O agitado calendário do rádio ganha uma data oficial

O rádio brasileiro tem agora uma data oficial a celebrar. Com a nova lei assinada pelo presidente Lula, o 25 de setembro passa a ser o Dia Nacional do Rádio. A decisão ratifica uma escolha feita pela ABERT — que reúne emissoras de rádio e TV — em 1966, ao simbolicamente adotar a data. O motivo? Foi em 25 de setembro de 1884 que nasceu Edgar Roquette-Pinto, pioneiro da radiodifusão no Brasil e fundador da primeira emissora brasileira, a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro. Roquette-Pinto transformou o rádio em um meio poderoso de educação e cultura.

Mas não pense que essa é a única data no calendário do rádio. Além do 25 de setembro, temos o 13 de fevereiro, Dia Mundial do Rádio, criado pela UNESCO para lembrar a primeira transmissão da Rádio das Nações Unidas, em 1946. E, ao olhar a folhinha pendurada na geladeira, você ainda vai deparar com o Dia do Radialista. Sim, duas vezes! A data oficial é 7 de novembro, em homenagem ao aniversário de Ary Barroso. Mas há também o 21 de setembro, vinculado à regulamentação profissional da categoria no governo Vargas.

E, para complicar um pouco mais esse calendário já agitado, que tal incluir mais uma data? Proponho o 21 de janeiro, aniversário do padre Roberto Landell de Moura. Esse padre brasileiro e gaúcho foi o responsável pela primeira transmissão de voz por ondas de rádio no mundo, em 1899 — antes mesmo do italiano Guglielmo Marconi. Apesar de injustiçado e pouco reconhecido, Landell merece nosso aplauso, talvez com um “Dia Nacional da Invenção do Rádio.”

Brincadeiras à parte, para quem apresenta um programa radiofônico, como eu, todos os dias são uma celebração ao rádio. Cada transmissão é uma oportunidade de fazer o melhor trabalho possível para homenagear quem realmente importa: o ouvinte.

Afinal, mais do que datas, o que define o rádio é o seu impacto diário nas nossas vidas, unindo informação, cultura e emoção com a mesma sintonia.

Rádio, João Fonseca e um capítulo para guardar

O rádio ao vivo é uma paixão antiga, dessas que o tempo só faz crescer. Em quase 40 anos de jornalismo, já vivi de tudo: tensão, tragédia e êxtase. Cada transmissão é como uma corda bamba, e o equilíbrio depende do improviso, da escuta e da alma. Planejar? Quase sempre é apenas um desejo.

Foi assim na manhã desta terça-feira, 14 de janeiro de 2025 — guarde essa data. Enquanto apresentava o Jornal da CBN, algo especial aconteceu. Eu compartilhava com os ouvintes os momentos decisivos de uma partida de tênis. Mas não era uma partida qualquer. Era a estreia de João Fonseca, uma promessa de 18 anos, no Aberto da Austrália, um dos torneios mais importantes do circuito internacional.

João enfrentava Andrey Rublev, o número 9 do mundo. E, no instante do match point, bem no momento em que falávamos sobre economia e a fake news da taxação do PIX (não haverá taxação, que fique claro), pedi licença à Cássia Godoy e à Marcella Lourenzetto. Não dava para deixar aquele momento escapar.

Ali, com o microfone em mãos, vivi algo que só o rádio pode proporcionar. Era como se estivéssemos todos na beira da quadra, testemunhando um jovem brasileiro escrevendo sua primeira página em um Grand Slam. A vitória veio: 3 sets a 0. João Fonseca, que muitos já apontam como a grande revelação do tênis internacional, deu um passo gigante para cravar seu nome na história.

Em meio a tudo isso, chegou uma mensagem de Ribeirão Preto. Um ouvinte dizia que, ao ouvir sobre João, sentiu-se transportado para os tempos de Gustavo Kuerten, quando o Guga surgia como um furacão no tênis mundial. “Revivi a emoção de acompanhar a CBN nos anos 90”, escreveu ele.

Por sugestão do Paschoal Junior, nosso mestre das operações de áudio, decidi guardar no meu arquivo pessoal o anúncio dessa vitória. Não é sempre que temos o privilégio de contar, ao vivo, o começo de algo que pode se tornar histórico.

