Um exército de abnegados com algum talento

 

Direto da Cidade do Cabo

Chegou veloz, convicto, certo de sua tarefa naquele momento. Maicon sabia qual era seu papel quando recebeu a confiança de Dunga para jogar na ala direita e a bola passada por Elano. Da mesma maneira, não teve dúvida de como chutar, de que lado da jabulani bater. E bateu de maneira que a bola mudasse de direção, escrevesse um roteiro diferente daquele programado pelo adversário.

Robinho havia tentado no primeiro tempo o mesmo através de seus dribles. No pouco espaço que havia no campo de ataque, onde estiveram 21 dos jogadores em boa parte do tempo, ele mostrou o que pode torná-lo um jogador diferente entre os “zés” e “manés” que representam suas seleções nesta Copa. Foi ele, por sinal, que encontrou Elano lá do lado direito, também, por trás da muralha montada pelos norte-coreanos, no segundo gol brasileiro.

Mesmo Kaká, limitado não pela qualidade, mas pelo físico, fez o que podia dado os problemas que enfrentou até agora. Chamou a marcação para ele, tentou se movimentar enquanto não estava com a bola nos pés, e ofereceu espaço para que os companheiros de equipe aparecessem.

Os lances na televisão não vão mostrá-lo na jogada, mas o sempre criticado, Felipe Melo, disse em campo porque recebeu a missão de ser uma dos volantes da seleção. Para que Maicon alcançasse sua glória pessoal – marcar gol em Copa é algo que fica gravado para o resto da vida -, precisou que Felipe desse início a jogada. Para Elano deixar sua marca, precisou que Felipe roubasse a bola lá trás, pegando os “armados” norte-coreanos de surpresa. Aliás, para que o Brasil levasse um gol, precisaram os coreanos que Felipe deixasse o gramado.

Goste ou não, assim é a seleção brasileira de Dunga, formada por jogadores que foram preparados para cumprir sua função, fiéis ao script desenhado pelo chefe durante todo o período de treinamento e sempre dispostos a oferecer um pouco mais do que o talento natural que receberam.

Comprometidos, sim. Abnegados, com certeza. E prontos para encarar todos os adversários que estiverem no caminho de seu compromisso maior: ser hexacampeão mundial. Podem até não alcançar esta marca, mas não tenha dúvida de que Dunga e companhia limitada vão derramar suar até o segundo final desta Copa.

E vão derramar lágrimas, também, como fez Maicon ao comemorar seu gol. Que seja sempre de alegria.

Futebol em um estádio da Copa

 

Direto da Cidade do Cabo

Green Point

Coisa rara quando estou no Brasil é assistir ao futebol em estádio. Houve época em que não saía de dentro de um, hoje tento ficar o mais distante possível. Aqui na Copa, porém, é inevitável o desejo de conhecer ao menos um desses gigantes construídos para os jogos.

Em Cidade do Cabo, a atração é o Green Point, construído no lado mais rico, próximo do mar, com vista para a Table Montain e a 15 minutos a pé de Victoria & Alfred Waterfront, onde se encontram turistas e compras.

Com ingresso em mãos e a oportunidade de ver a campeã do mundo na estreia, o frio e a chuva não seriam barreira para a caminhada do hotel até o estádio. Pelo movimento nas calçadas, muita gente aderiu ao “até a pé nos iremos”, talvez convencidos de que o carro não é a melhor alternativa.

A quantidade de policiais era enorme, reflexo do protesto dos trabalhadores revoltados com os baixos salários que estão sendo pagos. Os agentes privados de segurança fizeram greve no dia da partida, mas pouca coisa mudou no atendimento ao torcedor – há muitos voluntários atuando, também. Foi um deles que me indicou o caminho para a primeira linha de controle, um portão estreito no qual a sacola e você são rapidamente revistados.

Para chegar ao assento número 49, fila 5, no quarto andar, contei com a ajuda de outro voluntário. E não é que meu lugar estava lá, reservado, apesar de ter chegado 20 minutos antes do jogo se iniciar? E que belo lugar. A concepção de Arena multiuso, sonho recente de todos os clubes brasileiros, fica evidente quando você olha o gramado. Tudo parece muito próximo, apesar da distância, beneficiado que somos pela iluminação.

Vuvuzela é muito chato

O Green Point é visivelmente italiano dada a êxtase que toma conta do estádio durante a execução do hino. Os paraguaios, apesar de estarem em minoria, tentavam ganhar espaço no grito, mas, infelizmente, o efeito vuvuzela acabou com a cantoria nos estádios. As músicas que embalaram os jogos de copas anteriores desaparecem com o irritante som das cornetas que só silenciaram quando o locutor oficial pediu respeito durante o hino.

O sistema de som anima a torcida quando anuncia a escalação dos times, e tudo é acompanhado em dois telões com a imagem do jogador. Estes telões reproduzem as imagens que você vê na televisão, mas com censura. Os lances polêmicos são tirados do ar e o cronômetro desaparece assim que se aproxima o fim do jogo. Tudo para evitar pressão sobre o árbitro.

