Na falta de comunicação, a fofoca vira chefe

Sabia a última da Cássia? 

O que ela fez ontem depois de sair aqui do jornal? 

Antes de falar, deixa eu contar outra coisa.

Toda firma tem um fofoqueiro de plantão, aquele que parece ter a agenda cheia, mas ainda encontra tempo para se atualizar sobre os segredos da empresa. Esse personagem universal é uma espécie de “CGO — Chief Gossip Officer”. E, curiosamente, é mais frequente nas organizações que falham na comunicação interna.

Um estudo recente da Universidade de Stanford foi ainda mais longe. Segundo os pesquisadores, a fofoca é uma espécie de ferramenta evolutiva. Ao que tudo indica, somos propensos a fofocar porque isso ajuda a proteger nossa reputação e a nos manter informados. E, você haverá de admitir, saber da vida alheia é tentador. É quase como uma sobremesa após o almoço: nem sempre é saudável, mas é difícil resistir.

Porém, as conseqüências da fofoca podem ser devastadoras em um ambiente de trabalho. Não raro, informações distorcidas geram conflitos, prejudicam relacionamentos e criam um clima de desconfiança generalizada. Mais grave ainda é o impacto na produtividade: enquanto tentamos decifrar quem disse o quê sobre quem, o foco nas tarefas principais vai embora.

O paradoxo é que, muitas vezes, o fofoqueiro se torna protagonista porque a empresa deixou espaços para ele atuar. Se os gestores comunicam mal ou pouco, esses vácuos são rapidamente preenchidos por interpretações criativas e boatos. Sem canais claros e confiáveis de comunicação, qualquer corredor vira estúdio de podcast informal.

Agora, imagine o impacto de uma estratégia eficiente de comunicação interna: boletins informativos regulares, murais digitais, espaços abertos para feedback e lideranças acessíveis. Empresas que investem nesses recursos não apenas reduzem os boatos, mas também criam um ambiente de transparência e confiança. Quando as mensagens são claras, consistentes e bem distribuídas, o fofoqueiro titular perde protagonismo e o foco volta para o que realmente importa.

Portanto, aqui vai um conselho para as organizações: antes de gastar energia tentando conter as fofocas, dediquem-se a comunicar bem. Afinal, é mais fácil evitar o fogo do que apagar o incêndio. E, convenhamos, menos boatos nos corredores significa mais produtividade nos escritórios. Talvez até sobre um tempinho para o café—sem a culpa de um segredinho compartilhado.

Sobre a última da Cássia não vou contar não, porque fofoqueiro não sou.

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Avalanche Tricolor: sem ilusões

Vitória 1×1 Grêmio
Campeonato Brasileiro – Barradão, Salvador-BA

Gremio x Vitoria
Foto: Lucas Uebel/GremioFBPA

A escapada pela direita, com o passe de calcanhar de Pavón e a chegada rápida seguida pela conclusão certeira de João Pedro, foi o único momento de brilho da equipe do Grêmio nesta noite em Salvador. Em um jogo que serviu apenas para cumprir tabela, o lance trouxe uma breve faísca de criatividade em uma temporada marcada por dificuldades.

Os narradores bem que tentaram instigar o torcedor com a remota possibilidade de conquistar uma vaga na pré-Libertadores. Uma improvável combinação de duas vitórias nas rodadas finais e tropeços dos adversários poderia abrir essa janela. Mas, para quem passou boa parte do campeonato lutando contra o rebaixamento, seria otimismo demais acreditar em tal cenário.

Não assisti ao jogo com essa ilusão, assim como não me iludi com o gol assinalado no primeiro tempo. A campanha no campeonato, marcada por atuações inconsistentes e falhas defensivas recorrentes, deixou claro que somos incapazes de sustentar uma vitória com segurança. Quando o gol de empate veio no segundo tempo, em uma cabeçada certeira do adversário, apenas confirmou o que já era esperado.

Agora, o Grêmio retorna a Porto Alegre para encerrar a temporada diante de um adversário em excelente fase, com disposição ofensiva que promete grandes desafios. Dada a fragilidade que temos demonstrado ao longo do campeonato, vou para essa partida final sem nutrir ilusões de garantir sequer a vaga na Copa Sul-Americana do próximo ano.

Resta torcer para que, ao menos, tenhamos aprendido algo com tantas dificuldades enfrentadas. Mas, confesso, nem mesmo essa esperança me parece plausível.

