Um crime contra a liberdade de se fazer política

 

 

Por Mílton Jung
criador do Adote um Vereador SP

 

 

 

 

Os vereadores têm o dever de defender os valores fundamentais para que as pessoas possam viver e terem chances iguais de felicidade. Dentre esses valores estão o respeito aos direitos humanos, a liberdade de expressão e a democracia. Aqueles que constróem seu mandato pautados nessas ideias devem ser respeitados e valorizados, pois fazem da política uma arte maior.

 

 

Os assassinos de Marielle Franco, vereadora pelo PSOL do Rio de Janeiro, morta na quarta-feira à noite, no centro da cidade, quiseram atingir esses valores e mais uma vez colocar a sociedade como refém do medo.

 

 

Marielle foi eleita com 46,5 mil votos, a quinta mais votada no Rio de Janeiro, e teve sua trajetória dedicada a defender bandeiras relacionadas ao feminismo, aos direitos humanos e aos moradores de favelas.

 

 

Mesmo que a apuração ainda esteja em curso, as características do crime não deixam dúvidas: foi uma execução. E fica muito claro que, com este ato, os assassinos e seus mandantes pretendem enviar a mensagem de que não vale a pena fazer da política uma ferramenta em favor do bem comum.

 

 

Que ninguém se engane e pense nesse acontecimento como se fosse um ato isolado. O que Marielle Franco sofreu foi o grau máximo de violência que os defensores dos direitos humanos sofrem em seu cotidiano.

 

 

A intolerância em relação aos que acreditam no direito à vida e à liberdade é frequente e ocorre de diversas formas: na maior parte das vezes, através de palavras; outras tantas, pelo descrédito oferecido a seus porta vozes; e em alguns casos com a violência física que pode, inclusive, levar à morte, como ocorreu com a vereadora carioca.

 

 

Infelizmente, persiste em parcela da sociedade a ideia que a defesa dos direitos humanos é a defesa dos bandidos. A ponto de o assassinato de Marielle Franco estar servindo de cenário para este falso dilema.

 

 

É preciso entender que se defendemos de verdade os direitos humanos, não temos o direito de escolher quem os merece. São direitos de todos. Se quero que o homem de bem seja respeitado, tenho por obrigação oferecer este mesmo respeito a todos os demais seres humanos, independentemente de seu comportamento.

 

 

Aos que cometem crimes contra a sociedade e violentam o cidadão cabe a justiça. E justiçar não é vingar. A sociedade que age com o sabor da vingança é uma sociedade injusta.

 

 

Nós do Adote um Vereador acreditamos na ideia de que a proximidade do cidadão, através do monitoramento e fiscalização do mandato, é importante para que os parlamentares atuem nas câmaras municipais em busca do bem comum.

 

 

Portanto – e peço licença aos demais participantes para dizer o que digo -, não podemos aceitar em hipótese alguma qualquer atitude que vise coibir a ação legítima desses representantes.

 

 

Sendo assim, espera-se que a polícia e as autoridades brasileiras investiguem com rigor e eficiência esse crime que pretende calar todos os parlamentares e pessoas que defendem os direitos fundamentais. Espera-se que os assassinos – os que mandaram matar e os que cumpriram a ordem – sejam identificados, julgados e condenados pelo crime cometido.

 

 

Que a justiça seja feita em nome da nossa liberdade de fazer política seja através de um mandato – como devem fazer os vereadores – seja através da ação cidadã – como fazemos nós no Adote um Vereador.

Gosto pela política

 

Por Nei Alberto Pies
professor e ativista de direitos humanos

 

“O meu ideal político é a democracia, para que todo o homem seja respeitado como indivíduo e nenhum venerado”. (Albert Einstein)

 

Não vou declarar publicamente meus votos para estas eleições gerais. Um artigo ou crônica não servem para isso. Vou declarar um conjunto de habilidades e qualidades que subsidiem a escolha dos votos para deputado estadual, deputado federal, senador, governador e presidente da república. Acredito que as reflexões podem colaborar para afirmar a crença na boa política, levada a sério na perspectiva do bem comum, como já aprendemos com os sábios gregos. Escrevo por intuição e por conta da vivência e convivência de anos na militância política.

 

Meus votos serão ideológicos, marcados por uma posição que enfrenta as desigualdades sociais e a construção de oportunidades para a grande maioria de nossa população. Fazem parte das minhas lutas de militância e ativismo dos direitos humanos. Outros, como eu, votam ideologicamente. Foram e são influenciados por suas histórias de ativistas da política. A maioria da população, no entanto, leva em conta um conjunto de fatores que estão além ou longe da ideologia; são frutos de contextos e de experiências pessoais de favorecimento, de promessas de futuro ou de relações de amizade e cumplicidade.

 

O povo gosta de votar em políticos convincentes e bem articulados. Sabe distinguir os candidatos ingênuos dos “espertos”. Aliás, esperteza, astúcia e coerência são ingredientes que convencem e ajudam a eleger muitos políticos. O povo quer se ver bem representado, enxergando no seu candidato alguém que seja capaz de autodeterminar-se, sem ceder a pressões que o façam mudar de ideia.

 

Como muitos candidatos confundem o eleitor ao se apresentarem fora da especificidade do cargo a que concorrem! Falam que irão fazer, quando sua função será falar e representar. Outros pleiteiam cargos executivos, mas comportam-se como legisladores. Quem define que quer exercer função pública deve saber falar bem, relacionar-se com naturalidade, gostar de pessoas, demonstrar carinho e afeto nas abordagens com o eleitor, manter permanente coerência, ser ético.

 

A política exige posicionamentos, opções e virtudes, permanentemente. Quem se dispõe à vida pública deve entender que a sua vida pessoal e interpessoal, sua experiência e liderança nas organizações, suas condutas pessoais serão avaliadas e confrontadas com as propostas e soluções coletivas que o mesmo apresentar. Por isso mesmo, não é possível separar a pessoa da função e da responsabilidade do cargo que a mesma está disputando.

 

Cada político possui um “capital social”, que é muito importante para construir identidade com seu eleitor. Este capital é fruto das relações com a comunidade, com o partido ou com os seus pares (apoiadores). Muitos chamam este capital de carisma, de marca, de identidade própria ou peculiaridade. O marketing e a propaganda política, quando coerentes com a vida e a atitude dos candidatos, cumprem papel importante para subsidiar as escolhas de nossos votos nesta eleição.

 

Declaro meu gosto pela política porque a política é da nossa essência humana. Também porque ela é decisiva para a promoção da nossa cidadania. Além de votar, luto para que se ampliem as formas de toda sociedade manifestar-se e decidir sobre os rumos de nosso estado e nossa nação, a partir de uma Reforma Política. A democracia exige a superação da alienação política e o engajamento permanente de todos. As políticas públicas e sociais, os nossos direitos e os rumos da economia precisam sempre estar a serviço das pessoas e não dos interesses financeiros ou de grupos que teimam em governar como se governassem para a sua família ou para seus clãs.

Cidadania não se faz vazia

 

Por Nei Alberto Pies
Professor e ativista de direitos humanos

 

“Não é no silêncio que os homens se fazem, mas na palavra, no trabalho, na ação-reflexão”. (Paulo Freire)

 

A cidadania não é vazia. Ela reveste-se de conteúdos e práticas que traduzem, necessariamente, atitudes, vivências e oportunidades que todos realizamos em sociedade. Cidadania é a possibilidade concreta de todos e todas usufruírem das condições materiais, culturais e científicas produzidas por uma nação e pelo mundo. Para alguns poucos, talvez, cidadania não signifique mais do que reconhecimento. Para a maioria, no entanto, cidadania representa a possibilidade de participar do mundo, a partir de condições de uma vida na dignidade. A dignidade humana envolve questões elementares como educação, habitação, alimentação, saúde, lazer, trabalho, consideração e respeito.

