A grande sacada de Naomi Osaka: a coragem de confessar que tem medo

Por Simone Domingues

@simonedominguespsicologa

Twitter de @naomiosaka

A tenista Naomi Osaka foi punida com uma multa de 15 mil dólares por não ter participado da coletiva de imprensa após ter vencido a primeira rodada, na estreia do torneio de Roland Garros. Para a surpresa de todos, Naomi desistiu de participar do torneio e divulgou que sofre de depressão, desde 2018, apresentando crises de ansiedade antes de conceder entrevistas. O fato ocorreu no fim de maio, em 2021, e a sinceridade da tenista número 2 do mundo, provoca debates sobre a saúde mental dos atletas até agora.

Diferentemente do medo ou ansiedade adaptativa, aquela que a maioria das pessoas experimenta numa entrevista de emprego ou num primeiro encontro amoroso, o transtorno de ansiedade é caracterizado por medo e ansiedade excessivos, desproporcionais e persistentes, causando sofrimento ou prejuízos no funcionamento social, profissional ou em áreas importantes da vida da pessoa.

No transtorno de ansiedade ou fobia social, o indivíduo é mais temeroso, evitando interações ou situações sociais nas quais exista a possibilidade de ser avaliado, como encontrar pessoas que não sejam familiares ou falar em público. Nessas situações, a pessoa teme agir de maneira que evidencie seus sintomas, como ruborizar, tremer ou tropeçar nas palavras, o que poderia gerar um julgamento ou avaliação negativa por parte das outras pessoas.

Evitar intencionalmente essas condições, o que chamamos de esquiva, em geral, reduz momentaneamente o nível do medo ou da ansiedade. Por outro lado, essa evitação irá reforçar a ideia de risco ou ameaça, fortalecendo também a crença de incapacidade para enfrentar e superar tais circunstâncias. 

Será que dizer NÃO para situações que possam causar prejuízos à saúde mental seria um sinônimo de esquiva ou evitação?

Infelizmente, muitas pessoas não conseguem ou não podem assumir as próprias dificuldades, fragilidades ou vulnerabilidades.

O que as pessoas pensariam? 

Como reagiriam ao saber que uma pessoa que obtém tantas vitórias, que é competente ou talentosa no que realiza, sofre de um transtorno mental?

“Ansiedade? Depressão? Coisa de quem não tem o que fazer ou quer chamar a atenção”

O preconceito e os estereótipos nos conduzem a julgamentos rápidos e conclusivos. Multas, punições, expulsões… Foram essas as soluções inicialmente pensadas para o caso da tenista. Naomi abandonou o torneio não porque estava fugindo de enfrentar os perigos ou ameaças, mas, possivelmente, porque percebeu a necessidade de se afastar de situações tóxicas, impostas, que exigiam dela algo que naquele momento não poderia ou não queria realizar. Percebeu que precisava se afastar como um sinal de cuidado consigo. De preservação de sua saúde mental. 

Recuar não é fácil, mas, por vezes, necessário; não como fuga, mas como saída para que o sofrimento seja notado. Envolve limite e autocuidado, além do cuidado com o sofrimento de outras pessoas que passam por situações semelhantes. 

Em saúde mental, por vezes é necessário que alguém traga à tona as suas dificuldades para que as pessoas despertem e se solidarizem com todos os que passam por situação semelhante.

Após o desabafo de Naomi Osaka sobre a sua saúde mental e sua repercussão, a organização dos torneios Grand Slam mudou seu discurso e lhe ofereceu apoio e assistência, mencionando a possibilidade de mudança nas regras, a fim de melhorar a qualidade de vida dos atletas.

Naomi, você não fugiu dos seus temores! 

Ao escancará-los, sinalizou que os transtornos mentais não são exclusivos de fracos e derrotados, fazem parte da vida humana, da vida de qualquer pessoa. Se esquivar nem sempre é a melhor saída, mas pode ser o caminho que nos permita um recomeço. 

Saiba mais sobre saúde mental e comportamento no canal 10porcentomais

Simone Domingues é Psicóloga especialista em Neuropsicologia, tem Pós-Doutorado em Neurociências pela Universidade de Lille/França, é uma das autoras do perfil @dezporcentomais no Youtube. Escreveu este artigo a convite do Blog do Mílton Jung

Sou maricas, sim!