E, como bem sabe quem ama o rádio, o histórico começa sempre com uma voz.

Conte Sua História de São Paulo: a colheita no maior cafezal urbano do mundo

Por Marina Zarvos

Ouvinte da CBN

Photo by Engin Akyurt on Pexels.com

No Conte Sua História de São Paulo, em homenagem aos 471 anos da cidade, a ouvinte da CBN Marina Zarvos destaca a os méritos do primeiro centro de formação de cientistas do estado:

“Café com pão, café com pão, café com pão… Virge Maria, que foi isto, maquinista?” 

Manuel Bandeira

O trem de ferro que transportava minha família, no vaivém entre Lins e São Paulo, cortava os cafezais da Noroeste Paulista, memória que ecoa nos versos de Manuel Bandeira. Cresci brincando entre fileiras de cafezais, envolta em sacarias de café e repletas do perfume dos grãos torrados. 

Certo dia, desembarcamos na capital. Sem passagem de volta.

Quanta saudade do cheiro de terra roxa molhada e do aroma do café coado. Garotinha de 10 anos, sentia a  falta do verde e da florada do cafezal — como quem perde uma companheira de alegres brincadeiras. 

Tive a sorte de morar nas imediações e fui acolhida pelas árvores do Parque Ibirapuera. Minhas raízes fincadas no interior deram ramos na Pauliceia Desvairada, onde cresci e amadureci.

Cinco décadas depois, um convite inesperado: participar da colheita de café no Instituto Biológico. Em plena Vila Mariana? Descobri ali o maior cafezal urbano do mundo, com 1.536 pés de café em 10 mil metros quadrados. Criado por demanda dos “barões do café”, em 1927, para combater pragas nos cafezais, o Instituto foi tombado no início deste século, por pressão dos moradores da região, os “barões” da preservação ambiental.

Fui levada por minha filha que lá estudava na pós-graduação. A mãe-menina perdeu-se nas fileiras, fez a colheita, ganhou um cesto e trouxe como prêmio os frutos que conseguira colher.

Visitem o Instituto Biológico e conheçam a beleza do cafezal paulistano. E que, a cada manhã, o café com pão continue nos conectando à nossa história.

Ouça o Conte Sua História de São paulo

Marina Zarvos é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva seu texto agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

((os textos originais, enviados pelos ouvintes, são adaptados para leitura no rádio sem que se perca a essência da história))

Conte Sua História de São Paulo: o parque do Ibirapuera é vital

Fábio Caramuru

Ouvinte da CBN

Vista do Lago do Ibirapuera

Um lugar muito importante, muito especial na cidade, que está ligado à minha história inteira é o Parque do Ibirapuera. Acho esse lugar uma coisa impressionante. 

Desde os dois, três anos de idade, eu já vivia no Ibirapuera. Meus pais me levavam para passear; nós morávamos relativamente perto – não tão perto quanto eu moro hoje. Agora, moro a 500 metros ali do portão da Quarto Centenário. 

A minha ligação com esse Parque, por uma coincidência, sempre esteve presente, na maior parte da minha vida. Já morei perto do Parque duas vezes – uma agora e outra quando o Pedro, meu filho, nasceu. 

Para mim o Ibirapuera é algo vital. Passo quase diariamente em frente; vou correr. Tenho uma ligação afetiva muito grande com o Ibirapuera. 

Então, presenciei toda a evolução desse importante símbolo de São Paulo, que foi criado em 1954. Não tinha nascido, mas desde criança venho frequentando. o local. Faz parte da minha vida. 

Outro ícone importante é o Aeroporto de Congonhas, que, juntamente com o parque, tenho documentado em várias fotos da infância, nas quais revejo meu pai me levando a esses lugares. O  Aeroporto, quando eu era pequeno, era um passeio; todo aberto… Não era como é hoje, envidraçado e formal.

Ir para Congonhas era uma alegria, como ir num parque de diversões, e podíamos ver as decolagens, as chegadas. Você ficava muito próximo dos aviões. Os passageiros desciam na pista; tinha apenas uma gradezinha que separava o público dos passageiros. Era bem diferente do que é hoje.

