Educação jogada na sarjeta das escolas

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

O Morumbi é dos bairros paulistanos o que abriga uma das maiores concentrações escolares da cidade. São mais de 50 estabelecimentos de ensino. Na grande maioria entidades privadas que figuram entre as mais elitizadas do país.

 

As escolas públicas, embora em minoria, não desapontam em presença, pois há ruas como a Dr. José Carlos de Toledo Piza que abriga duas entidades. A Escola Estadual Maria Zilda Natel e a Escola Estadual Profa. Etelvina de Gois Marcucci.
E é justamente nessa rua e na frente das respectivas escolas que recebemos a informação, ilustrada em fotos, do deprimente cenário de apostilas dilaceradas e jogadas na sarjeta.

 

O fato e a foto certamente podem ser analisados sob diversos ângulos, sociais e psicológicos. Entretanto, a evidência que reclama e exige uma providência é a reação que deveria haver e, aparentemente, não houve por parte das escolas responsáveis pelos autores desta agressão aos livros didáticos.

 

Segundo os moradores da vizinhança, não é o primeiro ano que isto acontece e as apostilas ficaram no local sem que houvesse uma remoção imediata.

 

O ignóbil desta atitude de quem destruiu os livros é que, justamente, o meio pelo qual as diferenças podem diminuir entre as classes sociais e culturais em contenda foi o alvo do ataque: os livros.

 

É hora e é tempo de uma atitude das autoridades competentes, pois as agressões de uma forma geral estão elegendo os prédios escolares, os professores, os colegas e agora os livros. Que, além disso, ao serem atirados na rua deixarão de transmitir conhecimento para poluir e entupir galerias.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

Conte Sua História de São Paulo: amigos há mais de sessenta anos

 


Por Ivani Dantas
Ouvinte-internauta da rádio CBN

 


 

 

Nasci em 1951, no bairro de Santa Terezinha, no alto de Santana. Cresci ralando os joelhos e cotovelos nas corridas de pega-pega, de estátua, lenço atrás, pulando corda, em meio a outras brincadeiras de rua e de quintal.

 

Aos amigos de infância se juntaram os amigos do colégio, depois os namorados – hoje maridos. Até o colegial, alguns de nós estudávamos no CEDOM, escola estadual, de referência na época. Um privilégio, uma grande conquista. Tínhamos o melhor ambiente que se poderia desejar, e  para nós, Colégio era sinônimo de diversão.

 

A vida foi passando e a nossa TURMA, sempre unida, se divertia indo ao cinema, teatro, a shows dos maiores nomes da MPB – que frequentávamos sob o clima tenso da ditadura militar. Nós meninas, costumávamos andar abraçadas, cantando paródias de músicas religiosas, marchinhas e outras bobagens. Trocávamos cartas que, vistas anos depois, não tinham lá muito conteúdo, mas falavam da importância que tínhamos umas para as outras – e outros também. Falávamos de nossas fossas, das vivências, do quanto estávamos tristes, felizes, frustrados, inseguros, igualmente; tentando nos conhecer e também ao mundo que se abria à nossa frente. Enfim, aprendendo a crescer.

 

Namoros, paixões, alegrias e tristezas permearam os tempos. Casamentos, filhos, apertos, apelos… e chegamos aos dias de hoje, com um número bem grande de agregados e derivados.

 

Filhos crescidos, até netos crescidos e continuamos amigos, juntos, ainda que por circunstâncias sejam menos freqüentes  os encontros, mas quando ocorrem, têm sempre a intensidade dos velhos tempos. O sabor das festinhas, das viagens que fizemos juntos, das risadas, até hoje nos trazem muitas alegrias.

 

Amigos, compadres, padrinhos de casamento, nos bons e nos outros não tão bons momentos, temos a certeza de que somos um “case”, quase inacreditável de amizade, que começou há mais de sessenta anos e seguiu vida afora, paralelamente. Não temos dúvida de que a nossa TURMA já se tornou uma “instituição”, um mito, uma lenda feita de sílabas: Má, Rô, Su, Rê, Li, Zê, Sé, Lu, Sô, Gu, Cri, e eu, a “Ivan”, Vanzinha ou Vazóca, como cada um, do seu jeito, carinhosamente me chama.

 

Nossas histórias – hilárias – formam um belo exemplar de livro da vida. Se não no papel, com certeza em nossos corações.

