Mundo Corporativo: compliance vivo depende dos líderes, diz Paulo Suzart

 

 

“A ideia é ser um agente de transformação institucional em que todos estarão falando a mesma língua, e que cumprirão as leis dos órgãos reguladores e as leis do nosso país e, também, aquelas normas, os códigos políticos e processos internos da instituição” — Paulo Suzart, especialista em compliance

 

A sequência de casos de corrupção envolvendo empresas e gestores e a consequência desses atos no destino dessas empresas e gestores têm preocupado as organizações  no Brasil como nunca antes ocorreu. Apesar de o tema que é internacionalmente conhecido por compliance já fazer parte do cotidiano das maiores empresas do mundo, tendo se iniciado nos Estados Unidos ainda no século passado, parece que apenas agora o assunto tem sido tratado com maior profundidade pelas corporações aqui no país. Sem dúvida, o fenômeno vem na esteira das investigações da Lava Jato e nas perdas incalculáveis causadas a algumas das empresas que eram consideradas gigantes nacionais. 

 

Diante dessa realidade, o programa Mundo Corporativo entrevistou Paulo Suzart, do escritório Hage, Navarro, Fonseca, Suzart & Prudêncio Consultoria em Compliance, para entender quais as principais ferramentas que vem sendo usadas pelas empresas para impedir irregularidades de toda ordem. Suzart falou sobre a importância do compliance officer — um profissional com a missão de garantir que todos os procedimentos realizados pelos funcionários estejam de acordo com os regulamentos internos e com as leis externas à empresa.

 

O consultor também alertou para a necessidade de os líderes estarem engajados na ideia para que a cultura do compliance seja implantada:

 

“O mais importante é: boa vontade da alta administração. Sem isso não vai ter um compliance vivo”

 

O Mundo Corporativo é apresentado, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, e pode ser assistido no site e nas páginas do Facebook e do Instagram da CBN. O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN, e tem a colaboração de Guilherme Dogo, Rafael Furugen e Débora Gonçalves.

A simbiose burocrática de Galbraith e a corrupção solta no Brasil

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Quando os holofotes persistem em mostrar as relações espúrias entre as grandes corporações públicas e privadas é impossível não se lembrar da obra de John Kenneth Galbraith. O economista que na década de 1960 alertou para o perigo da tecnoestrutura, na qual personagens tecnocráticas e políticas dos setores governamentais e privados agiriam pelos interesses próprios. A tecnoburocracia seria um sistema promíscuo e corrupto, designado como “simbiose burocrática”.

 

O acerto dessa previsão basta para recomendar a obra deste professor de Harvard e economista do presidente John F. Kennedy, com um invejável acervo de notáveis, tanto seguidores como críticos.

 

Milton Friedman, assim como Paulo Krugman, que o designava como um “economista da mídia”, eram adversários intelectuais.

 

O economista Paul Samuelsen rebateu-os:

 

“Galbraith será lembrado e lido quando a maioria de nós, laureados com o Prêmio Nobel, estiver enterrada em notas de rodapés nas estantes empoeiradas das bibliotecas”.

 

Samuelsen estava certo quanto a utilidade da obra de Galbraith, onde se destacam “A sociedade afluente” (1958), “O novo estado industrial“ (1967) e “A economia e o objetivo público” (1973).

 

Nos Estados Unidos, durante o governo Bush, a “simbiose burocrática” atingiu níveis históricos. Na administração Clinton a subordinação estatal às prioridades dos grandes grupos econômicos foi um fato.

 

O Brasil, então agora tido como campeão mundial da “simbiose”, dispensa apresentações. Apenas a ressaltar a atuação de Eduardo Suplicy, como intelectual e acadêmico da obra de Galbraith.

 

Articulista da Revista de Economia Política da FGV, como professor e Ph.D. em Economia pela Michigan State University, Suplicy citou inúmeras vezes a contribuição de Galbraith. Em dezembro de 2006, publicou um artigo em que relata:

 

No Brasil, a “simbiose burocrática” está presente em muitas áreas. Forma-se um quadro de crescente interação entre grupos privados e funcionários governamentais que acaba contaminando as políticas de governo e colocando-as a serviço de interesses especiais e particulares. Isso é um fato, um fenômeno da vida tanto das sociedades desenvolvidas como de países em desenvolvimento, como o nosso. Os quadros técnicos se movimentam das grandes empresas para o governo e vice-versa, configurando uma situação de captura das alavancas decisórias governamentais.

