Mundo Corporativo: “o novo normal, não vai ser novo nem normal”, diz Marcelo Miranda, CEO na Espanha

 

 

“Se existe algum novo normal esse novo normal é a mudança constante porque quando ele chegar, o novo normal, não vai ser novo nem normal para a gente, nós vamos viver, por muitos meses, mudanças constantes” — Marcelo Miranda

Há dois anos no comando de um empresa da área de construção civil, em Saragoça, na Espanha, o executivo brasileiro Marcelo Miranda teve de enfrentar os efeitos sanitários e econômicos da pandemia bem antes de seus compatriotas. Com pouco tempo para se adaptar às medidas restritivas e aos riscos da doença, a empresa da qual é o CEO, a Consolis Tecnyconta, líder na Europa em concreto pré-moldado, teve de ser ágil para mudar processos, trabalhar à distância e oferecer segurança aos seus profissionais.

 

Os primeiros casos de contaminação, entre os espanhóis, apareceram entre o fim de janeiro e as primeiras semanas de fevereiro. Em 14 de março, o país teve de parar, com a decretação de regras que limitaram a circulação de pessoas e obrigaram o fechamento da maior parte das atividades econômicas. A Espanha foi uma das regiões que mais sofreram com a COVID-19 e atualmente registra perto de 28 mil mortes e cerca de 254 mil pessoas infectadas, tendo uma população em torno de 47 milhões de habitantes.

 

Ao programa Mundo Corporativo, da CBN, Marcelo Miranda falou das estratégias usadas para enfrentar a primeira onda do coronavírus no país e de como a empresa se organizou para a retomada das atividades. Ele identificou três estágios importantes diante da crise: o primeiro que foi o de pensar na sobrevivência com o acolhimento das pessoas e suas famílias; o segundo, o de como operacionalizar os sistemas para manutenção dos negócios; e, o terceiro, o de repensar a empresa:

“… esse repensar tem andado ao lado da construção: digitalização; tecnologias de industrialização e pré-fabricação de construções; e o lado humano das construções, de como a arquitetura pode ajudar a vivermos de uma maneira mais humana e com mais qualidade de vida”.

Para Miranda, inovação é resolver problemas e, assim, as empresas precisam identificar quais serão os problemas daqui para a frente. Nesse momento, ele vê a necessidade de o setor da construção civil como um todo, e não apenas a sua empresa, passar por uma intensa transformação. Pois diz que essa indústria ainda é de pouca confiabilidade, de grande impacto ambiental e que emprega mão de obra não-qualificada:

“O que vai acontecer é a celebração de uma transformração dessas empresas com visão mais consciente do seu papel na sociedade”.

Para os empresários brasileiros que planejam como gerir seus negócios após a pandemia da Covid-19, Miranda sugere que se busque criar ambientes mais saudáveis nas relações de trabalho, nos quais os profissionais sintam-se confiantes em implantar transformações e tenham espaço para errar e corrigir rapidamente sempre que necessário:

“Essa cultura organizacional de facilitar as decisões, de facilitar a comunicação, de aproximar as pessoas, de ser uma cultura mais horizontal e mais voltada para resultados mesmo de curto prazo é o que realmente tem feito diferença para quem já tem isso desenvolvido. Às empresas que não têm, nunca é tarde para começar e aprender”

O Mundo Corporativo vai ao ar aos sábados no Jornal da CBN. O programa tem a colaboração de Juliana Prado, Guilherme Dogo, Rafael Furugen e Débora Gonçalves.

Pressão da pandemia acelera inovação nos setores de Vestuário, Varejo e Home Office

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

Vestuário

 

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Foto: Pixabay

 

A notícia divulgada pela rádio CBN sobre a fabricação de roupas anticovid-19, com certeza, foi surpreendente para o mercado. Entretanto, não deve ter surpreendido o ramo têxtil, que há anos tem se voltado para a busca da funcionalidade de materiais. A novidade foi a rapidez na criação e na aceitação pelas confecções, além da divulgação. Fatores que deverão causar benefícios de forma geral.

