Conte Sua História de São Paulo: fui office-boy com pastinha de plástico na mão

Carlos Assis

Ouvinte da CBN

Foto: Ouvinte da CBN Ricardo Biserra

Meu pai tinha uma firma de material industrial na rua dos Andradas. E minha mãe ajudava fazendo os pagamentos nos bancos. Antigamente, um título do Bradesco — título, era assim que chamávamos os boletos — só podia ser pago no Bradesco. O do Banco do Brasil só no Banco do Brasil. E havia bancos em São Paulo com apenas uma ou duas agências. Então, a gente tinha de ir ao centro velho, na rua Boa Vista, na São Bento, na Quinze de Novembro … E fazia tudo a pé. Não tinha metrô. Desse modo, conheci bem a cidade. 

Passei dezenas e dezenas de vezes no viaduto Santa Ifigênia, no viaduto do Chá, no Largo Paissandu. A agência do Citybank era na avenida São João com a Ipiranga, em frente ao Bar Brahma — bar que nunca visitei, apesar de passar pela frente uma centena de vezes. 

Minha mãe era uma pessoa simples e católica, o que me fez conhecer as igrejas do centro: o Mosteiro de São Bento, a Sé, a de São Francisco, a do Rosário, a de Santo Antônio.

Lembro quando fui com ela pagar um título no Unibanco, na Praça do Patriarca. Assim que entramos havia uma escada rolante. Precisávamos subir no primeiro pavimento. Minha mãe tinha medo da escada rolante, que era algo novo na cidade. O segurança teve de desligar a escada para a gente subir e depois descer. 

Com uns 13 anos, já era office-boy e andava com aquela pastinha de plástico na mão. Mas não me atrevia a fazer malabarismos como os garotos maiores. Minha diversão era entrar por uma rua e sair em outra, passando por dentro de prédios. Adorava andar na galeria da Avenida São João, passar pelas lanchonetes, sentir aquele cheiro de comida no ar, e sair na 24 de Maio. 

Entrava nas Lojas Americanas e Brasileiras, na rua Direita, e saia na rua José Bonifácio, do outro lado. Entrava no Banco de Boston, no Vale do Anhangabaú, e alcançava a Libero Badaró — essa agência foi a primeira a ter porta automática e era m luxo ver a porta se abrindo sozinha. Outro atalho que usava era entrar no prédio da Telefônica, na Sete de Abril, e sair na Basílio da Gama. Ou entrar na Galeria Metrópole para chegar na praça da Biblioteca Municipal.

Além de pagar contas, eu fazia entregas de documentos, cartas e cotações. Frequentava os Correios para passar telegramas e despachar cartas. Os Correios tinham máquinas automáticas que selavam as cartas. Eu levava centenas de cartas em uma mochila. E lá era o único lugar em que se podia fazer isso. Entregava cotações paras as empresas. 

A CSN Companhia Siderúrgica Nacional ficava na avenida Senador Queirós; a Petrobras na Barão de Itapetininga; a Petrobras Distribuidora ficava no Edifício Andraus. Sim, eu estive no vigésimo-segundo andar do mesmo prédio que pegou fogo. Dei sorte. E algumas vezes, ia na avenida Paulista entregar cotação na Liquigás, no Conjunto Nacional. Fui dezenas de vezes nas Indústrias Matarazzo, na Água Branca, e a na Companhia Antártica, na Borges de Figueiredo. Uma vez fui na Bayer, em Santo Amaro. Acho que demorei quase duas horas para chegar lá. 

Certa vez, passando o farol fechado —- office-boy não esperava o farol abrir —, na rua Xavier Toledo, em frente ao Mappin, levei um apitaço do Guarda Luizinho. Meus ouvidos ficaram zunindo. Nem entendi o que ele disse. Só vi as pessoas rindo. Daquele dia em diante, aprendi a usar a passagem subterrânea que tinha do lado do prédio da Light — acho que por pura vergonha. 

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Carlos Assis é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade. Escreva seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outras histórias como essa, vá no podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Participe do debate sobre o futuro da cidadania italiana, em São Paulo 

Protesto contra decreto Tajani, na praça Cidade de Milão, em SP

A cidadania italiana sempre foi mais do que um direito: é um elo que atravessa gerações, une famílias e reafirma nossa identidade. Agora, diante do novo Decreto-Lei 36/2025, que limita severamente o reconhecimento da cidadania por descendência, esse vínculo corre sério risco.

Depois do sucesso do nosso encontro, no sábado, na praça Cidade de Milão, em São Paulo, temos um novo compromisso: 

Amanhã, dia 29 de abril, às 19 horas, no Colégio Dante Alighieri, em São Paulo, você está convidado a participar de um encontro fundamental para quem valoriza suas raízes e acredita na força da comunidade ítalo-brasileira. Um evento que não é apenas uma conversa — é um ato de cidadania.

O encontro contará com a presença de Daniel Taddone, sociólogo, genealogista e Conselheiro no Conselho-Geral dos Italianos no Exterior (CGIE), do jurista Walter Fanganiello Maierovitch, presidente do Insrtituto Giovanni Falcone, referência na defesa de direitos constitucionais, e Giuliana Patriarca Callia, Diretora da AEDA –  Associação dos ex-Alunos Colégio Dante Alighieri.

Será uma oportunidade para entender, em linguagem clara e direta:

  • O que muda com o Decreto-Lei 36/2025;
  • Como essas mudanças afetam descendentes de italianos no Brasil e no mundo;
  • O que está sendo feito para reverter ou minimizar esses impactos;
  • Como podemos agir de maneira coordenada e respeitosa para defender nossa italianidade.

Mais do que nunca, precisamos estar informados, organizados e unidos. A história da emigração italiana é feita de coragem, resiliência e amor pela pátria de origem. Não podemos aceitar que, por decreto, milhões de descendentes sejam relegados à condição de estranhos.

Sua presença é essencial. Porque somos italianos de verdade — siamo italiani davvero — e não vamos nos calar diante da tentativa de nos excluir da história que ajudamos a construir.

Participe. Compartilhe. Faça parte deste movimento.

Faça sua inscrição no Sympla (é de graça)

Data: 29 de abril
Hora: 19h
Local: Colégio Dante Alighieri — São Paulo
Transmissão online: revista @revistainsieme

Conte Sua História de São Paulo: na cidade e na arte, encontrei acolhimento e inclusão

Márcia de Castro Sá

Concerto do Bem Foto: Instituo Olga Kos

Nasci prematuramente, em 7 de outubro de 1984, no Brooklin, em São Paulo— (minha mãe deu à luz quando completou sete meses de gestação. O meu pai, que trabalhava como assessor econômico em uma fabricante de automóveis; minha mãe, totalmente empenhada com os cuidados do lar e da família, assim como os meus irmãos mais velhos, acolheram-me com muito carinho. 

Nos anos 1980, durante um passeio em um clube paulistano, acompanhada de meus pais, uma prima paterna, fisioterapeuta, notou que eu não reagia a determinados movimentos como normalmente ocorrem em bebês. Logo, fui encaminhada para uma consulta médica, onde foi constatado o diagnóstico de paralisia cerebral.

Em um primeiro momento, aquela notícia surpreendeu a todos. Os cuidados para comigo passaram a ser redobrados. Adiante, recebi mais um diagnóstico: o de baixa visão no olho esquerdo; e miopia no olho direito, o único ainda com capacidade de visão. Digo isso, pois recentemente fui diagnosticada com catarata no olho direito e terei que me submeter a uma cirurgia. Isso sem contar que há mais de 20 anos aguardo uma vaga de uma cirurgia para sanar uma escoliose severa.

Empenhada em superar barreiras em função de minhas deficiências e contando com o apoio familiar total, segui e sigo adiante, em busca de encontrar vias que ajudem a me motivar.

Em 2009, entre minhas sessões de reabilitação, uma fisioterapeuta me apresentou o Instituto Olga Kos. Um momento marcante, pois me abriu portas e ajudou a ressignificar o meu cotidiano, fazendo aflorar algumas aptidões artísticas, como a minha identificação com música, canto e pintura sobre telas.

Recordo que por meio do Instituto, participei de projetos como o “Pintou a Síndrome do Respeito”, que abriu a oportunidade de eu produzir releituras de artistas renomados da pintura nacional.

Desde então, fui sendo inserida em outros projetos, como o “Cor e Ritmo – Arte Inclusiva”, que, além das artes, fez-me notar como música e canto regam minha vida positivamente.

Mais recentemente, outros registros inclusivos são as minhas participações no “Concerto do Bem”, que já teve três edições, sendo a última no Memorial da América Latina, um dos cartões postais de São Paulo, com recorde de público.

Faço questão de observar que todas as atividades que participo ocorrem em locações na cidade de São Paulo, um berço cultural. Não consigo imaginar viver em outra cidade.