 

Pena que o ex-senador Suplicy, que já tinha assinado em 2005, aos prantos, pela CPI da corrupção do governo de seu partido, o PT, e, em 2009, deu cartão vermelho da tribuna do Senado a José Sarney, não tivesse levado o artigo acadêmico à ação e impedido a explosão de corrupção que assolava a nação.

 

Será um desmentido à epigrama de Bernard Shaw?

 

“Quem sabe faz, quem não sabe ensina?”

 

Ou afirmação à fala de Carlos Lacerda?

 

“Somos um povo honrado, governado por ladrões”

 

Honradez essa considerada discutível por Carlos Heitor Cony em seu artigo de domingo, na Folha de São Paulo.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

Mundo Corporativo – 15 anos: Pedro Parente, da Petrobras, fala de combate à corrupção e práticas de gestão

 

 

“Quem autoriza não paga, quem paga não controla”. A regra foi ouvida por Pedro Parente, atual presidente da Petrobras, na época em que fazia carreira no Banco do Brasil e, diz ele, tem pautado suas ações diante de um dos maiores desafios que já enfrentou na gestão pública: recuperar a imagem e as contas da estatal, após o “tsunami” que atingiu a empresa, alvo de uma série de casos de corrupção.

 

Parente foi entrevistado pelo jornalista Mílton Jung, no programa especial em comemoração aos 15 anos do Mundo Corporativo, da rádio CBN, apresentado ao vivo, na Livraria da Travessa, no Shopping Leblon, no Rio de Janeiro.

 

Aqui você assiste ao vídeo completo da entrevista na qual o executivo da maior estatal brasileira fala de sua experiência na área de gestão e de medidas que foram implantadas para conter ações de ilegalidade na empresa. Parente também comenta sobre o afastamento do diretor de Governança e Conformidade João Adalberto Elek que aguarda julgamento de recursos de um caso envolvendo possível conflito de interesse.

 

O Mundo Corporativo é apresentado, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, com transmissão pelo site e pela página da CBN no Facebook. O programa é reproduzido aos sábados no Jornal da CBN ou aos domingos, 11 da noite, em horário alternativo. Este programa teve a colaboração de Julio Lubianco, Juliana Causin, Rafael Furugen e Débora Gonçalves.

Charge do Jornal da CBN: propina em forma de lasanha

 

 

O depoimento do engenheiro Adir Assad sobre como operava o esquema de corrupção e o pagamento de propina em grandes empreiteiras é estarrecedor. Ele está preso na Lava Jato e contou detalhes do esquema bilionário ao juiz da 7a Vara Criminal Federal no Rio de Janeiro, Marcelo Bretas.

 

Calcula que tenha gerado R$ 1,7 bilhão em propina: “eu sozinho”. Dentre os esquemas usados, confessa que fechava contrato com as empreiteiras, que mantinham obras públicas, colocava um ou dois caminhões no canteiro de obra, levantava placa com o nome da empresa, registrava algumas imagens do seu pessoal trabalhando e depois levava tudo embora. Antes deixava uma nota fria que seria paga pelos empreiteiros: uma parte do dinheiro ficava com ele e a outra era devolvida às empresas.

 

A parte mais curiosa do depoimento é quando, Assad explica como o dinheiro era distribuído: em maletas que tinham uma camada de dinheiro, e uma de roupa, outras camada de dinheiro, e, às vezes, papel ou plástico, para separar as notas. Em cada mala cabiam cerca de R$ 150 mil em um formato que ele define como sendo de lasanha.

 

A propina em formato de lasanha inspirou a turma do Jornal da CBN a criar a charge eletrônica que encerrou o programa nesta quinta-feira.

Entrevista: Torquato Jardim diz que “não tem por finalidade demitir ou nomear quem quer que seja”, na Polícia Federal

 

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De poucas palavras, mas aceitando falar. Falou ontem em entrevista coletiva, falou à noite, no Jornal Nacional, e já havia falado para alguns jornais antes mesmo de assumir o ministério da Justiça. Hoje, Torquato Jardim falou ao Jornal da CBN. Manteve a mesma estratégia: dizer poucas palavras e questionar perguntas. Às vezes, até elogiá-las se for necessário, mesmo que isso possa soar como ironia (não que o seja).