 

 

No Brasil, o tecido foi criado pela Nanox Tecnologia S.A. — empresa especializada em nanotecnologia — e com um corpo técnico originário da Universidade Federal de São Carlos, com sede na cidade de São Carlos/SP e filial em Massachussets, USA. A inovação teve atuação de pesquisadores da UFSCar e da USP.

 

A expectativa do uso desse tecido é enorme: o preço do produto acabado não deve superar os dois dígitos, o que dará um custo baixo para um alto benefício.

 

A Malwee, de Santa Catarina, que tem se destacado pela atenção em sustentabilidade, foi pioneira nesta utilização, hoje produzindo máscaras e camisetas que protegem do coronavírus. A Malwee importou o composto químico para fabricação do tecido da Suíça e está se programando para ampliar as linhas de produto que serão confeccionadas com o tecido protetor do coronavírus.

 

Estamos diante, portanto, de uma novidade, cujo impacto poderá impulsionar uma nova tendência, que será a criação de tecidos e afins, com benesses específicas relativas à saúde. Ao mesmo tempo, poderá motivar a divulgação do que já existe nesta área.

 

Varejo

 

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Foto: Youcom/divulgação

 

Para o varejo de moda, a previsão de vendas é fundamental. O sortimento correto no abastecimento evita sobras e aumenta a disponibilidade de capital. Uma nova técnica, através da inteligência artificial, está surgindo e sendo aperfeiçoada para alocar os produtos adequados para cada loja.

 

Quanto maior a sintonia entre a busca do consumidor e o produto disponível em estoque, teremos a plenitude da função do varejo, que se pode denominar do modelo Butique. Essa estratégia, baseada na inteligência artificial, pode ser aplicada também em grandes organizações. É o caso da Renner com 380 lojas âncoras e que começa a executar o sistema.

 

Além disso, o modelo Ship From Store, em que se usa o estoque da loja mais próxima do cliente omnichannel está em implantação, e se tornando uma das modalidades significativas de redução de estoque e eficiência operacional.

 

A inteligência artificial começa também a ser usada na Youcom para enviar à casa das clientes conjuntos de produtos de moda para a apreciação e eventual compra. Esse, também, um processo inegavelmente de Butique. E a Youcom tem 100 lojas de médio porte.

 

Home Office

 

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Foto: Pixabay

 

O setor digital, um dos raros segmentos da economia atingido positivamente, também acelerou novidades que viriam mas em ritmo antigo.

 

Hoje, é possível em 15 dias implantar uma estrutura de SAC na casa dos operadores. Além disso, há sistema de segurança que permite operar com cartões de crédito.

 

Segundo Elda Di Donato, a CDO Chief Digital Officer da Sercom, ao se colocar o operador em casa é necessário se aproximar das exigências das certificações PCI Payment Card Industry especialmente para ecossistemas das empresas que processam cartões de débito e crédito.

“A tokenização em segurança está permitindo que o cliente acesse um ambiente seguro, criptografado, e digite ali os seus dados para serem validados, sem que o operador tenha acesso às informações. Ou seja, os dados não passam mais na mão de pessoas, e sim de um agente virtual. Esse modelo de contratação está sendo muito bem aceito pelo pioneirismo e pelo aumento da segurança dos consumidores”

Elda lembra das pesquisas que informam que o trabalhador em casa rende 20% mais, e o absenteísmo e o turnover são reduzidos.

 

Carlos Magno Gibrail é consultor, autor do livro “Arquitetura do Varejo”, mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.

A Web está na Moda e poderá surpreender as previsões do FMI

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Foto: Pixabay

 

O FMI prevê que o PIB dos países avançados apresente, em 2020, uma queda de 8%, e os emergentes de 3%, com exceção da China crescendo 1%. Para o Brasil a queda deverá ser histórica: 9,1%.

 

Em 2021, haverá aumento de 4,8% e 5,9% entre desenvolvidos e emergentes, enquanto o Brasil irá apresentar acréscimo de 3,6% e a China 8,2%.

 

Esse cenário reflete, de acordo com o relatório do FMI, o modo como o evento covid-19 foi tratado pelos países:

“Pela primeira vez, projeta-se que todas as regiões experimentem um desempenho negativo (do PIB) em 2020. No entanto, existem diferenças substanciais entre as economias, refletindo a evolução da pandemia e a eficácia das estratégias de contenção”.

