Arena do Corinthians em Itaquera interessa à São Paulo

 

Estadio Corinthians

Desde que Ricardo Teixeira descartou o Morumbi para a Copa do Mundo, surgem ideias de todos os lados. A última é a construção do estádio do Corinthians no bairro de Itaquera, na zona leste da capital paulista. Não sei quanto de fantasia existe na proposta que estaria conectada as comemorações dos 100 anos do clube, mas que investidores coloquem dinheiro naquela região me parece mais interessante para a cidade.

Em 2002, o fundo americano Hicks Muse negociou com a prefeitura terreno ao lado da rodovia Raposo Tavares para levantar uma arena esportiva que seria usada pelo Corinthians. Na época, lembrei várias vezes do erro estratégico para a cidade se aceitasse a proposta.

Já que é para levantar um estádio – sem dinheiro público, é lógico – que o seja onde mais possa interessar a São Paulo. A Arena do Corinthians poderia induzir o desenvolvimento da zona leste, alvo de uma série de projetos que pouco andam por falta de interesse do poder público. Com Poá, Ferraz de Vasconcelos e parte de Guarulhos e Itaquaquecetuba, o leste metropolitano de São Paulo tem a maior concentração populacional da região.

O aeroporto internacional de São Paulo está para aquele lado, assim como as rodovias Dutra, Fernão Dias e Airton Senna, o que facilita o acesso de outras partes do País. Já existem linhas de metrô e trem atendendo aqueles bairros. Teriam de aumentar sua capacidade de transportar passageiros.

Há carência de equipamentos culturais, artísticos e esportivos na zona leste paulistana. A Arena atenderia esta demanda transformando-se em boa opção para os moradores que, atualmente, precisam cruzar a cidade em busca de atrativos.

Melhoria da estrutura viária, saneamento e rede hospitalar seriam bem-vindos para aqueles moradores, também.

Os recursos voltados à zona leste teriam reflexo no mercado de trabalho e, a partir de ações bem planejadas, se teria um plano de expansão que poderia tornar a região auto-sustentável, benefício para toda a cidade com renda mais bem distribuída, redução no número de viagens e qualidade de vida.

Duvido muito da capacidade de se construir um estádio com 65 mil lugares que comporte a abertura da Copa do Mundo de 2014, já que o projeto corintiano chega ao máximo de 45 mil. Verdade que, há dois anos, o jornalista Victor Birner divulgou um esboço da Arena que poderia ter até 77 mil assentos – é o desenho que você vê reproduzido aqui no post.

Não, sei também, se há dinheiro para tocar esta obra em tempo de receber jogos do Mundial. Há quem aposte que sim.

Mas quanto a Copa da Fifa que se preocupem aqueles que se comprometeram em fazê-la. Eu, ao acreditar no desenvolvimento da zona leste, tendo a Arena do Corinthians como âncora, penso em São Paulo e seus moradores, apenas.

Goldman insiste no Morumbi, mas nada está decidido

 

Ainda não decidimos. Este foi o resumo do recado de pouco mais de cinco minutos passado aos jornalistas ao fim do encontro que discutiu a participação de São Paulo na Copa do Mundo de 2014, no Palácio dos Bandeirantes, no meio do dia. Alberto Goldman, governador, Gilberto Kassab, prefeito, e Ricardo Teixeira, presidente da CBF, conversaram sobre as alternativas para que a capital seja palco da partida de abertura do Mundial.

Na reunião, Goldman insistiu na ideia de que o estádio do Morumbi, reformado, é a primeira opção para que a cidade de São Paulo seja sede do Mundial. Em entrevista ao CBN SP, antes do encontro, ele comentou que a CBF e a Fifa poderiam abrir mão de algumas exigências e permitir que o local sirva para a realização do jogo inaugural. A construção do Piritubão, que já foi opção para o prefeito Gilberto Kassab, foi descartada. Goldman reforçou, também, a ideia de que dinheiro público é apenas para obras de infraestrutura, jamais para estádios.

Ouça a entrevista de Alberto Goldman antes da reunião com o presidente da CBF. Ricardo Teixeira

Hoteleiros defendem dinheiro público em estádio

Os empresários do setor de hotéis em São Paulo foram taxativos ao defender o uso de dinheiro público na construção de estádio caso haja algum risco de a cidade perder o jogo de abertura da Copa do Mundo de 2014. Na entrevista desta manhã, ao CBN SP, o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis, em São Paulo, Maurício Bernardino, explicou que a oportunidade não pode ser desperdiçada pois o retorno econômico com a presença de profissionais e turistas na cidade compensaria os gastos.

Outros destaques da pauta #CBNSP:

Com biblioteca – Após três anos de reformas, a biblioteca Mário de Andrade foi reaberta, parcialmente, na cidade de São Paulo. Acompanhe a reportagem de Juliano Dip que visitou o local.

Sem buraqueira – É possível fazer obras no subsolo da cidade sem deixar cicratizes, mas para isso é preciso investir em tecnologia. É o que defende o presidente da Associação Brasileira de Tecnologia Não Destrutiva, Paulo Dequech. Ele explicou ao CBN SP que estas técnicas já são usadas pela Sabesp e Comgás, por exemplo, em São Paulo. Desta maneira, as intervenções nas ruas e avenidas podem ser feitas sem a necessidade de se abrir enormes crateras para a troca e implantação de equipamento.

Daqui a pouco, ouça a entrevista de Paulo Dequech que fala, também, sobre a má-qualidade dos reparos feitos no calçamento após a realização de obras.

Época SP na CBN – Maria Alcina e a banda de um homem só são destaques na agenda cultural de São Paulo. Ouça as dicas de Rodrigo Pereira, no CBN SP

TT: Tira Teixeira

 

Por Carlos Magno Gibrail

Copa 2014Tira Teixeira é a campanha recém lançada para a saída de Ricardo Teixeira da CBF e pela transparência na COPA 2014, encabeçada por Eduardo Rocha Azevedo, um dos fundadores da BM&F.

Pelas condições de manutenção de poder das entidades do futebol, FIFA, CBF, e demais, talvez demore um pouco a saída da CBF. Entretanto não há motivo para desânimo, pois um processo vigoroso de oposição popular e de lideranças políticas, esportivas, empresariais e dos meios de comunicação começa a tomar corpo pelo controle dos gastos públicos a serem realizados para a Copa 2014. Principalmente em São Paulo, a primeira vítima dos ataques do secretário geral da FIFA, Gêrome Valcker.

E é de São Paulo que virá a resposta sugerida ano passado por Juca Kfouri ao então governador José Serra, através de seu sucessor Alberto Goldman para o presidente da CBF e do COL (Comitê Organizador Local): “São Paulo abre mão da abertura da Copa caso o Morumbi permaneça vetado pela CBF”.

É o que o jornalista Juca Kfouri relatou domingo na Folha e no seu blog no UOL.

Goldman difere de Serra e segue o mesmo padrão da Premier da Alemanha, Angela Merkel, que se impôs à FIFA ao manter o Estádio Olímpico de Berlim para a final sem alterações exigidas na fachada com colunas e preservando os “pontos cegos” apontados pela equipe de Blatter.

O que a FIFA não conseguiu na Alemanha, que investiu apenas U$ 2 bilhões em estádios, dos quais apenas 1/3 do governo, veio alcançar na África do Sul. Ganhou U$ 3,2 bilhões e deixou à África uma conta de U$ 1,1 bilhão de dólares para pagar. Prejuízo que nem os mais de 100 participantes do COL africano puderam evitar. Ganharam nota 9 de Blatter, que tinha dado 8 para a Alemanha, mas pelo apetite demonstrado pelo secretário geral, espera um 10 do Brasil.

E não devem faltar argumentos, pois pela composição do COL brasileiro há chances. Teixeira acumula o cargo de presidente, a sua filha Joana Havelange é a secretária executiva, o advogado de Daniel Dantas, Francisco Mussnich é o diretor jurídico, o assessor de imprensa da CBF, Rodrigo Paiva ocupa a mesma função no COL, o administrador do patrimônio pessoal de Teixeira, Carlos Langoni faz parte da diretoria financeira do COL.

O que Blatter, Valcker e Teixeira não consideraram é aquilo que Lula começou a perceber e que Alberto Goldman será o porta-voz. São Paulo, embora tardiamente, não se curvará, assim como a Alemanha e a França, no episódio com a entidade francesa de futebol, não se submeteram às exigências da FIFA.

Sobre o tema sugiro os artigos nos blogs:

Juca Kfouri – Em Clima de Paz


Victor Birner – Da Carta Capital e quem vigia Teixeira

Hotéis temem perder dinheiro sem Copa em SP

 

Os empresários do setor de hotéis em São Paulo estão preocupados com a possibilidade de a cidade ficar fora da Copa do Mundo 2014 ou perder a oportunidade de sediar o jogo de abertura do Mundial. De olho no dinheiro que o segmento poderia arrecadar, o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Estado de São Paulo, Maurício Bernardino, alertou que para a partida inaugural se prevê a presença de cerca de 20 mil pessoas entre jornalistas estrangeiros, delegações esportivas e dirigentes convidados da Fifa, sem contar os torcedores que se fariam presentes.

“É preciso informar os desavisados sobre o dinheiro que será deixado aqui pelo turista. Imaginem sete diárias de hotel para 500 mil pessoas, público estimado do evento”, disse Bernardino, logo após encontro da Câmara Temática da Copa 2014, realizada nesta terça-feira, na capital.

Ele criticou quem estimula o cidadão a pensar que a construção de um estádio desviaria recursos das áreas de saúde, habitação e educação: “se a população continuar a pensar apenas este lado da questão, perderá a verdadeira noção que o legado de uma Copa do Mundo ou grande evento pode trazer para uma cidade”.

Para o empresário e representante da indústria de hotéis, “é inconcebível pensar em uma Copa do Mundo no País sem considerar a cidade como uma das sedes”. Cita, por exemplo, o fato de que São Paulo tem cerca de 45 mil quartos para hospedagem, uma quantidade enorme de restaurantes, bares, casas de espetáculos e outros equipamentos para atender turistas. Acrescenta à lista, 18 roteiros “interessantes” que estariam a uma distância de até 100km da cidade.


“Só posso dizer que sem hotéis não há turismo e sem São Paulo a Copa é impossível”, conclui.

“Em lugar de estádio, zerar creches”, diz Nossa São Paulo

 

O paulistano está consciente de que a cidade não pode entrar em uma aventura para sediar jogos e abertura da Copa 2014. A opinião é do coordenador geral do Movimento Nossa São Paulo, empresário Oded Grajew, que considera este comportamento um avanço importante da sociedade. Ele lembra que fosse há alguns anos estaríamos defendendo o Mundial a qualquer custo.

Para realizar quatro ou cinco jogos que se faça no Morumbi reformado, comentou. Sugere que em lugar de se colocar dinheiro público na construção de estádios, a prefeitura invista, por exemplo, nas metas com as quais se comprometeu através da criação da Agenda 2012.

“Em lugar de estádio, melhor zerar creches”, citou ao lembrar a promessa da prefeitura de atender 100% das crianças de até 3 anos cadastradas para vagas em creches municipais, até o fim da atual administração. Estariam faltando 40 mil vagas ainda.

Quanto aos investimentos que a capital paulista poderia obter em função da Copa, Oded Grajew entende que a cidade não teria prejuízos. Para ele, o dinheiro a ser aplicado em obras de infra-estrutura terá de vir independentemente dos eventos que São Paulo sediar. Ampliação de aeroportos, sistema de transporte melhor, crescimento dos serviços de saneamento e extensão das redes de comunicação são fundamentais para o desenvolvimento da cidade.

Contaminação e zoneamento no caminho do Piritubão

 

CBN SPO Ministério Público Estadual abriu inquérito civil, sexta-feira, para investigar as informações de que o terreno no bairro de Pirituba, onde se planeja construir o estádio de São Paulo para a Copa de 2014, está contaminado e em área estritamente residencial. O promotor de Justiça Raul de Godoy pediu que a Cetesb que apresenta laudo sobre as condições ambientais encontradas no local seja entregue em 30 dias e prevê que o inquérito seja concluído em seis meses.

Ouça a entrevista com o promotor Raul de Godoy.

Acompanhe outras informações da pauta do #CBNSP:

Condomínio Legal – A Justiça do Trabalho em São Paulo permitiu que uma empresa de telecomunicação não cumprisse a lei que exige contratação de pessoas com deficiência. A alegação é que falta mão e obra qualificada. Empresas com mais de 100 funcionários precisam oferecer ao menos 5% de suas vagas a deficientes. O comentarista Cid Torquato disse que o caso revela a necessidade de se melhorar o acesso a educação e sugere lei que incentive contratações de pessoas com deficiência por empresas de pequeno e médio porte. Acompanhe o comentário.

Esquina do Esporte – A derrota do São Paulo para o Vitória, na Bahia, preocupa muito mais pela atitude da equipe em campo do que pelo resultado em si. O Corinthians, por sua vez, tende a se manter líder do Campeonato Brasileiro a medida que tem apresentado um futebol produtivo. Ouça outras opiniões de Paulo Massini e Mário Marra, comentaristas da CBN, que participaram do quadro de esportes do CBN SP, para comentar os resultados da 9a. rodada do Brasileiro.

