Avalanche Tricolor: Democracia e futebol

Moro na borda do Morumbi, bairro que nesta quarta-feira viveu uma noite especial.

Desde o fim da tarde – fria como tem sido todas desta semana – havia uma agitação saudável pelas principais avenidas, que causava um murmurinho capaz de alcançar as ruas mais calmas da região. Havia muito congestionamento, também, de onde se podia perceber uma mistura de ilusão e confiança que tomava conta dos militantes que seguiam para a sede da TV Bandeirantes; e dos muitos torcedores que caminhavam para o estádio.

Democracia e futebol dominavam o ambiente. E assim que os dois jogos se iniciaram o esforço de cada partido e equipe para conquistar a vitória se evidenciava. Alguns dissimulados, outros nervosos. Gente que batia acima da canela, pessoas que tiravam de letra. O do estádio me parecia mais instigante do que o do estúdio, apesar de que este não deixou de ser esclarecedor.

Houve vacilos, como a bola que teimou em escapar das mãos do goleiro, como os dados estatísticos usados de maneira incorreta. Houve grandes lances, como a pergunta capciosa respondida de forma assertiva, como o chute de lado de pé que quase enganou o adversário, mas que gerou uma bela defesa.

De casa, ouvi a torcida se lamuriar quando o atacante perdeu a chance de gol e se vangloriar na hora do gol. Era uma barulho mais sincero do que aquele que vazava do estúdio onde assessores – os pagos e os partidários – tentavam demonstrar entusiasmo e intimidar o adversário (convenhamos, o futebol também tem disso).

No paralelo dos dois embates, destacaram-se até mesmo as lágrimas ao final. Ou tentativas de lágrimas, no caso dos políticos.

Tentar assistir a estes espetáculos ao mesmo tempo – com duas televisões ligadas a minha frente – talvez tenha prejudicado minha avaliação. Mas não me impediu de ver que tanto os candidatos no debate como os jogadores na decisão lutavam pelos objetivos que haviam traçado no início da disputa, suaram a camisa (ou o tailleur) para defender seus ideais, não deixaram seus torcedores/eleitores envergonhados.

No futebol, o vencedor ficou bem claro; na política ainda tem muito jogo pela frente, apesar de o nome dos favoritos serem bastantes conhecidos.

Foi uma noite especial esta no Morumbi – já não posso dizer o mesmo daquela que vi, mais cedo, também pela televisão, no Serra Dourada, onde meu time do coração empatou em 1 a 1 com o Goiás, pela Copa Sul-Americana.

13 comentários sobre “Avalanche Tricolor: Democracia e futebol

  1. Milton, tanto num espetáculo quanto no outro, venceu quem melhor usou a cabeça e não os pés ou a fala.
    Aliás, falando em usar a cabeça, você tem idéia de onde surgiu o critério de gol valer mais no campo do adversário?
    Isto não deve remontar a época em que se agredia com maus tratos o adversário, tornando o gol na casa alheia mais dificil?
    Aliás para a direção do Internacional ainda estamos nesta fase, pois deixaram o SPFC com água fria no vestiário e a torcida soltou fogos noturnamente para dificultar o sono do adversário.É a velha hospitalidade colorada.

  2. Milton eu assisti ao debate!
    Foi tudo muito vago! Sempre falando de Saúde,Educação e Segurança.

    Quem nao sabe que isso é importante e, que dá voto falar desses tres pilares!

    Mas nao consegui perceber nenhuma proposta realmente séria e importante! Sempre a mesma “ladainha”!

    Dilma : Precisa se acostumar com debates, engasgou varias vezes!

    Serra: Aquela risadinha na hora de falar é bem coisa de marqueteiro, falsa pra quem assiste.

    Marina: Foi a melhor e mais autentica na minha opinião, mas segundo minha mãe, ela precisa de um cabelereiro urgente.(precisa conversar com o HB pra pegar umas dicas)

    Plinio: O esquecido! Melhor parte: “Por isso que Serra é chamado de hipocondríaco, só fala de Saúde”.

    Melhor parte de todas, quando fui dormir! rss

    Abraço,

  3. Caro Milton,
    Acompanhei o debate pelo bom e velho rádio, nosso fiel companheiro, e o jogo bobo pela internet.
    Serra ganhou e bem o debate. Inclusive a pesquisa feita ao final do terceiro bloco deu 50% para Serra contr 23% da candidatura oficial.
    Não só ele estava mais preparado, como conduziu o debate, olhando para frente e não para trás, desmascarou mentiras, e revelou a situação dramática das APAES que estão sendo tratadas com crueldade pelo governo atual, que lhes tirou até o transporte de alunos deficientes para as unidades, isso para não falar na grande lavada que ele deu ao lembrar que a candidata do governo seria a responsável pelos aeroportos, que estão um caos, pelos portos, que estão em situação desesperadora, e pelas estradas federais caóticas.
    Plínio foi bem também, e desmascarou outra mentira, quando disse que ele – que fez o programa de reforma agrária do atual governo – sabe que não se fez nem a metade do necessário, e que o atual governo fez menos que FHC.
    Dessa forma, houve um grande vitorioso no debate, que foi o eleitor, e entre os participantes, o melhor disparado foi Serra, que será um excelente presidente a partir de janeiro de 2011.

  4. Caro Milton,

    Pergunta para os candidatos ao senado: o senado serve para representar os interesses do POVO do estado ou para proteger os interesses dos pares ou do presidente? A atual legislatura se empenhou em defender Renan Calheiros e José Sarney, contra a VONTADE DO POVO de São Paulo.
    Então, no Senado, você defenderá a VONTADE DO POVO de São Paulo ou agirá segundo a ordem do partido ou para proteger e acobertar os crimes dos pares?

  5. Essa história do gol valer mais na casa do adversário é bom. Faz com que o time vá pra cima tentando fazer gol na casa alheia.Tira o time do comodismo. Do contrário teriamos jogos mornos e chatos onde o time fica no zero a zero, depois vai para prorrogação tbém no zero a zero e disputa a final nos penáltis. Quando começa o campeonato, todos os dirigentes sabem da regra. Reclamar da regra depois que o time perdeu e chover no molhado. Salve O peixe e Salve o Inter que souberam administraram o resultado. O resto é blá blá blá.

  6. Daniel Lescano, o futebol dentre os esportes é um dos mais incoerentes em termos de regras. Em atualização nem é bom discutir.
    Por exemplo, é um jogo terrestre mas se a bola sai no espaço aéreo, se considera fora. Veja quantos escanteios são desperdiçados.
    A questão de valer mais gol fora para evitar retrancas poderia ser resolvido não através do jogo, o que é esdrúxulo, mas de pontuação.
    Particularmente considero o futebol um dos mais retrógrados dos esportes em termos de atualIzação de regras.
    Além da ditadura dos dirigentes . Veja agora o Estatuto do Torcedor desrespeitado com a transferencia do jogo do Internacional, beneficiando-o e prejudicando o Santos e seus torcedores que já tinham comprado ingresso.
    Acredito que é no calor dos resultados que as questões de mudança são mais visiveis. Assim foi criado o Brasileirão com pontos corrridos.

  7. Meu querido Mílton,

    Sem desmerecer todo o apreço que lhe tenho, e por causa dele mesmo, quero apenas lhe dizer que o dia hoje é do verdadeiro triocolor – o Fluminense.

    Um beijo de boa rival,
    Eliane

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