Há quatro meses, diante da cena que chocou os gremistas, roguei para que Marlon encontrasse forças e se recuperasse. Em um lance fortuito, nosso lateral esquerdo sofreu uma fratura no tornozelo, que ficou escancarada na imagem captada pela televisão. Ali mesmo, no sofrimento que se iniciava no gramado, ele já sinalizava a dimensão de sua resiliência. Antes de entrar na ambulância, ergueu o corpo sobre a maca, olhou para os torcedores que gritavam seu nome e agradeceu com aplausos e um sorriso.
Hoje, Marlon estava de volta ao time titular, cumprindo o compromisso que ele próprio havia assumido com o Grêmio e sua torcida. A presença dele oferece maturidade na marcação e segurança na saída de bola pelo lado direito. Tem bom passe e visão de jogo. Antes mesmo de demonstrar que está em plena recuperação — ainda precisará de alguns jogos para retomar o ritmo —, seu nome entre os titulares me deu esperança de que ainda podemos mudar nossa história nesta temporada.
Marlon é gremista de coração. É daqueles jogadores que carregam uma história junto com a camisa e chegaram para viver o que muitos chamam de sonho. Foi o que escrevi em 20 de março, logo depois de me sensibilizar com uma dor que somente ele seria capaz de dimensionar.
Mesmo que o resultado deste domingo tenha sido mais uma frustração — empatamos em casa quando os três pontos se faziam necessários —, vislumbro na volta de Marlon a possibilidade de uma transformação. Não que ele seja o tipo de jogador capaz de desequilibrar uma partida, como costumam fazer os grandes craques do futebol. Tem, porém, personalidade e liderança que serão fundamentais para os desafios que se impõem em nosso caminho.
Na Copa Sul-Americana, precisamos vencer já na próxima quinta-feira para seguirmos em frente. Na Copa do Brasil, enfrentaremos, em dois jogos, um adversário que jamais vencemos na história. No Campeonato Brasileiro, precisaremos voltar a ganhar para, ao menos por algumas rodadas, respirar aliviados e distantes daquela zona-que-você-sabe-qual-é.
Para este torcedor delirante, que insiste em acreditar que sempre será possível, ter visto Marlon em campo hoje foi o sinal de que eu precisava para suportar mais um revés no Brasileiro. Que sua volta também tenha esse mesmo simbolismo para o elenco gremista.
Tetê comemora seu gol Foto: Lucas Uebel/GrêmioFBPA
Reencontrei o padre José Bortolini na missa desta manhã de domingo. Havia algum tempo que eu não voltava à Capela da Imaculada Conceição, construída na esquina da rua onde morei boa parte da minha vida, em São Paulo. Nos últimos meses, tenho dado preferência às celebrações na comunidade de Nossa Senhora das Graças, ao pé do prédio onde moro atualmente. A fé, como o futebol, também se reorganiza conforme o endereço.
Padre José já foi personagem em outras edições desta mal-traçada crônica esportiva. Estudioso da Palavra, mestre em Sagrada Escritura e autor de dezenas de livros, ele segue, aos 74 anos, ministrando missas com uma dinâmica própria. Convive com uma doença que insiste em testá-lo, mas não lhe reduz a presença. Bortolini reaparece nesta Avalanche por outro motivo: é gremista de Bento Gonçalves.
Em muitas ocasiões, ao fim da cerimônia, trocamos impressões rápidas sobre o “nosso time”. Já houve domingos em que o sorriso antecipava a confiança para o jogo da tarde. Em outros, bastava um olhar para revelar a apreensão diante da fase da equipe. Nunca faltou fé. Nem ironia.
Neste domingo, porém, algo mudou. Assim que a missa terminou, aproximei-me disposto a decifrar quais sinais ele me transmitiria sobre o Grêmio, às vésperas da disputa por uma vaga na final do Campeonato Gaúcho. Cumprimentamo-nos. Desejamos um bom domingo. E paramos ali. Nenhuma análise tática. Nenhum palpite. Preferimos o silêncio.
Talvez seja isso que o Grêmio e Luis Castro estejam precisando: silêncio.
Silêncio para trabalhar. Silêncio para ajustar. Silêncio para reconstruir.
O time vem de temporadas marcadas por instabilidade. Sofreu gols em excesso, flertou com riscos desnecessários e alternou momentos de lucidez ofensiva com apagões defensivos. A troca de comando técnico e as mudanças no elenco indicam que há diagnóstico. Ainda falta continuidade.
Há sinais positivos. A equipe mostrou, no primeiro tempo da partida deste fim de tarde, organização na saída de bola e ocupação mais racional dos espaços pelos lados do campo. Houve triangulações interessantes e aproximação entre meio e ataque. Faltou transformar volume em finalização qualificada. No segundo tempo, o ritmo caiu. A linha defensiva voltou a apresentar desajustes no balanço, especialmente nas transições rápidas do adversário. E, diante da pressão, alguns jogadores optaram pelo passe lateral em vez do enfrentamento individual que poderia romper a marcação.
Não se trata de falta de capacidade. O elenco tem nomes capazes de entregar desempenho mais consistente. A incorporação de reforços, a saída de profissionais e a tentativa de estabelecer novo padrão de jogo exigem tempo — palavra que raramente encontra abrigo nas arquibancadas e nas redes sociais.
Enquanto a engrenagem não encaixa, convivemos com oscilações que frustram expectativas. Ainda assim, há diferença entre instabilidade e ausência de rumo. O que se percebe hoje é um processo em curso. Incompleto, irregular, mas identificável.
Ao deixar a capela, fiquei pensando que reconstruções não se fazem aos gritos. Nem no altar, nem no vestiário.
Cristo Redentor no RJ Foto: Oliver Schmid on Pexels.com
Uma pesquisa nacional com mais de 10 mil entrevistas reforça três forças que organizam a vida do brasileiro: família, fé e música. O tema foi analisado no comentário Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, no Jornal da CBN, a partir de um estudo encomendado pela Globo à Quaest.
O levantamento, batizado de Brasil no Espelho, mostra como esses pilares influenciam decisões, expectativas e vínculos. Para 96% dos entrevistados, a família é a coisa mais importante da vida. O dado não apenas confirma uma percepção comum, como dá escala ao sentimento. Cecília Russo observa que “só constrói marca forte quem entende de gente” e lembra que, quando os números aparecem, “fica ainda mais claro” o peso da família nas relações e escolhas do dia a dia.
Esse centro familiar orienta sonhos e comportamentos. O maior desejo declarado é ver a família feliz. No campo das marcas, a consequência é direta: ignorar esse valor custa caro. “Qualquer marca que fira o sentido de família tem altas chances de ser descartada”, afirma Cecília. Não se trata de romantizar, mas de reconhecer um vetor real de decisão.
Ao lado da família, a fé aparece com força semelhante. Também para 96% dos brasileiros, Deus está no comando da vida; mais de 80% dizem ter fé em algo. A religiosidade ajuda a explicar a positividade apontada pela pesquisa e pede cautela na comunicação. Jaime Troiano reforça que “no campo da fé, as marcas precisam de muito respeito”, sem uso oportunista, traduzindo crença em mensagens de confiança e futuro.
O terceiro pilar é a música. Quase a totalidade da população ouve música, com preferência majoritária pela produção nacional. Aqui, identidade fala alto. “No Brasil, música não é fundo, é protagonismo”, diz Jaime. Quando marcas escolhem trilhas, artistas e ritmos com atenção ao território, comunicam pertencimento: “estão dizendo ‘eu entendo quem você é’”.
Da análise emerge um recado simples e exigente. Marcas não podem ser apenas funcionais; precisam ser simbólicas. “Marcas que entendem o brasileiro não vendem apenas produtos, vendem proteção, cuidado, esperança e pertencimento”, resume Jaime. Por isso cenas de mesa cheia, riso solto e pequenas celebrações funcionam: vendem o que está no coração.
A marca do Sua Marca
Entender pessoas vem antes de vender produtos. O comentário mostra que estratégias eficazes partem do reconhecimento de valores centrais — família, fé e música — tratados com respeito e coerência.
Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso
O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.
Há quem repita, quase como um refrão automático: “Deus está vendo tudo.” Mas se Deus fosse apenas um observador que assiste ao desfile interminável de injustiças, violências e misérias humanas, então Sua contemplação seria tão cruel quanto estéril.
Um Deus que apenas vê seria um Deus diminuído, reduzido a ídolo: um olhar distante pairando sobre um mundo em ruínas. Uma divindade assim não seria mais que um mito — um eco vazio projetado sobre o infinito.
Mas o Deus que faz sentido não é o Deus voyeur da dor alheia. É o Deus vulnerável, o Deus afetado, o Deus que sofre.
Se o prazer de Deus está na reciprocidade — na chama que se acende quando seres humanos se reconhecem, se ajudam, se amam — então a ruptura dessa ordem amorosa fere o próprio coração divino. O antagonismo do prazer é o sofrimento; onde o amor se rompe, Deus se dilacera.
Dizer que Deus “vê tudo” empobrece o drama divino-humanal. Deus não contempla de longe: Ele participa. Não paira em neutralidade: Ele se compromete. Não observa as dores do mundo: Ele as incorpora.
Se a marca dos discípulos está no mandamento do amor — amai-vos uns aos outros — então cada vez que odiamos, negamos, ferimos ou abandonamos, não é apenas o outro que sofre: é Deus que sangra através dele. O sofrimento humano não acontece à revelia do sagrado; acontece dentro de Deus.
Por isso, não é adequado imaginar um Deus que tudo vê. Esse Deus seria estático, impermeável, imóvel.
O Deus vivo, porém — o Deus que vale a pena ser chamado Deus — é aquele que, ao ver, geme; ao testemunhar a injustiça, se contorce; ao encontrar violência, se rasga; ao perceber a fratura entre irmãos, agoniza.
Assim, Deus não está simplesmente vendo tudo. Deus está sofrendo tudo. E talvez aí resida a maior dignidade de Sua divindade: Ele não se exime do peso do mundo; Ele o carrega consigo.
Um Deus que sofre não é um Deus derrotado — é um Deus que ama até o limite da dor.
Caio Luizetto é teólogo e cientista da religião, pós-graduado em Missão Integral em contexto urbano. Sua produção aborda as relações entre fé, dor, sentido e maturidade espiritual na vida contemporânea. Escreve a convite do Blog do Mílton Jung.
Hoje à tarde, enquanto caminhava de volta para casa após o trabalho, decidi, diferentemente dos dias comuns, deixar os fones de ouvido guardados. Também deixei de lado os pensamentos voltados ao planejamento das próximas atividades. Quis, naquele momento, apenas me conectar com o que havia ao meu redor — com as pessoas, os movimentos, os pequenos detalhes do trajeto.
Foi assim que notei duas senhoras idosas caminhando à minha frente. Uma delas carregava uma sacola florida e colorida, que parecia guardar um guarda-chuva e uma blusa de frio. A outra usava uma bengala e exibia um sorriso acolhedor, desses que se oferecem sem pressa a quem cruza seu olhar. Conversavam sobre a Semana Santa e faziam planos para participar dos ritos da igreja que frequentavam.
Ao ouvir essa conversa, fui transportado de imediato à minha adolescência. Lembrei de como essa época do ano me era especialmente difícil. As atividades religiosas eram impostas por minha família, sem qualquer possibilidade de escolha ou negociação. Recusá-las era um desafio à fé — para mim, motivo de angústia. Não havia espaço para questionamentos, tampouco para que eu expressasse o que não sentia ou não acreditava. A ameaça implícita era sempre a de uma retaliação divina.
De volta ao presente e ainda tocado por essa lembrança um tanto dolorosa, recordei que, por coincidência — ou talvez por força desse tempo simbólico da Semana Santa — um amigo médico havia me perguntado, dias antes, se eu era adepto da religiosidade, da espiritualidade ou de ambas. A pergunta, feita de forma casual, mexeu comigo. Percebi que aquele acaso precisava ser mais bem elaborado internamente.
É importante lembrar que há muitas pesquisas que apontam a relevância tanto da religiosidade quanto da espiritualidade ao longo da vida, especialmente na velhice. Elas aparecem como fontes de conforto e resiliência diante dos desafios existenciais — como a doença, a finitude e o luto.
Mas é essencial distinguir os dois conceitos. A religiosidade diz respeito à vivência institucional da fé: práticas, rituais, doutrinas. Já a espiritualidade refere-se à conexão com algo maior — com a essência, a transcendência, o divino — e pode surgir a partir de experiências subjetivas, da natureza, da arte, dos afetos. Ambas podem coexistir, mas também podem ser vividas de maneira independente.
Chegando em casa, preparei-me para um cochilo, como de costume. No entanto, antes que o sono viesse, comecei a reorganizar em pensamento essas ideias que agora compartilho neste texto.
Falo, aqui, a partir da minha experiência, sem qualquer pretensão de generalizar: a igreja sempre foi, para mim, um “não-lugar”. Um espaço de não pertencimento. Sempre me pareceu distante — e, em muitos momentos, hostil — às realidades dissidentes, como a minha, de um homem gay.
Ao longo do meu processo de envelhecimento, essa sensação não desapareceu. A maioria dos espaços religiosos ainda me parece insegura. Sinto que, a qualquer momento, posso ser “carinhosamente discriminado” com frases como: “Deus abomina o pecado, mas ama o pecador”. Uma tentativa de acolhimento que, na prática, anula aspectos fundamentais da minha existência — como a sexualidade — e estabelece uma hierarquia moral de afetos e de valor humano. Isso está muito distante do amor que tantas religiões afirmam disseminar.
Acredito que muitas pessoas também se identificam com esse “não-lugar”. E não apenas por conta da sexualidade, mas por diversos aspectos sociais que atravessam nossas vidas: classe, cor, etnia, gênero, origem. Sei, também, que há quem busque enxergar e opinar apenas a partir de suas experiências individuais — e, assim, negar realidades que certos grupos vivem cotidianamente. Ainda assim, é importante nomear o que sentimos. É preciso trazer visibilidade para essas vivências.
A provocação está justamente aí: será que o amor e a fé caminham sempre juntos? Será que há um amor capaz de ultrapassar barreiras culturais e sociais, e envolver indistintamente todas as pessoas em afetos sinceros, livres de julgamentos e condições?
Talvez por isso a espiritualidade me pareça tão essencial. Ela nos permite construir, a partir de nossas vivências e subjetividades, um espaço íntimo e seguro de conexão com o universo. Um lugar onde somos aceitos integralmente, onde podemos ser quem somos, com verdade e liberdade — muito além de cultos, normas ou lideranças religiosas.
Na velhice, essa dimensão torna-se ainda mais significativa. Independentemente de se viver a religiosidade, a espiritualidade ou ambas, o mais importante é sentir-se confortável e seguro nesse encontro com o divino — um encontro único, íntimo e profundo. Um espaço onde todas as pessoas sejam acolhidas em sua plenitude. Porque só assim o amor e a fé poderão, enfim, caminhar juntos.
Diego Felix Miguel é especialista em Gerontologia pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia e presidente do Depto. de Gerontologia da SBGG-SP, mestre em Filosofia e doutorando em Saúde Pública pela USP. Escreve este artigo a convite do Blog do Mílton Jung.
Acreditar é pensar que é possível, visualizar uma melhora, sentir esperança.
Quando acreditamos: tentamos estudar para evoluir na carreira; tentamos mudar a forma de trabalhar para conseguir mais retorno financeiro; tentamos desenvolver qualidades como disciplina e coragem para vencer nosso comodismo e nossos medos.
Para a vida ser construída, é necessário refletir, desejar algo, planejar o caminho até lá e executar. Percebe que é necessário muito movimento?
Então, escolhemos acreditar porque é isso que nos faz seguir em frente. Venhamos e convenhamos, não é nada fácil aguentar frustrações, fazer esforço, abrir mão de sombra, descanso, prazer… Se não temos um motivo pelo qual tolerar isso tudo, dia a dia, empacamos. E quando empacamos, vai só ladeira abaixo.
Então, diga para mim: você tem selecionado com cuidado e intenção aquilo em que você acredita? Em quem você se espelha como referência? Que tipos de planos você constrói? Quais são os sonhos que enchem seus olhos de brilho?
Você acredita no que TE importa ou você compra as crenças da família, dos amigos que parecem bem-sucedidos, da sociedade?
Perceba que escolher acreditar e selecionar em que e em quem acreditar é a força motriz dos seus passos pela vida. Você pode não perceber, mas isso está moldando seu presente e seu futuro.
Já que precisamos acreditar (por uma questão de sobrevivência, inclusive), reflita bem sobre o que tem te movido. Para muito além de escolher acreditar, escolha concretizar um legado que seja seu – e que seja agradável de vivenciar, no hoje e no amanhã.
Escolha acreditar em ser, genuinamente, você.
Dra. Nina Ferreira (@psiquiatrialeve) é médica psiquiatra, especialista em terapia do esquema, neurociências e neuropsicologia. Escreve a convite do Blog do Mílton Jung.
Sinceridade? A expectativa era zero. A esperança, essa, sim, sempre bate forte no ritmo de nosso coração e não me falta. Esperança que se fortaleceu no serelepe Gustavo Nunes, que serviu Pavón para abrir o placar em pouco mais de dois minutos de partida.
Esperança era o que movia nossos defensores, a cada ataque adversário. De que o drible saísse errado, de que o passe fosse desviado, de que nos anteciparíamos a cada jogada e, se nada disso funcionasse, que Deus nos salvasse.
Rodrigo Ely e Kannemann juntos levaram nossa esperança ao extremo, enquanto estiveram lado a lado no gramado. Marchesin também se encheu deste sentimento nas bolas que desviou com o olhar, e nas que, com agilidade, impediu de entrar.
Quando parecíamos perder força, a esperança voltou a jogar. Nos proporcionou um pênalti que, até hoje, só aceito comemorar após ver o gol no placar. Com a bola de um lado e o goleiro de outro, Cristaldo me fez sonhar.
Mas houve quem quisesse esgarçar nossa esperança. E acreditar em alguém que sequer acredita em si mesmo.
Diante das escolhas de nosso treinador, só esperançar não é suficiente. Às vezes, por mais que a torcida acredite, que os cânticos ecoem pelo estádio, a realidade se impõe. Há limites para a esperança, e eles são traçados pelo esforço, pela preparação e pela competência. Pune quem detém a prepotência de desafiá-la.
Não se pode esperar vitória eterna se não houver dedicação e melhoria constante. A esperança pode nos levar longe, mas não pode nos carregar sozinha até o final.
Nos bastidores do Mundo Corporativo em foto de Priscila Gubiotti
“A gente não precisa controlar nada externo, basta a gente controlar a nossa reação”
Leonardo Simão, empreendedor
No universo do empreendedorismo, a jornada de Leonardo Simão se destaca s pelo seu sucesso como empreendedor em série, mentor, investidor e autor, e também pela sua profunda compreensão da importância da resiliência mental e do autoconhecimento. Em entrevista ao programa Mundo Corporativo, Simão compartilha ideias valiosas sobre os desafios e estratégias para prosperar em um cenário de negócios altamente competitivo.
O autor do livro “Do zero ao Exit, um manual completo do mundo da criação e captação de recursos para startups” argumenta que o cerne do sucesso empresarial não reside na ideia ou na execução, mas na capacidade do empreendedor de lidar com adversidades.
“O maior fator do sucesso de qualquer empreendedor, de qualquer empresário, não está na execução apenas, não está na ideia, não está no negócio, está na sua resiliência mental, está na sua saúde mental para lidar com todos os desafios”.
A filosofia do estoicismo, que Simão adotou após um período de intensa reflexão e busca pessoal, tornou-se uma pedra angular em sua vida e negócios. Ao abraçar conceitos como a dicotomia do controle e a importância do julgamento individual na percepção de eventos, Simão encontrou um equilíbrio que lhe permitiu enfrentar as incertezas do mundo dos negócios com uma mente mais tranquila e focada.
“Quando a gente entende o mindset positivo, a gente vê que não tem nada bom nem ruim na nossa vida. As coisas simplesmente são. E o que torna elas boas ou ruins é o nosso julgamento. Então, a partir do momento que você começa a controlar o seu julgamento, controlar a forma como você, age, como você reage, tudo muda”.
Simão compartilha sua trajetória de altos e baixos, desde o apogeu com a Bebê Store, uma líder em e-commerce, até momentos de introspecção profunda que o levaram a questionar o verdadeiro significado da felicidade e do sucesso. Esta jornada o inspirou a desenvolver o método “Calma da Mente”, visando ajudar outros empreendedores a encontrar paz e clareza em meio às pressões do ambiente de negócios.
Ao discutir a aplicação prática da filosofia estoica no empreendedorismo, Simão destaca a importância de focar no que se pode controlar e adotar uma mentalidade positiva. Ele enfatiza que, ao mudar nossa reação às circunstâncias, podemos transformar desafios em oportunidades de crescimento e aprendizado.
“Foque sempre em você, nunca foque no que está tá fora de você”.
Além disso, Simão toca em um tema de crescente relevância: o impacto da saúde mental no desempenho e sustentabilidade dos negócios. Ele argumenta que a produtividade e o bem-estar da equipe estão intrinsecamente ligados à saúde mental dos líderes e colaboradores, fazendo um apelo por uma maior atenção a este aspecto essencial do ambiente de trabalho.
Assista à entrevista com Leonardo Simão
A entrevista com Leonardo Simão serve como um lembrete oportuno da complexidade do empreendedorismo e da importância de cultivar uma mente saudável e resiliente. Suas experiências e ideias oferecem valiosas lições para empreendedores que buscam não apenas o sucesso nos negócios, mas também uma vida mais equilibrada e significativa.
O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN; aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo; e está disponível no podcast do Mundo Corporativo. Colaboram com o programa Carlos Grecco, Letícia Valente, Débora Gonçalves, Priscila Gubiotti e Rafael Furugen.
