Avalanche Tricolor: entre o certo e o incerto, vamos ao que interessa

 

Grêmio 1×1 Fortaleza

Brasileiro — Arena Grêmio

Darlan briga pela bola em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

O Grêmio tem jogado fora boas oportunidades de marcar três pontos, fora e dentro de casa. Lá fora, em partidas que dominava, mas nas quais não conseguiu marcar gols com a mesma frequência de anos anteriores. Cá dentro (ou na Arena), o desperdício chama ainda mais atenção: de 12 pontos disputados ganhou cinco apenas; dos seis últimos pontos, ficamos com um, conquistado no empate deste domingo.

Feitas as contas, o aproveitamento do Grêmio é melhor fora do que dentro de casa. Estranho, não?!? Talvez não!!! Talvez a ausência de público na Arena, desde a retomada do futebol, esteja sendo um dos motivos para o rendimento anormal de um time que costumava amassar o adversário com o empurrão de sua torcida — você há de convir que aqueles gritos programados na caixa de som não enganam ninguém. 

O time troca passe, mas não com a mesma velocidade de antes. Os jogadores se movimentam em ritmo menos intenso no ataque e na defesa. A marcação sofre com tudo isso. O que só me faz ajoelhar e agradecer por termos Geromel e Kannemann na zaga. Sem eles, poderíamos estar ainda mais vulneráveis. Hoje, da dupla titular, o gringo ficou de fora. Que volte logo e em forma.

Somou-se a falta de Kannemann, a ausência de outras peças importantes como Maicon, que ficou pouco tempo em campo (saiu lesionado), e poderia com seu talento fazer a bola rolar mais rapidamente e com sua liderança fazer o time correr; e como Pepê, nosso velocista. 

Luiz Fernando que teve boa atuação nos poucos minutos em campo contra o Bahia, voltou a ser escalado no segundo tempo contra o Fortaleza e dá sinais de que pode se encaixar na equipe. Tem entrado  com vontade e fome de bola —- hoje com vontade além da conta e, ao ser expulso, prejudicou o time que havia feito jogar melhor.

Torcida e time (quase) sempre jogaram juntos nestes anos todos de títulos. Houve até partidas em que a torcida fez mais do que o próprio time. Hoje, essa força motriz está em falta … e tem de ser substituída por outros fatores, porque assim será para todo o ano de 2020. Mais um desafio para Renato que sempre apostou no carisma que tem com o torcedor —- além de seu conhecimento estratégico e comando de grupo —-  para colocar o time no caminho das vitórias.

A perda de pontos importantes, a série de empates e os percalços em casa talvez sejam pela falta do torcedor, talvez sejam pela ausência de alguns jogadores, talvez sejam apenas por que estamos nos reconstruindo em um temporada atípica como essa que vivenciamos. Não temos como saber ao certo.

Dito isso, vamos ao que interessa. 

Nessa sequência de incertezas, a única certeza que tenho é que um bom resultado na retomada da Liberadores, no meio da semana, fará toda a diferença. Que venha a vitória!

Avalanche Tricolor: Jean Pyerre tem futebol e sobrenome de craque

 

Grêmio 1×0 Fortaleza
Brasileiro — Centenário, Caxias do Sul/RS

 

Gremio x Fortaleza

O talento de Jean Pyerre em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Recorri ao VAR aqui de casa para entender a dimensão da jogada de Jean Pyerre que nos levou a marcar o único e decisivo gol da partida desse sábado à noite. Como já tínhamos 44 do segundo tempo e apenas mais alguns minutos de acréscimo, no momento em que Pepê desviava a bola para rede eu já não conseguia prestar atenção em mais nada do que acontecia no gramado do Centenário —- sim, tivemos de jogar lá em Caxias do Sul, onde o frio é mais frio e a chuva, mais gelada, porque a Arena está reservada à Copa América.

 

Naquele momento, só me passava pela cabeça o risco de ficarmos mais um jogo sem vitória, mesmo tento atacado muito e mantido a bola sob nosso domínio por muito mais tempo do que o adversário; imaginava o constrangimento de mais uma segunda-feira de trabalho dando explicações dos motivos que nos faziam ocupar o Z4; e, pior ainda, saber que estaríamos alimentando por mais tempo os teóricos da conspiração durante toda a parada para a Copa América.

 

Foi, então, que de repetente vi Jean Pyerre metendo a bola pelo meio da área para encontrar lá do outro lado Pepê, que com um chute cruzado fez o gol da vitória. Demorei para comemorar. Queria ter certeza de que a bola seguiria o seu destino. E a impressão que tive é que ela demorou para se decidir, também: entro ou não entro? Entrou.

 

Na comemoração já tinha ideia da beleza do lance, mas, como disse, a visão estava embasada pela tensão do empate que se realizava em mais uma partida em casa, ou melhor, em que tínhamos o mando de campo. Por isso, antes de começar a escrever esta Avalanche fiz questão de ver e rever o lance na tela do computador. Vi em velocidade normal, revi em câmera lenta, congelei a cena e repeti tudo de novo por mais algumas vezes.

 

Meu VAR ajudou-me a entender como tudo se iniciou e como o futebol nos reserva surpresas. Sabe-se que Jean Pyerre tem talento superior a média, mas muitos o consideram lento de mais nas jogadas. Há os que reclamam da dificuldade dele em desarmar o adversário. E os que entendem que lhe falta fôlego para aguentar o tranco dos jogos mais duros, por isso acaba sendo substituído ao longo do segundo tempo.

 

Eis que já tínhamos um jogo inteiro em disputa, com desgaste de lado a lado, e foi exatamente Jean Pyerre quem apareceu para desarmar a tentativa de ataque do adversário. Interceptou a jogada no meio de campo e olhou para frente em busca de um companheiro. Percebendo o espaço que a marcação lhe oferecia, deu velocidade ao ataque com quatro passadas longas e domínio preciso da bola. Qualquer jogador comum não teria encontrado outra solução senão arriscar o chute.

 

Jean Pyerre está distante de ser um jogador comum. Tem talento, tem elegância e não tem medo de criar. Não bastasse ter sobrenome de craque: é Casagrande. 

 

Com a confiança que lhe é peculiar, o nosso meio-campista enfiou a bola rasteira entre quatro jogadores adversários. Fez a bola cruzar em diagonal e fora do alcance deles. Colocou-a no que no passado chamávamos de “ponto futuro”, onde haveria de aparecer Pepê, que fez a leitura certa da jogada de seu companheiro, correu por trás dos zagueiros, se antecipou a marcação e encontrou força suficiente para marcar o gol.

 

Um golaço que revela quantos talentos — como Jean Pyerre e Pepê — ainda temos sendo forjados para as novas conquistas e para substituir aqueles que por obra do destino se vão embora. E que nos garantiu três pontos importantes para nos dar ânimo para o período de preparação que teremos pela frente, assim que cumprirmos o compromisso desse meio de semana pelo Brasileiro.

Avalanche Tricolor: Deu para sorrir

 

Fortaleza 0 x 2 Grêmio
Copa do Brasil – Fortaleza (CE)

 

 

Sabe quando você está naqueles dias em que nada dá certo? Uns falam em inferno astral, outros em onda de azar. É a fase, comenta o amigo. Vai passar, consola o colega. Tudo bobagem da sua cabeça, ouço em tom de reprimenda. Seja como for, quando se está nessa é sempre bom procurar uma boa notícia ou um fato que possa ser animador. Quem sabe dar um cavalo de pau na história que nos ajude a enxergar um novo horizonte. A vitória do Grêmio nessa noite de quarta-feira tem um pouco esse efeito. Quando você vê que aquela bola que tinha tudo para explodir nas arquibancadas lá atrás do gol se transformar em um golaço, abre-se uma perspectiva diferente. Refiro-me ao lance protagonizado por Marco Antonio, um meio-campo que ainda não se firmou na equipe, mesmo tendo chegado com boas recomendações após o futebol que apresentou na Portuguesa. Pegou de voleio ou de sem-pulo, acho que é assim que chamam aquele tipo de chute, na entrada da área e enfiou no ângulo. Se você ainda não viu a jogada, vale procurar na internet (ou clique aqui). Eu vi, revi e voltei a ver mais algumas vezes. Era de um lance assim que estava precisando para levantar o astral. Não que o futebol seja capaz de mudar a nossa vida, mas quando estamos a procura da alegria confiscada o prazer de uma vitória é sempre bem-vindo. Sendo assim, obrigado Grêmio – e Marco Antonio e Marcelo Moreno – pelo sorriso no rosto.

