Chalita deixa PSDB e ataca Serra

 

Eleito com mais de 102 mil votos pelo PSDB, onde foi secretário de Educação, o vereador Gabriel Chalita se filia amanhã ao PSB, e deixa o partido reclamando da falta de espaço para discutir temas que considera prioridade no Estado. Chalita criticou o comportamento do governador José Serra que teria desmontado programas criados durante a gestão de Geraldo Alckmin, como o Escola em Tempo Integral e o Escola da Família.

Na entrevista ao CBN SP, o vereador foi além e atacou o governador tucano que estaria usando “o subsolo de suas intenções” para fazer política ao utilizar seus assessores para fazer críticas ao trabalho realizado por Chalita na Educação. Lembrou, ainda, o fato de que Serra em menos de três anos de Governo teve três secretários de educação e que teria implantado uma política de desrespeito aos professores da rede pública.

A divergência entre Chalita e Serra ocorre desde a eleição presidencial (2005) na qual Geraldo Alckmin foi candidato do PSDB contra Lula (PT), que disputava a reeleição. Chalita, ligado a Alckmin, nunca aceitou o comportamento de Serra que teria abandonado o colega de partido na campanha nacional. Dois anos depois, o confronto se acirrou, pois Serra apoiou Gilberto Kassab (DEM) em vez de Geraldo Alckmin na eleição municipal.

Chalita não confirmou, mas admite a possibilidade de ser candidato ao Senado pelo PSB, no ano que vem.

Ouça a entrevista com o vereador Gabriel Chalita (ex-PSDB)


Agora o outro lado

O secretário estadual de Educação Paulo Renato Souza foi escalado pelo Palácio dos Bandeirantes para responder às críticas feitas pelo vereador Gabriel Chalita, no programa CBN SP. Apesar de estar em Araras, interior de São Paulo, e não ter ouvido a entrevista concedida pelo ex-secretário, Paulo Renato usou de informações que lhe foram passadas pela assessoria do Governo e disse que não se justifica a reclamação de que Chalita não teve espaço para debater temas relacionados à educação. Falou que o governador José Serra nunca se negou a conversar com ele, inclusive um dos encontros marcados apenas não ocorreu por causa do próprio vereador que não compareceu a audiência.

Paulo Renato disse que o governo Serra não acabou com os programas de educação defendidos por Chalita, apenas tem outras prioridades no setor.

Ouça a entrevista do secretário de Educacação, Paulo Renato Souza

O PSDB deve pedir a vaga na Câmara Municipal de São Paulo ocupada por Gabriel Chalita, já que a lei eleitoral privilegia os partidos. No entanto, como Chalita não pretende entregá-lo, neste momento, o caso vai parar na Justiça e nenhuma decisão será adotada antes das eleições do ano que vem quando se aposta na possibilidade dele sair candidato ao Senado pelo PSB.

Escolha o tema do Blog Action Day 2009

 

Você está convidado a participar do Blog Action Day 2009, no dia 15 de outubro, evento que reunirá blogs de todo o mundo para discutir um só tema. No ano passado, a pobreza mobilizou 12.393 blogs – dentre estes, o que você lê neste momento – acessados por mais de 13 milhões de pessoas. Está na hora de você escolher o tema para este ano respondendo o questionário criado pelo site Change.org, espaço que fornece uma plataforma central a movimentos sociais para que suas mensagens possam ser transformadas em ações reais.

A mudança do clima, tema de 2007, e a pobreza estão de volta entre as opções apresentadas na pesquisa on-line. Outras possibilidades: água e comida sustentável, saúde, educação, paz e conflito armado, direito dos gays, diretos humanos e internet livre.

Eu votei em educação pois creio ser este o passo inicial para qualquer transformação da sociedade. Fique à vontade para fazer sua escolha, o fundamental é a participação neste movimento.

No ano passado, 20 posts sobre pobreza, escritos por ouvintes-internautas, foram publicados no Blog do Milton Jung devido a participação no evento. Fotos também foram enviadas e divulgadas. Neste ano, vamos repetir a ação.

Siga as informações do Blog Action Day 2009 no Twitter: @blogactionday

Canto da Cátia: Gripe suína vai a escola

 

alunos voltam às aulas

Lavar as mãos foi a primeira lição na volta as aulas no fim das férias prolongadas devido a gripe suína. Nesta segunda-feira, o que deveria fazer parte dos nossos hábitos diários se transformou em atração com os equipamentos com sabão e álcool-gel distribuídos nas escolas. Nesta manhã, a Cátia Toffoletto esteve na Escola Municipal de Educação Infantil João de Deus Cardoso de Mello, na Capela do Socorro, na zona sul de São Paulo e, além da curiosidade das crianças, encontrou cartazes espalhados nas salas e áreas comuns para lembrá-las da necessidade de manter hábitos de higiene.

Governo de São Paulo recolhe mapa do Brasil com defeito

A Secretaria da Educação de São Paulo anuncia amanhã, 17.06, o recolhimento de 50.628 mapas distribuídos em março para as escolas da rede. O material faz parte de uma coleção de 23 mapas geográficos e históricos que traz incorreções como a falta de divisão entre os Estados do Pará e Amapá e o deslocamento de linhas divisórias de outros Estados.

É mais uma da série de erros cometidos pelo Estado na compra de material didático e livros. Primeiro foram as cartilhas que apresentavam erros crassos no mapa da América do Sul, depois foram os livros impróprios para crianças e, agora, os mapas do Brasil. O secretário de Educação Paulo Renato de Souza, há duas semanas, expôs todos os livros que faziam parte do programa Ler e Escrever para que os jornalistas e os públicos tivessem oportunidade de identificar se houvessem novos erros.

Um aluno em escola particular que cometesse tantos erros estaria reprovado. Na escola pública, com a progressão continuada capenga implantada na rede, passaria em frente e, com muita sorte, cairia em uma turma de reforço para melhorar o desempenho. Mas, com certeza, tomaria bomba em qualquer avaliação.

MP quer derrubada de veto a lei anticoxinha

Um grupo de promotores públicos de São Paulo recomendou os deputados estaduais a derrubarem o veto do governador José Serra (PSDB) a lei que proibe a venda de alimentos gordurosos e companhia em cantinas de escolas. Para o pessoal que atua com temas ligados à saúde pública no Ministério Público a medida seria importante para combater a obesidade infantil e melhorar a qualidade de vida das crianças.

Caso aceitem a recomendação do MP, os deputados estarão tomando uma medida inédita no parlamento paulista. Conta-se nos dedos o número de vezes que o legislativo estadual teve coragem e argumento para derrubar um veto do governador. E não apenas do governador Serra. Todos que o antecederam, poucas vezes (e digo poucas para não cometer erros, pois não lembro de isto ter acontecido de fato) foram desafiados em suas decisões.

Mas vamos a lei anticoxinha:

Ouça a entrevista da promotora Ana Trotta

Na sala de aula, crianças discutem leis

Reportagens publicadas em jornais, nos dias 19 e 20 de maio, se transformaram em tema de discussão na sala de aula entre alunos de 9 e 10 anos de escola da zona sul de São Paulo. Naqueles dias, havia expectativa sobre decisão do Governo paulista em relação a lei que proibia a venda nas cantinas escolares de produtos com gordura trans, de alto teor calórico e de poucos nutrientes. O projeto da deputada estadual Patrícia Lima (PR) foi vetado pelo governador José Serra (PSDB). Ao mesmo tempo, houve reportagens sobre o desrespeito à lei Cidade Limpa que estava para completar dois anos, na capital paulista. Passeio pelas ruas da cidade mostrava que ainda havia comerciantes insistindo em colocar painéis, cartazes e faixas irregulares.