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Fábio Caramuru é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva agora o seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br e o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Conte Sua História de São Paulo: uma torrada e uma batida de coco

Por Mauricio Pereira

Ouvinte da CBN

Corria o mês de julho de 1978. Eu e mais dois colegas de farda, oriundos da Base Aérea de Santa Maria, no Rio Grando do Sul, embarcamos em uma jornada que já começou turbulenta. Perdemos o translado aéreo e tivemos que enfrentar uma viagem de trem até Porto Alegre, marcada por solavancos e atrasos. De lá, seguimos em um voo pinga-pinga até Curitiba, onde pernoitamos, antes de finalmente chegar à grandiosa Rodoviária da Luz, em São Paulo. Para olhos matutos como os nossos, o tamanho e o movimento daquele lugar eram impressionantes.

Famintos, com aquela fome típica de soldados, decidimos buscar algo para comer. Com os parcos recursos que nos restavam, compramos as passagens para Guaratinguetá, nosso destino final, e seguimos para uma lancheria próxima. Lá, ao analisar o cardápio, deparei-me com uma variedade de “batidas” e, curioso, pedi:


— Uma torrada e uma batida de coco, por favor!

Veio como pedi, mas não era o que eu esperava. No Sul, “torrada” significava misto-quente, e “batida” era o termo usado para se referir a vitaminas. O que recebi foi um pão de forma torrado e uma bebida alcoólica de coco! Apesar da surpresa, paguei pelo pedido, mas só consegui comer o pão torrado.

Essa experiência foi apenas uma das tantas aprendizagens que tive ao longo daquele período. Aos poucos, fui me adaptando à metrópole que me acolheria definitivamente dois anos depois, em 1980, após a formatura no curso de Controle de Voos. Trabalhei nos aeroportos de Congonhas, Campo de Marte e Guarulhos, cidade onde resido até hoje.

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Mauricio “Tchedatorre” Mello Pereira é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva agora o seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br e o podcast do Conte Sua História de São Paulo. 

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: estudo aponta o fim das gerações

O conceito de gerações, amplamente utilizado para categorizar comportamentos, consumo e comunicação, pode estar com os dias contados. Essa é a provocação trazida pelo comentário de Jaime Troiano e Cecília Russo no quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, com base em um estudo realizado pela TroianoBranding em parceria com a consultoria Dezon. O levantamento questiona a relevância de dividir as pessoas em “caixinhas geracionais” em uma sociedade cada vez mais fluida e inclusiva.

Cecília Russo destacou que o uso das gerações se tornou uma “muleta” para justificar quase tudo, desde campanhas publicitárias até memes nas redes sociais. Porém, a pesquisa mostrou que, mais do que diferenças, o que une as gerações são os temas estruturantes da vida humana, como identidade, laços afetivos, comunidade, crescimento e bem-estar. “O que muda é a forma como cada tema é traduzido, a depender do contexto social ou da idade de cada pessoa”, explicou Cecília. 

Os cinco elementos estruturantes da pesquisa

  1. Identidade
    Refere-se à forma como as pessoas se percebem e se definem em relação ao mundo ao seu redor. Abrange aspectos como personalidade, valores e autocompreensão, que guiam suas escolhas e ações, independentemente da geração.
  2. Laços Afetivos
    Trata-se das conexões emocionais que as pessoas constroem ao longo da vida. Inclui relações familiares, amizades e vínculos afetivos que dão sentido à existência e influenciam comportamentos de consumo e interações sociais.
  3. Comunidade
    Diz respeito ao senso de pertencimento e à busca por coletivos que compartilhem valores e objetivos. Essa necessidade de se sentir parte de algo maior transcende gerações, ainda que os meios para formar essas conexões possam variar.
  4. Crescimento
    Representa o desejo humano de evolução, aprendizado e autodesenvolvimento. Pessoas de todas as idades compartilham essa busca, seja em aspectos profissionais, pessoais ou espirituais, mas o modo como perseguem o crescimento pode diferir.
  5. Bem-Estar
    Focado no equilíbrio físico, mental e emocional. Embora a forma de buscar o bem-estar varie, como práticas esportivas ou consumo de conteúdos relacionados à saúde, o objetivo de alcançar qualidade de vida é comum a todos.