 

Ivani Dantas é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade. Envie seu texto para milton@cbn.com.br.

Conte Sua História de SP: atravessava a rua sonhando estar a caminho da escola

 

Por Rosmari Ghellery

 

 

No Conte Sua História de São Paulo, o texto da ouvinte-internauta Rosmari Ghellery:

 

Cheguei em São Paulo aos quatro anos de idade e desci na estação da Luz.

 

Minha primeira recordação é do Jardim da Luz com suas árvores imensas e suas alamedas sombreadas.

 

Fomos morar na Vila Esperança, em frente a uma escola primária que abrigava meus sonhos de aprender. Ficava próxima a estrada São Miguel, na época apenas uma rua comprida e asfaltada, onda havia um guarda de nome Senhor Luis, que era o encarregado de atravessar as crianças da escola, na perigosa travessia da estrada.

 

Recordo-me com carinho quando, de tanta insistência de minha parte, ele também me atravessa para lá e para cá, acolhendo meu sonho de menina de ser igual as outras crianças que frequentavam a escola.

 

Mudamos para o bairro da Penha e, finalmente, pude ser matriculada na escola estadual Santos Dumont. Foram quatro anos de magia do aprendizado.

 

Consegui bolsa para estudar no Liceu Santo Afonso, onde concluí o secundário. E de lá para o Ateneu Rui Barbosa, para a formação no científico.

 

Na época, as escolas participavam dos desfiles cívicos com fanfarra e porta bandeira, deixando em todos os alunos a sensação de orgulho por serem todos brasileiros.

 

Bairro bom e generoso, com suas ladeiras, suas festas religiosas, e as procissões em louvor a Nossa Senhora da Penha.

 

Aos 15 anos, consegui meu primeiro emprego … quanta alegria ao receber o primeiro pagamento e entregar para mamãe. A sensação foi tão boa que nunca mais parei de trabalhar.

 

Aprendi a tomar ônibus e saí para conquistar São Paulo.

 

Que cidade linda, movimentada, pujante! Rua Direita, viaduto do Chá, praça da República … quanta beleza e alegria no ir e vir das pessoas.

 

Havia a linha de ônibus Penha/Lapa, que cruzava São Paulo e atendia a maioria das pessoas. Ônibus lotado, com horário certo para a saída, confiável para quem precisava trabalhar.

 

Recordo-me do bar Brahma, do som de piano, acompanhando o chope sempre bem tirado; da Liberdade com sua diversidade cultural; da Paulista, centro febril de desenvolvimento financeiro.

 

São Paulo com seus lindos prédios, inúmeras possibilidades de emprego, capaz de abrigar todos os sonhos … e que abrigou e acolheu os meus!

 

 
Rosmari Ghellery é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Claudio Antonio. Conte você também mais um capitulo da nossa cidade: escreva para milton@cbn.com.br.
 
 

Conte Sua História de SP: o cineminha no refeitório da escola e o achocolatado de graça

 

Por Clênio Caldas

 

 

Minha história se passa nos anos de 1950, na rua Dona Júlia, na Vila Mariana, onde se localizava o então Grupo Escolar Marechal Floriano. Ali, estudávamos no curso primário sob a orientação das professoras Maria da Glória, Ana e Júlia. Foram nossas dedicadas mestras, como também educadoras conscientes e responsáveis com os garotos para as quais nossos pais nos entregavam. A classe era somente de meninos. As meninas ficavam em outra ala do prédio.

 

Foram anos tranquilos e proveitosos, prova do alto grau de conceito das escolas estaduais e do quilate dos professores que nos ensinavam com zelo e carinho.

 

Cenas pitorescas, todavia, não deixavam de ocorrer.

 

Houve o garoto que comprou o pirulito e, sem ao menos saboreá-lo, quebrou-o no pátio da escola para ver se a haste estava premiada. Foi advertido pelo rigoroso inspetor Trivino devido o desperdício cometido.

 

Lembro de alunos em pranto ao fim da aula por não notarem a presença dos pais que, atrasados, demoravam a aparecer.

 

Tinha o medo generalizado da molecada nos dias em que todos passávamos pela “revisão dentária” na temida e apavorante cadeira do dentista, em uma das salas da diretoria separada especialmente para isto.