A professora Graziela Dib Dutra, do Colégio Guilherme Dumont Villares, decidiu levar para dentro da sala de aula estes assuntos. Com jornais em mãos, provocou a leitura das reportagens e incentivou os alunos da quarta série do ensino fundamental a escreverem para a sessão “Carta dos Leitores”, desenvolvendo, além da escrita, o senso crítico.

Resultado, opiniões surpreendentes, assim como discordantes, o que demonstra a personalidade crítica de cada uma das crianças que não deixaram se levar apenas por aquilo que estava escrito nos jornais ou pela opinião das autoridades.

Para que o trabalho desses meninos e meninas ficasse completo, e a ideia de atuarem criticamente diante dos diferentes temas fosse incentivada, teriam de ter suas “cartas” publicadas, também. Em um dos jornais distribuídos na capital, o editor se negou a divulgá-las sob alegação de que não fazia parte do público-alvo. Como tive acesso às cartas, decidi postá-las por aqui como forma de estimular a abertura de espaço para que as crianças sejam ouvidas e novos projetos com o mesmo sentido em sala de aula.

Lembro que os textos que serão lidos abaixo são escritos por alunos de 9 e 10 anos e estão publicados sem intervenção deste “editor”.

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Pra não repetir erros, Educação abre livros ao público

Após ter de retirar das bibliotecas das escolas estaduais seis dos livros destinados às crianças por serem considerados inapropriados, a Secretaria da Educação de São Paulo decidiu fazer uma exposição aberta ao público com os 812 títulos restantes que fazem parte do programa Ler e Escrever. A partir desta quarta-feira, 9 da manhã, os livros estarão à disposição na sede da secretaria para consulta. O secretario Paulo Renato de Souza espera com a medida não ser mais surpreendido com textos de conteúdo adulto publicados em material de apoio às crianças de oito e nove anos da rede pública como ocorreu com os livros “Dez na Área, Um na Banheira e Ninguém no Gol”, publicado pela Via Lettera, e “Poesia do Dia”, organizado por Leandro Sarmatz e publicado pela Editora Ática. Para Paulo Renato, a falha na seleção prejudicou um programa considerado de qualidade e importante no incentivo à literatura, o Ler e Escrever.

Alunos da Martim Francisco vão adotar vereador, em São Paulo

Adote um VereadorA Escola Estadual Martim Francisco, na Vila Nova Conceição, foi cenário de uma batalha social e jurídica desde que, em 2004, foi feito o anúncio de que seria fechada, os alunos transferidos para um prédio ao lado e o terreno ficaria com uma construtora em troca de área cedida à prefeitura de São Paulo. Houve protestos, muita gritaria e a garantia da permanência no local veio após decisão da Justiça em 2007.

Os alunos da Martim Francisco terão mais uma oportunidade de exercer sua  cidadania, desta vez acompanhando o trabalho dos vereadores de São Paulo. A iniciativa é do professor Eugênio Carvalho, inspirado na campanha Adote um Vereador, que repassou, por e-mail, o roteiro que os estudantes da rede pública estadual terão de cumprir:

1- Foram definidos sete temas para pesquisa. São eles: Saúde, Educação, Meio Ambiente, Criança e Adolescente, Transporte, Habitação e Direitos Humanos.

2- As classes foram divididas em grupos por tema.

3- Cada grupo ficou responsável por levantar todas as informações sobre o tema escolhido. ( o foco de interesse é a cidade de São Paulo)

4- Os alunos deverão utilizar como fonte de pesquisa: Caderno Metrópole do  Jornal Estado de São Paulo, Cotidiano da Folha de São Paulo. Sites: Voto Consciente, Inst. Ágora, Transparência Brasil, Instituto Sócio Ambiental, Nossa São Paulo, Seade e Câmara dos Veradores.

5- Será montado um mural com todas as informações recolhidas, além disso os alunos farão duas questões sobre o tema pesquisado.

