Dinheiro de multa para educar o trânsito

 

Por Milton Ferretti Jung

Mesmo correndo o risco de me tornar repetitivo por insistir, em meus textos de quintas-feiras, no tratamento de questões referentes a trânsito, volto hoje ao assunto que me causa grande preocupação. Retorno ao tema para saudar a iniciativa do senador Eunício Oliveira, peemedebista cearense, que viu aprovado projeto de lei de sua autoria cuja finalidade é evitar o desvio de recursos provindos de multas de trânsito. Como a aprovação se deu em caráter teminativo, que dispensa seja a matéria levada ao plenário, permitindo o seu envio direto à Câmara dos Deputados, é meio caminho andado para que seu conteúdo não tenha o destino de muitos outros, isto é, que fique esquecido.

Há muito se fazia necessário projeto com o teor deste. Oliveira, lembro, é presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado. A sua proposta determina que o dinheiro das multas seja utilizado, em educação para o trânsito e em despesas de sinalizações de vias, este um acréscimo de autoria de Romero Jucá, líder do governo no Senado Direção defensiva, cultura da paz, combate à violência no trânsito, algo comum nas grandes e mesmo nas pequenas cidades deste país, e divulgação de campanhas contra o consumo de álcool e drogas pelos motoristas, inscrevem-se entre os assuntos versados pelo projeto de lei.

Conforme o relator Demóstenes Torres, o país é campeão absoluto em acidentes, mortes e invalidez, causadas pelo trânsito. Nem seriam necessárias estatísticas para se chegar a esta conclusão. Basta que se acompanhe na mídia, especialmente logo após feriados prolongados ou até no noticiário de fins de semana, os registros sobre ocorrências trágicas tanto nas vias urbanas quanto nas rodovias. O projeto de lei do senador Eunício pretende, igualmente, evitar que o caixa de governos estaduais e municipais seja preenchido, graças ao desvios dos valores arrecadados com multas, no pagamento do funcionalismo. Para este e outros fins ainda menos dignos funciona também a “indústria da multa”, que dispensa explicações.

Aproveito, mais uma vez, para cumprimentar Eunício Oliveira. Ele sabe que a EDUCAÇÃO (a caixa alta é proposital) é por onde tudo começa em nossa vida.

Boa notícia não dá audiência

 


Por Carlos Magno Gibrail

O Brasil conquistou seis medalhas de ouro, três de prata, duas de bronze e dez certificados de excelência no maior torneio de educação profissional e tecnológica do mundo. Ocorrido em Londres no mês de outubro. Tirou o segundo lugar, ficando na frente do Japão, da Suíça e demais países desenvolvidos. Atrás apenas da Coreia do Sul.

Esta notícia não foi estampada com o merecido destaque em nenhuma das mídias, que, coincidentemente, abrem as primeiras páginas para alardear os rankings de educação que tem colocado nosso país em constrangedoras posições.

A mesma imprensa que brada a necessidade do ensino técnico, não abriu espaço para informar que a dupla gaúcha Christian Alessi e Maicon Pasin, do Centro Tecnológico de Mecatrônica, do SENAI, em Caxias do Sul, ganhou o ouro em mecatrônica e foi o destaque da equipe brasileira, vice-campeã do 41º Worldskills, que reuniu 944 competidores de 51 países e receberam mais de 200 mil visitantes. Assim como deixou de informar que Willian Grassiote do SENAI de Taguatinga é o melhor profissional do mundo em mecânica de refrigeração. Jecivaldo de Oliveira é excelência na aplicação de revestimento em cerâmica, após três anos treinando dia após dia, sem feriado, sem fim de semana no SENAI DF. Guilherme Augusto Franco de Souza do SENAI Mooca SP, é ouro em desenho mecânico em CAD. Gabriel D’Espíndula do SENAI Paraná é o melhor do mundo em eletrônica industrial. Natã Barbosa é ouro em web design pelo SENAI de Joinville. Também de Joinville Leandro Duarte e André Peripolli programaram um robô móvel e ganharam certificado de excelência. Do SENAI do Rio, Rodrigo Ferreira da Silva, filho de segurança de joalheria, é o melhor do mundo na ocupação de joalheria.

À falta de informação temos o oposto quando, por exemplo, na CBN, ao lado de qualificados comentários de Lucia Hipólito, Miriam Leitão, Max Gehringer, Arnaldo Jabor, etc. comandados por Mílton Jung, há a intromissão de um repórter anunciando acidente fatal de algum anônimo no trânsito paulista. Como se a má-noticia, mesmo que sem pedigree, tenha que comparecer no cardápio jornalístico.

Há, entretanto uma boa notícia, pois a tecnologia através da pressão dos dois bilhões de internautas ou dos cinco bilhões de proprietários de celular no evoluído mundo atual, abrirá definitivamente a customização da editoria. Ou seja, vamos selecionar a pauta de interesse. Por segmento, e individualmente.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve, às quartas, no Blog do Mílton Jung

Santa palmadinha

 

Por Milton Ferretti Jung

O Executivo – leia-se Governo Federal – encaminhou ao Congresso Nacional, em julho de 2010, mais um projeto capaz de gerar polêmica. Trata de assunto muito delicado e sujeito a diversas interpretações. Refere-se à proibição de que os pais castiguem seus filhos corporalmente. Não faz muito, a proposta foi debatida em audiência na Comissão Especial sobre este assunto. A previsão é de que o projeto seja votado em dezembro. Para Daniel Issler, juiz auxiliar da presidência do Conselho Nacional de Justiça, a iniciativa é elogiável. Fez, porém, uma ressalva: ”Ninguém de bom senso irá defender que a violência seja aceitável como forma de educação. A violência não é pedagógica, mas a educação está muito longe de ser simples”. Acrescentou que são necessários ajustes. Concordo inteiramente com o que ele disse, em especial, o que está na última frase do trecho entre aspas.

Vou escrever acerca da minha experiência pessoal nesta questão, primeiro como filho, depois como pai e com o que sei do comportamento dos meus filhos em relação aos deles, que são quatro, dois em São Paulo e mais dois em Porto Alegre. Não fui, na minha infância, um carinha dos mais comportados, tanto que acabei sendo internado aos doze anos e permaneci por um período e meio num colégio distante 120 quilômetros da casa paterna. Naquele tempo, internar os filhos mal comportados era prática comum, embora aumentasse consideravelmente os gastos dos pais com a educação. Antes disso, lembro de ter recebido petelecos da minha mãe. Meu pai apenas ficava brabo. Logo, o maior castigo que sofri, foi o internato. Já no que diz respeito aos meus filhos, geralmente era a mãe deles que se encarregava dos “castigos”. Um vez, quando o Beira-Rio iria ser inaugurado, o comandante deste blog foi flagrado por mim balançando uma bandeirinha do Inter. Gremistão doente,fiquei furioso. E dei um tapa na bunda do Mílton. Nunca lhe perguntei se ainda lembra do ocorrido. Envergonho-me até hoje sempre que o incidente me vem à cabeça.

Duvido que os meus filhos tenham necessitado “castigar” os meus netos, todos muitíssimos comportados e cumpridores dos seus deveres. Não fiz por merecer, em matéria de comportamento, os filhos e os netos que tenho. Tenho certeza, por outro lado, que não fui um mau pai. A propósito de castigos corporais, escrevo para finalizar, que aos pais cabe não confundir educação com castigo violento ou humilhante. Espero que o projeto, se aprovado, não impeça santas palmadinhas e evite, isto sim, todo e qualquer exagero. É conveniente não esquecer que a educação começa em casa.

Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Fui e continuo sendo um pai preocupado

 

Por Milton Ferretti Jung

Rota de Bicicleta

Fui e continuo sendo um pai preocupado, em especial, com a saúde e a segurança dos meus filhos e, agora, dos netos. Nem com o passar dos anos esta preocupação diminuiu. Talvez não tenha aumentado, mas continua exagerada,confesso lisamente. Já que confessei este meu problema, os meus preciosos leitores podem imaginar como ficou o meu estado de espírito quando fiquei sabendo que o responsável pela existência deste blog iria participar do Desafio Intermodal 2010, ele e Heródoto Barbeiro representando a CBN. Desculpem-me os que lembram o que cada um tinha se proposto a realizar no Desafio, mas para quem não sabe, explico: Heródoto, de helicóptero; Milton, de bicicleta, teriam de partir de local predeterminado para saber quem seria o primeiro a chegar ao Viaduto do Chá.
Soube depois que o helicóptero não conseguiu decolar por causa do mau tempo. O registro, em vídeo, do trajeto percorrido pelo Mílton (vídeo que, também, somente vi depois de concluído o Desafio) foi, para mim, o mais assustador. Afinal, sei bem o que é o trânsito em São Paulo e o que representa para um ciclista, ainda mais um pedalador nada acostumado, conduzir frágil bike, misturado com veículos de maior porte. Pelo jeito, a experiência do Mílton apenas assustou seu pai, isto é, eu. Ele repetiu a dose, mas desafiando a si próprio, quando pedalou até a CBN e de lá retornou.

