Minha estreia no futebol da Guaíba, ao vivo, da sala do seu Oquelesio

 

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Foto: Pixabay

 

Era o ano de 1986. Mauro Galvão, um dos grandes zagueiros que o Brasil já teve, faria a sua estreia na seleção brasileira. Eu faria a minha no futebol da rádio Guaíba de Porto Alegre. Já trabalhava na casa há uns dois anos, mas no que costumavam chamar de esporte amador — esporadicamente fazia uns “frilas” no futebol. E assinava as reportagens como Mílton Júnior, para que não houvesse confusão com o nome do pai, já que ele, o Milton Jung original, era também narrador esportivo da emissora.

 

Minha primeira tarefa no futebol: assistir ao lado da família do zagueiro, que na época jogava no Internacional de Porto Alegre, à primeira partida dele com a amarelinha da seleção. Era um jogo amistoso, se não me engano em Goiânia, Goiás.

 

Cheguei na casa da família Galvão que ficava próxima do estádio colorado e fui recebido por seu Oquelesio, pai do Mauro, de braços abertos. Ele lembrava do tempo em que eu havia jogado ao lado do filho na escolinha de futebol do Grêmio — sim, Mauro sempre foi gremista apesar de ter iniciado carreira e ganhado títulos importantes no Internacional. A lembrança de seu Oquelesio, evidentemente, não se devida às minhas qualidades técnicas em campo, mas por eu ser filho de quem eu era —  e o pai sempre esteve presente nos nossos jogos.

 

Se para a família de seu Oquelesio a ansiedade era resultado da estreia de Mauro na seleção, a minha era pela oportunidade de participar de uma jornada esportiva que tinha no comando, como narrador, exatamente o meu pai.

 

Galvão estava no banco da seleção. Eu, sentado no sofá da sala de seu Oquelesio.

 

Ao meu lado, além do pai, estavam a mãe, a mulher e o filho recém-nascido de Mauro. Durante todo o primeiro tempo sem o filho famoso em campo, a família aliviava a ansiedade com alguns salgadinhos aqui, uns pasteizinhos ali e muitos goles de cerveja.

 

Constrangido por estar na casa dos outros e nervoso por participar da primeira jornada esportiva, não conseguia sequer aproveitar os petiscos oferecidos. A cerveja, nem pensar. Mesmo alguns anos depois de deixar a prática esportiva de lado, mantinha o hábito de não beber nada que tivesse álcool.

 

O momento tão esperado chegou no segundo tempo. Mauro Galvão aquecia ao lado do gramado. Eu preparava a garganta para a primeira intervenção. Assim que o craque entrou em campo, eu fui ao ar. Por telefone, relatei a satisfação da família como se aquela fosse a mais importante reportagem de todos os tempos.

 

A felicidade da família com a entrada do filho na seleção só não era maior do que a minha com a primeira participação na jornada esportiva. Alegria que me fez esquecer alguns cuidados básicos e aceitar o primeiro gole de cerveja depois de anos. Afinal, tínhamos todos motivos de sobra para um brinde. Um não. Dois, três, quatro copos — sei lá quantos mais.

 

Bola prá cá, cerveja prá lá. E o jogo chegando ao fim. Galvão fez em campo o que se esperava de um jovem zagueiro em dia de estreia. Não comprometeu. O novato aqui também estava bem. Até o último gole, ops, até o último apito.

 

Com o jogo encerrado, corri para o telefone, liguei para a rádio e pedi para ir ao ar.

 

O pai, Milton Jung, orgulhoso de chamar o filho mais uma vez, logo passou a bola para mim. Já na primeira frase senti os efeitos da cerveja. As palavras saíram arrastadas. O pensamento estava lento. As ideias, esquecidas na sala.

 

Apesar disso consegui aos trancos e tropeços passar algumas informações, mas na hora de devolver a bola para o velho Mílton, o jovem aqui se atrapalhou com o próprio nome e tascou de forma solene: “eram essas as informações, ao vivo, diretamente da casa da família de Mauro Galvão. Agora é com você, caro Mílton Júnior!”.

 

O silêncio do outro lado da linha foi o mais doloroso puxão de orelha de pai para filho que já recebi.

“A Noite da Virada”: comédia de qualidade estreia no banheiro mais próximo da sua casa

 

Por Biba Mello

 

FILME DA SEMANA:
“A Noite da Virada”
Um filme de Fabio Mendonça
Gênero: comédia.
País: Brasil

 

 

ESTREIA DIA 18/12

 

O filme se passa na festa da noite de Reveillon. Ana, a anfitriã, convidou vários conhecidos, e parece que a festa será muito animada mas tudo – e mais um pouco – começa a dar errado. A maior parte do filme se passa nos banheiros da festa pois é uma adaptação da peça “O Banheiro”, de Pedro Vicente.

 

Por que ver: É um filme escandalosamente engraçado. As referências cinematográficas são excelentes, a direção muito inteligente; pois, vamos combinar, não é fácil segurar um filme inteiro em quase só uma locação e não ficar monótono! Os atores estão hilários! Julia Rabelo segurou a onda de protagonista mostrando que consegue ir além de algumas esquetes do Porta dos Fundos. João Vicente de Castro é impagável o tempo todo. A pequena grande atriz Luana Martau arrasa, Martha Nowil idem, Marcos Palmeira sempre bom, Luana Piovani consegue se emocionar em uma cena totalmente engraçada (isto é bem difícil), e tem também o Tamaturgo Ferreira, que fica engraçado apenas abrindo a boca pois aquela voz dele é demais. Que delícia assistir a um filme nacional que te prende do início ao fim e proporciona um momento de total diversão como este.

 

Como ver: Depois de algum perrengue bem bravo! Você terá um excelente momento de terapia do riso.

 

Quando não ver: saindo de uma rehab, se você tiver estômago fraco ou TOC de limpeza. Gente, a escatologia é gritante (a ponto de fazer o cinema inteiro gritar e depois cair na gargalhada de maneira coletiva). Ou você desmaia ou também pode te curar de vez! Terapia de choque. ECA!!!!

 

Biba Mello, diretora de cinema, blogger e apaixonada por assuntos femininos. Sempre disposta a deixar seu cinema mais interessante, escreve toda semana no Blog do Mílton Jung

Meu irmão é filho único, o filme

 

Por Biba Mello

 

Olá, quero começar minha vida nesta coluna me apresentando…Meu nome é Gabriela Moreira Mello, mas gostaria que me chamassem de Biba Mello, pois é assim que meus amigos se referem a mim. Sou paulistana, diretora de cinema, mãe de um pequeno de três anos e casada há cinco. Tenho 37 anos recém completados, sendo destes anos, vinte e um dedicados ao cinema publicitário. Vou dirigir meu primeiro longa metragem em breve, uma comédia escrita por mim intitulada “Celulite”. Falarei sobre cinema e assuntos femininos, minhas duas grandes paixões. Com o tempo, perceberão que meus textos serão balizados principalmente pelo humor. Mesmo na tragédia, busco a comédia…E para começar nossa história, indico um filme perfeito para nosso momento político atual, acredito que ele ilustra minha personalidade e coloca em discussão o fanatismo político.

 

FILME DA SEMANA:
“Meu irmão é filho único”
Um filme de Daniele Luchetti.
Gênero: comédia dramática.
País:Itália/França

 

 

Accio, o condutor dos conflitos deste filme, é o irmão mais novo de uma família sulista. Ele estuda e mora em um seminário, questiona abertamente os dogmas da igreja e acaba sendo expulso, tendo que voltar a conviver com os “seus”. Sua ideologia é Facista, o que acaba gerando sérios problemas com seus familiares, comunistas fervorosos. Seu irmão Manrico é seu oposto. Operário comunista, galanteador nato, e namorado da que vem a ser o seu grande amor, a bela Francesca. O filme é um baile virtuoso! A direção é imperceptível, de tão perfeita, e a atuação genial!

 

Por que ver: é um filme italiano delicioso e que mostra o absurdo de qualquer fanatismo e o perigo da intolerância(qualquer semelhança com a realidade não é coincidência). Perfeito para nosso momento político atual… A despeito disso, se você assim como eu, tiver uma família italiana totalmente louca como a minha(desculpe tias, tios e primos, mas é a realidade), a identificação será imediata, e o fará comprar o DVD( lembrem de mim “no tapa na nuca” …Impagável!). E por último, mas não menos importante, é a trilha sonora, ah que delícia de trilha!!! (clica no vídeo abaixo, enquanto lê o restante do texto)

 

 

Como ver: Dopo il pranzo della domenica! Depois do almoço de domingo! Sim…Depois daquela vitela com macarrão que vai te empanzinar maravilhosamente, te convido a assistir a esta obra de arte do cinema italiano. Mais perfeito impossível.

 

Quando não ver: com o seu filho aborrecente! Nesta fase sabemos que esses “seres” adoram nos irritar e portanto ele/a talvez achem linda a rebeldia do Accio ou Manrico, e provavelmente tentarão imitá-lo para a sua desgraça! Ou, então, com aquele seu amigo que só gosta dos blockbusters americanos e se sente incomodado quando algo menos raso venha à baila( não que eu não goste…adoro filmes água com açúcar e “homens aranhas”da vida, mas não só isto).

 

Até semana que vem querido leitor!
Um tapa na nuca para você!

 

Biba Mello, diretora de cinema, blogger e apaixonada por assuntos femininos. Escreve no Blog do Mílton Jung, a partir de hoje, a qualquer momento em sessão de cinema extraordinária. (na verdade, eu iria definir um dia da semana melhor, mas estava muito ansioso para publicá-la)