A imagem da educação que realmente interessa ao Brasil

 

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Cantei o hino em datas comemorativas, na escola que estudei em Porto Alegre. Perfilei-me diante da bandeira, em abertura de eventos esportivos. Repito o gesto até hoje nas atividades oficiais. Migrei da Ditadura para a Democracia sempre respeitando nosso hino, nossa bandeira e nosso brasão. E se o fiz não é porque fui obrigado ou filmado.

 

Também não agi com patriotismo devido às aulas de Educação Moral e Cívica e Organização Social e Política do Brasil, as quais, essas sim, fui obrigado a frequentar porque estavam no currículo escolar. Imagino que os professores até se esforçaram para me ensinar alguma coisa, mas sequer o nome deles sou capaz de lembrar.

 

Perdão, professor de EMC e OSPB!

 

O sentimento patriótico que construí tem muito a ver com valores e pensamentos que aprendi em casa. Quem conhece meu trabalho, sabe da importância que dou à educação, uma responsabilidade dos pais ou dos adultos de referência das crianças, já que nem todas têm o privilégio de nascer em uma família estruturada.

 

A escola também foi importante, sem patriotadas. Oferecendo-me informação e liberdade para refletir. Permitindo o questionamento. Abrindo espaço para o contraditório. Ensinando-me a respeitar os que pensam de forma diversa.

 

Ao longo do tempo, desenvolvi uma ideia do que representa este sentimento que identificamos como patriotismo —- e o descrevi da seguinte maneira no livro “É proibido calar! Precisamos falar de ética e cidadania com nossos filhos”:

 

“Patriotismo não é coisa pouca. É o orgulho que temos pelas coisas da nossa terra, pelos símbolos que nos unem. E os nossos símbolos, com todo o respeito, são muito mais do que a bandeira, o brasão e o hino. São os nossos atos e características, a nossa cultura, a nossa história. A educação e a escolaridade que oferecemos. A ética que nos move é símbolo dessa união, também. De amor. De patriotismo”

 

Foi esse sentimento de patriotismo que aflorou logo cedo, nesta terça-feira, quando fui provocado a falar sobre a “carta” — da qual você já deve ter ouvido falar — enviada pelo Ministério da Educação aos alunos da rede pública e privada, escrita com um texto ufanista e conceitos subjetivos, com pedido impróprio e assinado de forma ilegal. Para o desastre ser completo, só faltaram erros gramaticais — o que não me surpreenderia depois de ouvir o ministro Ricardo Vélez chamar a todos nós de “cidadões”, em sua primeira fala pública ao assumir o cargo.

 

Para lembrar: o documento pedia a leitura da carta a todos os alunos, seguida do canto do hino nacional diante da bandeira brasileira, e a gravação em vídeo, por celular, a ser enviada ao MEC.

 

Sei da existência de legislação de 1971, acrescida de um parágrafo, em 2009, que obriga a execução do hino nacional brasileiro ao menos uma vez por semana, nas escolas públicas e privadas, de ensino fundamental e médio. Ou seja, o texto era desnecessário nesse caso. Mas, tudo bem, vamos levar em consideração que vivemos em um país de leis que pegam e outras que não pegam.

 

Agora, gravar crianças cantando o hino, sem autorização, fere o Estatuto da Criança e do Adolescente. Que fique claro, a proibição não se deve ao fato delas estarem cantando o hino. Poderiam estar na sala de aula estudando ou correndo na praça atrás da bola tanto quanto poderiam estar usando drogas ou batendo em outras crianças. O ECA garante o direito à preservação da imagem da criança. Ponto.

 

Usar lema de campanha eleitoral —- a “carta” vinha acompanhada da mensagem “Brasil acima de todos, Deus acima de tudo”, que marcou a campanha do presidente Jair Bolsonaro — também é proibido. É ilegal.