O gol do Paraguai foi reproduzido várias vezes, uma baita vantagem pra quem acostumado a ficar em frente a TV sempre sentiu falta do replay no estádio. E um comentário bem-humorado de um neófito em Copa do Mundo como eu: “Meu primeiro gol de Copa é paraguaio!”

Congestionou o banheiro do estádio

No intervalo, a prova dos nove. E o desafio da fila. Escolha a pior: no bar, enorme como em qualquer estádio brasileiro; no banheiro, impossível de entrar. Incrível como uma arena para 66 mil pessoas tenha banheiros tão mal situados e de difícil acesso. Foi preciso descer dois andares para ainda assim não conseguir chegar até lá. Deixa pro fim do jogo, porque a bola já estava rolando, novamente.

A chuva me acompanhou boa parte da partida com a vantagem de todos os lugares serem cobertos – ou quase todos. O problema foi o vento forte que fez respingar mesmo nos torcedores mais bem protegidos. Nada que estragasse o clima de Copa.

A Itália empatou e o estádio veio abaixo, confirmando minha primeira impressão. A casa era italiana. Aliás, como é saudável ver que os torcedores podem dividir espaço apesar de serem rivais. Enquanto um festeja, o outro respeita. Como deve ser no mundo civilizado.

Com o fim da partida, a primeira constatação: os jogos apresentados até aqui não estão a altura da beleza do estádio. E aproveito para anotar mais um item na coluna dos problemas, ao lado do atendimento no bar e no banheiro: rota de fuga. Para deixar o quarto andar, havia necessidade de passar por uma pequena porta e descer alguns lances de escada. Simples em uma situação normal como a de ontem, apesar do grande número de torcedores. Perigoso em um momento de crise e confusão.

Torcedores seguem para o estádio

Passada esta barreira, o estádio esvazia rapidamente e o deslocamento externo também é fácil, se você não estiver de carro. Os motoristas tiveram de esperar pacientemente a passagem de boa parte da torcida.

Um brasileiro, acostumado a assistir aos jogos do São Paulo, com quem conversei ao fim da partida me disse com um certo ar de tristeza: “hoje entendi porque os jogos da Copa não podem ser realizados no Morumbi, pra fazer como este aqui só colocando tudo abaixo”.

Como o Morumbi já é passado, na volta para o hotel fico a imaginar como seria o nosso Green Point em Pirituba.

Por quem você torce e por quê ?

 

Direto da Cidade do Cabo

Primeiro de tudo. Esqueça este papo de que jornalista é imparcial. Não torce por ninguém. Torcemos, sim. E este que vos escreve é gremista desde pequenininho. Azar de quem não gosta.

Em seguida, vamos ao que interessa.

Torcedores em Cidade do Cabo

A bola começa a rolar, e você lá com aquele olhar blazê. Coreia do Sul e Grécia, não interessa. A troca de bola rápida chama a atenção. A movimentação de um dos times lhe agrada. A defesa do goleiro, entusiasma. E, de repente, o gol. E você, discreto, comemora. Por que você torce ?

Eu escolhi os asiáticos porque mostraram futebol melhor do que os gregos, e estavam cheios de Jung na escalação. Me dei bem.

Aqui na Terra da Copa, há torcedores de todos os lados. Eles caminham juntos, cruzam um pelo outro, tocam uma corneta (não, não é da vuvuzela que estou falando), brincam, se cumprimentam e seguem em frente. Vestem a camisa da sua seleção, pintam o rosto com a bandeira nacional e às vezes pregam algumas peças.

O menino com a jaqueta do Brasil é mexicano. O brasileiro de verde e amarelo veste o uniforme da África do Sul. As suecas, também. E os dois argentinos não se acanham de andar prá lá e prá cá com a bandeirinha da Inglaterra – receberam de umas moças de shorts curto que saíram de dentro de um enorme e barulhento ônibus que tocava o hino da Rainha, diante da praça na qual turistas se encontram em V & A Waterfront, área rica da cidade.

Torcida inglesa

No jogo da Argentina, a torcida dos brasileiros pela Nigéria era explícita. Os poucos ataques do time africano eram acompanhados com atenção; enquanto os chutes de Messi e companhia, com apreensão. Não fiz parte desta torcida, pois tendo a ficar com os sul-americanos, mesmo quando estes são considerados arquirivais. Acertei o lado, de novo.

EUA e Inglaterra estavam em campo lá na parte de cima da África do Sul. Aqui na parte de baixo, “americanos” e “ingleses” sentaram lado a lado em uma pequena arena montada diante de um tela gigante de TV na praça do shopping Victoria Wharf. Havia africanos-ingleses, franceses-americanos, indiano-ingleses, sei-lá-o-quê-americanos e assim por diante.

Torcedores em Cidade do Cabo

Conversei com alguns brasileiros: Marcelo torce para os EUA porque “eles estão melhorando”; Fabi para a seleção de Beckham e ele é o motivo da torcida dela; Carol morou seis meses em Londres e não tem receio em socar o ar quando sai o primeiro gol do jogo; está com mais dois amigos que também viveram por lá e até agora não entenderam como Green deixou a bola passar. Eles quiseram saber para quem eu torcia: Inglaterra, eu disse. Se não os americanos vão perder em que esporte ?

A torcida internacional no Victoria Wharf se definia de acordo com o passar do jogo. Havia umas 400 pessoas sentadas nas arquibancadas ou debruçadas nas cercas do andar de cima. Os ingleses de origem e os agregados eram maioria, apenas uma pequena parcela comemorava os lances em favor dos Estados Unidos. Havia americanos de verdade, com bandeira enrolada, garrafa de whisky na mão e mais exaltados do que todos. Quando ensaiavam um “USA” desafinado, eram logo calados pelo “England” que soava mais alto e em diferentes sotaques.

Torcedores em Cidade do Cabo

As três amigas sul-africanas que estavam voltando para casa, depois de um dia de trabalho no shopping, sentaram por ali mesmo. A mais excitada era “american”, a colega “england” e a terceira “não-fede-nem-cheira”: “Nem gosto muito de futebol, mas está muito divertido.

Assim que a temperatura baixou ainda mais e a chuva apareceu, Inglaterra e Estados Unidos perderam o apoio de uma parcela da torcida.

“Por que vai embora ?”, perguntei. “Com essa chuva, deixa eles pra lá”, respondeu o torcedor com o moleton estampando a bandeira da Eslovênia. Deve ter deixado o local feliz com o empate de 1 a 1 que assistiu. Ele não estava ali torcendo, estava secando. A seleção dele joga amanhã contra a Argélia e se vencer termina a primeira rodada líder.

E você, como escolhe a seleção pela qual vai torcer. Ou secar ?

Na mesa com o Capitão do Tri

Direto da Cidade do Cabo

Carlos Alberto Torres

Véspera da abertura da Copa do Mundo, o jantar foi em um dos melhores hotéis de Vitoria & Alfred Waterfront, área turística, rica e movimentada. Na mesa, um convidado especial, Carlos Alberto Torres, Capitão do Tri, bom papo e bem humorado apesar da dor provocada pelo nervo ciático que não resistiu a mais de 12 horas de avião entre Rio, São Paulo, Johannesburgo e Cidade do Cabo.

Para acompanhar a conversa, um Saxenburg Pinotage 2004, vinho produzido em vinhedo não muito distante daqui, de sabor amadeirado capaz de agradar a este escriba.

A safra é boa ?

Não é das melhores, respondeu Carlos Alberto. Nós não falávamos de vinho, mas de futebol. “Nenhuma seleção se sobressai”, disse logo de cara.

Fez algumas ressalvas, ao citar a Espanha que tem a melhor formação desde 1962 quando perdeu para o Brasil por 2 a 1, na Copa do Chile. Lembrou da Argentina e os jogadores de ataque, principalmente, citados ao mesmo tempo que Carlos Alberto tocava o peito com a mão fechada, sinal de que acredita que a raça desta turma pode fazer diferença.

“Messi, se entrar no ritmo da Copa, pode dar seu grande salto”, acrescentou quando perguntei quem seria o melhor jogador deste Mundial.

E o Brasil, “Capita” ? Perguntou o anfitrião que escutava a conversa e demonstrava intimidade.

Quando Carlos Alberto Torres fala da seleção brasileira demonstra a mesma personalidade forte que o consagrou em campo. Não esconde seu descontentamento com o time que estreia dia 15 contra a Coreia do Norte, em Johannesburgo. Em entrevistas já havia revelado discordância em relação a convocação feita pelo técnico Dunga e a falta de criatividade.

Preferia ter em campo Ronaldinho Gaúcho, Ganso, Neymar e Adriano.

“Imagina o Adriano entrando em campo, aquele baita cara, impõe medo no adversário”, explicou assim por que era a favor de que tivesse havido mais cuidado de Dunga com o atacante da Roma.

Para ele, o técnico brasileiro deveria ao menos ter trazido Paulo Henrique Ganso, menino do Santos, time pelo qual Carlos Alberto Torres também fez sucesso, entre 1966 e 1974, com Pelé ao lado. Dunga não teria nada a perder e ofereceria ao torcedor mais esperanças: “tá todo mundo com uma cara assim, será que vai dar ? Não sei, não !?”

Essa coisa de comprometimento com o grupo, pode até ser importante, mas o Capitão do Tri volta a ser taxativo: “Seleção é seleção, seleção é diferente”.

Conta que em um dos muitos eventos internacionais que tem participado – está na África à convite da Visa -, depois de reclamar da ausência de jogadores que poderiam desequilibrar um jogo, ouviu de um interlocutor que Felipão também havia deixado Romário fora do time e ganhou a Copa mesmo assim.

“Mas ele tinha o Ronaldinho Gaúcho”, rebateu com a mesma objetividade e precisão que o levou a marcar o gol que fecharia a goleada sobre a Itália, por 4 a 1, na final da Copa de 70.

Na cerimônia do “pontapé inicial” da Copa da África, transmitida na TV que estava pendurada na parede atrás da nossa mesa, o lance escolhido para representar a conquista do Brasil no México 70, não por coincidência, foi o gol de Carlos Alberto. Ele sorriu quando todos olhamos para a tela e para ele: “Já não aguento mais, vi esse lance umas 50 mil vezes na vida”, desdenhou.

Aquela, sim, foi a melhor safra de todos os tempos.

A viagem no ônibus da Copa, em Santo André

 

Ônibus da Copa em Santo André

Por Adamo Bazani
 

“Já são três dias sem dormir direito. Não via a hora. Para mim a abertura da Copa do Mundo é hoje. A expectativa é a melhor possível”. A frase foi dita no dia 9 de junho, quarta-feira, e revelava a expectativa não de um dos convocados do técnico Dunga, mas de Fumassa (com dois esses mesmo), motorista da Viação Vaz, que faz parte integr o Consórcio União Santo André, gerenciado pela SATrans – Santo André Transportes.

Acostumado a se vestir de Papai Noel no fim do ano, desta vez o personagem que ele iria representar era outro: o de torcedor do Brasil, a bordo de um Comil Svelto Midi, motor Mercedez Benz OF 1418. A empresa vestiu o ônibus de verde e amarelo e o transformou em uma espécie de estádio de futebol ambulante. Há bandeiras e enfeites alusivos ao Brasil, uma réplica da Copa do Mundo no painel do Motorista e o assoalho está revestido com grama sintética. Além disso, foram instalados dois televisores LCD, de LED, 22 polegadas, para que os passageiros possam assistir aos jogos do mundial.

O sócio-diretor da empresa, Thiago Vaz, conta que a preparação do ônibus deu trabalho, mas que valeu a pena:

“Priorizamos a alegria e as cores do Brasil e isso será gratificante demais quando o ônibus estiver na rua. E esse veículo foi fruto de união, vontade, abnegação dos funcionários e trabalho de equipe. Primeiro elaboramos o layout com a opinião de todos, para deixar o ônibus com visual alegre, porém equilibrado, sem ser pesado ao olhos das pessoas. Depois veio o trabalho de envelopamento e adesivação, de acordo com o que foi autorizado pela gestora de transportes aqui de Santo André. Foi um dia inteiro de trabalho artesanal, contando com um profissional especializado. A parte interna, que tem os enfeites e a grama sintética, teve a participação de especialistas e também de funcionários. As idéias e boa parte do trabalho para decorar o ônibus internamente foram de duas funcionárias do setor de almoxarifado, a Regina e a Natiele. O ônibus integrou a equipe interna e com certeza vai integrar a Viação Vaz à comunidade” .

Só para o envelopamento externo a empresa investiu R$ 6,8 mil. Investimento que, segundo o dirigente, é compensado pela maneira como a comunidade reage diante de uma ação como esta.

Acompanhei a primeira viagem do ônibus pelas ruas de Santo André com o motorista Fumassa no comando. Mal saímos da garagem, no Jardim Bom Pastor, o pessoal de uma padaria foi para a calçada aplaudir e acenar.

“É hexa, é hexa” – gritava o motorista e a galera repetia.

Ônibus da Copa em Santo André

Na primeira parada, um presente para Fumassa. Era Dona Iraíde Paulo da Silva, que conhece o motorista desde pequenininho. Ela já entrou brincando:

“É muito chique viajar com o Fumassa. Conheço ele há 28 anos, quando tinha 5 aninhos e fazia o prezinho … Fumassa, sabe que eu tenho por você um amor de vó “ .

A demonstração de carinho emocionou o motorista, que lembrou de sua infância e adolescência difíceis. Junto com a mãe, ele tinha de ajudar no sustento da família.

“Minha mãe é uma guerreira, viu. Pena que ela já é de idade e doentinha. Senão, fazia questão que ela fosse minha primeira passageira neste momento tão especial” – emociona-se.

Especial mesmo. A cara emburrada e de cansaço de boa parte dos passageiros mudava ao ver o ônibus todo enfeitado e o motorista vestido como jogador da seleção – sim, porque Fumasse não perderia a oportunidade de estar travestido assim como o ônibus.

Muitos riam, outros puxavam assunto, faziam piadas. Alguns, mais surpresos, perguntavam se era mesmo o ônibus da linha I 03 (Jardim Bom Pastor / Parque Caupava).

As crianças então eram as mais entusiasmadas. Fumassa retribuia distribuindo chaveirinhos para os meninos e meninas que festejavam a passagem do ônibus. Era presente para crianças, mas adulto também queria.

As reações dos passageiros do “Bus Copa” eram as mais variadas possíveis.

“Muita gente diz que o povo só é patriota na Copa do Mundo. Eu discordo. Só de acordar cedo, pegar uma condução nem sempre como queríamos, trabalhar o dia todo com pressão e ainda ter um espaçozinho dentro do coração para ser bem humorado, já é um sinal de amor ao País e à vida” – disse o mecânico José Tonduratto, um dos passageiros do sentido Capuava.

Aliás, frases e pensamentos como este eram despertados pelos enfeites e o entusiasmo do motorista Fumassa.

Num certo ponto da viagem, um senhor entrou no ônibus, ficou admirando os veículo. A grama sintética no piso, o que era mais comentado pelos passageiros, mas passou quase o tempo todo em silêncio. Este repórter então foi puxar um papo com ele. Não deu outra, o homem demonstrou toda a emoção e saudosismo que sentia no momento. Isso porque ele, já aposentado, fora motorista de ônibus e, mesmo sem o incentivo da empresa, em época de Copa do Mundo, sempre fazia questão de decorar  o veículo mesmo que de maneira simples.

Erinédio Soares trabalhou na Viação Garcia, não a famosa do Sul do País, mais uma de fretamento que operava no ABC. Ele foi motorista só desta empresa por 24 anos.

“Nossa, me lembro que eu decorava os ônibus também. Claro, era simplezinho, mas para mim era uma ocasião especial na época de Copa do Mundo e outras datas festivas. O senhor Ângelo Garcia fundou a empresa em abril de 1973. Já fui trabalhar na empresa quase em seguida. Em 1981, ele passou para outros donos que ficaram com a Garcia Fretamento até 1998. Foi quando eu fui transferido para a São José de Turismo. Trinta carros com os motoristas foram para a São José e 60 carros, também, com os funcionários para a Domínio. Êta época boa, dirigir ônibus tem seus problemas e estresse, mas é muito bom” .

Ao se aproximar do ponto final, Fumassa falava em alto e bom som: “Aqui é minha área”. Era verdade. Ele tinha de parar em quase todo o quarteirão para dar um olá para um conhecido e entregar um chaveiro para uma criança. A cada rua uma história.

“Vi o filho da dona deste bar pequenininho, agora ele está crescendo …. nos finais do ano, sempre uma velhinha que morava nesta casa vinha me ver de Papai Noel …. ah essa casa aí, ta vendo? .. Tem uma senhora muito legal. Me dá uma garrafa de café quase todo o dia”.

Muitas outras histórias foram contadas por Fumassa até chegarmos ao ponto final, no Parque Capuava. A satisfação dele contaminava a todos e a este repórter, em especial.

Ao desembarcar, pensei comigo mesmo: ” Falta de união para lutar por uma vida melhor… Pouco engajamento político… A crença e ilusões … A fácil manipulação… Tudo isso é crítica que se pode fazer ao povo brasileiro, mas é um povo batalhador que com todos os problemas ainda dá valor ao sorriso, como se vê no rosto e na alma do motorista Fumassa”.

Ádamo Bazani é repórter da CBN, busólogo, e torcedor do Brasil

Pedalando na Cidade do Cabo, amiga da bicicleta

 

Direto da Cidade do Cabo

Passeio de bicicleta na Cidade do Cabo

Além da mão inglesa – que ainda atrapalha a maioria dos turistas -, os britânicos que estiveram por aqui no século 19 parecem ter deixado outro legado para o trânsito da Cidade do Cabo: o respeito ao pedestre e ao ciclista. Parar antes da faixa de segurança e dar preferência aos que caminham e pedalam, é comum por aqui.

Foi neste ambiente que decidimos – eu e mais três colegas do Portal Terra – fazer um tour pela cidade de bicicleta. Tivemos de buscá-la no centro porque se a encomenda fosse no hotel custaria bem mais caro e a caução também seria maior. Com R 160, moeda local, algo próximo de R$ 50, você aluga uma bicicleta por 24 horas, e deixa o número do cartão de crédito à disposição para casos de desaparecimento.

O trajeto havia sido planejado com um mapa em mãos, mas logo o nosso caminho sofreu mudanças. Avenidas que nos levaram a passar por prédios modernos e calçadas largas foram escolhidas por curiosidade. A cidade que tem um pouco da cara do Rio de Janeiro, já que está na orla e tem o morro logo atrás, também abriga construções como as da avenida Berrini, em São Paulo (não me refiro a bom gosto, mas a dimensões). Isto se justifica por ser a capital legislativa da África do Sul, onde o Parlamento Nacional e vários escritórios do governo estão postados, além de ser um pólo comercial e industrial importante no país.

Mesmo o passeio tendo se iniciado logo após o meio-dia, o trânsito não chegou a ser uma barreira. Em algumas vias centrais era preciso prestar bem atenção para não sermos traídos pela mão invertida. Com exceção de um motorista que não pensou duas vezes ao fazer a conversão à esquerda para entrar na garagem, o que obrigou uma freada brusca, os demais parecem ser cuidadosos com os ciclistas – ao menos com estes que tem cara de turista.

Cidade do Cabo ciclovia

Atravessar as ruas é tarefa facilitada pois todas as calçadas são acessíveis com guias rebaixadas. Nos locais em que não existem semáforos, a faixa de segurança é facilmente identificável seja pela pintura zebrada seja pelo piso diferenciado. Não há também aglomeração de pessoas circulando, o que permite pedaladas e paradas estratégicas para fotografia ou apenas para apreciar uma construção qualquer. Isto talvez seja resultado da baixa densidade demográfica de Cidade do Cabo. Cerca de 3 milhões e meio de habitantes vivem em uma área de 2.455km2 – bem mais extensa do que a maioria das cidades sul-africanas. Cálculo rápido:1.425 habitantes/km2.

Desnecessárias, talvez, e pouca utilizadas, com certeza, encontramos faixas exclusivas de bicicleta com sinalização horizontal e nos postes em parte do nosso caminho que a esta altura do campeonato já se aproximava de Waterfront, onde se encontra um complexo de lojas, bares e hotéis. Elas, por sinal, estão em rotas turísticas o que me leva a entender que tem como objetivo os que pedalam por lazer.

Questiono a necessidade das ciclofaixas demarcando a área pelo fato desta ser, claramente, uma cidade amigável dos ciclistas. Parece que mesmo sem estes sinais, o respeito seria mantido, como vimos nos trajetos em que a ciclofaixa não existe.

Quanto a utilização das mesmas, nosso passeio que durou cerca de 3 horas deu a impressão de que a bicicleta está na cidade apenas para quem se diverte, não para quem trabalha. Cruzamos por pouquíssimos ciclistas em todo o caminho que fizemos.

Caminho, aliás, que foi ganhando contornos ainda mais bonitos quando nos aproximamos do porto, área muito bem aproveitada que mistura o movimento de carga e descarga de navios com a exploração turística do local. Ali tivemos que pedalar com muito cuidado, devido ao grande número de pessoas, a maioria torcedores devidamente identificados, seja pelas camisas, seja pelos gritos.

Green Point stadium Cidade do cabo

Saindo da aglomeração, procuramos a Beach Road, que não se perde pelo nome, e encontramos quebra-mares curiosos, feitos de cimento em formato de âncoras gigantes. Trajeto que só foi possível porque estávamos de bicicleta. De carro teríamos ido embora sem prestar atenção no local. Este é um dos grandes baratos do passeio de bicicleta. Conseguimos enxergar melhor a cidade.

Foi de lá que tivemos das melhores visões do Green Point, estádio que será inaugurado na sexta-feira com a partida entre França e Uruguai. Chegar até ele passou a ser nosso novo objetivo, apesar de o mar batendo do lado direito também nos chamar atenção. O caminho é todo margeado por prédios novos com muitos apartamentos abrigando torcedores – tais eram as bandeiras esticadas nas sacadas.

Foi a possibilidade de nos aproximarmos do estádio que nos deu fôlego para continuar com a pedalada. No entorno do Green Point, as ciclofaixas estão delimitadas sobre as calçadas, com espaço para ida e volta, além da faixa dos pedestres. As placas alertam que lá é proibido parar automóveis em dias de evento. Em compensação, o número de vagas para os carros é enorme na área de estacionamento, o que faz com que o jornalista sem credencial ou o torcedor sem ingresso tenha de permanecer distante.

Depois de apreciar esta construção polêmica – por seu custo e local (outro dia conto esta história) – e muito bonita, nos restava voltar para “casa”. Afinal já estávamos a quase 3 horas pedalando.

A facilidade com que o deslocamento foi feito, a beleza das áreas pelas quais passamos e as novidades do caminho evitaram o cansaço deste que é ciclista nas horas vagas e pouco acostumado a fazer esta aventura em São Paulo, cidade que, infelizmente, não é amiga da bicicleta.

A “mesa” está quase posta na Cidade do Cabo

 

IMG_1428No pequeno hotel do primeiro dia, no hotel boutique que será estadia até o fim dos dias por aqui e de qualquer outro ponto que você esteja em Cidade do Cabo, impossível não ver a Table Mountain – nome mais do que apropriado para esta formação rochosa que se parece mesmo com uma enorme mesa de onde é servida toda a beleza e elegância da cidade legislativa da África do Sul. Um mesão, diga-se de passagem, a mais de mil metros de altura e para onde se voltam boa parte das máquinas de fotografia penduradas no pescoço dos turistas que começam a chegar em maior número por aqui.

Neste segundo dia, enquanto conversava com Fabíola Cidral no CBN São Paulo, a combinação foi perfeita, pois alguns minutos após a rápida chuva que aparece algumas vezes ao dia, com as nuvens encostadas no topo formando uma espécie de “toalha” da mesa, surgiu um belo arco-íris. Satisfação e corre-corre de estrangeiros para registrar a imagem.

Ainda não fui ao alto da Table Mountain, onde se pode chegar pelo Cable Car, semelhante ao bondinho do Pão de Açúcar no Rio. Há os atrevidos que recomendam fazer a escalada a pé, e monitorada. Coisa de três horas. Outros convidam para descer de rapel. Coisa de louco. Vou no mais confortável, sem dúvida.

Além do visual maravilhoso, a vantagem de estar lá em cima, imagino, é não ter de ouvir a vuvuzela, som que faz parte do cenário de todas as cidades-sede, que se torna mais forte a cada turista que desembarca na região. Comprar uma dessas cornetas se transformou nesta Copa quase tão obrigatório quanto sair do México com sombreros ou de Salvador com um berimbau em mãos. Convenhamos, não há o que fazer depois e o objeto se transformará em incômodo na bagagem de volta.

Quem vive em São Paulo e tem de suportar os motoboys buzinando enquanto cruzam no meio dos carros tem ideia do ‘tamanho’ do barulho.

Aqui embaixo, ainda, além do barulho das cornetas, o cheiro de tinta está em vários pontos, sinal de locais renovados ou recém-construídos. Uma obra aqui outra acolá estão atrasadas, mas nada que esteja no caminho da Copa.

Durante o dia, porém, ouvi lá de Johannesburgo um burburinho diferente, com jornalistas atrapalhados pela falta de energia elétrica em alguns locais e a dificuldade para receber pontos de acessos para transmissão de áudio em outros. A expectativa é que nos próximos dois dias mais confusão apareça, pois os aviões não param de despejar torcedores e jornalistas.

Seja como for está quase tudo pronto.

O primeiro dia na terra da Copa

 

Aeroporto Johannesburgo

Nem o frio que se anunciava, nem a confusão que se imaginava. As primeiras impressões da África da Copa estão distantes daquelas para as quais nos preparamos. A temperatura em Cidade do Cabo, onde cheguei na noite de segunda-feira, era baixa, sim, e a chuva incomodava, também. Muito parecido com o clima paulistano de inverno quando os termômetros beiram os 13 graus e a garoa castiga. Nada mais além disso. Chegou a se dizer que enfrentaríamos algo próximo de zero grau nesta cidade mais ao sul da África do Sul. Talvez mais à frente, mas neste início de semana este será o cenário a recepcionar os turistas.

A chegada no principal aeroporto sul-africano, o Aeroporto Internacional Oliver Tambo, em Johannesburgo também chamou atenção, pois o ‘congestionamento’ que muitos temem não ocorreu. Nem no pouso nem no desembarque. Para quem encara as intermináveis filas da alfândega brasileira, descer na África do Sul foi rápido e tranquilo de mais, principalmente se levarmos em consideração o fato de que estamos há poucos dias de uma Copa.

Será que muita gente desistiu? Deve ser cedo, ainda.

A entrada no País somente surpreendeu a agente policial que me olhou com desconfiança quando disse que estava chegando do Brasil: “Neste horário?” perguntou ao mesmo tempo que esticava a mão na direção do meu cartão de embarque. Só depois se convenceu de que o voo que vim – com partida a 1h30 da madrugada – é novidade na South Africa Airlines. Avião extra para atender a demanda da Copa.

Malas devolvidas em ordem – apesar de um pouco batidas – e com agilidade. Despacho para o voo seguinte sem burocracia. Aviões no horário. E uma turma simpática atendendo nos bares no saguão de embarque, onde aguardei a viagem para Cidade do Cabo. Depois de oito horas e meia de um continente ao outro, ainda havia mais duas horas e meia pela frente até o ponto final.

A assustar apenas o comportamento de cinco ou seis brasileiros que desfilavam embandeirados de verde e amarelo com uma réplica da Copa do Mundo nas mãos e dizendo bobagens a quem passava.

O aeroporto de Cidade do Cabo não é tão grande como o de Johannesburgo, mas muito bonito. Os corredores vazios e o estacionamento com poucos carros às sete e meia da noite – hora local – pouco se parece com o que temos, por exemplo, em Congonhas ou Santos Dumont. Antes de aterrissar vê-se uma cidade com solo menos ocupado do que Johannesburgo.

No caminho para o hotel o trânsito não era intenso apesar de estarmos na hora do rush. O motorista encomendado antes de sair do Brasil segue com velocidade pelas pistas exclusivas para ônibus. Difícil mesmo é se acostumar com a mão inglesa. Aqui parece que todos andam na contramão. Teve colega que se atrapalhou inclusive para entrar no carro. Insistia em sentar no lado reservado ao motorista. Mas eu não conto quem foi.

