Ditos populares na minha infância

 

Por Julio Tannus

 

HOJE É DOMINGO PÉ DE CACHIMBO… e eu ficava imaginando como seria um pé de cachimbo, quando o correto é:
HOJE É DOMINGO PEDE CACHIMBO… (fumar um cachimbo).

 

E a gente pensa que repete corretamente os ditos populares.

 

No popular se diz: “Esse menino não para quieto, parece que tem bicho carpinteiro”. Minha grande dúvida na infância: Mas que bicho é esse que é carpinteiro, um bicho pode ser carpinteiro??? O correto: “Esse menino não para quieto, parece que tem bicho no corpo inteiro”. Está aí a resposta para meu dilema de infância!

 

“Batatinha quando nasce esparrama pelo chão”. Enquanto o correto é: “Batatinha quando nasce, espalha a rama pelo chão”. Se a batata é um caule subterrâneo, ou seja, nasce enterrada, como ela se esparrama pelo chão se ela está embaixo dele?

 

“Cor de burro quando foge”. O correto é “Corro de burro quando foge”. Esse foi o pior de todos. Burro muda de cor quando foge? Qual cor ele fica? Por que ele mudaria de cor?

 

Outro que no popular todo mundo erra: “Quem tem boca vai a Roma”. Bom, esse eu entendia, de um modo errado, mas entendia! Pensava que quem sabia se comunicar ia a qualquer lugar. O correto é: “Quem tem boca vaia Roma”. Isso mesmo, do verbo vaiar.

 

Outro que todo mundo erra: “Cuspido e escarrado” – quando alguém quer dizer que é muito parecido com outra pessoa. O correto é “Esculpido em Carrara”. Carrara é um tipo de mármore.

 

Mais um famoso: “Quem não tem cão, caça com gato”. Entendia também errado, mas entendia. Se não tem cão para ajudar na caça o gato ajuda! O correto é “Quem não tem cão, caça como gato”. Ou seja, sozinho.

 

Julio Tannus é engenheiro, consultor em estudos e pesquisa aplicada, co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier), autor do livro “Razão e Emoção” (Scortecci Editora)

Reminiscências – 30 ditos populares

 

Por Julio Tannus

 

… De minha memória:

 

Quem tudo quer nada tem
Quem pode, pode; quem não pode se sacode
Quem não tem cão caça com gato
Quem ri por último ri melhor
Quem não chora não mama
Quem conta um conto aumenta um ponto
Quem tem pressa come frio
Quem não arrisca não petisca
Quem tem boca vai a Roma

 

Por fora bela viola, por dentro pão bolorento
Macaco velho não põe a mão em cumbuca
Devagar se vai ao longe
Escreveu não leu, pau comeu
De grão em grão a galinha enche o papo
Nem tudo que reluz é ouro
Gato escaldado tem medo de água fria
Negócio é negócio, amigos à parte
Foi para Portugal, perdeu o lugar
Filho de peixe, peixinho é

 

Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come
É melhor um pássaro na mão do que dois voando
Comprou gato por lebre
A mentira tem perna curta
Em boca fechada não entra mosca
Dinheiro pouco é bobagem
O peixe morre pela boca
Sorte no jogo, azar no amor
Nadou, nadou e morreu na praia
A esperança é a última que morre
Acabou-se o que era doce, quem comeu regalou-se

 


Julio Tannus é consultor em Estudos e Pesquisa Aplicada e co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier). Às terças-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung