Avalanche Tricolor: BaitaWaite!

Grêmio 5×0 Pelotas
Gaúcho – Arena Grêmio, Porto Alegre RS

Foto: Lucas Uebel

Martin Braithwaite chegou ao Grêmio no ano passado com uma tarefa ingrata: substituir Luis Suárez — afirmação que dispensa explicação. O dinamarquês logo chamou atenção do torcedor, assim como dos colegas e jornalistas que acompanham o dia a dia do clube. Seu comprometimento com o time era evidente dentro e fora de campo — e olha que o atacante pegou o Grêmio em uma temporada bem complicada.

Partida após partida, Braithwaite, aos 33 anos, tem se revelado melhor e maior. Está longe de ser aquele centroavante que fica cravado entre os zagueiros à espera de uma bola para decidir o jogo. Desloca-se o tempo todo, comanda o ataque e orienta o meio de campo. Leva os zagueiros de um lado para o outro, abrindo espaço para os companheiros na área. Assim como cede a bola nas assistências, também surge para recebê-la em condições de chutar ao gol. Também bate bem pênalti como vimos no fim de semana, no Gre-Nal.

Antes do primeiro gol gremista, nesta terça-feira à noite, Braithwaite já havia propiciado dois ou três lances interessantes com passes velozes e talento no toque de bola. Os dois gols que ele marcou, sacramentando a vitória gremista ainda no primeiro tempo, demonstraram outra qualidade do atacante: o tempo certo para saltar e se impor sobre os zagueiros na bola aérea. Fez os dois gols de cabeça depois de receber cruzamento qualificado de Edenílson.

O início de temporada de Braithwaite nos permite ter esperança de que o ano seja promissor, à medida que Gustavo Quinteros ajuste a movimentação da equipe, especialmente no meio de campo, e equilibre o ataque, que tem funcionado melhor pelo lado direito.

Independentemente do que venha por aí, arrisco dizer que esse dinamarquês, com visual de viking e movimentação de craque, é um BaitaWaite — com o perdão do trocadilho.

Mundo Corporativo: participação feminina cresceu quase 500% em 13 anos no programa

Kátia Regina, da Nestlé, foi uma das mulheres entrevistadas Foto: Priscila Gubiotti

No sábado (01.02), o Mundo Corporativo estará de volta com entrevistas inéditas, marcando a abertura da temporada 2025. Ainda nesta semana, retomo as gravações para este que é o mais longevo programa de rádio sobre carreiras, gestão, liderança, empresas e empreendedorismo. No ar há 23 anos, sendo os últimos 14 sob minha direção, já conduzi mais de 600 entrevistas — por minha conta e risco, e, claro, sob a supervisão do jornalismo da CBN. Nesse período, conversei com CEOs, empreendedores, criadores e consultores, acompanhando as transformações do mundo corporativo.

Nosso objetivo sempre foi refletir as mudanças nas organizações, trazendo os temas mais relevantes para o mercado de trabalho. Entre eles, a crescente participação feminina e a importância da diversidade e equidade nas empresas. 

Mas foi apenas em 2019 que me dei conta de que o Mundo Corporativo ainda não refletia, na prática, as transformações que discutíamos no programa. Até então, a maioria dos entrevistados eram homens brancos, o que espelhava a realidade das empresas: um mercado dominado por lideranças masculinas.

Identificada a desigualdade, busquei entender suas causas. Como programa tem relevância, recebemos muitas sugestões de entrevistas, com profissionais altamente qualificados. No entanto, uma conta simples mostrava que, a cada dez indicações, oito eram de homens e apenas duas de mulheres. Era com base nesse elenco que fazíamos nossas escolhas. Ou seja, a lista era enviesada.

Diante disso, decidimos agir. Se as empresas e agências de comunicação ainda não nos conectavam com as CEOs, empresárias, empreendedoras, conselheiras e consultoras, nós iríamos buscá-las.

Hoje, quando temos um tema que nos interessa e a escolha for entre um homem e uma mulher, optamos pela mulher. Jamais abriremos mão da excelência. Jamais. Porém, por muitos anos, os homens foram os privilegiados nessa escolha.

A partir daquela decisão, o Mundo Corporativo começou a mudar. E os números mostram a transformação.  

