A primeira entrevista a gente nunca esquece

 

Carlos Magno Gibrail

… a gente e a autora, também.

Dilma Rousseff reafirmou ao “Washington Post” o que já tinha externado em sua primeira entrevista como presidente eleita, quando sinalizou uma mudança na política externa brasileira ao definir como “bárbara” a ameaça de um provável apedrejamento contra a iraniana Sakineh Mohammadi de acordo com as leis e tradições locais.

Mais uma vez, coube ao tradicional jornal americano o mérito de estampar tão importante indício, publicando a fala sobre o apedrejamento, e que, certamente, repercutirá internacionalmente assim como aconteceu ontem na imprensa nacional:

“Não sou presidente do Brasil, mas me sentiria desconfortável, como uma mulher eleita presidente, em não dizer nada contra o apedrejamento. Minha posição não vai mudar quando eu assumir. Não concordo com a posição brasileira. Não é a minha posição.”

“Não concordo com práticas que tenham características medievais contra as mulheres. Não há nuances. Não vou fazer nenhuma concessão nessa matéria”.

As mulheres são de Vênus e os homens de Marte?

Vejamos o que o presidente Lula disse sobre o mesmo tema:

“Se começassem a desobedecer às leis deles para atender aos pedidos dos presidentes, daqui a pouco haverá uma avacalhação”.

No momento em que a Suíça quebra a isonomia democrática, com o tratamento dado aos imigrantes após plebiscito nacional, e Holanda, Itália e Dinamarca se tornam precursoras de um fantasma que assombra a Europa, designado de fascismo suíço por Vladimir Safatle em seu artigo de ontem na Folha, é imprescindível que o Brasil se apresente de forma enérgica em defesa dos Direitos Humanos.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve às quartas-feiras no Blog do Mílton Jung

15 comentários sobre “A primeira entrevista a gente nunca esquece

  1. Apedrejamento?
    Abominável!

    No Brasl trabalhamos 4 meses por ano somente para pagar impostos, nos oito meses seguintes depois de pagos os impostos, somem todos os oito meses de salarios e dividam por doze para ver quanto ganham em media por mes.
    A saude publica cada vez meia precaira
    Transporte publico de ma a pior
    Estradas esburacadas
    Ensino ainda muito longe do aceitavel
    Segurança publica um verdadeiro terror, o Haiti é aqui.
    Codigo penal ainda da decada de 40 e pouco se fez para deixar mais eficiente
    Os “dimenor” assaltam, matam, estupram, agridem cometem todos os tipos de barbaridades e depois de tres anos de ficarem “descansando” nas fundações casa, ao completarem 18 anos saem com a fica limpa como se nada tivessem cometido.
    Os sem isso, sem aquilo destroem tudo pela frente e fica por isso mesmo.
    Deuptados senadores , vereadores ganham verdadeiras fortunas, são ricos milionarios, latifundiarios, trabalham 3 veses por semana, recebem jetons entre outras benessers sempre pagas pelo povo, aposentam-se em quatro anos, tem seguro saude pago pelo povo, quando sentem um dorzinha de barriga, uma unha encravada depressinha tem sempre um jatinho executivo a disposição para se deslocarem a sumpaulo e sempre são atendidos nos melhores hospitais(quero ver se algum destes se fosse atentidos pelo SUS)
    Palhaço semi alfabetizado, nada contra a pessoa, o ser humano, conforme nos mostrou a midia e magistrados, são eleitos.
    Só que ver na hora de fazer um discurso na tribuna quando tiver que ler o dito cujo.
    entre outras cositas más, se for ficar digitando haja paginas e mais paginas.
    Independente de que partido for.
    Se tentar mover uma simples ação contra o estado, esqueça, porque o processo pode ficar anos “em tramite’ por ai, você acaba morrrendo de tanto esperar o vredicto.
    a nossa justiça ainda voa com motores a pistão tamanha é a sua lerdesa.
    Não culpemos os funcionarios nem os magistrados.
    Quem serão os culpados por tantos e tantos desmandos?
    Gente!
    Acho que quem esta sendo apedrejado, aqui somos nós, brasileiros, paulistas, paulistanos, cariocas, sergipanos, cearenses……………………

  2. Dilma está correta na veemente condenação da barbárie iraniana. Porém, deve lembrar sempre de dois fatos cruciais:
    1.O grande acerto de Lula na política internacional foi falar de igual para igual e de perto. Bater a porta na cara, como fazem e pregam os EUA, por exemplo, não teria conseguido resultado algum. Com a diplomacia (e a pressão popular internacional), Sakineh teve o julgamento revisto.
    2.O Irã não está sozinho nas práticas medievais. Condená-lo, corretamente, significa condenar a todos os semelhantes.
    Abraços,
    Grilo D

  3. Vejam a nota do G1 :

    BERLIM – A iraniana Sakineh Mohammadi-Ashtiani, de 43 anos, foi libertada da prisão, afirmou nesta quinta-feira Mina Ahadi, líder da Comissão Internacional contra a Pena de Morte e o Apedrejamento, à correspondente do GLOBO em Berlim, Graça Magalhães-

  4. Carlos, Com. 7 e 9,

    Felizmente nossa civilização sempre lutou pelos direitos humanos e independência de pensamento de acordo com as condições de cada época. Quando vc diz nova perspectiva, não deixo de crer que a evolução material e espiritual estão nos sendo grande aliadas contra as barbáries: Seu texto sobre câmeras de vigilância e os comentários ilustram bem isso. Apesar de morar em outro estado, Sou Paulista e Paulistano e, até os 13 anos morei nas Ruas Manoel da Nóbrega e Cubatão. Aprendi a andar de bicicleta nos calçadões da Paulista, no vão livre do MASP e no Parque Trianon. Sou heterossexual e talvez veladamente, como todo garoto de minha época, fui ensinado a ser homofóbico. Mas, meu lado humano e a experiência de um homem de 47 anos, execraram o preconceito por qualquer tipo de comportamento e sentimento humano e, me fazem sentir vergonha das barbáries no mundo e onde um dia foi extensão do meu quintal, em pleno século 21!

    Louvo a todos que lutaram a sua maneira pela vida de Sakineh Mohammadi. A tecnologia de ponta de difusão e Alá, estiveram e sempre estarão com eles.

  5. Beto, comentário 10
    Muito boa a sua análise sobre a questão da homofobia.
    Além de pertinente ao momento deste episódio iraniano e também ao dia internacional dos Direitos Humanos, que inclusive abre hoje a pauta do dia pelo Milton Jung.

    Quanto ao ocorrido na Paulista vamos ainda precisar entender o porquê de tantos acidentes similares após a divulgação do primeiro caso da lâmpada fluorescente.
    Será que ao invés de inibir o espaço da midia estimula ?
    Espero que não seja esta a explicação.

  6. Carlos, com.11,

    Se não fosse as câmeras, acredito que seria até pior. Este tipo de gente que é uma imensa minoria, usa sua loucura e ignorância, com o delírio de estar defendendo o pensamento da maioria. Recentemente tivemos o caso dos neonazistas de Porto Alegre que, é um grupinho que teima em sujar a imagem da maioria dos orgulhosos gaúchos do bem. Ou seja, o delírio os fazem ignorar qualquer tipo de vigilância.

    Como já lhe disse, acredito que em muitos momentos podemos ser minoria e maioria de algo:

    – Jorge Benjor: É de uma minoria golfista e ao mesmo tempo pertence a maioria da população de pele não branca do país.

    – Clodovil Hernandes: Foi de uma minoria que assumiu sua homexualidade publicamente e ao mesmo tempo foi admirado pela maioria das mulheres que gostam de alta costura.

    – Bairro de Higienópolis: Bairro de uma minoria sócio-econômica privilegiada e ao mesmo tempo é habitado pela maioria da colônia Judaica.

  7. Beto,comentário 12.
    Não tenho nenhuma dúvida da utilidade das câmeras, inclusive as tenho em minha casa. Elas já serviram para provar entregas não realizadas, batidas de carro efetivas. Inclusive posso provar ao IBGE que o pesquisador esteve apenas uma vez e não mais voltou,conforme tinha agendado.
    Talvez seja até um bom tema para a quarta feira.

  8. Na Folha de hoje a seção Tendências/Debates publica a tradução de artigo da jornalista norte americana presa por cem dias no Irão ano passado. Autora do livro “ENTRE DOIS MUNDOS MINHA VIDA DE PRISIONEIRA NO IRÔ ela afirma :
    “Agora é o momento de provar se as boas intenções declaradas pela próxima presidente do Brasil se convertem em ações concretas. É hora de ser a voz daqueles que não tem voz”.

  9. Como era previsto a repercussão internacional da entrevista no Washington Post aconteceu.
    Thomas A. Shannon embaixador americano em Brasília disse à VEJA :”…Essa atitude foi muito bem recebida, e não apenas nos Estados Unidos.À medida que a importância internacional relativa do Brasil vai aumentando ,tornam-se mais frequentes também os momentos em que o governo brasileiro se verá na posição de ter de deixar bem claros seus valores. Desse ponto de vista, as palavras de Dilma Rousseff foram um excelente começo.”

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