Conteúdo universal e comunicação transversal

Jaime Troiano reforçou essa ideia ao falar do impacto para as marcas: “Existem mais similaridades do que diferenças entre as gerações, seja de mentalidade, seja no consumo de marcas.” Ele citou exemplos de marcas como O Boticário, Nike e Samsung, que conseguem se comunicar de forma transversal com diferentes públicos, usando os temas estruturantes como base. Para Jaime, a capacidade de criar conteúdos universais, adaptados para diferentes canais, é o que torna essas marcas relevantes para todas as faixas etárias.

O estudo também propõe que abandonar os rótulos geracionais é uma forma de inclusão, pois permite às marcas explorar temas humanos profundos sem a limitação de padrões tradicionais. Cecília Russo destacou que essa abordagem permite prever comportamentos de forma mais rica e abrangente, deixando de lado classificações que já não refletem a realidade atual.

A marca do Sua Marca

A principal mensagem do comentário é clara: ultrapassar a superfície das classificações geracionais é essencial para compreender as pessoas em sua profundidade. “É o fim das gerações, ou as gerações sem fim?”, questionou Jaime Troiano, ao concluir que os marcos geracionais podem, muitas vezes, aprisionar nossa visão. A verdadeira lição é pensar “fora da caixinha” e adotar uma abordagem mais inclusiva e universal, tanto na vida quanto nos negócios.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.

Conte Sua História de São Paulo: uma viagem pelo interior de um edifício histórico da cidade

Ivani Dantas

Ouvinte da CBN

São Paulo pulsa.

Cheia de vida se renova e encanta, ainda que o trabalho seja a sua principal característica. Foi há  20 anos que a cidade completou os seus 450 de existência. A importância do momento merecia um registro à altura.  Assim foi feito e assim tive a alegria de participar desse trabalho.

Na empresa estatal onde eu trabalhava, os preparativos para as comemorações incluíam uma pesquisa sobre o edifício sede, personagem importante no desenvolvimento do Estado de São Paulo. Começamos o trabalho do topo, no 25º andar.  Um mirante com 360º de uma vista de tirar o fôlego convidava a pousar os olhos na cidade que se traduz em força, trabalho e paixão. Foi Incrível vê-la daquele alto.  

Bem no coração da metrópole, o edifício foi construído na década de 1950, pelo escritório de arquitetura Ramos de Azevedo — aquele mesmo que construiu o Teatro Municipal, o prédio dos Correios, a Pinacoteca e tantas maravilhas mais que nos trazem orgulho. 

A ideia de compartilhar com o mundo aquela sensação ainda me toca. Lá estava eu, na companhia de um jornalista e historiador e outros profissionais, com a tarefa de deixar marcada na História de São Paulo a comemoração dos 450 anos. 

Marcas ficaram em mim e nos tantos que participaram desse registro.

De lá do mirante, descendo pelos andares, ouvi histórias dos tempos do descobrimento, e de como evoluiu a metrópole iniciada no Pátio do Colégio, sob o comando dos jesuítas. Dos rios e riachos, hoje escondidos por avenidas, até os tropeiros que cruzavam as estradas trazendo mercadorias, ouvi histórias do passado contadas de forma tão saborosa que para lá me transportei, imaginando como seria a vida naqueles tempos. 

Nesse clima de aventura cruzamos os painéis artísticos e afrescos feitos por encomenda ao artista italiano Gaetano Miani e outras obras de arte, até chegarmos ao subsolo para mais histórias que viriam a enriquecer meu repertório.

Um belíssimo cartão postal, uma atração à parte: o cofre! A porta impressiona pelo brilho do aço e pelas dimensões. Redonda, algumas toneladas de peso, uma fortaleza com trancas e respiros que remetiam à autoridade ali representada! Um sistema de segurança praticamente indevassável. Senhor absoluto na responsabilidade de proteger as riquezas depositadas. Fabricado na Alemanha chegou de navio para ser instalado envolto em um metro e meio de concreto, que o torna à prova de terremotos — mas, não temos terremotos !?

 Aqui chegou antes que se erguesse o prédio, com muitas histórias pra encantar, antes que lendas (ou verdades) povoassem sua presença no edifício. Aberta, a porta revela um novo desafio à imaginação:  cofres de aluguel, lacrados em sua maioria, encerram histórias, riquezas, quem sabe armas, cartas de amor, segredos de quem nem mais habita nosso mundo, e que levou consigo as chaves e os sonhos de muitos que por aqui ficaram. 

Sim, um pedaço de eternidade que pude visitar, para nunca mais talvez.

Naquele momento, e ainda hoje, penso no presente que a população ganharia com sua abertura à visitação. A cidade merece conhecer e se apropriar desse tesouro.  Com certeza olhinhos brilhariam de orgulho e curiosidade em saber mais sobre o mundo mágico que ali ficou escondido. Um espaço tão pouco conhecido e tão rico.

Que sorte a minha estar naquela hora, naquele lugar. 

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Ivani Dantas  é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva agora o seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, viste o meu blog miltonjung.com.br e o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Conte Sua História de São Paulo: só quem te conhece te enfrenta e te aguenta. 

Por Eduardo Engracio da Silva

Ouvinte da CBN

São Paulo, minha querida cidade. 

São Paulo terra da garoa, da chuva, do frio e do calor 

Terra de gente de boa e honesta que trabalha com muito ardor

 

Aqui tem bastante trabalho, de tarde, de noite e de dia 

A cidade que não para, onde tudo acontece sem monotonia. 

Aqui tem metrô, trem, taxi e busão 

Pra cima e pra baixo, nunca para não 

Helicóptero, carrinho de rolimã e avião 

Patinete, bicicleta e skate pra andar no chão. 

Aqui tem rap, tem samba, tem rock e funk 

Tem mina, tem mano, tem brother e punk 

Vários ritmos, várias culturas em uma mistura peculiar 

Muita música, agitação, gastronomia de arrasar.

Na 25 de março, você encontra de tudo e mais um pouco 

Gritaria, empurra-empurra, se brincar você fica louco 

No centro, a história da cidade você pode contemplar 

Igrejas, prédios antigos é muito bom observar. 

Como pode ter crescido tão rapidamente? 

Como tanta gente pode aqui viver tão triste e também sorridente? 

Tanta desigualdade nas ruas podemos ver 

Muitos ricos, muitos pobres você pode crer. 

Oh, minha São Paulo querida de tantas dificuldades e tormentas 

Só quem te conhece te enfrenta e te aguenta. 

Tem enchente, tem tragédia, tem trânsito insuportável 

Tem muita gente, tem comédia, tem que ter animo maleável. 

A vida aqui é dura, corrida e cansativa 

Despertador logo cedo te acorda e te ativa 

Lá fora ainda está escuro…friaca, garoa… 

Mas é preciso ganhar o pão, com garra, de boa. 

Mesmo com tantos defeitos e problemas 

Com todos os seus feitos e dilemas 

Esta cidade continua contagiante e fantástica 

Viva, São Paulo, irradiante e bombástica. 

Viva, minha bela cidade que tanto quero bem 

Igual a ti, certeza que lugar do mundo não tem 

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Eduardo Engracio é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva agora o seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, viste o meu blog miltonjung.com.br e o podcast do Conte Sua História de São Paulo. 

Mundo Corporativo: José Renato Gonçalves e o desafio de liderar localmente uma empresa global

José Renato da NEC no estúdio do Mundo Corporativo Foto: Priscila Gubiotti

“A comunicação e a relação com as pessoas são o que realmente importam no final do dia.”

José Renato Gonçalves, NEC

No mundo corporativo globalizado, encontrar o equilíbrio entre autonomia local e diretrizes globais é um desafio que exige habilidade e estratégia. Essa realidade é vivida diariamente por José Renato Gonçalves, presidente da NEC no Brasil, que lidera uma empresa com mais de 125 anos de história e presença em diferentes continentes. Ele conversou sobre o tema no programa Mundo Corporativo.

“A globalização está muito ligada à competitividade”, afirmou José Renato. Ele explicou que operar globalmente permite maior escala e alcance, mas a integração de processos e decisões entre os países requer um “jogo de cintura”. Essa necessidade de adaptação é parte do cotidiano da NEC, que busca alinhar eficiência global com a capacidade de atender às demandas locais.