A bicicleta ainda vai te pegar

 

 

Acabo de sair do Rio de Janeiro e ainda estou a bordo do avião que me traz de volta a São Paulo, enquanto escrevo este texto. Havia um mormaço na cidade que levou muita gente para a praia, nessa segunda-feira. Nada impressionante, pois estamos no Rio e em período de férias. O branco da pele de algumas pessoas que vi passeando na orla – diga-se, as vejo da janela do táxi – sinaliza que muitos são turistas. O que realmente me impressionou foi a legião de bicicletas laranjas na beira mar, ruas e avenidas adjacentes. Estão disponíveis para aluguel e, me parece, caíram no gosto dos cariocas e simpatizantes pela praticidade que oferecem e pelo baixo custo – os mensalistas pagam R$ 10 e se for por apenas um dia, R$ 5. Não havia um trecho do roteiro Santos Dumont-Leblon-Santos Dumont, que cumpri para atender compromisso profissional, no qual não havia uma “Laranjinha” interferindo na cena. Seriam 600 disponíveis e carregando a marca e a cor do Banco Itaú em uma bela jogada de marketing – assim como o Bradesco fez ao adotar a Ciclofaixa de Lazer, em São Paulo. A capital paulista também tem bicicletas de aluguel, estão em estações de metrô, especialmente, mas não chamam tanta atenção porque se escondem entre os carros.

 

Ainda com a imagem das bicicletas cariocas na cabeça, logo que sentei na poltrona do avião me deparei com elas em destaque em reportagens da revista de bordo da Gol Linhas Aéreas. Se os salgadinhos e docinhos não agradaram, a leitura se fez agradável com o texto e as fotos de Denis Russo Burgierman que descreve a aventura de passar três dias visitando o centro paulistano a bordo de um bicicleta. Pedalou 80 quilômetros e conheceu hotéis, restaurantes, bares e demais atrações turísticas. Uma das recomendações: ter em mãos o mapa Ciclo Rotas SP 2011, idealizado por Leandro Valverdes, um dos donos da Ciclo Vila, bicicletaria na Vila Olímpia. Denis usou um bicicleta dobrável que agilizou o passeio e a hospedagem.

 

Não é que encontro outra bicicleta, na mesma edição. Esta bem mais velha, com marcas de ferrugem e, curiosamente, usada por um repórter digital. Explico. A publicação convidou dois repórteres a viajarem para Fortaleza, um com todo tipo de facilidade oferecida por equipamentos eletrônicos e o outro, a moda antiga – até máquina de fotografia com filme, ele portou. Lucas Pretti precisou de informações que estavam na internet, acessada em seu celular, para saber onde alugar uma bicicleta, pois funcionários de hotel, taxistas, vendedores e moradores não tinham a menor ideia, o que demonstra que a prática não é comum: “A cidade não tem infraestrutura nem apelo turístico voltado a experiências urbanas. Também não há ciclovias, mas a cidade é plana, com uma paisagem linda, e a coragem de se aventurar era grande … Para mim foi mais divertido tomar sol pedalando do que em uma cadeira na praia. Um prazer que só a internet pôde proporcionar” – escreveu Pretti.

 

Assim como todos as demais cidades brasileiras, Fortaleza tem de estar pronta para a ocupação urbana que os ciclistas estão proporcionando. E você fique atento porque um bicicleta ainda vai te pegar (no bom sentido). Esteja no táxi ou na poltrona do avião, elas tomam cada vez mais espaço.