Foto: Pixabay

 

Foi o presidente Jair Bolsonaro quem disse: somos um país de maricas! Somos não! Se o significado for a covardia, como no espanhol, não somos, não!  Este é um país de brava gente. Porque é preciso muita coragem para sair da cama todas as manhãs sem saber o que será do amanhã. Se lá fora o vírus vai me matar. Uma bala vai me atingir. Um louco resolve se vingar porque ao fim da saliva apela à pólvora. Tem de ter muita coragem para enfrentar os desafios do escritório, do armazém e da rua; do medo do desemprego, da falta de educação e do hospital sem leito para me atender.

Agora, presidente, se maricas é ser afeminado, sou sim, maricas. Porque ter alma fêmea, feminina nos faz melhor. Nos torna acolhedor, solidário. Em Alma Feminina, canta Daniela Mercury: “… porque sou guerreira; tenho alma de mulher; sou fé, sou brasileira … tenho alma de menina e uso a força da voz para falar de amor”.

Então, sou maricas, sim!

E isso não me faz pior: tenho coragem de assumir minhas fragilidades. Não tenho medo de compartilhar essas fraquezas. De ter desejo de chorar diante da covardia de quem ataca os mais fracos. De sofrer ao assistir pusilames travestidos de líderes desdenhando  o peso de uma morte — uma não, mais de 163 mil mortes —; incapazes que são de identificar o quanto a violência por atos e palavras impacta a saúde mental de jovens, especialmente de jovens que na sala de aula, no pátio da escola ou na plataforma digital são vítimas de ataques, que agora chamamos de bullying —- palavra que para o presidente não faz sentido, porque com ele é na pólvora, é na porrada. 

Ele é machão — da pior espécie. Eu sou maricas, sim!

Tomado por essa alma feminina que todos devemos preservar sem medo, preocupo-me com a maneira como tratamos a morte de um rapaz de 33 anos que havia se colocado à disposição da ciência para salvar vidas e desistiu da sua própria vida, sabe-se lá por quê. Nesse caso, não apenas pelo presidente — que comemorou, sem aspas, a morte e a paralisação de testes de uma vacina que poderia dar vida a outras pessoas — mas pela maioria de nós que tratou o suicídio como algo banal, descreveu com detalhes o laudo e a jornada à morte. Uma morte sempre difícil de explicar, que leva embora jovens, muitos vítimas do bullying, do desrespeito, dos machões de taverna. 

É preciso que estejamos atentos em casa, com sensibilidade para ouvir o que nossos filhos, nossos jovens não são capazes de falar; nos mostrarmos sempre acolhedores para entender como está batendo o coração desse menino ou dessa menina; uma gurizada que tem seus sentimentos tolhidos por essa cultura machista em que tristeza é frescura, depressão é coisa de vagabundo. Depressão, tristeza, solidão …. um caminho que se for percorrido com gente acolhedora —- como somos os maricas, nós de alma feminina —- se torna mais fácil. E pode ser transformador no rumo que vamos tomar em vida.

O suicídio jamais pode ser tratado com a irresponsabilidade com que se tratou este tema nas últimas horas aqui no Brasil. É coisa muito séria. Quem tiver dúvidas de como abordar o assunto, seja politicamente seja jornalisticamente, busque orientação nos manuais da Organização Mundial de Saúde. Quem tiver dificuldade para falar do tema, busque o Centro de Valorização da Vida, que tem uma experiência incrível, formada por pessoas que estão sempre à disposição para ouvir, abraçar e ajudar. Para nos salvar!

Mundo Corporativo: Fabiano Barcellos diz como ter coragem para mudar

 

“O primeiro passo é você entender o que você não quer. É você responder para você o que você não quer. Dizer não para o que você não quer. E depois, em um segundo momento, começar a pensar no que você quer, começar a dizer mais sim para você do que sim para a sociedade, do que sim para o que os outros acham” — Fabiano Barcellos

Você está satisfeito com a profissão que exerce? Acha que está na hora de mudar? Para que essa transformação ocorra é preciso coragem, muita coragem. E para que essa coragem o leve para o destino que você deseja é necessário que se adote algumas estratégias. Sobre esse assunto, o empreendedor Fabiano Barcellos falou com o jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da CBN.

 

Autor de “Coragem para vencer —- descubra como mudar seus hábitos e realizar o dobro na metade do tempo” (Editora Planeta), Barcellos contou parte de sua experiência profissional, em que depois de três anos trabalhando como médico cardiologista decidiu investir em vendas online. Hoje, é um empreendedor sem que tenha abandonado o atendimento aos seus pacientes. De acordo com ele, ao acrescentar uma outra função no seu cotidiano pode se dedicar mais à medicina que considerava a ideal, com menos dias no consultório e mais tempo para cada um dos pacientes.

“A vida é curta de mais para você aceitar coisas que não te deixam felizes. Claro que a realização financeira é boa, é fundamental, mas hoje a coragem é … não importa onde você esteja .. você quer sair daí? Quer. Enche o peito, vai para cima, estuda, esteja perto das pessoas que você precisa estar e vai atrás dos seus objetivos”

Quatro dicas de Fabiano Barcellos para que a coragem apareça:

 

  1. Entenda o que você não quer;
  2. Pense o que você quer;
  3. Diga sim para você;
  4. Entre em movimento — busque meios, caminhos, ambientes e pessoas que  estejam onde você gostaria de estar

 

 

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, às 11 horas, no Twitter (@CBNoficial) e na página da CBN no Facebook. O programa vai ao ar aos sábados, às 8h10, no Jornal da CBN ou domingos, às 10 da noite, em horário alternativo.

Mundo Corporativo: coragem para experimentar depois dos 50 anos

 

 

“O mais importante é buscar autoconhecimento, fazer as reflexões do que eu gosto e no que eu sou bom para que essa experiência de testar outras possibilidades possa lhe trazer algo útil; se você não reflete, a experiência passa e você não faz nada com ela”. A sugestão é do consultor Rafael D’Andrea que tem se dedicado a cuidar de profissionais que, após os 50 anos, precisam estar prontos para enfrentar o processo de transição de carreira.

 

Na entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, D’Andrea foi explicou que é fundamental que se tenha coragem de experimentar: “o medo da mudança é talvez o principal fator que nos causa esse sofrimento com relação a mudança; é muito mais o medo que causa o sofrimento do que a própria mudança. É a angustia que nos dá esse sofrimento, que acaba nos impedindo de alcançar resultados melhores nessa transição”.

 

O Mundo Corporativo vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e tem a colaboração de Juliana Causin, Rafael Furugen e Débora Gonçalves.

De opressor

 

Por Maria Lucia Solla

 

Professor

 

O que mais me deixa triste e desesperançada é a situação da educação no Brasil, que vem sendo corroído pela empáfia, pela baba da raiva, pelo preconceito, pela visão e divisão terrorista de classes – para melhor manipulá-las -, pela ignorância glorificada e pelos desmandos da quadrilha que se instalou no Planalto Central e nos vales e grotas do país inteiro. Virou moda. Modo de Vida. Desandou.

 

E o que fazer? Ora, se tudo o que se faz, se faz no coletivo! É preciso pertencer a um partido, associação, esquadrão, classe, clube, quadrilha, qualquer coisa. Pensar no indivíduo, na sua singularidade? Tudo virou massa a ser sovada até que perca a consistência e possa ser manipulada ainda mais facilmente. O indivíduo é engolido pela pasta humana.

 

Então meu caro, se tiver coragem, o negócio é lutar contra a maré e investir em você mesmo, nele, no cara, no teu filho, sobrinho, afilhado ou vizinho, que a receita melhora. A bicicleta não anda se um dos pneus está furado. É preciso enfrentar o risco, a experiência de não ter os pés no chão. É preciso experimentar, construir e desconstruir, errar e acertar, para que se possa alcançar a liberdade de ser.

 

Eu começaria por soltar o aluno e eliminaria do dicionário a palavra professor. É preciso que o profissional que vai orientar o aprendizado das crianças, adolescentes e adultos, seja preparado holisticamente. Que seja um Mestre na sua arte, mas um cardápio em pessoa. Não se pode preparar crianças do terceiro milênio, como se fossem infantes do século dezessete. Precisam de mais. Como é que se aprisiona numa sala pequena, desconfortável e desinteressante, a gurizada que está na idade da inquietude em todos os corpos, da fome em todos os sentidos, na busca da identidade!

 

Ninguém ensina ninguém! Não adianta confinar e querer que cabecinhas em ebulição decorem datas importantes – para quem? – e regras gramaticais – para quê?.

 

Tanto dinheiro jogado fora, e tanto bandido cria da escola!