 

Ao longo da tarde, o Governo recuou. Incluiu o pedido de autorização para gravação e retirou o lema de campanha —- dando razão aos que reclamaram da “carta” e deixando aqueles que criticaram às críticas com a brocha (ou o twitte) na mão.

 

É provável que alguns diretores de escolas resolvam sacar seus celulares, gravem as imagens da meninada perfilada, com mão no peito e cantando o hino, e depois saiam atrás dos pais para receber a autorização necessária.

 

O arsenal de imagens consideradas patrióticas que o Governo terá em mãos será usado da maneira que interessar ao ministro —- ou ficará armazenado no seu computador. Faça o quem entender. Desde que tenha a autorização para tal.

 

Mas já que é adepto de produções cinematográficas, recomendo que o ministro se dedique também a revelar o filme da educação brasileira que, anualmente, é registrado nos exames de larga escala e avaliações externas, tais como o SAEB — Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica e o ENEM — Exame Nacional de Ensino Médio.

 

Essas, sim, são as imagens da educação que interessam ao Brasil.

Mundo Corporativo: ensino à distância ajuda profissional a reduzir lacuna de habilidade

 

 

Sempre existe uma lacuna de habilidade — o que você pode oferecer para a empresa e o que a empresa espera de você —-, e cabe a nós profissionais estarmos sempre atrás de reduzirmos esta distância. A opinião é de Sérgio Agudo, country manager da Udemy, em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN. Agudo tem se dedicado a expansão da plataforma de ensino à distância no Brasil e falou sobre como é possível usar os recursos disponíveis na internet para ampliar o conhecimento e, também, das oportunidades que este mercado oferece.

 

O Mundo Corporativo é apresentado às quartas-feiras, 11 horas da manhã, e pode ser assistido no site e na página da CBN no Facebook. O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10h30 da noite, em horário alternativo. Colaboram com o Mundo Corporativo, Juliana Causin, Rafael Furugen e Débora Gonçalves.

Mundo Corporativo: Eduardo Pacheco, da Park Idiomas, fala da vontade de fazer e do ensino de idiomas

 

 

“Hoje apenas de 2 a 2,5% da população brasileira estuda idiomas, enquanto em mercados mais avançados, como a Alemanha e o Japão, o ensino de línguas chega a cerca de 5 a 7%”.Esses números mostram o potencial de crescimento que existe no setor, segundo avaliação de Eduardo Pacheco,presidente da Park Idiomas, em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN. A Park funciona no sistema de franquia e tem cerca de 40 unidades no Brasil. Além das oportunidades de negócio e carreira no mercado de idiomas, Pacheco defende a ideia da necessidade dos profissionais desenvolverem a inteligência volitiva, que está relacionada ao poder de realizar e seria uma das marcas dos grandes empreendedores.

 

O Mundo Corporativo é apresentado às quartas-feiras, 11 horas, no site http://www.cbn.com.br e o programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN. Participam do Mundo Corporativo: Paulo Rodolfo, Douglas Mattos e Ernesto Fosci.

Conte Sua História de SP: os Paulos de Paulo e o ensino de São Paulo

 

No Conte Sua História de São Paulo trago, hoje, dois personagens:

 

 

Começo com Paulo Henrique que quer conhecer alguém mais paulistano do que ele. Filho de mineira e de baiano, dona Irias e seu Claudemiro, Paulo nasceu em São Paulo, no dia de São Paulo, e no Hospital São Paulo. Para dar sequência à história, torce para o São Paulo e já morou na Vila São Paulo. Como se tudo não bastasse, teve um filho no mesmo dia de São Paulo, que só não se chama Paulo porque aí a mãe já estava achando coincidências de mais.

