Excessos e faltas nas comunicações

 


Por Carlos Magno Gibrail

 

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“Não vá com tanta sede ao pote” ou “quem nunca comeu melado, quando come se lambuza”. Excelentes e oportunos alertas da cultura popular aos excessos. E se aplicam muito bem aos usos e abusos que estão impregnando as atuais comunicações. Pessoais e empresariais.

 

Diante de tantas facilidades de comunicação com o advento de meios eletrônicos, mais e mais alternativos e dinâmicos, estamos exagerando.

 

Como pessoas físicas, os recursos dos equipamentos móveis e seus aplicativos têm facilitado em muito o nosso dia a dia. Casa, filhos, trânsito, compras, diversões, etc. Ao mesmo tempo o conforto e o prazer dos modernos aplicativos têm sido interrompidos ou corrompidos pela mesma facilitação. O celular no clube, no carro, no restaurante, no cinema, no teatro, no aeroporto, no avião é, algumas vezes, cômodo e incômodo para nós e, sempre, desagradável para os vizinhos. E, definitivamente, para os acompanhantes. Cenas em restaurantes em que se veem todos conversando ao telefone estão se tornando comuns. Colocando os ausentes como presentes e os presentes como ausentes.

 

Entretanto, o fato é mais grave no âmbito empresarial. Além da dificuldade há muito existente quando se procura os serviços de atendimento ao cliente e se fala apenas com gravações, surge hoje uma tendência nos sites corporativos em omitir o telefone para contato. Se você quiser um contato comercial, é obrigado a seguir o canal único do e-mail. Falar com o gravador é para o SAC; sobre negócios, apenas o e-mail. Único. Para o bem dos burocratas e a infelicidade geral da nação que apanha em produtividade. Sem emoção.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

Um e-mail para Bel Pesce

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

Bel Pesce TED

 

Poucos minutos antes das sete horas, ao menos três manhãs por semana, levo meu filho Rodolfo, de 11 anos, ao Pueri Domus. Um trajeto de quinze a vinte minutos. Do Morumbi à Verbo Divino. Tempo precioso para um diálogo com o meu filho. O que me motiva para a jornada que se inicia. Por isso mesmo, para não interferir, ligo o rádio somente depois que o deixo na escola. A não ser naqueles dias em que estou só. E, não faz muito tempo, comecei a ouvir nestas ocasiões a interessante conversação entre o Milton Jung e a Bel Pesce. Quando logo apostei em que a forma jovem do contexto poderia facilitar o entendimento do conteúdo para o meu filho.

 

A primeira confirmação veio de cara. Liguei o rádio e assim que se iniciou o programa não veio nenhum repúdio da parte dele. Fato que me animou a repetir a experiência. Até que na semana passada atrasei a ligar o rádio e ele perguntou: “Não está na hora do caderninho da Bel?”. Contente com o resultado resolvi então comprovar a aposta inicial. E, na segunda feira, entrei no carro faltando dois minutos para as sete horas e não liguei o rádio. Ele sentou e perguntou: ”Você não vai ligar no programa da Bel?” Justamente neste dia o tema se referia ao amor e ódio aos e-mails, terminando na abordagem dos aspectos positivos de parte deles. Sugerindo então que se enviassem e-mails.

 

Motivado pelo resultado da introdução do Rodolfo ao noticiário do rádio, via Bel e Milton, resolvi colocar neste espaço, que ocupo todas as quartas, o agradecimento à contribuição de ambos. E, informar que a CBN ganha um novo ouvinte novo. Rodolfo, 11 anos, e fã do CADERNINHO DA BEL.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

Entendendo a cabeça do ouvinte-internauta

 

 

Cheguei a rádio CBN em 1998 quando a emissora passava por uma transformação no relacionamento com o público, pois deixava de anunciar o telefone do ouvinte para informar o e-mail do âncora. A estratégia que alguns chamaram de elitista logo que foi adaota na realidade democratizou o acesso dos ouvintes à emissora. Em lugar de a linha telefônica que atendia apenas uma pessoa, abria-se a caixa de correio eletrônico para todos os interessados em enviar o seu recado. Enquanto muitas das mensagens que chegavam por telefone se perdiam nos bastidores, os e-mails passaram a ser encaminhados diretamente ao seu destino. Foi quando percebi que rádio e computador iniciavam um casamento perfeito. Naquela época ainda separados fisicamente, mas consumidos simultaneamente pelo público. O ouvinte que acompanhava a programação da CBN navegava na internet, o que me levou a batizá-lo de ouvinte-internauta. Foi também quando assumi o compromisso de responder a todas as mensagens enviadas para minha caixa de correio, independentemente do conteúdo. Puxão de orelha do ouvinte, críticas às vezes agressivas e algumas ameaças faziam parte deste diálogo virtual. Aprendi com o tempo que respostas equilibradas para mensagens ofensivas, costumavam mudar o tom da conversa. Porém, desde que a CBN colocou na capa do site o link “fale com o Mílton Jung” o número de mensagens multiplicou-se a ponto de não conseguir mais atender a todos os ouvintes como me propus inicialmente. E isso acaba provocando reclamações.