 

O Brasil promoveu, nos últimos anos, importantes avanços para combater a pobreza e as desigualdades sociais, mas ainda vivemos sob a regência de uma “cidadania de papel”. Gilberto Dimenstein, autor do livro “O cidadão de papel”, afirma que “cidadão de verdade é aquele que é respeitado e pode se sentir digno ao pagar impostos”. Ainda vivemos situações onde a cidadania não acontece por conta da própria burocracia estatal que se encarrega de dificultar o acesso aos bens e serviços básicos. A burocracia, o papel, atrapalha e dificulta muito a cidadania. A legislação brasileira, tida como uma das mais avançadas, não garante cidadania. Para tirá-la do papel, é preciso exigir e cobrar permanentemente a sua efetividade no cotidiano de nossas comunidades. Mas como cobrá-la se nem sempre temos pleno conhecimento de nossos direitos ou se não temos disponibilidade pessoal ou coletiva para cobrá-la?

 

A decadência do poder da cidadania leva as pessoas a apostar na sorte. Os direitos passam a ser vistos como possibilidades sujeitas a trocas ou favores e não como elementos de exigibilidade. Muitos brasileiros, infelizmente, são induzidos a crer que a sua vida sempre depende da bondade, conhecimento ou influência de alguém. Desta forma, vivem passivamente à espera de dias melhores, sem tomar as suas iniciativas.

 

Para vivermos uma cidadania ativa, precisamos construir condições de “empoderamento” através da informação, conhecimento, orientação e organização das pessoas em suas comunidades. Quem conhece seus direitos, participa de sindicatos, grupos ou associações, passa da apatia cidadã para uma postura de sujeito de direitos, tornando-se capaz de reclamar e atuar na defesa e promoção dos direitos, sem pestanejar. Ao perceber os limites de sua atuação individual, passa a ser também um sujeito social, capaz de buscar soluções de forma coletiva e organizada. A organização coletiva, para a conquista dos direitos, é a melhor forma de transformar “letra morta” (lei) em realidade.
Ao contrário dos valores individualistas e egoístas, a luta por direitos humanos se faz na cooperação, no amor e na solidariedade. Lutar por direitos é acreditar nas potencialidades humanas e na liberdade de cada um e cada uma realizar as suas escolhas.

Painel pelos Direitos Humanos, no metrô da Luz

Com cerca de 22 metros quadrados, este painel instalado na estação de metrô da Luz, centro de São Paulo, leva a assinatura da franco-belga Françoise Schein. Com a parceria de jovens, ela chama atenção para os artigos da Declaração Universal dos Direitos Humanos dando seguimento a projeto que desenvolve há mais de dez anos. Lisboa, Paria e Bruxelas são outras cidades que abriram espaço em suas estações de metrô para trabalhos de Françoise Schein. Nesta sexta-feira, comemora-se o Dia Internacional dos Direitos Humanos.

A primeira entrevista a gente nunca esquece

 

Carlos Magno Gibrail

… a gente e a autora, também.

Dilma Rousseff reafirmou ao “Washington Post” o que já tinha externado em sua primeira entrevista como presidente eleita, quando sinalizou uma mudança na política externa brasileira ao definir como “bárbara” a ameaça de um provável apedrejamento contra a iraniana Sakineh Mohammadi de acordo com as leis e tradições locais.

Mais uma vez, coube ao tradicional jornal americano o mérito de estampar tão importante indício, publicando a fala sobre o apedrejamento, e que, certamente, repercutirá internacionalmente assim como aconteceu ontem na imprensa nacional:

“Não sou presidente do Brasil, mas me sentiria desconfortável, como uma mulher eleita presidente, em não dizer nada contra o apedrejamento. Minha posição não vai mudar quando eu assumir. Não concordo com a posição brasileira. Não é a minha posição.”

“Não concordo com práticas que tenham características medievais contra as mulheres. Não há nuances. Não vou fazer nenhuma concessão nessa matéria”.

As mulheres são de Vênus e os homens de Marte?

Vejamos o que o presidente Lula disse sobre o mesmo tema:

“Se começassem a desobedecer às leis deles para atender aos pedidos dos presidentes, daqui a pouco haverá uma avacalhação”.