 

Nosso outro personagem é Alci Cortezi que não nasceu em São Paulo, mas declara todo seu amor pela cidade que, pelo visto, foi à primeira vista, pois diz que começou, em 1971, quando chegou com toda a família: os pais e os irmãos,Alfredo, o mais velho, e Terezinha, a do meio. Veio da mineira Capiniópolis, onde trabalhava tirando leite de vaca e na lavoura. Os tios que já estavam por aqui, vendo as dificuldades na roça, mandaram carta convidando o pai dele para vir à São Paulo. Os irmãos ficaram na casa de uma família, na Capital. Enquanto o pai, a mãe e ele, o caçula, foram morar em São Roque. Alci chegou com apenas o quarto ano primário e assim que pode voltou à cidade grande, fez Madureza, curso técnico, faculdade, tem um escritório contábil, três filhos e está casado pela segunda vez.

 

Alci e Paulo Henrique são personagens do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capitulo da nossa cidade. Mande o texto para milton@cbn.com.br ou agende entrevista em áudio e vídieo no Museu da Pessoa pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net. Outras histórias da nossa cidade, você ouve e lê aqui no meu blog, o Blog do Mílton Jung

Curitiba terá alunos no Adote um Vereador

 

A participação de jovens na política pode ser o início de um processo de transformação e conscientização, por isso saber da iniciativa de uma escola em Curitiba, no Paraná, em lançar o projeto “Adote um Vereador”, envolvendo os alunos, me deixa bastante satisfeito. Para entender como vai funcionar, publico
o texto que encontramos no site Bonde:

 

A professora Sônia Regina Cordeiro Silva apresentou à Câmara Municipal de Curitiba, na sessão da última segunda-feira (1º), a campanha “Adote um vereador”. Implantada com alunos do 3º ano do Ensino Médio do Colégio Estadual João Paulo II, a iniciativa integra o projeto “Manifestações políticas nas ruas e praças da cidade: um ato público de cidadania”, elaborado pelo Programa de Desenvolvimento Educacional (PDE) do governo estadual.

 

“A cidadania não nasce com a gente. Precisamos aprender a ser cidadãos, e a escola é espaço para isso”, destaca a docente, que participou da sessão a convite da vereadora Professora Josete (PT). “O projeto pretende motivar a reflexão crítica do papel do aluno como cidadão. Também envolve a participação política”, complementou. O trabalho desenvolvido por Sônia tem a orientação do professor Dennison Oliveira, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), e integra a disciplina de História do Colégio Estadual João Paulo II.

 

Os estudantes vão acompanhar, por meio da campanha “Adote um vereador”, o mandato de cada um dos 38 parlamentares da Casa. A atuação será avaliada com base em proposições protocoladas, assiduidade, entrevistas nos gabinetes, informações divulgadas no site da Câmara de Curitiba e notícias veiculadas pela imprensa, dentre outros critérios. Os dados coletados serão publicados em página criada na rede social Facebook, intitulada “Terceirão da cidadania”, e os alunos têm visita agendada ao Legislativo no próximo dia 10.

 

Clique aqui para acessar a página “Terceirão da cidadania”

Reminiscências

 

Por Julio Tannus

 

Existem coisas que jamais se apagam de nossa memória. Permanecem vivas ao longo de toda nossa existência.

 


No Banco Escolar

 

Ah! Meus professores de ginásio. Na época estudávamos, além do nosso Português, os idiomas Inglês, Francês, Latim e Espanhol. Fumava-se na sala de aula. E o professor de Espanhol fumava metade do cigarro. Ao ser indagado pelos alunos o porquê, ele com os olhos lacrimejantes nos disse: “todo fim de semana minha mulher corta os cigarros ao meio para economizarmos dinheiro, e assim teremos dinheiro para volvermos a Espanha ao final do ano!”. E foi através dele que aprendemos a gostar de Miguel de Cervantes, Calderón de La Barca, Lope de Vega…

 

Um dos professores tinha a mania de, antes de sentar-se, utilizar a lista de presença como espanador para livrar o pó de giz deixado pelo professor anterior na mesa dos professores. Vira e mexe, alguns de nós espalhava rapé em pó na mesa. Resultado: “desculpem o espirro, acho que estou ficando resfriado!”.

 

O professor de Geografia, ao falar sobre os peixes da Amazônia, referiu-se ao Pirarucu. A classe pôs-se a sorrir. Irritado ele nos disse: “se vocês estão com coceira no xx, então enfiem o dedo no xx”.

 

Na volta das férias de final de ano, um colega apareceu de cabelo comprido. A reação foi geral: “mariquinha”, “virou mulherzinha”. O habitual na época era o corte chamado de “americano curto” – herança da Segunda Grande Guerra. No dia seguinte o dito cujo aparece com a cabeça raspada a navalha, as sobrancelhas raspadas e os cílios cortados!

 

Havia um monitor que percorria os corredores junto às salas de aula para zelar pela disciplina dos alunos. Um colega de classe, sentado junto a uma das janelas que dava para o corredor, ficou com um papel dobrado em uma das mãos. O monitor, ao ver o papel, de imediato recolheu o mesmo e entrou na sala de aula. Ao abrir o papel para ver o que estava escrito, se surpreendeu: “curioso hein!”.

 

No dia 11 de junho de 1958 a Seleção Brasileira de Futebol jogava contra a Inglaterra, na Copa do Mundo da Suécia. O jogo transcorreu durante um exame de Física – tínhamos exames de meio de ano. No bar da esquina, um rádio ligado em alto e bom som transmitia a difícil partida, que terminou em empate de 0x0. Da sala de aula ouvíamos atentos a transmissão. Até que, findo o jogo, nos demos conta que o exame de física também chegava ao fim. Resultado: a maioria de nós tirou nota zero!

 


Julio Tannus é consultor em Estudos e Pesquisa Aplicada e co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier). Às terças-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung

Ainda sobre Educação (e empreendedorismo)

 

Por Julio Tannus

 

Citei aqui na semana passada Edgar Morin e seu livro Os Sete Saberes sobre nossa Educação. Retomo ao assunto tomando a liberdade de reproduzir um texto de Eder Luiz Bolson, autor de “Tchau, Patrão”, da Editora SENAC:

 

A máquina educacional está lenta e enferrujada. Ela funciona da mesma maneira e anda sobre os mesmos trilhos desde o início da revolução industrial. Ela foi concebida pelas elites para transformar os indivíduos em bons e fiéis empregados. Os conhecimentos e habilidades são ministrados para construir pessoas que, depois de formadas, só funcionarão razoavelmente quando ligadas na tomada do emprego. Infelizmente, o desemprego é crescente e irreversível em todo planeta. Infelizmente o sistema de ensino continua sem perceber que o cenário já mudou. Continua sem perceber que é preciso mudar o enfoque. Que o emprego é importante, mas não é o único meio de aplicar os conhecimentos e habilidades recebidos pelos alunos. Que é necessário forjar atitudes empreendedoras nos estudantes. Que é preciso valorizar mais o individuo que gera seu próprio sustento, sem ter um patrão. Que é necessário e urgente começar a desenvolver pessoas dotadas de visão de futuro, perseverantes e preparadas para o processo de sonhar, planejar e construir seu próprio caminho.

 



O potencial empreendedor das pessoas e, dos brasileiros em particular, é enorme. Pena que ele só aflore na necessidade. A maioria não parte para o negócio próprio porque vê uma oportunidade. Isso é coisa de primeiro mundo. A maioria dos pequenos e médios empresários brasileiros não entra espontaneamente para o mundo dos negócios. Ela é empurrada, forçada a empreender. A perda do emprego e a remota possibilidade de achar uma nova vaga fizeram surgir milhares de empresas informais, caseiras ou de garagem. São indústrias caseiras de salgados congelados, pizzas, pães de queijo, doces, massas, polpas de frutas, sucos, bonés, camisetas promocionais, roupas, calçados, bolsas, cosméticos, etc. Muitas conseguem sobreviver e fazer a passagem para o mundo das empresas reais. Outras naufragam depois que alugam uma área maior, tomam empréstimo bancário, contratam contabilista, passam a recolher impostos, taxas e contribuições. Quando essas pequenas iniciativas crescem, aflora o despreparo, a falta de capacitação dos brasileiros para a gestão de empreendimentos próprios. Isso é normal que aconteça, afinal, nenhum desses “empreendedores forçados” recebeu na escola qualquer ferramenta ou treinamento para ser patrão.

 



O ensino do empreendedorismo para crianças é fundamental. Ele é o suporte para o início de uma mudança cultural. É preciso começar, desde tenra idade, a forjar atitudes empreendedoras e mentes planejadoras nas pessoas. A disseminação de uma cultura empreendedora nas escolas poderia modificar os espíritos acomodados, típicos de grande parte da população brasileira. Poderia modificar também o pensamento de origem espiritual, determinista, de muitos brasileiros. São aqueles pensamentos que imobilizam, que roubam a pro-atividade, que jogam o futuro nas mãos de um destino previamente desenhado, ou então, nas forças de alguma divindade que, pretensamente, a tudo e a todos conduz. Poderia ajudar a valorizar mais a figura do empreendedor individual. O brasileiro cultua o antiplanejamento, o “deixa a vida me levar”. A disseminação de uma cultura empreendedora nas escolas poderia modificar esse hábito de deixar tudo por conta do acaso. O empreendedorismo formaria jovens dotados de mentes mais atentas nas oportunidades, com visão de futuro e muito mais planejadoras.



 

A educação é o único caminho para criar uma sociedade mais empreendedora no Brasil. O processo é lento. O potencial empreendedor é enorme, mas está latente. É hora de criar novos motores para os negócios. É tempo de despertar os jovens para uma nova maneira de viver. É hora de formar uma nova geração de brasileiros. É tempo de disseminar a educação empreendedora desde o ensino fundamental, até o superior. 




 

Julio Tannus é consultor em Estudos e Pesquisa Aplicada, co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier) e escreve no Blog do Mílton Jung, às terças-feiras.

Um caminho para nossa Educação

 

Por Julio Tannus

 

Muito tem se falado sobre o nível de nosso ensino, tanto nos cursos básicos como nas universidades. Para Edgar Morin há sete saberes necessários à educação para promover a formação de futuras gerações. Diz que são necessárias novas práticas pedagógicas para uma educação transformadora que esteja centrada na condição humana, no desenvolvimento da compreensão, da sensibilidade e da ética, na diversidade cultural, na pluralidade de indivíduos. E que privilegie a construção de um conhecimento interdisciplinar, envolvendo as relações indivíduo-sociedade-natureza. Para ele é fundamental criar espaços para o diálogo que propicie a reflexão, capaz de viabilizar práticas pedagógicas fundamentadas na solidariedade, na ética, na paz e na justiça social.

 

Uma educação baseada nos Sete Saberes (*) poderá colaborar para que os indivíduos possam enfrentar as múltiplas crises sociais, econômicas, políticas e ambientais, que colocam em risco a preservação da vida no planeta.

 

Aqui vão os “Sete Saberes”.

 

As cegueiras do conhecimento, o erro e a ilusão – Todo conhecimento comporta o risco do erro e da ilusão. A educação do futuro deve enfrentar o problema de dupla face do erro e da ilusão. O maior erro seria subestimar o problema do erro; a maior ilusão seria subestimar o problema da ilusão.

 

Os princípios do conhecimento pertinente – O conhecimento dos problemas-chave, das informações-chave relativas ao mundo, por mais aleatório e difícil que seja, deve ser tentado, sob pena de imperfeição cognitiva, mais ainda quando o contexto atual de qualquer conhecimento político, econômico, antropológico, ecológico… é o próprio mundo. A era planetária necessita situar tudo no contexto e no complexo planetário.