 

Mas antes de terminar este texto assim confuso, tal e qual a minha pessoa, hoje!, quero dizer que no Lexigrama de PROFESSOR, de pronto, encontro a palavra OPRESSOR, que é composta por seis das sete letras da palavra professor, e não gosto do que vejo.

 

Aqui vai uma provinha para você: PROFESSOR
OPRESSOR
eu PROFESSO
mas não tem ele PROFESSA
PROFESSAR
SOPRO e depois não quer que o aluno cole
POSSO e POSSE, mas não tem POdE
SORO
SERRO O FERRO
PORRE
SOFRE
OSSO duro de roer
ESSO
ROER

E por aí vai.

 

Obrigada pela companhia, divirta-se, ou não, e até a semana que vem.

 


Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Escreve no Blog do Mílton Jung

Conte Sua História de SP: pequenos medos na grande cidade

 

No Conte Sua História de São Paulo, pequenas histórias de grandes lembranças dos nossos ouvintes-internautas:

 

 

A história de Rinaldo em São Paulo se iniciou em 1971, embarcando e desembarcando na rodoviária, ao lado da Estação da Luz. Ele conta que tinha muito medo, na época, não da cidade, mas da escada rolante. Aos 14 anos, começou sua vida profissional, no trigésimo-primeiro andar do Edifício Zarzur, no Vale do Anhangabau. E aí sim, lá do alto do Mirante do Vale, diante da vista maravilhosa da cidade, Rinaldo sentiu medo de enfrentar aquela selva. Os medos ficaram para trás, e, hoje, totalmente inserido, vê São Paulo, com sua imponência durante o dia e as luzes da noite, acolhendo e encantando a todos que chegam.

 

A segunda lembrança é de Maria Antonia Araújo. De Piracicaba, no interior, chegou há cerca de quatro anos e com ela trouxe o medo de dirigir na Capital. Com uma vizinha expôs a preocupação que sentia por ter de um dia guiar um automóvel pelas avenidas. “Não se preocupe – disse a conselheira – em São Paulo você vai andar tão devagar que não tem como ter problema”. Mesmo assim, Maria Antonia, ainda prefere o metrô.

 

Maria Antonia e Rinaldo são personagens do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte mais um capítulo da nossa cidade, mande seu texto para milton@cbn.com.br. Ou agende uma entrevista em aúdio e vídeo no Museu da Pessoa pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net. Ouça e leia outras histórias de São Paulo aqui no Blog do Mílton Jung.

Avalanche Tricolor: com a cara e a coragem

 

Bahia 0 x 3 Grêmio
Brasileiro – Arena Fonte Nova

 

 

A bola acabara de se chocar no travessão, após oportunista cabeceada de Elano, parecendo que mais uma vez se perderia no gramado como fez em boa parte do jogo quando foi passada sem destino e chutada sem direção. Mesmo os jogadores adversários davam sinais de alívio ao perceberem aquela bola indo embora após um dos poucos ataques gremistas. Foi quando com a cara e a coragem um dos nossos gringos se atirou em direção a ela em uma tentativa desesperada e audaciosa. A chuteira do marcador lhe acertou o rosto, o corpo caiu estendido na pequena área enquanto a nuca se chocava na grama. A bola tomava a direção da linha de fundo, mas, talvez agradecida pelo sacrifício, desviou em direção ao gol que já estava vazio. Riveros não teve chance sequer de comemorar a abertura do placar, e poucos dos seus colegas, também, pois estavam preocupados com a condição do colega que deixou o campo na maca. Assim se iniciou a primeira conquista do Grêmio fora de casa neste campeonato.

 

Mesmo sem a excelência do futebol que esperamos, conseguimos uma importante vitória que se completou com um gol de chiripa, como costumam dizer lá na minha terra, marcado por outro gringo que estava em campo, Maxi Rodrigues, e com a troca de passe entre os irmãos Biteco, concluída pelo mais velho da família, Guilherme. Relevando a ausência de vários titulares e acrescentando o fato de o placar ter sido clássico e os três pontos fundamentais, o jogo jogado pela nossa equipe ainda está distante do desejado. Hoje, porém, tudo isso pouco me importa, pois ao menos nos aproximamos do G-4 e provamos nossa capacidade de entrar na disputa pelo título do Campeonato Brasileiro, com o jeito de ser do Grêmio: com a cara e a coragem.

