Exame que “reprovou” professores será desconsiderado

Atendendo decisão judicial, a Secretaria Estadual da Educação não vai levar em consideração o desempenho dos professores temporários no exame aplicado no ano passado. De acordo com o órgão, o critério para atribuição de aulas será o mesmo do ano passado, por tempo de serviço e títulos. A medida tem o objetivo de garantir que as aulas comecem em 16 de fevereiro. A liminar que impede o uso do resultado das provas foi obtida pela Apeoesp, sindicato que reúne os professores da rede pública de ensino.

O desempenho no exame chamou atenção pelo baixo rendimento de grande parcela dos professores a medida que dos  241 mil que participaram da prova 3 mil tiveram nota zero e metade dos que realizaram o teste tiraram menos de cinco. Apenas 111 tiraram 10.

O resultado provocou uma série de mensagens ao CBN São Paulo de professores que estivaram no exame e de pais de alunos da rede pública. Ouça aqui o que disse sobre o tema o comentarista Gilberto Dimenstein, no Mais São Paulo.

Para a Apeoesp, o desempenho dos professores não pode ser avaliado pelo exame, pois alguns sequer teriam participado da prova e aparecem na lista com a nota zero.

OSESP, um feito e um fato

Por Carlos Magno Gibrail

Osesp 1

O feito – a Revista britânica Gramophone publica um ranking que coloca a Orquestra Real de Amsterdã e a Filarmônica de Berlim como as duas melhores orquestras do mundo. A surpresa quando os resultados foram publicados em dezembro 08, foi uma menção honrosa  a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (OSESP). O jornal O GLOBO pergunta e responde: “O que o melhor conjunto sinfônico do Brasil compartilha com os dois melhores do mundo? Muita coisa. Por exemplo, todos têm uma boa sala de concertos como sede, uma academia para formação de seus músicos e muitos subconjuntos de câmara”.

O fato – o executivo que montou esta premiada OSESP foi demitido pelo mesmo poder que o designou para a tarefa.

Sem entrar no mérito do fato , cabe indagar como se chegou ao resultado.

Marcos Mendonça, secretário da cultura de Mario Covas, convida John Neschling em 1997 para dirigir a OSESP. Este exige poder, salários compatíveis com o mercado internacional e uma sala com acústica impecável. Mendonça, resignado e determinado dá as condições solicitadas.

De nove de julho de 1999, inauguração da Sala São Paulo, até hoje a OSESP apresentou a performance encomendada. Dos 40 espectadores de antes, 12000 assinantes, que pagam de 195 a 742 reais para a temporada sinfônica, com ingressos de 30 a 104 reais. Os 109 músicos, 48 são estrangeiros vindos  de 18 países, ganham 7800 reais  os principiantes e 14500 reais os experientes. O maestro, 100 mil reais mensais. O orçamento 60 milhões anuais, dos quais 43 vindos da Secretária de Cultura de SP.
Enquanto isso, ontem, os jornais publicaram que na educação superior houve queda nos cursos de formação de professores ( 73000 em 2006 para 70000 ) taxa de menos 4,5%.

Maria Malavasi, Unicamp, diz que “um conjunto de fatores como desprestígio,falta de respeito social e baixos salários contribui para o declínio da carreira e a baixa procura pelos cursos de magistério”. Segundo  o Simpro, o salário médio na rede particular é de 3700 reais mensais.

Além disso, houve também redução na procura aos cursos superiores. Dos 6,2 milhões de vagas, 30% estão sobrando (1,3 milhões). O que descarta a idéia, segundo Reynaldo Fernandes  do Inep de que “no Brasil todo mundo quer ser doutor”, pois tem apenas 12% dos jovens entre 18 e 24 anos na universidade, enquanto os Estados Unidos apresenta taxa de 70%.

Tudo indica que precisamos no  ensino da mesma lição da OSESP, isto é, casa apropriada, salários internacionais, secretário de estado para adequar verbas e maestro para regê-las. E vamos ao feito e não ao fato.


Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e toda quarta-feira se propõe a discutir temas de relevância com olhar diferenciado. É dito e feito.