IRBEM: Educação foi nota 10, mas não é tudo

bannerIRBEM

Destacado pela mídia, o resultado da primeira etapa do Irbem – Indicadores de Referência de Bem-Estar – mostrou que o tema educação está no topo da lista de prioridades do cidadão. Não surpreende a escolha, haja vista a forte influência que teve a opinião de estudantes da rede pública em especial no ensino municipal que responderam o questionário apresentado pelo Movimento Nossa São Paulo. Das cerca de 36 mil pessoas que deram sua opinião, pouco mais de 22 mil são crianças e adolescentes.

Houve uma espécie de “lobby do bem”, expressão que usei em conversa pelo Twitter com o secretário municipal da Educação Alexandre Schneider que comemorou o resultado com toda razão. Dentro deste tema, são prioridade para as crianças “transporte escolar gratuito”, “escola limpa e conservada”, e “educação para os direitos das crianças e adolescentes”.

Apesar de os temas apresentados no levantamento inicial serem um bom sinalizador, este ainda não é um retrato das prioridades da cidade de São Paulo. O questionário foi aberto ao público, sem nenhum critério científico. Apenas se quis dar oportunidade para que a população participasse da construção desses indicadores de maneira democrática em vez de, simplesmente, apresentar à sociedade uma pesquisa dirigida.

Assim, poderemos saber o que realmente é importante para a capital paulista apenas após a apresentação do resultado final com base em pesquisa científica, com amostra proporcional aos vários segmentos da população de São Paulo, organizada pelo Ibope, que deve ser entregue em 19 de janeiro de 2010.

Leia mais sobre o tema e veja o resultado da consulta pública no site do Nossa São Paulo.

Há dois anos, Saresp tem de ser adiado em São Paulo

 

Pelo segundo ano consecutivo a aplicação do exame para o ensino médio da rede pública do estado de São Paulo teve de ser adiada por problemas com as empresas que distribuem as provas. Ano passado, foi a forte chuva no Rio de Janeiro que impediu que os testes fossem entregues em tempo na capital paulista, agora outra empresa alega problemas na impressão para não atender contrato assinado com o Governo paulista.

O secretário estadual da Educação Paulo Renato Souza disse que foi surpreendido pela informação de que a Caede, empresa responsável pelas provas, não teria condições de entregá-las em tempo. A presidente do sindicato que reúne os professores da rede estadual Maria Isabel Azevedo Noronha diz que não há nada surpreendente pois o Estado já havia demonstrado incapacidade de atender suas responsabilidades.

Ouça as explicações do secretário estadual de Educação de São Paulo, Paulo Renato Souza

Ouça as reclamações da presidente da Apeoesp, Maria Isabel Azevedo Noronha

O Saresp deveria ter começado nesta terça e se encerrado na quinta. Foi adiado para semana que vem.

Hack Day: Saiba como vota seu deputado e senador

 

Mapa do EJA é ferramenta em favor da cidadania

Mapa do EJA é ferramenta em favor da cidadania

Acompanhar de perto as contas da comissão organizadora dos Jogos Olímpicos Rio 2006, criar sistema de avaliação de serviços públicos por meio de SMS, rastrear os locais em que existem escolas com educação para adultos e saber qual deputado ou senador está mais próximo do seu perfil de cidadão. De ideias a serem realizadas a trabalhos já em execução, o Transparência Hack Day foi um enorme avanço no diálogo entre a sociedade civil e o poder público, neste fim de semana, na Casa de Cultura Digital, em São Paulo.

Já está na rede, em teste, programa que ajudará o cidadão a controlar como o parlamentar se comporta e vota na Câmara dos Deputados e no Senado. Apesar de ainda necessitar ajustes que tornem as informações mais claras, a lista já está no Parlamento Aberto e, em breve, permitirá que você receba as informações no seu agregador de notícias e participe de votações paralelas. O mesmo programa poderia ser replicado para a Câmara Municipal de São Paulo.

O mapa com a oferta de vagas para Educação de Jovens e Adultos nas escolas também foi parar na rede, após a troca de experiência deste fim-de-semana. O cruzamento de dados permitirá a identificação das áreas de maior demanda e menor oferta, além de conscientizarem o cidadão do direito à educação.

Estes foram dois dos projetos destacados pela organizadora do Transparência Hack Day Daniela Silva em entrevista no CBN São Paulo, nesta segunda-feira. Ela ressaltou, ainda, a colaboração de órgãos públicos como o Seade que distribui arquivo com indicadores de todos as cidades do Estado de São Paulo.

Ouça a entrevista de Daniela Silva, do Transparência Hack Day


Leia mais sobre o Transparência Hack Day

Saiba como mudar o local da prova do Enem

 

Alunos que estudam em São Paulo, capital, escalados para fazer a prova do Enem, no Guarujá. Estudantes que moram na zona sul com exames marcados em Guarulhos. Todos eles erraram ao se inscrever para o Exame Nacional do Ensino Médio que se realizará sábado e domingo próximos. É o que diz o Ministério da Educação a propósito do grande número de reclamações de inscritos que terão de “viajar” para realizar o Enem. Seja o Ministro Fernando Haddad, entrevistado pelo Carlos Alberto Sardenberg, seja o presidente do INEP, Reinaldo Fernandes, entrevistado por mim, não admitem que a falha possa ter sido do instituto que organiza o exame.

Em relação aos estudantes de São Paulo que terão de atravessar a cidade, pois apesar de terem sido inscritos como moradores de uma região foram escalados para outra bem distante, Fernandes explica que o problema deve ter ocorrido pela falta de vagas no bairro.

Nos dois casos, a única saída é enviar pedido de mudança de endereço para o e-mail faleconosco@indep.gov.br e esperar que a troca de local seja autorizada.

Ouça as explicações e orientações de Reinaldo Fernandes, do Inep

Cerca de 4 milhões e meio de estudantes se inscreveram para o Enem em todo o Brasil. O telefone de informações do Inep é o 0800 616161

Chalita deixa PSDB e ataca Serra

 

Eleito com mais de 102 mil votos pelo PSDB, onde foi secretário de Educação, o vereador Gabriel Chalita se filia amanhã ao PSB, e deixa o partido reclamando da falta de espaço para discutir temas que considera prioridade no Estado. Chalita criticou o comportamento do governador José Serra que teria desmontado programas criados durante a gestão de Geraldo Alckmin, como o Escola em Tempo Integral e o Escola da Família.

Na entrevista ao CBN SP, o vereador foi além e atacou o governador tucano que estaria usando “o subsolo de suas intenções” para fazer política ao utilizar seus assessores para fazer críticas ao trabalho realizado por Chalita na Educação. Lembrou, ainda, o fato de que Serra em menos de três anos de Governo teve três secretários de educação e que teria implantado uma política de desrespeito aos professores da rede pública.

A divergência entre Chalita e Serra ocorre desde a eleição presidencial (2005) na qual Geraldo Alckmin foi candidato do PSDB contra Lula (PT), que disputava a reeleição. Chalita, ligado a Alckmin, nunca aceitou o comportamento de Serra que teria abandonado o colega de partido na campanha nacional. Dois anos depois, o confronto se acirrou, pois Serra apoiou Gilberto Kassab (DEM) em vez de Geraldo Alckmin na eleição municipal.

Chalita não confirmou, mas admite a possibilidade de ser candidato ao Senado pelo PSB, no ano que vem.

Ouça a entrevista com o vereador Gabriel Chalita (ex-PSDB)


Agora o outro lado

O secretário estadual de Educação Paulo Renato Souza foi escalado pelo Palácio dos Bandeirantes para responder às críticas feitas pelo vereador Gabriel Chalita, no programa CBN SP. Apesar de estar em Araras, interior de São Paulo, e não ter ouvido a entrevista concedida pelo ex-secretário, Paulo Renato usou de informações que lhe foram passadas pela assessoria do Governo e disse que não se justifica a reclamação de que Chalita não teve espaço para debater temas relacionados à educação. Falou que o governador José Serra nunca se negou a conversar com ele, inclusive um dos encontros marcados apenas não ocorreu por causa do próprio vereador que não compareceu a audiência.

Paulo Renato disse que o governo Serra não acabou com os programas de educação defendidos por Chalita, apenas tem outras prioridades no setor.

Ouça a entrevista do secretário de Educacação, Paulo Renato Souza

O PSDB deve pedir a vaga na Câmara Municipal de São Paulo ocupada por Gabriel Chalita, já que a lei eleitoral privilegia os partidos. No entanto, como Chalita não pretende entregá-lo, neste momento, o caso vai parar na Justiça e nenhuma decisão será adotada antes das eleições do ano que vem quando se aposta na possibilidade dele sair candidato ao Senado pelo PSB.

Escolha o tema do Blog Action Day 2009

 

Você está convidado a participar do Blog Action Day 2009, no dia 15 de outubro, evento que reunirá blogs de todo o mundo para discutir um só tema. No ano passado, a pobreza mobilizou 12.393 blogs – dentre estes, o que você lê neste momento – acessados por mais de 13 milhões de pessoas. Está na hora de você escolher o tema para este ano respondendo o questionário criado pelo site Change.org, espaço que fornece uma plataforma central a movimentos sociais para que suas mensagens possam ser transformadas em ações reais.

A mudança do clima, tema de 2007, e a pobreza estão de volta entre as opções apresentadas na pesquisa on-line. Outras possibilidades: água e comida sustentável, saúde, educação, paz e conflito armado, direito dos gays, diretos humanos e internet livre.

Eu votei em educação pois creio ser este o passo inicial para qualquer transformação da sociedade. Fique à vontade para fazer sua escolha, o fundamental é a participação neste movimento.

No ano passado, 20 posts sobre pobreza, escritos por ouvintes-internautas, foram publicados no Blog do Milton Jung devido a participação no evento. Fotos também foram enviadas e divulgadas. Neste ano, vamos repetir a ação.

Siga as informações do Blog Action Day 2009 no Twitter: @blogactionday

Canto da Cátia: Gripe suína vai a escola

 

alunos voltam às aulas

Lavar as mãos foi a primeira lição na volta as aulas no fim das férias prolongadas devido a gripe suína. Nesta segunda-feira, o que deveria fazer parte dos nossos hábitos diários se transformou em atração com os equipamentos com sabão e álcool-gel distribuídos nas escolas. Nesta manhã, a Cátia Toffoletto esteve na Escola Municipal de Educação Infantil João de Deus Cardoso de Mello, na Capela do Socorro, na zona sul de São Paulo e, além da curiosidade das crianças, encontrou cartazes espalhados nas salas e áreas comuns para lembrá-las da necessidade de manter hábitos de higiene.

Governo de São Paulo recolhe mapa do Brasil com defeito

A Secretaria da Educação de São Paulo anuncia amanhã, 17.06, o recolhimento de 50.628 mapas distribuídos em março para as escolas da rede. O material faz parte de uma coleção de 23 mapas geográficos e históricos que traz incorreções como a falta de divisão entre os Estados do Pará e Amapá e o deslocamento de linhas divisórias de outros Estados.

É mais uma da série de erros cometidos pelo Estado na compra de material didático e livros. Primeiro foram as cartilhas que apresentavam erros crassos no mapa da América do Sul, depois foram os livros impróprios para crianças e, agora, os mapas do Brasil. O secretário de Educação Paulo Renato de Souza, há duas semanas, expôs todos os livros que faziam parte do programa Ler e Escrever para que os jornalistas e os públicos tivessem oportunidade de identificar se houvessem novos erros.

Um aluno em escola particular que cometesse tantos erros estaria reprovado. Na escola pública, com a progressão continuada capenga implantada na rede, passaria em frente e, com muita sorte, cairia em uma turma de reforço para melhorar o desempenho. Mas, com certeza, tomaria bomba em qualquer avaliação.

MP quer derrubada de veto a lei anticoxinha

Um grupo de promotores públicos de São Paulo recomendou os deputados estaduais a derrubarem o veto do governador José Serra (PSDB) a lei que proibe a venda de alimentos gordurosos e companhia em cantinas de escolas. Para o pessoal que atua com temas ligados à saúde pública no Ministério Público a medida seria importante para combater a obesidade infantil e melhorar a qualidade de vida das crianças.

Caso aceitem a recomendação do MP, os deputados estarão tomando uma medida inédita no parlamento paulista. Conta-se nos dedos o número de vezes que o legislativo estadual teve coragem e argumento para derrubar um veto do governador. E não apenas do governador Serra. Todos que o antecederam, poucas vezes (e digo poucas para não cometer erros, pois não lembro de isto ter acontecido de fato) foram desafiados em suas decisões.

Mas vamos a lei anticoxinha:

Ouça a entrevista da promotora Ana Trotta

Na sala de aula, crianças discutem leis

Reportagens publicadas em jornais, nos dias 19 e 20 de maio, se transformaram em tema de discussão na sala de aula entre alunos de 9 e 10 anos de escola da zona sul de São Paulo. Naqueles dias, havia expectativa sobre decisão do Governo paulista em relação a lei que proibia a venda nas cantinas escolares de produtos com gordura trans, de alto teor calórico e de poucos nutrientes. O projeto da deputada estadual Patrícia Lima (PR) foi vetado pelo governador José Serra (PSDB). Ao mesmo tempo, houve reportagens sobre o desrespeito à lei Cidade Limpa que estava para completar dois anos, na capital paulista. Passeio pelas ruas da cidade mostrava que ainda havia comerciantes insistindo em colocar painéis, cartazes e faixas irregulares.

A professora Graziela Dib Dutra, do Colégio Guilherme Dumont Villares, decidiu levar para dentro da sala de aula estes assuntos. Com jornais em mãos, provocou a leitura das reportagens e incentivou os alunos da quarta série do ensino fundamental a escreverem para a sessão “Carta dos Leitores”, desenvolvendo, além da escrita, o senso crítico.

Resultado, opiniões surpreendentes, assim como discordantes, o que demonstra a personalidade crítica de cada uma das crianças que não deixaram se levar apenas por aquilo que estava escrito nos jornais ou pela opinião das autoridades.

Para que o trabalho desses meninos e meninas ficasse completo, e a ideia de atuarem criticamente diante dos diferentes temas fosse incentivada, teriam de ter suas “cartas” publicadas, também. Em um dos jornais distribuídos na capital, o editor se negou a divulgá-las sob alegação de que não fazia parte do público-alvo. Como tive acesso às cartas, decidi postá-las por aqui como forma de estimular a abertura de espaço para que as crianças sejam ouvidas e novos projetos com o mesmo sentido em sala de aula.

Lembro que os textos que serão lidos abaixo são escritos por alunos de 9 e 10 anos e estão publicados sem intervenção deste “editor”.

Continuar lendo