A situação do jovem brasileiro na pandemia: sem ensino e sem emprego, tem esperança?

Foto de Tim Gouw no Pexels

A vida não está fácil para ninguém —- eu sei, começar um texto com essa frase que já virou lugar-comum não é muito inspirador para você seguir com a leitura. Porém, o fato é que a frase está cada vez mais comum desde que a pandemia se iniciou. E de tão comum, ganhou expressividade. Parece contraditório, mas faz sentido. Especialmente se você for um jovem que por jovem que é teve de enfrentar o que enfrentamos desde o ano passado sem a experiência da dor que forjou a personalidade e a alma dos adultos.

É da juventude que quero falar nesse bate-papo com você, caro e cada vez mais raro leitor deste blog. Porque para eles, os jovens, as coisas estão bem difíceis. Podes crer (acho que nenhum jovem usa mais essa expressão, né ?!?).

Imagine a situação do cara ou da cara. No pico de sua energia e com hormônios em alta rotação, foram todos convocados a se trancarem em casa, se afastarem dos parceiros, segurarem o tesão pela vida e abrir mão de parte dos direitos que conquistaram. 

Enquanto alguns perderam o direito às relações, outros tiveram roubados o direito a educação. 

Cezar Miola, conselheiro do Tribunal de Costas do Estado do RS, informa em texto escrito na Gazeta do Sul, que 91,9% das mais de 3,6 mil redes municipais tiveram de completar o calendário escolar de 2020 com atividades não presenciais:

“Dados do IBGE indicam que 1,4 milhão de crianças e adolescentes não frequentaram a escola em 2020, sendo que outros 4,1 milhões, embora vinculados a algum estabelecimento, não tiveram acesso a atividades educacionais (para se ter uma dimensão do que representam esses números: todo o Estado do RS possui 2,2 milhões de alunos na educação básica)”

Perderam relações, perderam qualidade de ensino e perderam, também, o direito ao trabalho —- como mostram números divulgados nos últimos dias por diferentes instituições. 

Ainda nessa quarta-feira, em gravação do programa Mundo Corporativo, Helen Andrade, head de Diversidade e Inclusão da Nestlé, lembrou que para a turma dos 18 aos 24 anos, a taxa de desemprego no Brasil está na casa dos 30%, segundo cálculo do IBGE. Tema que preocupa a empresa que ela representa — hoje, o maior grupo de alimentação do mundo. Para tentar conter esse drama, a Nestlé tem  desenvolvido programas para incluir esses jovens no mercado de trabalho. Apostam na ideia de que com a juventude e a criação de projetos para manutenção e atualização de profissionais com mais de 50 anos, conseguem criar um ambiente colaborativo e criativo, unindo vivacidade e vivência. A experiência, porém, é exceção no mercado de trabalho brasileiro.

Sem emprego e sem escola, esse jovem é também um sem esperança. E como é triste para nós, que somos pais, assistir ao desalento da juventude. Porque são rapazes e moças que tinham nos programas de estágio ou de aprendizagem, além da formação profissional e da permanência na escola, a possibilidade de complementarem a renda familiar. Considere que o salário médio em São Paulo é de mais ou menos R$ 650,00 — ou seja, se estiver no mercado de trabalho, essa turma leva  para casa mais dinheiro do que o auxílio-emergencial, já não fossem suficientes a formação técnica, a absorção de conhecimento, o desenvolvimento da personalidade e autoestima adquirida.

É triste. É doloroso. É um perigo porque jovens sem esperança não esperam o futuro, tentam soluções imediatas nem sempre as melhores e mais saudáveis. 

Como de desespero já estamos cheios, trago algumas informações que talvez nos ajudem a respirar um pouco mais —- ainda que atrás de uma necessária máscara de proteção.  Dois estudos divulgados nos últimos dias sinalizam que talvez o mercado de trabalho comece a acenar novamente para os mais jovens, mesmo diante de muitas das restrições que ainda vivemos pela incompetência na gestão da crise sanitária que encaramos desde março do ano passado. 

Um levantamento feito pelo CIEE – Centro de Integração Empresa-Escola, que reuniu informações do seu banco de dados, identificou que o número de vagas abertas para jovens cresceu 28,9% no 1º trimestre de 2021 se comparado aos últimos três meses de 2020. No Estado de São Paulo este aumento chegou a 38,9%.

Se olhar para os dados do CAGED, tivemos o melhor primeiro trimestre de toda a série histórica agora em 2021, com recorde de abertura de vagas para aprendizes de 14 a 24 anos. Na análise feita pelos técnicos da Kairós  Desenvolvimento Social, houve um saldo positivo, entre contratados e demitidos de 43.570 postos de trabalho.

Antes de comemorar, lembre-se: disse que talvez possamos respirar, mas ainda sem tirar a máscara. Temos de colocar os números nos seus devidos lugares,  

Tanto o CIEE como a Kairós comparam o primeiro trimestre deste ano com o último trimestre do ano passado —- o ano em que a tragédia sanitária assolapou nossas expectativas e enterrou nossos sonhos. E, principalmente, do sonho de muitos jovens aprendizes que fazem parte de grupos mais vulneráveis. 

Infelizmente, se queremos ter um olhar mais preciso sobre o que acontece na nossa vida, de acordo com números e estatísticas, é preciso pegar o retrato de agora e comparar com a fotografia tirada no mesmo período do ano passado. Ou seja, primeiro trimestre de 2021 com o primeiro trimestre de 2020 —- quando os efeitos da pandemia ainda não tinham sido plenamente absorvidos pela economia.

Segundo o CIEE, nessa perspectiva, a oferta de oportunidades de estágio e aprendizagem despencou 28,7%, no Brasil. Olhando aqui para a região em que vivo, o tombo foi ainda maior na capital paulista, 29,3%. No Estado de São Paulo 27,2%.

A Kairós traz outro cálculo que demonstra o quanto ainda precisaremos reagir para nos recuperarmos do legado de 2020. Lembra do saldo de 43.570 vagas abertas que falamos antes? Está distante ainda das 72.885 vagas de aprendiz que foram fechadas desde abril do ano passado, quando começaram os efeitos da pandemia. 

Elvis Cesar Bonassa, diretor da Kairós, lamenta que “não houve nenhuma medida do governo para proteger esse grupo (de jovens), nem responsabilidade social das empresas para manter as vagas”.

Já Marcelo Gallo, superintendente Nacional de Operações do CIEE, prefere destacar a perspectiva de que haverá um crescimento gradual do número de vagas ao longo do ano — o que pode ser um alento para quem já viu o mês de maio se iniciar e até agora não encontrou o seu espaço no mercado de trabalho. 

Entre número e estatísticas, diagnóstico e prognósticos, nós, pais, temos a responsabilidade, assumida diante da sociedade quando aceitamos a ideia da paternidade, de mostrarmos a todos esses jovens —- em especial aos nossos jovens filhos, que ainda estão sob nosso campo de observação — que  toda e qualquer saída para esse cenário está pautada na ideia de oferecemos a eles um ambiente eticamente saudável. Porque nos cabe, independentemente da dimensão das crises que enfrentamos —- humanitária, sanitária e econômica — a missão de oferecermos aos nossos filhos a educação —- e não apenas o ensino — que permita que eles façam as melhores escolhas diante dos problemas que têm de administrar o tempo todo no relacionamento com os amigos e com a família, no emprego ou na falta dele, na escola ou na vida.

Mundo Corporativo: para Clodoaldo Nascimento, da Yes!Idiomas, escolas terão três modelos de ensino após a pandemia

Foto de Cristian Rojas no Pexels

“O online veio para ficar. Ele vai ser uma ferramenta que nós vamos utilizar no nosso dia a dia de diversas formas, seja para atender a pessoas que trabalham e tenha dificuldade de tempo seja para atender a pessoa que quer aprender rápido e em qualquer lugar” 

Clodoaldo Nascimento/Presidente da YES!Idiomas

Escolas de inglês passaram a anunciar cursos 100% online como se o modelo fosse uma inovação, apesar de a estrutura tecnológica já estar à disposição e negócios das mais diversas áreas se sustentarem no digital, há muito anos. De acordo com Clodoaldo Nascimento, presidente da YES!Idiomas, entrevistado do programa Mundo Corporativo, a demora para essa migração —- que apenas ocorreu devido a pandemia —, está ligada ao apego a um padrão  que fez sucesso ao longo do tempo:

“Na verdade, talvez, (havia) aquela coisa de você quebrar o paradigma. Por exemplo, a ideia de que a aula é presencial, o professor tem de estar perto do aluno, falar no pé do ouvido dele. Principalmente nos idiomas temos às vezes essa dificuldade da pronúncia. E tinha a dificuldade de conexão. Isso fez com que gente procrastinasse essa vontade de levar para o EAD.Não teve jeito. A gente teve de antecipar este EAD”.

No caso da YES a troca das aulas presenciais para o ensino à distância ocorreu nas 180 escolas e no atendimento aos cerca de 60 mil alunos, nos 18 estados em que a rede de franquia atua, no Brasil. Clodoaldo disse que a transformação teve de ser feita em 15 dias, período em que a franquia teve de oferecer plataformas para a realização dos cursos, aulas foram gravadas e as unidades regionais criaram serviços de apoio para orientação dos alunos:

“Quando a gente viu que tinha esse problema, eu reuni minha parte pedagógica reuni minha parte operacional. E montamos um comitê de crise. 24 horas por dia, a gente ficava pensando na melhor maneira de a gente poder entregar o melhor produto. Nós tivemos de apressar um processo que talvez levasse anos e nós tivemos de fazer em duas semanas”.

Ao mesmo tempo que correm para se adaptar, as escolas tradicionais de idioma assistem ao surgimento de opções de ensino de língua estrangeira por aplicativos, que podem se transformar em concorrentes no setor.  Clodoaldo entende que os APPs não tiram alunos das escolas, são complementares ao ensino e, provavelmente, serão usados pelas instituições. Para ele, a partir de agora, haverá três modelos a serem ofertados no setor:

“A gente só tinha um modelo, eu acho que nós vamos ter três, que é o modelo tradicional presencial, a gente não pode deixar de ofertar porque tem pessoas que têm a predileção. Vamos ter um modelo híbrido, que vai ser uma coisa mais flex, na questão tempo. E vamos ter o 100% online”.

Mesmo que o ensino seja à distância, a gestão continuará sendo presencial, destacou Clodoaldo Nascimento, que é presidente da YES!Idiomas desde 2004. Ele começou como vendedor de cursos de inglês, em 1989 e dois anos depois chegou na YES, onde foi funcionário e concessionário até assumir o comando da rede. Par quem pretende investir no setor de franquias, Clodoaldo alerta:

“É preciso ter disponibilidade de tempo, saber que ele vai operar aquela franquia, porque o sucesso de uma franquia é uma coisa que tem a ver com parte da franqueadora — você está associado a uma marca, que já está no mercado, está consolidada —  mas só a marca consolidada, sozinha, ela não faz nada. Ela precisa de alguém que esteja atrás do balcão, dando o seu tempo, fazendo a coisa realmente acontecer”.

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, no site, na página do Facebook e no canal da CBN no Youtube. O programa vai ao ar aos sábados no Jornal da CBN e domingo, às 10 da noite em horário alternativo. Está disponível também em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Juliana Prado, Bruno teixeira, Matheus Meirelles e Débora Gonçalves. 

Como apresentar uma aula pelo rádio e ganhar a audiência do seu aluno

O rádio é transformado em sala de aula na pandemia (Foto: Pixabay)

 

Tem em Osório, no Rio Grande do Sul; tem em Pindamonhangaba, em São Paulo; tem em Mulungu; no Ceará; e tem também em Ruy Barbosa, na Bahia. Tem aula sendo apresentada no rádio em várias partes do Brasil, desde que as escolas fecharam devido ao risco de contaminação dos alunos com a pandemia.

Sem a tecnologia mais avançada à disposição, sem sinal de internet na região e sem celulares na mão, alunos recebem o conteúdo possível sintonizando emissoras locais ou comunitárias. Prefeituras, professores e gestores de educação tiveram de se adaptar diante das carências de cada região. Com o material didático e uma dose grande de resiliência os alunos tentam absorver o conhecimento através de um veículo no qual a maioria só ouvia música.

Com a preocupação de reduzir o prejuízo no aprendizado desses jovens —- e mesmo de adultos que se alfabetizam no EJA —-, o Núcleo de Estudos de Rádio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) elaborou um guia para que os professores tirem proveito dos recursos que o rádio oferece.

São 10 dicas que podem ajudar o professor, beneficiar os alunos e fornecer a você, que imagina um dia trabalhar com o veículo, na área da educação ou não, um conhecimento básico sobre como transmitir da melhor forma a mensagem pelo rádio. São dicas para situação de emergência, porque o rádio pode ser ainda mais bem explorado. Mas deixemos esses outros recursos para quando a situação se acalmar.

