Plano de Educação guardado na gaveta, em São Paulo

 

São Paulo é um dos 16 estados brasileiros que ainda não implantaram o plano estadual de educação, apesar de haver um texto sobre o tema na Assembleia Legislativa, desde 2003. Na realidade, eram duas propostas, uma assinada pelo Fórum Estadual em Defesa da Escola Pública e outra pelo próprio Governo do Estado. De acordo com o deputado Carlos Gianazzi (PSOL), após debater com entidades sociais e educativas, foi elaborado o projeto de lei 1.066/2003, jamais votado “por falta de interesse da base governista”.

O parlamentar explicou ao CBN SP que o Plano engavetado previa o aumento do investimento em educação de 30% para 35% do Orçamento do Estado, além de restringir o número de alunos por sala de aula, entre outros itens.


Ouça a entrevista do deputado estadual e integrante da Comissão de Educação da Assembleia Legislativa, Carlos Gianazzi (PSOL), ao CBN SP.

Ao mesmo tempo, o atual Governo começou a elaborar outro Plano que teria sido entregue ao Conselho Estadual de Educação, em maio deste ano. Porém, ainda não se sabe o que está previsto no texto. Gianazzi disse que esta proposta “foi elaborada dentro do gabinete sem debater com a sociedade”.

Procurada, a Secretaria Estadual de Educação divulgou nota na qual explica que “o Plano Estadual de Educação, referente a esta gestão, foi concluído em maio de 2010 e encaminhado para o Conselho Estadual de Educação de onde deve seguir para aprovação na Alesp”.

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDBE) prevê a elaboração dos planos estaduais, há dez anos, mas levantamento feito pelo Observatório da Educação mostra que a maioria dos governos ainda não fez a lição de casa.

Em entrevista ao Observatório da Educação, o professor da Faculdade de Educação da USP, César Augusto Minto, disse que “o país não tem tradição de planejamento efetivo, ficando os diversos governos livres para conduzirem as políticas setoriais de acordo com sua conveniência, quase sempre em detrimento dos interesses da sociedade.


Leia aqui a reação dos conselheiros do Conselho de Estadual de Educação em post publicado no Blog De Olho no Conselho

Educação e meio ambiente, a hora é agora

 

Votar é um ato simples, a complexidade está na escolha. Em poucos minutos, entrei e sai da seção eleitoral sem pressa nem congestionamento, fatores comuns para quem vive em São Paulo. Milhares de brasileiros repetiram este gesto no domingo, talvez nem todos com a mesma tranquilidade que encontrei em meu caminho, mas tomando a mesma decisão pelo que entendiam ser melhor para o Brasil. Nem sempre meu pensamento vai no mesmo sentido que o seu, mas todos tem de estar voltado para a mesma direção: o bem do país em que vivemos.

Houve os que abriram mão da escolha, se ausentaram – a abstenção chegou a 21% -, mas nem por isso deixaram de ter uma atitude política.

Se mais não foram as urnas, mesmo que o voto seja obrigação, cabe aos partidos e políticos compreenderem o recado enviado. Talvez não tenham sido suficientemente convincentes em suas ideias. E convenhamos, o que temos assistido anos a fio na política brasileira não é mesmo de transmitir muita confiança.

Sem contar que a própria campanha eleitoral pecou ao não tocar em pontos fundamentais para o desenvolvimento do País. Mesmo pautado pelas pesquisas de opinião, os candidatos preferiram tratar de maneira rasa temas como educação que aparecia no topo da preferência do eleitor. As questões ambientais, com toda a influência da candidatura de Marina Silva, também se restringiram a comentários simplistas. Trocaram-se propostas por máximas imprecisas como “valorizar o professor” e “acabar com o desmatamento”.

Na cobertura da eleição deste domingo, na CBN, tive oportunidade de conversar com dois especialistas, um em educação, outro em meio ambiente. Interessante notar que os assuntos estão interligados. Sem conhecimento não se tem uma economia sustentável, capaz de atender as demandas do país e, ao mesmo tempo, preservar seus recursos naturais, por exemplo.

O oceanógrafo David Zee lembrou que foi com pesquisa (e pesquisadores, claro) que o setor agropecuário aumentou sua produtividade sem ter de derrubar mata. Sim, isto é possível, apesar de setores da economia rural não entenderem desta maneira e seguirem pressionando o parlamento a permitir a aprovação de um Código Florestal que pode se transformar em enorme risco à nossa sobrevivência.

O educador Mozart Neves Ramos, do Movimento Todos Pela Educação, entende que a qualidade do ensino somente terá avanços consideráveis se houver mais investimento e uma gestão profissionalizada nas escolas, além de faculdades de pedagogia capacitadas a qualificar o professor. Nem todos os temas são de responsabilidade direta do Governo Federal, mas o tem como indutor das políticas que permitam estes avanços.

Ambos concordam que as medidas para uma mudança qualificada do País na educação e meio ambiente não podem esperar. E este será dos grandes desafios da nova presidente Dilma Roussef, assim que assumir a função, em 1º de janeiro. Melhor ainda, assim que se iniciarem os trabalhos de composição do seu Governo, pois terá de encontrar pessoas comprometidas com estas ideias e não apenas com as cores partidárias.

Dilma poderia ler a edição da Revista Época deste fim de semana, na qual está pesquisa que trata dos valores mais apreciados pelos brasileiros. Fica evidente que o cidadão deseja viver em um Brasil no qual sejam satisfeitas as suas necessidades físicas e financeiras, mas também que existam condições que garantam a paz, justiça e qualidade de vida. Para tanto é preciso encarar os problemas estruturais e combater a corrupção, um dos aspectos mais citado pelos entrevistados.

E nada disso se constrói sem investimento na educação. Quando isto ocorrer, provavelmente os candidatos não terão mais de se preocupar com o índice de abstenção do eleitor. Por outro lado, terão de se esforçar para mostrar na campanha mais do que simples jargões e ideias vazias.

O Dia Sem Carro na sala de aula

 

Os alunos do Centro Integrado de Educação de Jovens e Adultos do Butantã foram provocados a debater em sala de aula sobre a Semana da Mobilidade e o Dia Mundial Sem Carro. O trabalho foi desenvolvido pela professora Elisabet Gomes do Nascimento para que os estudantes pensassem soluções para a questão da mobilidade e do transporte público. Textos de sites como o do Nossa São Paulo e deste blog foram utilizados e o resultado do trabalho reproduzo a seguir:


1 – Dia Mundial Sem Carro

De carro ou bicicleta?
Incentivar as pessoas
Ainda não tem metrô nem ciclovias suficientes

Mostrando que somos capazes de ficar
Um dia sem carro
Não esquecendo que o pedestre
Deve ter prioridade
Inspeção veicular ajuda, mas não resolve
Assim o povo se conscientiza
Lutando para vencer a poluição

Sempre que saimos à rua
Encontramos congestionamentos
Metrô é parte da solução

Comece hoje a deixar seu carro em casa
Ande de bicicleta ou experimente ir a pé
Repense seus hábitos
Respeite faixas e sinalização
O planeta  agradece

Alunas: Telma Lopes Galhardo Dias;Maria do Carmo R. Monteiro; Tatiane Vieira

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De Harvard à USP, uma lição

 

Por Carlos Magno Gibrail

Os principais meios de comunicação do país noticiam os rankings das melhores universidades do mundo, onde chama à atenção a distante posição da nossa melhor universidade.

Embora 8ª Economia do mundo, o Brasil aparece na lista norte americana da “Times Higher Education”, cujos critérios principais consideram as verbas para pesquisa e inovação, com a 232ª posição da USP e a 248ª da Unicamp.

No ranking da empresa inglesa “QS World University Rankings” que leva em conta a opinião da academia e o mercado, a USP aparece como a 253ª e a Unicamp como a 292ª, enquanto que na lista do “Instituto de Educação Superior de Xangai”, cujo principal indicador é a produção científica, a USP está entre o 100º e o 150º lugar, e a Unicamp entre o 200º e o 300º.

Harvard é o destaque, e só não aparece em primeiro na avaliação inglesa, onde ocupa o segundo lugar.

Mesmo levando em conta possíveis desvios de critérios, corporativismos, nacionalismos ou demais juízos de valor, há uma similaridade nestes rankings que endossa as avaliações.

Qual a razão da distância entre a economia e a educação nacional?

Sob o aspecto numérico é considerável a diferença de idade de Harvard (1636) e da USP (1934), são 298 anos. Também é significativo o 3,1% investido em educação superior nos Estados Unidos sobre um PIB de 14 trilhões de dólares contra menos de 1% num PIB de 2 trilhões de dólares no Brasil .

Não bastasse isso, temos ainda as considerações de ordem sócio-econômica e cultural, como bem lembra o Prof. Nelson Barrizzelli (FEA USP), atribuindo à elite brasileira uma propensão extrativista não construtivista. Sempre foi mais fácil extrair do que construir quer do solo, da natureza ou dos seres humanos.

De outro lado a excelência do produto universitário passa também pela qualidade da matéria prima, que são os alunos, e longe está daquela condição aprovada por Peter Drucker quando atendeu ao pedido de Harvard para lecionar seu primeiro curso de mestrado. Aceitou somente após receber a lista com a qualificação dos alunos e verificar que poderia aprender com eles.

Mas, como que para demonstrar a excelência, ainda que não no topo, mas com disposição de chegar lá, a USP reagiu e ontem, extensa matéria na Folha apresenta mudanças que priorizarão a qualidade e atualidade do ensino objetivando melhoria de qualidade e atualidade dos cursos.

A restrição à expansão no primeiro momento será inevitável, pois como bem colocou o jornalista Hélio Schwartsman:

“Gostemos ou não, incorporar mais estudantes significa aceitar alunos com pior desempenho, o que resulta em queda de qualidade. O problema é menos a USP e mais a educação básica, incapaz de preparar para o mercado global universitário”.

É a freada que certamente preparará a acelerada futura.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve no Blog do Mílton Jung

Debate reúne diretores das 6 melhores escolas do Enem

 

A educação é o tema que mais preocupa o eleitor paulista. Pesquisa do Ibope havia constatado esta realidade e, enquanto converso com os candidatos ao Governo de São Paulo, fica evidente o interesse pelo tema nas mensagens enviadas pelos ouvintes-internautas. Lamento apenas que todo o debate esteja voltado para a progressão continuada que se transformou em bode expiatório para o maus resultados obtidos pelas escolas públicas.

Hoje à noite, terei oportunidade de enxergar outra realidade. Estarei mediando debate promovido pela Época São Paulo que vai reunir os diretores dos seis colégios paulistanos com melhor desempenho no Enem2010. O encontro é uma das etapas de reportagem produzida pela revista com o tema “Em busca da escola perfeita” e será aberto ao público que poderá participar ao vivo ou por e-mail. Estarão no encontro os diretores do Vértice, Objetivo, Móbile, Santa Cruz, Bandeirantes e Instituto Federal de SP.

A Época SP pretende ajudar os pais na definição de critérios para a escolha da escola mais apropriada para a educação de seus filhos. Assim, “o debate passará por temas que têm a ver com a construção de um ensino médio ideal: infraestrutura, laboratórios, educação humanística, valor de mensalidade, carga horária, ambiente escolar, convivência com o diferente, tendência a priorizar exclusivamente a preparação para o vestibular, entre outros”, como explica o editor Camilo Vannuchi.

O debate será hoje, às sete da noite, na sede da Editora Globo (Av. jaguaré, 1485). Para quem pretende assistir ao encontro a inscrição pode ser feita no e-mail rsvpeventos@edglobo.com.br. Para perguntas, use o e-mail cvannuchi@edglobo.com.br e coloque a palavra “Debate” no campo do assunto.

É preciso um plano estadual de educação, diz mestre

 

O sistema público de educação no Brasil está reduzido a atividade escolar, quando deveria contemplar diferentes agentes da sociedade como a família e os próprios meios de comunicação. A opinião é do professor da Faculdade de Educação USP, especialista em gestão democrática e políticas públicas, Elie Ghanem, entrevistado pelo CBN São Paulo. Nossa conversa faz parte da série que pretende levantar temas para pautar as entrevistas com os candidatos ao Governo do Estado, que começam no dia 8 de setembro, próxima quarta-feira.

De acordo com Ghanem, os governantes devem ser mobilizados a pensar nas práticas educacional e transformar em permanente o debate sobre o ensino público. “São Paulo precisa criar uma Plano Estadual de Educação”, sugeriu.

Questionado sobre a progressão continuada que se transformou em uma espécie de bode expiatório para os maus resultados no desempenho dos alunos, Ghanem lembrou que o sistema foi implantado sem uma discussão e preparação dos professores. “Há uma tradição de desconsiderar o magistério no debate sobre educação pública”, reclamou.

Ouça a entrevista com Elie Ghanem, ao CBN SP, e dê sua sugestão sobre o tema

Veja aqui o calendário das entrevistas com os candidatos ao Governo do Estado de São Paulo

Brasileiro gasta apenas R$ 30 com livros, por ano

 

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A Bienal do Livro motivou a publicação de estudos sobre o hábito do brasileiro com a leitura. O Ibope Inteligência foi descobrir quanto se gasta, por ano, com livros e chegou a uma conta preocupante: apenas R$ 30 por pessoa. Mesmo nos Estados em que os números são mais otimistas, o investimento está na maior parte concentrado nas classes A e B.