Um olhar recente para a China e identificamos que lá foi realizada uma SEMANA DE MODA pela web, e os resultados superaram juntas as SEMANAS DE MODA DE PARIS, MILÃO E NOVA YORK.

 

Assim como ontem se encerrou a FEIRA de Negócios virtual MADE IN CHINA, com 3 milhões de expositores e 2,8 bilhões de produtos.

 

Enquanto isso, aqui, no mundo físico, estávamos em abril com 1.212 eventos realizados, número 30% a mais do que o previsto, e tivemos que adiar 900, dos quais 380 foram reprogramados para os próximos meses.

 

Neste contexto, é evidente a oportunidade que surgirá a partir da abertura do comércio e serviços no mundo físico para operações via web, diante da nova realidade pós-Covid-19 em função de protocolos e receios decorrentes para ações que gerem presença de público.

 

Dentro deste quadro os agentes deste setor começam a se preparar, e se movimentam para construir sistemas virtuais e híbridos.

 

É o caso do empreendedor Antonio Mesquita, da SÖKS tsr, experiente em inovação, tendo sido um dos pioneiros nas plataformas virtuais para Shopping Centers, quando teve a possibilidade de efetivar alguns Market Places. Hoje, está direcionando a SÖKS para a elaboração de Projetos de Feiras e Congressos através da web. Produto que será edificado com a Bossa Nova Productions, da Cristina Lages, especializada em comercialização de Feiras e Congressos. A tecnologia será fornecida pela INTEGRA GLOBAL BUSINESS NETWORK, através da plataforma da EXPO BUSINESS, dirigida por Aquiles Gonzalez.

 

A INTEGRA, fundada em 2007, é uma empresa com foco em criar startups inovadoras como a EXPO BUSINESS. Aquiles, um dos sócios, atesta o crescimento do setor de feiras digitais a partir da Covid.

 

Ressalta também as vantagens comparativas quando é registrado um movimento de visitação de 3 a 5 vezes maior nas feiras digitais do que nas realizadas de forma convencional.

 

Lembra também que a possibilidade de gameficação e de realidade aumentada são pontos diferenciais atraentes e modernos.

 

Para a EXPO BUSINESS os negócios aumentaram 200% com a pandemia, o que é um bom sinal para a expectativa econômica futura. E indica que os chineses são um bom exemplo a seguir neste caso de absorção ao digital.

 

A Economia, como se sabe, é em parte definida pela expectativa, e também pelas práticas que podem propiciar eficácia no uso dos recursos escassos. Aqui cabe ressaltar que a despesa para realizar um evento digital é infinitamente menor. Ao mesmo tempo a velocidade de execução é infinitamente maior.

 

Se a digitalização se disseminar para outros setores da Economia, e temos uma cultura propícia a essa ligação sinalizada pela preferência aos celulares, poderemos surpreender a recuperação econômica, na medida em que custos se reduzam e operações se acelerem.

 

Vamos torcer para que o FMI esteja errado.

 

Bem-vindos Söks, Bossa Nova e Expo Business.

 

Que venham muitos outros.

 

Carlos Magno Gibrail é consultor, autor do livro “Arquitetura do Varejo”, mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.

Sua Marca: é preciso entender as dificuldades e medos dos clientes

 

“De tudo fica um pouco, fica um pouco do teu queixo no queixo de sua filha…” Carlos Drummond de Andrade

 

Como na mensagem de Drummond, extraída do poema Resíduos, empresas e marcas deixam lembranças em seus consumidores, que são o resultado da forma como se relacionam, se comunicam e prestam serviço. Em Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, Jaime Troiano e Cecília Russo falaram dos efeitos dessas ações, especialmente em momentos de dificuldades como as impostas pela pandemia.

