Barulho no ouvido do vizinho é refresco

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Minha sobrinha Cláudia Tajes resolveu,na última Donna,fazer um texto sobre o barulho. E escolheu como a hora mais silenciosa do dia, a que se situa entre às 12h e 13h. A explicação que ele dá para eleger esta hora como a mais silenciosa do dia aí vai:por que,escreve ela,os operários da obra param a fim de almoçar e oferecem um breve descanso,com isso. Ela entendeu,também que uma obra esteja em construção nas proximidades da sua casa,o que aumenta o barulho.Isso ocorre porque se trata de uma obra gigante,coisa de gente rica.

 

A hora do silêncio passa ligeiro. Tudo o que é bom passa depressa,não é? O ruim é que tão pronto os operários mudam para outro setor da construção,algo pior entra em ação: o especialista começa a operar uma perfuratriz,que arrasa até mesmo os tímpanos de surdos. A Cláudia cita ainda outras fontes dos mais diversos ruídos. O coitado de um Chevette sofre,no dizer dela,produzindo,imagino, um som horroroso. Afinal,nem todos os motoristas possuem carros com alto-falantes poderosos e de som límpido. No Rio de Janeiro você pode descansar os ouvidos com música de qualidade,se é que música em carro com som altíssimo pode ser ouvido sem causar algum mal aos tímpanos.

 

A Claudia se queixa igualmente do menino que estuda guitarra,não lembro se no andar de cima ou onde o capeta busca inspiração para suas músicas. É aí que entram os eletrodomésticos de todos os tipos. Ah!Tem um cara na frente da nossa casa no comando de uma máquina de cortar grama que já viu dias melhores,tamanho é o ronco que produz. Esse desgraçado tem a mania de fazer o seu trabalho aos sábados. Nada pior do que estragarem de alguma forma o soninho que pretendíamos fazer.E chega o domingo. E o torcedor de futebol se acorda. Isso é o de menos:o nosso televisor possui som muito mais do que o dele.

 

Cláudia deve ter esquecido um dos tantos barulhos que recordou neste curto espaço de um dia,principalmente um dia de fim de semana. Esqueceu,porém,o pior:o cachorro do vizinho para quem odeia cães de qualquer raça,sejam os grandalhões,sejam os pequenos ou os diminutos. Fomos premiados com um Pastor que tem mania de latir na garagem. Quando enxerga a nossa gata,enlouquece e se transforma em um Pastor elétrico.Felizmente,entretanto,ela é bem mais esperta do que ele e nos vinga:sabe que o cão não pode atravessar a cerca de ferro e fica tirando sarro do abobado.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

O mocotó do Tito Tajes

 

Por Milton Ferretti Jung

 

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Tornou-se um hábito para mim ler o caderno Donna,que vem encartado aos domingos na Zero Hora,jornal gaúcho que assinamos aqui em casa. Ocorre que,como já revelei em textos anteriores deste blog,minha sobrinha Claudia Tajes,escritora de vários livros e,mais recentemente,roteirista da Globo,em sua coluna no Donna (ou seria na Donna?),volta e meia conta histórias sobre as famílias Tajes e Jung,mas separadamente. Desta vez,juntou a dela e a minha. Nesse domingo,o assunto foi “Almoço em família”. Lembrou,com riqueza de detalhes,os ágapes que o Tito,o seu pai,promovia em uma casa de veraneio e também de invernos gelados,que pertencera ao chefe do clã dos Jung – o seu Aldo,meu pai – localizada nas proximidades do Guaíba. A propósito,continuo defendendo a sua condição de rio e não,como querem teimosos e quejandos,lago.

 

A casinha de madeira foi a parte herança do meu pai que coube ao Tito e à Mirian,minha irmã e que se transformou em uma casa de alvenaria. Hoje,tenho saudade da casa antiga e dos nossos banhos diários nas águas do Guaíba,durante o verão,um rio com águas límpidas,no qual a gente entrava sem medo de se afogar,temor que me impede de enfrentar o mar. Foi essa casa que,reformada,transformou-se mais tarde no local das nossas comilanças dominicais,nas quais o Tito deixava por um dia de ser jornalista para se transformar em exímio cozinheiro. Tios e primos se reuniam,satisfeitos da vida,para saborear o variado cardápio,composto em um domingo por churrasco,no próximo por massa,feijoada ou comida árabe,como lembra a Claudia na seu texto.

 

Ah,havia o domingo do mocotó que,conforme a Claudinha,acontecia uma vez a cada inverno. Pelo jeito,nem todos apreciavam mocotó. A culpa era do odor que danado,enquanto ficava em ebulição,horss e horas,no fogão à lenha. Não recordo,mas a Claudia garante que o cheiro saía da panela e grudava (será que cheiro gruda?)nos cabelos e nas roupas dos convivas. Não sei se o Mílton,que é o âncora deste blog,tem em sua coleção de fotos a dos Jung e Tajes em um dos almoços dominicais que eu,particularmente,jamais vou esquecer. A Claudia bem que poderia parafrasear o seu texto desse domingo chamando-o de “Conte a sua historia de Porto Alegre”. Tenho certeza de que o Mílton o leria com grande prazer.

 

Nota do Blogueiro: fotos dos almoços de domingo não temos, mas apresentamos na ilustração deste post as imagens do cozinheiro, jornalista e meu tio Tito Tajes

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Passeando de mãos dadas com meu pai

 


Por Milton Ferretti Jung

 

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Espero que ninguém estranhe que este texto trate do Dia dos Pais,cuja comemoração ocorreu no domingo passado,10 de agosto,data em que a maioria faz almoços comemorativos, caso tenha pai vivo, ou lembre, com saudade sempre renovada nessas ocasiões, aqueles que já se foram. Graças a Deus ainda posso festejar a efeméride com a Jacqueline e o Christian,além de manter contato telefônico com o Mílton.É uma agradável troca de cumprimentos,eis que tanto eu quanto os meus filhos também são pais e me deram quatro netos.

 

Afora o prazer do nosso reencontro,ao vivo com o Christian e a Jacque e, pelo celular, com o âncora deste blog,o Mílton deu-me o prazer de ler mais um dos seus sempre inspirados textos,este sobre o significado do Dia dos Pais,no qual lembrou um episódio que vivemos quando ele era bem pequeno,inesquecível para ambos. Tenho certeza que os leitores deste blog já leram ou ainda lerão (recomendo que leiam,se ainda não o fizeram),uma Avalanche Tricolor que não fala somente das relações entre pais e filhos,mas de como aqueles influenciam seus filhos na escolha da cor clubista. Mesmo que possam ler aí acima a última frase do texto criado pelo Mílton,permito-me reproduzi-la,o que faço com os olhos marejados: “É diante de tudo isso que,neste domingo,independentemente de quanto não merecíamos o resultado alcançado,que lhe agradeço pai por ter-me ajudado a ser o homem que sou. E,claro,por ser gremista”.

 

O domingo me reservou uma outra surpresa,essa quando li o que Claudia Tajes,minha sobrinha escritora e colunista do caderno Donna,encartado na ZH dominical,escreveu e postou fotos relativas ao Dia dos Pais. Duas mostram o pai dela,Tito Tajes e outra com o avô dela – meu pai,Aldo Jung – passeando na Rua da Praia,de mãos dadas,comigo e com minha irmã,Mirian,mãe da Claudinha. Talvez ela nem ficará sabendo que o seu texto também marejou os meus olhos e,em especial,a foto do meu pai,ainda bem jovem,trajando impecável roupa branca,contrastando com o cabelo bem preto. Resta-me agradecer a minha sobrinha pela postagem das fotos do meu pai e do pai dela.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)