É proibido calar: mudanças tecnológicas exigem diálogo e aprendizado com nossos filhos

 

EGDXsP7XoAEqtvL

 

A imagem de uma batalha de League of Legends costuma abrir uma das minhas palestras sobre ética e cidadania —- temas do meu último livro “É proibido calar!”. É a maneira que encontro de demonstrar a necessidade de os pais se interessarem pela realidade vivenciada por seus filhos, conhecerem o mundo que eles experimentam e reduzir o distanciamento que permeia muitas das relações familiares. Aposto na ideia de que ao fazermos esse movimento, encontraremos pontos em comum e aumentamos as possibilidades de desenvolvermos uma convivência saudável e pautada na compreensão.

 

Há cerca de uma semana, estive no Colégio Dante Alighieri, um dos mais tradicionais de São Paulo, onde conversei com pais, professores e alguns estudantes. Aproveitei uma das imagens captadas durante o encontro, na qual a tela de fundo é a cena de uma das competições internacionais de LoL realizadas no Brasil, para provocar a turma que me acompanha no Twitter e no Instagram:

 

https://platform.twitter.com/widgets.js

 

Algumas boas reflexões chegaram nesses três dias.

 

A Evelyn Batista (@evelym_watson_batista), no Instagram, escreveu que “acredita que a tecnologia hoje tem muito mais espaço na rotina de nossos filhos, inclusive para as escolhas profissionais deles. Com isto nossas relações estão cada vez mais distantes”.

 

Penso que é inevitável que eles acompanhem de forma intensa a transformação digital —- nós mesmos fazemos isso, haja vista a maneira como acessamos nossos celulares. O esforço tem de ser o de potencializar as relações afetivas que se constroem no cotidiano para que a distância que a Evelyn identifica não se intensifique. Precisamos valorizar a conversa do dia-a-dia, os momentos de proximidade — como o almoço ou o jantar — e, se necessário, provocar encontros mais frequentes nos quais a conversa não seja interrompida por um alerta na tela do celular.

 

Delci Lima (@delcilima12) conta que tem uma menina de 13 anos que vive em mundo virtual como todas as outras crianças da idade dela e nós, pais, em um mundo real: “É um bom paralelo para uma discussão sobre Educação”

 

Em um dos trechos de “É proibido calar!” chamo atenção que é preciso cuidado quando dividimos o mundo em virtual e real:

“Mesmo que a fonte seja virtual, nada mais real do que o sentimento que toca o coração desses jovens”.

Quero dizer que talvez nós é que tenhamos ainda um modelo mental no qual real e virtual estão separados e, pior, em contraposição, quando de verdade se fundem em um só; e nossas vidas e relações tenham de saber conviver nesses “mundos paralelos”.

 

No Twitter, o Evandro Junior (@jemj10) publicou que “esses princípios devem permear qualquer atividade. Sem a observância da #educação #ética e #cidadania o profissional não se completa, poderá ter sucesso, mas nunca será admirado”.

 

Essa ideia, com a qual concordo, me remete a algumas das entrevistas que tenho realizado no programa Mundo Corporativo, em que temos insistido que o novo líder não pode ser medido apenas pelas metas que alcança ou resultados financeiros da empresa —- seu comportamento diante de colaboradores, parceiros de negócio e clientes é o diferencial competitivo a ser valorizado.

 

Ao menos dois dos participantes dessa saudável discussão lembraram de que um dos meus filhos está envolvido no mercado de esportes eletrônicos e esse seria o motivo de o Lol estar no roteiro de minha palestra.

 

O Antonio Santos Jr (@ajunioranalista) escreveu no Twitter que “…você como pai o incentiva, se o incentiva é porque é algo bom para ele. Partindo dessa premissa há várias narrativas que podem ser tomadas em educação, ética e cidadania”.

 

Já o Samuel(@sbtorre) comentou:

“Seria por que um de seus filhos é gamer profissional e lidar com a educação dos filhos em um ambiente de mudança tecnológica e cultural tão significativa exige uma posição de diálogo e aprendizado, um dos motes do seu livro?”

Samuel está certíssimo — exceção ao fato dele ter identificado meu filho como um gamer, quando na realidade é gestor de uma das organizações de e-Sports no Brasil, depois de ter iniciado carreira como técnico e estrategista de Lol.

 

Independentemente da função que exerça, o ambiente para o qual ele se dedica —- e meu filho mais velho tem desenvolvido alguns trabalhos também nesse segmento —- , exigiu de minha parte e de minha mulher um entendimento maior sobre o assunto para que a falta de informação (ou seja, nossa ignorância) não se transformasse em barreira para o desenvolvimento dele. Para que o preconceito, fruto do desconhecimento, não prejudicasse nossa relação com os filhos. Graças ao diálogo que construímos, aprendemos e crescemos juntos.

 

Dito isso, além de agradecer a todos os que participaram desta conversa virtual, parabenizo o Samuel que vai receber em casa um exemplar do livro “É proibido calar!”. Espero que goste!

O maior dos cuidados

O autor do texto a seguir já esteve com a gente em outras leituras. É estudante do Colégio Notre Dame, em Campinas, e também editor do jornal da escola. Nessa semana, publicou na seção Carta ao Leitor artigo no qual fala da relação de avós e netos, em virtude do Dia do Idoso. Tomo a liberdade de reproduzir o texto no blog:

Por Matheus Mascarenhas
Estudante e escritor

 

Ah! Mas como descrever férias. Linda palavra, linda mesmo. Alguns diriam que tal paroxítona se parece mais com um período de descanso do nosso regime semi-aberto diário. Não há como esconder minha felicidade pelas férias. Ela vem chorando por atenção, e no final, agradece por irmos embora. São magníficas as transformações que ela faz. São magníficas as experiências. E também são magníficos os dias contados, esperando pelo reinício das aulas. E, às vezes, esse periodozinho te marca, molda uma memória memorável. E isso aconteceu comigo, desta vez.

 

Há algo mais clichê do que passar um tempo das férias na casa dos avós? Não, eu acredito que não. Todo mundo dá sempre uma passadinha lá. Uns ficam semanas, outros ficam poucas horas. Não sei para vocês, mas a alegria de encontrar meus avós é imensurável. É amor, comida, diversão. Uma combinação adorável. Quem não tem na cabeça uma piada engraçada da sua avó, ou uma história de infância do seu avô. Para mim é ritual, é costume. Esse momento sempre existe. E por que estou gastando seu tempo, ao ler essas coisas tão lindas e bonitinhas? Não se acanhe, continue por aqui. Deve ser difícil ter que ler todo esse jornalzão, mas juro que cada texto vale a pena (​Merchan grátis). Enfim, leitor, voltando ao assunto. A minha intenção aqui é contar um pouco sobre alguns momentos de minhas férias, um tanto peculiares para mim.

 

Como já havia dito, fui passar os tais dias na casa de meus avós. Já velhinhos, fazia mais de 6 meses que eu não me dispunha a dormir por lá. A primeira tarde foi revigorante! Um bolo mais um sorvete. Depois um bom papo com meu avô e uma conversa um tanto divertida com minha avó. Parecia um hotel. Eu sob os cuidados de meus avós. Logo entardecia. Pedimos a tradicional pizza. E, tempos depois, nos preparamos para dormir. Me arranjei numa daquelas posições pensativas que você fica por minutos na cama. Já estava na Hipnagogia (o limite entre estar acordado e dormindo). De repente, eu ouço soluços altos seguidos por uma tosse eufórica. Vish! O que seria? (Nota: leitor, relaxe, não haverá sequer uma morte nesse texto). Fui direto ao quarto dos meus avós. Quando cheguei, vi uma situação desconfortável. Meu avô se debruçava, engasgado. Nada de mau aconteceu, busquei água e tudo se resolveu. Ufa! A partir daí, já não me sentia confortável em estar desatento no período da noite. A verdade era que eu estava com medo de alguma coisa séria acontecer. Nunca tinha passado por isso antes. Na manhã seguinte, levantei tranquilo, com a mente apagada, meio surda. Tomamos café e o dia se seguiu. No jantar, infelizmente, meu avô engasgou — de novo. Tivemos que repetir o protocolo. Nada de ruim aconteceu, felizmente. No dia seguinte fomos embora.

 

Passaram-se alguns dias e voltamos para lá. De forma impremeditada, meu avô machucou sua perna, arrancou a pele do local. Minha avó nada podia fazer, já que abaixar-se para tal tarefa seria uma atividade um tanto inadequada. Logo, tal tarefa foi imcumbida a mim. Fiz o curativo certinho. Passei o soro, a pomada, a gaze e a fita. Tudo ​ok!​ E esse ciclo se repetiu, e repetiu. Mais alguns problemas gritaram por ajuda. Às vezes a locomoção deles era debilitada, havia de se ajudar. Às vezes precisava-se pegar remédios em locais não apropriados. E tudo isso se consumava em um ciclo.

 

Notei que eu tinha me tornado um cuidador de meus avós, igual a como eles haviam feito, no meu nascimento e infância. Houve uma inversão de postos. Eu passava a cuidar deles. E isso me soava estranho. Mas, leitor, não se engane. Eu não passei perto, nem de longe, do que eles fizeram por mim, e do que ainda fazem. Parece estranho comparar algo físico com algo subjetivo. Eu considero que meus esforços físicos, ajudando eles no que quer que fosse a tarefa, perdiam o mérito, ao serem comparados com os cuidados e esforços subjetivos, afetivos, que meus avós me transmitiram. Através das longas conversas, a troca de experiências, os sorrisos, e abraços, os beijos, as piadas, o amor, nada disso se compara, e eu afirmo, NADA disso é comparável a outro tipo de cuidado.