“Das tantas memórias e resíduos, talvez a gente tenha exemplos ruins, mas quem fez a lição de casa, de forma legítima, verdadeira e autêntica deixou um saldo bem positivo”, disse Cecília Russo

Do pequeno mercado que passou a entregar produtos na casa do consumidor ao serviço de aplicativo que cria programas para premiar o seu usuário, cada um de sua maneira e dentro de suas possibilidades está fortalecendo sua marca — e essas ações não serão esquecidas pelos clientes. Vão se destacar, nesta pandemia, as marcas que entenderam as dificuldades e os medos que as pessoas têm vivenciado

“O resíduo que vai ficar para muitas marcas é um crescimento da fidelidade do consumidor. Como um sinal de retribuição a quem nos tem ajudado a atravessar esses momentos de tristeza”, comentou Jaime Troiano

Para Jaime e Cecília, as boas marcas são aquelas que, testadas, em situações difíceis, como estas, ficam ainda mais fortes e respeitadas.

 

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso é apresentado por Mílton Jung e vai ao ar aos sábados, às 7h55 da manhã, no Jornal da CBN.

Mundo Corporativo: é hora de refletir nosso conceito de sucesso, diz Dario Neto do Capitalismo Consciente

 

“A gente está vivendo um momento da história onde é importante ser mais, fazer melhor e ter menos” — Dario Neto

A Covid-19 é a pior crise já vivida neste século e levou empresas a acelerarem transformações que estavam em curso, não apenas da digitalização dos canais de venda, mas também das agendas de consciência dos negócios. A opinião é de Dario Neto, diretor geral do Instituto Capitalismo Consciente Brasil, que falou sobre os impactos que as crises humanitária, sanitária e econômica, vividas a partir do aparecimento do novo coronavírus, terão na forma de se liderar organizações e se pensar as empresas.

“A melhor maneira de fazer o bem é fazendo o bem. Então, nesse momento, compaixão e empatia, por mais que pareçam um contraponto às necessidades e à escassez que nos ronda, é aquilo que vai diferenciar os negócios, que vai prosperar mais ou menos depois desse momento”

Em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da CBN, Dario Neto explicou que o conceito do capitalismo consciente surge a partir da indignação do professor indiano Raj Sisodia que assistia a empresas americanas investirem mais em publicidade e marketing do que o PIB da Índia.

 

Sisodia se juntou a Jaf Shereth e David Wolf — e mais tarde recebeu o apoio de John Mackey, CEO da Whole Foods —- em estudo acadêmico que identificou que era possível manter alta reputação e fidelidade dos clientes investindo menos em marketing e lucrando a partir de quatro pilares: propósito maior, cultura consciente, liderança consciente e orientação para stakeholders.

 

O Instituto faz o mapeamento de boas práticas que estão sendo desenvolvidas pelas empresas e analisa projetos para a retomada das atividades e a recuperação econômica após a pandemia. Há organizações, por exemplo, que decidiram proteger seus fornecedores e toda a cadeia produtiva estendendo os prazos de pagamento. Com o mesmo objetivo, manter empresas e empregos, o próprio Instituto tem procurado investidores e empresários para ajudarem na sustentabilidade de uma linha de crédito — CoVida-20 — que facilita o financiamento de empresas, especialmente àquelas que não têm as garantias exigidas pelo sistema bancário, com juros de até 0,5% ao mês.

“Criamos um fundo de socorro, já ligado aos pilares do capitalismo consciente e a demanda foi de quase R$ 30 milhões … O desafio é muito grande … O protagonismo através da economia solidária pode ajudar muita gente”

A despeito da sensação de medo e escassez que impera, Dario Neto lembra que estudos mostram que empresas que revelavam “amor e cuidado em toda sua cadeia de valor, decolaram”, após a crise de 2008. Segundo ele, das 500 maiores empresas, listadas pela Fortune, 57% nasceram em períodos de exceção.

“É um processo que vai levar anos. É uma oportunidade muito especial que nós estamos tendo para refletir o que é sucesso para a gente e para a sociedade. Com um PIB projetado que vai retrair talvez 5, 7 pontos, a gente tem um caminho que é talvez pensar de como é que a gente volta a como é que as coisas eram antes o mais rápido possível — e isso vai deixar a gente angustiado — ou a gente tem um caminho que é o de ter a clareza de que o jeito que a gente viveu e consumia, estava levando o planeta para o fim … se sucesso para a gente continuar sendo consumir então a gente não vai mudar esse jogo, né”

O Mundo Corporativo vai ao ar aos sábados no Jornal da CBN e tem a colaboração de Juliana Prado, Guilherme Dogo, Natacha Mazzaro, Priscila Gubioti e Débora Gonçalves.