 

Havia dias festivos e felizes, também, especialmente quando eram suspensas as aulas para que todos aproveitassem o “cineminha” no refeitório, apinhado de meninos e meninas, ávidos por assistirem às trapalhadas de “O Gordo e o Magro”. E mais: com direito a amostra grátis do achocolatado Vic Maltema, com o jingle cantado a plenos pulmões por uma gurizada alucinada de felicidade!

 

Ao deixarmos a escola, encontrávamos o Sr. Osvaldo, o guarda civil que com um sorriso singelo e terno, exalando simpatia e confiança, nos conduzia em segurança para atravessarmos a já movimentada Domingos de Morais. Lá do outro lado, pegamos o ônibus ou embarcáramos no bonde que nos levava para casa.

 

Lembrança de uma São Paulo ainda pacata mas em pleno desenvolvimento, com seus momentos singelos e deliciosos, marcados na memória, que permanecerão para sempre em um cantinho especial de muita saudade!

 

O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar, aos sábados, logo após às 10h30, no programa CBN SP, da rádio CBN. A sonorização é do Cláudio Antonio e a narração de Mílton Jung

Conte Sua História de SP: o primeiro dia de aula, no Rio Pequeno

 

Por Samuel de Leonardo

 

 

“II Grupo Escolar do Bairro do Rio Pequeno”

 

“São Paulo, 11 de fevereiro de 1963”

 

Após nos posicionarmos em fila e ter entoado o Hino Nacional defronte ao prédio localizado na antiga Estrada Quatro ainda sem asfalto, atual Avenida José Joaquim Seabra, no Bairro do Rio Pequeno – Butantã, adentramos a sala de aula. Com o giz branco Dona Lurdinha (Maria de Lurdes Reis da Costa – nunca esqueci o seu nome) desenhara essas letras no quadro negro. Assim, numa tarde de verão, teve início o meu primeiro dia de aula naquela escola. Na verdade até então não sabia ler, mas a dedicada mestra explicou em detalhes às crianças o que traçara no quadro negro.

 

Ainda assustado com a novidade, trajando camisa branca, calça curta azul-marinho e calçando o novo Conga azul chegara a minha vez e, todo nervoso e sem jeito, apresentei-me balbuciando meu nome, confundindo-me com o Tute, apelido dado pelos meus avós paternos e o meu legitimo nome, Samuel.

 

A estrutura do prédio era todo de madeira. Dois galpões em tom azul desbotado pelo tempo, sobrepostos em pequenas colunas de tijolos à vista que comportavam duas salas de aula. O teto não tinha forro e podiam-se notar as robustas vigas cruzadas sustentando o telhado de amianto e as janelas enormes apresentavam algumas vidraças quebradas, talvez por pedradas.

 

Dispostas em fileiras carteiras duplas de madeira já desgastadas pelo tempo acomodavam a todos. À frente uma pequena mesa e uma cadeira destinada à professora, ao fundo dois armários que um dia foram envernizados completavam o mobiliário. Nota-se que o desmazelo das autoridades com a educação já se fazia presente.

 

Naquele dia nossa primeira atividade foi desenhar pequenos círculos até completar a folha. Caderno aberto sobre a carteira, lápis na mão e as “bolinhas” irregulares iam se distribuindo sobre as linhas. Então com toda a paciência do mundo nossa professorinha passou pelas carteiras elogiando a arte de cada um.

 

De repente ouve-se o tilintar da sineta tocada pelas mãos da servente, assim era denominada aquela que ainda não chegara a bedel. Hora do recreio, algazarra em profusão no enorme terreiro empoeirado a céu aberto que circundava o imóvel. Não havia muros para delimitar onde terminava a escola e começava o imenso matagal morro acima. Uns corriam para os banheiros situados nos fundos da escola, outros devoravam a lancheira. Para os que não trouxeram merenda era só descer até a pequena cozinha, única edificação de alvenaria posicionada à entrada daquela construção rústica, e apanhar um kit.

 

Enquanto os meninos corriam de um lado a outro no pega-pega, as meninas brincavam de roda ou pulavam amarelinha.

 

Novamente o tilintar da sineta, hora da segunda parte.As crianças voltaram ofegantes, suados e descabelados, alguns com os uniformes manchados por algum alimento. Eu não poderia ficar para trás, sujara a camisa branca de terra e com certeza seria repreendido pela minha mãe.

 

Agora na outra folha do caderno Dona Lurdinha pedira que desenhássemos um sol, depois uma árvore e uma casinha. Barbada, desenhar era comigo mesmo.

 

Antes que tocasse pela última vez a sineta daquele dia, ela escreveu na lousa “lição de casa”. Os meninos deveriam trazer uma folha de alguma planta qualquer, enquanto que as meninas uma flor de acordo com a preferência de cada uma.

 

Anos mais tarde após os dois galpões serem criminosamente incendiados, naquele lugar o governo construiu um belo complexo educacional com classes modernas, uma quadra e um ginásio poliesportivo coberto. Durante o dia fora batizado de Escola Estadual Daniel Paulo Verano Pontes.À noite funcionava o Ginásio Estadual Ministro Américo Marco Antônio, onde conclui o antigo ginasial.

 

Da “lição de casa” e daquela primeira vez eu nunca me esqueci, pena que aquele dia passou como um bólido, assim como rápidos foram as semanas, os meses, os anos.

Empreendedorismo: desenvolva a consciência empreendedora nos estudantes

 

 

Nesta quarta-feira, tive oportunidade de entrevistar no Mundo Corporativo, Wilson Risolia, líder da Falconi Educação, que se dedica a desenvolver projetos de gestão em instituições de ensino, públicas e privadas. A conversa vai ao ar em breve, no Jornal da CBN, mas quem teve oportunidade de assistir ao vivo pela internet, seja no site da CBN ou na transmissão pelo Facebook, deve lembrar que uma das últimas questões foi relacionada ao currículo escolar.

 

Risolia, que foi secretário estadual de Educação no Rio de Janeiro por quatro anos, lembrou-me que um dos grandes desafios dos gestores de educação é incluir as 12 matérias obrigatórias em uma grade com apenas 4 horas de aula por dia, ou seja, 20 horas semanais. Por isso, sempre que alguém sugere impor algum novo tema aos alunos, devemos pensar como incluir o assunto sem sobrecarregar ainda mais a grade escolar.

 

A resposta de Risolia foi ao encontro do que eu havia falado durante o Papo de Professor, do projeto Pronatec Empreendedor, realizado pelo Sebrae. Em uma das perguntas que tive de responder, o tema proposto era a possibilidade de as escolas, com o apoio de instituições financeiras, privadas e públicas, inserirem a cultura empreendedora para que os alunos se transformassem em protagonistas de sua história.

 

Minha resposta completa você assiste no vídeo acima. Se quiser acompanhar outras questões tratadas no Papo de Professor, clique aqui.

No Conte Sua História de SP: minha primeira redação na escola

 

Por Maurício de Oliveira

 

 

Nasci em 1960, no Bairro de Vila Brasilândia, na rua Virajuba, num cortiço chamado Catimbó. Um bairro marcado pela violência e a criminalidade.

 

Sou o quinto filho numa família de seis: cinco meninas e um menino. Meus pais eram pessoas simples e analfabetas. Minha família era muito pobre e apesar das dificuldades, nunca nos faltou amor.

 

O amor foi determinante na minha criação e educação. Estudei o primário na Escola Municipal Raul Fernandes iniciando em 1968. O Brasil vivia em plena Ditadura. Não existia liberdade de expressão e até o pensamento era censurado.

 

A maior lembrança que tenho da minha escola, aconteceu no 2 º ano primário. A professora disse que aprenderíamos uma lição nova: redação. Podíamos escrever qualquer tema, desde que tivesse começo, meio e fim. Olhei para uma colega de classe e escrevi:

 

“Vera Lúcia, você vai crescer, namorar, casar e ter filhos”.

 

Estava completa a minha redação. Li várias vezes em pensamento antes de entregá-la. Será que isso é redação? – pensei comigo. O aluno da carteira de trás, levantou-se pegou a minha redação e disse em voz alta: – professora, ele terminou a redação!

 

A professora leu e ficou chocada com o texto. Eu não tinha a menor consciência do que havia escrito: – levante-se e me acompanhe até a diretoria.

 

As crianças tinham uma fantasia naquela época. Imaginavam que na escola haviua um quartinho onde vivia uma cobra, quando alguém fazia algo proibido era colocado de castigo lá dentro. A cobra picaria o aluno e a pessoa morreria.

 

O diretor da escola era um tirano, um ditador. Comecei a chorar desesperadamente de tanto medo. Na minha cabeça, imaginava o terror ao qual seria submetido e meus pais não teriam conhecimento. Havia assistido ao filme Cleópatra e me lembro quando ela tirava uma serpente de um cesto cheio de morangos e se suicidava. Pensava que a mesma cobra que matou a Cleópatra iria me matar na escola.

 

Perguntei ao diretor:
– Por que estou aqui na diretoria?
– O que eu fiz de errado?

 

Ele respondeu:
– Você escreveu uma redação de fundo sexual.

 

Para mim, toda linguagem que não fosse compreensível era língua de médico. O diretor me disse que ele não poderia responder a minha pergunta porque eu não tinha idade e capacidade para entender o que era fundo sexual. E me advertiu:

 

– Você ficará em observação por um ano e se escrever outra redação como essa, será expulso dessa escola e não estudará em nenhuma outra escola do bairro, da cidade e do país.

 

Conclui que a professora e o diretor se formaram na faculdade da inquisição. Se eu escrevesse: Vera Lúcia, você irá crescer, envelhecer, ficar doente e morrer, não estaria errado. O erro foi escrever que ela teria filhos.

 

Ainda bem que esse fato não bloqueou a minha capacidade de escrever redação, a ponto de eu estar hoje aqui escrevendo esta história de São Paulo.

 

Maurício de Oliveira é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também a sua história de São Paulo. Escreva para milton@cbn.com.br

Mundo Corporativo: Eduardo Pacheco, da Park Idiomas, fala da vontade de fazer e do ensino de idiomas

 

 

“Hoje apenas de 2 a 2,5% da população brasileira estuda idiomas, enquanto em mercados mais avançados, como a Alemanha e o Japão, o ensino de línguas chega a cerca de 5 a 7%”.Esses números mostram o potencial de crescimento que existe no setor, segundo avaliação de Eduardo Pacheco,presidente da Park Idiomas, em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN. A Park funciona no sistema de franquia e tem cerca de 40 unidades no Brasil. Além das oportunidades de negócio e carreira no mercado de idiomas, Pacheco defende a ideia da necessidade dos profissionais desenvolverem a inteligência volitiva, que está relacionada ao poder de realizar e seria uma das marcas dos grandes empreendedores.

 

O Mundo Corporativo é apresentado às quartas-feiras, 11 horas, no site http://www.cbn.com.br e o programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN. Participam do Mundo Corporativo: Paulo Rodolfo, Douglas Mattos e Ernesto Fosci.

A complexa tarefa de um professor que precisa dar nota aos alunos

 

Cadeira cativa no Canindé #DalheGremio

 

Jornalista não é bom de número (ao menos a maioria de nós). Preferimos as letras e, por isso, na escola, nos dedicamos às humanas. Isso não significa que no cotidiano da profissão estaremos livres de manipular dígitos e tratar das desumanidades que as notícias contam. Digo isso, desde início, para deixar claro que qualquer análise errada que faça sobre o fato que irei relatar agora talvez esteja relacionada a esta minha incompreensão da matemática.

 

Um estudante, desde o primeiro ano na escola, foi merecedor de medalhas de honra ao mérito, título oferecido àqueles que conseguem, no mínimo, nota 8 em todas as matérias, ao fim da temporada. Este ano, porém, ao concluir o ensino médio – que eu teimo em chamar de 2o. Grau – após 12 anos na mesma instituição de ensino, não se capacitou para a honraria, pois, em uma das matérias ficou com média 7,87. Apesar de todas as demais terem ficado acima do 8 exigido nas regras internas da escola, a falta de 0,13 ponto em uma delas o impediu de voltar a receber o prêmio.

 

Quando estive na escola, nas décadas de 1970 e 1980, as notas não eram números, eram letras. Se ainda lembro bem, os conceitos variavam entre Ótimo, Bom, Regular e NS – sigla do temido Não Satisfatório, que insistia em aparecer no meu boletim escolar. Num ano em especial, o NS dominou a grade, o que me levou a repetir. Foi na 7a. série do Primeiro Grau, hoje Ensino Fundamental. Foi duro contar em casa a notícia, apesar de todos já estarem esperando-a pois acompanhavam de perto meu (mau) desempenho. Conto hoje essa história com muito mais tranquilidade pois tantos anos depois sei que aquela reprovação não deixou sequelas.

 

Os conceitos em forma de letras parecem mais subjetivos, mesmo que sejam baseados em notas tiradas nas provas e no desempenho em sala de aula. Existem muitas variantes para incluir um aluno na categoria dos ótimos, assim como taxá-lo de regular, por exemplo. Parece-me mais justo para os estudantes e mais simples para os professores que podem trabalhar com uma margem de erro aceitável, afinal estamos falando de seres humanos que tem sua diversidade e são tomados de emoção.

 

Já os números são objetivos e cruéis: imagine a dificuldade para o mestre diferenciar um aluno 6,5 de um 6,75, ou saber quando um merece 8 e o outro 8,1. O que representaria 0,1 décimo (ou 0,13) de sabedoria a mais para um jovem? Conhecer o nome de todas as capitais brasileiras em ordem alfabética, sem pestanejar – se pestanejar vira 8, piscou duas vezes 7,9; ou fazer as equações mais rapidamente do que os outros; ou usar ponto e vírgula em seus textos, enquanto os colegas se limitam ao ponto e a vírgula. Sei lá como os professores se saem diante desse desafio. Ainda bem que decidi ser jornalista e não ter de resolver situações complexas como essas. De vez em quando até somos obrigados a dar notas para o desempenho de jogadores de futebol ou de gestões públicas, mas nossa falta de precisão não costuma causar muitos estragos.

 

Coloque-se agora diante da situação enfrentada pelo professor que teve o dever de julgar o desempenho de um aluno que por 11 anos foi honra ao mérito na escola e, no último, havia alcançado notas que superavam a média 8 em todas as matérias, menos na dele. Deixar-se levar pela frieza de um número – no caso 0,13 – que tiraria de um jovem a satisfação do prêmio ou reavaliar o desempenho geral do aluno, pesar seu histórico e lhe oferecer a oportunidade da conquista final? Prezar pela precisão das exatas ou cultivar a subjetividade das humanas?

 

O professor, calculista, apesar de ser da área de humanas, preferiu o caminho reto dos números. Para ele não havia dúvida, seu aluno era um 7,87, jamais um 8. O estudante, pelo que soube, sequer reclamou pois já havia aprendido a lição: para a sua história, que está apenas começando, tudo isso era muito insignificante – quase um 0,13.

Entre os muros da escola: “todos fomos alunos um dia”

 


Por Biba Mello

 

FILME DA SEMANA:
“Entre os Muros da Escola”
Um filme de Laurent Cantet .
Gênero: Drama.
País:França

 

 

François Marin é um professor de literatura que dá aula em uma escola da periferia para alunos de 13 a 15 anos de diferentes etnias.Os conflitos entre alunos e professores é constante pois existe um abismo cultural entre eles, os alunos possuem uma agressividade e indisciplina por motivos diversos, a escola não ajuda pois tem uma estrutura que não proporciona o desenvolvimento de suas potencialidades, mas este professor vai surpreender.

 

Por que ver: O filme é de um realismo tão absurdo que me fez parar para pesquisar no Google e ver se não se tratava de um reality, apesar das cenas terem evidência de construção cinematográfica, com posicionamento de câmera, distância focal e angulação. A interpretação apresenta uma verdade absoluta com ausência, ou total presença de interpretação, sendo estes atores excelentes e muito bem dirigidos e em nenhum momento perdem o timing e a verdade da cena.

 

Além de tudo isto, ele não é um filme só “cult” ou só de “entretenimento”. É um filme completo, que nos diverte, enquanto nos leva à discussões importantes. O assunto é universal; todos fomos alunos um dia. Algumas discussões serão abertas e dificilmente fechadas…Lições de tolerância e amor aprendidas…
Atenção amantes de “Transformers”: este NÃO é um filme chato!!!

 

Como ver: Acho que a melhor resposta seria, QUANDO ver… Logo que receber o boletim com notas vermelhas de seu filho… Assim, como este professor, você poderia se aceitar como um herói com falhas ao se perguntar: “meu Deus onde eu errei?”.

 

Quando não ver: bom, não existe este “quando não ver”…Veja com seu filho, logo que receber o fatídico boletim, abra a discussão, jogue a bola para ele e tente entender o porquê o amado idolatrado salve salve filho, não estuda, ou não entende a porcaria da matemática, português, geografia…etc…etc…etc…

 

Até semana que vem querido leitor!
Boa Sorte!

 


Biba Mello é diretora de cinema, blogger e apaixonada por assuntos femininos. Aqui no Blog do Mílton Jung, nos ajuda a programar a vida a partir do cinema