Mundo Corporativo: Pedro Rio explica como startups podem transformar o mercado de energia

Pedro Rio na gravação do Mundo Corporativo Foto: Priscila Gubiotti/CBN

“A principal dica para quem está começando é escolher uma indústria que brilha seus olhos, que seja grande e tenha problemas a resolver.”

Pedro Rio, CEO da Clarke Energia

A energia elétrica no Brasil pode parecer um tema técnico e distante para muitos, mas o mercado está no centro de transformações significativas que prometem impactar diretamente o bolso e o meio ambiente. Pedro Rio, CEO da Clarke Energia, acredita que a inovação no setor de energia não é apenas uma oportunidade de negócio, é também um caminho para construir um futuro mais sustentável. Ele explica que “quanto maior a indústria e mais problemas ela tiver, maior é a chance de se capturar valor e encontrar soluções”. Essa abordagem empreendedora foi tema de sua entrevista no programa Mundo Corporativo.

O caminho para transformar uma indústria

A Clarke Energia, fundada em 2018, nasceu com o propósito de empoderar os consumidores no mercado de energia renovável, um setor historicamente burocrático e analógico no Brasil. Rio explica que se inspirou em mercados internacionais para desenvolver a ideia por aqui. Em países do Reino Unido compra-se energia como se compra passagem aérea no Brasil, com os consumidores tendo acesso a marketplaces que permitem comparar preços e fornecedores em tempo real. Segundo ele, “o mercado de energia brasileiro ainda exige muita educação por parte dos consumidores, o que representa um desafio, mas também uma oportunidade”.

Ao longo da conversa, Rio destacou os avanços do mercado livre de energia no Brasil, onde grandes consumidores já podem optar por fornecedores de energia renovável, alcançando economias de até 50% na conta de luz. Ele acredita que, até 2030, o mesmo será possível para residências. “O Brasil é um dos países mais eficientes em termos de geração de energia. Em breve, todos os consumidores poderão fazer suas comparações e escolher fornecedores.”

Além disso, Rio ressaltou que o crescimento da Clarke Energia se deve, em grande parte, ao compromisso da empresa com a sustentabilidade e a inovação tecnológica. A recente aquisição de 70% da startup pela Energisa, um dos principais grupos do setor elétrico, é vista como uma parceria estratégica para expansão, sem perder o foco em atender os clientes de forma personalizada. “A inovação para dar certo em grandes empresas precisa de autonomia. Nossa cultura e DNA são pilares fundamentais para o sucesso da Clarke.”

Ouça o Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Letícia Valente.

Conte Sua História de São Paulo: só quem te conhece te enfrenta e te aguenta. 

Por Eduardo Engracio da Silva

Ouvinte da CBN

São Paulo, minha querida cidade. 

São Paulo terra da garoa, da chuva, do frio e do calor 

Terra de gente de boa e honesta que trabalha com muito ardor

 

Aqui tem bastante trabalho, de tarde, de noite e de dia 

A cidade que não para, onde tudo acontece sem monotonia. 

Aqui tem metrô, trem, taxi e busão 

Pra cima e pra baixo, nunca para não 

Helicóptero, carrinho de rolimã e avião 

Patinete, bicicleta e skate pra andar no chão. 

Aqui tem rap, tem samba, tem rock e funk 

Tem mina, tem mano, tem brother e punk 

Vários ritmos, várias culturas em uma mistura peculiar 

Muita música, agitação, gastronomia de arrasar.

Na 25 de março, você encontra de tudo e mais um pouco 

Gritaria, empurra-empurra, se brincar você fica louco 

No centro, a história da cidade você pode contemplar 

Igrejas, prédios antigos é muito bom observar. 

Como pode ter crescido tão rapidamente? 

Como tanta gente pode aqui viver tão triste e também sorridente? 

Tanta desigualdade nas ruas podemos ver 

Muitos ricos, muitos pobres você pode crer. 

Oh, minha São Paulo querida de tantas dificuldades e tormentas 

Só quem te conhece te enfrenta e te aguenta. 

Tem enchente, tem tragédia, tem trânsito insuportável 

Tem muita gente, tem comédia, tem que ter animo maleável. 

A vida aqui é dura, corrida e cansativa 

Despertador logo cedo te acorda e te ativa 

Lá fora ainda está escuro…friaca, garoa… 

Mas é preciso ganhar o pão, com garra, de boa. 

Mesmo com tantos defeitos e problemas 

Com todos os seus feitos e dilemas 

Esta cidade continua contagiante e fantástica 

Viva, São Paulo, irradiante e bombástica. 

Viva, minha bela cidade que tanto quero bem 

Igual a ti, certeza que lugar do mundo não tem 

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Eduardo Engracio é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva agora o seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, viste o meu blog miltonjung.com.br e o podcast do Conte Sua História de São Paulo. 

Palestras: acreditar que tudo está sob controle é a receita para o desastre

Acabo de revisar a palestra que farei nesta quinta-feira em um evento na cidade de Itu, interior de São Paulo. Um grupo de líderes e gestores de uma empresa estará reunido para discutirmos o tema da comunicação, uma competência essencial para quem ocupa postos de comando.

Usei o verbo revisar porque esta palestra, com ajustes e adaptações, foi apresentada recentemente a outro grupo de profissionais. Apesar de dominar o tema e de já ter levado aos palcos um roteiro muito semelhante, nunca me atrevo a seguir para um novo compromisso sem revisar os slides, repensar as mensagens, refazer as conexões que dão dinâmica à apresentação e refletir sobre as histórias e casos que serão compartilhados. Sempre há a possibilidade de perceber que algo precisa ser alterado para tornar o assunto mais próximo do público. Mesmo que isso pareça exagerado, sobretudo para quem realiza palestras há 25 anos, acreditar que tudo está sob controle é a receita perfeita para o desastre.

Precisamos aprender com os mestres dessa arte, e um dos nomes mais ilustres é Steve Jobs, que transformava os lançamentos dos principais produtos da Apple em espetáculos, graças a apresentações memoráveis. Ele ensaiava exaustivamente cada detalhe: ajustava slides, transições e até mesmo a entonação da voz.

Na mais bem escrita biografia sobre o criador da Apple, o autor Walter Isaacson relata o preciosismo quase irritante de Jobs ao descrever os preparativos para o lançamento do icônico Macintosh, no auditório Flint do De Anza Community College, em Cupertino, em 1984. Entre tantas exigências, Jobs estava descontente com a iluminação e fez John Sculley, então presidente executivo da Apple, sentar em diversas cadeiras no auditório para dar sua opinião enquanto ajustes eram feitos. Jobs queria que as linhas do computador revolucionário se destacassem no palco. Foram cinco horas de ensaios e modificações, às vésperas da apresentação, para, no dia seguinte, Sculley ouvir de Jobs: “Estou supernervoso. Você é provavelmente a única pessoa que sabe como estou me sentindo.”

Se Steve Jobs ficava tenso, mesmo depois de tantos preparativos para sua palestra, por que eu, você ou qualquer um de nós levaríamos ao palco a prepotência de acreditar que está tudo sob controle?

Vamos falar de palestras no curso de comunicação

Como nos prepararmos para palestras é um dos muitos temas que discutiremos na Certificação Internacional de Comunicação Estratégica para Ambientes Profissionais, que se inicia neste sábado, dia 30 de novembro, com a WCES.

Junte-se a nós: https://lnkd.in/epZKNwY7

Mundo Corporativo: José Renato Gonçalves e o desafio de liderar localmente uma empresa global

José Renato da NEC no estúdio do Mundo Corporativo Foto: Priscila Gubiotti

“A comunicação e a relação com as pessoas são o que realmente importam no final do dia.”

José Renato Gonçalves, NEC

No mundo corporativo globalizado, encontrar o equilíbrio entre autonomia local e diretrizes globais é um desafio que exige habilidade e estratégia. Essa realidade é vivida diariamente por José Renato Gonçalves, presidente da NEC no Brasil, que lidera uma empresa com mais de 125 anos de história e presença em diferentes continentes. Ele conversou sobre o tema no programa Mundo Corporativo.

“A globalização está muito ligada à competitividade”, afirmou José Renato. Ele explicou que operar globalmente permite maior escala e alcance, mas a integração de processos e decisões entre os países requer um “jogo de cintura”. Essa necessidade de adaptação é parte do cotidiano da NEC, que busca alinhar eficiência global com a capacidade de atender às demandas locais.

Tecnologia, inteligência artificial e cidades inteligentes

Sob a liderança de José Renato, a NEC tem avançado em dois grandes blocos de atuação: infraestrutura de tecnologia e soluções para cidades inteligentes. No Brasil, a empresa é responsável por projetos como redes 5G e sistemas automatizados de manutenção. “Hoje, usamos inteligência artificial para automatizar processos e prever falhas, o que traz eficiência para as redes e garante estabilidade.”

Nas cidades inteligentes, as soluções desenvolvidas incluem monitoramento de segurança pública, iluminação pública eficiente e sistemas integrados para gestão urbana. Ele destacou um exemplo relevante: “Nosso software orquestrador conecta diferentes sistemas municipais, como defesa civil, segurança pública e serviços de saúde, permitindo respostas rápidas e integradas.”

Vacinas em 100 dias: a meta da NEC com inteligência artificial

Além das inovações em infraestrutura e cidades inteligentes, a NEC tem apostado na inteligência artificial para transformar a área da saúde. Um dos projetos mais ambiciosos da empresa é o desenvolvimento de vacinas em parceria com grandes laboratórios japoneses. “Nosso objetivo é criar novas vacinas em apenas 100 dias, reduzindo drasticamente o tempo de resposta a uma nova pandemia”, revelou José Renato. Ele explicou que a tecnologia permite não apenas acelerar os processos, mas também personalizar tratamentos com base em características individuais. “Estamos avançando para um futuro em que será possível criar medicamentos sob medida, como remédios que atendam a dosagens específicas para cada paciente.”

Gestão humanizada em um ambiente global

Além da tecnologia, José Renato reforçou a importância de uma liderança focada em pessoas. Para ele, o relacionamento com equipes, clientes e parceiros é essencial. “Romper barreiras hierárquicas, escutar as pessoas e entender suas necessidades é o que permite uma gestão mais eficiente.”

Ele também abordou o impacto de operar em uma estrutura globalizada, onde decisões locais são submetidas a diretrizes internacionais. “Precisamos mostrar a importância de adaptar o que é necessário para atender nossos objetivos locais, mesmo em uma estrutura centralizada.”

Ouça o Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast.

Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Letícia Valente.

Conte Sua História de São Paulo: a coruja enorme no muro de casa

Walter José Soares de Lima

Ouvinte da CBN

Moro na Serra da Cantareira, em Vila Rosa, e tenho várias histórias deste lugar maravilhoso que é a cidade de São Paulo.

Aqui, tive a oportunidade de conviver com diversas espécies de pássaros, macacos e até gambás. Sou adestrador certificado pela Federação Brasileira de Animais (FBAA) e tenho dois cães e duas gatas. Certa vez, encontrei uma coruja grande, assustada pela implantação do Rodoanel, pousada no muro de casa. Levei-a para o centro de reabilitação, mas essa experiência me marcou profundamente. Sou grato por viver nesse paraíso.

Me entristece ver grandes chácaras se transformando em condomínios. As pessoas vivem com tanta pressa que nem sempre percebem as belezas naturais ao seu redor – cachoeiras, uma mata robusta, pássaros, insetos e outros animais fascinantes.

Em minhas caminhadas diárias com os cães, descubro algo novo a cada dia. Se fosse psicólogo, receitaria uma boa caminhada pelo bairro para aliviar o estresse, seja pelas ruas das Palmas do Tremembé, Vila Maria, Vila Marieta, Vila Arnoni ou Vila Rosa. Esse é apenas um pedaço do imenso território – um verdadeiro “bolo maravilhoso” – que é São Paulo.

Há um sentimento profundo que mistura amor e carinho: Alimenta corações e constrói relações de grande valor. Cuida de todos como se fossem filhos. Perdoa facilmente os maus-tratos e retribui com delicadeza. Dorme e desperta num ritmo frenético que molda as pessoas. Une povos, acolhe etnias e tribos, sempre de braços abertos. Torna-se um grande palco de sonhos e conquistas profissionais.

Obrigado por existir, São Paulo! É o mínimo que podemos dizer a essa grande metrópole.

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Walter José Soares de Lima é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva seu texto agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br e o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Mundo Corporativo: Joana Zylbersztajn e Mayra Cotta falam sobre assédio e discriminação no trabalho

Mayra e Joana em entrevista ao Mundo Corporativo. Foto: Pricila Gubiotti/CBN

“Quando a gente critica o punitivismo, a gente não tá falando sobre desresponsabilização.”

Mayra Cotta

Casos de assédio moral e sexual nas empresas têm sido tratados de forma superficial, focando mais na punição dos envolvidos do que na transformação do ambiente que os permitiu. A responsabilidade vai além do desligamento, é preciso reparar a vítima e reconstruir o ambiente, explicam Joana Zylbersztajn e Mayra Cotta, sócias da Veredas Estratégias em Direitos Humanos. Este foi o tema do programa Mundo Corporativo, onde as especialistas compartilharam uma visão menos simplista sobre o enfrentamento do assédio e da discriminação nas organizações.