Em 2019, entre os entrevistados, 35 eram homens e apenas 8 mulheres — um desequilíbrio de 81% contra 19%. 

Em 2020, a mudança começou: 30 homens e 14 mulheres (68% a 32%). 

O avanço mais expressivo ocorreu em 2023, quando as mulheres superaram os homens pela primeira vez: 24 entrevistadas contra 21 entrevistados, uma inversão da tendência anterior, com 53% de participação feminina. 

Em 2024, o equilíbrio se manteve: fechamos 29 entrevistas com mulheres e 26 com homens (52,7% a 47,3%).

Essa evolução reflete um esforço contínuo para ampliar a representatividade e enriquecer o debate corporativo. Desde que assumi a apresentação do programa, em 2011, a presença feminina cresceu 480%. 

Ao mesmo tempo que comemoro o resultado com toda a equipe de produção do Mundo Corporativo, é preciso reforçar: essa mudança não é um favor às mulheres. Tampouco uma concessão. É uma correção de rota. Transformações como essa só acontecem quando reconhecemos nossos vieses e nos propomos a agir. 

E a diversidade não pode se limitar ao gênero. É preciso ampliar ainda mais esse olhar, promovendo maior inclusão racial e étnica para que o espaço seja verdadeiramente plural — onde talento e competência definam quem ocupa cada posição. 

Não por acaso, a entrevista que marca o início da temporada 2025 será com Carlos Humberto, CEO da Diaspora.black, empresa que desenvolve o afroturismo e incentiva a incorporação da diversidade e inclusão no ambiente corporativo. Um tema que se torna cada vez mais urgente para atender às demandas das novas gerações.

Avalanche Tricolor: Grêmio joga leve, vence bem e até o cusco dá show

Grêmio 3×0 Monsoon
Gaúcho – Estádio do Vale, Novo Hamburgo (RS)

Foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Antes de mais nada, meu protesto: jogo do Campeonato Gaúcho às dez da noite de uma quarta-feira deveria ser proibido — especialmente se esse jogo é sempre do seu time.

Ainda bem que o Grêmio tornou menos árdua a tarefa de assistir à partida até depois da meia-noite. E o fez jogando um futebol leve, com boa movimentação no ataque, troca de passes eficiente e uma defesa segura. Até chegou a assustar o torcedor nos primeiros segundos, com a falha de marcação do estreante Cuéllar, mas o gol não saiu porque o atacante adversário estava impedido.

A partir daquele instante, o Grêmio colocou a bola no chão e, mesmo com um time bastante modificado em relação à partida anterior, esboçou o estilo de jogo que Gustavo Quinteros busca nesse começo de trabalho. Sem cair na ilusão típica de início de temporada, arrisco dizer que nosso técnico está moldando um time mais bonito e produtivo do que no ano passado, mesmo com um elenco aparentemente mais enxuto.

É cedo para uma análise definitiva — especialmente vinda de mim, mais torcedor do que entendedor. Sabemos que o time precisa de reforços, principalmente na defesa. Também falta enfrentar adversários mais qualificados para um teste real. Mas o fato é que, até aqui, o Grêmio tem entregado bons resultados com bom futebol.

Arezo marcou seus dois primeiros gols com a camisa tricolor; Monsalve mostrou qualidade no toque de bola no meio de campo; Edmilson jogou intensamente; Aravena se movimentou bem, apesar de desperdiçar algumas chances; André Henrique deu sinais de que pode ser um jogador importante para o grupo e ainda deixou o dele. E teve também Gabriel Mec, estreando no time principal aos 16 anos.

Tudo isso faz valer a pena dormir apenas quatro horas antes de encarar a quinta-feira de trabalho.

Ah, e não podemos esquecer: três jogos sem sofrer gols e, de quebra, a diversão de ver um cusco driblando jogadores e gandulas ao invadir o campo no primeiro tempo.

Conte Sua História de São Paulo: o parque do Ibirapuera é vital

Fábio Caramuru

Ouvinte da CBN

Vista do Lago do Ibirapuera

Um lugar muito importante, muito especial na cidade, que está ligado à minha história inteira é o Parque do Ibirapuera. Acho esse lugar uma coisa impressionante. 

Desde os dois, três anos de idade, eu já vivia no Ibirapuera. Meus pais me levavam para passear; nós morávamos relativamente perto – não tão perto quanto eu moro hoje. Agora, moro a 500 metros ali do portão da Quarto Centenário. 

A minha ligação com esse Parque, por uma coincidência, sempre esteve presente, na maior parte da minha vida. Já morei perto do Parque duas vezes – uma agora e outra quando o Pedro, meu filho, nasceu. 

Para mim o Ibirapuera é algo vital. Passo quase diariamente em frente; vou correr. Tenho uma ligação afetiva muito grande com o Ibirapuera. 

Então, presenciei toda a evolução desse importante símbolo de São Paulo, que foi criado em 1954. Não tinha nascido, mas desde criança venho frequentando. o local. Faz parte da minha vida. 

Outro ícone importante é o Aeroporto de Congonhas, que, juntamente com o parque, tenho documentado em várias fotos da infância, nas quais revejo meu pai me levando a esses lugares. O  Aeroporto, quando eu era pequeno, era um passeio; todo aberto… Não era como é hoje, envidraçado e formal.

Ir para Congonhas era uma alegria, como ir num parque de diversões, e podíamos ver as decolagens, as chegadas. Você ficava muito próximo dos aviões. Os passageiros desciam na pista; tinha apenas uma gradezinha que separava o público dos passageiros. Era bem diferente do que é hoje.

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Fábio Caramuru é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva agora o seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br e o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Avalanche Tricolor: uma carta à Dona Eliane Geromel

Geromel se despede do Grêmio Foto: reprodução GZH

Dona Eliane:

Foi seu o abraço mais inusitado que recebi e retribuí em todos os meus tempos de arquibancada. Estávamos em Al Ain, nos Emirados Árabes Unidos, e Everton havia marcado um golaço que nos levaria à final do Mundial de Clubes, em 2017. Todos corremos alucinados para comemorar o feito e, entre o choro imediato com os meus filhos e o agradecimento aos céus, nosso abraço se encontrou. Não nos conhecíamos pessoalmente; havia ali apenas o manto tricolor nos unindo em celebração.

Passado o primeiro instante de êxtase, você se apresentou como ouvinte do meu programa de rádio e mãe de Pedro Geromel — foi essa a ordem que escolheu para justificar o abraço entre desconhecidos, como se a felicidade de um gol daquele tamanho precisasse de explicação. Sua fala tornou-se um troféu particular para este torcedor. Claro que tê-la como ouvinte me envaidece; mas ser abraçado pela mãe daquele que mais admiramos e respeitamos nesses anos todos era demais para o meu coração tricolor.

Poucos jogadores fizeram por merecer tanto respeito do torcedor — os nossos e os adversários — quanto Geromel. Ele se fez líder pela personalidade entre os colegas; se fez ídolo pela performance em campo; se fez mito ao nos proporcionar os títulos mais importantes deste século; e se fez humano pela conduta íntegra e pelo comportamento irretocável, mesmo nos momentos mais difíceis que vivemos. Ele se tornou próximo com um sorriso sincero e uma fala genuína que destoam daqueles moldados pelo marketing e pelo uso exagerado das redes sociais.

Gustavo Poli, comentarista esportivo do jornal O Globo, escreveu certa vez, e eu anotei no caderninho que tenho sobre a mesa:

“Entre o homem e o ídolo há uma distância que não queremos percorrer. Porque o ídolo é nosso amor íntimo, um parente próximo. Nos abraçamos ao ídolo. O ídolo nos move e emociona. O ídolo não tem os defeitos do homem. Entre o homem e o ídolo existe a realidade — mas no futebol, a realidade comezinha importa menos. Para o torcedor, a realidade acontece entre quatro linhas.”

A definição é perfeita para os ídolos. E quantos temos no futebol. Ídolos que admiramos pelo que fazem em campo, não pelo que representam fora dele. Mas Geromel transcende essa descrição. Por isso o chamamos de GeroMito. E se assim o é, dona Eliane, isso tem muito a ver com a forma como Geromel — que imagino ser apenas o Pedrinho, na casa da Vila Mariana — foi educado e preparado para a vida pelos pais.