 

Para entender parte do comportamento do ouvinte e justificar minha dificuldade em cumprir com o compromisso que assumi comigo mesmo, em 1998, armazei, no decorrer de um mês, todas (ou quase todas) mensagens enviadas para os endereços milton@cbn.com.br e “fale com o Mílton Jung”. São e-mails que chegaram entre segunda e sexta-feira, dias em que estou ao vivo no ar no Jornal da CBN. Não inclui mensagens pelo Facebook, Twitter, meu blog e site da rádio, outros canais de comunicação importantes. Dispensados os releases de assessorias, spans e cia., além de mensagens com endereços internos da CBN, que tomam tempo no trabalho de administrar a caixa de correio, encontrei o nome de 1.154 ouvintes que se comunicaram uma ou mais vezes comigo nesse período, resultando em 1.711 mensagens, ou seja, média de 81 por dia, levando em consideração que o mês em análise teve 21 dias úteis. Desse total, 79% das mensagens foram assinadas por ouvintes que escreveram apenas uma vez no período, o que não significa que tenha sido a primeira vez que entraram em contato comigo pois é possível identificar alguns nomes conhecidos. Os 21% restantes mandaram dois ou mais recados, havendo casos de ouvintes que escreveram quase todos os dias sobre diferentes temas. A estatística mostra uma situação no mínimo curiosa: tem um ouvinte que enviou mais de 100 mensagens no mês, praticamente todas com críticas negativas ao meu trabalho e de meus colegas. Sou grato a ele e o respeito muito.

 

Mesmo que não consiga mais responder a todos os ouvintes, leio o que escrevem logo que as mensagens chegam, especialmente quando estou na apresentação do Jornal da CBN. Algumas pautam as entrevistas ou podem ser ponto inicial de reportagens, outras cito no ar quando o tempo e o conteúdo permitem e há as que nos fazem pensar. Confesso, também existem as que nos fazem odiar (a nós mesmos, algumas vezes), mas passa rápido. Mesmo porque o pior dos cenários seria não recebê-las jamais. Pude perceber alguns comportamentos interessantes os quais destaco aqui pois imagino que isto se reproduz em muitas outras situações, não apenas na relação virtual: os indignados sempre escrevem mais do que os satisfeitos, ou seja, as pessoas se sentem muito mais motivadas a reclamar do que incentivar. Isso pode gerar injustiças na avaliação, pois iniciativas positivas que atendem a uma centena de pessoas correm o risco de serem destruídas por críticas que mobilizaram algumas dezenas: quem gosta, aprova e cala; quem não gosta, grita. Diante disso e levando em consideração que esse comportamento se reproduz em diferentes áreas, sugiro que se você admira alguém ou aprovou alguma atitude, ajude a preservar estas qualidades incentivando-as com um e-mail de agradecimento ou uma palavra de apoio ao encontrar seu autor no trabalho, na escola ou na família. Já se você for o alvo da crítica, entenda que mudanças de hábito sempre geram protestos e novos padrões causam desconforto. Se estiver convicto da sua ação, jamais mude completamente por causa da rejeição inicial, mas, tanto quanto você não deve subestimar uma crítica, não superestime o elogio.

Do Tempo


 

Por Maria Lucia Solla

Olá,

Em que curva da estrada ficou a leveza de viver? Hoje, viver é perturbador. Muitas vezes, e cada vez com maior frequência, a vida traz a sensação vertiginosa da roda gigante, da montanha russa, e meus plexos se manifestam o tempo todo; não descansam, não se aquietam, nem mesmo enquanto durmo.

Ouça “Do Tempo” na voz e sonorizado pela autora

A gente hoje tem internet e pode conhecer, assistir, estudar tudo que quiser, sem sair de casa, a hora que bem entender. Biblioteca pública é um termo que criança desconhece. É evidente que podem deduzir da receita do termo, mas não têm ideia do que seja estar lá dentro. Sem saudosismo bolorento, mas é uma sensação que provavelmente nunca terão. Falar baixinho, de preferência não falar porque o sussurro mais tímido pode voar cegamente, atropelando, no vazio, o quase-absoluto silêncio.

Passava-se lá, uma tarde ou uma manhã inteira, selecionando fonte, lendo, selecionando e copiando dos livros o que se precisava estudar. Não havia máquina copiadora. Era no braço, mesmo. Uma pesquisa levava um tempão, isso se a gente pesquisasse um só autor. E não adiantava fazer na base do garrancho porque a gente não entendia depois e o trabalho era árduo demais para se atirar ao vento.

A gente hoje tem e-mail, que deixou no esquecimento o hábito de escrever à mão, enviar cartas, o correio, envelope, selo. Não é mais preciso enfrentar fila numa das agências, lamber o selo, colar no envelope e jogar a carta na caixa adequada; nacional, internacional, aérea…

Hoje temos carros velozes e estradas que, enquanto durarem, permitem que se desenvolva velocidade não permitida. E a gente tem cada vez menos tempo, está cada vez mais ansioso, sobrecarregado, irritado, sem-paciência, atropelando e sendo atropelado.


Há poucos anos, ninguém podia imaginar que um dia a gente se comunicaria instantaneamente, de e para os lugares mais longínquos da Terra, e que isso tudo seria feito através de uma rede internacional de máquinas que levam nossa palavra escrita, nossa voz, nossa imagem para encontrar outras imagens, outras vozes, outras escritas; sem fronteira, sem visto de entrada ou saída.

Vivemos tempo de mudança rápida e radical. Não tem como negar. E nos queixamos da falta de tempo, sem mesmo saber o que é o Tempo. Tempo é o tempo da música, sua batida, seu ritmo, ao qual é preciso se harmonizar se quisermos dançar. Entender o Tempo é entender a harmonia cósmica das fases da Lua, da sua influência nas águas, fora e dentro de nós. Tempo é a harmonia dos ciclos da Natureza, da qual nos afastamos para nos entregarmos de corpo e alma ao materialismo plástico. É triste, mas sempre há tempo.

Os Maias usavam o tempo para se harmonizarem, não para se engajarem numa competição com ele. Afirmaram que no dia 22 de dezembro de 2012, a Humanidade terá sua última oportunidade de escolher: sucumbir ou evoluir. Também predisseram que, de 1992 até 2012, teríamos tempos de tribulação, dificuldades que nos dariam a oportunidade de perceber nossa real relação com o Todo, e de eliminar medo e desenvolver, ou adquirir, respeito por si e pelo outro. Em tudo. Sempre.

Previram o eclipse solar de agosto de 1999, e que sua sombra delimitaria áreas de guerra, terrorismo e barbárie. E assim foi.

Dizem algumas profecias que nosso planeta entrará na Quinta Dimensão, ou seja, no tempo do não-tempo, quando estaremos preparados para entender que o tempo não é linear, nem medido pelo relógio, mas concomitante. Passado, presente e futuro vivendo
em harmonia.


Quando comecei a ter contato com esses pensamentos, tive dificuldade de entender. Hoje entendo um pouco melhor e vejo na psicanálise de vidas passadas, não uma regressão na linha do tempo material, mas um reconhecimento de todos os momentos que existem em nós, do passado, do presente e do futuro. Profecia, filosofia, pensamento religioso e alternativo vêm, há muito, anunciando o fenômeno que mexe com o campo magnético da Terra. Agora a ciência, mais cuidadosa e santomé, concorda com o pensar dos leigos e explica os porquês.

A mesma rede internacional de que falamos nos oferece um cardápio de possibilidades para que a gente navegue pelo assunto, escolhendo fontes que mais agradar. Você mesmo vai se conduzir e encontrar o caminho, se quiser.

Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.

PS: Vamos comemorar a Limpeza na Prefeitura de Jandira. Há esperança! Que venha a meada atrelada ao fio.

Maria Lucia Solla é terapeuta, professora de língua estrangeira e realiza curso de comunicação e expressão. Aos domingos, escreve no Blog do Mílton Jung

Resultado final do Perguntômetro do CBN SP

 

Pelo fim da progressão continuada, redução ou cancelamento do pedágio nas rodovias, extensão do sistema de trem e metrô na região metropolitana de São Paulo e aumento salarial para professores, policiais e qualquer outro tipo de servidor público. Tivesse feito um controle mais apurado sobre as propostas mais vezes citadas pelos candidatos ao Governo do Estado de São Paulo não tenho dúvidas de que os temas citados acima estariam na lista dos mais mais.

Oito dos nove concorrentes ao cargo participaram da série promovida pela CBN na qual durante 30 minutos cada um deles discutiu temas relacionados a organização da coligação e campanha eleitoral, além de terem tido oportunidade de apresentarem alguns projetos de lei nas áreas de educação, transporte, segurança, saúde, meio ambiente e gestão pública.

Do ponto de vista do eleitor, os dois temas que mais tiveram repercussão foram educação e transporte. O nosso “perguntômetro” que mede o nível de interesse do eleitor pelos candidatos entrevistados a partir da quantidade de perguntas e comentários enviados pelos ouvintes-internautas, mostrou que Alckmin do PSDB e Mercadante do PT foram os que mais receberam e-mails antes e durante a entrevista – sem surpresa pois são os dois primeiros colocados nas pesquisas eleitorais. Feldmann do PV e Skaf do PSB apareceram acima de Russomano do PP. Os candidatos socialistas não chegaram a despertar tanta curiosidade. Anai Caproni do PSTU foi a única a não comparecer na entrevista.

Todas as perguntas foram encaminhadas aos candidatos e suas assessorias. Da estatística final não foram calculadas as perguntas feitas a todos os candidatos. Veja como foi o resultado final no Perguntômetro do CBN SP:

Perguntômetro