Zero Hora, jornal de Porto Alegre, editou matéria de meia página sobre o crescimento do número de acidentes envolvendo bicicletas no Rio Grande do Sul. Ciclovias, na capital gaúcha, são insuficientes. Sei que isso também ocorre em São Paulo. Aqui no estado, rezam as estatísticas, enquanto diminuíram acidentes fatais automotivos e os números que dizem respeito aos envolvendo caminhões e ônibus, cresceu o número de mortes de ciclistas. Ocorre que mais pessoas estão se utilizando de bicicletas, tanto para passear quanto para trabalhar. O que fazer para evitar tragédias? Colocar à disposição não uma ou duas, mas inúmeras ciclovias. Isso. no entanto, ainda será pouco se não for resolvido o gravíssimo problema da falta de educação de motoristas, motociclistas e ciclistas. Tenho insistido e vou seguir insisitindo neste ponto, mesmo correndo o risco de ser tachado de mala.

Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Conte Sua História: Uma cidade educada

 

No Conte Sua História de São Paulo, Mário Rubens Gatica, nascido em 1966, na capital paulista. Ele morou em várias regiões da cidade, mas o bairro de Santa Cecília ocupa um lugar especial em sua vida. No depoimento gravado pelo Museu da Pessoa, Mário conta que sua brincadeira preferida era tomar banho de chuva em meio aos prédios e casarões do bairro. E relembra que, antigamente, o conceito de civilidade era ensinado nas escolas, por isso São Paulo era uma cidade muito mais educada.

Ouça o texto de Mário Rubens Gatica sonorizado pelo Cláudio Antonio

Conte você, também, mais um capítulo da nossa cidade. Envie um texto ou agende uma entrevista em áudio e vídeo no site do Museu da Pessoa.O Conte sua História de São Paulo vai ao ar aos sábados, logo após às dez e meia da manhã, no CBN SP.

O CNE deve ser um órgão de Estado!?

 

Por Nelson Valente

O CNE – Conselho Nacional de Educação deve ser um órgão de Estado. Por exemplo, quando o CNE vota um parecer de credenciamento da abertura de uma faculdade, o documento vem do MEC, já analisado pelas secretarias.

No CNE, é discutido e preparados o parecer e enviados para homologação. Chegando ao gabinete do ministro, pensa que vai mesmo ao ministro para análise e homologação? Não vai não!

O mesmo parecer é mandado de volta para a análise das secretarias, que já haviam recebido antes o processo, e depois o encaminham para a secretaria jurídica.

O MEC ouve a burocracia, que não é qualificada para isso como são os conselheiros, para só então homologar ou enterrar, pelo silêncio, o parecer.
Qualquer parecer do CNE morre num escaninho da burocracia, se assim se desejar. Nesse sentido, o CNE é refém da burocracia do MEC, que se manifesta duas vezes sobre cada assunto avaliado pelo CNE, antes de ir ao CNE e depois de voltar do CNE. Isto faz sentido? Claro que não, e claro que sim.

Claro que não, se pensarmos na existência legal de um verdadeiro CNE. Claro que sim, se pensarmos no predomínio burocrático sobre o estratégico e na incompreensível dificuldade que todo ministro tem com órgãos eventualmente autônomos em seus ministérios.

É claro que uma das ambições que o CNE abriga é a de ter um Estatuto aprovado por decreto presidencial, que regulamentasse a lei que o cria. Muitos conselhos da órbita federal têm seu estatuto aprovado por decreto do Presidente da República, e certamente não seria demais pedir que o CNE tivesse seu estatuto também desta forma.

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A cidade não é cinzeiro

 

Por Pedro Cardoso da Costa
Ouvinte-internauta da CBN

Com o passar do tempo e algumas medidas, embora tímidas e insuficientes, diminuiu este tipo de sujeira na cidade em geral, mas com a lei que proíbe fumar dentro dos ambientes fechados, as frentes de grandes prédios se tornaram verdadeiros monturos. A diminuição de fumantes também contribuiu para a melhoria. O foco fica nas bitucas, por serem a principal sujeira.