Eu morava na rua Amâncio de Carvalho, perto do ponto final do ônibus 48, linha Paraíso-Anhangabaú. Estudava no Colégio Maria Imaculada bem perto da Praça Osvaldo Cruz.
É na praça que começa a avenida mais famosa de São Paulo: a Paulista. Alguns saudosos podem contestar porque a Avenida São João também é um local muito admirado pelos paulistanos até em música.
A Osvaldo Cruz era uma linda praça onde havia a escultura de um índio com sua lança, pronto para pescar algum peixe do pequeno lago que ali existia. Muitas vezes, após as aulas, eu e minhas colegas chegávamos até perto da água para nos refrescar.
A grande novidade naquela região foi a inauguração da loja Sears Roebuck, onde hoje funciona o Shopping Paulista. Seu slogan era impactante: “satisfação garantida ou seu dinheiro de volta”. Sensacional! Tendo chegado em 1949, a Sears revolucionou o varejo na cidade.
O acontecimento gerou uma revolução na disciplina do Colégio Maria Imaculada. As alunas cabulavam as aulas para visitarem a Sears. No térreo, o cheiro de amendoim torrado e açucarado, rescendia pela loja. Nenhuma de nós resistia a um pacote.
No andar inferior onde se vendia discos havia uma pequena cabine na qual se ouvia as novidades do Rock and Rool. Logo, as irmãs da escola proibiram que ouvíssemos aquele ritmo. As freiras nos seguiam e éramos obrigadas a ouvir reprimendas em plena loja. Assim que elas apareciam, era um correria só para fugir da punição que seria certa.
O Maria Imaculada ainda está lá. Hoje atende meninas e meninos. A Sears, o cheirinho de amendoim, os produtos que ficavam a mostra e a música dos discos permanecem na minha memória.
Ouça aqui o Conte Sua História de São Paulo
Bete Marum é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Juliano Fonseca. Escreva a sua história de São Paulo e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o novo site da CBN – cbn.com.br —, o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo
A buzina insistente alerta para o caos que está no trânsito. Uma pessoa passa gesticulando e xingando, correndo, porque não tem tempo a perder. Pessoas se encontram e ao invés de desfrutarem da felicidade desse momento, preferem se queixar sobre as chatices cotidianas.
Nos preparamos para as festas de fim de ano. Uma checagem no armário e a conclusão é de que não há roupa que agrade, apesar de tantas estarem lá. Uma pausa para olhar no espelho, olhos nos olhos, e logo identificamos uma coisa que não gostamos em nós.
Na esperança que as coisas mudem para o próximo ano, listamos metas. Listas de metas que ficam guardadas, adiadas, esquecidas. Talvez por serem coisas difíceis de se realizar… Talvez por serem coisas que não são prioridade.
Você deve estar pensando: “isso aqui não deveria ser sobre esperança e renovação, afinal estamos num momento de comemorações?”.
Você tem razão!
Permita-me completar: nós somos convidados todos os dias a momentos de esperança, renovação e comemorações. A cada manhã, a vida nos convida para um dia a mais. Um dia a mais de oportunidades para sermos felizes, para amar, para perdoar, para viver intensamente o momento de um café quentinho ou de um abraço apertado.
Fazer a vida valer a pena não parece tarefa fácil. Há uma lista de coisas – essa não foi feita por nós – que nos desafiam a todo instante.
Mas não espere pela passagem do tempo. Não adie aquilo que você tem a oportunidade de viver hoje, não importa se janeiro, setembro ou dezembro. O ano novo está dentro de você. Cada vez que você tem esperança, cada vez que você se renova, cada vez que você comemora… É sempre ano novo!
Há momentos em que a gente aperta demais a buzina, aperta o passo, se esquece daquilo que é valioso e essencial.
O que fazer?
Recomeçar. Nós temos a chance de recomeçar.
E não seria isso o significado do ano novo? Dar uma nova oportunidade para nós, para a vida
E nesse recomeço, inspirada pelo samba de Arlindo Cruz, acredito que “iremos achar o tom, um acorde com lindo som e fazer com que fique bom outra vez, o nosso cantar, e a gente vai ser feliz…”
Com fé e esperança, desejo que seja ano novo em todos os seus dias.
Simone Domingues é psicóloga especialista em neuropsicologia, tem pós-doutorado em neurociências pela Universidade de Lille/França, é uma das autoras do canal @dezporcentomais, no YouTube. Escreveu este artigo a convite do Blog do Mílton Jung.