Mundo Corporativo: Cristiane Souza, da Casa Gallo, aposta na culinária para ampliar o consumo de azeite no Brasil

Cristiane Souza, presidente da Casa Gallo no Brasil
Cristiane Souza entrevistada no estúdio de podcast da CBN Foto: Priscila Gubiotti/CBN

“A culinária é a grande oportunidade de crescimento dessa categoria.”

O consumo de azeite no Brasil ainda está longe dos padrões observados nos países do Mediterrâneo. Enquanto os lares brasileiros consomem, em média, cerca de dois litros por ano, mercados mais maduros chegam a onze litros anuais por residência. A diferença revela o potencial de crescimento do setor e ajuda a explicar a estratégia da Casa Gallo para ampliar sua presença no mercado brasileiro. 

De acordo com Cristiane Souza, presidente da Casa Gallo no Brasil, a empresa busca ampliar sua atuação em diferentes segmentos de consumidores. Na entrevista ao Mundo Corporativo, da CBN, ela explicaou que a estratégia passa pela diversificação do portfólio, pela educação do consumidor e pela ampliação dos momentos de consumo do azeite.

Para que essa estratégia se consolide, a Gallo, marca portuguesa que há mais de cem anos está na mesa dos brasileiros, lançou a Casa Gallo, na qual abriga três logotipos: a já conhecida e tradicional Gallo, a linha de azeites premium Rossio de Abrantes e De Olliva, um óleo 100% oliva para uso diário na cozinha.

Educação do consumidor e combate aos mitos

Segundo Cristiane Souza, o brasileiro tradicionalmente usa o azeite para finalizar pratos e temperar saladas, enquanto em outros países ele é empregado também no preparo dos alimentos.

Uma das frentes de trabalho da empresa está na tentativa de desfazer crenças que ainda influenciam o comportamento do consumidor. Entre elas, a ideia de que o azeite perde suas propriedades quando aquecido.

“O Brasil tem o mito do aquecimento —  se eu aqueceu azeite, vira óleo — que é um grande mito.”

Para enfrentar essa percepção, a companhia investe em pesquisas e ações de comunicação voltadas à culinária. Segundo Cristiane, estudos utilizados pela empresa mostram que o azeite mantém suas características mesmo quando utilizado no preparo dos alimentos.

“A nossa estratégia de dobrar o negócio está pautada nas marcas, mas ela está muito pautada na conversa sobre a culinária.”

A empresa também aposta em inovações de embalagem para estimular novos hábitos de consumo. Entre os lançamentos está uma versão em embalagem tipo squeeze, inspirada nos recipientes utilizados por cozinheiros profissionais.

Um mercado em expansão

A aposta da Casa Gallo ocorre em um momento de crescimento do setor. Após um período de alta nos preços provocado por problemas de safra, o mercado voltou a ganhar fôlego.

“Esse ano o mercado cresce em volume 20%. Não é pequeno”

Cristiane destaca que o Brasil já representa um dos mercados mais importantes para a marca. Segundo ela, mais de 60% do volume global da Gallo está concentrado no país.

A relevância do mercado brasileiro também explica a decisão de lançar inicialmente no Brasil a marca Rossio de Abrantes, criada para consumidores que buscam sabores mais intensos e diferenciados.

Liderança, crescimento e desenvolvimento de equipes

À frente da operação brasileira há quase três anos, Cristiane conduz uma equipe com cerca de 80 profissionais. Para ela, um dos desafios está em equilibrar a força de uma marca centenária com a dinâmica de uma empresa relativamente jovem.

“É um equilíbrio entre a gente estar numa empresa tradicional de muita responsabilidade, ao mesmo tempo se desafiando internamente para modelos de negócio, sistemas e tudo que uma empresa jovem de 10 anos tem de desafio.”

Ao falar sobre liderança feminina, Cristiane relatou experiências pessoais que marcaram sua trajetória profissional. Conta que foi promovida duas vezes na licença maternidade — numa demonstração de que é possível a construção de ambientes de trabalho que permitam conciliar carreira e vida pessoal.

“Eu encorajo (minhas equipes) exatamente para que convivamos todos num processo de equilíbrio entre a parte pessoal e a parte do trabalho.”

Para profissionais em início de carreira, Cristiane sugere: desenvolver competências antes de buscar novos cargos.

“É melhor que as pessoas achem que você já está madura o suficiente para ocupar uma vaga do que você atropelar e ter que ficar provando que você é capaz daquela vaga.”