 

Mesmo tendo falado tanto, até agora Torquato Jardim não havia convencido jornalistas – ao menos os jornalistas – que assumiria o Ministério da Justiça sem mexer na Polícia Federal e na Operação Lava Jato. Para esta, ele até havia reservado a expressão “blindada”; para aquela, porém, sempre deixara uma porta aberta às mudanças.

 

Hoje, no Jornal, seja por insistência, foi mais claro quanto a possibilidade de mudanças na Polícia Federal. Disse que a avaliação que pretende fazer “não tem por finalidade demitir ou nomear quem quer que seja na diretoria da Polícia Federal”. Quer mais: quer aprender com o chefe da instituição, delegado Leandro Daiello, com quem viajará no mesmo avião para Porto Alegre. Quando voltar do Sul espera ter “quase que um mestrado” de Polícia Federal, falou o ministro.

 

Sobre Michel Temer, atua como os advogados de defesa – não que seja esta a função que exercerá. Nega veementemente esta possibilidade. Prefere esperar o desenrolar das investigações e da perícia no áudio entre o presidente e o empresário Joesley Batista. Aliás, perguntei se a escolha dele para substituir Osmar Serraglio, no Ministério da Justiça, estava relacionada aos problemas que Temer enfrenta desde a delação: “não seria nenhuma motivação dessa natureza. É um reajuste administrativo de resultado e é só isso”

 

A entrevista completa, você acompanha aqui:

 

Entrevista: “Ou a Lava Jato vive dentro da lei ou está fora, vai perder, vai anular” , diz Luiz Flávio Gomes ao Jornal da CBN

 

 

A Lava Jato está na capa de mais um livro que chega às bancas. E este, literalmente, às bancas, pois a editora Astral Cultural distribui seus livros, de preferência, nas bancas de jornais da cidade, em lugar de deixá-los apenas nas livrarias. Nesse, em especial, a Lava Jato, que está no subtítulo, aparece com um complemento que explica boa parte do que pensa seu autor: “em favor da Lava Jato, dentro da lei”.

 

Dentro da lei, faz toda a diferença para o jurista Luiz Flávio Gomes que defende suas ideias no livro com a mesma contundência com que costuma se pronunciar em entrevistas, já que é fonte frequente nos programas de rádio e televisão. “Ou a Lava Jato vive dentro da lei ou está fora, vai perder, vai anular” disse durante a conversa que eu e Cássia Godoy tivemos com ele no estúdio do Jornal da CBN.

 

Um dos pontos considerados questionáveis pelo jurista é a forma como a condução coercitiva está sendo usada pela força-tarefa da Operação Lava Jato. Ele lembra que o STF está prestes a tomar decisão sobre o assunto e, conforme, a posição dos ministros, uma parte da investigação pode sofrer prejuízos. Gomes entende que o rigor a lei é necessário pois “diante dos poderosos no poder, qualquer deslize pode ser prejudicial”. Ele teme que por atingir políticos e empresários relevantes no país, os questionamentos a decisões aumentem e sirvam para desmantelar a Operação.

 

Para que não fique dúvidas sobre o que pensa, Gomes enfatiza que “estamos diante de uma cleptocracia, de um governo de ladrões”. E “a eliminação de corruptos tem que ser implacável. Só assim vamos abrir espaço para a reconstrução de um Brasil saudável, mais justo e menos desigual”.

 

 

Em “O Jogo Sujo da Corrupção – pela implosão do sistema político-empresarial perverso. Em favor da Lava Jato, dentro da lei, e pela reconstrução do Brasil” , o autor também reforça a importância do papel do cidadão brasileiro que deve varrer os políticos comprovadamente corruptos que não forem abatidos pela Operação através do que chama de “voto faxina da cidadania ativa”, respeitando a democracia e suas instituições.

Charge do @jornaldacbn: e depois da Lava Jato, relaxa e goza!

 

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O rosto ele tentou esconder com uma pasta quando apareceu para fazer a delação premiada. Na premiação, porém, não teve receio em declarar o que pretende fazer depois de ser descoberto como o diretor do departamento de propina da Odebrecht.

 

O ex-executivo da empreiteira Hilberto Mascarenhas disse que quer ‘curtir a vida’ quando tirar a tornozeleira eletrônica que o acompanha desde que foi flagrado no comando do departamento de falcatruas da empresa.