Pode parecer coincidência estar escrevendo esta carta a uma mãe no domingo em que, na Igreja Católica, celebramos Nossa Senhora da Imaculada Conceição, um momento de veneração à mãezinha que, além de ter sido submetida a um dom sobrenatural, seguiu o Cristo de modo perfeito, como na oração que ecoa nas igrejas em 8 de dezembro. Jung, o psiquiatra, defendia que não existem casualidades, mas uma força do universo que atua para que os fatos se expliquem de maneira racional. Ter assistido à despedida de Geromel, neste domingo, me inspirou a ousar escrever este texto – especialmente depois de vê-la em campo ao lado do marido, dos filhos, da nora e dos netos. 

Dona Eliane, Geromel se eternizou no coração de todos nós, torcedores gremistas. E você — que tomei a liberdade de não chamar de senhora por imaginar que sou mais velho — foi primordial para que essa história se realizasse. Se um dia Maria foi convocada por Deus para conceber Jesus, a você coube a missão de nos dar Geromel.

E, assim como Maria entregou ao mundo o maior exemplo de amor e sacrifício, a senhora, dona Eliane, nos entregou um homem que, embora mortal, nos ensinou o que é ser eterno no coração de um povo. Não apenas pelo que fez dentro das quatro linhas, mas pelo que representou fora delas. Geromel não é apenas um ídolo; é um símbolo de tudo que desejamos ver no futebol e, mais ainda, na vida.

Enquanto o apito final ecoava no estádio e a torcida gritava seu nome, percebi que não estávamos nos despedindo de um jogador, mas celebrando uma lenda que escolheu caminhar ao nosso lado. Seu legado ficará em cada faixa hasteada, em cada canto entoado e no brilho emocionado dos olhos de quem teve a sorte de vê-lo jogar.

Por isso, obrigado, dona Eliane, por ter permitido que o Pedro, aquele menino da Vila Mariana, se tornasse o nosso Geromel. Hoje e sempre, ele será um pedaço de todos nós. E aquele abraço que trocamos, no calor de um gol histórico, simboliza o que Geromel é: um laço eterno entre a paixão e a gratidão.

Com carinho,
Um torcedor que, como tantos, nunca se esquecerá da família Geromel.

Mílton Jung

Avalanche Tricolor: sem ilusões

Vitória 1×1 Grêmio
Campeonato Brasileiro – Barradão, Salvador-BA

Gremio x Vitoria
Foto: Lucas Uebel/GremioFBPA

A escapada pela direita, com o passe de calcanhar de Pavón e a chegada rápida seguida pela conclusão certeira de João Pedro, foi o único momento de brilho da equipe do Grêmio nesta noite em Salvador. Em um jogo que serviu apenas para cumprir tabela, o lance trouxe uma breve faísca de criatividade em uma temporada marcada por dificuldades.

Os narradores bem que tentaram instigar o torcedor com a remota possibilidade de conquistar uma vaga na pré-Libertadores. Uma improvável combinação de duas vitórias nas rodadas finais e tropeços dos adversários poderia abrir essa janela. Mas, para quem passou boa parte do campeonato lutando contra o rebaixamento, seria otimismo demais acreditar em tal cenário.

Não assisti ao jogo com essa ilusão, assim como não me iludi com o gol assinalado no primeiro tempo. A campanha no campeonato, marcada por atuações inconsistentes e falhas defensivas recorrentes, deixou claro que somos incapazes de sustentar uma vitória com segurança. Quando o gol de empate veio no segundo tempo, em uma cabeçada certeira do adversário, apenas confirmou o que já era esperado.

Agora, o Grêmio retorna a Porto Alegre para encerrar a temporada diante de um adversário em excelente fase, com disposição ofensiva que promete grandes desafios. Dada a fragilidade que temos demonstrado ao longo do campeonato, vou para essa partida final sem nutrir ilusões de garantir sequer a vaga na Copa Sul-Americana do próximo ano.

Resta torcer para que, ao menos, tenhamos aprendido algo com tantas dificuldades enfrentadas. Mas, confesso, nem mesmo essa esperança me parece plausível.

Avalanche Tricolor: faltam duas partidas, posso pedir só mais uma coisinha?

