Para onde vão os votos de candidato indeferido

 

Por Antônio Augusto Mayer dos Santos

Conforme ensina Fávila Ribeiro (Direito Eleitoral, 2ª. Ed., Rio de Janeiro, Forense, p. 400), “É o registro a condição essencial a que se possa concorrer a cargo eletivo”. Para isso, os/as pretendentes devem reunir as condições de elegibilidade (CF/88, art. 14, §3º) e não configurar nenhuma hipótese da Lei Complementar 64/90, mais especificamente hoje, a tal de Ficha Limpa ou Suja. Caso contrário, na ausência de uma daquelas ou na presença de uma inelegibilidade, o registro da candidatura poderá ser impugnado ou indeferido, sem prejuízo de realização da campanha eleitoral. Entretanto, mesmo que tenha havido presença na urna eletrônica e votação, poderá se configurar o “ganhou mas não levou”.

Mencionada hipótese, recentemente reforçada pela decisão (inconclusa) do STF sobre a Lei Complementar Nº 135/10, além do impacto, frustra os protagonistas da disputa. Neste momento, surge um tema complexo cuja jurisprudência, em vista da proximidade do pleito, impõe reflexão: o destino dos votos sufragados a alguém cujo registro foi negado pela Justiça Eleitoral e que realizou campanha.

O candidato cujo registro esteja sub judice poderá efetuar todos os atos relativos à sua campanha eleitoral: abrir comitê, fazer carreata, visitações, santinhos, utilizar (e pagar) o horário eleitoral para sua propaganda no rádio e na televisão, etc. Porém, fique claro: tudo “por sua conta e risco, (…) ficando a validade de seus votos condicionada ao deferimento de seu registro por instância superior”, conforme já advertia a Instrução Nº 73 do TSE.

Com relação às candidaturas majoritárias (Governo, Vices, Senador e Suplentes), o posicionamento da Corte é firme na aplicação do § 3º do artigo 175 do Código Eleitoral, conforme o acórdão 3.100/MA: “candidato inelegível ou não registrado nas eleições (…) majoritárias: nulidade dos votos recebidos”. Em caso de eleição proporcional, o aproveitamento ou não dos votos tem solução distinta. O § 4º do antes mencionado dispositivo excepciona ao admitir como válidos os votos sufragados à candidatura que teve negado seu registro em decisão definitiva proferida após o pleito. Com isso, os votos são aproveitados e incorporados à legenda. Nos demais casos, os votos são considerados nulos, na forma do § 3º, segundo o TSE (acórdão Nº 3.112/RS, relator o Min. Luiz Carlos Madeira, DJ 16.05.2003).

Concorrer sem registro é, muitas vezes, situação causada pela letargia do TSE e, por isto mesmo, um risco potencial assumido por candidatos e partidos. Afinal, a normatização não determina à Justiça Eleitoral advertir os eleitores de que os candidatos concorreram “sub judice”. Mas fique claro: mesmo sem registro, o candidato nesta situação estará na urna eletrônica. No entanto, a sua votação será validada e computada para si, para a sua legenda e na formação de bancada somente se obtiver o registro, ainda que após a diplomação dos demais eleitos.

Ou seja: sem registro, sem votação.

Antônio Augusto Mayer dos Santos é advogado especialista em direito eleitoral, professor e autor do livro “Reforma Política – inércia e controvérsias” (Editora Age). Às segundas, escreve no Blog do Mílton Jung.

E por falar em Ficha Limpa

 

ficha-limpa-limpaSe cumprir promessa feita ao CBN SP, Celso Russomano do PP será o primeiro candidato ao Governo do Estado a se cadastrar no site do Ficha Limpa, apesar de faltarem cerca de 20 dias para a eleição. Se seguir a tendência dos candidatos ao Senado que estiveram no programa será mais um político a descumprir com a palavra assumida publicamente.

Na série de entrevistas com os candidatos ao Senado por São Paulo, perguntei a 10 deles se assumiam o compromisso de se cadastrar no site do Ficha Limpa. Apenas um se comprometeu e cumpriu: Marcelo Henrique do PSOL.

Sete, apesar de dizerem que iriam tomar a atitude no dia seguinte, até agora estão devendo a promessa: Netinho de Paula (PC do B), Ciro Moura (PTC), Afonso Teixeira (PCO), Dirceu Travesso (PSTU), Serpa (PSB), Mazzeo (PCB) e Redó (PP).

Dois se negaram a se cadastrar no site: Marta Suplicy do PT e Aloysio Nunes do PSDB.

O candidato ao senado Ricardo Young do PV não precisou ser cobrado, pois foi um dos primeiros em todo o Brasil a aderir ao Ficha Limpa.

Nessa quarta-feira, também fiz a pergunta ao candidato ao Governo Paulo Skaf (PSB) que disse não ter condições de fazer prestação de contas semanais, uma das exigências para ter o nome cadastrado no site. Ele também se negou a divulgar o nome dos financiadores de sua campanha antes das eleições.

Até a noite desta quinta-feira, 63 candidatos em todo o Brasil estavam cadastrados no Ficha Limpa dos quais sete concorrem ao Senado, três a governos estaduais e um à presidência. Confira a lista completa clicando aqui.

Marta quer Constituinte exclusiva para reforma política

 

Marta Suplicy PTCalma e caldo de galinha não faz mal a ninguém. Doses de Trimedal, também não. É o que a candidata ao Senado Marta Suplicy está tomando nesta campanha em que o nome dela aparece como favorita a uma das duas vagas de São Paulo para o Senado. O remédio é para combater a gripe que a “derrubou” – conforme ela própria comentou antes de entrar no ar. O resto é para conter o otimismo.
 
Os próprios adversários parecem certos de que a primeira vaga é dela, tanto que pregam o segundo voto: “eu continuo trabalhando como se tivesse em último”, falou para em seguida disparar uma série de locais que visitaria nessa sexta. Ouvidos mais apurados diriam que apesar deste cuidado ela se traiu ao dizer mais a frente que já se “sente Senadora” – mas poderia ser apenas uma referência ao fato de ser candidata a Senadora.

No ar fez questão de afirmar que não pretende ser ministra se Dilma Roussef vencer a eleição para presidente: “já avisei lá”. Para Dilma ? Não, lá onde interessa. Entendi, para o presidente Lula.

Fora do ar fez outra confidência. A prefeitura é uma página virada, apesar de algumas vezes pensar como é bom comandar a cidade de São Paulo: CEU, corredor de ônibus, bilhete único, citou entre algumas realizações.

Puxando o traço, se eleita será Senadora por São Paulo, até provem o contrário.

Como prioridade, reforma política e tributária.

Na primeira, gostaria de mudar o tamanho das bancadas estaduais na Câmara dos Deputados e acabar com esta história de suplente de senador ser eleito sem voto.

Sobre a segunda, comentou da possibilidade de rever a distribuição de verbas federais para o estado de São Paulo que gera a maior parte dos impostos.

Para as duas, uma Constituinte exclusiva poderia ser a solução – foi o que defendeu.

Foi preparada para o programa. Com o registro do TRE e a cópia da movimentação financeira da campanha em mãos, sequer deixou eu terminar a pergunta sobre ela não estar cadastrada no site do Ficha Limpa: “não vou me cadastrar” e “vou cumprir a lei eleitoral”. Ou seja, não vai dar ao eleitor o direito de saber antes da votação quem são os doadores da campanha dela.

Marta ensaiou uma explicação: as empresas é que pediriam para o nome delas não ser divulgado agora pois temem que haja fila de candidatos e partido com o pires na mão. Assim, como a maioria dos candidatos ao Senado, prefere manter o compromisso com os doadores da campanha.

Aos que defendem a transparência absoluta nas contas da campanha, resta esperar mudanças na lei eleitoral. Enquanto estas não veem, a receita é a mesma da candidata: calma e caldo de galinha. O Trimedal deixa que eu tomo.

Ficha Limpa faz propaganda na sujeira

 

Entulho no metrô Capão Redondo

Por Devanir Amâncio
ONG Educa São Paulo

A mini montanha de entulho, em frente ao Metrô Capão Redondo,na avenida Carlos Caldeira Filho com Estrada de Itapecerica, Zona Sul, tem até um fusca. O entulho ainda tem um morrinho de chão batido – cercado pelo conformismo – que é usado por crianças em suas brincadeiras com pipas em dias de sol e vento. Agora eleva o nome de um candidato que, no cavalete, se apresenta como Ficha Limpa. O local goza de grande visibilidade. O importante é aparecer!