 

Na deleção, ele também confessou que para esconder provas, jogou o computador no mar, em Miami. A fala dele, você ouve aqui; agora se quiser, curtir a charge eletrônica do Jornal da CBN, clique aí embaixo:

 

Entrevista: o Brasil precisa de um código eleitoral novo diz ministro do TSE

 

 

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O escândalo que as delações dos executivos da Odebrecht tem provocado revela a necessidade de se rever as regras eleitorais e criar sistemas de fiscalização que impeçam ilegalidades a ponto de desequilibrar a disputa entre partidos e políticos.

 

 

No Jornal da CBN, desta quinta-feira, ainda sob o impacto dos vídeos em que corruptores contam de forma detalhada – e até natural – como financiaram as campanhas eleitorais de maneira irregular e pagaram propina em busca de vantagens na concorrência de obras públicas, entrevistei o ministro do TSE Henrique Neves, que deixará o cargo no domingo, ao fim de oito anos de mandato.

 

 

Neves foi cauteloso nas palavras ao analisar as denúncias que vieram à tona, e prefere esperar o andamento das investigações antes de apontar culpados pelas ilegalidades anunciadas.

 

 

O ministro, porém, defendeu a ideia de mudanças nas regras eleitorais: “o ideal seria fazer um código eleitoral novo, porque a legislação é de 1965, baseada na Constituição de 1948”, disse o ministro. Ele lembra que a última lei das eleições foi de 1977 e de lá pra vá foram 10 eleições e 11 modificações.

 

 

Ouça a entrevista completa:

 

Charge do @jornaldacbn: “Eu tô na lista!”

 

 

Oito ministros, três governadores, 24 senadores e 37 deputados federais — ao todo, 97 políticos com foro privilegiado no Supremo Tribunal Federal serão investigados na Operação Lava Jato após determinação do ministro Edson Fachin, relator do caso na Corte. É tanta gente que até já inspirou a criatividade do brasileiro.  O Jornal da CBN encerrou a edição desta quarta-feira (12/04) com um novo “hit musical”: o Forró da Lista.

Entrevista: “a emenda pode ficar pior que o soneto” diz Fernando Henrique Cardoso sobre cassação da chapa Dilma-Temer

 

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Fernando Henrique em foto de Wilson Dias/Ag Brasil, no site da CBN

 

A criação de  cláusula de barreiras e a proibição das coligações são duas das medidas que precisam ser aprovadas já para a próxima eleição, antes de se pensar em mudar o sistema eleitoral para “listas fechadas”. A opinião é do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em entrevista ao Jornal da CBN, na qual também falou sobre combate a corrupção, o futuro do presidente Michel Temer e a sucessão presidencial no PSDB.

 

Em relação as denúncias da Operação Lava Jato e o envolvimento de políticos de diferentes partidos, inclusive o PSDB, FHC disse que, assim como ele transformou a economia brasileira com a criação do Plano Real, precisamos de um Plano Moral que mude o comportamento da política no País: “está mais do que na hora”.

 

Sobre o julgamento da chapa Dilma-Temer, que se inicia nessa terça-feia (dia 4/4), no TSE,em ação impetrada pelo PSDB, em dezembro de 2014, FHC disse que a “emenda pode ser pior do que o soneto”. Para ele, a cassação de Michel Temer é um risco para o Brasil, mas explica que nada mais pode ser feito: a decisão agora é só da Justiça. Fernando Henrique diz que pelas informações que foram vazadas das delações premiadas, que fazem parte do processo no TSE, os delatores não teriam incriminado Temer.

 

Ele também comentou as críticas que vem recebendo devido a histórias publicadas no terceiro livro da série Diários da Presidência, nos quais descreve “anotações” gravadas durante seus dois mandatos. Neste volume, as histórias se referem ao período de 1999-2000 quando seu governo enfrentou forte crise cambial com repercussões políticas.

 

Na época, FHC teve de encarar, também, a reação do então governador de Minas Itamar Franco que ameaçou não pagar US$ 108 milhões da dívida externa do Estado, o que reforçou a crise de confiança em relação a economia brasileira. No livro, Fernando Henrique revela seu descontentamento com o governador mineiro e diz que serviu de  “ama seca” dele na época em que Itamar foi presidente da República. Escreveu, ainda, que Itamar jamais entendeu o Plano Real.

 

Semana passada, amigos do ex-presidente saíram de Itamar Franco, já falecido, e consideraram as anotações de FHC desrespeitosas com a imagem do político mineiro.

 

A entrevista completa de Fernando Henrique Cardoso você acompanha a seguir: