Avalanche Tricolor: estava mais pra Divino

 

Corinthians 3 x 1 Grêmio
Brasileiro – Pacaembu (SP)

 

Você há de convir, caríssimo torcedor gremista, futebol aos sábados, 9 da noite, só se for do Divino, o melhor time da dramaturgia brasileira,  que reúne um grupo de jogadores mais envolvidos em paixões e dramas do que com a bola. Algumas vezes até os vemos trocando passes durante os treinos, em um estádio de subúrbio e sob o comando de um técnico que não apita nada. Sabemos que a bola entra no gol ou se espatifa na arquibancada de acordo com o interesse do autor João Emanuel Carneiro. É ele quem decide o destino de cada jogada na novela. Em um capítulo, Roni, o craque e filho do presidente, estufa a rede para mostrar que está de bem com a vida, mesmo que para esconder sua homossexualidade tenha sido obrigado a casar com Suelen, a maria chuteira do bairro. Em outro, Jorginho, filho adotivo do eterno ídolo Tufão, tropeça na bola como complemento de um capítulo no qual se enreda ainda mais em uma trama familiar difícil de explicar.  Iran, que sonha em morar na zona Sul, e Leandro, por quem Roni é apaixonado, também aparecem com algum destaque, mas não são capazes de mudar o jogo. Neste roteiro que está com a bola toda no Ibope, por mais surpresas que surjam a cada capítulo, me parece bem razoável que o único final feliz que podemos garantir é o da vitória do Divino e a conquista do título no último capítulo, de preferência com gol de Adauto, que voltaria a jogar depois de ter encerrado a carreira precocemente, após perder penâlti na decisão da Segunda Divisão, no Maracanã.

 

Perdoe-me, caro e raro leitor, se dedico o parágrafo inicial desta Avalanche para falar de novela. Mas como tenho sempre a impressão de que o destino tricolor faz parte de um roteiro de drama, sofrimento e glória, escrito pelo destino, quero crer que o resultado desta noite de sábado seja apenas um capítulo desta trama que culminará com a conquista do Campeonato Brasileiro, assim como acontecerá com o Divino, na novela Avenida Brasil.

Dele


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Por Maria Lucia Solla

ora se não havera de haver um plano
ou será que o traçado divino
é passível de engano

tudo é ele
e tudo vem dele
que não cerceia
não vai te por na cadeia

sem ser passível dele
ele é o engano também
e na sua grandeza infinita
na sua obra bendita
não dita regras
não proíbe não incita

dá liberdade que também é ele
pra que se possa escolher
o que se quer ser
ou pelo menos aceitar
o que não se pode mudar

a escolha é infinita
dentro da sua grandeza
a gente pode escolher
se quer a feiúra ou a beleza

se mora no bangu
ou em santa tereza
se vai levando
ou prefere morrer de tristeza

e a gente tem pose demais
e consciência de menos
acerta menos e erra mais

no primeiro ano da escola
era preciso urgente
ensinar que é uma escolha
escrever ou não
da primeira à última folha

que não é preciso
provar tudo o que encontrar
pra saber o que vai te derrubar
e o que vai te levantar

e mostrar que nada é impossível
mas que nada é de graça

que você pega o que te agradar
mas que sempre haverá de haver
um preço a pagar

Maria Lucia Solla é terapeuta, professora de língua estrangeira e realiza curso de comunicação e expressão. Aos domingos, escreve no Blog do Mílton Jung