Escuta ativa e prevenção: uma abordagem integrada

Para Zylbersztajn e Cotta, uma política eficaz contra assédio e discriminação deve ser fundamentada na escuta ativa e no acolhimento. “O canal tem que estar preparado para receber desconfortos menores e lidar com problemas antes que se tornem grandes”, explica Joana Zylbersztajn. A abordagem puramente punitiva não só intimida colaboradores a reportar incidentes menos graves, mas também deixa a verdadeira causa do problema intocada. “Desligar alguém sem entender o que no ambiente permitiu o comportamento é combater o sintoma, não a causa.”

As fundadoras da Veredas DH alertam que o enfrentamento de assédio e discriminação precisa de treinamentos contínuos que tratem o problema em sua estrutura mais ampla. Esses treinamentos envolvem não apenas a exposição das condutas inaceitáveis, mas também a exploração das dimensões culturais que sustentam essas práticas. “É fundamental que gestores entendam a complexidade do assédio e se sintam equipados para agir com empatia e precisão. As empresas precisam desenvolver uma governança robusta para lidar com esses casos, indo além do simples cumprimento legal.”, comenta Mayra Cotta.

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Conte Sua História de São Paulo: a flor no asfalto

Por Valéria Dantas Machado do Nascimento

Ouvinte da CBN

Photo by Manoel Junior on Pexels.com

Viva a vida em São Paulo. Viva a flor no asfalto.

Quando penso em São Paulo, afirmo: logo eu existo.

Nasci e cresci aqui, então me sinto parte deste todo, deste mundão.

Hoje quase cinquentona, tenho muitas histórias pra contar.

Na infância, a Praça da Árvore foi meu berço, lá nasci, mas aos dois anos de idade fui para Vila Gumercindo.

De mãos dadas éramos quatro, papai, mamãe, maninho e eu, e hoje somos mais, irmãos, cunhada, sobrinho e afilhada. O ritmo é este crescer, conhecer, surpreender-se, com este São Paulo, com este mundão.

Passeios com mãos dadas, os primeiros passos, a natureza no asfalto. Mamãe de Salvador e papai do interior de Jabuticabal, já aqui afeiçoados, nos ensinavam que havia sim flor neste asfalto. Então seja no Zoo, no Ibirapuera, no Horto ou na Cantareira, e até no ponto zero, na Praça da Sé alimentar pombos era prazer de casa aos domingos.

Aqui vemos de tudo, e tudo com potência máxima. Do caos, ao crime, a paz, a evolução.

Sim, São Paulo tem e é a pura satisfação. E quem aqui não nasce se torna cidadão de coração.

Como destino ou de passagem, quem passa por São Paulo, leva consigo esperança, agito e o acreditar!

De manhã em oração quem me acompanha são as maritacas, os beija-flores que se reúnem em cima dos fios e dos postes de eletricidade. Totalmente adaptados a cidade grande. Vão e vem sem casa fixa, transformam seus ninhos em momentos de paz neste caos.

E é no Museu do Ipiranga que acontece a magia, a conexão com a natureza!

No jardim frontal onde as palmeiras se transformam nas primeiras horas do dia, em verdadeiros pés de pássaros. O jardim enche nossos olhos e nos dão a impressão de simetria nem sempre percebida por pessoas que na pressão cumprem suas metas sem se dar conta da vida ao redor.

Na pista de Cooper as folhas, os galhos, os diversos cantos e os passos de corredores anônimos marcam o início de mais um dia. No “story” registro o momento em que carros param, buzinas cessam e me conecto com a natureza em meio ao agito. Por instantes, a pressão se torna calmaria, o tempo não marca as horas, o agito se acalma dentro de nós.

Ao voltar para casa, meus pés pisam no asfalto da avenida, um carro freia, o pedestre reclama e o ciclista a tudo isso continua seu trajeto. Mas algo dentro de mim mudou, renovou e percebo que ao voltar não integralmente mais a mesma dentro de mim ainda me conecto aos minutos vividoa  e sei que tudo já deu certo!

Nas estações que se mesclam e não seguem o calendário, já aprendi que reclamar do tempo ‘w como se queixar da “previsão” não assertiva dos meteorologistas. Então, é assim viver aqui, rezar para ir e voltar, agradecer e acreditar que amanhã será ainda mais bonito do que hoje. E de geração para geração a CBN faz parte do meu dia a dia.

Viva a vida em São Paulo. Viva a flor no asfalto.

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Valéria Dantas Machado do Nascimento é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Ouça a sua história aqui na CBN. Escreva agora o seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Outros capítulos da nossa cidade, você tem no meu blog miltonjung.com.br e no podcast do Conte Sua História de São Paulo.