Tecnologia, inteligência artificial e cidades inteligentes

Sob a liderança de José Renato, a NEC tem avançado em dois grandes blocos de atuação: infraestrutura de tecnologia e soluções para cidades inteligentes. No Brasil, a empresa é responsável por projetos como redes 5G e sistemas automatizados de manutenção. “Hoje, usamos inteligência artificial para automatizar processos e prever falhas, o que traz eficiência para as redes e garante estabilidade.”

Nas cidades inteligentes, as soluções desenvolvidas incluem monitoramento de segurança pública, iluminação pública eficiente e sistemas integrados para gestão urbana. Ele destacou um exemplo relevante: “Nosso software orquestrador conecta diferentes sistemas municipais, como defesa civil, segurança pública e serviços de saúde, permitindo respostas rápidas e integradas.”

Vacinas em 100 dias: a meta da NEC com inteligência artificial

Além das inovações em infraestrutura e cidades inteligentes, a NEC tem apostado na inteligência artificial para transformar a área da saúde. Um dos projetos mais ambiciosos da empresa é o desenvolvimento de vacinas em parceria com grandes laboratórios japoneses. “Nosso objetivo é criar novas vacinas em apenas 100 dias, reduzindo drasticamente o tempo de resposta a uma nova pandemia”, revelou José Renato. Ele explicou que a tecnologia permite não apenas acelerar os processos, mas também personalizar tratamentos com base em características individuais. “Estamos avançando para um futuro em que será possível criar medicamentos sob medida, como remédios que atendam a dosagens específicas para cada paciente.”

Gestão humanizada em um ambiente global

Além da tecnologia, José Renato reforçou a importância de uma liderança focada em pessoas. Para ele, o relacionamento com equipes, clientes e parceiros é essencial. “Romper barreiras hierárquicas, escutar as pessoas e entender suas necessidades é o que permite uma gestão mais eficiente.”

Ele também abordou o impacto de operar em uma estrutura globalizada, onde decisões locais são submetidas a diretrizes internacionais. “Precisamos mostrar a importância de adaptar o que é necessário para atender nossos objetivos locais, mesmo em uma estrutura centralizada.”

Ouça o Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast.

Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Letícia Valente.

Conte Sua História de São Paulo: a coruja enorme no muro de casa

Walter José Soares de Lima

Ouvinte da CBN

Moro na Serra da Cantareira, em Vila Rosa, e tenho várias histórias deste lugar maravilhoso que é a cidade de São Paulo.

Aqui, tive a oportunidade de conviver com diversas espécies de pássaros, macacos e até gambás. Sou adestrador certificado pela Federação Brasileira de Animais (FBAA) e tenho dois cães e duas gatas. Certa vez, encontrei uma coruja grande, assustada pela implantação do Rodoanel, pousada no muro de casa. Levei-a para o centro de reabilitação, mas essa experiência me marcou profundamente. Sou grato por viver nesse paraíso.

Me entristece ver grandes chácaras se transformando em condomínios. As pessoas vivem com tanta pressa que nem sempre percebem as belezas naturais ao seu redor – cachoeiras, uma mata robusta, pássaros, insetos e outros animais fascinantes.

Em minhas caminhadas diárias com os cães, descubro algo novo a cada dia. Se fosse psicólogo, receitaria uma boa caminhada pelo bairro para aliviar o estresse, seja pelas ruas das Palmas do Tremembé, Vila Maria, Vila Marieta, Vila Arnoni ou Vila Rosa. Esse é apenas um pedaço do imenso território – um verdadeiro “bolo maravilhoso” – que é São Paulo.

Há um sentimento profundo que mistura amor e carinho: Alimenta corações e constrói relações de grande valor. Cuida de todos como se fossem filhos. Perdoa facilmente os maus-tratos e retribui com delicadeza. Dorme e desperta num ritmo frenético que molda as pessoas. Une povos, acolhe etnias e tribos, sempre de braços abertos. Torna-se um grande palco de sonhos e conquistas profissionais.

Obrigado por existir, São Paulo! É o mínimo que podemos dizer a essa grande metrópole.

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Walter José Soares de Lima é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva seu texto agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br e o podcast do Conte Sua História de São Paulo.