Sociedade no combate a corrupção

 

Há pouco mais de uma semana para as comemorações do Dia da Independência, em 7 de setembro, crescem os movimentos de combate a corrupção organizados pela sociedade. Boa parte destas ações explora as redes sociais com o objetivo de reunir pessoas interessadas em reclamar dos desvios de dinheiro público. Existem vários grupos em especial no Facebook, é possível encontrar blogs e sites, também, que convidam para eventos com o mesmo objetivos.

O primeiro movimento a ganhar espaço no noticiário foi o Todos Juntos Contra a Corrupção, no dia 20 de setembro, na Cinelândia, do Rio, que se iniciou com um rasgo de indignação de uma cidadã, e foi motivo de comentário no Liberdade de Expressão, do Jornal da CBN (ouça aqui, o que disseram a Vivi, o Xexeo e o Cony). Em seguida, , recebi mensagem da ouvinte-internauta Carla Zambelli alertando para o grupo “Manifesto público contra corrupção”, formado no Facebook, e não foi preciso ir muito a fundo para logo descobrir outras iniciativas semelhantes.

Corrupção/Muda from brasil+ético on Vimeo.

O anúncio que ilustra este post, encontrado no Blog Brasil+Ético, apesar de não se saber qual a fonte de criação, revela de forma clara como a sociedade se porta diante do tema. Da mesma forma que grita contra o desrespeito de políticos e agentes públicos, quando tem seus interesses atingidos busca facilidades na mesma moeda. Vale a pena refletir sobre este comportamento e, se de interesse for, se engajar em um dos movimentos a seguir. Caso você tenha outros movimentos semelhantes registre na área de comentários para darmos publicidade à ação.

CARAS PINTADAS CONTRA A CORRUPÇÃO
SÃO PAULO / 07 de Setembro 9:00 – 14:00
Avenida Paulista- MASP

PORTO ALEGRE // 07 de Setembro 10:00 – 14:00
Passeata da Av. Loureiro da Silva, até o Brique da Redenção

RIO DE JANEIRO //  07 de Setembro 9:00 – 23:30
Av. Rio Branco ( EM FRENTE A CÂMARA DOS VEREADORES)

BELO HORIZONTE // 07 de Setembro 9:00 – 14:00hs
Praça da Liberdade

BELÉM  // 07 de Setembro
Atrás do último pelotão do desfile oficial

SÃO JOSÉ DOS CAMPOS/SP // 07 de Setembro 9horas
Saída Vicentino Aranha

MARCHA CONTRA A CORRUPÇÃO – BRASÍLIA
MUSEU DA REPÚBLICA // 07 de Setembro 10:00 – 14:00

#NASRUAS – MANIFESTO PÚBLICO CONTRA A CORRUPÇÃO NACIONAL
Por todo o Brasil  // 07 de Setembro  13:00 – 08 de Setembro , 17:00
Cidades e locais confirmar no endereço do movimento
Bauru: Vitória-Régia
Belo Horizonte – Praça da Liberdade até a Praça 7
Brasília: Congresso Nacional
Balneário Camburiu: Praça Tamandaré
Campinas: Em frente a prefeitura
Campo Grande – Praça Ari Coelho
Cuiabá: Praça das Bandeiras
Itu: da Praça Souza até a Praça Guanabara (em frente a receita federal)
Jaragua do Sul: Praça Angelo Piazera
Joinville: Em Frente ao Shopping Muller
Mairiporã: Praça da antiga Rodoviária
Manaus: Mesmo trajeto da Marcha da Liberdade
Porto Alegre: Monumento aos Açorianos, na Avenida Loureiro da Silva
Recife – Praça Rio Branco (Marco Zero)
Salvador – Em frente a câmara dos vereadores (antiga prefeitura)
Santo André: Praça IV Centenário
São Carlos: (cidade universitária -UFSCar, USP, UNICEP) Praça Coronel Salles
Uberlândia: Praça Tubal Vilela
Vitória: Avenida Getúlio Vargas

REAÇÃO CONTRA CORRUPÇÃO – O BRASIL DE LUTO
Por todo o Brasil  // 07 de Setembro  7:30  – 08 de Setembro , 17:30