Da coragem de lutar

 

Por Nei Alberto Pies
Professor e ativista de direitos humano

 

“O medo tem alguma utilidade, a covardia, não”.
(Mahatma Gandhi)

 

Crianças, adolescentes e jovens percebem com muita facilidade quando um professor ou uma professora lhes aponta caminhos para construir sabedoria, viver o amor e lutar pela dignidade. Percebem, também, quando os educadores os encorajam para engajar-se socialmente pela garantia dos direitos humanos. A ocupação pacífica das ruas feita por educadores pode ensinar-lhes muito mais do que através de discursos e teorias sobre como viver em sociedade e como sobreviver de forma organizada, em defesa de interesses da coletividade.

 

Oferecemos, todos os dias, nas nossas salas de aula, o melhor do que somos e o melhor do que temos por amor às nossas crianças, adolescentes e jovens. Oferecemos a eles luzes de esperança, forjadas na cotidiana luta de nossa superação pessoal e profissional. Se os adolescentes sonham em transformar o mundo, apontamos caminhos de saudável rebeldia, capaz de arrebatar causas, sonhos e desejos que move a cada um e cada uma e a uma coletividade. Se jovens e adultos acreditam no poder do conhecimento, os estimulamos a fazerem suas buscas na vida pessoal e profissional, através de seus estudos. Quando, por vezes, cansados, animamo-nos ao perceber que nossos educandos tem uma vida e uma caminhada sempre muito difíceis, geralmente mais difíceis do que as nossas caminhadas.

 

Apoderar-se de sensibilidades afetivas, sociais e políticas constitui um grande legado para aqueles que escolheram ser professor ou professora. Por obra de uma paixão ensinante, fazemo-nos compreensivos com os outros, e sofredores com eles, crentes que cada ser humano possui as mais ricas e únicas possibilidades de superar-se, individual e coletivamente. Como na educação, também na política, só deveriam atuar aqueles que, acima de vaidades e interesses, são capazes de somar na crença que todo ser humano é sempre capaz de superar-se em todos os seus contextos, singularidades e peculiaridades. Para isto mesmo é que serve a política e a educação: propiciar instrumentos às pessoas para sua liberdade e sua emancipação.

 

Daqueles que assumem posições de poder, espera-se que sejam abertos ao diálogo, mesmo que na dureza das críticas dos outros. Que se interessem pela coletividade, sem desfazer-se de suas motivações e convicções políticas. Que saibam avançar nas proposições, mas também recuar quando se faz necessário. Que desenvolvam habilidades capazes de justificar as intenções que desejam ver concretizadas na coletividade.

 

“Quem luta, também educa”. Quem ama, também educa. Quem não anula e menospreza a sua consciência, ganha mais vida na dignidade, justamente por assumir-se como é. Para nós, educadores e educadoras, a educação não é um fim, mas sempre um meio para estimular as condições subjetivas, materiais e sociais para que toda pessoa possa sonhar e conquistar a sua felicidade. Para que a felicidade aconteça, é claro, sempre é preciso muita coragem para viver e lutar.

Avalanche Tricolor: Criatividade em lugar de clichê

 

Caxias 1 (5) x 1 (4) Grêmio
Gaúcho – Centenário, Caxias (RS)

 

 

O futebol, ao contrário do que costumam dizer por aí, não é uma caixinha de surpresa. Este é apenas mais um lugar-comum dos muitos que invadem os campos e o noticiário. Ainda hoje cedo ao abrir o jornal, li outras dessas frases ditas à exaustão que acabam perdendo o efeito: o Grêmio vai resgatar sua identidade, será um time forte e raçudo, disse Vanderlei Luxemburgo cumprindo o ritual de chegada. Você, caro e raro leitor deste blog, já deve ter percebido minha má vontade com o treinador, não a nego, e esta interferiu, com certeza, na primeira impressão que tive ao ler a nota de rodapé do Estadão. Exceção à diretoria que não teve coragem de manter Caio Junior, não me parece que faltava valentia ao time gremista neste início de temporada. Aliás, houve de sobra no Gre-Nal do meio da semana, na vitória sobre o colorado por 2 a 1. Revelou-se a cada esforço, passe ou chute de nossos jogadores, e na forma como Roger, interinamente, comandou a equipe no vestiário e ao lado do gramado, quando não precisou espernear ou sacudir os braços para demonstrar sua relação com o tricolor. Ao Grêmio eram necessários reforços e tempo para reestruturar o time do desmonte que enfrentou do ano passado para cá. Não deram isto Caio.

 

Do discurso de Luxemburgo não espero mesmo muita coisa, usa palavreado complicado para dizer mais do mesmo, mas pelo que cobra tem de oferecer mais, a começar pela criatividade para resolver as carências que temos, neste momento. Hoje, não foi além do lugar-comum ao escalar e comandar o Grêmio na partida válida pelas quartas-de-final da Taça Piratini, apelido do primeiro turno do Campeonato Gaúcho. A propósito, o Grêmio voltou a tomar gol de cabeça e perder decisão nos penâltis. E isto já está se transformando um clichê.

 

Que o Luxemburgo acrescente qualidade ao time, na formação e na estratégia. Quanto a coragem, fique tranquilo, está no nosso DNA.

De Mente

 

Por Maria Lucia Solla



Ouça “De Mente” na voz e sonorizado pela autora

Ah! quanta coisa a gente não aprende na escola; e nem em casa. E quanta falta isso faz.

Os reencarnacionistas dizem que, no momento do nascimento, um dispositivo zera a memória que trazemos de outras vidas. Talvez por isso choramos. Aí aprendemos que chorando, gritando e esperneando chamamos atenção; e abrimos o berreiro por tudo e por nada, para testar o exercício e a reação da turma em volta. Isso quer dizer que nossa mente concreta, a que conhecemos mal e mal, chega com sistema operacional instalado e é só. Dalí para frente é um instalar arquivos e aplicativos que não tem mais fim; o nó é quando se quer desinstalar alguma coisa. Dá uma trabalheira danada, e continuamos chorando, segundo o estilo de cada um. Os arquivos instalados viram crenças, que passam a agir, independentes do que chamamos de vontade, a memória do ruim vira trauma, do bom vira vício e se bobear, a vida vira um suplício.

O bombástico é que, por volta dos 7 anos, nossa personalidade se cristaliza, a responsabilidade dos que nos acolhem é fatal. Mas, nem tudo está perdido ou ganho. Há sempre luz no fundo do túnel, seja você gênio ou tacanho.

Lembra da Lei da Atração que andou na moda? Como tudo na vida, no ritmo da onda do mar, teve seu momento de glória e caiu no esquecimento. Quem é que fala hoje do filme O Segredo? O Segredo veio nos lembrar de que juntamos um pensamento daqui e outro dali e criamos ideias, e são essas ideias que assumem o comando e acabam regendo a nossa vida. Ligamos o piloto automático, por preguiça, desinteresse ou ignorância e entregamos a direção dela a elas, sem nos darmos ao trabalho de separar o joio do trigo. A vida me fez assim e pronto.

Onde está então a tal da luz no fim do túnel? Dentro de você e dentro de mim, meu caro, e se o problema está na mente, a solução está nela coincidentemente.

Esquece o passado. O que passou, passou. Você pensou estes anos todos, sem se dar conta de que pensamentos são unidades de uma construção que resultou no que você é hoje. Ora, sei bem que a gente é mais do que isso; somos o que comemos, o que vemos, o que pensamos e o que dizemos, mas você há de convir que, de toda essa atividade, toda essa presepada, a de pensar ganha de goleada. A gente pensa muito mais e mais rápido do que fala, não consegue reportar em palavras tudo o que vê, mas consegue pensar o que vê e registrar tudo na mente, num zás-trás.

Então, vale a pena, além de arrumar e limpar o guarda-roupa, de arrumar e limpar a casa nos preparativos para o ano que vem chegando, dar-se uma oportunidade e encontrar um tempo para arrumar e limpar a mente das ideias e crenças que já não servem mais. Vale a pena, além de diminuir a gordura e a fritura, diminuir e eliminar o pensamento inútil e o nocivo que tornam nossa vida tão dura.

Então coragem! Fique esperto, não deixe que a mente te engane e que ela seja de você, o inimigo mais perto. Quando estiver pensando, participe do evento não deixe que seu pensamento seja movido pelo vento. Não permita que pensamento aleatório faça parte do teu repertório.

Escolha a dedo o pensamento que vai tua mente ocupar e me diga, depois, se diminuiu o teu sofrer e o teu chorar.

Faxina na mente, já! Afinal, quem é que manda nela?

Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.

Maria Lucia Solla é terapeuta, professora de língua estrangeira e realiza curso de comunicação e expressão. Aos domingos, escreve no Blog do Mílton Jung

música: coming back to life – Pink Floyd
foto: A Persistência da Memória, de Salvador Dalì