 

Meus amigos, parece difícil e até mesmo chato, mas aproveitar seus avós ou quem quer que seja que você considera muito importante, é imprescindível. É necessário, é bom! É saudável. Você nunca terá tão bons cuidados. Nunca. O que não se pode ver é a real cura: o amor. O lindo amor. Então da próxima vez que você encontrar com esse tipo de pessoa que te faz feliz, abrace muito, muito mesmo! Beije-o! Pode ser que algum dia, você não possa mais fazer isso de novo.

 

Um abraço a todos vocês! Boa leitura!

Avalanche Tricolor: torcer em família

 

 

 

São Paulo 0x0 Grêmio
Campeonato Brasileiro —- Morumbi, São Paulo/SP

 

 

a3554537-4ccc-4777-a5e4-0d787eee37a2 2

A alegria de torcer em família, em foto de Paulo Pinto do Foto Públicas

 

 

De mãos dadas com o pai, o guri chegou vestindo a camisa do Grêmio feliz da vida as arquibancadas reservadas a torcida adversária no Morumbi. O sol forte que ardia na pele, na manhã de sábado, fazia brilhar ainda mais os olhos dele, que se movimentavam com rapidez de um lado para o outro como se quisessem captar todas as imagens que compunham aquele cenário mágico que é o campo de futebol. Mal prestou atenção quando o pai o apresentou a mim como “um gremista nascido em São Paulo”. Por respeito, aceitou tirar uma foto ao meu lado. Mas o que queria mesmo era ver o Grêmio no gramado.

 

 

A satisfação do pai também era enorme aquela altura. Sabemos como é difícil criar essa gurizada em terra distante do nosso time do coração. Lá no Rio Grande do Sul, você já nasce predestinado a seguir o time do pai. Ou torce pelo time dele ou pelo arquirrival — o que exige algum atrevimento e muito desprendimento. Quando os criamos fora do Estado, os riscos de termos um desgarrado é enorme, especialmente em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais em que os grandes clubes estão sempre em destaque no noticiário e disputando títulos. Sem contar a tentação em torcer pelos times milionários do exterior.

 

 

Aqui em casa, com dois paulistanos expostos as múltiplas tentações, me esforcei para impedir dissidências. Já contei ao caro e raro leitor desta Avalanche como a batalha de todos os Aflitos, em 2005, foi determinante para o rumo que os meus dois guris tomariam. Tivemos poucas oportunidades de assistirmos juntos ao Grêmio nos estádios de futebol. Mas sempre fiz questão de tratar esses momentos com cerimônia. Houve partidas marcantes, como a despedida do Olímpico Monumental, o primeiro jogo na Arena ao lado do avô ou as finais do Mundial em 2017.

 

 

A última vez que assistimos a um jogo juntos e com a presença da mãe ao lado —- ou seja, família completa —- havia sido em 2001. Por coincidência no próprio Morumbi. Valia vaga à semi-final da Copa do Brasil. O Grêmio já havia vencido por 2 a 1 em casa. Por essas inconsequências do calendário, a partida foi marcada para quarta-feira à tarde, em pleno dia útil. Com a possibilidade de termos pouco movimento de torcida, me arrisquei a levar os guris que estavam com apenas dois e cinco anos, e pudemos experimentar um jogo incrível com sete gols, duas viradas de placar, vitória do Grêmio por 4 a 3 e classificação à fase seguinte.

 

 

Para constar: naquele ano, 2001, fomos campeões da Copa do Brasil.

 

 

Nesse sábado, estivemos de volta ao Morumbi. Eu, eles e a mãe a tiracolo. Justiça seja feita, ela já encarou algumas poucas e boas sozinha ao meu lado, como assistir a um jogo do Grêmio em uma noite de sábado e Dia dos Namorados. É muito amor, né?!? Havia muitas outras famílias reunidas, além da minha e a do pai e filho que inspiraram os primeiros parágrafos desta Avalanche. Uma delas se apresentou a mim, também. “Somos primos”, disse o porta-voz dos Jung de Passo Fundo. Sim, encontramos um parentesco em meio a felicidade de estarmos reunidos torcendo pelo Grêmio. Não sei se todos os Jung são gremistas, mas não conheci até hoje nenhum que não fosse.

 

 

Os Jung e as demais famílias gremistas, aproveitávamos as facilidades que uma partida de sábado pela manhã, em São Paulo, proporciona, mesmo com as dificuldades para se obter ingresso, as limitações impostas pela falta de segurança e o desconforto de ficarmos expostos no espaço menos nobre do estádio — já contados neste blog.

 

 

Todos queríamos ver o Grêmio jogar e não nos importávamos de estar diante de uma equipe alternativa, já que o Campeonato Brasileiro não é nossa prioridade. Nos contentávamos em estar em família, comungando nossa paixão com quem amamos. E assim comemoramos as defesas de Júlio César e os desarmes de David Braz, tanto quanto as tentativas de dribles de Luan e Tardelli.

 

 

Agradecemos a Renato que nos permitiu assistir a Everton em campo — o craque que parece vai ficar entre nós por mais algum tempo. Raras são as equipes brasileiras com capacidade de ter no elenco um craque que é reverenciado por todos os demais torcedores brasileiros, fato alcançado por nosso atacante depois do desempenho como titular da seleção brasileira na Copa América.

 

 

Aliás, que privilégio tiveram os mais de 40 mil torcedores que foram ao Morumbi nesse sábado. Se de um lado tínhamos Everton, o craque da final da Copa América, de outro havia Daniel Alves, o craque da Copa América.

 

 

De nosso lado, olhávamos com o merecido respeito toda vez que o agora meio-campista adversário pegava na bola e ensaiava alguma jogada — na maior parte das vezes não correspondida por seus companheiros de equipe. E vibrávamos assim que a bola era passada a Everton. Aplaudíamos a maneira como corria pela lateral do campo, a forma como cortava para dentro em busca do gol e os dribles que acumulava sobre seus marcadores.

 

 

O que foi aquele sequência de dribles em direção a área no segundo tempo? Lembrou o lance que nos levou ao gol da vitória na Libertadores dias atrás. Desta vez só não completou a jogada porque foi derrubado por um zagueiro, que o árbitro jura ter agido dentro da lei. Nós, como bons torcedores, lógico, reclamamos a injustiça cometida.

 

 

Ao contrário daquele jogo de 2001 que assisti com a família no Morumbi, nesse ninguém conseguiu marcar um só gol. Pela reação final das torcidas, a impressão que ficou é que a nossa saiu do estádio mais satisfeita do que a deles. Até porque nós já estávamos suficientemente felizes em compartilharmos aqueles 90 e tantos minutos de futebol em família — a família gremista.

Obrigado, 2018! Bem-vindo, 2019!

 

setting-sun-3687200_960_720

 

Obrigado, 2018!

 

Sei que você — caro e raro leitor deste blog —- tem os mais variados motivos para reclamar do ano que se vai. Muita gente boa, perdemos nesse caminho. Outros tantos, se perderam por aí. Tem quem se encontrou, mas do lado oposto que se imaginava e não conseguiu voltar. E no meio dessa multidão, houve crise ampliada, emprego perdido, doença que maltrata, golpe na praça e tantas mazelas que levaram muitos de nós a desejar o fim deste ano, o mais rapidamente possível.

 

E acabamos formando uma torcida  pela chegada de 2019, não pelo que nos reservam os próximos 365 dias, mas por aquilo que queremos deixar para trás,  como se a virada do calendário fosse uma espécie de “zerésima”, em que tudo começa do zero — dos problemas às contas. Infelizmente, não é assim que funciona. Ou felizmente, porque seria muito ruim se à meia-noite do dia 31 de dezembro zerassem as memórias dos instantes que nos fizeram sorrir e dos problemas que nos fizeram aprender.

 

Ok, não foi fácil para ninguém, não é mesmo?

 

Comigo não foi diferente.

 

Fui exposto a alguns desafios e tive de olhar no olho do adversário. Houve momentos em que pensei que o melhor era atravessar a rua e não encontrar o desafeto — como se o desvio eliminasse os males proporcionados pelo outro. Tive de fazer escolhas, e nas escolhas sempre deixamos para lá alguma que teria proporcionado muito mais prazer do que encontramos no caminho que decidimos percorrer.  Tive medo, fui inseguro, preocupei-me em demasia e as minhas fragilidades tornaram muito mais difíceis os desafios que fui obrigado encarar. Sem contar os amigos dos quais nos afastamos diante dos mais variados motivos. E as doenças que deixaram pessoas queridas mais distantes.

 

Dei trabalho para os mais próximos, também. Porque não sou fácil de entender. Perdi a chance de comemorar com a devida alegria algumas das conquistas, pois me emaranhei na dúvida do merecimento.  A preocupação chegou muito antes da hora e sem me dar o direito ao princípio da presunção do sucesso. Atrapalhei-me comigo mesmo e atrapalhei os outros, mesmo que muitos tenham dito: tudo bem, não precisa se desculpar!

 

Não, 2018, não foi fácil para ninguém.

 

Que me perdoem os céticos e rabugentos, a despeito de todo e qualquer problema, meus e seus, não posso encerrar este ano sem agradecer por 2018. E não agradeço pelo seu fim, como talvez muitos o façam durante o estouro dos foguetes. Agradeço pela sua existência.

 

Vivenciei momentos muito especiais. Comemorei os 25 anos de casamento e assisti aos meus filhos serem reconhecidos pelo trabalho que realizam e pela forma como se relacionam com a vida. Eles amadureceram e trouxeram neste crescer parte daquilo que ajudamos a construir juntos.

 

Publiquei um livro, o quarto, no qual reproduzo muito do que penso sobre as relações pessoais e em sociedade —  foi uma experiência emocionante. E com o livro, viajei pelo Brasil, onde conheci uma gente genial —- que torce pela gente, que está ansiosa para conversar e que tem muito a ensinar com suas palavras.

 

Foi, também, o ano em que mais exercitei o dom da paciência, especialmente para suportar ataques, ouvir críticas e ter a conduta profissional questionada por todo tipo de pessoa. E isso também foi muito bom, pois aprendi como lidar nessas situações —- para ser sincero, estou aprendendo, ainda preciso melhorar muito.

 

E por 2018 ter sido tão generoso comigo, eu agradeço. Como agradeço a você — caro e raro leitor deste blog — que passou por aqui, deu uma espiadela em um texto, compartilhou outro, registrou sua mensagem ou torceu o nariz para o que leu. Sua presença neste espaço é mais um ótimo motivo para comemorar o ano que se encerra.

 

Seja bem-vindo, 2019!

Conte Sua História de São Paulo: o leão de bronze amigo da família

 

Por Isabel Rubio Vazquez Conde

 

 

Faço parte de uma família de imigrantes espanhóis e tenho muitas histórias para contar mas esta que conto agora acho especialmente interessante:

 

Viemos da Espanha, meu pai, minha mãe e eu, em julho de 1949 — eu com um ano e meio de idade. Inicialmente, ficamos em Rio Claro, interior de São Paulo, onde meu pai tinha uns primos. Alguns meses depois viemos para São Paulo, onde meu pai foi trabalhar na Cia. de Gás, na Rua do Gasômetro, no Brás. Fomo morar próximo da fábrica.

 

Lembro-me do meu pai me levar para brincar no Parque Dom Pedro II, onde tinha uma estátua de bronze de um leão —- era a reprodução de uma obra do artista francês Prospér Lecourtier, especialista em construir estátuas com imagens de animal. Como bom imigrante, tudo que meu pai registrava em foto, ele enviava para a família na Espanha. Era para acompanharem meu crescimento. Isso deve ter sido no início dos anos de 1950.

 

Com as mudanças no Parque Dom Pedro II, a estátua do leão foi transferida para o Parque do Ibirapuera, nos anos de 1960. E havia perdido o contato com ela. Eis qual foi minha surpresa, muitos anos depois, passeando com meu marido e meus filhos, dou de cara com o leão —- e foi aquela festa, contei a história da estátua para meus filhos, lembrei da minha infância …

 

Os anos se passaram e o leão continuou a me acompanhar. Em 2011, visitei a família na Espanha. Minha prima Isa pegou uma foto toda amassadinha na qual aparecia eu, com mais ou menos cinco anos, montada no leão de bronze. Isa me contou que quando recebeu a foto, tinha uns quatro anos e levava a imagem na escola para mostrar para as amiguinhas e contar que tinha um prima que morava no Brasil e montava em uma leão. Era a sensação das meninas. Achei aquilo incrível.

 

Dois anos depois, essa mesma prima esteve no Brasil. E eu não tive dúvida: levei-a ao Parque do Ibirapuera, sem dizer nada, e a apresentei, ao vivo, ao leão mais famoso da nossa infância. Tudo, como aprendi com meu pai, registrado em foto.

 


Isabel Rubio Vazquez Conde é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Envie seu texto para milton@cbn.com.br

Ajude-me a construir a nova sede da Cáritas Santa Suzana

 

 

Conheci o trabalho da Cáritas Santa Suzana pelas mãos do Padre Manoel, que reza as missas na Capela da Imaculada Conceição, local que frequento aos fins de semana como já devo ter contato em outras oportunidades neste blog. A ação pedagógica e de formação que os voluntários desenvolvem há mais de dez anos é contagiante. São cerca de 350 crianças de famílias carentes que passam pela instituição e recebem apoio socioassistencial, no bairro Monte Kemel, zona oeste de São Paulo. Muitos desses jovens já foram para a universidade ou encontraram oportunidade no mercado de trabalho, graças ao apoio de empresas que investem neste projeto. Outros tantos, levaram o conhecimento, adquirido nas muitas atividades realizadas, para dentro de suas casas e compartilharam com parentes, amigos e colegas. A obra que se realiza neste espaço é transformadora pois atende jovens e suas famílias que moram em algumas das maiores favelas das zonas sul e oeste da capital paulista, tais como Paraisópolis, Real Parque e Vila Praia.

 

Durante todo esse tempo, a Cáritas recebeu as crianças e adolescentes em conteiners adaptados para serem salas de aula. Agora, chegou a hora de mudar este cenário. Aproveitando o terreno próprio, um grupo de voluntários iniciou trabalho de captação de recursos para erguer uma nova sede, muito mais moderna, confortável e digna, que ampliará ainda mais o alcance deste projeto. As novas instalações terão um edifício principal, com 1.700 m2 de área construída, ladeado por um pátio externo de 1.000 m2, estacionamento multiuso, com 3.100 m2 área construída – que também será fonte de renda para a Cáritas -, e espaços para hortas e jardins.

 

Eu estive no local onde o prédio está sendo erguido e aproveitei para fazer uma transmissão, através do Periscope, oportunidade em que conversei com várias pessoas que assistiram ao vídeo, ao vivo, e enviaram perguntas pelo aplicativo. Um resumo deste vídeo está publicado aqui no blog e você poderá ver que a obra está avançando, principalmente devido a ajuda de um fundo do governo da Itália destinado a projetos de caridade em países do terceiro mundo. Apesar da colaboração, ainda são necessários cerca de R$1milhão para sua conclusão, e você está convidado a nos ajudar com qualquer quantia que estiver ao seu alcance.

 

As doações devem ser feitas em dinheiro na conta bancária da Cáritas Santa Suzana:

 

BANCO BRADESCO
AG 2403-1
CC 28573-0

 

CÁRITAS SANTA SUZANA
CNPJ 64.033.061/0016-14

De fim do mundo

 

Por Maria Lucia Solla

 

coxinha_piriguete_by_davisales-d6wpdeg

 

Tenho vergonha de postar notícias escabrosas do nosso desgoverno federal. Tenho vergonha de postar frases ininteligíveis de gentinha sem a mínima formação moral e cultural, informação e vergonha na cara, mas não consigo me conter.

 

Nunca, em nenhuma fase da minha incrível vida, vi e ouvi o que tenho visto e ouvido. Talvez por falta de costume, de prática, e de traquejo na convivência com o crime, a mentira, a ignorância, o terrorismo e com a sem vergonhice desbragada.

 

Na linguagem “social e integradora” do pedaço de carne humana mais vil que já brotou no Brasil, os pronomes pessoais nós e eles se transformaram em arma preconceituosa contra os que, como meu avô, meu pai e eu, ralamos, estudamos, trabalhamos e escolhemos um caminho honrado e digno de admiração.

 

Meu avô veio da Europa com seus pais, e não puderam trazer nada consigo, porque saíram fugidos da guerra, da escassez, da violência da degradação do ser humano. Vieram em busca das promessas da nova terra, onde plantando tudo dava e onde o céu era mais azul.

 

Vô Pedro, meu amado vovô, inimigos da paz vêm pintando o Brasil de vermelho com o nosso sangue e a cor da nossa vergonha, e eu ando aqui desacorçoada com a bandalheira que tomou conta do país escolhido pelo teu pai, para vivermos.

 

Meu avô não encontrou facilidade alguma. Imigrantes que eram, não tinham condições de conseguir emprego tão bom quanto os locais, mas não recusaram trabalho. Minha bisavó Maria da Luz arregaçou as mangas, prendeu os longos cabelos numa trança, e foi para o fogão. Com suas panelas, sustentou filha, genro, netos e nos abrigou a todos em sua casa. Genro e netos também arregaçaram as mangas e foram à luta. Meu pai começou a vida de trabalhador honrado, aos quatorze anos, o que hoje é considerado crime. Hoje, o jovem que precisa ajudar em casa procura trabalho escuso, que o aceita com muito prazer. E a mesma sociedade que o alija, corre atrás dele para prendê-lo ou matá-lo.

 

Mas voltando ao meu pai, o seu Solla teve seu primeiro emprego na Fábrica de Pincéis Tigre, com o seu Nicolau Jacob Filho. Foi o seu Nicolau quem lhe deu o primeiro par de sapatos novos e o incentivou a aprender, aprender, aprender. E ele aprendeu e trabalhou por mais de sessenta anos na mesma empresa, que passou de pai para filho, o seu Nicolau Jacob Neto. Eram empresários (hoje demonizados) ricos e cultos, e nós frequentávamos a sua casa, como se fôssemos da família.

 

Meu pai, de origem humilde, foi crescendo dentro dos padrões de retidão, esforço e dignidade. Aprendia com quem sabia mais do que ele e era respeitado porque respeitava todos. Não tinha rua em que ele passava, que não se ouvia: Solla! e ele abanava. Solla! e ele corria para atender. Solla! e ele parava para escutar. Tinha eu, menina, a impressão de que ele era o homem mais conhecido e importante do mundo. Meu coração inchava de orgulho. Ele abanava para quem o saudava, e eu, me sentindo importante, com meus olhos mal alcançando o nível da janela do carro, esticava o pescoço, orgulhosa, e abanava também.

 

O objetivo dele foi sempre o de dar à família o que ele não tivera a chance de ter. Cuidou sempre para que eu tivesse a melhor educação formal possível, e em casa a formação social. E era duro: eu pedia sua bênção e a de minha mãe e avós, não falava à mesa de refeições e respeitava todos, sem distinção de raça, credo ou situação financeira. Ofereceu-me o impossível, mudava de bairro e de casa, sempre que minha prima Cirley, a primeira da família a seguir uma formação universitária, o orientava sobre a melhor escola.

 

E é gente como a minha família e eu, que um boçal ignorante qualquer se atreve a chamar de coxinha?

 

O mundo acabou!

 

Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Escreve no Blog do Mílton Jung

Avalanche Tricolor: o Grêmio está na disputa, sim senhor!

 

IMG_2961

 

Grêmio 2 x 1 Atlético PR
Brasileiro – Arena Grêmio

A Arena era destaque na Porto Alegre que via lá da janela do avião, assim que partimos da cidade. Até pouco antes, enquanto aguardava a decolagem, assistia ao jogo na tela do meu celular, que se parecia minúscula diante do futebol que jogávamos contra o líder do campeonato.

 

Marcação na saída de bola, pressão no meio de campo e defesa firme se uniam a velocidade na troca de passe e deslocamentos pelos lados com a entrada em diagonal na área. Chegávamos à linha de fundo e de lá disparávamos cruzamento ou passes para quem viesse de trás, conforme a conveniência.

 

Foi em uma dessas investidas, com bola aberta pela direita, boa condução até a proximidade da área e cruzamento forte e rasteiro para o meio que saiu o primeiro gol, de Giuliano, e único que consegui assistir dos três marcados na partida desse domingo à tarde.

 

Por força dos compromissos, e algo que o destino insiste em fazer comigo, afastar-me da Arena em dias de jogos, precisei deixar a capital gaúcha em meio a partida. Havia aproveitado muito bem os dias anteriores – cheguei à cidade no fim da tarde da sexta-feira – com a família. Matei a saudade dos irmãos e sobrinhos, colocamos os assuntos em dia, relembramos os bons momentos em que crescemos unidos e sentamos entorno do pai para aproveitar o carinho que ele transpira por todos nós, mesmo quando os filhos defendem restrições para que ele preserve sua saúde.

 

As curtas caminhadas em volta da casa de infância, o cumprimentar dos vizinhos que resistiram às investidas imobiliárias e a visão do estádio Olímpico, que fica logo ali ao lado, sendo colocado à baixo, tijolo por tijolo, ofereceram um ar de nostalgia à visita. Porto Alegre sempre me faz bem, especialmente quando para comemorar conquistas como o aniversário da minha sobrinha Vitória.

 

Quando o avião partiu, fui obrigado a desligar o celular e fiquei com a imagem da Arena na janela. Dali pra frente, tudo ficaria por conta do Grêmio e sua capacidade de suportar a pressão adversária que, inevitavelmente, ocorreria. Somente conseguiria manter contato com o time e saber de seu desempenho quando tudo estivesse decidido. Sem nenhuma condição de secar as investidas contra nossa defesa e menos ainda de torcer por um placar mais tranquilo. Naquela altura, em meio as nuvens, meu desejo é que nada mais acontecesse em campo e de lá saíssemos com os três pontos.

 

O avião acabara de taxiar na chegada a São Paulo quando voltei a ligar o celular e descobri que muitas coisas aconteceram depois daquele gol. E, felizmente, a nosso favor. Mesmo com o empate na cobrança de falta, conseguimos retomar a vitória com uma bola lançada dentro da área e o desvio de cabeça de Rhodolfo. Mais do que isso, se é que fosse necessário, enfrentamos um jogo disputadíssimo e de alto nível. E fomos fortes o suficiente para vencer.

 

O resultado desse domingo contrastou com o do fim de semana anterior. E nos aproximou do que havíamos feito duas rodadas antes. Os altos e baixos na competição se explicam pelo rejuvenescimento do elenco e o amadurecimento do time sob nova direção. Ao contrário do que disseram e li, o Grêmio está sim, na disputa!

 

A foto que ilustra este post é reprodução feita da tela do meu celular

Conte Sua História de SP: chegamos em um caminhãozinho só com caixotes para sentar

 

Por Inês Scarpa Carneiro

 

 

No Conte Sua História de São Paulo, o texto da ouvinte-internauta Inês Scarpa Carneiro:

 

Sou a décima terceira filha de Dona Ana, somos em sete homens e seis mulheres. Minha mãe Ana chegou viúva com seus 13 filhos aqui em São Paulo, em 1959. Quando aqui chegou ficou tão encantada que gritou: isso é o paraíso!

 

Paraíso porque saímos de uma cidadezinha do interior chamada Echaporã – um chinês falava é sapo e o outro japones dizia é rã, então, ficou Echaporã.

 

Fomos morar em Vila Formosa. Chegamos em um caminhãozinho só com caixotes para sentar. Logo, ela colocou meus 5 irmãos a trabalharem no Moinho Santista e tudo melhorou. Os outros foram morar no comércio, na feira … Não deu  para nenhum fazer faculdade, mas todos vivem bem aqui em São Paulo.

 

Eu senti muito pois não conheci meu pai, morreu com 51 anos com complicações de uma mordida de escorpião que estava dentro do saco de arroz.

 

Aprendi a amar São Paulo como minha mãe amou, fiz um curso técnico agropecuário e  hoje sou produtora rural do Sítio da Felicidade e vendo meus produtos dentro de um galpão no parque da Água Branca. Tenho ovos verdes, coloridos, de “galinhas felizes”. Soltas, alegres, botam ovos quando querem, namoram o dia inteiro porque tem vários companheiros galos.

 

Esse foi meu grande sonho realizado aqui na cidade, pois eu pegava esses ovinhos coloridos lá em Echaporã para minha mãe quando tinha meus três aninhos…

 

Obrigado, São Paulo por nos acolher. Você sempre vai estar em meu coração. Cada vez que viajo não vejo a hora de voltar.

 

Inês Scarpa Carneiro é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Claudio Antonio. Você pode contar mais um capítulo da nossa cidade: mande seu texto para milton@cbn.com.br.

Avalanche Tricolor: vitória nos pênaltis e sofrimento em família

 

Grêmio 1 (6) x 1 (5) Novo Hamburgo
Campeonato Gaúcho – Arena Grêmio

 

17093711985_fc74dfe2e2_z

 

Foi um momento raro em família. Mulher e filhos costumam ficar distantes da televisão quando assisto aos jogos do Grêmio. Talvez tenham vergonha de me ver sofrer por causa de um time de futebol. Talvez tenham dó de me ver sofrer por causa de um time de futebol. Talvez tenham piedade de me ver sofrer por causa de um time de futebol.

 

Confesso que nunca tive coragem de perguntar para eles o que sentem quando me veem angustiado por causa de um time de futebol. Provavelmente porque ficaria constrangido em ouvir a resposta. Como pode alguém sofrer por causa de um time de futebol? Só você que torce por um time de futebol, como eu, saberia explicar. Só você que torce por um time de futebol, como eu, saberia me entender. Eu sofro. Sofro muito. E nesta noite sofri mais ainda.

 

A diferença do sofrimento de hoje é que eles estavam próximos de mim. Os meninos mais do que minha mulher. Ela suportou apenas até o fim do tempo normal. Os meninos ficaram até a cobrança de pênaltis, mesmo porque tinham os computadores para se distrair. Mas estavam mais atentos à televisão do que as atrações da internet. Torciam por Douglas e não entendiam como um cara com a técnica dele era capaz de cobrar um pênalti em um poste e uma falta no outro com tanta precisão. Curtiram o sorriso de Mamute que em meio tempo fez mais do que qualquer dos gringos que vestem nossa camisa, apanhou como sempre, provocou um pênalti, dois cartões amarelos e uma expulsão, além de colocar em risco o gol adversário por mais de uma vez.

 

Eles, até mais do que este casca dura, que já nos viu desperdiçar títulos nas cobranças de pênaltis com muito mais frequência do que gostaria, jamais deixaram de acreditar que o ídolo Marcelo Grohe resolveria tudo no fim das contas. Eu, com coração sofrido e tentando amenizar a dor de uma frustração, me contive o máximo possível. Fazer vexame na frente dos filhos não é legal. A pressão diante da bola na marca fatal – como diriam os locutores de antigamente -, porém me fez perder qualquer escrúpulo (nem sei se esta é a melhor palavra, mas foi a primeira que pensei neste momento). Esfreguei as mãos no rosto, rocei as unhas no couro cabeludo, soquei o sofá, disse palavras impronunciáveis e sofri desesperadamente diante da decisão da vaga às semifinais.

 

Claro que de nada valeriam as duas defesas incríveis de Marcelo Grohe se cada um dos nossos cobradores não tivessem feito o seu papel, inclusive Douglas que se redimiu ao marcar quando mais precisávamos. Mas que as duas defesas incríveis de Marcelo Grohe me levaram a vibrar como poucas vezes, não tenha dúvida. Vibrei na mesma dimensão que sofri. E após pular e comemorar a classificação à próxima fase do Campeonato Gaúcho – que convenhamos é conquista nenhuma – olhei para os meninos e fiquei envergonhado. Mas eles, solidários, souberam como sempre me mostrar que entendem muito bem minha paixão por um time de futebol, até porque este time é o Grêmio, o Imortal Tricolor.

 

Aos meninos (e a toda a família) que me compreendem e a Marcelo Grohe que nos salvou, agradeço pela noite de hoje.

 

A foto deste post é do álbum oficial do Grêmio no Flickr