TODOS JUNTOS CONTRA A CORRUPÇÃO – RIO DE JANEIRO
Cinelândia // 20 de Setembro · 18:30 – 20:00
https://www.facebook.com/event.php?eid=130744290352035

DESFILE DA ESCOLA DE SAMBA  – “UNIDOS CONTRA A CORRUPÇÃO”
SÃO PAULO / 07 de Setembro 14:00 a 19h
Avenida Paulista- MASP

DIA DO BASTA (CONTRA A CORRUPÇÃO)
RIO DE JANEIRO  //  07 de Setembro 14:00 a 19h
Praça da Cinelandia

RECIFE // 07 de Setembro 13:00 a 16h
Marco Zero

SÃO PAULO / 07 de Setembro 14:00 – 17:00
Avenida Paulista- MASP

PASSEATA:  CORRUPÇÃO, BASTA!
Campinas (Sao Paulo)  //  do Centro de Convivência até a Praça Arautos da Paz

MANIFESTO CONTRA A CORRUPÇÃO NO BRASIL (ANON REUNION BRASIL)
Por todo Brasil  //  07 de Setembro 13:00 a 15h
Grupos fechados organizados por Estados e Cidades (melhor consultar site)

CARREATA “BRASIL VERDE E AMARELO”
Por todo Brasil  //  07 de Setembro 13:00 a 15h

Jânio, Dilma, corrupção e impostos

 

Por Carlos Magno Gibrail

Neste cinquentenário da renúncia de Jânio Quadros, eleito para “varrer” a corrupção, mas não cumprindo o prometido, assistimos à Dilma iniciando inédita varredura. Esperamos que os punidos do PR e do PMDB ajam com sensatez e não obstruam os trabalhos legislativos. Caminho que não beneficiará ninguém, nem mesmo aos do “lixo”. Mesmo porque a presidenta depois de Erenice e Palocci está mais rápida no gatilho.

De outro lado, continua surpreendendo. Beneficia o setor produtivo ao desonerar a folha de pagamento das empresas. É o sábio, mas árido princípio do abaixar os impostos para aumentar a arrecadação.
Além disso, inicia um justo processo de diferenciar as pequenas empresas na tributação. A Itália, exemplo padrão de país que deve grande parte da pujança econômica à legislação favorável à pequena empresa, apresenta dados convidativos para que os países entrem neste sistema. Inventado pelos alemães, e que também o pratica com eficiência.

“Pensem primeiro nos pequenos. Quando pensamos primeiro nos pequenos, pensamos num mundo em que várias pessoas têm oportunidade”, justificou Dilma Rousseff ao preconizar o acordo à Frente Parlamentar Mista das Micro e Pequenas Empresas. O acordo atualiza a Lei Geral da Micro e Pequena Empresa, evitando o congelamento e estimulando a entrada de novas empresas.

A correção dos limites de enquadramento no Simples e na classificação de micro empreendedor individual deverá beneficiar 3,9 milhões de empresas e 1,4 milhões de empreendedores individuais. Para faturamento de até R$ 360mil anual, imposto de 4%, para até R$ 1,8milhão, imposto de 9,12%, para até R$ 3,6milhão, imposto de 11,6%. Até R$ 60mil ficará como micro empreendedor individual.
Estas mudanças trarão de imediato R$ 4,84bilhões de queda de recolhimento de impostos, entretanto conforme a previsão de Mantega haverá no futuro expansão dos negócios que compensarão esta diminuição de arrecadação.

“Não queremos diminuir a importância dos demais segmentos; queremos é ter um novo olhar para os menores” – Dilma Rousseff ao finalizar o encaminhamento da proposta a ser implantada em 2012.
Para um observador descomprometido partidariamente e sem fanatismo, são medidas excepcionais, que deveriam receber da mídia em geral o mesmo espaço e apoio que as denúncias de corrupção tem tido.

Oposicionistas atentos como o Estadão tem editorialmente aplaudido tanto as punições quanto as novas regras relativas às empresas. Arnaldo Jabor ontem pela manhã no programa do Milton Jung pela CBN elogiou as ações da presidenta Dilma, ao mesmo tempo em que chamou atenção ao movimento positivo encabeçado por Pedro Simon, Clistovão Buarque e Jarbas Vasconcelos, propondo a criação de uma bancada de apoio à limpeza. E, não tem dúvida que a oposição é “burra” ao propor uma CPI, que irá tumultuar, favorecendo apenas a turma expelida.

Por Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve, às quintas-feiras, no Blog do Mílton Jung

Limpeza ética começa no voto

 

O discurso de um grupo de senadores em favor do combate à corrupção acendeu a esperança de alguns setores de que é possível estancar o desvio de dinheiro público. A reação não surpreende em um país que costuma seguir sempre o mesmo roteiro em momentos como esse quando uma série de irregularidades surge no noticiário: denuncia-se, afasta-se, promete-se, indigna-se, e se esquece, para algum tempo depois cumprirmos novamente o mesmo circuito sem fim. Ninguém é efetivamente punido, menos ainda o dinheiro retorna. Este cenário me levou a comentar, hoje, no bate-papo com a Ceci Mello, no CBN Primeiras Notícias, de que estava na hora de alguém pensar “fora da caixinha”.

Logo após minha fala, recebi mensagem do deputado federal do PSOL-RJ Chico Alencar ressaltando que há quem queira agir “fora da caixinha”. E ele se coloca nesta lista. O roteiro que ele propõe:

Votação de pacote de projetos que garantam transparência nos negócios públicos e rigor contra autores das irregularidades.
. CPI Mista da Corrupção
. Ação rápida e eficiente de órgãos de controle e investigação, como CGU, MP e PF
. Responsabilizar parlamentares quanto às suas emendas individuais ao Orçamento
. Mobilização da cidadania pela limpeza ética

Na mesma mensagem, o deputado informa que apesar de algumas dessas iniciativas terem sido tomadas os resultados foram restritos. Por exemplo, as CPIs não saem por falta de apoio da base aliada e o presidente da Câmara Marco Maia (PT) não mostrou interesse em discutir os projetos anticorrupção.

Para mim, estas mudanças somente ocorrerão quando a sociedade estiver convencida de que o seu voto é o primeiro passo para combater a corrupção. Valorizar a escolha do seu representante (ler, pensar e julgar – como proposto em post abaixo) passa a ser fundamental para a melhora do parlamento e a verdadeira limpeza ética

Pressão para aprovar Ficha Limpa antes da eleição 2010

 

Por Francisco Whitaker

Adote um VereadorEntregue à Câmara dos Deputados em 29 de setembro de 2009, com 1.300.000 assinaturas, o Projeto de Iniciativa Popular conhecido como da Ficha Limpa começa agora a efetivamente tramitar, com relativa celeridade.

Imediatamente depois de apresentado, ele foi subscrito por 32 parlamentares, para que sua tramitação pudesse ser iniciada. As primeiras reações indicavam que haveria muita resistência. Não se conseguiu que o Colégio de Líderes o incluísse na pauta antes do recesso parlamentar.

Retomados os trabalhos em fevereiro isso se tornou possível, por força da pressão da sociedade. O Presidente Michel Temer criou um Grupo de Trabalho especial – menos formal e menos burocrático que uma Comissão – com prazo até o dia 17 de março para terminar seus trabalhos. Sua missão era a de analisar o projeto da Ficha Limpa juntamente com outros 10 projetos sobre o mesmo tema, todos apensados ao projeto 16863, com vistas à eventual elaboração de um substitutivo a ser apresentado ao Plenário da Câmara.

No dia seguinte ao de sua criação (18 de fevereiro), esse Grupo fez sua primeira reunião. Decidiu-se então convocar para o dia 24 uma Audiência Publica para ouvir a sociedade civil, autora do projeto.
A Audiência foi longa e produtiva, conseguindo-se um bom diálogo entre parlamentares e os representantes das entidades do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral – MCCE ali presentes. Os ventos pareciam estar mudando de direção. Durante a Audiência foram entregues mais 70.000 assinaturas, chegando-se agora a um total de 1.577.523 assinaturas.

No dia seguinte, na 2ª reunião do Grupo de Trabalho, os parlamentares começaram a discutir o projeto e o relator propôs que até o dia 3 de março eles lhe encaminhassem suas propostas de mudança. Decidiu-se também nessa reunião convidar, para debater o projeto, o Presidente do TSE, o Presidente do STF e o Procurador Geral da Republica. Decidiu-se ainda que atos de apoio ao projeto que fossem realizados nas capitais teriam a presença de membros do Grupo de Trabalho. Ficou também acertada uma nova Audiência Publica com a sociedade civil no dia 16 de março.

A equipe do MCCE encarregada de acompanhar a tramitação do projeto fez uma análise das sugestões da Audiência e dos 10 outros projetos apensados e elaborou uma proposta de redação, que aprimora o texto e garante que não seja desvirtuado o projeto original.

Ainda há fortes resistências mas se intensificarmos nossa pressão poderemos ver esse projeto aprovado neste semestre.

Torna-se importante:

– Realizar atos públicos nos Estados na primeira quinzena de março (preferivelmente nas 2as ou 6as feiras, para facilitar a presença de parlamentares). É conveniente avisar a data ao presidente do Grupo de Trabalho (Deputado Martini) para que ele possa mobilizar os deputados interessados. (0xx61 3215.5758 ou à assessoria do Grupo de Trabalho: terezinha.donati@camara.gov.br).
– Continuar a pressão (por e.mails e contatos pessoais) sobre os deputados de cada estado.
– Estimular a presença de quem morar ou estiver em Brasília na Audiência Pública do dia 16 de março.


Francisco Whitaker é da Comissão Brasileira Justiça e Paz, da CNBB, e do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral

Cuecas e mudanças eleitorais

 

Por Antônio Augusto Mayer dos Santos

Dinheiro em cuecas, nas meias. Os acusados, previsivelmente medíocres e disléxicos, se valendo de um português sofrível, processam suas habituais negativas estúpidas, em nítido deboche da inteligência das pessoas. Impeachment? Depende de política, de relação maioria x minoria. Pode se consumar? Depende de maioria x minoria. Maioria x minoria? Depende da maioria.
Conviria lembrar que essa vergonhosa cronologia de escândalos que assola o país foi antecedida de episódios que, embora afastados no tempo, não podem ser relegados.

Sem compromisso com rigores cronológicos, vale localizar aquele que se converteu num clássico: o caso dos deputados pianistas, flagrados por fotógrafos em 13 de junho de 1985 quando votavam por seus colegas de Plenário. Depois vieram todos aqueles das décadas de 80, 90 e os anos do terceiro milênio. O episódio do Mensalão deveria se constituir num ponto de inflexão para determinar novas posturas. Contudo, isso não aconteceu, vez que os casos de corrupção seguem espoucando por todo o país.

Ante tais antecedentes, o episódio do Distrito Federal foi apenas mais um na contabilidade. Eliminar a corrupção é tarefa impossível. Todavia, qualificar parlamentos e Governos é possível. Como? Votando melhor, com mais lucidez e menos tolerância aos despreparados e oportunistas.

A cada eleição, especialmente em vista da próxima, para o Congresso Nacional, esta possibilidade efetivamente se renova. Afinal, “Infelizmente, vivenciamos tempos muito estranhos, em que se tornou lugar-comum falar dos descalabros que, envolvendo a vida pública, infiltraram na população brasileira – composta, na maior parte, de gente ordeira e honesta – um misto de revolta, desprezo e até mesmo repugnância. São tantas e tão deslavadas as mentiras, tão grosseiras as justificativas, tão grande a falta de escrúpulos que já não se pode cogitar somente de uma crise de valores, senão de um fosso moral e ético que parece dividir o País em dois segmentos estanques – o da corrupção, seduzido pelo projeto de alcançar o poder de uma forma ilimitada e duradoura, e o da grande massa comandada que, apesar do mau exemplo, esforça-se para sobreviver e progredir”, já dizia o Ministro Marco Aurélio em discurso de posse no TSE.

Como se vive num país constitucionalmente organizado, somente por meio de alterações constitucionais e legais é que se poderá vislumbrar a modificação deste sistema que tolera abusos e acintosas prerrogativas a políticos irresponsáveis e imaturos, alguns verdadeiros psicopatas e delinqüentes.

Sugestões? Tenho várias.

As 10 primeiras:

Eliminação da reeleição para todos os mandatos executivos (Presidente, Governadores, Prefeitos e seus vices);
Limitação dos mandatos parlamentares a apenas 3 legislaturas;
Redução drástica das publicidades institucionais dos Poderes Públicos, verdadeiros gastos de dinheiro público em pedagogias inúteis;
Diminuição da Câmara dos Deputados (a PEC 280/08, sob convincente Justificação, reduz a atual composição de 513 para 250 parlamentares, ou seja, praticamente à metade);
Eliminação do Senado Federal e aproveitamento de sua estrutura e servidores para outras finalidades prementes;
Conversão das milhagens aéreas dos parlamentares num fundo de passagens do Congresso Nacional, disponível via controle pela internet e sob relatórios mensais ao TCU;
Introdução de um critério estabelecendo o exame da vida pregressa para as candidaturas, em todos os níveis;
Eliminação do Fundo Partidário gerenciado pelo TSE a partir do Tesouro Nacional (mais de 1 bilhão de Reais foram repassados aos partidos políticos nos últimos 13 anos);
Introdução de um mecanismo constitucional e outro na Lei das Eleições permitindo a investigação e condenação de infratores por práticas de doações e financiamentos ilícitos e criminosos de campanhas eleitorais a partir do momento da descoberta do fato e não apenas nos 15 dias após a diplomação, como vigora hoje;
Regulamentação e profissionalização dos lobbies.

Isto para começar.

Antônio Augusto Mayer dos Santos é advogado especialista em direito eleitoral e autor do livro “Reforma Política – inércia e controvérsias” (Editora Age). Às segundas, escreve no Blog do Mílton Jung dando publicidade as regras do jogo político.

Cassação de governadores não comove eleitores

 

Por Antônio Augusto Mayer dos Santos 

Um pedido de vista – o Ministro pediu o processo para examinar o seu conteúdo para depois votar – interrompeu o julgamento do governador de Rondônia, Ivo Cassol, no TSE. O placar está empatado em um a um. Corre o risco de ser cassado pois a decisão no TRE local foi unânime em cassá-lo. Está no cargo porque obteve uma Medida Liminar (provisória) do mesmo TSE, que entende prudente evitar o rodízio e o trauma das substituições.

Meses antes, o Tribunal havia confirmado a cassação dos mandatos do governador e do vice-governador da Paraíba por abuso de poder econômico e político e prática de conduta vedada nas eleições de 2006.  O TSE, tal e qual como já fizera o Tribunal Regional Eleitoral daquele Estado, reconheceu a utilização viciada e espúria de programa social para distribuir recursos públicos mediante a entrega de cheques a determinadas pessoas, eleitores, visando à obtenção de benefícios eleitorais. Diante da ausência de previsão legal e orçamentária para distribuição daqueles recursos e da ausência de critérios objetivos tais como estudos sociais, perfil do beneficiado, comprovação de carência, etc para escolha e concessão de benefícios, aquele Tribunal declarou o uso promocional do programa social. 

Um detalhe decisivo para a cassação: o próprio governador distribuía os cheques e atendia pessoalmente a eleitores em diversos municípios do Estado. Depois, numa prática nauseante, o Governo por ele chefiado, em nome do contribuinte, claro, enviava foto do governador junto com os cheques distribuídos. Para arrematar, às vésperas do pleito, ocorreu uma elevação dos gastos com o “programa”.

Embora afastado do cargo, Cunha Lima lidera com folga absoluta as pesquisas para o Senado Federal, a ser disputado em 2010.  

No início de março, o mesmo TSE cassou os mandatos do governador e do vice-governador do Maranhão por abuso de poder político, eis que suas campanhas eleitorais haviam sido drenadas por práticas não menos medonhas pelo governador da época. No julgamento, o Tribunal registrou a ocorrência da assinatura de convênios públicos do Estado em comícios do candidato Jackson Lago. Cassado e afastado, Lago provavelmente será candidato a Governador novamente em 2010, dizem os sites maranhenses.

Tanto o sucessor de Cunha Lima quanto de Lago respondem em processos junto aos seus TREs e TSE por motivos bastante semelhantes: abusos nas eleições de 2006.

Sabe-se que um expressivo contingente de candidatos disputa eleições desenvolvendo campanhas limpas e pregando propostas sem a interferência do abuso de poder econômico, político ou de autoridade. Todavia, não se pode ignorar que o discurso piegas de conotação sebastianista tem se mostrado deveras eficaz a ponto de vitaminar aristocracias estaduais, especialmente diante do horário gratuito de rádio e televisão proporcionado pela legislação, que a tudo distorce. 

A eficácia da relação paroquial e clientelista é indiscutível, sobretudo junto àqueles colégios eleitorais que apresentam altos índices de analfabetismo, baixa renda e desemprego.

Tal contexto, num país onde muitas campanhas eleitorais são drenadas pela corrupção e oportunismo entre o público e o privado, torna impossível divinizar a cidadania e transformar a representação popular em algo intocável ou insuscetível de questionamento judicial. Logo, cassar mandatos obtidos de forma espúria, indevida e sob o rompimento da legalidade, é uma valorização da Democracia.

Adiante, no início de novembro, o STF, confirmando decisão do TSE, cassou o mandato do Senador Expedido Júnior por corrupção eleitoral (cassado em Rondônia neste mesmo processo que o Governador Ivo Cassol responde). Porém, o Senador que assumiu a sua cadeira responde a vários processos, sendo que num deles, criminal, foi condenado à pena de prisão. Mais? Seu primeiro suplente no Senado é o seu pai. Mais um registro de nepotismo na Suplência.

Retomando, cabe uma pergunta: quem será que lidera as pesquisas para o Governo Estadual de Rondônia em 2010? O mesmo ex-Senador cassado!

Caso DF: juridicamente, há possibilidade de Impeachment, eis que os fatos, segundo as informações e gravações denunciantes, envolvem atos de gestão pública.

Estes processos, assim como mais meia dúzia de similares envolvendo outros Governadores que aguardam pauta no TSE, evidenciam que a reeleição para o Poder Executivo não deu certo no Brasil É necessário repensar o seu formato atual, que facilita a recondução do titular por conta da verdadeira confusão que se estabelece entre o gestor-candidato, um verdadeiro palanque ambulante.

O eleitor destes colégios eleitorais é, sem dúvida, partícipe direto deste circo de horrores. Aliás, a responsabilidade é parelha tanto dele como dos eleitos, vez que o candidato concorre porque sabe – e usufrui – desta relação neurótica. Afinal, todos os demandados na Justiça Eleitoral nestes processos foram eleitos ou reeleitos.

Por outra, cassar governadores que foram eleitos de forma ilícita não significa uma interferência de um poder no outro, tampouco rompimento da representação popular e muito menos vulneração da cidadania. Trata-se de uma restauração compulsória da normalidade, da ordem e até mesmo da higiene. 

Contudo, de tudo isso, também é possível se concluir que as cassações judiciais, se a um ângulo determinam o encerramento dos mandatos obtidos de forma espúria, a outro, não comovem os eleitores, visto que estes, sob a forma de desagravo, reconduzem cassados a relevantes cargos públicos.

Antônio Augusto Mayer dos Santos é advogado em direito eleitoral e escreve às segundas-feiras no Blog do Mílton Jung.

Arruda, o mentiroso do Senado, não aprendeu a lição

 

José Roberto ArrudaApontado como o chefe de um esquema de corrupção no Governo do Distrito Federal, o governador José Roberto Arruda (DEM) já foi protagonista de uma das cenas mais constrangedoras no Senado. Em 2001, líder do governo FHC, esteve envolvido na fraude do painel eletrônico durante a votação que cassou o então senador Luiz Estevão, e teve de renunciar ao cargo, assim como seu parceiro de falcatrua, o falecido senador Antônio Carlos Magalhães, na época no PFL.

A votação era secreta, mas uma lista com o voto dos senadores estava em poder de ACM que a usava para constranger seus pares. Arruda acusado de ter participado da violação do painel foi a tribuna negar que tivesse visto a lista, mas no dia seguinte uma funcionária da casa, Regina Borges, ex-diretora da Secretaria Especial de Informática do Senado, confirmou o esquema.

Para relembrar os históricos discursos de Arruda no caso da violação do painel eletrônico publico aqui edição do áudio com a voz do então senador na tribuna. Na primeira parte ele nega a informação da funcionária de que havia visto a lista, na segunda, pego na mentira, volta atrás.

Relembre os discursos de José Roberto Arruda, em 2001, nesta edição e sonorização de Paschoal Júnior

Desde aquela época, Arruda tenta reconstruir sua carreira. Retornou ao Congresso Nacional como deputado federal, em 2002, para quatro anos depois se eleger governador do Distrito Federal. Do seu governo, se tenta passar imagem do político moderno; ele vinha sendo apontado pelos colegas de DEM como a nova cara do partido.

No início deste mês, em entrevista ao jornalista Kennedy Alencar, da Folha de São Paulo, no programa É Notícia, da Rede TV!, José Roberto Arruda falou sobre o episódio e explicou que o que o fez mentir foi “ser igual a todos os políticos brasileiro”.

Não aprendeu a lição.

De problemas da cidade

 

Por Maria Lucia Solla

Ouça “De problemas na cidade” na voz da autora

Olá

Com certeza, isto não é novidade.
O vai-e-vem é frenético, nas ruas da cidade.
O mais forte acotovela, e o não tão forte, acotovelado, resmunga injuriado.

Diversidade surpreende no meio da multidão.
Circula, pelas vias, gente das mais diversas etnias.
Ouvem-se gritos de vizinhos que brigam, e passos de transeuntes que nem ligam.
Os sons, que sem pedir licença penetram os ouvidos, são tecidos por murmúrios de amor, aqui, e por gemidos de dor, ali.

Livres, circulam, por todo lado, o perfume da dama e o odor nauseabundo da lama,
enquanto a pobreza caminha assim, pari passu com a riqueza.

Veem-se prédios de apartamento, de construção interessante,
mas alguns deles, irregulares, são feitos sem cuidado bastante.

Leis são promulgadas para serem seguidas por todos, sem exceção,
mas fica evidente, ao olhar inteligente, que isso não é bem assim,
em tempos de corrupção.

Veem-se, ao longo da caminhada, construções erguidas no terreno da irregularidade,
criando um desenho estranho, no corpo da cidade.

Novos ricos, exercitam a vaidade, babando por mais poder,
enquanto políticos, exercitam a ganância,
babando por dinheiro e cada vez maior abundância.

Nos becos mal-iluminados, mata-se por um anel,
enquanto nos gabinetes bem-frequentados,
se a gente não se cuida, se lhes tira o couro e, se bobear, levam-lhe também o chapéu.

No quesito moradia, a situação é covardia;
paga-se o olho da cara e, se bobear acaba-se na sarjeta, levada pela carestia.

Feriados abundam no calendário local. Num deles o povo perde a fronteira.
Escravos se tornam reis e rainhas, e se comete muita besteira.

Se você se questiona: “sobre que cidade ela fala?”
Eu garanto, se você acertar antes de ler o final, ganha de mim uma bala

Veja as queixas da população e me diga se há aqui algo de anormal

Queixam-se do tráfego, do ruído e do caos exagerado
do tempo necessário para o deslocamento e da sujeira por todo lado
Dos preços exagerados, da invasão de imigrantes e, principalmente, daquela dos meliantes.

Não me refiro a São Paulo, nem ao Rio ou Piratininga,
Falo de Roma, meu amigo, falo da Roma Antiga.

Ah, é preciso acrescentar que não deduzo ou imagino.
Não me refiro ao brasileiro e nem ao povo americano.
Estas são queixas comprovadas pela história, nos tempos do Imperador Trajano.

Há dezenove séculos, era o que acontecia.
E você, o que quer, o que queria?
O tempo não resolve nada sozinho;
o que é mesmo preciso é que o homem resolva assumir que é Homem, e deixar de ser homenzinho.

Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.

Maria Lucia Solla é terapeuta e professora de língua estrangeira, aos domingos descreve no Blog do Mílton Jung o mundo sem eira nem beira

‘Adote um vereador’ contra corrupção em Nova Jersey

“A corrupção é um câncer que está destruindo os valores fundamentais do Estado” – Ed Kahrer, FBI

A tese nos é familiar, mas se refere a ação da polícia federal americana, nesta quinta-feira no estado de Nova Jersey. Foram presas 44 pessoas dentre elas prefeitos de Hoboken, Ridgefield and Secaucus.  Dois legisladores e vários rabinos também tiveram seus nomes envolvidos em caso de corrupção e venda de órgãos. O negócio preferido deles era regatear rins.

Fui surpreendido no meio de minhas férias com esta informação que caiu na internet de algo que ocorria tão próximo de onde estou nesta semana. Antes, porém, de qualquer maledicência, principalmente daqueles colegas de trabalho que costumam acordar muito cedo na rádio CBN, a cidade de Ridgefield, envolvida nesta história, é homônima da que me encontro nesta semana. Esta é do estado de Connecticut, aquela de Nova Jersey.

Mesmo para um estado com rico histórico de denúncias e falcatruas, os americanos dizem que as barbaridades cometidas pelos supostos integrantes da quadrilha, desta vez, teriam superado todos os limites. Dezenas de milhões de dólares teriam sido lavados através de ações de caridade promovidas por rabinos que envolviam negócios em Nova Jersey, Nova Iorque e Israel.

O moço da foto é o parlamentar democrata Daniel Van Pelt no momento em que deixava a corte acusado de aceitar U$ 10 mil de suborno.

Algumas semelhanças, no cargo dos envolvidos, na forma de agir e de se esconder das câmeras de fotografia me levam a pensar que está na hora de propor uma espécie de “Adote um Vereador” versão Nova Jersey.

Campanha pede renovação ampla, geral e irrestrita no Congresso

Ilustração divulgada pela Internet pede renovação ampla, geral e irrestrita no Congresso

Uma campanha contra a reeleição de deputados e senadores, sem dono, começa a circular na internet e tende a ganhar dimensão com a multiplicação da imagem em que parlamentares são defenestrados do Congresso Nacional. Ao  pedir a saída de todos indiscriminadamente abre-se mão de cumprir um dos mais complicados papéis do eleitor: avaliar o trabalho do legislador.

Dizer que todos não prestam pode até ser uma opinião construída a partir dos exemplos lamentáveis que temos assistidos nos últimos meses (seriam anos ?). Justificável. Pouco resultado terá, porém, esta ação se apenas substituirmos os maus pelos piores, se continuarmos usando a mesma falta de critério na seleção do nosso representante entre as centenas de nomes que se candidatam.

Depurar o parlamento assim como os demais poderes é nosso dever e para tal é preciso analisar o deputado que elegemos há três anos, verificar o comportamento dele nos temas que consideramos prioritários no país, e saber se este cumpriu fielmente com suas duas funções: legislar e fiscalizar o Executivo. Ideia que reforça a campanha Adote um Vereador que desenvolvemos em São Paulo e, hoje, já está em outras cidades brasileiras.

A manutenção dos esquemas de corrupção no Congresso Nacional não está relacionada a falta de renovação do legislativo, mostra estudo do cientista político Lúcio Rennó, do Centro de Pesquisas e Pós-Graduação sobre as Américas, da Universidade de Brasília (UnB).

O trabalho dele foi destacado na reportagem “De Olho em Lilliput”, do jornalista Leandro Fortes, na revista CartaCapital desta semana:

“De acordo com o levantamento feito pelo pesquisador, nas eleições de 2006, dos 115 deputados envolvidos diretamente em escândalos de corrupção, 71 concorreram à reeleição. Desses, somente 30 se reelegram. Segundo ele, isso é uma regra: os parlamentares metidos em roubalheira têm, historicamente, um baixo índice de reeleição”, diz a revista.

Na mesma publicação, enquete feita pela internet mostra que a maioria dos votantes (42%) entende que a mudança no comportamento parlamentar  e o fortalecimento do Legislativo passam pela aprovação urgente de uma reforma política ampla e que diminua o fisiologism0 que, segundo Cláudio W. Abramo, da Transparência Brasil, é dos piores males a assolar o País. A Justiça mais veloz na punição aos políticos corruptos também ganha adesão com o apoio de 23% dos participantes até a última olhada que dei no site da revista. Concorrem pau a pau as opções “fechar o parlamento”, 17%, e “promover por meio do voto nas próximas eleições uma profunda renovação dos deputados e senadores”.