Conte Sua História de São Paulo: Mulheres no trajeto

 

Suely Aparecida Schraner
Ouvinte-internauta da CBN

Ouça aqui este texto que foi sonorizado por João Amaral

O valoroso biarticulado e reprogramado 5362-10 Praça da Sé.

A reprogramação, com substituições, seccionamentos e implantações, era para contemplar o aumento de 27% na oferta de lugares. Mas os 27 metros do autocarro sai apinhado desde o ponto inicial.

No percurso da Av. Atlântica até a Igreja de Moema, conversas entrecortadas por paradas, primeira e segunda.

-“Dormir no emprego não aceito mais não”. Nem eu, respondeu a outra.

– “Elas escravizam a gente. Não tem hora pra acabar. Falam que é pra gente trabalhar até as 18h e, até nove da noite ainda tem louça pra lavar”.

– “A minha, queria cobrar a travessa que eu quebrei. Muita vez, eu escondo, ou então, levo o que quebra pra casa”.

– “Já eu, a pior coisa que fiz, foi prender o rabo do cachorro dela. Foi no elevador. Quando vi era só sangue. Ficou só o cotôco. Deu dó. Liguei no serviço dela e contei. Foi um Deus nos acuda. Agora tô fazendo um curso de artesanato. Quero trabalhar em casa, por conta própria. Não agüento mais não”.

– E eu, quero achar serviço numa empresa de limpeza. Preciso do registro por causa das crianças e do INSS”.

– “O trabalho é muito e o ganho é pouco. Criar filhos, sozinha e ainda cuidar dos filhos dos outros, não é fácil não”.

– “Morar em lugar debilitado. Debilitada é a saúde. Vida débil de desejos Chuvarada enchentes, desmoronamentos”.

– “Preciso muito de uma porta-comporta. Sabe o que é? É uma porta que tem borracha embaixo para a água não entrar. Custa caro e o que eu ganho, mal dá para pagar água, luz e comida”.

– “O gás sempre acaba antes do mês. Faço trempe com tijolo no quintal. Cato lenha e assim vou cozinhando até o dia de receber o pagamento”.

– “Vida cinzenta, cobrança de toda cor e tamanho. TV quebrada, divertimento esfolado”.

– “Serviço dobrado, faxina que não acaba. O corpo esgarçado. Vida besta”.

– “No dia em que perdi tudo, eu chorei. Perdi tudo só não perdi a fé”.

Domésticos no Brasil são 7.223.000, ou, 7,8% dos trabalhadores (dados do PNAD 2009 e Pesquisa Mensal de Emprego, do IBGE). Na grande SP, o número é 766 mil. Hoje, muitas estão migrando para outras áreas.

A versão moderna da Casa Grande e Senzala são os famosos DCE’s (Dependência Completa de Empregada). Entenda-se um cubículo claustrofóbico, onde mal cabem a cama e o radinho. Acordar com o pé no tanque.

A tecnologia possibilitou muitas facilidades e a educação inseriu a mulher no mercado de trabalho. Mulheres, mães, trabalhadoras com jornadas duplas, triplas até. E quem depende de empregada pra sobreviver, acaba trazendo um problema social pra dentro de casa.

Bem em frente à Igreja de Moema, elas descem para a realização das tarefas de reprodução da vida. Tarefas fundamentais e tão pouco reconhecidas.

5 comentários sobre “Conte Sua História de São Paulo: Mulheres no trajeto

  1. Somente uma coisa a dizer sobre essas mulheres maravilhosas
    Trabalham arduamente o dia inteiro, a semana inteira, o ano inteiro, sem descanso, acordadm de madrugada par irem trabalhar muitas vezes em locais distantes horas e ficam horas esperando o onibus passar, quando sobem no onibus ficam em pé porque os homens “cavalheiros” não cedem seus lugares.
    A mulher chega em casa a noite sempre depois das 20 hs ainda tem que preparar “a janta” para os filhos e para o folgadão do maridão, gordão, barbudão de camiseta regata, bermuda colorida e chinelo, que está esticado no sofá vendo futebol e programas sangrentos.
    Ai o maridão que jantou muito bem obrigado vai dar uma passada no buteco, jogar seu bilhar, baralhos com os amigos.
    Com o maridão fora de casa “graças a Deus” a patroa ainda vai lavar a louça. dar uma arrumada na bagunça deixada pelos filhos e pelo maridão que chegou bem mais cedo e acabou de tomar seu gostoso banho e largou a roupa suja espalhada pela casa inteira, não e capaz nem de lavar as suas cuecas.
    Ai obviamente a noite o maridão quer o rala e rola com a patroa né?
    mas tem também os maridões da classe media que a primneira coisa que fazem é tirar o paleto, afrouxar o no da gravata, sentar-se “cansado” no sofá e pedir para a esposa que também deve trabalhar fora ou ate mais que o maridão, pede um drink acompanhado de canapés.
    Tem aqueles também que saem do trabalho e vão para o happy hour para “relaxarem” um pouco do stress.
    Sabe-se lá o que pode rolar nestes tais de happy hur da vida!
    E as “amelias em casa”
    Bravas mulheres.

  2. Por outro lado não podemos nos esquecer que existem também as dondocas

    Não fazem absolutamente nada o dia inteiro, deixam seus filhos a cargo de babás, casa totalmente nas mãos de empregadas, comida a cargo da cozinheira, só pensam em badalar pelos shoppings torrando o cartão de crédito do marido que trabalha que nem um camelo de sol a sol, não sabem passar um café, fritar um ovo, não são capases de lavar suas proprias calcinhas durante o banho, só pensam em academias, entre outras futilidades.

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