No momento em que a Suíça quebra a isonomia democrática, com o tratamento dado aos imigrantes após plebiscito nacional, e Holanda, Itália e Dinamarca se tornam precursoras de um fantasma que assombra a Europa, designado de fascismo suíço por Vladimir Safatle em seu artigo de ontem na Folha, é imprescindível que o Brasil se apresente de forma enérgica em defesa dos Direitos Humanos.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve às quartas-feiras no Blog do Mílton Jung

Bolsonaro e a Branca de Neve

 

Por Carlos Magno Gibrail

Jair Bolsonaro, deputado federal PP RJ, reeleito para mais um mandato, aconselha em programa da TV Câmara em pauta da Comissão dos Direitos Humanos:

“O filho começa a ficar assim meio gayzinho, leva um coro, ele muda o comportamento dele”.

E complementa:

“Olha, eu vejo muita gente por aí dizendo: ainda bem que eu levei umas palmadas, meu pai me ensinou a ser homem”.

O programa “Participação Popular” da TV Câmara quinta feira em rede nacional, contou com a presença do presidente da Frente Parlamentar da Criança e do Adolescente, Paulo Henrique Lustosa, e discutia a Lei da Palmatória. Bolsonaro representava a Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) da Câmara Federal.

A repercussão levou o deputado Bolsonaro à mídia, que sem cerimônia continuou no tom:

“Se o garoto anda com maconheiro, ele vai acabar cheirando, e se anda com gay, vai virar boiola com toda certeza”.

Na Rede TV, Bolsonaro, em programa para debater o episódio da TV Câmara, em dupla com Beto de Jesus, diretor da Associação de Gays e Lésbicas, ao se apresentar, perguntou:

“Vocês gostariam de ter um filho parecido comigo ou com ele”?

Arroubo de vaidade, plagiando a rainha invejosa da Branca de Neve em diálogo com o espelho, ou a saída do armário do Coronel Fits em Beleza Americana?

O preconceito em si esconde a relevância maior, tal qual nas boas películas, cujo roteiro e interpretações superam o fato.

Os vários mandatos de Bolsonaro são coerentes com os eleitores que representa. O incoerente é um deputado que apoiou a tortura de presos, considerou Vinicius de Morais um traidor, achou que o massacre dos 111 do Carandiru devesse ser 1000 e que pediu o fuzilamento de FHC quando presidente, pertença à Comissão de Direitos Humanos e Minorias como um de seus membros.

Esperemos que hoje, data marcada para o julgamento de Jair Bolsonaro, a CDHM Comissão de Direitos Humanos e Minorias, não decida de modo extremo e naturalmente afaste-o, pois como extremista não cabe em tão nobre entidade cujo objetivo é proteger as minorias da ação dos extremistas.

Carlos Magno Gibrail ė doutor em marketing de moda e, às quartas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung

A história do Brasil no site do prêmio Vladimir Herzog

 

A história contada pelos presos políticos ainda nas grades, a partir de cartas escritas com dramaticidade e realismo, deu ao jornal mineiro De Fato o prêmio Vladimir Herzog de jornalismo, em sua primeira edição, em 1979, quatro anos após o assassinato do jornalista paulista por torturadores que trabalhavam para o regime militar. Este trabalho é um documento histórico que nos ajuda a entender como foi difícil reconquistar a democracia no Brasil e como devemos valorizá-la.

A partir de agora, material com esta riqueza de informações está disponível em um site que reúne todas as reportagens – ou quase todas – vencedoras do prêmio Vladimir Herzog. De acordo com o criador do Instituto Vladimir Herzog e filho do jornalista, Ivo, ainda faltam cerca de 270 reportagens a serem digitalizadas. Muito deste material, principalmente os premiados na categoria rádio, se perdeu com o tempo e talvez esteja em poder de jornalistas ou colecionadores.

O lançamento do site do Prêmio Vladimir Herzog
será neste sábado e faz parte de uma série de eventos para lembrar os 34 anos de morte do jornalista. Logo após a apresentação do site que já está no ar, haverá debate “Nenhuma Lei, Novas Tecnologias: o Futuro dos Jornalistas e do Jornalismo” com a presença de Caio Túlio Costa, Rodrigo Savazoni e Igor Ribeiro. O evento será no Espaço Vladimir Herzog, na rua Rego Freitas, 530, centro de São Paulo.