 

Ensinar a condição humana – A educação do futuro deverá ser o ensino primeiro e universal, centrado na condição humana. Estamos na era planetária; uma aventura comum conduz os seres humanos, onde quer que se encontrem. Estes devem reconhecer-se em sua humanidade comum e, ao mesmo tempo, reconhecer a diversidade cultural inerente a tudo que é humano.

 

Ensinar a identidade terrena – A partir do século XVI, entramos na era planetária e encontramo-nos desde o final do século XX na fase da mundialização. A mundialização, no estágio atual da era planetária, significa primeiramente, como disse o geógrafo Jacques Lévy: “o surgimento de um objeto novo, o mundo como tal”. Porém, quanto mais somos envolvidos pelo mundo, mais difícil é para nós apreendê-lo. Na era das telecomunicações, da informação, da internet, estamos submersos na complexidade do mundo – as incontáveis informações sobre o mundo sufocam nossas possibilidades de inteligibilidade.

 

Enfrentar as incertezas – Ainda não incorporamos a mensagem de Eurípedes, que é a de estarmos prontos para o inesperado. O fim do século XX foi propício, entretanto, para compreender a incerteza irremediável da história humana.

 

Ensinar a compreensão – A situação é paradoxal sobre a nossa Terra. As interdependências multiplicaram-se. A consciência de ser solidários com a vida e a morte, de agora em diante, une os humanos uns aos outros. A comunicação triunfa, o planeta é atravessado por redes, fax, telefones celulares, modens, internet; entretanto a incompreensão permanece geral. Sem dúvida, há importantes e múltiplos progressos da compreensão, mas o avanço da incompreensão parece ainda maior.

 

A ética do gênero humano – individuosociedadeespécie são não apenas inseparáveis, mas coprodutores um do outro. Cada um destes termos é, ao mesmo tempo, meio e fim dos outros. Não se pode absolutizar nenhum deles e fazer de um só o fim supremo da tríade; esta é, em si própria, rotativamente, seu próprio fim. No seio desta tríade complexa, emerge a consciência. Desde então, a ética propriamente humana, ou seja, a antro-poética, deve ser considerada como a ética da cadeia de três termos. Essa é a base para ensinar a ética do futuro.

 

Para cada um, Morin faz uma análise que não cabe aqui ser reproduzida, mas certamente merece ser lida, estudada e apreendida.

 

(*) Edgar Morin, Os sete saberes necessários à educação do futuro – 2a Edição Revisada; Cortez Editora

 

Julio Tannus é consultor em Estudos e Pesquisa Aplicada,
co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier), e escreve no Blog do Mílton Jung, às terças-feiras.

Direita e Esquerda ou Educação e Alienação?

 

Por Carla Zambelli
Fundadora do Movimento NASRUAS CONTRA CORRUPÇÃO

 

Essa discussão toda sobre esquerda e direita é hipócrita. Esquerdistas batem no peito para defenderem a coletividade acima de qualquer coisa, mas são os primeiros a fecharem suas portas para pedintes. Direitistas não acompanham a mudança e têm dificuldade de respeitar a diversidade entre as pessoas. E assim vamos vivendo, brigando e divergindo enquanto milhares morrem por diversos motivos imbecis.

 

Não importa quem tem mais razão, se Delfim ou Bobbio, mas as teorias extremistas não acompanham a vontade da maioria, nunca.

 

O mundo deveria ser menos taxativo, menos carimbo ou nomenclaturas e mais solução. Sempre haverá os mais ricos, os milionários. Os carros de luxo, helicópteros, casas e hotéis padrão cinco ou seis estrelas, conglomerados, fortunas e por outro lado sempre haverá os menos privilegiados.
O que não deveria mais existir é, de um lado, o derrame do erário pela corrupção, dinheiro que vem fácil porque se compra o setor público, que por outro lado tira do mais pobre, tornando-o cada vez mais miserável, dando ao mais rico e arrancando a oportunidade de estudo e consequente crescimento do que não nasceu em berço esplêndido.