6- Na segunda quinzena, os alunos farão visita monitorada à Câmara Municipal. Nesse mesmo dia, estaremos entregando um ofício em cada gabinete comunicando sobre o projeto.

7- A partir do segundo semestre todas as informações  sobre projetos e votações  serão afixadas no mural da escola.

8- É objetivo também elaborar um informativo.

Minha sugestão ao professor Eugênio e sua turma de “adotadores”  é que criem um blog para a divulgação de todas estas informações, permitindo que cidadãos que não façam parte da comunidade escolar também tenham acesso aos dados que, certamente, serão muito úteis para que se tenha uma ideia melhor sobre o desempenho dos vereadores e o trabalho realizado na Câmara Municipal de São Paulo.

Os alunos da Martim Francisco estão de parabéns pela iniciativa.

Secretaria não tem comissão “formal” para analisar livros, diz secretário

“Inadequado” foi a expressão usada pelo secretário estadual da Educação Paulo Renato de Souza ao se referir aos livros “Dez na Área, Um na Banheira e Ninguém no Gol” e “Poesia do Dia” distribuídos nas escolas públicas. Em ambos, foram encontrados textos que faziam referência a sexo, drogas e violência de maneira inapropriada para crianças de oito e nove anos. O último caso, denunciado por este blog, nessa quarta 27.05, está ligado a dois poemas de Joca Reiners Terron (leia mais aqui).

Na entrevista ao CBN SP não ficou muito claro o critério e a formação da comissão  que escolheu 818 títulos para serem usados pelos professores em sala de aula. Paulo Renato disse que não existe uma comissão formalizada, mas há, sim, um grupo de professores sob responsabilidade do programa Ler e Escrever que, a partir de lista enviada pelas editoras, faz a seleção.

O secretário disse que foi solicitada uma revisão nos livros que integram o programa e  na quarta-feira da semana que vem todos estes livros serão apresentados aos jornalistas: “vou chamar toda a imprensa para examinar cada um dos títulos”.

Ouça a entrevista do secretário da Educação Paulo Renato de Souza para Tânia Morales

Poesia para crianças da rede pública fala em droga, sexo e estupro

Trechos extraídos de Poesia do Dia

As frases acima foram extraídas de duas poesias de Joca Reiners Terron, escritor, designer e editor,que estreou na literatura em 1998 e tem textos publicados no exterior, também. Terron é um dos nomes que surgiram nos últimos tempos no cenário literário brasileiro com muito destaque pela força e qualidade de seu discurso. Merece ser lido e estudado. O que professores da rede pública estadual de São Paulo estão em dúvida é se “Manual de Auto-ajuda de Supervilões” (do qual faz parte as duas primeiras frases) e “Perdido nas cidades” (as duas últimas) são apropriados para garotos e garotas de oito e nove anos da 3a. série, conforme propõe a Secretaria Estadual de Educação.

As poesias fazem parte do livro “Poesia do Dia”, organizado por Leandro Sarmatz e publicado pela Editora Ática, comprado e distribuido pelo Estado, no programa Ler e Escrever que tem como intenção “oferecer recursos para garantir as melhores condições de ensino às crianças que frequentam as primeiras séries do ensino da rede pública estadual”.

Há uma semana, o livro “Dez na Área, Um na Banheira e Ninguém no Gol”, publicado pela Via Lettera, foi recolhido pelo Governo do Estado depois que professores identificaram a presença de textos pornográficos (leia aqui). Antes deste fato, cartilhas com erros de geografia foram retiradas das escolas, após o Estado gastar dinheiro público com o material pedagógico.

No caso do “Dez na Área”, o governo admitiu o erro, disse que este teria sido de responsabilidade de uma comissão da Secretaria Estadual da Educação e prometeu verificar quem teria avaliado de maneira errada o material literário distribuído para crianças da rede pública.

Para ler os textos completos das poesias acesse aqui:

Manual de Ajuda de Supervilões

Perdidos nas cidades