Grêmio 2×1 São Paulo
Brasileiro – Arena Grêmio, Porto Alegre/RS

Cristaldo comemora o primeiro gol Foto: Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Quase 40 mil torcedores lotaram a Arena do Grêmio na tarde deste domingo, em Porto Alegre. Sobre o que eles viram lá na arquibancada – e eu, cá em casa –, quem melhor resumiu foi Sérgio Xavier, comentarista da SporTV: no primeiro tempo, o Grêmio foi o time que queríamos ver ao longo deste ano; no segundo, foi o time que, infelizmente, tivemos na maior parte da temporada.

Na etapa inicial, o Grêmio exibiu o futebol que sempre desejamos: pressionando a saída de bola, sem dar espaços ao adversário, roubando a posse e tocando com rapidez e precisão, aproveitando o deslocamento dos companheiros. O ataque foi intenso, e a defesa, segura. Foi assim que o time construiu sua vitória parcial: Cristaldo abriu o placar e, em seguida, um gol contra, fruto da pressão ofensiva, ampliou a vantagem. Tudo funcionava.

No segundo tempo, os fantasmas que nos atormentaram durante o campeonato reapareceram. O Grêmio recuou, permitiu que o São Paulo dominasse o jogo, trocasse passes e, com uma facilidade que nos custou caro ao longo da temporada, chegasse ao gol. Sofremos um gol em uma falha de marcação na entrada da área, após escanteio, e, dali em diante, foi tensão até o apito final. Desta vez, ao menos, conseguimos segurar o resultado, que, embora não nos livre do rebaixamento, nos coloca em uma posição privilegiada na luta contra os adversários da parte de baixo da tabela.

Se o time oscilou, Geromel, não. Em sua penúltima partida na Arena, vestindo a camisa do Grêmio, o zagueiro foi impecável. Antecipou-se aos atacantes, desarmou com precisão e neutralizou os cruzamentos pelo alto. Cada lance protagonizado por ele foi reconhecido pela torcida, que o aplaudiu de pé. Uma homenagem mais do que justa, assim como a exposição na Arena que celebra seus feitos históricos.

Em um ano repleto de sustos e incertezas, atrevo-me a fazer um pedido aos deuses do futebol: que, adqui uma semana, possamos assistir à despedida de Geromel com uma vitória na Arena. E, por que não, coroada com um gol do nosso eterno capitão. Será que é pedir demais?

Avalanche Tricolor: agora só faltam três partidas

Cruzeiro 1×1 Grêmio
Brasileiro – Mineirão, Belo Horizonte/MG

Um ponto a mais na conta e três de distância daquela “zona-que-você-sabe-qual-é”. Com o empate em Belo Horizonte, o Grêmio se mantém na Série A, ocupando uma posição desconfortável, à frente de apenas dois outros clubes que também enfrentarão, nas próximas rodadas, o mesmo martírio que nos acompanha desde o início desta temporada no Campeonato Brasileiro.

Mais uma vez, saímos na frente no placar. O gol veio logo cedo, marcado por Braithwaite, que, novamente, brilhou em uma jogada iniciada e concluída por ele. Após a bola passar pelos pés de Aravena e João Pedro em um contra-ataque bem arquitetado, Braithwaite finalizou com um toque de calcanhar, sutil e cheio de classe, o suficiente para mandar a bola para as redes. Foi o tipo de lance raro que trouxe um momento de felicidade em uma temporada onde a felicidade tem sido um artigo de luxo.

No entanto, como tem sido a regra, não conseguimos sustentar a vitória que poderia nos dar um alívio. A fragilidade defensiva do time nos condena. Cedemos tanta pressão ao adversário que o gol de empate parecia inevitável – e ele veio ainda no primeiro tempo.

Na segunda etapa, mostramos um pouco mais de organização na marcação, conseguindo resistir à presença constante do adversário em nosso campo. Ao menos, seguramos o empate até o apito final, mantendo viva a luta pela permanência na elite.

É pouco, muito pouco, para um clube da grandeza do Grêmio. Mas, por ora, é o que temos. A melhor notícia da noite é saber que só faltam três partidas para o fim do campeonato. Apenas três. E, de alguma forma, eu vou aguentar até lá.

Avalanche Tricolor: faltam quatro jogos, contando e sofrendo

Grêmio 2×2 Juventude

Brasileiro – Arena Grêmio, Porto Alegre/RS

Diego Costa prepara assistência para Braithwaite. Foto: Lucas Uebel/GrêmioFBPA

“E esse ano que não acaba…?”, escreveu meu amigo de sofrimento Sílvio no WhatsApp, logo após o apito final da partida em Porto Alegre. A ideia era encerrar hoje, com a conquista dos três pontos que colocariam o Grêmio em uma situação privilegiada diante dos demais candidatos ao rebaixamento do campeonato.

Mobilização não faltou: Braithwaite mandou recado pelo celular, ex-jogadores convocaram o torcedor nas redes sociais e a diretoria enviou e-mails aos sócios pedindo apoio total ao time. Mais de 40 mil pessoas foram à Arena, incentivaram enquanto tiveram paciência, soltaram fumaça e assistiram ao espetáculo de luzes de LED — recurso estreado neste início de noite.

As circunstâncias no início da partida pareciam promissoras. Depois de Rodrigo Ely cortar um cruzamento de cabeça na nossa área, Edenilson fez um lançamento primoroso para Diego Costa, que, com precisão, deixou Braithwaite na cara do gol. Com pouco mais de dois minutos, já vencíamos, e a sensação era de que uma festa de reveillon antecipada nos aguardava. Mas foi pura ilusão.

O Grêmio não soube aproveitar a vantagem no placar, tomou o gol de empate antes do fim do primeiro tempo, sofreu a virada no início do segundo e escapou de uma tragédia em plena Arena graças a uma rara defesa de pênalti do goleiro Marchesín. No fim, já nos acréscimos e no desespero, conseguimos empurrar a bola para dentro do gol adversário e arrancar o empate.

É isso, Sílvio, o ano insiste em não acabar. Temos pela frente mais quatro batalhas que prometem testar os nossos nervos e o nosso amor pelo Grêmio. Haja sofrimento!

Avalanche Tricolor: só faltam seis jogos

Fluminense 2×2 Grêmio
Brasileiro – Maracanã, Rio de Janeiro/RJ

Time comemora gol de Braithwaite. Foto: Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Minhas redes sociais têm reproduzido nestes últimos dias uma série de momentos memoráveis do Grêmio. Revi o gol de Luan contra o Lanús, na Libertadores de 2017. Rolando a tela do Instagram, encontrei lances da batalha contra o Peñarol, em 1983. Por uma dessas circunstâncias que só o destino é capaz de explicar, até a vitória contra a Portuguesa, em 1996, quando conquistamos pela segunda vez o Brasileiro, apareceu na tela do meu celular. Todas são cenas que mexem com minha memória afetiva e me fazem pensar quantas glórias tivemos o privilégio de assistir nessas mais de seis décadas de vida.

Aqueles tempos estão distantes do futebol que assistimos recentemente. Libertadores e Copa do Brasil vemos apenas pelo retrovisor. O Campeonato Brasileiro, que no ano passado ainda conseguimos chegar em segundo lugar, tem sido um martírio atrás do outro. Cada partida é um drama. Nunca se tem certeza do que seremos capazes. Conquistamos um ponto aqui e outro acolá. Quando fazemos três, torcemos para os demais concorrentes empacarem no lugar.

Hoje, nos restou festejar um resultado alcançado na bacia das almas. Após sairmos na frente em um contra-ataque com boa participação de Aravena e conclusão de Braithwaite, não suportamos a pressão do adversário e tomamos a virada. O gol de empate, já nos acréscimos, veio de uma jogada fortuita de ataque em que Nathan Fernandes, que andava esquecido no elenco, conseguiu alcançar a bola com calcanhar e a fez, inadvertidamente, encontrar Arezo dentro da área. Reinaldo, em uma excelente cobrança de pênalti, igualou o placar.

Sei que já fui bem mais feliz ao comemorar Libertadores, Brasileiros e Copas do Brasil. Já sofri com viradas históricas, assim como vibrei em partidas heróicas. Mas, atualmente, na escassez de resultados e conquistas, o que me resta é valorizar cada ponto conquistado, ainda que na bacia das almas, e lembrar que, por mais que o Grêmio esteja distante das glórias de outros tempos, a paixão tricolor permanece intacta. Porque torcer é isso: é saber festejar o mínimo, é não desistir diante das dificuldades e é manter viva a esperança de que um dia o ciclo das vitórias voltará a girar ao nosso favor. Diante das atuais circunstâncias, não tem como exigir muito mais do que um empate no Maracanã. Só faltam seis jogos!