Da Móoca ao Morumbi, nunca mais ?

Por Carlos Magno Gibrail

Cena do curtametragem Escola de Meninos (Andre Cherri/Flickr)

A escola da Móoca que o Governador José Serra estudou foi para o noticiário policial; as escolas de São Paulo estão em posições surpreendentemente desfavoráveis nos rankings nacionais; professores de universidades de ponta detectam queda no nível dos alunos.

Não se educa mais como antigamente? Ou não se estuda mais como antigamente? As crianças e os jovens não são mais bem informados e espertos do que no passado ?

Acredito que a resposta “sim” vale para todas as questões acima, acrescentando que a abertura do ensino e a falta de um método cientifico de avaliação explicam a “inexplicável” situação da educação no Brasil.

Professor da FEA USP, Nelson Barrizzelli atesta o primeiro “sim”:

“Como professor universitário de uma das escolas mais conceituadas deste país, vejo com tristeza que a cada ano o nível dos alunos que chegam à Faculdade é pior do que os que chegaram nos anos anteriores. Isto é uma demonstração cabal de que estamos falhando nos níveis elementares e intermediários”.

Indagado a respeito de uma solução, pondera:

“Acredito que a educação no Brasil só atingirá níveis compatíveis com nossa necessidade de futuro, quando o ensino fundamental e o ensino médio voltarem a ter a qualidade que tinham anos atrás. Há 30 ou 40 anos um aluno que deixava a escola após o científico ou clássico tinha nível de conhecimento adequado para o seu desenvolvimento, mesmo sem acesso à Universidade”.

E dá um recado:

“Não esqueça de que tudo isso pode ser mudado se o voto se tornar facultativo. Precisamos sensibilizar a imprensa a respeito. O Milton poderia começar esse movimento no programa dele.”

A psicóloga Ceres Alves de Araújo declarou à VEJA:

“São Paulo foi a primeira cidade do Brasil a entrar na onda das escolas liberais e construtivistas. O professor perdeu a autoridade e os caminhos individuais para a aquisição de conhecimento forjaram alunos autônomos , porém indisciplinados”.

O que é ruim para desafios de concursos e provas, ao contrário do perfil dos colégios campeões.

Do MEC, há três semanas, saíram  sugestões entre as quais a  expansão da carga horária e a interdisciplinaridade de leitura  e de arte e cultura. Certamente melhorarão o cenário atual. Entretanto para melhor entender o momento  é preciso levar em conta a expansão  quantitativa de alunos e o crescimento  da classe C neste contexto. Principalmente em  São Paulo  onde ela representa 55% da população. E, dos 493 colégios da cidade, 182 cobram menos de 500 reais de mensalidade. E “mensalidade é um indicador de qualidade” como lembra o Prof. Arthur Fonseca Filho do Conselho Estadual de Educação.

Daí a prova do ENEM fica distorcida e escancara uma falha gritante de avaliação. Exatamente na educação, ignora-se a técnica. Quando foi usada, em 2001 a Marplan elegeu o Colégio Porto Seguro no Morumbi o melhor da cidade, agora o 452º do ranking do ENEM.

Até mesmo um especialista, o economista Gustavo Ioschpe e colunista da VEJA fica confuso:

“É um mistério que os colégios da elite paulistana não se saíam bem no ENEM”.

O mistério é por que até agora não se aplicou a técnica usada nas eleições ou nas pesquisas de produtos, onde se respeita a amostra de mercado e a segmentação dos consumidores.

É hora de chamarmos os especialistas. Os pesquisadores de mercado, os pedagogos e os psicólogos.  Inclusive para os problemas de violência, principalmente se a intenção for reabrir a rota Móoca-Morumbi.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e toda as quartas escreve no Blog do Milton Jung

Veja mais imagens no álbum de Andre Cherri, no Flickr

“Não daria para minhas filhas lerem”, diz cartunista

Cartum de Caco GalhardoO autor da HQ que causou mais uma polêmica na educação pública do estado de São Paulo diz que não daria para as filhas dele ler o livro que foi distribuído para os alunos de nove anos. Caco Galhardo é cartunista e um dos 11 convidados da coletânea “Dez na Área, Um na Banheira e Ninguém no Gol”, publicado pela Via Lettera, e recomendada como maerial paradidático nas escola estaduais de acordo com avaliação de uma comissão da Secretaria de Educação.

Com expressões de baixo calão e conotação sexual, a HQ de Galhardo, segundo ele próprio, jamais poderia ser entregue às crianças. A própria editora afirma que a publicação é para adultos e adolescentes. Mas alguma santa alma da tal comissão deve ter lido apenas o prefácio, assinado pelo jogador Tostão, e autorizou a compra de 1.700 livros que agora estão sendo recolhidos.

Ouça a entrevista de Caco Galhardo ao CBN SP

Como combater a violência na escola, segundo o Governo

Câmeras de vídeo, espaço para denunciar crimes e código de conduta são medidas que o Governo do Estado de São Paulo prepara para combater a violência nas escolas da rede pública, de acordo com o secretário estadual da Educação Paulo Renato Souza. Em entrevista ao CBN SP, ele afirmou que o papel dos diretores das escolas é fundamental para mudar esta situação.

Ouça o que disse o secretário da Educação Paulo Renato Souza, ao CBN SP

Como combater a violência na escola

Reproduzo aqui o post publicado no dia 11.03 quando entrevistamos a promotora Vera Lucia cayaba de Toleto sobre caminhos para se combater a violência na escola. O tema volta a pauta com a depredação da Escola Estadual Professor Antônio Firmino de Proença, na Mooca, na zona leste da capital:

Reduzir em até 40% o número de atos infracionais dentro das 230 escolas da rede pública municipal e estadual, em São Bernardo, região metropolitana de São Paulo, é a meta de uma força-tarefa organizada pelo Ministério Público Estadual, através da Promotoria da Infância e Juventude. Em pouco mais de um ano de trabalho, teria havido uma queda de até 20% nas ocorrências, segundo a promotora Vera Lucia Acayaba de Toledo.

Lesões corporais, agressões entre alunos, contra professores e de professores, roubos e furtos, e consumo de drogas, são algumas das questões que deixaram de ser vistas apenas como caso de polícia e passaram a ser encaminhadas para um grupo multidisciplinar que se formou na cidade.

Para entender a boa experiência de São Bernardo ouça a entrevista com a promotora da Infância e Juventude Vera Lucia Acayaba de Toledo. Vale a pena !

Educação lança Portal pela transparência

Portal da Educação

Um portal para reunir todas as informações referentes ao ensino público municipal será lançado, nesta terça-feira. É a aposta do secretário de Educação Alexandre Schneider na transparência ao divulgar entre tantos outros dados, o quadro completo de matrículas e demanda nas escolas da capital.

Será o primeiro site da prefeitura a listar o nome de todos os funcionários da secretaria, 75 mil no caso da educação, cumprindo com lei que está em vigor desde o ano passado, mas que não é respeitado pela prefeitura de São Paulo.

Interessados em saber o andamento das reformas que estão sendo realizadas nas escolas poderão usar o portal, também. Lá há o calendário de obras além dos pagamentos feitos aos fornecedores. Uma ferramenta importante para a comunidade escolar identificar irregularidades que possam estar ocorrendo ou demoras excessivas para o atendimento dos contratos assinados com a prefeitura.

Os alunos da rede poderão acessar o portal, criar e-mail e conversar com colegas de outras áreas da cidade em troca de experiência que pode ser útil inclusive para identificar avanços que tenham sido alcançados ou barreiras no processo de educação que poderiam ser eliminadas.

O volume de informação é imenso, muitos dos dados oferecidos ainda são difíceis de compreender sem que se tenha um conhecimento mais apurado, por exemplo, em finanças públicas. Mas a riqueza de dados, concentrados em um só espaço, vai se transformar em consulta obrigatória por aqueles que avaliam a qualidade do ensino na cidade e o investimento público na área de educação.