Época SP na CBN – O uruguaio Jorge Drexler é um dos destaques musicais da semana. Ele se apresentará, sexta-feira, no Via Funchal, e alguns setores estão com ingressos esgotados. Ouça as outras dicas do Rodrigo Pereira, no CBN SP

Copa & Aeroportos

 

Por Carlos Magno Gibrail

Aeroporto de Congonhas por Luis F Gallo

A FIFA, fazendo jus às mais errôneas tipologias de gestão, que a caracteriza, ignora também a Lei de Pareto. Ou, mais grave ainda, aplica-a da forma não indicada. Cuida dos 20% que poderão no máximo solucionar 80% das questões não cruciais à execução da Copa 14 no Brasil. Ao invés de tratar dos 20% que resolveriam 80% das operações mais significativas para um evento bem organizado: Infra-estrutura e estádios inexistentes.

Enquanto foca atenção no estádio do Morumbi, que é dentre os indicados o que menos deveria preocupá-la, pois já existe e o investimento a ser feito será privado, ignora a capacidade urbana das cidades, sem a qual os consumidores nem chegarão para assistir ao espetáculo.

Cabe então à imprensa o alerta, que já começou. A revista Veja de 4 de abril elencou vários tópicos à Infraero com críticas severas , ao que a Infraero contrapôs, alegando ainda que tinha encaminhado dados solicitados pela revista , e que não foram considerados na análise.

Para Veja: Guarulhos, Brasília, Salvador estão com pátios saturados – as companhias aéreas estão anunciando bilhões em investimentos sem contrapartida da Infraero – o que está ruim vai piorar – há corrupção na Infraero – o número de passageiros está dobrando nos principais aeroportos – nos horários de pico é o caos – em Seul com 30 milhões de passageiros/ano há 120 guichês de atendimento da polícia, em Cumbica para 21 milhões de passageiros/ano há 21 guichês – nas salas de embarque a recomendação é ter 1m2 por pessoa, em Congonhas, Confins, Porto Alegre , Brasília e Fortaleza não é o que acontece.

Para a Infraero: Guarulhos, Brasília, Salvador estão com pátios saturados apenas nos picos e as companhias podiam estender os horários – a Infraero vai investir 7 bilhões até a Copa – não haverá caos se considerar os investimentos e a melhoria dos sistemas – a corrupção está sendo combatida – as ampliações atenderão a demanda – pela otimização sugerida pela IATA não há como ter capacidade para o pico e ficar com o aeroporto vazio fora dele – haverá aumento dos guichês da policia federal de 21 para 29 – as causas para as salas de embarque não apresentarem espaços mínimos de 1m2/pessoa deve-se normalmente a condições climáticas e atrasos de vôos, independentemente da atribuição da Infraero.

Acrescentemos a informação publicada na Folha de domingo que Cumbica no primeiro bimestre apresentou aumento de 50% comparativo a 2007. Chegamos a uma situação de risco, se mantida a tendência. Considerou-se o ponto de partida de 20,5milhões de passageiros/ano 2010 para estabelecer a capacidade instalada para 2014 de 30,5 milhões de passageiros para uma estimativa de 29,5 milhões de passageiros. Ora, se em 3 anos, com crise financeira mundial no meio, chegou-se a 50%, em 2014 o fluxo será maior.

Fica evidente que aspectos como os dos aeroportos, que envolvem Governo, Infraero e companhias aéreas que não se entendem, além de variáveis mercadológicas e econômicas, são complexos e merecedores de um acompanhamento amplo e permanente, administrativo e técnico.

Mais uma vez concluímos que o futebol, embora sendo o artigo esportivo mais popular do mundo, continua a demonstrar que as empresas que o oferecem não obedecem as melhores práticas de administração. Quer se trate de organização, de finanças, de operação ou de marketing.

Os sistemas sucessórios são ditatoriais com as piores maneiras de manutenção do poder. As tecnologias são rechaçadas com intenção de manter sob controle o incontrolável, ficando com o poder sob a arbitragem humana.

É por isso que a categoria futebol, mesmo sendo esporte líder mundial e as empresas que o representam tendo marcas de massa, consumidores fidelizados e apaixonados (sonho de qualquer executivo do mundo dos negócios), não tem nenhuma organização no ranking das maiores companhias do planeta.

Carlos Magno Gibrail, doutor em marketing de moda e escritor do Blog do Mílton Jung às quartas-feiras, está publicado hoje devido ao feriado de 21 de abril.