O guia leva a assinatura dos professores Luiz Artur Ferraretto, doutor em comunicação e dos maiores entusiastas do rádio que conheço, e Fernando Morgado, mestre em economia criativa. O trabalho se inicia inspirado por frase de Edgar Roquette-Pinto, pai da radiodifusão brasileira, criador da primeira emissora no Brasil:

“Ensine quem souber, o que souber, a quem não souber”

Com “Dez passos para o ensino emergencial no rádio em tempos de Covid-19”, o NER trata de elementos que estão ao alcance dos educadores, e não cai na tentação de querer ensinar o professor a dar aula, mesmo que algumas das dicas a seguir sejam muito úteis para o dia a dia na escola —- quando isso se tornar possível novamente.

O trabalho completo vale a pena ser baixado. O arquivo está disponível no site do Núcleo de Ensino de Rádio. A seguir, um resumo de cada passo e a minha recomendação: faça essa caminhada junto com o seu aluno:

1 — Conheça como funciona o rádio

“Do final do século passado até a atualidade, o rádio não mudou e, ao mesmo tempo, mudou muito”. Muitas mudanças no campo da tecnologia e transmissão do sinal; e a perseverança na ideia de que a relação apresentador e ouvinte ou professor e aluno se baseia em um diálogo que se altera “entre uma espécie de palestra e algo próximo de bate-papo”. Nessa conversa, um desafio para quem precisa da atenção do aluno “o caráter sonoro da mensagem permite que o ouvinte realize outra atividade em paralelo à escuta”.

2 — Não tenha medo de falar ao microfone

Todo mundo estranha quando ouve sua voz pela primeira vez em uma gravação. Não se preocupe. É apenas a falta de costume de ouvir a si mesmo. Seus alunos já o conhecem pela voz e vocabulário que usa. O NER chama atenção para que ninguém se intimide por não ter aquilo que se consagrou no passado como voz de locutor de rádio: “falar claramente é muito mais importante do que possuir um vozeirão”. 

Outra sugestão que entendo ser relevante. Sua fala vai além da sua voz, inclui gestos, expressões e postura, portanto “se na sala de aula e no dia a dia você gesticula, faça o mesmo ao falar em rádio”. A palavra ganha vida.

3 — Não fale sozinho

Formem duplas ou trios de professores, assim o que seria um monólogo vira conversa e a mensagem chega mais agradável ao ouvinte. Um recurso pode ser a entrevista com pessoas que ajudem a ilustrar a temática abordada.

4 — Bata papo com a turma

“Como fazem os comunicadores, vocês precisam fingir que conversam com o seu público, criando uma espécie de bate-papo imaginário com alunas e alunos” e para que isso funcione é preciso conhecer bem o público para o qual se destina o conteúdo.

5 — Explore o ambiente dos alunos

Como já dito, no rádio você disputa a atenção do ouvinte com outros estímulos que estão à sua volta. Entre no cotidiano do seu aluno. Use expressões tais como: “você que está escutando a gente em sua casa, cuidando do irmãozinho menor enquanto a mãe foi para o trabalho …” etc

6 — Vá direto ao assunto

A mensagem no rádio é altamente fugaz ou volátil, lembra o guia. Então, vá direto ao assunto, descrevendo-o com começo, meio e fim. Se me permitem os autores do texto, dou meu pitaco: “seja simples, direto e objetivo” — é o mantra da boa comunicação.

7 — Ensine em módulos

A transmissão no rádio é a simulação de uma conversa. Não se trata de um bate-papo de mesa de bar. Precisa ser uma comunicação planejada, não necessariamente escrita —- recomenda-se que não o seja. Faça um roteiro dos temas e separe o conteúdo em blocos de 5 a 10 minutos, crie novos estímulos e volte ao assunto em seguida para manter a atenção do aluno.

 

8 —  Pare e pense

A cada passo é necessário analisar o que foi realizado e quais os resultados obtidos. Faça uma autoavaliação do lado de quem emitiu o conteúdo.

9 — Seja redundante

Com bom senso, é claro. No começo da aula explique o que será tratado e, no meio do caminho, retome alguns pontos de forma resumida. Sempre que tiver alguma informação que precisa ficar na memória do ouvinte, não se reprima: repita a sentença.

10 — Comece tudo de novo

A cada novo programa como a cada nova aula, saiba que você vai precisar recomeçar. Se os passos anteriores foram dados com sensates, o recomeça será apenas uma consequência, ensina o guia.

Bom programa, ótima aula e se cuide!

A imagem da educação que realmente interessa ao Brasil

 

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Cantei o hino em datas comemorativas, na escola que estudei em Porto Alegre. Perfilei-me diante da bandeira, em abertura de eventos esportivos. Repito o gesto até hoje nas atividades oficiais. Migrei da Ditadura para a Democracia sempre respeitando nosso hino, nossa bandeira e nosso brasão. E se o fiz não é porque fui obrigado ou filmado.

 

Também não agi com patriotismo devido às aulas de Educação Moral e Cívica e Organização Social e Política do Brasil, as quais, essas sim, fui obrigado a frequentar porque estavam no currículo escolar. Imagino que os professores até se esforçaram para me ensinar alguma coisa, mas sequer o nome deles sou capaz de lembrar.

 

Perdão, professor de EMC e OSPB!

 

O sentimento patriótico que construí tem muito a ver com valores e pensamentos que aprendi em casa. Quem conhece meu trabalho, sabe da importância que dou à educação, uma responsabilidade dos pais ou dos adultos de referência das crianças, já que nem todas têm o privilégio de nascer em uma família estruturada.

 

A escola também foi importante, sem patriotadas. Oferecendo-me informação e liberdade para refletir. Permitindo o questionamento. Abrindo espaço para o contraditório. Ensinando-me a respeitar os que pensam de forma diversa.

 

Ao longo do tempo, desenvolvi uma ideia do que representa este sentimento que identificamos como patriotismo —- e o descrevi da seguinte maneira no livro “É proibido calar! Precisamos falar de ética e cidadania com nossos filhos”:

 

“Patriotismo não é coisa pouca. É o orgulho que temos pelas coisas da nossa terra, pelos símbolos que nos unem. E os nossos símbolos, com todo o respeito, são muito mais do que a bandeira, o brasão e o hino. São os nossos atos e características, a nossa cultura, a nossa história. A educação e a escolaridade que oferecemos. A ética que nos move é símbolo dessa união, também. De amor. De patriotismo”

 

Foi esse sentimento de patriotismo que aflorou logo cedo, nesta terça-feira, quando fui provocado a falar sobre a “carta” — da qual você já deve ter ouvido falar — enviada pelo Ministério da Educação aos alunos da rede pública e privada, escrita com um texto ufanista e conceitos subjetivos, com pedido impróprio e assinado de forma ilegal. Para o desastre ser completo, só faltaram erros gramaticais — o que não me surpreenderia depois de ouvir o ministro Ricardo Vélez chamar a todos nós de “cidadões”, em sua primeira fala pública ao assumir o cargo.

 

Para lembrar: o documento pedia a leitura da carta a todos os alunos, seguida do canto do hino nacional diante da bandeira brasileira, e a gravação em vídeo, por celular, a ser enviada ao MEC.

 

Sei da existência de legislação de 1971, acrescida de um parágrafo, em 2009, que obriga a execução do hino nacional brasileiro ao menos uma vez por semana, nas escolas públicas e privadas, de ensino fundamental e médio. Ou seja, o texto era desnecessário nesse caso. Mas, tudo bem, vamos levar em consideração que vivemos em um país de leis que pegam e outras que não pegam.

 

Agora, gravar crianças cantando o hino, sem autorização, fere o Estatuto da Criança e do Adolescente. Que fique claro, a proibição não se deve ao fato delas estarem cantando o hino. Poderiam estar na sala de aula estudando ou correndo na praça atrás da bola tanto quanto poderiam estar usando drogas ou batendo em outras crianças. O ECA garante o direito à preservação da imagem da criança. Ponto.

 

Usar lema de campanha eleitoral —- a “carta” vinha acompanhada da mensagem “Brasil acima de todos, Deus acima de tudo”, que marcou a campanha do presidente Jair Bolsonaro — também é proibido. É ilegal.

 

Ao longo da tarde, o Governo recuou. Incluiu o pedido de autorização para gravação e retirou o lema de campanha —- dando razão aos que reclamaram da “carta” e deixando aqueles que criticaram às críticas com a brocha (ou o twitte) na mão.

 

É provável que alguns diretores de escolas resolvam sacar seus celulares, gravem as imagens da meninada perfilada, com mão no peito e cantando o hino, e depois saiam atrás dos pais para receber a autorização necessária.

 

O arsenal de imagens consideradas patrióticas que o Governo terá em mãos será usado da maneira que interessar ao ministro —- ou ficará armazenado no seu computador. Faça o quem entender. Desde que tenha a autorização para tal.

 

Mas já que é adepto de produções cinematográficas, recomendo que o ministro se dedique também a revelar o filme da educação brasileira que, anualmente, é registrado nos exames de larga escala e avaliações externas, tais como o SAEB — Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica e o ENEM — Exame Nacional de Ensino Médio.

 

Essas, sim, são as imagens da educação que interessam ao Brasil.

Mundo Corporativo: ensino à distância ajuda profissional a reduzir lacuna de habilidade

 

 

Sempre existe uma lacuna de habilidade — o que você pode oferecer para a empresa e o que a empresa espera de você —-, e cabe a nós profissionais estarmos sempre atrás de reduzirmos esta distância. A opinião é de Sérgio Agudo, country manager da Udemy, em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN. Agudo tem se dedicado a expansão da plataforma de ensino à distância no Brasil e falou sobre como é possível usar os recursos disponíveis na internet para ampliar o conhecimento e, também, das oportunidades que este mercado oferece.

 

O Mundo Corporativo é apresentado às quartas-feiras, 11 horas da manhã, e pode ser assistido no site e na página da CBN no Facebook. O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10h30 da noite, em horário alternativo. Colaboram com o Mundo Corporativo, Juliana Causin, Rafael Furugen e Débora Gonçalves.

Mundo Corporativo: Eduardo Pacheco, da Park Idiomas, fala da vontade de fazer e do ensino de idiomas

 

 

“Hoje apenas de 2 a 2,5% da população brasileira estuda idiomas, enquanto em mercados mais avançados, como a Alemanha e o Japão, o ensino de línguas chega a cerca de 5 a 7%”.Esses números mostram o potencial de crescimento que existe no setor, segundo avaliação de Eduardo Pacheco,presidente da Park Idiomas, em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN. A Park funciona no sistema de franquia e tem cerca de 40 unidades no Brasil. Além das oportunidades de negócio e carreira no mercado de idiomas, Pacheco defende a ideia da necessidade dos profissionais desenvolverem a inteligência volitiva, que está relacionada ao poder de realizar e seria uma das marcas dos grandes empreendedores.

 

O Mundo Corporativo é apresentado às quartas-feiras, 11 horas, no site http://www.cbn.com.br e o programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN. Participam do Mundo Corporativo: Paulo Rodolfo, Douglas Mattos e Ernesto Fosci.

Conte Sua História de SP: os Paulos de Paulo e o ensino de São Paulo

 

No Conte Sua História de São Paulo trago, hoje, dois personagens:

 

 

Começo com Paulo Henrique que quer conhecer alguém mais paulistano do que ele. Filho de mineira e de baiano, dona Irias e seu Claudemiro, Paulo nasceu em São Paulo, no dia de São Paulo, e no Hospital São Paulo. Para dar sequência à história, torce para o São Paulo e já morou na Vila São Paulo. Como se tudo não bastasse, teve um filho no mesmo dia de São Paulo, que só não se chama Paulo porque aí a mãe já estava achando coincidências de mais.

 

Nosso outro personagem é Alci Cortezi que não nasceu em São Paulo, mas declara todo seu amor pela cidade que, pelo visto, foi à primeira vista, pois diz que começou, em 1971, quando chegou com toda a família: os pais e os irmãos,Alfredo, o mais velho, e Terezinha, a do meio. Veio da mineira Capiniópolis, onde trabalhava tirando leite de vaca e na lavoura. Os tios que já estavam por aqui, vendo as dificuldades na roça, mandaram carta convidando o pai dele para vir à São Paulo. Os irmãos ficaram na casa de uma família, na Capital. Enquanto o pai, a mãe e ele, o caçula, foram morar em São Roque. Alci chegou com apenas o quarto ano primário e assim que pode voltou à cidade grande, fez Madureza, curso técnico, faculdade, tem um escritório contábil, três filhos e está casado pela segunda vez.

 

Alci e Paulo Henrique são personagens do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capitulo da nossa cidade. Mande o texto para milton@cbn.com.br ou agende entrevista em áudio e vídieo no Museu da Pessoa pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net. Outras histórias da nossa cidade, você ouve e lê aqui no meu blog, o Blog do Mílton Jung

Curitiba terá alunos no Adote um Vereador

 

A participação de jovens na política pode ser o início de um processo de transformação e conscientização, por isso saber da iniciativa de uma escola em Curitiba, no Paraná, em lançar o projeto “Adote um Vereador”, envolvendo os alunos, me deixa bastante satisfeito. Para entender como vai funcionar, publico
o texto que encontramos no site Bonde:

 

A professora Sônia Regina Cordeiro Silva apresentou à Câmara Municipal de Curitiba, na sessão da última segunda-feira (1º), a campanha “Adote um vereador”. Implantada com alunos do 3º ano do Ensino Médio do Colégio Estadual João Paulo II, a iniciativa integra o projeto “Manifestações políticas nas ruas e praças da cidade: um ato público de cidadania”, elaborado pelo Programa de Desenvolvimento Educacional (PDE) do governo estadual.

 

“A cidadania não nasce com a gente. Precisamos aprender a ser cidadãos, e a escola é espaço para isso”, destaca a docente, que participou da sessão a convite da vereadora Professora Josete (PT). “O projeto pretende motivar a reflexão crítica do papel do aluno como cidadão. Também envolve a participação política”, complementou. O trabalho desenvolvido por Sônia tem a orientação do professor Dennison Oliveira, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), e integra a disciplina de História do Colégio Estadual João Paulo II.

 

Os estudantes vão acompanhar, por meio da campanha “Adote um vereador”, o mandato de cada um dos 38 parlamentares da Casa. A atuação será avaliada com base em proposições protocoladas, assiduidade, entrevistas nos gabinetes, informações divulgadas no site da Câmara de Curitiba e notícias veiculadas pela imprensa, dentre outros critérios. Os dados coletados serão publicados em página criada na rede social Facebook, intitulada “Terceirão da cidadania”, e os alunos têm visita agendada ao Legislativo no próximo dia 10.

 

Clique aqui para acessar a página “Terceirão da cidadania”

Reminiscências

 

Por Julio Tannus

 

Existem coisas que jamais se apagam de nossa memória. Permanecem vivas ao longo de toda nossa existência.

 


No Banco Escolar

 

Ah! Meus professores de ginásio. Na época estudávamos, além do nosso Português, os idiomas Inglês, Francês, Latim e Espanhol. Fumava-se na sala de aula. E o professor de Espanhol fumava metade do cigarro. Ao ser indagado pelos alunos o porquê, ele com os olhos lacrimejantes nos disse: “todo fim de semana minha mulher corta os cigarros ao meio para economizarmos dinheiro, e assim teremos dinheiro para volvermos a Espanha ao final do ano!”. E foi através dele que aprendemos a gostar de Miguel de Cervantes, Calderón de La Barca, Lope de Vega…

 

Um dos professores tinha a mania de, antes de sentar-se, utilizar a lista de presença como espanador para livrar o pó de giz deixado pelo professor anterior na mesa dos professores. Vira e mexe, alguns de nós espalhava rapé em pó na mesa. Resultado: “desculpem o espirro, acho que estou ficando resfriado!”.

 

O professor de Geografia, ao falar sobre os peixes da Amazônia, referiu-se ao Pirarucu. A classe pôs-se a sorrir. Irritado ele nos disse: “se vocês estão com coceira no xx, então enfiem o dedo no xx”.

 

Na volta das férias de final de ano, um colega apareceu de cabelo comprido. A reação foi geral: “mariquinha”, “virou mulherzinha”. O habitual na época era o corte chamado de “americano curto” – herança da Segunda Grande Guerra. No dia seguinte o dito cujo aparece com a cabeça raspada a navalha, as sobrancelhas raspadas e os cílios cortados!

 

Havia um monitor que percorria os corredores junto às salas de aula para zelar pela disciplina dos alunos. Um colega de classe, sentado junto a uma das janelas que dava para o corredor, ficou com um papel dobrado em uma das mãos. O monitor, ao ver o papel, de imediato recolheu o mesmo e entrou na sala de aula. Ao abrir o papel para ver o que estava escrito, se surpreendeu: “curioso hein!”.

 

No dia 11 de junho de 1958 a Seleção Brasileira de Futebol jogava contra a Inglaterra, na Copa do Mundo da Suécia. O jogo transcorreu durante um exame de Física – tínhamos exames de meio de ano. No bar da esquina, um rádio ligado em alto e bom som transmitia a difícil partida, que terminou em empate de 0x0. Da sala de aula ouvíamos atentos a transmissão. Até que, findo o jogo, nos demos conta que o exame de física também chegava ao fim. Resultado: a maioria de nós tirou nota zero!

 


Julio Tannus é consultor em Estudos e Pesquisa Aplicada e co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier). Às terças-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung

Ainda sobre Educação (e empreendedorismo)

 

Por Julio Tannus

 

Citei aqui na semana passada Edgar Morin e seu livro Os Sete Saberes sobre nossa Educação. Retomo ao assunto tomando a liberdade de reproduzir um texto de Eder Luiz Bolson, autor de “Tchau, Patrão”, da Editora SENAC:

 

A máquina educacional está lenta e enferrujada. Ela funciona da mesma maneira e anda sobre os mesmos trilhos desde o início da revolução industrial. Ela foi concebida pelas elites para transformar os indivíduos em bons e fiéis empregados. Os conhecimentos e habilidades são ministrados para construir pessoas que, depois de formadas, só funcionarão razoavelmente quando ligadas na tomada do emprego. Infelizmente, o desemprego é crescente e irreversível em todo planeta. Infelizmente o sistema de ensino continua sem perceber que o cenário já mudou. Continua sem perceber que é preciso mudar o enfoque. Que o emprego é importante, mas não é o único meio de aplicar os conhecimentos e habilidades recebidos pelos alunos. Que é necessário forjar atitudes empreendedoras nos estudantes. Que é preciso valorizar mais o individuo que gera seu próprio sustento, sem ter um patrão. Que é necessário e urgente começar a desenvolver pessoas dotadas de visão de futuro, perseverantes e preparadas para o processo de sonhar, planejar e construir seu próprio caminho.

 



O potencial empreendedor das pessoas e, dos brasileiros em particular, é enorme. Pena que ele só aflore na necessidade. A maioria não parte para o negócio próprio porque vê uma oportunidade. Isso é coisa de primeiro mundo. A maioria dos pequenos e médios empresários brasileiros não entra espontaneamente para o mundo dos negócios. Ela é empurrada, forçada a empreender. A perda do emprego e a remota possibilidade de achar uma nova vaga fizeram surgir milhares de empresas informais, caseiras ou de garagem. São indústrias caseiras de salgados congelados, pizzas, pães de queijo, doces, massas, polpas de frutas, sucos, bonés, camisetas promocionais, roupas, calçados, bolsas, cosméticos, etc. Muitas conseguem sobreviver e fazer a passagem para o mundo das empresas reais. Outras naufragam depois que alugam uma área maior, tomam empréstimo bancário, contratam contabilista, passam a recolher impostos, taxas e contribuições. Quando essas pequenas iniciativas crescem, aflora o despreparo, a falta de capacitação dos brasileiros para a gestão de empreendimentos próprios. Isso é normal que aconteça, afinal, nenhum desses “empreendedores forçados” recebeu na escola qualquer ferramenta ou treinamento para ser patrão.

 



O ensino do empreendedorismo para crianças é fundamental. Ele é o suporte para o início de uma mudança cultural. É preciso começar, desde tenra idade, a forjar atitudes empreendedoras e mentes planejadoras nas pessoas. A disseminação de uma cultura empreendedora nas escolas poderia modificar os espíritos acomodados, típicos de grande parte da população brasileira. Poderia modificar também o pensamento de origem espiritual, determinista, de muitos brasileiros. São aqueles pensamentos que imobilizam, que roubam a pro-atividade, que jogam o futuro nas mãos de um destino previamente desenhado, ou então, nas forças de alguma divindade que, pretensamente, a tudo e a todos conduz. Poderia ajudar a valorizar mais a figura do empreendedor individual. O brasileiro cultua o antiplanejamento, o “deixa a vida me levar”. A disseminação de uma cultura empreendedora nas escolas poderia modificar esse hábito de deixar tudo por conta do acaso. O empreendedorismo formaria jovens dotados de mentes mais atentas nas oportunidades, com visão de futuro e muito mais planejadoras.



 

A educação é o único caminho para criar uma sociedade mais empreendedora no Brasil. O processo é lento. O potencial empreendedor é enorme, mas está latente. É hora de criar novos motores para os negócios. É tempo de despertar os jovens para uma nova maneira de viver. É hora de formar uma nova geração de brasileiros. É tempo de disseminar a educação empreendedora desde o ensino fundamental, até o superior. 




 

Julio Tannus é consultor em Estudos e Pesquisa Aplicada, co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier) e escreve no Blog do Mílton Jung, às terças-feiras.