O novo formato das campanhas eleitorais

 

Por Antonio Augusto Mayer dos Santos

Nos pleitos anteriores, logo na arrancada das campanhas, as cidades amanheciam “sinalizadas” com banners, pirulitos, faixas e cartazes. Por conta dos excessos, a propaganda eleitoral em bens públicos exigia a imposição de restrições porquanto a maioria dos candidatos abusava da liberdade e poluía passarelas, postes e calçadas. Mais que isso: não retirava o material após o pleito. A propaganda remanescia de um pleito para o outro, deixando o que já não era muito limpo e agradável ainda mais horrendo.

Entretanto, se agora não predomina a poluição visual, as significativas alterações introduzidas em 2006 e 2009 intimidam candidatos, coordenadores e demais partícipes do cenário eleitoral. Vigora um excesso de regulamentação que, além dos receios, estabelece irrealismo. Prova está que passado o primeiro mês das campanhas, as mesmas permanecem discretas. Afinal, a simples fotografia de um parlamentar, a necessidade de dois CNPJs na propaganda, de comitês obedecerem limites de pintura ou se saber se um apito é brinde, inibem a propaganda.

Noutro passo, regras estabelecendo que muros e painéis devam ser “espontâneos e gratuitos”, proibindo outdoors ou limitando a publicação de “santinhos” expressam anacronia. De positivo, ressalte-se a proibição de distribuição de brindes e o recente questionamento em torno da antecipação das campanhas junto às desincompatibilizações, eliminando o inseguro período das “pré-candidaturas”.

Relativamente aos registros, a Lei Complementar 135/10, severa porém necessária para a reconstituição da atividade política num sistema saturado, impôs um volume adicional de impugnações de candidaturas, as quais desaguarão no TSE tornando esta eleição mais judicializada do que as anteriores, sobretudo após as diplomações. Isto potencializa uma demasiada litigância em torno de mandatos populares, o que não é normal.

No tocante ao setor das doações, o empresariado, fonte previsível e frequente de recursos, mostra-se retraído e cauteloso. Pudera, visto que além da injusta e sistemática demonização que sofre, a referida LC 135/10 prevê a responsabilização de pessoas físicas e dirigentes de pessoas jurídicas responsáveis por doações eleitorais reputadas ilegais, ainda que de baixa monta. Por conta disso, a atuação de contadores com experiência eleitoral é indispensável.

Sobre as prestações de contas, o extravio de uma nota fiscal, o não-lançamento de um pedágio ou a utilização de um cheque que não for da conta exclusiva da campanha, pode vulnerá-las e resultar na impugnação do mandato. Mais do que nunca, os candidatos devem manter um acervo completo e organizado de todos os documentos relacionados às receitas e gastos.

A ausência de razoabilidade ou mesmo bom senso na regulamentação das campanhas resulta tanto da superficialidade do Congresso Nacional no tocante aos projetos legislativos quanto do rigorismo de interpretações pela Justiça Eleitoral. O TSE, que deveria irradiar segurança jurídica e estabilidade, rompeu seu limite se convertendo em verdadeiro órgão legiferante a ponto de definir conceitos e direitos em pleno processo eleitoral.

Se a propaganda eleitoral se tornou burocrática e ofende a Democracia, se doadores de pequenas quantias são responsabilizados severamente, é porque falta harmonia entre os Poderes para equacionar este fato social. Campanhas e eleições são expressões máximas e soberanas da liberdade que merecem tratamento condizente à sua magnitude.


Antônio Augusto Mayer dos Santos é advogado especialista em direito eleitoral, professor e autor do livro “Reforma Política – inércia e controvérsias” (Editora Age). Às segundas, escreve no Blog do Mílton Jung.

Avalanche Tricolor: Democracia e futebol

Moro na borda do Morumbi, bairro que nesta quarta-feira viveu uma noite especial.

Desde o fim da tarde – fria como tem sido todas desta semana – havia uma agitação saudável pelas principais avenidas, que causava um murmurinho capaz de alcançar as ruas mais calmas da região. Havia muito congestionamento, também, de onde se podia perceber uma mistura de ilusão e confiança que tomava conta dos militantes que seguiam para a sede da TV Bandeirantes; e dos muitos torcedores que caminhavam para o estádio.

Democracia e futebol dominavam o ambiente. E assim que os dois jogos se iniciaram o esforço de cada partido e equipe para conquistar a vitória se evidenciava. Alguns dissimulados, outros nervosos. Gente que batia acima da canela, pessoas que tiravam de letra. O do estádio me parecia mais instigante do que o do estúdio, apesar de que este não deixou de ser esclarecedor.

Houve vacilos, como a bola que teimou em escapar das mãos do goleiro, como os dados estatísticos usados de maneira incorreta. Houve grandes lances, como a pergunta capciosa respondida de forma assertiva, como o chute de lado de pé que quase enganou o adversário, mas que gerou uma bela defesa.

De casa, ouvi a torcida se lamuriar quando o atacante perdeu a chance de gol e se vangloriar na hora do gol. Era uma barulho mais sincero do que aquele que vazava do estúdio onde assessores – os pagos e os partidários – tentavam demonstrar entusiasmo e intimidar o adversário (convenhamos, o futebol também tem disso).

No paralelo dos dois embates, destacaram-se até mesmo as lágrimas ao final. Ou tentativas de lágrimas, no caso dos políticos.

Tentar assistir a estes espetáculos ao mesmo tempo – com duas televisões ligadas a minha frente – talvez tenha prejudicado minha avaliação. Mas não me impediu de ver que tanto os candidatos no debate como os jogadores na decisão lutavam pelos objetivos que haviam traçado no início da disputa, suaram a camisa (ou o tailleur) para defender seus ideais, não deixaram seus torcedores/eleitores envergonhados.

No futebol, o vencedor ficou bem claro; na política ainda tem muito jogo pela frente, apesar de o nome dos favoritos serem bastantes conhecidos.

Foi uma noite especial esta no Morumbi – já não posso dizer o mesmo daquela que vi, mais cedo, também pela televisão, no Serra Dourada, onde meu time do coração empatou em 1 a 1 com o Goiás, pela Copa Sul-Americana.

Dilma, Marina, Serra cadê os projetos?

Por Carlos Magno Gibrail

Artistas fazem caricatura de candidatos; eles, de programas

Artistas fazem caricatura de candidatos; eles, de programas

Nem projetos, nem regras. Bate boca, acusações, voltas ao passado. Isso é tudo. Ou quase nada.

Muito é o dinheiro que já entrou em junho deste ano para os partidos – R$ 18,6 milhões – contra R$ 263 mil em junho de 2006. E ainda desrespeitaram as normas, pois driblaram a obrigatoriedade de abrir a conta-eleições com apenas R$6,5 milhões.

De outro lado nem a lei 12.034/09, a mini reforma eleitoral que obriga todos os candidatos à presidente da República a entregar seus planos de governo no ato do registro da candidatura, objetivando planejamento e possibilitando controle, fez com que estudos específicos e tecnicamente elaborados fossem apresentados.

Serra encaminhou dois discursos nos quais apresenta suas diretrizes e crenças. Dilma entregou um programa levado ao 4º Congresso do PT. Ambos informaram depois de flagrados pela imprensa que iriam substituir os originais por efetivo programa de ação.

Marina foi a única que registrou um programa, embora não chegasse a ocupar o espaço de sonho e utopia, que não fosse a religião assumida poder-se-ia esperar.

É o pragmatismo impregnado e generalizado que ao lado da falta de compromisso dos presidenciáveis com o registro de seus planos de governo, escancara que a meta é a própria eleição. Meio e fim. A eleição é o projeto.

Pela boa qualificação dos três candidatos, ao invés de assistirmos ao primeiro debate amanhã pela Bandeirantes, abordando grandes temas como Desenvolvimento Econômico, Distribuição de Renda, Administração Pública, ou especificidades como Educação, Saúde, Sustentabilidade, teremos provavelmente cada qual preocupado com seu adversário, perguntando provocativamente com intuito único de apontar fraqueza alheia ou sabedoria própria.

Cabe a imprensa impor outro cenário e ritmo diferente, embora no engessado esquema atual de debate pela TV, com rígidas regras e tempo escasso, é mais provável que conteúdo mesmo venha apenas de outras mídias.
Internet, jornais e rádios têm apresentado mais adaptabilidade a mudanças.

Esperamos que as contribuições de escritores e jornalistas como as de Heródoto Barbero, Claudio W. Abramo, Fernanda Torres, Clóvis Rossi, Luiz F. Vianna, Milton Jung, etc. possam se repetir e multiplicar. Assim como, e principalmente, de leitores , ouvintes e internautas.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve às quartas no Blog do Mílton Jung

Misturar política e profissão dá dor de cabeça em Netinho

 

adoteConsulta a blog que integra o Adote um Vereador mostra que não é a primeira vez que Netinho de Paula confunde as funções de político e cantor. De acordo com informações que estão no Cuidando da Cidadania, do ‘adotador’ Alecir Macedo, em maio de 2009, a página oficial do vereador pelo PC do B na Câmara Municipal divulgava a estreia do programa de televisão no qual era o apresentador.

Alecir questionou na época o fato de que o site que levava o endereço da Câmara Municipal de São Paulo era mantido com dinheiro público – no caso, a verba de gabinete – e, portanto, não deveria dar espaço a vida profissional do cantor: “logo depois que publiquei no blog foram retirados todos os anúncios”, me contou.

No caso denunciado nesta terça-feira, no Blog Radar Político, de André Mascarenhas, a complicação é ainda maior, pois o candidato a senador oferece prêmio aos eleitores, fato que poderia ser caracterizado como crime eleitoral. Na página da candidatura dele havia promoção na qual quem acertasse um quiz ganharia o direito de assistir de graça a ‘uma atividade política ou show’ do cantor, além de tirar fotos exclusivas e conversar com ele. Após a denúncia, o site saiu do ar.

Dá dor de cabeça mas não dá cassação

Conversei, por email, com o advogado especializado em direito eleitoral e comentarista do Blog Antônio Augusto Mayer dos Santos sobre este caso e ele entende que não haveria motivos para cassação do registro do candidato a senador pois “não havia pedido de voto nem mesmo referências implícitas ou explícitas às eleições”.

Para Antônio Augusto, “pelo fato dele ser um artista consagrado e gozar de prestígio popular por ser músico, o próprio benefício ofertado estava atrelado à atividade profissional dele. Isto é favorável”. O advogado identifica a prática como “conduta insignificante” incapaz de ofender a eleição.

Ficha Limpa pode impugnar 60 candidaturas, em SP

 

ficha-limpa-limpaApós analisar a ficha e os cadastros de 3.100 candidatos, a Procuradoria Regional Eleitoral de São Paulo pediu a impugnação de 1.486 registros, entre eles o do deputado federal Paulo Maluf (PPS) que concorre à reeleição. Assim como o ex-prefeito, 60 candidatos podem perder o direito de disputar esta eleição por não atenderem as exigências da Lei Ficha Limpa.

De acordo com o Procurador Regional Eleitoral de São Paulo Pedro Barbosa Pereira Neto foram apontados problemas, também, na candidatura de Paulo Skaf (PSB) ao Governo de São Paulo. O empresário não apresentou documento que comprove o afastamento dele da presidência da Fiesp dentro do prazo previsto em lei eleitoral. Neste caso, porém, o próprio procurador entende que basta o envio do documento.

Todos os pedidos de impugnação serão julgados pelo TRE-SP, tendo os candidatos ainda direito de recorrer ao TSE.

Ouça aqui a entrevista com o Procurador Regional Eleitoral de São Paulo Pedro Barbosa Pereira Neto, ao CBN SP


Agora o outro lado

A assessoria do candidato Paulo Skaf enviou nota sobre o assunto:

“O entendimento dos advogados da campanha é que a Fiesp não é entidade sindical, assim, Skaf não estaria sujeito às regras de desincompatibilização de outros órgãos sindicais. Ainda assim, por excesso de zelo, e para que não fosse alegado durante a campanha o uso da máquina da entidade em prol da candidatura, o candidato do PSB se licenciou da presidência da Fiesp dentro do prazo legal. Hoje mesmo será entregue à Justiça Eleitoral um documento com tal comprovação, com o intuito de sanar eventuais dúvidas da Procuradoria”

O horário eleitoral não é gratuito

 

Por Antonio Augusto Meyer dos Santos

Entre os dias 17 de agosto e 30 de setembro, todos os canais de TV aberta, além dos canais a cabo sob responsabilidade do Senado, da Câmara dos Deputados, Assembléias Legislativas e Câmaras Municipais, estarão obrigados a transmitir os “produtos” que candidatos, partidos e coligações elaboraram na tentativa de influenciar e obter o voto do eleitor no primeiro turno. Durante os 45 dias deste período, os pretendentes aos cargos de Presidente e Vice-Presidente da República, Governador e Vice-Governador de Estado, Senadores, Suplentes, Deputado Federais e Estaduais irão usufruir de 3.780 minutos naquele que é conhecido como horário eleitoral gratuito de rádio e televisão.

Todavia, esclareça-se que esta propaganda é denominada de “gratuita” somente porque os atores do cenário eleitoral suportam apenas os encargos com a produção dos programas, nada desembolsando quanto à utilização do espaço de exibição naqueles que também ficaram conhecidos (e negociados) como “horários nobres” da televisão. É que a União Federal confere isenção fiscal ao valor que seria cobrado por inserções comerciais não-obrigatórias. Por outras palavras: o pagamento deste espaço e de seus respectivos impostos é remetido ao contribuinte.

Para esta eleição, há uma estimativa de que as 4.254 concessões públicas nacionais deixem de recolher o equivalente a R$ 851 milhões durante aquelas 63 horas de programação compulsória. As emissoras deduzem aproximadamente 80% do que receberiam se o período destinado ao horário eleitoral gratuito fosse vendido para o horário comercial normal.

Diante disso e, principalmente, dos resultados de diversas pesquisas apontando que expressiva maioria de entrevistados admite que este horário influencia a sua decisão, mais do que nunca se faz necessário valorizar o voto. Uma vez que um mandato é de no mínimo quatro anos e o eleitor é o destinatário desta conta, nada mais coerente do que juízo crítico, conscientização e valorização da cidadania. Assistir, avaliar, escolher e votar. Esta é a postura. O resto é lamúria.

Antônio Augusto Mayer dos Santos é advogado especialista em direito eleitoral, professor e autor do livro “Reforma Política – inércia e controvérsias” (Editora Age). Às segundas, escreve no Blog do Mílton Jung.

Candidato deve assumir compromisso com transparência

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ficha-limpa-limpaAté o início desta sexta-feira, nenhum candidato havia se cadastrado no site Ficha Limpa, no ar desde ontem. Mas, por enquanto, sem desespero ou pré-julgamento. Não significa que nenhum esteja interessado em se comprometer com a causa. Justifica-se a ausência, neste momento, pela necessidade deles terem de levantar uma série de documentos e encaminhá-los para avaliação.

Por e-mail, fui questionado por uma candidata ao cargo de deputado estadual, interessada em se cadastrar no Ficha Limpa. Ela não havia encontrado o caminho para enviar a documentação e ter seu nome listado no site. “Não teremos este direito”, me perguntou.

Fui consultar os organizadores que me explicaram que, neste ano, apenas os cargos nacionais estão disponíveis, devido a questões técnicas. Se estendessem o programa aos candidatos a deputado estadual haveria uma demanda que superaria a capacidade de armazenamento do serviço. A intenção é que isto se amplie já com a inclusão de prefeitos, em 2012, e para todos os cargos, em 2014.

Isto não quer dizer que o candidato à Assembleia Legislativa não tenha de ser Ficha Limpa, muito menos que não deva se comprometer com as ideias que movem o serviço desenvolvido pela Articulação Brasileira contra a Corrupção e a Impunidade (ABRACCI) e o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE) .

Um dos compromissos é o de realizar a prestação de contas da campanha eleitoral, informando semanalmente a origem dos recursos obtidos e os gastos efetivados. Para tal, basta o candidato abrir um blog ou um site e tornar estas informações públicas.

Na eleição à prefeitura de São Paulo, em 2008, durante a série de entrevistas que realizei no CBN SP, todos os candidatos foram convidados a fazer a prestação de contas da campanha antes mesmo do prazo determinado pela lei eleitoral. Muitos alegaram que não iriam fazer a divulgação para não criar constrangimento às empresas e pessoas que financiavam a campanha. Ou seja preferiam manter compromisso com o doador do que com o eleitor.

Apenas Soninha Francine (PPS) e Ivan Valente (PSOL) aceitaram declarar antecipadamente quem havia feito doações a candidatura deles.

Sobre a importância de se ter acessos a estas informações, conversei nesta semana com Fabiano Angélico, da Transparência Brasil. A ONG mantém o site Excelências, onde é possível encontrar uma quantidade enorme de dados sobre os atuais parlamentares, muitos dos quais candidatos à reeleição. Cruzar informações sobre projetos de lei que apresentaram ou propostas que defendem com o nome dos grupos econômicos interessados na candidatura do político pode ajudar a traçar um perfil mais apurado dele.

Ouça aqui a entrevista com Fabiano Angélico, da Transparência Brasil.

Decidida ordem da sabatina dos senadores, no CBN SP

 

CBN SPA série de entrevistas com os candidatos a senador pelo Estado de São Paulo começa no dia 9 de agosto com Ana Luiza Figueiredo Gomes (PSTU) e se encerra dia 27 com Marta Suplicy (PT). A ordem foi decidida em sorteio, durante reunião realizada nesta terça-feira, na sede da rádio CBN, da qual participaram representantes de 11 dos 15 candidatos inscritos no TRE-SP – os quatro ausentes foram convidados para o encontro mas não compareceram.

A intenção é permitir que o eleitor conheça um pouco mais o perfil e saiba o que pensam os candidatos a duas das vagas que estão em disputa este ano para o Senado, em São Paulo. A cada dia – com exceção de sábado e domingo -, a partir das 10h45 da manhã, um candidato será entrevistado por 15 minutos.

A ordem das entrevistas é a seguinte:

09/08, segunda-feira, Ana Luiza Figueiredo Gomes (PSTU)
10/08, terça-feira, João André Dorta Silva (PCO)
11/08, quarta-feira, Dirceu Travesso (PSTU)
12/08, quinta-feira, José de Paula Neto (Netinho)  (PCdoB)
13/08, sexta-feira, Romeu Tuma (PTB)
16/08, segunda-feira, Moacyr Franco (PSL)
17/08, terça-feira, Alexandre Serpa (PSB)
18/08, quarta-feira, Orestes Quércia PMDB
19/08, quinta-feira, Ciro Moura (PTC)
20/08, sexta-feira, Antonio Carlos Mazzeo (PCB)
23/08, segunda-feira, Antonio Salim Curiati Júnior (PP)
24/08, terça-feira, Ricardo Young (PV)
25/08, quarta-feira, Aloysio Nunes PSDB
26/08, quinta-feira, Marcelo Henrique (PSOL)
27/08, sexta-feira, Marta Suplicy (PT)

Eleitor paulista é de centro-direita, diz cientista

 

adoteA disputa dos adversários de Geraldo Alckmin (PSDB) na corrida ao Governo de São Paulo é para chegar ao segundo turno. E, dificilmente, Marta Suplicy (PT) perde uma das duas vagas ao Senado. A opinião é do cientista político e professor da Fundação Getúlio Vargas Fernando Abrúcio ao comentar o resultado das pesquisas eleitorais divulgadas pelo Instituto Datafolha.

Abrúcio disse que o PSDB é muito forte no interior do Estado, por isso a dificuldade para Aloísio Mercadante (PT) se aproximar dele. Além disso, o eleitorado paulista tem uma tendência de centro-direita o que daria vantagem ao tucano mesmo na disputa em segundo turno. Para o cientista político, o candidato petista dependeria muito dos votos da região metropolitana e de maior identificação com o presidente Lula e a candidata à presidência Dilma Roussef.

Na disputa ao Senado, na qual Marta aparece como líder, Abrúcio acredita que quatro nomes disputem a segunda vaga: Oreste Quércia (PMDB), Netinho (PC do B), Aloísio Nunes (PSDB) e Romeu Tuma (PTB). Ele disse que a desinformação do eleitorado em relação aos candidatos a senador ainda é muito grande.

