Após ter de retirar das bibliotecas das escolas estaduais seis dos livros destinados às crianças por serem considerados inapropriados, a Secretaria da Educação de São Paulo decidiu fazer uma exposição aberta ao público com os 812 títulos restantes que fazem parte do programa Ler e Escrever. A partir desta quarta-feira, 9 da manhã, os livros estarão à disposição na sede da secretaria para consulta. O secretario Paulo Renato de Souza espera com a medida não ser mais surpreendido com textos de conteúdo adulto publicados em material de apoio às crianças de oito e nove anos da rede pública como ocorreu com os livros “Dez na Área, Um na Banheira e Ninguém no Gol”, publicado pela Via Lettera, e “Poesia do Dia”, organizado por Leandro Sarmatz e publicado pela Editora Ática. Para Paulo Renato, a falha na seleção prejudicou um programa considerado de qualidade e importante no incentivo à literatura, o Ler e Escrever.
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Alunos da Martim Francisco vão adotar vereador, em São Paulo
A Escola Estadual Martim Francisco, na Vila Nova Conceição, foi cenário de uma batalha social e jurídica desde que, em 2004, foi feito o anúncio de que seria fechada, os alunos transferidos para um prédio ao lado e o terreno ficaria com uma construtora em troca de área cedida à prefeitura de São Paulo. Houve protestos, muita gritaria e a garantia da permanência no local veio após decisão da Justiça em 2007.
Os alunos da Martim Francisco terão mais uma oportunidade de exercer sua cidadania, desta vez acompanhando o trabalho dos vereadores de São Paulo. A iniciativa é do professor Eugênio Carvalho, inspirado na campanha Adote um Vereador, que repassou, por e-mail, o roteiro que os estudantes da rede pública estadual terão de cumprir:
1- Foram definidos sete temas para pesquisa. São eles: Saúde, Educação, Meio Ambiente, Criança e Adolescente, Transporte, Habitação e Direitos Humanos.
2- As classes foram divididas em grupos por tema.
3- Cada grupo ficou responsável por levantar todas as informações sobre o tema escolhido. ( o foco de interesse é a cidade de São Paulo)
4- Os alunos deverão utilizar como fonte de pesquisa: Caderno Metrópole do Jornal Estado de São Paulo, Cotidiano da Folha de São Paulo. Sites: Voto Consciente, Inst. Ágora, Transparência Brasil, Instituto Sócio Ambiental, Nossa São Paulo, Seade e Câmara dos Veradores.
5- Será montado um mural com todas as informações recolhidas, além disso os alunos farão duas questões sobre o tema pesquisado.
6- Na segunda quinzena, os alunos farão visita monitorada à Câmara Municipal. Nesse mesmo dia, estaremos entregando um ofício em cada gabinete comunicando sobre o projeto.
7- A partir do segundo semestre todas as informações sobre projetos e votações serão afixadas no mural da escola.
8- É objetivo também elaborar um informativo.
Minha sugestão ao professor Eugênio e sua turma de “adotadores” é que criem um blog para a divulgação de todas estas informações, permitindo que cidadãos que não façam parte da comunidade escolar também tenham acesso aos dados que, certamente, serão muito úteis para que se tenha uma ideia melhor sobre o desempenho dos vereadores e o trabalho realizado na Câmara Municipal de São Paulo.
Os alunos da Martim Francisco estão de parabéns pela iniciativa.
Secretaria não tem comissão “formal” para analisar livros, diz secretário
“Inadequado” foi a expressão usada pelo secretário estadual da Educação Paulo Renato de Souza ao se referir aos livros “Dez na Área, Um na Banheira e Ninguém no Gol” e “Poesia do Dia” distribuídos nas escolas públicas. Em ambos, foram encontrados textos que faziam referência a sexo, drogas e violência de maneira inapropriada para crianças de oito e nove anos. O último caso, denunciado por este blog, nessa quarta 27.05, está ligado a dois poemas de Joca Reiners Terron (leia mais aqui).
Na entrevista ao CBN SP não ficou muito claro o critério e a formação da comissão que escolheu 818 títulos para serem usados pelos professores em sala de aula. Paulo Renato disse que não existe uma comissão formalizada, mas há, sim, um grupo de professores sob responsabilidade do programa Ler e Escrever que, a partir de lista enviada pelas editoras, faz a seleção.
O secretário disse que foi solicitada uma revisão nos livros que integram o programa e na quarta-feira da semana que vem todos estes livros serão apresentados aos jornalistas: “vou chamar toda a imprensa para examinar cada um dos títulos”.
Ouça a entrevista do secretário da Educação Paulo Renato de Souza para Tânia Morales
Poesia para crianças da rede pública fala em droga, sexo e estupro
As frases acima foram extraídas de duas poesias de Joca Reiners Terron, escritor, designer e editor,que estreou na literatura em 1998 e tem textos publicados no exterior, também. Terron é um dos nomes que surgiram nos últimos tempos no cenário literário brasileiro com muito destaque pela força e qualidade de seu discurso. Merece ser lido e estudado. O que professores da rede pública estadual de São Paulo estão em dúvida é se “Manual de Auto-ajuda de Supervilões” (do qual faz parte as duas primeiras frases) e “Perdido nas cidades” (as duas últimas) são apropriados para garotos e garotas de oito e nove anos da 3a. série, conforme propõe a Secretaria Estadual de Educação.
As poesias fazem parte do livro “Poesia do Dia”, organizado por Leandro Sarmatz e publicado pela Editora Ática, comprado e distribuido pelo Estado, no programa Ler e Escrever que tem como intenção “oferecer recursos para garantir as melhores condições de ensino às crianças que frequentam as primeiras séries do ensino da rede pública estadual”.
Há uma semana, o livro “Dez na Área, Um na Banheira e Ninguém no Gol”, publicado pela Via Lettera, foi recolhido pelo Governo do Estado depois que professores identificaram a presença de textos pornográficos (leia aqui). Antes deste fato, cartilhas com erros de geografia foram retiradas das escolas, após o Estado gastar dinheiro público com o material pedagógico.
No caso do “Dez na Área”, o governo admitiu o erro, disse que este teria sido de responsabilidade de uma comissão da Secretaria Estadual da Educação e prometeu verificar quem teria avaliado de maneira errada o material literário distribuído para crianças da rede pública.
Para ler os textos completos das poesias acesse aqui:
Da Móoca ao Morumbi, nunca mais ?
Por Carlos Magno Gibrail
A escola da Móoca que o Governador José Serra estudou foi para o noticiário policial; as escolas de São Paulo estão em posições surpreendentemente desfavoráveis nos rankings nacionais; professores de universidades de ponta detectam queda no nível dos alunos.
Não se educa mais como antigamente? Ou não se estuda mais como antigamente? As crianças e os jovens não são mais bem informados e espertos do que no passado ?
Acredito que a resposta “sim” vale para todas as questões acima, acrescentando que a abertura do ensino e a falta de um método cientifico de avaliação explicam a “inexplicável” situação da educação no Brasil.
Professor da FEA USP, Nelson Barrizzelli atesta o primeiro “sim”:
“Como professor universitário de uma das escolas mais conceituadas deste país, vejo com tristeza que a cada ano o nível dos alunos que chegam à Faculdade é pior do que os que chegaram nos anos anteriores. Isto é uma demonstração cabal de que estamos falhando nos níveis elementares e intermediários”.
Indagado a respeito de uma solução, pondera:
“Acredito que a educação no Brasil só atingirá níveis compatíveis com nossa necessidade de futuro, quando o ensino fundamental e o ensino médio voltarem a ter a qualidade que tinham anos atrás. Há 30 ou 40 anos um aluno que deixava a escola após o científico ou clássico tinha nível de conhecimento adequado para o seu desenvolvimento, mesmo sem acesso à Universidade”.
E dá um recado:
“Não esqueça de que tudo isso pode ser mudado se o voto se tornar facultativo. Precisamos sensibilizar a imprensa a respeito. O Milton poderia começar esse movimento no programa dele.”
A psicóloga Ceres Alves de Araújo declarou à VEJA:
“São Paulo foi a primeira cidade do Brasil a entrar na onda das escolas liberais e construtivistas. O professor perdeu a autoridade e os caminhos individuais para a aquisição de conhecimento forjaram alunos autônomos , porém indisciplinados”.
O que é ruim para desafios de concursos e provas, ao contrário do perfil dos colégios campeões.
Do MEC, há três semanas, saíram sugestões entre as quais a expansão da carga horária e a interdisciplinaridade de leitura e de arte e cultura. Certamente melhorarão o cenário atual. Entretanto para melhor entender o momento é preciso levar em conta a expansão quantitativa de alunos e o crescimento da classe C neste contexto. Principalmente em São Paulo onde ela representa 55% da população. E, dos 493 colégios da cidade, 182 cobram menos de 500 reais de mensalidade. E “mensalidade é um indicador de qualidade” como lembra o Prof. Arthur Fonseca Filho do Conselho Estadual de Educação.
Daí a prova do ENEM fica distorcida e escancara uma falha gritante de avaliação. Exatamente na educação, ignora-se a técnica. Quando foi usada, em 2001 a Marplan elegeu o Colégio Porto Seguro no Morumbi o melhor da cidade, agora o 452º do ranking do ENEM.
Até mesmo um especialista, o economista Gustavo Ioschpe e colunista da VEJA fica confuso:
“É um mistério que os colégios da elite paulistana não se saíam bem no ENEM”.
O mistério é por que até agora não se aplicou a técnica usada nas eleições ou nas pesquisas de produtos, onde se respeita a amostra de mercado e a segmentação dos consumidores.
É hora de chamarmos os especialistas. Os pesquisadores de mercado, os pedagogos e os psicólogos. Inclusive para os problemas de violência, principalmente se a intenção for reabrir a rota Móoca-Morumbi.
Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e toda as quartas escreve no Blog do Milton Jung
Veja mais imagens no álbum de Andre Cherri, no Flickr
“Não daria para minhas filhas lerem”, diz cartunista
O autor da HQ que causou mais uma polêmica na educação pública do estado de São Paulo diz que não daria para as filhas dele ler o livro que foi distribuído para os alunos de nove anos. Caco Galhardo é cartunista e um dos 11 convidados da coletânea “Dez na Área, Um na Banheira e Ninguém no Gol”, publicado pela Via Lettera, e recomendada como maerial paradidático nas escola estaduais de acordo com avaliação de uma comissão da Secretaria de Educação.
Com expressões de baixo calão e conotação sexual, a HQ de Galhardo, segundo ele próprio, jamais poderia ser entregue às crianças. A própria editora afirma que a publicação é para adultos e adolescentes. Mas alguma santa alma da tal comissão deve ter lido apenas o prefácio, assinado pelo jogador Tostão, e autorizou a compra de 1.700 livros que agora estão sendo recolhidos.
Como combater a violência na escola, segundo o Governo
Câmeras de vídeo, espaço para denunciar crimes e código de conduta são medidas que o Governo do Estado de São Paulo prepara para combater a violência nas escolas da rede pública, de acordo com o secretário estadual da Educação Paulo Renato Souza. Em entrevista ao CBN SP, ele afirmou que o papel dos diretores das escolas é fundamental para mudar esta situação.
Ouça o que disse o secretário da Educação Paulo Renato Souza, ao CBN SP
Como combater a violência na escola
Reproduzo aqui o post publicado no dia 11.03 quando entrevistamos a promotora Vera Lucia cayaba de Toleto sobre caminhos para se combater a violência na escola. O tema volta a pauta com a depredação da Escola Estadual Professor Antônio Firmino de Proença, na Mooca, na zona leste da capital:
Reduzir em até 40% o número de atos infracionais dentro das 230 escolas da rede pública municipal e estadual, em São Bernardo, região metropolitana de São Paulo, é a meta de uma força-tarefa organizada pelo Ministério Público Estadual, através da Promotoria da Infância e Juventude. Em pouco mais de um ano de trabalho, teria havido uma queda de até 20% nas ocorrências, segundo a promotora Vera Lucia Acayaba de Toledo.
Lesões corporais, agressões entre alunos, contra professores e de professores, roubos e furtos, e consumo de drogas, são algumas das questões que deixaram de ser vistas apenas como caso de polícia e passaram a ser encaminhadas para um grupo multidisciplinar que se formou na cidade.
Para entender a boa experiência de São Bernardo ouça a entrevista com a promotora da Infância e Juventude Vera Lucia Acayaba de Toledo. Vale a pena !
Educação lança Portal pela transparência
Um portal para reunir todas as informações referentes ao ensino público municipal será lançado, nesta terça-feira. É a aposta do secretário de Educação Alexandre Schneider na transparência ao divulgar entre tantos outros dados, o quadro completo de matrículas e demanda nas escolas da capital.
Será o primeiro site da prefeitura a listar o nome de todos os funcionários da secretaria, 75 mil no caso da educação, cumprindo com lei que está em vigor desde o ano passado, mas que não é respeitado pela prefeitura de São Paulo.
Interessados em saber o andamento das reformas que estão sendo realizadas nas escolas poderão usar o portal, também. Lá há o calendário de obras além dos pagamentos feitos aos fornecedores. Uma ferramenta importante para a comunidade escolar identificar irregularidades que possam estar ocorrendo ou demoras excessivas para o atendimento dos contratos assinados com a prefeitura.
Os alunos da rede poderão acessar o portal, criar e-mail e conversar com colegas de outras áreas da cidade em troca de experiência que pode ser útil inclusive para identificar avanços que tenham sido alcançados ou barreiras no processo de educação que poderiam ser eliminadas.
O volume de informação é imenso, muitos dos dados oferecidos ainda são difíceis de compreender sem que se tenha um conhecimento mais apurado, por exemplo, em finanças públicas. Mas a riqueza de dados, concentrados em um só espaço, vai se transformar em consulta obrigatória por aqueles que avaliam a qualidade do ensino na cidade e o investimento público na área de educação.
O endereço do Portal só estará disponível a partir de amanhã.
A escola estadual que deu certo, segundo o Enem
Disciplina, coerência, estabilidade, diálogo com a família. Alguns dos ítens considerados essenciais para o bom resultado no Enem da Escola Estadual Professora Lúcia de Castro Bueno, em Taboão da Serra, Região Metropolitana de São Paulo. A explicação é do diretor da instituição que obteve o melhor desempenho no Exame na rede pública do Estado, Camilo da Silva Oliveira. A nota: 58,51.
Ouça a entrevista com o diretor Camilo da Silva Oliveira ao CBN SP