Ouça a entrevista com Ivo Herzog, do Instituto Vladimir Herzog

Para saber toda a progamação em homenagem a Vladimir Herzog acesse aqui.

Santander da Paulista não tem acesso e culpa prefeitura

“A Prefeitura que venha multar”. Foi a frase  que Julie Nakayama ouviu de funcionária da agência do Banco Santander, na avenida Paulista, 453, ao reclamar da falta de acesso ao prédio. Julie é fiscal de acessibilidade da Paulista, circula de cadeira de roda em toda a extensão em busca de desrespeitos ao cidadão. Encontrou na porta do Santander duas rampas com degrau que impedem, por exemplo, a entrada de cadeirante. A funcionária que a atendeu, identificada apenas por Cláudia, colocou a culpa na prefeitura que ao reformar a calçada deixou a entrada fora do nível. A vereadora Mara Gabrilli (PSDB) comenta: “Imagine se todas as calçadas da cidade tivessem de se adaptar a entrada dos prédios ?”

Reproduzo aqui, comentário publicado pela Julie no Blog:

Julie Nakayama:

Milton Jung,

Muito obrigada por ajudar a divulgar os grandes problemas da avenida.
Apesar da falta de consideração com o próximo da coordenadora Cláudia, hoje já tivemos uma boa notícia: a vereadora Mara Gabrilli acaba de falar com Fernando Martins, diretor da Ouvidoria do Banco Santander e Gislaine, responsável pelo banco também acaba de me ligar. Segundo ela, o Banco Santander irá notificar a coordenadora Cláudia, e as adaptações serão feitas no local. Assim que pronta,já fui convidada para conferir se está aprovada ou não.
Vamos esperar e assim que tiver notícias, te informo.

 

A homofobia nas escolas

Por Cláudio Fonseca
Professor e vereador do PPS-SP

Pesquisa recente elaborada pela Secretaria de Educação do Distrito Federal, em parceria com a Ritla – Rede de Informação Tecnológica Latino-Americana, revela um perigoso e trágico sintoma da nossa sociedade: cresce, dentro das salas de aulas, uma onda homofóbica. Os responsáveis pelo estudo acreditam que esse comportamento também se espalha por todo o país, pois pesquisas e estudos já comprovaram essa tendência enraizada na nossa sociedade.

Intitulada “Revelando Tramas, Descobrindo Segredos: Violência e Convivência nas Escolas”, a pesquisa indica que os homossexuais são o grupo que sofre mais discriminação dentro do seio escolar: em Brasília, base do último estudo, 63,1% dos entrevistados alegam já ter visto pessoas que são (ou são tidas como) homossexuais sofrerem preconceito. Foram ouvidos 10 mil estudantes e 1.500 professores.

Outros dados também mostram um grave avanço do preconceito e da discriminação sexual: mais da metade dos professores ouvidos afirmaram ter presenciado cenas de discriminação contra homossexuais nas escolas. Já 44% dos meninos e 15% das meninas afirmaram que não gostariam de ter colegas homossexuais.

São números que chocam e entristecem aqueles que lutam pela igualdade e a diversidade cultural e sexual. É preciso repensar nosso papel de educadores frente aos fatos apresentados pela pesquisa. O preconceito à escolha sexual produz efeitos extremamente preocupantes aos alunos discriminados: baixo rendimento escolar, desinteresse, abandono, depressão e, em muitos casos, à morte.

Na última década, o Brasil amadureceu na discussão da diversidade sexual. O tema passou a ser discutido abertamente em diversos segmentos da sociedade civil organizada, com a seriedade e o respeito que o assunto merece. Muitas conquistas já são visíveis, consolidadas, como a própria Parada do Orgulho Gay, que a cidade de São Paulo promove há alguns anos.

Portanto, já passou da hora de dar a questão da diversidade sexual dentro das escolas uma atenção especial por parte de toda a sociedade: pais, educadores, governantes e os próprios alunos devem participar do debate, entender onde nasce o preconceito e combate-lo de todas as formas. O preconceito a todas as formas de manifestação cultural e racial já produziu cenas lamentáveis, danos irreparáveis para os povos de todo o planeta.