Quanto ao Instituto Olga Kos, agradeço pelo acolhimento e por todas as oportunidades que me deram e, certamente, darão. O Olga, como é carinhosamente chamado, desenvolve projetos artísticos e esportivos, além de pesquisas pela inclusão de pessoas com deficiência e em situação de vulnerabilidade social. A minha história espelha, inclusive, a alma desse instituto, que é trabalhar por um mundo mais inclusivo.

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Márcia de Castro Sá é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva o seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade você visita agora o meu blog miltonjung.com.br ou vai lá no Spotify e coloca entre os seus favoritos o podcast do Conte Sua História de São Paulo. 

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: a força da cultura brasileira na construção de marcas

Durante décadas, marcas brasileiras se moldaram pela lógica da cópia — de filmes publicitários a estratégias de posicionamento — numa tentativa de reproduzir modelos estrangeiros como se a receita funcionasse universalmente. Mas esse cenário começa a mudar. A apropriação legítima da cultura nacional tem ganhado espaço no universo do branding. É o que apontam Jaime Troiano e Cecília Russo no comentário desta semana do quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, no Jornal da CBN.

Jaime Troiano relembra um tempo em que era comum replicar campanhas internacionais, sob a falsa premissa de que o sucesso em um lugar lá fora garantiria o mesmo resultado no Brasil. “A sensação era de que tudo serve para tudo, e não é verdade”, afirma. Ele cita o economista Eduardo Giannetti para explicar a tensão entre o comportamento mimético — o que copia — e o profético — o que nasce das raízes culturais. E vê sinais de reequilíbrio: “Quando eu entro numa loja da Farm ou penso na Embraer, no Itaú, no Boticário, sinto um forte sopro de brasilidade”.

Cecília Russo acrescenta exemplos da valorização da identidade nacional no varejo, na gastronomia e nas expressões culturais. Menciona a marca Misci, que traduz no vestuário o ‘suco do Brasil’, e o caso do chocolate Dengo, que transforma o cacau brasileiro em símbolo de identidade e sofisticação. “A nossa cultura está invadindo o espaço do branding”, diz ela, reforçando que “as marcas se alimentam dessa mesma raiz e do sentido de orgulho que elas inspiram”.

A força dessa mudança está também nas figuras públicas que atuam como marcas vivas da cultura nacional — como Fernanda Torres, Fernanda Montenegro, Raíssa Leal, Rebeca Andrade, Isaquias Queiroz e Bia Haddad. “Essas pessoas são hoje expressões do Brasil que impactam o mundo e inspiram o fortalecimento de marcas com alma brasileira”, afirma Cecília.

A marca do Sua Marca

Marcas que mergulham na cultura brasileira e a celebram genuinamente constroem identidade sólida e alimentam o orgulho coletivo de ser brasileiro.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.

Avalanche Tricolor: à espera de um roteiro melhor

Ceará 2×0 Grêmio

Brasileiro – Castelão, Fortaleza, CE

Foto: Lucas Uebel

Na noite deste sábado, o amor era o personagem principal no palco do teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo. Sentado na plateia, assisti ao musical “Território do Amor”, escrito por Gabriel Chalita. Sob as luzes cuidadosamente ensaiadas, nove atrizes brilhantes interpretavam cantoras que desnudavam suas histórias de paixão, glória e desencanto, tudo ambientado em um navio conduzido por Caronte, o mítico barqueiro encarregado de transportar almas recém-partidas.

Poucos minutos antes, meu olhar dividia-se entre o encantamento artístico e a expectativa futebolística no palco do Castelão. Lá, longe das perfeições das coxias, o Grêmio tentava encenar seu roteiro diante do Ceará. Era uma peça de improvisos constantes e falas esquecidas, com jogadores buscando o texto que talvez não tivesse sido suficientemente ensaiado.

Sei bem que o futebol não desfruta dos mesmos luxos do teatro. No palco teatral, cada passo é coreografado, cada fala decorada à exaustão, cada gesto antecipadamente combinado. Já nos gramados, o roteiro muda a cada minuto e as marcações são rabiscos rápidos no intervalo. Contudo, mesmo assim, quando “abrem-se as cortinas e começa o espetáculo” — como ouviamos na voz do saudoso Fiori Giglioti — esperamos ao menos reconhecer o enredo da peça, perceber coerência na trama e notar que houve algum ensaio durante a semana.

É evidente – e você, caro e raro leitor desta Avalanche, sabe bem disso – que o calendário caótico do futebol brasileiro desafia qualquer preparação mais minuciosa. Treinadores precisam criar soluções rápidas, jogadores lesionados são substituídos às pressas por atores coadjuvantes, e o espetáculo continua, mesmo que o desempenho não esteja à altura dos grandes musicais.

Ainda assim, como espectadores exigentes que somos, pedimos ao menos que alguns atos sejam mais bem planejados, que o sistema defensivo não esqueça suas falas, que o ataque entenda as deixas e conclua com precisão suas cenas finais. É curioso notar que, mesmo com tantas falhas recorrentes, no segundo tempo contra o Ceará, o Grêmio conseguiu ensaiar breves diálogos promissores entre seus personagens. Houve momentos em que quase vi algo semelhante à sintonia dos grandes palcos — mera ilusão. Talvez tenham jogado até melhor do que em outros espetáculos anteriores, quando aplaudimos o Grêmio muito mais pelo esforço que levou à vitória do que pelo talento. Desta vez, porém, deixamos a cena com um péssimo resultado.

Agora, o “diretor” Gustavo Quinteros precisa correr contra o relógio para garantir que o elenco esteja bem afinado nas próximas apresentações – a próxima já é na terça-feira. Caso contrário, arrisca-se a ser confundido com Caronte, levando o time a navegar por águas turbulentas, sem roteiro e, pior, sem destino claro.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: a lição da Osesp e o maestro das marcas

Uma orquestra sem maestro pode se tornar um caos sonoro. No mundo das marcas, o risco é o mesmo quando a comunicação não tem direção. Esse foi o tema do comentário desta semana no quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, apresentado por Jaime Troiano e Cecília Russo no Jornal da CBN.

A Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (OSESP) serviu de metáfora para a construção e gestão de marcas. Segundo Jaime Troiano, assim como os músicos precisam seguir a regência para alcançar a harmonia, as empresas precisam de um maestro para integrar os diversos canais de comunicação. “Cada instrumento tem um papel, uma partitura que precisa obedecer à regência do maestro”, afirmou. Sem essa coordenação, o resultado pode ser o mesmo dos momentos iniciais de uma apresentação, quando os instrumentos ainda estão sendo afinados.

Cecília Russo destacou o equilíbrio necessário entre virtuosidade e humildade, tanto na música quanto na gestão de marcas. “A contribuição de cada instrumento está a serviço do protagonismo de uma coisa maior, da obra que está sendo executada como um todo”, explicou. No universo das marcas, isso significa que cada ponto de contato com o público – da fachada de uma loja ao post no Instagram – precisa estar alinhado a uma comunicação integrada e coesa.

A marca do Sua Marca

A lição desta edição foi clara: no branding, não basta se encantar com um único instrumento de comunicação, mas sim com a sinergia do conjunto. Marcas bem-sucedidas funcionam como uma orquestra: cada peça tem seu momento, mas é a harmonia que constrói a identidade forte e duradoura.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após as 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.

Conte Sua História de São Paulo: criei até um cordão carnavalesco

Por Fatel Barbosa

Ouvinte da CBN

Reporodução do Instagram @cordaodasamoxtradas

No Conte Sua História de São Paulo, o texto da ouvinte da CBN Fatel Barbosa:

Minha história com São Paulo começou ainda em Montes Claros, no norte de Minas Gerais, terra do saboroso pequi. Seu Ioiô, meu pai, vinha de trem trazendo engradados de galinhas vivas para vender no Mercadão. Eu, com seis anos, chorava, suplicando para que me trouxesse com ele para conhecer São Paulo.

Seu Ioiô me consolava dizendo: “O que você quer fazer em São Paulo, minha filha? São Paulo é o cê-u do mundo.” Desculpem o palavrão, mas era exatamente assim que ele falava.

O tempo passou, e, em 1972, fui trazida para ajudar a cuidar dos meus sobrinhos, filhos da minha irmã, que veio com o marido, torneiro mecânico, morar na Zona Leste. Minha felicidade durou pouco. A família resolveu retornar a Montes Claros logo em seguida. A revolta foi tanta que botei fogo nas poucas peças de roupa que tinha. De nada adiantou, já que eu era menor de idade. Tive que voltar com eles.

De volta a Montes Claros, comecei a cantar no grêmio estudantil do Colégio São José, onde estudava, além de me apresentar em bandas de baile, grupos regionais e festivais da região. Em 1980, ganhei todos os prêmios no festival de música de Sete Lagoas.

Tornei-me cantora profissional, mas seguia focada no meu maior sonho: vir para São Paulo. Em 1989, prestes a completar 30 anos, finalmente cheguei à capital paulista, no dia 9 de março, pela manhã.

A rodoviária ainda era no centro da cidade. Chovia muito. Fui acolhida pelo meu conterrâneo e padrinho artístico, Téo Azevedo, na Rua Conselheiro Nébias.

De lá para cá, já se passaram 35 anos. Hoje, aos 66, sigo vivendo na minha adorada Sampa.

Foram muitas lutas, mas sempre recompensadas pelo prazer de cantar e pelo apoio de tantos amigos e amigas que fiz ao longo desses anos. Canto forró tradicional, gravei alguns vinis e CDs, e participo ativamente dos movimentos culturais da cidade. Sou gestora do Ponto de Cultura Casa di Fatel, em Parelheiros, extremo sul da capital — um polo de ecoturismo onde moro e trabalho com diversos coletivos do território, trazendo cursos, eventos e colaborando com o desenvolvimento da cultura local. E, claro, sempre ligada na CBN.

Criei até um cordão carnavalesco para resgatar o carnaval tradicional. Chama-se Cordão das AmoXtradas, e, em 2025, realizaremos nosso sexto ano de cortejo pelo bairro.

Minha história com São Paulo é uma história de puro amor. Através do meu trabalho, busco a realização dos meus sonhos e dos sonhos de outras pessoas que, como eu, acreditam que a arte salva.

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Fatel Barbosa é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é de Cláudio Antonio. Escreva o seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite agora meu blog miltonjung.com.br ou vá até o Spotify e adicione entre os seus favoritos o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Conte Sua História de São Paulo: sete dias intensos na cidade que deixou marcas

Por José Emilio Guedes Lages

Ouvinte da CBN

Photo by sergio souza on Pexels.com

No Conte Sua História de São Paulo, o ouvinte da CBN José Emílio Guedes Lages fala de uma viagem especial feita à capital paulista:

Minha primeira visita a São Paulo rendeu uma história interpretada brilhantemente aqui no Conte Sua História de São Paulo. Naquela ocasião, foi uma passagem rápida, sem tempo para conhecer a cidade. Mas ficou o desejo de voltar.

Anos depois, surgiu a chance de planejar uma viagem especial. Cheguei numa segunda-feira para assistir à gravação do programa Som Brasil, de Rolando Boldrin, onde um amigo meu se apresentaria. Foi um sucesso! Ele se tornaria um artista de renome nacional. Após a gravação, exploramos a noite paulistana, com sua garoa e energia vibrante.

No dia seguinte, fui ao Parque do Ibirapuera, onde passei o resto da semana caminhando, fazendo amizades e vivendo momentos memoráveis. À noite, fui ao Sesc Pompeia assistir a Tom Zé. Saímos inebriados por tamanho talento e competência. Depois, seguimos para a Bela Vista, onde provamos pizzas deliciosas e ouvimos histórias sobre Adoniran Barbosa, contadas por garçons que se tornaram amigos do compositor.

São Paulo, para mim, virou uma festa; assim como Paris foi para Hemingway.

Também visitei o MASP, na Avenida Paulista, durante uma exposição da pintora Djanira — uma coisa e outro mundo.

Antes de encerrar a viagem, realizei outro sonho de infância, de quando ouvia pelo radinho de pilha os lances apaixonantes e o barulho das torcidas: conhecer o estádio do Pacaembu. A imponente fachada me impressionou, mas, ao entrar, senti falta da icônica concha acústica, substituída pelo “tobogã”, que sempre aparecia nas páginas da Revista do Esporte, nossa bíblia futebolística.

Por fim, voltei para casa, ao contrário da vez anterior em vez de busão voltamos de asa dura. Lá de cima, admirei a grandiosidade da Pauliceia Desvairada, relembrando os sete dias intensos que vivi na cidade, onde até um sentimento nasceu e deixou marcas duradouras.

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José Emílio Guedes Lages é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva seu texto e envie agora para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br ou ouça o podcast do Conte Sua História de São Paulo, que também está lá no Spotify. 

(os textos originais, enviados pelos ouvintes, são adaptados para leitura no rádio sem que se perca a essência da história)

Conte Sua História de São Paulo: comecei como office boy e passava pelas lojas da cidade

Por Marcos Antonio Afoloti

Ouvinte da CBN

No Conte Sua História de São Paulo, o ouvinte da CBN Marcos Antonio Afoloti, entre outras lembranças, destaca as lojas inovadoras da cidade: 

Nasci em 5 de setembro de 1952, no bairro Vila Munhoz, Vila Maria. Em 1959, comecei o curso primário nas Escolas Agrupadas de Vista Alegre, pertinho de casa. Ia a pé pelas ruas sem asfalto, mas com muito segura. Após quatro anos, para ingressar no ginasial, precisei fazer o exame de admissão, semelhante ao vestibular. Estudei na Escola Estadual José Maria Reys, referência em ensino público.

Em 1963, acompanhava minha mãe para um tratamento no Hospital Padre Bento, em Guarulhos, viajando no trem da Cantareira, que partia da estação Pauliceia, passando por Jaçanã e Vila Galvão. Entre 1964 e 1965, nas férias de julho, íamos a São Carlos no trem da Companhia Paulista de Estrada de Ferro, saindo da Estação da Luz. As paisagens rurais, com os laranjais de Limeira, são lembranças inesquecíveis.

De 1966 a 1968, nossa diversão era assistir, em casa, com os vizinhos à novela Redenção, da TV Excelsior, em um moderno aparelho Telefunken.

Em 1968, comecei a trabalhar como office boy, com registro em carteira profissional de menor, no edifício Rio Branco, na Barão de Itapetininga. Andava por todos os cantos entregando correspondências. Passava em frente a loja Pitter, a Mesbla e a Clipper, que inventou o Dia dos Namorados.

Já adulto, fui convocado a trabalhar como mesário e cheguei a presidente de mesa nas eleições da década de 70, quando os votos ainda eram em cédulas de papel. No fim do pleito, era minha responsabilidade entregar as urnas no Acre Clube, no Tucuruvi, encerrando mais um marco da cidadania paulistana.

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Marcos Antonio Afoloti é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva seu texto agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

(os textos originais, enviados pelos ouvintes, são adaptados para leitura no rádio sem que se perca a essência da história)

Mundo Corporativo: Carlos Humberto, da Diaspora.Black, discute afroturismo e inclusão

“Quando você vai a um lugar, come uma determinada comida, esse sabor jamais sai da sua memória. Esse lugar jamais sai de dentro de você.” 

Carlos Humberto, Diaspora.Black

O turismo é mais do que uma viagem de lazer. É uma ferramenta pedagógica capaz de transformar percepções, enriquecer repertórios culturais e romper barreiras sociais. Foi a partir dessa ideia que Carlos Humberto, CEO da Diaspora.Black, decidiu criar uma startup de impacto social que conecta a história e a memória da população negra ao desenvolvimento de negócios. O tema foi discutido na entrevista concedida ao programa Mundo Corporativo, apresentado por Mílton Jung.

Uma jornada que começa na infância

Carlos Humberto compartilhou que sua primeira experiência empreendedora ocorreu aos 11 anos, organizando excursões para a praia na Baixada Fluminense. “Eu fui um dos organizadores do movimento dos farofeiros, mesmo sem perceber que isso já era empreender”, afirmou. Décadas depois, a vivência se conectaria a uma nova oportunidade: transformar episódios de racismo enfrentados em viagens e na própria casa em um modelo de negócios voltado ao afroturismo.

A Diaspora.Black promove experiências que vão desde caminhadas em comunidades quilombolas até pacotes turísticos em capitais africanas e brasileiras, como Salvador. “A falta de representação da história e cultura negra no mercado de turismo é um vazio que decidimos preencher”, explicou. A iniciativa também abrange treinamentos corporativos para fomentar diversidade e inclusão. Segundo Carlos, “não basta ter uma ideia ou conhecimento de negócios, é preciso saber exatamente o que se quer trabalhar”.

Educação como ponte para a inclusão

Além do turismo, a Diaspora.Black desenvolve certificações corporativas que utilizam ferramentas tecnológicas, como gamificação, para promover aprendizado. A metodologia é composta por vídeo-aulas curtas, quizzes e certificações que ajudam a medir mudanças no comportamento dos participantes. “É possível mensurar como as pessoas mudam sua visão, atitude e comportamento a partir do aprendizado adquirido”, ressaltou.

Carlos também destacou que preconceitos muitas vezes são fruto da falta de informação. “A sociedade bugou nos anos 2000, mas as novas gerações já trazem um repertório mais diverso e exigem que as empresas atualizem seu software”, disse, ao enfatizar a necessidade de combater preconceitos por meio de conhecimento e educação.

Assista ao Mundo Corporativo

Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast.

Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Letícia Valente.