No saguão do hotel simples que nos hospedará na primeira noite, apesar da ausência do vouncher em mãos, as atendentes fizeram todo o esforço para que nossa chegada se desse da maneira mais confortável possível.

Para quem chegou com um pé atrás e desconfiado da organização do evento, por enquanto as surpresas são positivas.

Problemas mesmo estavam estampados na primeira páginas dos jornais locais, impressionados com o incidente durante o amistoso da Nigéria em que 15 torcedores ficaram feridos e no telejornal sul-africano que mostrava um trânsito complicado em uma das cidades-sede da Copa, a qual não guardei o nome. A televisão estava distante e o som baixo. Foi nela, aliás, que vi os lances da vitória brasileira sobre a Tanzânia, goleada que também não surpreendeu a ninguém – a não ser pelo dois gols marcados por Ramires.

Avalanche Tricolor: Agora é a Copa

São Paulo 3 x 1 Grêmio
Brasileiro – Morumbi (SP)

Três casacos de lã, calças para o frio e algumas malhas mais grossas. É preciso também camisa social. Três ou quatro, não mais do que isso. Não é bom esquecer as camisetas de baixo e as meias de inverno. Cachecol, luva, cueca, bota, sapato e tênis. Pantufa, não ! Isso é coisa para o Heródoto Barbeiro.

Livros, máquina de fotografia, gravador, bloco de anotações, caneta. Ops ! Será que esqueci de alguma coisa ? Espero que não. São duas malas meio vazias pra quem saber voltarem bem cheias.

Desculpe-me ! Se você esperava ter neste espaço sempre dedicado ao esporte algum comentário sobre o jogo desta tarde no Morumbi, esqueça. Meu domingo foi destinado a arrumar as malas porque na madrugada de segunda embarco para a Copa.

Estarei nos próximos 20 dias aportado na Cidade do Cabo com alguns compromissos: atualizar este Blog aqui e o Blog Fora da Área que comecei a escrever hoje no Portal Terra, onde também mediarei as conversas, ao lado do ex-goleiro e técnico Zetti, em um programa que irá ao ar todos os dias a partir da uma da tarde. E, claro, sempre que a turma do CBN SP entender que posso ser útil estarei a postos para conversar com você na rádio.

Até a África do Sul !

Uma seleção justa como o futebol que joga

 

Dunga não está disposto a trocar figurinha com ninguém. Foi com esta frase – ou parecida – que encerrei o post sobre a seleção brasileira publicado segunda-feira. A lista dos 23 jogadores preferidos do técnico mostra, claramente, esta situação. Ao contrário do que muitos pediam, ele preferiu manter a equipe que vem lhe acompanhando nos últimos jogos.

Só mesmo a Panini, editora do álbum de figurinhas da Copa, para acreditar na possibilidade de Ronaldinho Gaúcho ser chamado (ou teria sido a carência de caras interessantes na nossa seleção?)

Temos de admitir que, apesar de todas as críticas previsíveis que Dunga recebe – e ainda receberá -, os critérios usados para convocar esta seleção estão claros desde que ele assumiu o cargo. A CBF o colocou lá para fazer desta uma antitese da equipe que perdeu a Copa em 2006. Não precisa ser craque, tem apenas de estar disposto a oferecer um pouco mais do que é capaz. O treinador quer ao seu lado pessoas de confiança e comprometidas com seu comando.

Exemplo disso foi o motivo que o fez decidir em favor de Doni, da Roma, em detrimento de Victor, do Grêmio. O “estrangeiro” brigou com o clube italiano para disputar um amistoso pela seleção, na Inglaterra. Mostrou a Dunga que estava comprometido.

Pensei na hora, bem que o Grêmio poderia ter tentado barrar alguma convocação qualquer para que o nosso goleiro tivesse tido a mesma oportunidade de peitar a diretoria e agradar a Dunga. Agora é tarde e não será esta escolha que fará alguma diferença no grupo. Goleiro reserva não tem direito sequer de entrar no álbum de figurinhas.

A propósito, foi ao folhear seu álbum que o treinador também não encontrou lugar para Ganso e Neymar, pois ambos deram azar de jogar um bolão somente depois que o período de jogos da seleção havia se encerrado. Que guardem este talento para 2014, está logo ali.

A única figurinha que o treinador aceitou trocar mesmo foi a de Adriano, parece que não colava mais no álbum dele. A decisão do técnico me fez clamar, pelo Twitter, por alguém que aceitasse a minha repetida do atacante do Flamengo por uma do Grafite. Pelas respostas obtidas, parece que só o Dunga tem. É exclusividade dele.

Noves fora, a seleção brasileira que vai para a Copa é uma seleção justa, assim como o futebol que deve apresentar nos estádios africanos: justinho. Nada mais além disso.