natural quanto acordar todas as manhãs, comer e dormir. “Al lavoro”, como palavra de ordem, sempre foi um mantra para mim. E minha mãe, Maria do Carmo, a Carminha, como ninguém fez valer a prática da lida com suor e recompensa. O nosso verbo era começar.

 

Embora o dicionário descreva como a mesma coisa, recomeçar é diferente de começar de novo. Recomeçar, na minha conta, significa iniciar de onde você parou. E de onde você parou pode ser uma parada nada bacana. Você pode ter parado na mesmice, no ostracismo, na concordata e na falência de si mesmo, de suas ideias e perspectivas. No começar de novo, estão atitude e ação. Você sai do estado de paradeira. Olha o cenário da quilometragem que percorreu e se guia por esse espelho retrovisor para acelerar e chegar inteiro, cuidando para não fazer bobagens no meio do caminho. Quem apenas recomeça, sem entender porque parou ou foi parado, corre o risco de repetir o padrão do erro, inconscientemente. Aliás o prefixo “re” sugere mesmo algo a ser reparado, consertado, remendado para fazer o papel de que voltará a ser e ter o efeito de inteiro. Já viu se algum artista que se relança? Uma empresa que se relança? É a mesma coisa que falar do último lançamento de um cantor. Quer dizer que depois desse, não haverá outro?

 

Bem, mas voltemos ao começar de novo. Minha mãe, Maria do Carmo, a Maria, a Carminha batizada assim pelos amigos nos últimos 30 anos, comemorou os seus 80 no dia 25 deste mês, março. E viveu a vida começando de novo, usando um vigor que eu sei lá de onde ela tirava para cada fase, para cada projeto. Minha mãe olhava pelo retrovisor do passado apenas para estar segura de andar para a frente sem bater em ninguém nas ultrapassagens, nas curvas. E ela chegava com sucesso ao destino, sempre. Lembro que na minha infância eu convivia com muita gente em casa, mais de 15 pessoas no usual. E família de verdade éramos eu, minhas duas irmãs e meus pais. Vocês podem acreditar que ao se casar, minha mãe herdou a sogra viúva doente, velhinha, com mais seis pessoas, marido e filhos de uma cunhada recém-adquirida e falecida? E ainda acham que a Amélia era mulher de verdade….Durante anos eu vi minha mãe na ativa, mirando adiante e para o alto. Fazia tudo em casa, sem empregada, cozinhava para um batalhão e sem sal para a minha avó, cuidava de todas nós, acompanhava o dever de casa e ainda por cima costurava como ninguém. Tirava os modelos das revistas e nos vestia como princesas, sem repetir na criação. Até para os nossos cabelos ela inventava moda, colocando cerveja para fixar os cachos, os rabos de cavalo e coques no alto da cabeça. Não tinha tempo ruim pra dona Maria do Carmo. Desemprego do meu pai? Falta de grana? Com essa agenda absurda, ela ainda costurava para a vizinhança para sustentar a casa e os nossos sonhos. Começou de novo quando saímos do ninho, quando voltamos. Quando passamos apertos de alma e de bolso. Quando o marido pensou ir para o andar de cima, mas os amigos do além e o pai de todos o mandaram de volta. Hoje, aos 80 anos e alguma coisa, minha mãe começa de novo todo dia. Nasce nas manhãs irradiando alegria, louca para testar o prato novo que aprendeu na televisão, a roupa que customizou, contar do bazar que participará, da criança que vai vestir. Ela só esquece de começar de verdade – e aí, recomeça sempre- a briga com a balança. Mas é tão linda a figura que minha mãe mostra ao mundo, esculpida com os excessos que a sua culinária impecável insistiu em destacar!

Conte Sua História de São Paulo: Brincadeira de rua

 

As ruas de terra batida se transformavam em campos de futebol e para tanto bastavam alguns pedaços de pau que ganhavam o formato de gol e o desejo da criançada se divertir. É deste tempo que o ouvinte-internauta Sebastião Martins Vieira lembra em trecho do depoimento que foi ao ar no Conte Sua História de São Paulo. Seu Sebastião, pauslistano, nascido em 1941, gravou suas histórias no Museu da Pessoa.

 

Ouça a história de Sebastião Martins Vieira, sonorizada pelo Cláudio Antônio

 

O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar aos sábados, a partir das 10 e meia da manhã, no CBN São Paulo. Você pode contar mais um capítulo da nossa cidade enviando texto para milton@cbn.com.br ou agendando entrevista em áudio e vídeo no site do Museu da Pessoa.

Conte Sua História de SP: De pai para filho

 

Por João Rodrigues Neto
Ouvinte-internauta

 

Ouça este texto que foi ao ar no Conte Sua História de São Paulo, sonorizado pelo Cláudio Antônio

 

Durante 25 anos meu pai foi motorista de ônibus urbano, depois de aposentado dirigiu táxi por mais cinco anos. Dizia-se dono da cidade:

 

– Quem mais pode ser dono dessa cidade além de mim, e outros companheiros que fazem da peregrinação pelas ruas, oficio para ganhar o pão?

 

-Não somos andarilhos, somos artesãos, praticamos a arte de descobrir cada pedacinho desse imenso país ou mundo chamado São Paulo.

 

-Conhecendo a região central e a periferia, cada bairro, cada vila, descobrindo ruas, vielas, praças, prédios e monumentos.

 

-Em cada viagem uma novidade, a cada instante uma surpresa, vendo coisas, conhecendo gente, respirando progresso, o coração pulsando no mesmo ritmo.

 

É! Pode parecer exagero, mas meu pai tinha um grande amor por São Paulo, e transmitia isto constantemente para familiares e amigos. Sempre que viajávamos lá ia ele falando: preste atenção ali é a praça da Sé, com sua majestosa catedral, mais adiante o Largo São Francisco, com a maior faculdade de direito do Brasil.
Pátio do Colégio o berço da cidade, Rua Direita, Largo São Bento, Praça da República, Praça Ramos de Azevedo, Avenidas São João e Ipiranga que depois foram cantadas por Caetano e tantos outros. Insistia para que guardássemos o nome de cada rua.

 

Palcos de alegrias como o desfile de escolas de samba no carnaval que era feito na São João. Chuva de papéis picados em momentos de festa, ruas iluminadas com pisca-pisca todo fim de ano. Alegrias do povo nativo, ou imigrantes, que nesta cidade são bem recebidos, que vivem, se divertem, trabalham e se realizam.

 

Povo forte, povo feliz, povo corajoso e solidário, dispostos a enfrentar quaisquer situações, como escassez de transporte, trânsito caótico, tempestades e enchentes. Os incêndios do Andraws e do Joelma consternaram toda uma população. Há crianças de pés no chão, moradores de rua abrigando-se debaixo de viadutos, GENTE sem teto, sem dinheiro e sem esperança.

 

Cidade dos contrastes misturando o feio e o belo, onde luxo e pobreza caminham lado a lado. Se Ouro Preto é considerado patrimônio da humanidade, São Paulo deveria ser considerado patrimônio da divindade, foi aqui que DEUS juntou tudo que é povo. E como homem do povo quero viver esta cidade em todos os momentos e circunstâncias.

 

Cantar suas belezas, rir com suas alegrias, chorar com suas tristezas.
Acima de tudo quero fazer minha parte para um São Paulo melhor, exercer plenamente minha cidadania, ser fraterno e solidário para com esse povo que é o maior patrimônio deste torrão.

 

E continuar passando aos meus filhos os valores que recebi do meu pai, ao caminhar por nossas ruas irei cantando seus nomes e descrevendo suas belezas.

 

Parabéns São Paulo pelos 458 anos.

O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar, aos sábados, logo após às 10 e meia da manhã, no CBN São Paulo. Você pode participar enviando texto para milton@cbn.com.br ou agendando uma entrevista no site do Museu da Pessoa

Conte Sua História de SP: Uma cidade tranquila

 

A tranquila São Paulo dos anos de 1940 deixa saudades no baiano Xexonias Alves Peixinho, registradas em depoimento ao Museu da Pessoa. Ele nasceu em 1919 e trocou a lavoura em sua terra natal pela metalurgia na capital paulistana. Nesta semana, graças as suas lembranças, foi personagem do Conte Sua História de São Paulo.

 

Ouça o depoimento de Xexonias Alves Peixinho, sonorizado pelo Cláudio Antonio

 

O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar, aos sábados, logo após às dez e meia da manhã, no CBN São Paulo. Você pode participar deste quadro escrevendo texto para milton@cbn.com.br ou agendando uma entrevista em áudio e vídeo no Museu da Pessoa.

Conte Sua História de SP: De gravata no cinema

 

A gravata era peça obrigatória para quem pretendia ir ao cinema de São Paulo, nos anos de 1940, e o comerciante José Leite da Silva, mesmo quando não tinha uma disponível, encontrava um jeitinho de se vestir a rigor. Pernambucano, nascido em 1922, ele falou sobre esta curiosidade paulistana ao Museu da Pessoa em depoimento que foi ao ar no Conte Sua História de São Paulo, em homenagem aos 458 anos da cidade.

 

Ouça o depoimento de José Leite da Costa, sonorizado por Cláudio Antônio

 

O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar, aos sábados, a partir das 10 e meia da manhã, no CBN São Paulo. Para participar deste quadro, você pode enviar um texto para milton@cbn.com.br ou marcar uma entrevista, em aúdio e vídeo, no site do Museu da Pessoa.

Conte Sua História de SP: Susto no cemitério da Consolação

 

Trabalhar próximo do Cemitério da Consolação causou alguns sustos em Luciano Strami que, em depoimento ao Museu da Pessoa, falou dos tempos de adolescente em que entregava carne para o açougue do pai, em Higienópolis. Luciano é paulistano, nascido em 1929, e acrescentou mais um capítulo no Conte Sua História de São Paulo, em homenagem aos 458 anos da cidade.