Cláusula do “veja bem” afasta candidato do Ficha Limpa

 

ficha-limpa-limpaUma carta foi enviada a todos os candidatos a presidência da República para eles não esquecerem de se cadastrar no site Ficha Limpa. A lembrança foi necessárias porque apesar de toda a publicidade em relação ao serviço que está no ar há duas semanas, nenhum deles se inscreveu até agora.

O problema talvez não seja de memória. E, sim, da cláusula do “veja bem”.

Para se inscrever no Ficha Limpa é preciso apresentar um documento, o de registro da candidatura no TRE, e três declarações: de que não tem condenação em outros Estados, não renunciou a mandato para evitar cassação e – aqui mora o perigo – o que assume o compromisso de publicar na internet a prestação de conta da campanha, semanalmente, com o nome dos doadores, valores recebidos e gastos realizados.

O registro no Tribunal, é simples, pois somente com ele pode disputar o cargo. Basta tirar uma cópia e enviar. A declaração de que nada deve para a Justiça, a maioria pode assinar. Mas a declaração de que vai tratar com transparência as doações na campanha, “veja bem” é preciso …. ou, não tenho como …. ou, as empresas não querem … ou, qualquer outra desculpa que surgir na hora afasta o candidato do site.

Por isso, levantamento apresentado, hoje, pelo Instituto Ethos, que integra o Movimento de Combate a Corrupção Eleitoral, mostra que apenas 35 candidatos estão cadastrados no site Ficha Limpa, dos quais apenas dois concorrem a governador: Fernando Gabeira (PV/RJ) e Soraya Tupinambá (PSOL/CE). Ao Senado, são seis, a Câmara dos Deputados, 27.(A lista completa aqui)

Há uma lista de 75 pedidos ainda não aceitos pelos organizadores, pois as informações enviadas estão sendo analisadas. Desde o início do projeto, houve seis denúncias de candidatos cadastrados que não estavam atualizando as contas na internet, mas assim que foram cobrados, os candidatos colocaram as informações em dia. Ninguém foi descadastrados, até agora.

Ainda não chegaram os documentos do candidato Netinho de Paula, que concorre ao Senado pelo PC do B, e se comprometeu publicamente, durante entrevista ao CBN São Paulo, de se cadastrar no Ficha Limpa. Veja bem …

A adesão não é pequena até agora ?

“Eu já esperava”, disse Oded Grajew do alto de seu cabelo e barba brancos, sentando na parte central de uma enorme mesa, ao lado de mais dois ou três integrantes do movimento de combate à corrupção eleitoral. Aos jornalistas que almoçavam a convite do Ethos e se pautavam nas informações servidas, Oded disse que o ideal será o dia em que haverá tantos candidatos dispostos a se inscrever no Ficha Limpa que o serviço não será mais necessário.

Melhor a gente ir para o cafezinho porque vai demorar.

Ficha Limpa pode impugnar 60 candidaturas, em SP

 

ficha-limpa-limpaApós analisar a ficha e os cadastros de 3.100 candidatos, a Procuradoria Regional Eleitoral de São Paulo pediu a impugnação de 1.486 registros, entre eles o do deputado federal Paulo Maluf (PPS) que concorre à reeleição. Assim como o ex-prefeito, 60 candidatos podem perder o direito de disputar esta eleição por não atenderem as exigências da Lei Ficha Limpa.

De acordo com o Procurador Regional Eleitoral de São Paulo Pedro Barbosa Pereira Neto foram apontados problemas, também, na candidatura de Paulo Skaf (PSB) ao Governo de São Paulo. O empresário não apresentou documento que comprove o afastamento dele da presidência da Fiesp dentro do prazo previsto em lei eleitoral. Neste caso, porém, o próprio procurador entende que basta o envio do documento.

Todos os pedidos de impugnação serão julgados pelo TRE-SP, tendo os candidatos ainda direito de recorrer ao TSE.

Ouça aqui a entrevista com o Procurador Regional Eleitoral de São Paulo Pedro Barbosa Pereira Neto, ao CBN SP


Agora o outro lado

A assessoria do candidato Paulo Skaf enviou nota sobre o assunto:

“O entendimento dos advogados da campanha é que a Fiesp não é entidade sindical, assim, Skaf não estaria sujeito às regras de desincompatibilização de outros órgãos sindicais. Ainda assim, por excesso de zelo, e para que não fosse alegado durante a campanha o uso da máquina da entidade em prol da candidatura, o candidato do PSB se licenciou da presidência da Fiesp dentro do prazo legal. Hoje mesmo será entregue à Justiça Eleitoral um documento com tal comprovação, com o intuito de sanar eventuais dúvidas da Procuradoria”

Candidato deve assumir compromisso com transparência

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ficha-limpa-limpaAté o início desta sexta-feira, nenhum candidato havia se cadastrado no site Ficha Limpa, no ar desde ontem. Mas, por enquanto, sem desespero ou pré-julgamento. Não significa que nenhum esteja interessado em se comprometer com a causa. Justifica-se a ausência, neste momento, pela necessidade deles terem de levantar uma série de documentos e encaminhá-los para avaliação.

Por e-mail, fui questionado por uma candidata ao cargo de deputado estadual, interessada em se cadastrar no Ficha Limpa. Ela não havia encontrado o caminho para enviar a documentação e ter seu nome listado no site. “Não teremos este direito”, me perguntou.

Fui consultar os organizadores que me explicaram que, neste ano, apenas os cargos nacionais estão disponíveis, devido a questões técnicas. Se estendessem o programa aos candidatos a deputado estadual haveria uma demanda que superaria a capacidade de armazenamento do serviço. A intenção é que isto se amplie já com a inclusão de prefeitos, em 2012, e para todos os cargos, em 2014.

Isto não quer dizer que o candidato à Assembleia Legislativa não tenha de ser Ficha Limpa, muito menos que não deva se comprometer com as ideias que movem o serviço desenvolvido pela Articulação Brasileira contra a Corrupção e a Impunidade (ABRACCI) e o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE) .

Um dos compromissos é o de realizar a prestação de contas da campanha eleitoral, informando semanalmente a origem dos recursos obtidos e os gastos efetivados. Para tal, basta o candidato abrir um blog ou um site e tornar estas informações públicas.

Na eleição à prefeitura de São Paulo, em 2008, durante a série de entrevistas que realizei no CBN SP, todos os candidatos foram convidados a fazer a prestação de contas da campanha antes mesmo do prazo determinado pela lei eleitoral. Muitos alegaram que não iriam fazer a divulgação para não criar constrangimento às empresas e pessoas que financiavam a campanha. Ou seja preferiam manter compromisso com o doador do que com o eleitor.

Apenas Soninha Francine (PPS) e Ivan Valente (PSOL) aceitaram declarar antecipadamente quem havia feito doações a candidatura deles.

Sobre a importância de se ter acessos a estas informações, conversei nesta semana com Fabiano Angélico, da Transparência Brasil. A ONG mantém o site Excelências, onde é possível encontrar uma quantidade enorme de dados sobre os atuais parlamentares, muitos dos quais candidatos à reeleição. Cruzar informações sobre projetos de lei que apresentaram ou propostas que defendem com o nome dos grupos econômicos interessados na candidatura do político pode ajudar a traçar um perfil mais apurado dele.

Ouça aqui a entrevista com Fabiano Angélico, da Transparência Brasil.

Ficha limpa em 2010

 

Por Antônio Augusto Mayer dos Santos

Em resposta a uma Consulta formulada por um Congressista, na sessão do dia 17 de junho, os Ministros que formam o Tribunal Superior Eleitoral decidiram que as regras da vulgarmente denominada Lei da Ficha Limpa deverão ser aplicadas nas Eleições 2010, inclusive para os casos de condenação anteriores à vigência da lei. Ou seja: o que consta da lei se aplica aos casos concretos que surgirem no âmbito da Justiça Eleitoral.

A LC 135/10, que pelo visto será conhecida e referida pela maioria como Lei da Ficha Limpa, estabelece, em síntese, que candidatos que tiverem condenação (criminal, eleitoral ou cível) por órgão colegiado, ainda que caibam recursos, ficarão impedidos de obter o registro de candidatura, pois serão considerados inelegíveis. Ou seja: ainda que a decisão seja de primeira instância, se esta for colegiada, a mesma determinará que o condenado possa continuar votando mas não ser candidato.

Nesta decisão, a tese de interpretação vencedora foi a do relator, Ministro Arnaldo Versiani, o qual manifestou o entendimento de que não se trata de retroatividade e sim de aplicação da lei, exatamente nos termos do que fora debatido e aprovado pelo Congresso Nacional e sancionado pelo Presidente da República.

O argumento se sustenta, eis que a lei nova, tanto quanto a anterior, não é de natureza penal. Portanto, ainda que contendo disposições e punições bastante severas, pode regulamentar situações pretéritas. Além disso, “vida pregressa”, no sistema jurídico brasileiro, é uma situação dúplice, que abrange antecedentes sociais e penais, sendo, por isso mesmo, de consideração necessária a presunção de não-culpabilidade (ou de inocência, como referem alguns) prevista na Constituição Federal.

Quanto mais não fosse, na própria exposição dos motivos da edição da Lei Complementar nº 64, de 1990, agora alterada e endurecida, consta que “o objetivo primacial da presente propositura é estabelecer limites éticos de elegibilidade, especialmente no que diz respeito ao exercício do poder; à influência do comando sobre comandados; ao poder de império dos controladores do dinheiro público; ao uso dos meios de comunicação de massa; e aos efeitos espúrios do poder econômico por parte dos que postulam funções eletivas e o exercício da administração pública”.

A posição do TSE foi firmada por maioria de votos, vencidos os Ministros Marco Aurélio e Marcelo Ribeiro. O Ministro Marco Aurélio, que recentemente completou 20 anos de magistratura no STF, votou invocando o respeitável entendimento de que uma lei que altera o processo eleitoral não pode ser aplicada exatamente à eleição que ocorra até um ano da data de sua vigência, conforme determina o artigo 16 da Constituição Federal (entretanto, a jurisprudência consolidada no STF está em sentido oposto a este). O Ministro afirmou também que uma lei nova, em regra, não pode reger situações anteriores.

Portanto, em vista de que a decisão do TSE pode ter contrariado o texto da lei examinada, eis que uma emenda do Senador Francisco Dornelles (RJ) consagrou a expressão “os que forem condenados”, a matéria pode ser remetida ao Supremo Tribunal Federal. Caso não seja, os Governadores de Estado cassados entre 2008 e 2009 não poderão concorrer a nada em 2010, mesmo que a muito condenados e afastados de seus cargos. Contudo, em situação ainda mais dramática ficam os Vices, que são condenados, salvo se não incorreram em infração eleitoral, apenas porque integram a chapa majoritária.

Em resumo: o tema é juridicamente relevante e complexo, podendo refletir em mandatos obtidos na eleição de outubro próximo, para qualquer cargo em disputa.

Antônio Augusto Mayer dos Santos é advogado especialista em direito eleitoral, professor e autor do livro “Reforma Política – inércia e controvérsias” (Editora Age). Às segundas, escreve no Blog do Mílton Jung.

Pauta #cbnsp: “Ficha Limpa vale pra este ano”

 

CBN SPO projeto Ficha Limpa, aprovado no Senado na quarta-feira, entra em vigor ainda na eleição deste ano, disse o advogado eleitoral Antônio Augusto Mayer dos Santos, colunista aqui no Blog do Mílton Jung. Na conversa que tivemos no CBN São Paulo, nesta manhã, Antônio Augusto chamou atenção para os questionamento jurídicos que podem atrapalhar a implantação a lei. Acompanhe a entrevista.

Telefone celular – A Anatel apresentou duas propostas para alterar os números de celulares da região metropolitana de São Paulo. A mudança é necessária porque as combinações de oito dígitos disponíveis para a telefonia móvel dentro da área com código 11 estão próximas de se esgotarem. Para participar da consulta, basta acessar o site http://www.anatel.gov.br. Saiba mais acompanhando a entrevista de Estella Guerrini, advogada do Instituto Brasileiro do Consumidor – IDEC.

Represa Billings –
Um área de 35 mil m2 da Represa Billings foi aterrada durante a construção do trecho sul do Rodoanel, em São Paulo. O local deveria ser recuperado após o término da obra, mas o Governo do Estado pretende agora transformá-lo em um parque. O Ministério público decidiu, assim, reabrir a investigação para identificar o impacto ambiental que a medida pode acarretar na região de manancial. A entrevista foi com o promotor Marcos Lúcio Barreto.


Esquina do Esporte –
O São Paulo se classificaria mesmo se Kleber não fosse expulso no início do jogo; e o Santos é insuperável, neste momento. No encontro de hoje, falaram das decisões na Libertadores e na Copa do Brasil Deva Pascovicci, Mário Marra e Marcelo Gomes.

Época SP – A exposição Corpos estará na OCA, no Ibirapuera, a partir de sexta-feira. Esta foi uma das dicas do Rodrigo Pereira.

Pressão para aprovar Ficha Limpa antes da eleição 2010

 

Por Francisco Whitaker

Adote um VereadorEntregue à Câmara dos Deputados em 29 de setembro de 2009, com 1.300.000 assinaturas, o Projeto de Iniciativa Popular conhecido como da Ficha Limpa começa agora a efetivamente tramitar, com relativa celeridade.

Imediatamente depois de apresentado, ele foi subscrito por 32 parlamentares, para que sua tramitação pudesse ser iniciada. As primeiras reações indicavam que haveria muita resistência. Não se conseguiu que o Colégio de Líderes o incluísse na pauta antes do recesso parlamentar.

Retomados os trabalhos em fevereiro isso se tornou possível, por força da pressão da sociedade. O Presidente Michel Temer criou um Grupo de Trabalho especial – menos formal e menos burocrático que uma Comissão – com prazo até o dia 17 de março para terminar seus trabalhos. Sua missão era a de analisar o projeto da Ficha Limpa juntamente com outros 10 projetos sobre o mesmo tema, todos apensados ao projeto 16863, com vistas à eventual elaboração de um substitutivo a ser apresentado ao Plenário da Câmara.

No dia seguinte ao de sua criação (18 de fevereiro), esse Grupo fez sua primeira reunião. Decidiu-se então convocar para o dia 24 uma Audiência Publica para ouvir a sociedade civil, autora do projeto.
A Audiência foi longa e produtiva, conseguindo-se um bom diálogo entre parlamentares e os representantes das entidades do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral – MCCE ali presentes. Os ventos pareciam estar mudando de direção. Durante a Audiência foram entregues mais 70.000 assinaturas, chegando-se agora a um total de 1.577.523 assinaturas.

No dia seguinte, na 2ª reunião do Grupo de Trabalho, os parlamentares começaram a discutir o projeto e o relator propôs que até o dia 3 de março eles lhe encaminhassem suas propostas de mudança. Decidiu-se também nessa reunião convidar, para debater o projeto, o Presidente do TSE, o Presidente do STF e o Procurador Geral da Republica. Decidiu-se ainda que atos de apoio ao projeto que fossem realizados nas capitais teriam a presença de membros do Grupo de Trabalho. Ficou também acertada uma nova Audiência Publica com a sociedade civil no dia 16 de março.

A equipe do MCCE encarregada de acompanhar a tramitação do projeto fez uma análise das sugestões da Audiência e dos 10 outros projetos apensados e elaborou uma proposta de redação, que aprimora o texto e garante que não seja desvirtuado o projeto original.

Ainda há fortes resistências mas se intensificarmos nossa pressão poderemos ver esse projeto aprovado neste semestre.

Torna-se importante:

– Realizar atos públicos nos Estados na primeira quinzena de março (preferivelmente nas 2as ou 6as feiras, para facilitar a presença de parlamentares). É conveniente avisar a data ao presidente do Grupo de Trabalho (Deputado Martini) para que ele possa mobilizar os deputados interessados. (0xx61 3215.5758 ou à assessoria do Grupo de Trabalho: terezinha.donati@camara.gov.br).
– Continuar a pressão (por e.mails e contatos pessoais) sobre os deputados de cada estado.
– Estimular a presença de quem morar ou estiver em Brasília na Audiência Pública do dia 16 de março.


Francisco Whitaker é da Comissão Brasileira Justiça e Paz, da CNBB, e do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral