Coronavac: comunicação equivocada prejudica confiança em vacinas

Hoje cedo recebi alerta no WhatsApp de uma amiga querida. Não eram felicitações de Natal nem um desejo de um 2021 próspero. Era vídeo que roda na internet há uns seis meses com imagem do site do Instituto Butantan no qual aparece a embalagem de vacina produzida pela Sinovac com texto em português e data de fabricação de 9 de abril — o vírus havia chegado há pouco mais de um mês por essas bandas. O autor da gravação, de quem temos apenas a voz, propaga a teoria de que os chineses é que criaram o vírus e por isso já tinham o imunizante pronto para faturar em cima da tragédia e estariam em conluio com o governo paulista, que teria assinado acordo com a Sinovac no ano passado.  Antes de eu enviar o texto que desmontava a teoria de conspiração do autor anônimo, a mensagem no meu WhatsApp foi apagada pela própria emissora — ainda bem. 

Leia aqui a checagem feita sobre o vídeo com informação falsa que circula na internet

Igual a essa existem outras centenas de informações falsas circulando nas redes, reproduzidas indevidamente por gente assustada, desconfiada ou mal-intencionada. Não bastasse isso, ainda temos um presidente negacionista, que levanta a possibilidade de virarmos jacaré e falarmos fino caso sejamos submetidos à “vacina chinesa”. O terreno para esse tipo de asneira é fértil não apenas no Brasil — mas aqui principalmente porque adubado por um discurso genocida.

Desde que o vírus aterrissou no país, uma força-tarefa científica se expressou nos meios de comunicação e nas redes sociais ajudando a esclarecer ponto a ponto, coroa a coroa, tudo que surgia de informação do Sars-Cov-2. Doutores e pesquisadores transformaram-se em porta-vozes do conhecimento alertando para os riscos, identificando as formas de prevenção, analisando estudos publicados e orientando sobre as novidades divulgadas pelos laboratórios. Foram heróicos para tentar nos imunizar do vírus da desinformação. Pena que essa vacina que usaram não foi capaz de tornar imune o rebanho —- o gado é resistente.

No ambiente em que estamos, no qual a mentira contamina tanto quanto o coronavírus, comunicação honesta e transparente é fundamental. Os sucessivos adiamentos dos resultados dos testes finais da Coronavac, pelo Butantan e o Governo de São Paulo —- tivemos mais um nesta quarta-feira —- são munição para essa turba que tenta atacar a confiança da população brasileira no programa de vacinação. 

Sabe-se que o tempo da ciência tem um relógio próprio que não segue necessariamente a cadência da sociedade contemporânea, sempre em busca de soluções para ontem. Não é recomendável que os cientistas acelerem seus estudos além do razoável e deixem de respeitar as etapas e os controles de segurança e eficácia. Assim como é fundamental que suas descobertas estejam sempre disponíveis para o escrutínio da comunidade científica — o ceticismo é um dos pilares do ethos científico ao lado do universalismo, do compartilhamento e do desapego material.

A velocidade com que se conseguiu responder ao avanço deste coronavírus com os processos para se desenvolver tecnologias já usadas anteriormente tanto quanto a criação de novos conhecimentos na fabricação de vacinas é motivo de orgulho para a humanidade. Nunca se realizou testes e se desenvolveu imunizantes com a agilidade vista neste momento. Imagine que ao menos nove países já estão vacinando as populações mais suscetíveis à doença. E esse número vai crescer de forma contundente antes do fim do ano com o início da vacinação na comunidade europeia. 

Por um alinhamento de fatores que passam pela irresponsabilidade do Governo Federal, disputas políticas, falta de planejamento e decisões equivocadas quanto ao investimento para a compra de vacinas, o início da imunização no Brasil será apenas no ano que vem. Na melhor das hipóteses em janeiro. Uma frustração que aumenta a cada novo prazo não cumprido. Semana passada, o Instituto Butantan já havia prometido os resultados finais dos testes da Coronavac e a entrada do pedido de autorização na Anvisa. Alegou-se a necessidade de as informações serem divulgadas simultaneamente na China e no Brasil. Marcou-se nova data — este 23 de dezembro. O máximo que se conseguiu dizer agora é que a vacina é eficaz —- o que não seria pouca coisa, não houvesse a promessa dos políticos a nos iludir.

A justificativa desta vez é que a Sinovac quer antes olhar os dados do Butantan e apenas depois fazer o anúncio oficial; e o contrato entre a instituição paulistana e a fábrica chinesa prevê que a divulgação deve ser simultânea. O que, convenhamos, já era sabido por todas as partes. Ou só hoje o Butantan soube disso? Deixa-se a impressão de que a pressão política leva o instituto a fazer anúncios que não é capaz de cumprir e, assim, ludibria a opinião pública.

A comunicação ineficiente de uma vacina eficaz e segura — e há todos os motivos para crer que será eficaz e segura — somente beneficia aqueles que querem destruir a credibilidade da ciência, os negacionistas e genocidas. 

Expressividade: a representação correta de seu papel transmite credibilidade.

 

Acompanha hoje mais um trecho do capítulo “Santo de casa não faz milagre, mas tem expressão”, escrito para o livro “Expressividade — Da teoria à prática” (Revinter), organizado pela fonoaudióloga Leny Kyrillos, em 2005. É minha homenagem a fonoaudiologia e em referência ao Dia Mundial da Voz, comemorado em 16 de abril:

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A LINGUGAGEM DO CORPO

 

Como já vimos, comunicação não é o que eu digo, mas o que você entende. Para que a mensagem seja compreendida em sua plenitude é importante usar todas as ferramentas que temos à disposição. Sobrancelhas, olhos, bocas, gestos, mão são elementos que complementam este processo, mesmo porque a linguagem do corpo é considerada mais fiel por ser inconsciente.

É fácil mentir com as palavras, difícil é confirmá-las com a mímica.

Para ser bem recebido pelo telespectador, fala-se com o corpo inteiro mesmo que apenas seu rosto esteja aparente. Os pés dividem com a coluna a responsabilidade de dar equilíbrio e, portanto, devem estar colocados de forma firme no chão, mesmo que você esteja sentado. Ter consciência da sua postura colabora para o pleno desempenho da sua função.

 

Aproveite o gravador abandonado no fundo da gaveta e grave a leitura de um texto sem movimentar as mãos, de preferência estático. Grave o mesmo texto marcando a fala com gestos e o corpo relaxado. Preste atenção no resultado final.

Atuar naturalmente tanto quanto falar de forma coloquial criam cumplicidade entre os agentes da comunicação.

Usar as mãos e o corpo é preciso, mas sem exagero. Os acenos, o movimento da cabeça ou a expressão facial devem antecipar a notícia que se vai dar. Algumas vezes acontecem simultaneamente. Jamais depois da mensagem porque não transmite confiança. Por normais que sejam estas ações, não podemos esquecer que diante das câmeras ou do público —- que pode ser formado por centenas de pessoas, dezenas de colegas ou apenas algumas unidades de desconhecidos — encaramos uma situação diferente da fala espontânea.

 

O apresentador de televisão quando transmite a notícia utiliza-se de equipamento eletrônico, o teleprompter. Ao ler textos escrito por um redator, tem de transformá-lo em mensagem falada. Conversa com a máquina como se falasse para cada uma das pessoas que formam sua audiência. Assim, age como ator diante das câmeras. Este fenômeno é que torna a tarefa jornalística um desafio à medida que o profissional atua mentindo, mas apresentando a realidade. A representação correta de seu papel será traduzida em credibilidade.

 

Os textos do capítulo “Santo de casa não faz milagre, mas tem expressividade”, publicados até agora, você tem acesso, na ordem decrescente, clicando aqui

Mundo Corporativo: Orlando Merluzzi diz como melhorar o clima entre os colegas na empresa

 

 

“As empresas que têm sucesso, têm um bom clima organizacional. Há três elementos que sustentam um bom clima organizacional: o respeito, a ética e a confiança” Orlando Merluzzi, MA8 Management Consulting Group

Assédio moral, bullying e falta de confiança são alguns dos problemas que apareceram com maior frequência no ambiente de trabalho, segundo pesquisa realizada com 1.287 profissionais que atuam aqui no Brasil. De acordo com os dados publicados pela MA8 Management Consulting Group, 62% dos colaboradores já sofreram assédio moral no local de trabalho, 44% disseram que foram vítimas de bullying e apenas 32% confiam nos seus colegas.

 

No Mundo Corporativo, da CBN, o jornalista Mílton Jung entrevistou o CEO da MA8, Orlando Merluzzi que falou do desafio que os gestores de empresas e departamentos de recursos humanos têm pela frente na tentativa de melhorar o clima organizacional, levando em consideração o cenário identificado na terceira edição desta pesquisa:

“Um ambiente ruim faz com que boa parte das pessoas se sintam mal, se as pessoas se sentem mal no ambiente para onde elas vão? Na primeira oportunidade, elas vão tentar sair. É aquele momento em que os currículos estão voando pelo mercado”.

Para Merluzzi, um ambiente com um bom clima organizacional é muito mais susceptível ao sucesso e um sucesso que se mantém ao longo do tempo. O papel dos líderes é fundamental e uma das competências necessárias para que transformação ocorra é a comunicação:

“O clima organizacional é construído no dia a dia. É como a reputação. Pra isso há um processo de gestão de comunicação. Comunicação aberta, franca, transparente. Difundindo e compartilhando conhecimento. Isso traz confiança”.

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no Twitter (@CBNoficial) e na página da CBN no Facebook. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Ou a qualquer momento em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo Guilherme Dogo, Rafael Furugen, Clara Marques e Débora Gonçalves.

O dia em que a CBN foi parar no The Big Bang Theory

 

 

 

Foi divertido enquanto durou — verdade que para os brasileiros vai durar um pouco mais. Falo de The Big Bang Theory que chega ao fim nesta quinta-feira, nos Estados Unidos, quando vai ao ar o último episódio da série iniciada há 12 anos. Ao destacar o relacionamento de um grupo de amigos nerds, revelar a presença das mulheres nas ciências e fazer tudo isso com humor e ironia, a história criada por Chuck Lorre e Bill Prady alcançou um improvável sucesso, especialmente se levarmos em consideração sua longevidade. É a mais longa da TV americana.

 

O tema vem para esse nossa conversa com você — caro e raro leitor do blog — por uma cena que me enche de orgulho. Na temporada que foi ao ar, em 2011, a CBN foi protagonista do seriado — ao menos na versão brasileira. Durante conversa de três das meninas que fazem parte do elenco, ao se referirem a um namorado pouco inteligente, porém bonitão, elas recomendam a Penny que convide o rapaz a se informar mais e melhorar seu nível intelectual ouvindo a NPR — sigla da rede pública de rádio americana e considerada uma das mais qualificadas programações radiofônicas dos Estados Unidos.

 

Ao traduzir o diálogo para o português, a versão brasileira em lugar de usar “NPR” preferiu legendar “CBN”, com o intuito de simbolizar aos telespectadores uma sigla que tivesse aqui no Brasil o mesmo valor daquela que é sucesso nos Estados Unidos. Ou seja, considerou que CBN seria a melhorar maneira de traduzir credibilidade e qualidade no rádio.

 

Não bastasse ser fã da série — e estar ansioso pelo último capítulo que somente passará por aqui, em junho —, sou extremamente grato pela deferência, em nome de todos aqueles que ajudaram a construir a história da CBN.

 

O dia em que a CBN foi protagonista do The Big Bang Theory foi lembrado hoje no bate-papo do Hora de Expediente.

Rádio Na Era do Blog: A credibilidade do rádio

 

O rádio é a mídia na qual o cidadão tem maior confiança de acordo com pesquisa realizada pelo Instituto Vox Populi, contratado pela agência de comunicação Máquina da Notícia. Em uma escala de 1 a 10, a nota média para o veículo foi 8,21, superando por muito pouco a internet que recebeu 8,20. O índice de confiança de todos os veículos de comunicação foi alto, mas o resultado surpreende por dois fatores: primeiro, os jornais sempre estiveram no topo da lista; segundo, a internet avançou sobre meios mais tradicionais, como a própria televisão.

O rádio também aparece bem na lista das mídias mais acessadas pelo público. A televisão é assistida por quase todos os entrevistados alcançando índice de 99,3%; o rádio vem atrás com 83,5%; o jornal impresso com 69,4%, está em terceiro lugar; a internet tem 52,8%; revista impressa 51,1%; redes sociais 42,7%; versão online de jornais 37,4%; e versão online das revistas impressas 22,8%.

Quando a pesquisa fala em internet, relaciona sites de notícias e blogs de jornalistas; ao tratar de redes sociais, inclui os conhecidos Twitter, Facebook e Orkut.

Da festa ao comedimento: o resultado de pesquisas de opinião dependem muito da metodologia usada e podem apresentar diferenças enormes entre uma e outra dependendo a forma como as perguntas são elaboradas, por exemplo. No entanto, com o alcance deste trabalho da Vox Populi é importante verificar como as redes sociais são fortes para influenciar a opinião pública.

Para chegar a este resultado foram ouvidas 2.500 pessoas, entre 25 de agosto e 9 de setembro, todas com mais de 16 anos, no distrito Federal e nas regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Fortaleza, Recife e Salvador.

Neste sábado, às 15h40, estarei na Mobile Fest, a convite da CBN, para a palestra o “Rádio na Era do Celular”. Ouça as reportagens do festival que se realiza no MIS, em São Paulo.