Nenhum problema arraigado se resolve com facilidade, mas este não requer milhões de dólares para ser resolvido. Apenas um pouco mais de empenho das autoridades, especialmente dos prefeitos. Além da participação daqueles mais engajados nas questões sociais. Ainda que toda unanimidade seja burra, todos poderiam contribuir; especialmente os diretores de escolas, seus professores e os comerciantes.

Nos últimos anos, as matrículas de crianças em idade escolar chegaram a quase cem por cento no Brasil; o número de alunos universitários tem aumentado ano após ano. Nenhum desses indicadores tem contribuído numa mudança de comportamento dos brasileiros. Comprovado por quase cem por cento dos fumantes ainda atirando suas bitucas nas ruas. Um procedimento conhecido por todos é o “piteco” de dedo indicador para atirar a bituca longe. É muito difícil encontrar cinzeiros portáteis; eles existem e não são utilizados. Não escapam nem as calçadas de bares de luxo e de lojas chiques. Jardins e canteiros das cidades se tornaram verdadeiros cinzeiros. Como implícito antes, há exceção de pessoas, mas não há de classes sociais e de escolaridade.

Existem medidas que qualquer um poderia adotar. Por exemplo, a exposição de cartazes em locais de grande movimentação de pedestres ou de carros, a conservação ou limpeza dos postes de iluminação em frente ao comércio ou à residência. Distribuição de mensagens em panfletos, em aparente contradição, mas ninguém é obrigado a jogá-lo na rua.

Os comerciantes são os mais decisivos nesse processo de melhoria de limpeza das cidades. Deveriam manter as calçadas sempre limpas, com varrição com esmero algumas ao dia, com a retirada total da sujeira, sem jogar no meio-fio, como a maioria faz. E de tempo em tempo recolher papel de bala, palito de fósforo e pontas de cigarro. Além disso, todos deveriam colocar bituqueiras ou cinzeiros com areia na frente do estabelecimento para induzir o fumante a utilizar naturalmente.

Campanhas educativas periódicas nos meios de comunicação ficariam a cargo das prefeituras municipais. Com eventualidade, até os governos estaduais e o federal deveriam contribuir com outras campanhas mais abrangentes, que envolvessem os três “r” famosos, redução, reaproveitamento e reciclagem, além do Meio Ambiente.

Todos poderiam dar uma contribuição até as cidades se tornarem plenamente limpas. A ponta de cigarro é apenas a sujeira mais comum, mas nenhum objeto deve ser jogado nas ruas. Elementar. Jogar objetos nas ruas é uma conduta arraigada e grosseira, que precisa ser combatida com a mesma força com que ela teima em permanecer. Todos, por si mesmos, precisariam se tocar definitivamente de que rua não é cinzeiro nem lixeira.

Prefiro meus professores de português

 

São Paulo - Museu da Língua Portuguesa

Por Milton Ferretti Jung

Desculpem-me os leitores dessas mal traçadas linhas, mas vou voltar ao tema da última quinta-feira: o livro distribuído pelo Ministério de Educação e Cultura que provocou polêmica de âmbito nacional. Seus defensores usaram sofismas para defender a sua publicação. A opinião de Ernani Pimentel, que escreveu Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, por exemplo, diz que “muitos educadores acham que falar certo é falar rebuscado”.

Tive vários – e ótimos – professores de português. Considero-me um sujeito de sorte. Os meus mestres jamais me passaram tal idéia, pois nunca exigiram que eu, nas redações que prescreviam, usasse rebuscamentos lingüísticos. Um deles, meu saudoso Professor Marques, no Colégio Anchieta, nos mandou fazer uma “carta aos pais”. Ele costumava escalar um aluno para ler a redação diante dos colegas. Tocou para mim a leitura da “carta aos pais”. Eu havia visto no dicionário uma palavra que muito me agradara. E resolvi usá-la bem no início do texto: “Meus pais, escrevo-lhes esta ignóbil cartinha…” Até hoje fico corado quando lembro a gafe. O meu caro Professor não nos ensinava a rebuscar a linguagem utilizada em nossas redações. Repito: nenhum dos meus mestres de português (seria por coincidência apenas? )queria que rebuscássemos a linguagem. O que espero dos professores da língua chamada por Olavo Bilac de “Ultima flor do Lácio, inculta e bela…”,é que não caiam em sofismas e tratem de dar o melhor de si para ensiná-la aos seus alunos.

Na defesa do português não se pode, entretanto, cometer exageros como o praticado pelo Deputado gaúcho Raul Carrion, autor de projeto visando a barrar o uso de palavras ou expressões estrangeiras, felizmente vetado parcialmente por Tarso Genro, Governador do Rio Grande do Sul. Prestem atenção, por favor, ao texto do Artigo 1º (que, pelo menos, deveria ter sido escrito em bom português, e não foi): “Institui a obrigatoriedade da tradução de expressões ou palavras estrangeiras para a língua portuguesa, em todo o documento, material informativo, propaganda, publicidade ou meio de comunicação por meio da palavra escrita sempre que houver em nosso idioma palavra ou expressão equivalente”.

Vá lá que as emissoras de televisão, por exemplo, não precisariam usar para denominar seus informativos a palavra “news”, porque pareça, talvez, mais charmosa dos que “novas”. É aceitável, por outro lado, que em documentos oficiais (parte vetada pelo Governador) não sejam utilizadas as tais palavras ou expressões estrangeiras que tanto horror causam (ou causaram) ao autor do projeto. Aliás, este está satisfeito com o veto parcial porque “o governador do Estado deu importância ao tema e avaliou que ele merece uma legislação. Foi uma vitória – eu diria que, de Pirro – que enriqueceu o debate na nossa população”.

De minha parte, queria ver como seria regulamentada a lei da proibição de palavras e expressões estrangeiras. Transformaria o Rio Grande amado, sem dúvida, em alvo de chacotas dos outros estados. Existe uma verdade imutável: a virtude está no meio. Nenhum projeto pode mudá-la.


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

A imagem deste post é do álbum digital no Flickr de Ronaldo Lima Junior

Professora pede respeito e vira hit no Twitter

 

A professora Amanda Gurgel da rede pública de ensino do Rio Grande do Norte pediu a palavra durante audiência pública, no dia 10 de maio, que discutia a situação da educação no Estado e ganhou a internet. Durante oito minutos falou sobre as dificuldades enfrentadas pelos professores na sala de aula, diante de deputados da Comissão de Educação e da secretária de Educação Betânia Carvalho. Resultado: o vídeo foi parar no You Tube e se transformou em destaque nas citações do Twitter.

O sucesso talvez se justifique pela maneira sincera e expressiva do seu pronunciamento, raridade nos dias de hoje.

Falar errado não está certo

 

Por Milton Ferretti Jung

Quem é Machado de Assis?

Estamos, em âmbito nacional, diante de uma aberração: 485 mil estudantes dos ensinos Fundamental e Médio receberam um livro dito didático, que defende erros de português, algo surpreendente, pelo menos para mim, vindo de quem vem, isto é, do Ministério da Educação. Já em nível estadual, o deputado gaúcho Raul Carrion criou projeto, aprovado pela Assembléia Legislativa do meu Rio Grande do Sul, que prevê a proibição do uso de estrangeirismos na denominação de estabelecimentos comerciais, centros de compras, etc. O Governador Tarso Genro vetou parcialmente o tal projeto. Com isto, este voltará para a Assembléia e, talvez, os nobres deputados se deem conta, então, da asneira que fizeram ao o aprovar.

As iniciativas do MEC e de Carrion têm, alegadamente, propósitos semelhantes: aquele quer estimular a formação de cidadãos que usem a língua com flexibilidade, porque a escrita, segundo o Ministério, deve ser o espelho da fala… O parlamentar do meu estado pretende defender a nossa língua da invasão de termos estrangeiros, como se isso fosse viável num mundo cada vez mais globalizado.

Quanto ao livro polêmico, na minha opinião, se trata de mais um atentado ao tão maltratado português. Não bastasse a precariedade do seu ensino em todos os níveis de escolarização, há quem entenda, como se percebe, que falar errado está certo. Ou não? É evidente que há diferenças entre o que se escreve e o que se fala. Quem ensina o português, porém, tem obrigação de explicar que, quando é escrita, a língua precisa obedecer regras rígidas. Nisto não há como tergiversar. Fecho com o Professor Sérgio Nogueira. Conforme ele, a publição do MEC é um absurdo. “Trata-se de um incentivo ao desvio da norma. Existem variações na nossa língua. Só que todos terem de aceitar é uma outra história”.

O diabo é que se o Governador gaúcho vetou o projeto de Carrion, o mesmo não faz o Ministério da Educação e Cultura com o livro que defende erros de português.


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)


A imagem que ilustra este post é do álbum digital de Joanna Maciel