Ouça a entrevista com Antônio Ruotolo do Ibope, ao CBN SP

A minha surpresa, durante entrevista com Antônio Ruotolo, que dirigiu este estudo, foi saber que São Paulo gasta menos com livro do que o Rio de Janeiro. Enquanto os cariocas desembolsam R$ 95 por ano, os paulistanos investem R$ 77 – e este valor cai bastante quando se calcula todo o Estado de São Paulo: R$ 47,00. Os estados do Nordeste e Minas Gerais são os que menos gastam com livros.

Outra dado interessante é a desigualdade que existe mesmo dentro das cidades. Em São Paulo, apesar do consumo com livros ser alto, comparado a média nacional, 90% do dinheiro sai das classes mais altas. Para Ruotolo, é provável que os mais pobres não lêem e se o fazem é através das bibliotecas.

O diretor do Ibope explicou que o consumo de livros está ligado não necessariamente ao preço do produto mas a maior concentração de livrarias em algumas regiões. As cidades menores não têm grandes livrarias e, assim, não comportam estoques com mais variedade e volume, restringindo o acesso e o consumo.

“O brasileiro lê pouco e com grandes diferenças regionais”, disse Ruotolo.

Enem: professor é a solução

 

O Enem 2009 retrata bem a qualidade do ensino no Brasil, incapaz de preparar os alunos para chegar ao mercado de trabalho, e mostra a importância de se melhorar a formação dos professores. A opinião é da educadora Guiomar Namo de Mello com quem conversamos durante o CBN São Paulo para comentar os dados do Exame, divulgados nesta segunda-feira. Segundo ela, o problema é que o País não tem tempo para esperar a melhoria do ensino do magistério e ações imediatas precisam ser adotadas para apoiar os professores na sala de aula.

Ouça a entrevista com a educadora Guiomar Namo de Mello.

Uma das mensagens enviadas ao programa, logo após a entrevista, foi da professora Cleuds Savino que há cinco anos dá aula e diz estar cansada de ouvir que a sua categoria é a responsável pela baixa qualidade do ensino, principalmente, o público. Registro a opinião dela neste espaço porque entendo ser importante ouvir a entrevista da educadora Guiomar Namo de Mello de outra maneira.

Ao se falar que é necessário qualificar o magistério não se tenta jogar nas costas dos professores a responsabilidade por tudo que ocorre (de mal) na sala de aula. Ao contrário, quer se mostrar que o professor é a solução para a melhoria do ensino. Envolvido e compromissado com a escola, os resultados no desempenho dos alunos tendem a avançar, lembrou Guiomar. E para que isto ocorra é preciso, por exemplo, que estes professores possam ficar mais tempo na mesma escola, sem a necessidade de correr de um lado para o outro para melhorar seus vencimentos.

A educação que todos e cada um querem

 

Por Fernanda Campagnucci
Observatório da Educação – Ação Educativa

Era uma quinta-feira à noite. O trânsito e o metrô lotados de sempre fizeram com que as pessoas fossem chegando aos poucos no auditório da Universidade São Judas, na Mooca.

À medida que chegavam, recebiam um crachá colorido, de acordo com o segmento da sociedade que representavam – profissionais da educação, mães ou pais, estudantes, jovens, fóruns e movimentos, gestores, iniciativa privada ou, simplesmente, cidadãos. Pela primeira vez, todos estavam reunidos ali para discutir propostas para a educação da região e da cidade.

A reunião na Mooca era uma das 31 plenárias que aconteceram em todas as subprefeituras durante o mês de maio para construir um plano de educação para a cidade de São Paulo. O processo, inédito, reuniu mais de 5.500 pessoas nessa etapa. Antes disso, as atividades já haviam se multiplicado por mais de 2 mil escolas municipais.

As 270 pessoas encheram o auditório. Num canto, uma professora traduzia, em libras, a leitura do regimento para os alunos surdos ali presentes. Reclamou – com razão – da falta do intérprete, que não chegara. Essa, aliás, foi uma das propostas defendidas pela professora: que todas as escolas, assim como todas as repartições públicas, tenham um intérprete de libras para atender às pessoas surdas.

Como nas outras plenárias, trinta pessoas podiam subir ao púlpito para ler e defender suas propostas. Os militantes da educação especial e inclusiva, assim como os profissionais de creches conveniadas, eram maioria. Mas houve também quem falasse na valorização dos professores; quem enfatizasse a necessidade de transparência nos conselhos e o acesso à informação; quem reclamasse pela melhoria da infra-estrutura nas escolas infantis e pelo aumento do financiamento da educação; pela implementação da lei que determina o ensino da história e cultura africanas…

Pessoas mais ou menos inflamadas em seus discursos eram mais ou menos aplaudidas. Uns com mais experiência para falar em público – já atuam em sindicatos – outros tímidos, como o estudante que subiu para dizer que a educação de jovens e adultos precisa de livros didáticos.

Tinham dois minutos cada para convencer as pessoas a votarem em suas propostas – que seriam, então, consideradas prioritárias na região e levadas à próxima etapa, a Conferência Municipal de Educação. Mesmo assim, todos – todos, mesmo – poderiam escrever propostas em um formulário, que serão consideradas para a Conferência também.

Uma professora perguntava à outra como deveria acontecer a votação. “É a primeira vez que participo de um negócio assim”, disse. “Eu não quero votar só em duas, acho todas importantes”, dizia uma outra em voz alta. “A contagem de votos está errada, tem que contar de novo”, gritava um outro, enquanto as pessoas ainda estavam com suas mãos levantadas. Aos poucos, foram sendo votadas e aplaudidas as propostas da Mooca.

No final da plenária, foram eleitos os delegados de cada segmento que, junto com 2.500 pessoas, construirão o documento final nos dias 18, 19 e 20, durante a Conferência. Mesmo que este último seja um dia de jogo do Brasil na Copa – que se votem as propostas até às 13 horas, então!

O desafio agora é da Comissão Organizadora do plano – sistematizar todas as propostas recebidas não só nas plenárias das subprefeituras, mas as plenárias livres e encontros temáticos puxados por grupos de toda sorte (sobre cultura e educação, avaliação, financiamento, educação inclusiva e mesmo uma plenária de crianças, etc etc etc).

E o processo, claro, não acaba por aí. Depois de finalizado o documento, a Secretaria Municipal de Educação deve encaminhá-lo à Câmara dos Vereadores. Ali, devem ocorrer audiências públicas em diversas comissões. Os cidadãos, que participaram ou não ativamente da construção do texto, têm a chance mais uma vez de monitorar e influenciar a ação de seus representantes na Câmara.

E que venha nosso primeiro plano de educação construído de forma participativa!

Pauta #cbnsp: Professor reprovado na sala de aula

 

O Governo de São Paulo voltou atrás e permitirá a presença na sala de aula de professores temporários que foram reprovados em exame realizado no ano passado. A dificuldade para preencher as vagas e atender toda a rede pública estadual levou a Secretaria de Educação a chamar estes professores. De acordo com o secretário Paulo Renato Souza estes somente serão convocados para substituir professores que precisaram de algum tipo de licença.

Ouça a entrevista do secretário estadual de Educação, Paulo Renato Souza, ao CBN SP.

A Apeoesp, sindicato que reúne os professores do Estado, afirma que a decisão apenas ratifica o que a entidade já reclamara quando houve a decisão de impor o teste aos temporários. Maria Isabel Noronha, que dirige a Apeoesp, disse que faltam professores porque a função não é valorizada pelo Estado. Ela chama atenção, ainda, para a necessidade de se realizar concurso público que efetive estes profissionais, pois hoje São Paulo mantém cerca de 100 mil professores temporários, o que representa 40% do magistério estadual.

Acompanhe a entrevista da presidente da Apeoesp, Maria Isabel Noronha, no CBN SP

Outros destaques da pauta #cbnsp

Plano Diretor I – Vereadores terão 15 dias para discutir propostas de mudança no Plano Diretor Estratégico da cidade de São Paulo, apresentada pelo relato vereador José Police Neto (PSDB). A reportagem é do Juliano Dip.

Plano Diretor II – O Movimento Defenda São Paulo diz que a Câmara Municipal faz Plano Diretor no escuro, pois não recebeu até agora os estudos que deveriam ter sido feitos pela prefeitura para avaliar a saturação que existe em algumas regiões e a infraestrutura disponível. Lucila Lacreta, arquiteta e urbanista, entende que alguns bairros que terão autorização para novas construções deveriam ser “congelados” para evitar um caos urbano. Ouça a entrevista de Lucila Lacreta do Defenda São Paulo.

Esquina do Esporte –
A seleção brasileira perde tempo ao viajar para Brasília antes de embarcar para a África do Sul. Deva Pascovicci e Marcelo Gomes falam também sobre as chances dos paulistas na rodada de hoje do Campeonato Brasileiro de futebol. Acompanhe o nosso bate-papo.

Época Sp na CBN – A noite de quarta-feira, na cidade de São Paulo, tem desde o hard rock do Forgotten Boys até o samba de Alcione. No comentário de hoje, uma dica de bom restaurante na cidade. Acompanhe.