Assista ao Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Letícia Valente, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Priscila Gubiotti.

Conte Sua História de São Paulo: da quermesse no Limão aos sabores da culinária dos imigrantes

Ligia Baruque

Ouvinte da CBN

Foto: Daniel Fucs Flickr

Meus pais se conheceram em São Paulo, no bairro do Limão, numa quermesse em 1950. Estranham a palavra quermesse? Sim, naquela época festa junina era chamada de quermesse !

Meu pai, descendente de libaneses,  era  de Monte Mór, interior de São Paulo.  Veio trabalhar na capital na primeira fábrica da Ford que começava a produção de caminhões na Barra Funda. Minha mãe, nascida em Bernardino de Campos, também do interior, trabalhava como tecelã numa fábrica têxtil, no Limão

A música que embalou o namoro e o casamento deles foi Três Apitos, de Noel Rosa, que começa com o verso: 

Quando o apito 

Da fábrica de tecidos

Vem ferir os meus ouvidos 

Eu me lembro de você…

Eu nasci no Limão, na casa da minha avó, na zona norte, e fui morar na Vila Prudente, na zona leste. Era onde ficava a fábrica da Ford, que acabara de ser construída, em 1953. Atualmente, no local tem o Shopping da Mooca.

Depois mudamos para Pinheiros, na zona oeste, próximo da Cidade Universitária, onde me formei em Farmácia e Bioquímica, no ano de 1982. A USP naquela época era aberta às pessoas que, assim como os carros e ônibus, entravam e saíam sem controle pelos portões. Hoje, em todas as entradas há guaritas e o acesso é restrito, facilitado apenas a quem trabalha ou estuda na universidade — sinal dos tempos.

Independentemente disso, a USP segue sendo o centro de estudos mais importante de São Paulo, uma referência de ensino para estudantes e professores de todas as partes do mundo.

Agora moro na Vila Mariana, na zona sul. 

Como podem perceber, vivi em todas as regiões, de leste a oeste, de norte a sul. Nos meus 60 anos de vida, acompanhei a despedida dos bondes da Consolação — fiz a última viagem de bonde com a minha avó. Assisti à chegada do metrô, a abertura de avenidas, o começo da construção do Minhocão, e o aumento no número de carros. 

Apesar de a cada dia o trânsito ficar pior, amo esta cidade, construída por imigrantes, que deixaram em cada espaço um pedacinho da sua cultura mesclada com a dos paulistanos. Uma mistura servida à mesa com sabores da culinária italiana, espanhola, alemã, indiana, judaica e, claro, com aqueles pratos da comida libanesa, que vieram juntos com os parentes de meu pai.

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Lígia Baruque é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva o seu texto agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite meu blog miltonjung.com.br e o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

A 100 passos de um sonho: bom para olhar e saborear

 

Por Biba Mello

 

FILME DA SEMANA:
“A 100 Passos de Um Sonho ”
Um filme de Lasse Hallström.
Gênero: Comédia Romântica
País:USA

 

 

Um restaurante indiano espalhafatoso abre em frente, ou melhor, a 100 passos de um renomado restaurante françês com estrela Michelin. Xenofobia, culinária e amor são alguns assustos que permeiam o filme.

 

Por que ver: Chamado de “raso”por vários críticos, este filme me cativou do início ao fim, exatamente por sua ingenuidade e beleza, tanto na direção de arte de cenário como gatronômica. Achei que é um filme bacana para toda a família. Ora bolas, ele não se propõe a discutir política, este é apenas um pano de fundo para dar sentido aos conflitos da fita. E a atuação do ator Om Puri, que faz o personagem do Papa Kadam me fez lembrar do meu avô…Agora me emocionei…E a espetacular Helen Mirren faz a Madame Mallory, e está maravilhosa como sempre.

 

Como ver: Eu assisti voando…Desta vez devo confessar que peguei uma aeronave modernérrima da American Airlines. A comida estava farta, o que combinou com o filme, apesar de não estar muito saborosa, mas isto é esperado em aviões… Você pode assistir com todos, menos com os críticos de cinema. Eles detestaram o filme e vão te aborrecer. Não se furte de se deixar levar pela história leve produzida por Spilberg e Oprah Winfrey.

 

Quando não ver: veja sempre.Menos com críticos de cinema como mencionadado acima.

 

Biba Mello, diretora de cinema, blogger e apaixonada por assuntos femininos. E comilona…Rsrsrsrsrs.