 

Ouça o depoimento de Luciano Strami, sonorizado pelo Cláudio Antônio

 

O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar no CBN SP, aos sábados, logo após às dez e meia da manhã. Você pode participar enviando um texto para milton@cbn.com.br ou agendando entrevista em áudio e vídeo no site do Museu da Pesoa.

Conte Sua História de SP: Os bondes elétricos

 

Os bondes elétricos eram grandes atrações nos anos de 1940, em São Paulo, e incentivaram Manoel Rodrigues da Cruz a trocar a roça pelo sonho de ser motorneiro. No depoimento gravado pelo Museu da Pessoa e que fez parte da série do Conte Sua História de São Paulo, em homenagem aos 458 anos da cidade, Manoel relembra este momento. Ele nasceu em Pernambuco de Triunfo, em 1926.

 

Ouça o depoimento de Manoel rodrigues da Cruz, sonorizado pelo Cláudio Antônio

 

O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar no CBN São Paulo, logo após às dez e meia da manhã. Para você participar deste quadro, mande seu texto para milton@cbn.com.br ou agende uma entrevista em áudio e vídeo no Museu da Pessoa.

Rua Augusta e a Moda

 

Carlos Magno Gibrail

 

 

São Paulo assistiu à plenitude da Rua Augusta nos preparativos para a festa de Natal de 1973. A Lage & Damman, agência dos premiados publicitários Ronie Lage e Hans Damman exibia uma de suas artes ao acarpetar o asfalto para a campanha natalina com a frase: “O nosso visitante é tão ilustre que acarpetamos a rua”. Enquanto saudavam Cristo, personalidades da época eram frequentadores assíduos. Roberto Carlos, Wilson Simonal, Ronie Cord, Wanderléa, Ronie Von e Hervé Cordovil, autor da música “Rua Augusta”.

 

Definitivamente era um shopping center ao ar livre, pelas lojas de marcas famosas de moda, pelos restaurantes e lanchonetes, pelos cinemas e, principalmente, pela gente que circulava. Sem falar no auge dos sábados à noite, na tradicional subida e descida dos carros à procura de companhia, que sempre era recompensada.

 

A Augusta tinha desbancado a Rua Barão de Itapetininga, ícone da moda nas décadas de 50 e parte de 60, que abrigou a Casa Anglo Brasileira, posteriormente Mappin; a Galeria Califórnia projetada por Niemayer, local onde circulavam os astros do cinema nacional como Helio Souto e Aurora Duarte, que gravavam nos estúdios da Vera Cruz; e uma série inigualável de tradicionais lojas de moda.

 

A migração das butiques multimarcas da Barão de Itapetininga para a Rua Augusta, talvez para se aproximar dos moradores dos jardins, ou para centrarem as ofertas de moda em local mais nobre, fortaleceu a imagem da região. Além das lojas, incluindo a Galeria Ouro Fino, tínhamos o Ca’d’Oro primeiro hotel de luxo da cidade, que hospedou reis e presidentes, inclusive com a frequência de Tom Jobim, apreciador de seu restaurante com o especial Bolito servido pelo competente Ático, e a mesa permanentemente reservada aos Ermírio de Moraes; o sorvete de pistache da Bologna; o cine Astor com as imensas poltronas; a lanchonete Longchamps com um choppinho recomendável; o Frevinho com o insuperável beirute; o Flamingo do sorvete com farofa; e o Yara dos chás da tarde. Além de alfaiates e camiseiros dos mais habilitados.

 

A força como centro comercial de moda e de diversão para a classe abastada da cidade era tanta que os lojistas da Augusta não se interessaram pelo pioneiro projeto de Alfredo Mathias, que em 1966 abrira o Shopping Center Iguatemi, o primeiro no Brasil. A tal ponto que de forma pouco sagaz anteviam o insucesso para o empreendimento de Mathias: “Como alguém poderá encontrar prazer em comprar em um caixote fechado?”.

 

Talvez por isto, mas também pela crescente implantação de locais de diversões noturnas de menos qualificação, principalmente na parte mais central, as ruas transversais como a Oscar Freire, a Lorena e a Haddock Lobo começaram a receber novas lojas de moda. Já dentro dos modernos sistemas de monomarcas. Surgiram também as primeiras grifes internacionais.

 

Ao iniciar a década de 80, com a valorização das lojas de marca única e o avanço das marcas internacionais, o Shopping Iguatemi foi roubando o status da Rua Augusta. A excelência em Moda ganhava um novo endereço. O Iguatemi passava a receber a atenção da classe A de São Paulo, do Brasil e de todo o mundo. Hoje, boa parte dos grandes nomes da Moda está presente no Iguatemi, que embora no topo, divide as honras com a Rua Oscar Freire, o Shopping Cidade Jardim, e já esteve em ferrenha disputa com a Daslu.

 

À Rua Augusta resta esperar uma recuperação que São Paulo com toda sua pujança econômica ainda não viu. A cidade consegue reavivar o Mercado Municipal, a estação Sorocabana, a estação da Luz, mas quando depende da ação geral descarta o antigo e parte para o novo.

 

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve às quartas, no Blog do Mílton Jung