Para Abrúcio, entrevistado do CBN SP, será possível ter uma ideia melhor sobre o cenário eleitoral duas semanas após o início do horário eleitoral.

Ouça a entrevista de Fernando Abrúcio ao CBN SP

Os 13 candidatos ao Senado pelo Estado de São Paulo foram convidados pelo CBN SP para participarem de entrevistas. Os candidatos a governador também terão oportunidade de conversar com o ouvinte da CBN.

Campanhas tímidas e reprimidas

 

Por Antonio Augusto Mayer dos Santos

Antes, logo na arrancada das campanhas eleitorais, as cidades amanheciam “sinalizadas” com banners, pirulitos, faixas e cartazes colados em tapumes, praças e até no chão. Por conta disso, principalmente dos excessos, a propaganda eleitoral em bens públicos exigia a imposição de regramentos e limitações porquanto a maioria dos candidatos abusava da liberdade e poluía passarelas, postes e calçadas. Mais quem isso: não retirava o material de campanha após o pleito. A propaganda remanescia de um pleito para o outro, deixando o que já não era muito limpo e agradável ainda mais horrendo. Entretanto, agora, o excesso de vedações e restrições decorrentes reveste a ação dos candidatos de uma temeridade jamais vista. Hoje, contudo, vigora o excesso de regulamentação, a burocratização legal e o irrealismo.

Prova disso é que passado o primeiro mês de campanha, está tudo discreto e severamente vigiado. Vejamos por quê. Há necessidade do material impresso (santinhos, jornais, etc) reservar espaços para a propaganda dos majoritários (governo, senado). Tudo que for impresso por candidatos e coligações deve identificar quem produziu. Um pintor de muro ou cabo eleitoral podem vulnerar contabilmente uma prestação de contas. A eliminação da verticalização, que vigorou em 2002 e 2006, se a um ângulo liberou para coligações nacionais e estaduais, a outro complicou para a confecção das propagandas. Uma simples fotografia ou referência jornalística de um parlamentar ou de um candidato sem mandato mas com intensa atividade social, gera temor de representação ou denúncia. Os doadores de campanha, injusta e sistematicamente demonizados a cada pleito num cenário de constante “moralização das campanhas”, receosos do endurecimento da lei com relação a si e às empresas, aguardam.

Não resta dúvida que o volume de propaganda diminuiu substancialmente em razão destes fatores. Partidos e candidatos ficam intimidados e com receios os mais diversos, sobretudo multas ou acusações de abuso de poder por “excesso de propaganda”, o que tem resultado numa campanha virtual, de visitas e arregimentação local (junto às bases dos candidatos a deputado).

Neste sentido, é imprescindível lembrar que a involução imposta pela Lei 11.300, ainda em 2006, de eliminar os outdoors das campanhas eleitorais, os muros e painéis em terrenos passaram a ocupar um espaço privilegiado, ainda que pretensamente “espontâneos e gratuitos”. Atos outrora singelos e corriqueiros de campanha se tornaram burocráticos. Peças ordinárias como um simples banner, um adesivo, uma pintura, passaram a ser instrumentos infracionais.

Tudo passou a ser ameaça ao meio ambiente, à ordem pública ou passível de questionamento. A maioria dos justos pagando pelos poucos e competentes pecadores que sistematicamente violam leis.

A falta de bom senso na regulamentação das eleições no Brasil decorre da miopia e surdez do Congresso Nacional que não avalia corretamente as decisões tomadas pela Justiça Eleitoral, não dialoga frontalmente com o TSE e o que é pior: elabora normas erráticas, confusas e destituídas de bom senso a pretexto de “aperfeiçoar o sistema”. Se a propaganda eleitoral se tornou ofensiva à Democracia, é porque falta harmonia entre os Poderes.

Antônio Augusto Mayer dos Santos é advogado especialista em direito eleitoral, professor e autor do livro “Reforma Política – inércia e controvérsias” (Editora Age). Às segundas, escreve no Blog do Mílton Jung.