Lojistas de Shopping pedem mais técnica e menos discriminação

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Escada rolante de shopping com alerta de distância (Reprodução TV Globo)

 

Uma jornada de trabalho de quatro horas numa cidade como São Paulo, onde a caminhada ao posto de trabalho exige tempo considerável, em conduções e condições extremas, não condiz com as boas práticas operacionais.

 

É o que o protocolo da Prefeitura a ser cumprido pelos Shopping Centers da cidade de São Paulo pelo covid19, incorre, segundo os lojistas que operam nestes locais. É uma falha técnica. Além de certa discriminação, em comparação com o tratamento dado a outros segmentos.

 

Nabil Sayuon, presidente da ALSHOP Associação Brasileira dos Lojistas de Shopping, entrevistado no Bom Dia SP da TV Globo, ressaltou que ao espremer a jornada em tão pouco tempo, haverá congestionamento e o resultado será inverso ao que se procurou.

 

Um outro aspecto abordado por Sayuon foi a questão dos custos e dos cuidados sanitários envolvidos no cumprimento das minúcias de higienização, comparáveis a instalações hospitalares, enquanto outros setores, como o da construção civil, não teve o mesmo detalhamento nas exigências.

 

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Rodrido Bocardi entrevista Nail Sayoun (repordução TV Globo

 

Rodrigo Bocardi, o âncora do programa, usou a figura da ilha isolada para a metáfora com o Shopping Center para chamar a atenção pelo fato de os funcionários para chegarem a local de trabalho tão preciosamente higienizado terem que se subordinar a transportes congestionados.

 

Assista à reportagem completa do Bom Dia São Paulo

 

Até certo ponto poder-se-ia entender como consequência do maior aprimoramento dos equipamentos de Shopping Centers e respectivas lojas que se exigisse mais de ambos. Afinal, os Shoppings são formatos bem resolvidos e competentes, como peças comerciais e de lazer.

 

Entretanto, só pode estar havendo um especifico exagero no protocolo de um lado, e de outro; um descaso com a técnica na abordagem operacional. Não é admissível escapar à análise que não compensa economicamente incidir em todos os custos de um equipamento de Shopping Center para manter a operação disponível em apenas 1/3 do padrão de abertura.

 

É uma opção que insatisfaz o lojista, o shopping, o trabalhador e o consumidor. Ou seja, pior que isso é isso.

 

Esperemos que a reunião citada por Nabil Sayuon, já agendada com a Prefeitura, resulte em decisão técnica como boa prática operacional.

 

Carlos Magno Gibrail é consultor, autor do livro “Arquitetura do Varejo”, mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.

Sua Marca: cinco necessidades para a vida entre quatro paredes

 


 

“As marcas estão tendo uma oportunidade de prestar um serviço importante para a sociedade” —- Cecília Russo

Com as pessoas obrigadas a permanecerem em casa para reduzir o risco de contaminação do novo coronavírus, novas necessidades surgiram e algumas marcas souberam atuar de maneira eficiente. Um relatório criado pela Ikea, marca sueca de produtos para casa, identificou cinco necessidades para a vida “Entre 4 paredes”:

 

  • Segurança
  • Pertencimento
  • Conforto
  • Privacidade
  • Propriedade

 

Com base nessa lista, Jaime Troiano e Cecília Russo, em Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, identificaram algumas ações de empresas e serviços que entenderam esse momento e estão atuando de forma empática. É o caso de uma academia que decidiu alugar seus equipamentos para os clientes, a medida que suas unidades estão fechadas. Ou de um aplicativo que se atualizou para permitir a compra à distância de remédios controlados que exigem receita médica. Ou do jovem, estudante de medicina, que viu os pais terem de fechar a loja de flores, criou uma conta no WhatsApp e tornou os produtos acessíveis aos clientes deles.

 

Existem, ainda, as grandes marcas do cenário digital como Rappi, iFood e Uber Eats que facilitaram a entrega de alimentos, mantendo a relação entre os restaurantes e seus clientes, oferecendo as sensações de pertencimento, conforto e segurança —- três das necessidades identificadas no trabalho da Ikea.

 

A tecnologia de informação através de marcas como Zoom, Weber, Microsoft Teams e Google Meet, trouxe o escritório para dentro de casa, oferecendo conforto e segurança.

“O momento é de ajudar as pessoas a ficar em casa e as marcas têm uma chance única de estar ao lado da sociedade neste momento” —- Jaime Troiano

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, às 7h55 da manhã, no Jornal da CBN.

Mundo Corporativo: César Souza fala da transformação do papel do CEO na empresa diante da pandemia

 

 

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“O momento é de colaboração, o momento é de solidariedade, o momento é de construir o futuro; a gente viu que empresa vazia não funciona, mais do que nunca está claro que são as pessoas o patrimônio maior das empresas”— César Souza, Grupo Empreenda

A busca de soluções inovadoras para enfrentar a crise provocada pela pandemia do coronavírus motivou um grupo de empresários a criar o #MovimentoVamosViraroJogo, lançado há duas semanas e que já conta com a adesão de 389 empresas dos mais diversos portes. O compromisso que assumem é o de compartilhar soluções que tenham sido encontradas em cinco áreas de atuação: modelos de negócio, soluções financeiras, relacionamento com os clientes, impacto na sociedade e gestão das pessoas.

 

Para um dos criadores do movimento, César Souza, do Grupo Empreenda, entrevistado pelo programa Mundo Corporativo, da CBN, a intenção é que ao menos cinco boas práticas de cada setor sejam selecionadas e sirvam de referência para que outras empresas também possam se reerguer dessa crise:

“A história contemporânea será divida entre o ACV e o ADV, antes do Covid e depois do Covid; esses três meses foram muito intensos, muitas empresas estão sofrendo, mas algumas olham para o futuro …. a gente não pode dirigir uma empresa olhando para o retrovisor”.

 

Para César Souza, os CEOs estão enfrentando uma enorme e rápida transformação no seu papel diante das empresas e equipes que comandam. De Chief Executive Officer —- ou seja, de executor das estratégias da empresa —- viraram Chief Emergency Officer, a medida que precisaram atuar em situação de emergência. Passadas as primeiras semanas, eles assumiram a função de Chief Equilibrist Officer, para contornar problemas com fornecedores, legais, tributários e financeiros:

“Agora, até a sigla muda, porque os CEOs terão de ser os CROs, Chief Reivent Officer, eles terão de reinventar a empresa, esse é o trabalho mais importante e a missão mais nobre deles”.

O Mundo Corporativo vai ao ar aos sábados, às 8h10 da manhã, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo, na rádio CBN. O programa é apresentado por Mílton Jung e tem a participação de Juliana Prado, Guilherme Dogo, Natacha Mazzaro, Alan Martins e Priscila Gubiotti.

Conheça três projetos que ajudam profissionais de saúde, empreendedores e pequenos negócios

 

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Imaginar o que haverá pós-pandemia é difícil. Há quem veja um mundo mais solidário. E os que enxergam as fronteiras mais fechadas. Há os que pensam em uma vida mais simples. E os que creem no aumento das desigualdades. Talvez saíamos todos iguais ao que éramos assim que a crise amenizar, a vacina aparecer e o novo coronavírus se transformar em velho conhecido. O que enfrentamos vira memória — história para ser contada. E bola frente. Quem jogava bonito, segue fazendo belezuras. Quem jogava feio, feiúras. Os adeptos do jogo sujo, sujeiras.

 

Melhor, então, olhar para o que acontece agora e identificar quem sabe se comportar diante da regra do jogo e usa de sua criatividade para melhorar o mínimo que seja a vida do outro. Nestes dias, encontrei algumas iniciativas que me chamaram atenção; gente disposta a ajudar gente, a apoiar empresas, manter empregos, acolher quem precisa.

 

 

Começo pelo Projeto Isolar que olha para os profissionais de saúde, muitos dos quais com dificuldade para encontrar um lugar onde possam ficar isolados. É o pessoal que atende nos postos e hospitais, recebe pacientes, trata, cuida, dá carinho, salva. E tem medo de voltar para a própria casa pelo risco de contaminar seus familiares. O Isolar é uma plataforma na qual o médico, o enfermeiro, a recepcionista do hospital, o motorista da ambulância, ou seja, qualquer um desses profissionais que estão no “campo de batalha” se candidatam a um imóvel, próximo ao local do trabalho, que será financiado pelo próprio projeto que se sustenta a partir de doações.

 

A Camila Putignani, uma das idealizadoras do Isolar, conta que ao menos 250 pessoas estão cadastradas e foi possível, até este momento, acomodar 17 profissionais que podem ficar em um apartamento ou em um quarto de hotel, de hostel ou de pousada. O prazo inicial é de 14 dias podendo ser renovado conforme a necessidade do profissional. Além da moradia, as doações servem para comprar produtos de higiene pessoal, limpeza e alimentação.

 

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O outro projeto que também depende da doação é o “Adote um Pequeno Negócio”, criado pelo Claudio Tieghi e o Fabio Fiorini. Na plataforma, o doador escolhe a quem se destina o dinheiro. Os empreendedores escolhidos receberão consultoria para organizar a empresa e terão acesso a uma plataforma que permite controlar as tarefas diárias do seu negócio.

“Para adotar uma empresa, sendo pessoa física, é necessário inicialmente investir R$9,90 ou mais. Em seguida, o investidor recebe um livro (“Manual do micro e pequeno negócio em tempos de pandemia”) para presentear um outro empreendedor, além de ter acesso à plataforma para acompanhar o dia a dia da empresa que adotou. O nome da cada pessoa que fizer a adoção irá aparecer na página dos doadores, além de receber um certificado” Fabio Fiorini.

O terceiro projeto que destaco reúne gente graúda e está sob o comando do César Souza, do Grupo Empreenda, e do Alexandro Barsi, da Verity Group. Com o Movimento #VamosVirarOJogo, eles estão reunindo empresários e gestores dispostos a compartilhar práticas e ideias capazes de ajudar as empresas a superarem os obstáculos impostos pela crise atual. Mais de 300 empresas já assumiram o compromisso de atuar no movimento:

“A frase “Há vida após o Covid-19” nos inspirou a estruturar o movimento. As lideranças empresariais devem compreender que virar o jogo passa, necessariamente, por assumir um verdadeiro compromisso, com muita inovação e criatividade para a reinvenção dos negócios, considerando oportunidades ainda não percebidas. Levando em conta o ecossistema de toda a cadeia de valor das empresas, é necessário que todos deem o melhor de si, com foco em soluções para o futuro e superando medos e angústias naturais em meio às turbulências que vivenciamos. Reinventar á a palavra de ordem”. César Souza.

Todas essas iniciativas nos revelam que existe gente interessada em espalhar o bem. Talvez sejam as mesmas pessoas que sempre atuaram assim, antes da pandemia se apresentar. E sejam as mesmas que continuarão acreditando nestas práticas após a crise passar.

 

A esperança que sempre deposito é que essas ações ao estenderem a ajuda a outras tantas pessoas façam dessas outras pessoas e de todos os que foram impactados, direta ou indiretamente, embaixadores do bem, criando um ciclo virtuoso. É a minha esperança; se esta vai se tornar realidade somente saberemos ao longo do tempo. Prefiro acreditar que sim. Fica mais fácil atravessar o drama que estamos assistindo neste momento.

Mundo Corporativo: como o coronavírus mudou o cotidiano de uma fábrica de carros e vai impactar o comportamento do consumidor

 

“Na volta ao trabalho, funcionários devem encontrar um ambiente que os proteja”, Antonio Filosa

Engenheiros de automóveis estudam manuais de respiradores e ventiladores respiratórios; projetistas e desenhistas de carros adaptam impressoras 3D para produzirem plástico shield usados em máscaras faciais. Essas são algumas mudanças que ocorreram na rotina de funcionários da Fiat Chrysler, aqui no Brasil, desde a paralisação das fábricas devido a pandemia do coronavírus.

 

De acordo com Antonio Filosa, presidente da FCA na América Latina, graças a disposição desses profissionais já foi possível entregar mais de 1.000 plásticos shield —- mais 1.000 estão para serem entregues nas próximas semanas. E foram recuperados cerca de 100 ventiladores e respiradores de um total de 256 que apresentavam defeitos e não podiam ser usados pelas equipes médicas. Duas salas especialmente preparadas para esses trabalhos foram montadas logo que os novos projetos foram apresentados pelos funcionários.

 

Em entrevista ao Mundo Corporativo da CBN, o executivo disse que a crise sanitária e econômica provocada pela pandemia levou a FCA a definir seu planejamento estratégico a partir de três pilares:

  • Solidariedade —- com a empresa expressando sua razão social através de projetos e ações, especialmente com as comunidades no entorno dos locais onde mantém suas fábricas;

 

  • Proteção das pessoas —- com investimento para implementar os dispositivos e processos de segurança sanitária nas fábricas, escritórios e ambientes da FCA;

 

  • Retomada inteligente — com estudo social e antropológico para entender o comportamento das pessoas, dos funcionários, dos parceiros de negócios e do consumidor nos pós-pandemia.

 

A paralisação das fábricas e a queda acentuada das vendas de automóveis fizeram a Fiat Chrysler rever os resultados previstos para suas operações no Brasil, em 2020. Se a expectativa nos dois primeiros meses do ano era de um crescimento de 8% até dezembro, agora o presidente da FCA calcula perdas de até 40%. Segundo ele, em março, a demanda foi 90% menor, e em abril, 80%, índice que deve se repetir quando as contas de maio fecharem. Soma-se a esse prejuízo, o impacto financeiro das mudanças que o fabricante está promovendo para retomar a produção em condições de segurança sanitária.

 

No calendário da FCA as fábricas começam a operar parcialmente no fim da segunda quinzena de maio, mas a estratégia de retomada ainda depende do ambiente externo nas áreas em que atua — ou seja, de identificar como está o controle da pandemia em cidades como Betim (MG) e Goiana (PE), onde têm duas de suas fábricas na América Latina. Internamente, todas as medidas teriam sido implementadas, segundo o executivo informou a partir de uma simulação de retorno realizada na semana passada.

“O retorno vai depender da conjunção desses fatores (internos e externos)”

Para aumentar a segurança, a FCA terá termômetros que medem e escaneiam a temperatura de todos os funcionários. Desenvolveu um aplicativo, instalado nos celulares dos colaboradores, para informação rápida e autoavaliação do estado de saúde. E duplicou a frota do transporte coletivo para permitir distanciamento entre os passageiros nos ônibus que levam os trabalhadores às fábricas.

 

Quanto ao estudo que analisa o comportamento pós-pandemia, Filosa diz que algumas mensagens são bem claras. Uma delas que parece óbvia é o fato de que a digitalização e a experiência digital serão cada vez mais presentes na vida das pessoas:

“Não apenas nos hábitos de pesquisa ou de consumo futuro, mas também dos nossos hábitos diários: os escritórios parecem agora uma entidade longe do nosso hábito, quando até 45 dias atrás fazia parte do nosso cotidiano”

Outra mensagem aparente é que o período forçado de isolamento mudou a forma de as pessoas se relacionarem com a própria casa que antes era o local de descanso, agora também é o de trabalho e de maior comunhão com a família. Percebe-se também a tendência de algumas pessoas trocarem o transporte público pelo individual, como forma de segurança. E de outras quererem se reconectar com alguns prazeres próprios — no que o automóvel pode ser um agente importante, segundo o executivo.

 

Com base na experiência de fábricas da FCA que retomaram a produção, como as da China, Antonio Filosa diz que a expectativa é que, depois desse prendo dramático, a volta ao trabalho deve ocorrer associada a sentimentos mais positivos, com valores mais puros, de solidariedade e união entre os colaboradores:

“Claramente não gostaríamos de ter passado por tudo isso; mas quando voltarmos, vamos voltar melhor e mais forte: com esses valores faremos a diferença”

O Mundo Corporativo vai ao ar aos sábados, às 8h10 da manhã, no Jornal da CBN e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Colaboraram com o programa Juliana Prado, Natasha Mazaro, Patrícia Gubioti e Adriano Bernardino.