O endereço do Portal só estará disponível a partir de amanhã.

A escola estadual que deu certo, segundo o Enem

Disciplina, coerência, estabilidade, diálogo com a família. Alguns dos ítens considerados essenciais para o bom resultado no Enem da Escola Estadual Professora Lúcia de Castro Bueno, em Taboão da Serra, Região Metropolitana de São Paulo. A explicação é do diretor da instituição que obteve o melhor desempenho no Exame na rede pública do Estado, Camilo da Silva Oliveira. A nota: 58,51.

Ouça a entrevista com o diretor Camilo da Silva Oliveira ao CBN SP

Veja aqui a lista completa do Enem

Erros políticos tiram Maria Helena da Educação, em SP

Há três meses, discutia-se internamente no Palácio dos Bandeirantes a saída de Maria Helena Guimarães da Secretaria Estadual de Educação, confirmada, nesta manhã, com exclusividade, pelo CBN São Paulo. No cargo desde julho de 2007, quando substituiu Maria Lúcia Vasconcelos, a socióloga entrou em choque com o magistério. Logo que assumiu, em entrevista à revista Veja, falou da mediocridade dos professores; em seguida, passou a ser acusada de diminuir o espaço para o diálogo. Foi, porém, nos últimos tempos que a situação se complicou.

Ao divulgar dados da prova a qual foram submetidos 214 profissionais da área de educação vendeu a ideia do “Professor Nota Zero”. De acordo com as informações transmitidas pela própria secretária, 3 mil professores não haviam acertado uma só questão no teste. Na realidade, boa parte destes havia entregue a prova em branco por discordar do tipo de avaliação que estava sendo realizada.

Nos últimos dias, houve duas intervenções do Palácio por determinação do governador Serra. Primeiro, quando a secretária disse que as apostilas de geografia que apresentavam erros no mapa da América do Sul seriam mantidas nas mãos dos alunos, pois os professores estariam avisados da correção necessária. Imediatamente, o governo mandou recolher o material.

Depois, Maria Helena anunciou que a concessão de bônus para os servidores, baseada no desempenho do Índice de Desenvolvimento da Educação de São Paulo (Idesp), beneficiaria apenas professores e funcionários de instituições que atingiram a meta estabelecida. Teve de voltar atrás e determinar o pagamento para todas as escolas que estão entre as 10% melhores mesmo que não tenham atingido o resultado proposto no Idesp.

Ontem, ficou acertado que ela pediria afastamento do cargo sob a alegação de que “motivos estritamente pessoais” a impediam de permanecer na Secretaria de Educação. Eram pessoais, sim, mas parece que com o governador Serra.

O novo secretário, Paulo Renato Souza,terá pouco tempo para desenvolver projetos próprios, pois a administração Serra terá apenas mais um ano e oito meses, sem levar em consideração que no meio do caminho tem eleição para a Presidência da República e Governo do Estado. A proximidade dele com as ideias de Maria Helena, com quem trabalho na época em que foi ministro da Educação de FHC, sinalizam que ele dará continuidade ao sistema de avaliação, apenas com mais traquejo político.

Paulo Renato ganha, também, oportunidade de voltar ao noticiário que foi desperdiçada quando perdeu para José Aníbal, homem de confiança do governador José Serra, a disputa interna  no PSDB pelo cargo de líder da bancada na Câmara dos Deputados.

Foi a caipirinha: Cartilha com erro vira galhofa no Chile

Recortes de La Nacion 1

Com ironia e bom humor, foi assim que o jornal chileno La Nacion tratou do erro encontrado em cartilhas de geografia distribuídas pela Secretaria Estadual de Educação, em São Paulo. A manchete entre aspas grafou as duas palavras de maneira errada, e a reportagem diz que os autores brasileiros teriam decidido refazer o trabalho de Simon Bolivar e redesenharam a América do Sul, beneficiando o Paraguai com uma saída para o Atlântico e lhe oferecendo mais um território, afastando o Uruguai do mar, retirando um pedaço da Bolívia – “sem ao menos dar-lhe uma prainha” – e eliminando do mapa o Equador.

Para que não ficasse dúvida, o jornal resolveu ilustrar a reportagem com as correções feitas no mapa entregue aos alunos das escolas públicas do Estado de São Paulo. E concluiu o texto: “Buena la caipiriña!”.

Secretário “digital” da Educação tem blog e Twitter

As vezes o próprio Estado também carrega em si o preconceito. Lembro quando há meses fui procurado por um diretor de escola que gostaria de ver reconhecidos seus direitos após a morte de seu companheiro. Para mim à época isto era uma novidade, pois imaginava que já estava assegurado. Mas não estava. E o jurídico da Secretaria Municipal de Educação fez um belo trabalho a partir do caso. E hoje, graças a este diretor, criamos uma jurisprudência no município.

O comentário acima é do secretário municipal de Educação Alexandre Schneider (PSDB) a propósito da notícia da morte de 14 homossexuais no Parque dos Paturis, em Carapicuíba.  A informação está publicada no blog criado no início de março que leva o nome dele. Schneider é admirador da internet, gosta dos computadores da Apple e tem explorado a mídia digital para falar, principalmente, sobre a área que atua, como é possível notar em sua nuvem de tags.Recorte das TAGs do Blog de Alexandre Schneider

Lá no blog, o secretário já deu explicações sobre o atraso na entrega dos uniformes escolares e divulgou os dados sobre a carência de vagas nas creches municipais. Mas não restringe seus posts no blog à educação, gosta de falar sobre o comportamento dos meios de comunicação e, inclusive, sugere músicas.

Há duas semanas, Alexandre Schneider também se inscreveu no Twitter e dispara notas sobre compromissos públicos, atividades com a família no fim de semana e seu gosto pelo Corinthians.

O investimento na internet ajudará o secretário a difundir suas ideias e desenvolver conceitos sobre educação, principalmente. Mas, também, torna-se mais exposto à opinião pública que tem oportunidade de publicar seu pensamento, seja através de comentários no blog seja na conversa pelo Twitter.

Ônibus substitui giz e lousa no ensino das crianças

Por Adamo Bazani

FOTO NAÇÕES UNIDAS

Que o ônibus faz parte do dia a dia das cidades, isso  está mais que provado. Tanto para os funcionários das empresas, donos, passageiros que dependem dele como para os motorista dos carros particulares, que dentro de seus veículos confortáveis acham que aquela imensa lata barulhenta está na sua frente atrapalhando sua jornada solitária nas ruas das cidades.

O casal de professores Waldemar Freitas e Bárbara Sales conseguiu tirar proveito desta verdade em favor da educação, principalmente de crianças carentes. Durante visita ao evento VVR (Ver, Rever e Reviver), que reúne em todo mês de dezembro ônibus antigos de diversas empresas, na área externa do Memorial da América Latina, na Barra Funda, zona Oeste de São Paulo, Waldemar estava entusiasmado, contando sua história e exibindo fotos antigas de ônibus de sua autoria.

Waldemar, que já foi fiscal da CMTC (Companhia Metropolitana de Transportes Coletivos – extinta empresa operadora pública de São Paulo), atualmente é professor da Escola Estadual Dona Chyo Yamomoto, em Guarulhos, na Grande São Paulo. Desde pequeno se mostrou um apaixonado por ônibus. Viajava nas inaugurações das linhas; nas apresentações de modelos novos, como os primeiros monoblocos – os 364 da Mercedes Benz – que circularam em São Paulo pela CMTC ; e, claro, tirava muitas fotos. Hoje, é o dono de um acervo cujas imagens são disputadas pelos busólogos mais jovens que se interessam pela história dos transportes.

Sua paixão foi aplicada afinco em sua profissão: “Os ônibus podem ensinar história, geografia, leitura … Os ônibus são para mim tão importante como o giz ou os livros para dar aula”.

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