Conte Sua História de SP: As verdureiras

 

Lúcia Carrer nasceu no município de São Manoel, estado de São Paulo, em 1920. Teve uma infância marcada pela pobreza e por muito trabalho. Em junho de 2008, sua bela história foi narrada por Roberto Cetra. No trecho abaixo, ela conta sobre sua ocupação na infância: trabalhar como verdureira.:

Ouça aqui o texto de Lúcia Carrer sonorizado pelo Cláudio Antônio

Era, como tantas outras, uma típica madrugada fria. Ainda estava totalmente escuro quando o silêncio foi abruptamente quebrado pelo tilintar de arreios e correias sendo jogados sobre os cavalos. Esse ato parecia produzir nos animais uma inquietação incontrolável, passavam a bufar e bater insistentemente com os cascos no chão de terra batida como se fosse um pré-aquecimento para enfrentar a dura jornada de puxar uma carroça carregada de pão e leite.

Esses sons peculiares eram provenientes de uma cocheira situada quase em frente à minha casa. Nós levávamos uma vida extremamente humilde, nem relógio possuíamos, portanto minha mãe acordava com os sons dessa cocheira sabendo que eram 4 horas – hora de levantar.

Antes de nos acordar, ela começava a preparar o café – o que não era uma tarefa fácil. O seu fogão era uma lata de 18 litros com serragem (essa serragem ela buscava numa serraria muito distante), acendia o fogo e aquecia a água.

Estávamos vivendo a década de 20 (eu tenho agora 88 anos) e o bairro é a Vila Ipojuca – São Paulo – SP (ainda moro na mesma casa). As poucas ruas que existiam naquela época eram todas de terra com algumas poucas casinhas perdidas entre morros, riachos, campos e capinzais. Nosso poço não produzia água potável, servia apenas para regar a horta, lavar roupa e louça. Água para beber, buscávamos numa bica que existia no fim do que é hoje a Rua Mota Paes.

Ao clarear o dia, o suficiente para enxergar, meu pai descia para a horta e enchia duas cestas com verduras para que eu e minha irmã saíssemos para vender, eu tinha 7 anos, e ela 10. Nossa freguesia ia desde a V. Ipojuca até a Lapa. Servíamos famílias que acabaram ficando conhecidas na região (Rivette, Corazza, Weigand etc.).

Enfim o dia efetivamente surgia frio e com muita neblina – comum naquela época – e eu e minha irmã saíamos com duas cestas enormes, descalças, com um ralo e batido vestidinho cada uma e nas veias um sangue esquentado por Deus.

Conte Sua História de SP: O fotógrafo do Pari

 

Domingos Novo

Veterano da TV Tupi, Domingos Novo fez da imagem sua paixão e do Alto do Pari, seu bairro. Foi lá que nasceu há 73 anos e se iniciou na arte da fotografia. O cinema era dos progamas preferidos, mesmo que para isso tivesse de seguir até o centro onde estavam as melhores salas e viveu momentos inesquecíveis.

No depoimento gravado pelo Museu da Pessoa para o Conte Sua História de São Paulo, Domingos Novo fala de aventuras fotográficas que aproveitou ao lado do filho dele, como a ida ao Ginásio do Ibirapuera para registrar um casamento comunitário.

Ouça o que diz Domingos Novo em edição de Júlio César e sonorização de Cláudio Antônio

O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar, aos sábados, logo após às 10 e meia da manhã, no CBN SP. Você pode contar mais um capítulo da nossa cidade, agendando uma entrevista ou enviando texto para o Museu da Pessoa.

Conte Sua História de SP: Roupa chique na Penha

 

Odete Gouveia

No Conte Sua História de São Paulo, a personagem é Odete Gouveia Alves, de pais portugueses e coração paulistano. Nasceu na Vila Formosa, em 1945, mas viveu mesmo no bairro da Penha, na zona leste da capital.

No depoimento ao Museu da Pessoa, Dona Odete falou do quanto ama ver São Paulo do topo de seus prédios mais altos, mas não esconde que gosta mesmo é de falar das marcas do passado como a procissão nas ruas da Penha e a roupa chique para ir ao cinema.


Ouça o depoimento de Odete Gouveia Alves sonorizado por Cláudio Antônio

O Conte Sua História de São Paulo é uma parceria da CBN e do Museu da Pessoa e vai ao ar, sábados, logo após às 10 e meia da manhã, no CBN SP. Você também pode contar mais um capítulo da nossa cidade. Agende uma entrevista ou envie seu texto ao site do Museu da Pessoa.

Conte Sua História: Agente da cidadania

 

Claudio Vieira

Uma incrível enchente no caminho do emprego e a solidariedade de paulistanos que jamais havia conhecido foram duas das experiências vividas por Cláudio Almir Vieira já nos seus primeiros momentos na capital paulista. Ele foi o personagem do Conte Sua História de São Paulo.

Nascido em Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul, chegou em São Paulo, em 1990 e se transformou em um agente da cidadania. Hoje, é casado tem uma filha, mora na região do Morumbi e participa de associações de bairro e da rede Adote um Vereador.

Ouça o depoimento de Cláudio Vieira, gravado pelo Museu da Pessoa e sonorizado pelo Cláudio Antonio

O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar, aos sábados, logo após às 10 e meia da manhã, no programa CBN SP. Você também pode contar mais um capítulo da nossa cidade agendando um depoimento ou enviando um texto para o site do Museu da Pessoa.

Conte Sua História: Nos tempos de Itaquera

 

Wilson De Oliveira Souza

As ruas não eram asfaltadas quando Wilson De Oliveira Souza foi morar em Itaquera, na zona leste. Havia poucos serviços à disposição e os amigos inventavam todo tipo de brincadeira pelo direito de se divertir. Ter crescido no bairro e conhecido as dificuldades que muitas famílias enfrentam levaram Wilson a realizar trabalhos comunitários. Hoje, ele não vive mais por lá, foi para o centro da cidade, mas não esquece de Itaquera e torce para que a Copa do Mundo de 2014 mude o destino da região. Estes desejos e lembranças estão registrados no depoimento gravado para o Conte Sua História de São Paulo.

Ouça trechos do depoimento de Wilson de Oliveira Souza, gravado pelo Museu da Pessoa e sonorizado pelo Cláudio Antonio

Conte você, também, mais um capítulo da nossa cidade. Envie um texto ou agende uma entrevista em áudio e vídeo no site do Museu da Pessoa. O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar, aos sábados, logo após às 10 e meia da manhã, no CBN SP.

Conte Sua História de São Paulo: O frappé do Jeca

 

Maria Aparecida Aggio

Com dois anos de idade, Maria Aparecida Aggio chegou a São Paulo e foi morar no bairro de Higienópolis, na zona oeste. Veio de Pirassununga no interior e conheceu alguns dos melhores sabores da cidade, a começar pelo frappé do bar do Jeca, na avenida São João. Do bonde às enchentes, Dona Aggio viveu de tudo um pouco na capital e não se cansa de contar suas histórias. Ela gravou seu depoimento para o Museu da Pessoa, durante a festa de aniversário de São Paulo promovida pelo CBN SP, no Pátio do Colégio.

Ouça o depoimento dela, sonorizado pelo João Amaral e editado pela Juliana Paiva

O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar, aos sábados, às 10 e meia da manhã, dentro do CBN SP. Você pode gravar seu depoimento em áudio e vídeo agendando uma entrevista no site do Museu da Pessoa. Se preferir, mande um texto e conte mais um capítulo da nossa cidade.

Conte Sua História de São Paulo: Mulheres no trajeto

 

Suely Aparecida Schraner
Ouvinte-internauta da CBN

Ouça aqui este texto que foi sonorizado por João Amaral

O valoroso biarticulado e reprogramado 5362-10 Praça da Sé.

A reprogramação, com substituições, seccionamentos e implantações, era para contemplar o aumento de 27% na oferta de lugares. Mas os 27 metros do autocarro sai apinhado desde o ponto inicial.

No percurso da Av. Atlântica até a Igreja de Moema, conversas entrecortadas por paradas, primeira e segunda.

-“Dormir no emprego não aceito mais não”. Nem eu, respondeu a outra.

– “Elas escravizam a gente. Não tem hora pra acabar. Falam que é pra gente trabalhar até as 18h e, até nove da noite ainda tem louça pra lavar”.

– “A minha, queria cobrar a travessa que eu quebrei. Muita vez, eu escondo, ou então, levo o que quebra pra casa”.

– “Já eu, a pior coisa que fiz, foi prender o rabo do cachorro dela. Foi no elevador. Quando vi era só sangue. Ficou só o cotôco. Deu dó. Liguei no serviço dela e contei. Foi um Deus nos acuda. Agora tô fazendo um curso de artesanato. Quero trabalhar em casa, por conta própria. Não agüento mais não”.

– E eu, quero achar serviço numa empresa de limpeza. Preciso do registro por causa das crianças e do INSS”.

– “O trabalho é muito e o ganho é pouco. Criar filhos, sozinha e ainda cuidar dos filhos dos outros, não é fácil não”.

– “Morar em lugar debilitado. Debilitada é a saúde. Vida débil de desejos Chuvarada enchentes, desmoronamentos”.

– “Preciso muito de uma porta-comporta. Sabe o que é? É uma porta que tem borracha embaixo para a água não entrar. Custa caro e o que eu ganho, mal dá para pagar água, luz e comida”.

– “O gás sempre acaba antes do mês. Faço trempe com tijolo no quintal. Cato lenha e assim vou cozinhando até o dia de receber o pagamento”.

– “Vida cinzenta, cobrança de toda cor e tamanho. TV quebrada, divertimento esfolado”.

– “Serviço dobrado, faxina que não acaba. O corpo esgarçado. Vida besta”.

– “No dia em que perdi tudo, eu chorei. Perdi tudo só não perdi a fé”.

Domésticos no Brasil são 7.223.000, ou, 7,8% dos trabalhadores (dados do PNAD 2009 e Pesquisa Mensal de Emprego, do IBGE). Na grande SP, o número é 766 mil. Hoje, muitas estão migrando para outras áreas.

A versão moderna da Casa Grande e Senzala são os famosos DCE’s (Dependência Completa de Empregada). Entenda-se um cubículo claustrofóbico, onde mal cabem a cama e o radinho. Acordar com o pé no tanque.

A tecnologia possibilitou muitas facilidades e a educação inseriu a mulher no mercado de trabalho. Mulheres, mães, trabalhadoras com jornadas duplas, triplas até. E quem depende de empregada pra sobreviver, acaba trazendo um problema social pra dentro de casa.

Bem em frente à Igreja de Moema, elas descem para a realização das tarefas de reprodução da vida. Tarefas fundamentais e tão pouco reconhecidas.

Conte Sua História de São Paulo: Minha Vila Esperança

 

Imagem 093Uma vida inteira na Vila Esperança rendeu muitas recordações ao Seu Osvaldo Valente, personagem do Conte Sua História de São Paulo. Em depoimento gravado ao Museu da Pessoa, durante festa de aniversário da cidade, promovida pelo CBN SP, no Pátio do Colégio, este senhor de 83 anos, contou momentos que marcaram o desenvolvimento da região. O bairro que na época de criança era “paupérrimo, não tinha rua calçada” cresceu, ampliou seu comércio e recebeu o metrô. Ele lembra bem da primeira viagem, em 1974.

Seu Osvaldo conta como era o bairro, considerado um reduto do samba, cita as festas juninas e os times de futebol. Em um dos seus depoimentos, fala de uma história interessante que une o esporte e o Carnaval:

Ouça o Conte Sua História de São Paulo com Osvaldo Valente, sonorizado pelo João Antônio

Conte Sua História de SP: Meu pai do Ipiranga

 

Mayra Moya é filha do seu Antonio que nasceu em São Paulo no início do século passado. A história dele está diretamente ligada a da cidade e a forma como os bairros se desenvolveram, em especial o Ipiranga:


Ouça a história de Antonio Moya sonorizado por Cláudio Antonio

Foi em 13 de outubro de 1920 que cheguei a São Paulo. Recebi o nome do meu pai e avô: Antonio Moya Carlete. Meus pais, imigrantes, recebiam o primeiro de cinco filhos, no bairro do Ipiranga.

O pai era espanhol, de Calasparra/Mursia; minha mãe, de família italiana, de Venezia Giulia. Se conheceram e se casaram em S. Paulo.

Nós moramos durante muitos anos na Rua Almirante Lobo, no bairro do Ipiranga. Pude acompanhar o crescimento do bairro e da cidade através da construção de casarões imponentes, das muitas linhas de bonde e da chegada de imigrantes.

Minha infância e adolescência foram muito felizes. Meus tios, irmãos do meu pai, moravam todos vizinhos. Espanhol, italiano e português se misturavam em nosso vocabulário, mas não tínhamos problemas em nos comunicar com toda família e amigos.

Lembro do Grupo Escolar São José, onde fiz o curso primário. Ficava perto do Museu da Independência e o longo trajeto era sempre uma aventura com primos e muitos amigos.

Quando eu tinha uns 10 anos, lembro que as boiadas passavam 3 vezes por semana, vindas da Estação de Trem, pela Rua do Manifesto, subindo a Almirante Lobo em direção ao matadouro na Vila Mariana. Era perigoso e tínhamos que ficar dentro de casa pois sempre havia a possibilidade de um estouro da boiada, mas a gente se divertia.

Na Revolução de 1932, anunciavam nas rádios que os paulistas estavam vencendo. No entanto, as tropas oficiais passaram em frente de casa para tomar o palácio do Governo. Como não conheciam a cidade, ficavam pedindo informações como chegar ao centro de SP. A gente falava que era só seguir a linha do bonde.

Na década de 1940 fiz curso de pilotagem na Escola Santos Dumont e no Campo de Marte, enquanto concluia a Contabilidade. Cheguei a ser convocado para a guerra, mas enquanto estava esperando para viajar, a guerra acabou.

Me casei em 1945 e em seguida fui morar na R. Agostinho Gomes, também no Ipiranga. E foi nessa casa, na década de 1950, que nasceram meus três filhos.

Em 1960 mudamos para Santos, onde ficamos por cerca de 10 anos.

Voltamos para cá, no início dos anos 70, desta vez para o bairro de Moema. Na época era um lugar tranqüilo e pouco movimentado. Quando chegamos, na Av. Ibirapuera ainda passava o bonde que vinha da Vila Mariana e ia até Sto. Amaro. A Av. dos Bandeirantes era só um projeto… As avenidas Rubem Berta e 23 de Maio estavam em construção. Os comentários eram que não havia tantos carros para tantas avenidas…

Realmente, na década de 1970 era muito fácil e tranquilo circular por essas avenidas e pelo bairro.

Ficamos por cerca de dois anos na Av. Sabia, bem perto do Largo de Moema e depois construí uma casa, na Av. dos Carinás, onde estamos até hoje.

Chegamos antes do Shopping Ibirapuera e vimos ele ser construído e mudar as características do bairro.

O bairro cresceu de uma maneira incrível.

Foi aqui que minha esposa e eu assistimos aos nossos filhos se formarem, casarem e os netos começarem a chegar. São seis netos e um bisneto.

Infelizmente, depois de 64 anos juntos, minha esposa nos deixou. Partiu em 2009, deixando muitas saudades e boas lembranças.

Antonio Moya Carlete é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Você participa enviando seu texto ou marcando uma entrevista no Museu da Pessoa.

Conte Sua História de SP: Amigos do Tatuapé

 

Os amigos do Tatuapé são o tema da história enviada, por e-mail pelo ouvinte-internauta Eduardo Pennacchioni, que foi ao ar nesse sábado, no CBN SP. Leia, ouça, se inspire e Conte Sua História de São Paulo:

Meu nome é Eduardo Pennacchioni – nascido em 1955 no bairro do Tatuapé Este bairro sempre foi diferenciado e sempre assemelhou-se a uma cidade do interior no convívio de seu moradores. Tenho alguns amigos, cuja amizade começou no colégio e também éramos vizinhos. Eu tinha aproximadamente 16 anos.

Como o Bairro tinha uma carcteristica de manter um bom relacionamento entre os vizinhos, a amizade entre nós se mantém até os dias de hoje, ou seja, há mais de 35 anos. Criamos uma espécie de confraria para encontros semanais em uma pizzaria do bairro, para falarmos um pouco de negócios, tomar um chopp ou vinho, comermos uma pizza e, finalmente, jogarmos palitinho, sim palitinho… e vermos que ficará de Pato.

Nestes encontros que já passaram dos 20 anos, vimos os filhos crescerem e agora vieram os netos e o encontro do palitinho continua. Mesmo quando alguém viaja para o exterior faz questão de ligar na hora do jogo para saber quem ficou de Pato. E de longe participar da brincadeira. Gostaria que esta historia de amizade ficasse registrada, para demonstrar que isso acontece em São Paulo e mais precisamente em meu bairro Tatuapé.

Ouça a história de Eduardo Pennacchioni sonorizada por Cláudio Antônio

Conte Sua História de São Paulo enviando o texto ou agendando uma entrevista em áudio e vídeo no site do Museu da Pessoa.