 

Por que não podemos ter sim o luxo, que sustente e faça rodar a máquina administrativa pública e privada para o bem dos menos favorecidos, oferecendo a estes um bom estudo, infraestrutura de qualidade com saneamento, transporte público funcional, lazer e cultura, saúde de qualidade, coisas básicas, conseguidas com o imposto que as grandes empresas pagariam sem que houvesse a necessidade de corrupção?

 

Por que as empresas não podem concorrer a uma licitação da mesma forma como apresentam orçamentos para clientes privados, com o menor preço de fato? Com qualidade e garantia do serviço?

 

Por que nossos impostos, um dos mais altos do mundo, não conseguem pagar um ensino integral para que as mães possam trabalhar e deixar seus filhos, tranquilamente nas escolas, com atividades extras, alimentação e banho?

 

Por que o miserável tem que sofrer sem esgoto e água tratada, sem banho quente, e tem que receber os bolsas esmolas da vida, quando na verdade deveria receber educação e ter oportunidade de concorrer de igual para igual às vagas em universidades públicas para, então, terem chance no mercado de trabalho?

 

Por que o nosso governo tem que gastar milhões em publicidade para mostrar o que faz, quando na verdade faz algo muito aquém de suas obrigações?

 

Por que não podemos valorizar o lado bom do capitalismo e o que ele nos dá, que é a oportunidade de crescer, mas fazê-lo de forma ética e responsável, cuidando dos pobres, lhes dando o mínimo de conforto e segurança, e deixando a força de vontade de cada um fazer a diferença ao invés da lei do ganha-ganha?

 

Há sim uma forma intermediária, sem extremos, sem excessos para se fazer um país dar certo. O Brasil poderia continuar a trilhar o caminho da boa economia e até da Copa do Mundo, mas fazendo tudo isso de forma limpa, transparente, com um preço justo para que o povo recebesse o fruto do seu suado trabalho em forma de infraestrutura, educação, segurança e saúde.

 

E o mais importante, tudo isso sem necessariamente distribuir esmolas de um lado e de outro aprovando automaticamente na escola para que o aluno saia mais estúpido e alienado do entrou na escola.

 

Temos que ensinar nossas crianças de verdade, com qualidade, com profundidade. Ensinar o que é cidadania, ética e educação política, de forma integral, para que nossas crianças saiam das ruas e entrem para um novo mundo. Um mundo sem esquerda e direita, mas com democracia e possibilidade de um futuro brilhante para todos, de verdade, para que aqueles que realmente se dedicam, façam a diferença pelo esforço e não pelo suborno.

 

E quem sabe assim, teríamos um país uno em seus tratamentos para com o próximo e justo para com os que se destacam por esforço próprio e de forma ética. Há projetos tramitando na Câmara dos Deputados, neste sentido. O povo aguarda ansiosamente que coloquem em pauta e aprovem o que pode ser a solução do Brasil, formando cidadãos de verdade, pois a solução mais profunda e certeira para o que se tornou nosso país está na educação.

 

Mundo Corporativo: Competir com harmonia

 

Gestão de empresas e pessoas foi o tema da entrevista de Wandick Silveira, diretor-presidente do Grupo Ibemec Educacional, ao programa Mundo Corporativo, da rádio CBN. Ele falou da necessidade de as empresas criarem um ambiente de competição mas, também, de harmonia para motivar os colaboradores e reter talentos. Durante a entrevista, Wandick comentou, ainda, sobre os jovens de até 24 anos e a influência deles nas relações corporativas.

 

 

O Mundo Corporativo vai ao ar, quartas-feiras, 11 horas, no site da Rádio CBN (www.cbn.com.br) com participação dos ouvintes-internautas pelo Twitter @jornaldacbn e e-mail milton@cbn.com.br. O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN