Avalanche Tricolor: Paciência e caráter

Paulo Autuori, futuro técnico do GrêmioForam duas semanas das mais perigosas para o Grêmio. Nem tanto pelos adversários em campo, superados um após o outro, a ponto de estarmos hoje com uma das melhores campanhas do futebol sul-americano. Mas corremos sérios riscos. E não digo isso devido a ausência do técnico, não. Rospide se comportou bem para a função de interino. Seu rosto tímido ao lado do gramado estava a altura do seu papel.
Os nomes que surgiram na mídia para substituir Celso Roth é que não ofereciam segurança nenhuma. Diga-se a bem da verdade que dos diretores do Grêmio, os que decidem mesmo, jamais ouvi que pretendiam contratar este ou aquele treinador – exceção a Paulo Autuori, por quem iremos esperar mais 30 dias . Mesmo os pedidos insistentes por Renato Gaúcho, inclusive com aval de Fábio Koff, foram elegantemente negados. Desde o fim de semana, leio também que Vanderlei Luxemburgo estava cotado. Ninguém confirmou. Mas confesso que temi o pior.

A cobrança por uma decisão rápida, apressada, no afogadilho, conspirava contra o Grêmio, após o erro na forma e momento com que Celso Roth foi afastado. Para atender a pressão, Duda Kroeff e companheiros poderiam falhar como nossos atacantes o fizeram nas primeiras partidas da Libertadores ou os homens do meio de campo ao não serem precisos no passe ou nossos defensores quando dão o bote errado para desarmar o adversário.

Paciência é um mérito. Não sei se foi esta a virtude exercitada pelo presidente do Grêmio no evento da contratação de Paulo Autuori.  Um contratação acertada, mesmo com a presença apenas após as oitavas-de-finais da Libertadores e a estreia do Campeonato Brasileiro. Melhor a espera do que o erro da precipitação.

Seja o que tenha sido, o destino nos ajudou, afastou os perigos e vai colocar no comando da equipe gremista alguém que conquistou duas Libertadores e o respeito de clubes no mundo inteiro. Alguém a altura do Grêmio, pelo conhecimento e pelo caráter. Por que para mim, caráter é fundamental.

Corinthians e Santos, O Grande Jogo

Capa de O Grande JogoNão é nenhuma previsão para a final do Campeonato Paulista, mesmo depois dos resultados do fim de semana. Até porque São Paulo e Palmeiras precisam apenas vencer Corinthians e Santos pelo tal placar simples de 1 a 0. Uso o “tal simples”  pelo fato de que nem sempre é tão simples assim marcar um gol, principalmente em clássico. E contra dois times que tem a tradição dos alvi-negros paulistas.

“O Grande Jogo”, que você lê no título deste post, é o nome que batizou livro escrito pelos jornalistas Celso Unzelte e Odir Cunha,  a ser lançado nesta terça 14.04, no Museu do Futebol, às sete da noite, em São Paulo. No livro, está transcrita uma conversa entre os dois  fanáticos torcedores, o corintiano Celso e o santista Odir. Sim, dialogar com o adversário é possível e, às vezes, o resultado final é bastante interessante, como promete o livro que fala daquele que Pelé disse ser “o maior clássico do mundo”.

O CBN São Paulo reuniu os dois nesta segunda-feira para ter ideia do que iremos encontrar em “O Grande Jogo”.

Ouça a entrevista com Celso Ulzete e Odir Cunha

Avalanche Tricolor: Quer saber, é Libertadores !

Grêmio x Aurora (Foto: Gremio.net)

Grêmio 3 x 0 Aurora

Libertadores – Olímpico Monumental


Da série, você não me perguntou mas eu vou contar.

A Libertadores é a nossa cara. É a nossa casa. É lá que nos sentimos à vontade. É por ela que colocamos a cabeça na ponta da chuteira adversária. Que sustentamos a sola do marcador no joelho. Que vibramos como se cada jogada fosse um gol. Cada gol um troféu. Cada título uma vida.

Vou dizer mais.

Pode não ter sido uma partida excepcional.. Não vimos jogadas para ficar na história. Bem que alguns tentaram, mas não conseguiram. O cabeceio do Rafael Costa e  o voleio de Rever que acabaram em gols foram bonitos. O Souza exagerou na tentativa de marcar o seu. Adílson cada vez mais se afirma como volante, forte na marcação, preciso no passe.

E continuo.

Houve instantes brilhantes como a bola trocada de um pé para o outro de Tcheco que foi encontrar Herrera do lado direito. Ele olhou para a área e lá dentro estava Máxi Lopez. Vai que é sua, gringo ! O argentino subiu como devem subir os atacantes. Girou a cabeça enquanto a bola se aproximava e a golpeou na hora certa. O rabo de cavalo se espalhou na entrada da pequena área. Goleiro e zagueiros do time boliviano só puderam assistir a tudo. A bola foi parar no ângulo oposto, rolou encostada na rede e antes mesmo de chegar a grama, no fundo do poço, Máxi corria em direção a torcida com o dedo indicador apontado para cima. Era o primeiro gol dele na Libertadores. De muitos.

E prá terminar.

Teve passe errado, claro que teve. Teve furada na bola, também. Drible mal dado. Chutão prá ninguém ver. Falta violenta. Reclamação exagerada contra o juiz. Jogador que pouco apareceu em campo. Um monte de coisa que a gente não gosta. Mas, acima de tudo, havia o Grêmio em campo disputando a Libertadores. Líder isolado e invicto.

E Libertadores, caro ouvinte – que amanhã, certamente, não me enviará um e-mail sequer para perguntar, ironicamente, “como foi o Grêmio, ontem ?” – é para poucos. E dentro os poucos, está o Imortal Tricolor.

Avalanche Tricolor: A César o que é de César

Grêmio, teu negócio é Libertadores

Inter 2 x 1 Grêmio
Gaúcho – Beira Rio

Comemorar 100 anos de história é momento marcante. Tem de se planejar bem a festa. Convidar as pessoas certas. Deixar a casa bonita. Aproveitar cada instante para relembrar seus feitos. Dar o que se tem de melhor. Fazer de conta que todas as vitórias foram conquistadas sem ajuda externa, um apito amigo ou coisa que o valha (ou não valha). Dar um colorido especial mesmo para aquelas lembranças nem tão felizes assim como o primeiro clássico, a goleada imperdoável, o título jogado fora no último jogo, ou o pênalti desperdiçado. As datas são para serem celebradas, mesmo.

Por tanto, é muito justo que, neste domingo – mesmo com um injusto resultado -, os colorados tenham deixado o Beira Rio cantando “Parabéns a você”. Merecem, neste centenário, ser campeões do Campeonato Gaúcho. É o que merecem.

Ao Grêmio, a Libertadores, que disputou 12 vezes, foi campeão em duas e vice em mais duas. Da qual é líder invicto e tem das melhores campanhas até aqui nesta temporada.

Aliás, quando entrar no gramado do estádio Olímpico, já nesta terça-feira (sim, apenas 48 horas após o Gre-Nal, pois os torneios estaduais ainda são considerados importantes por alguns), o Imortal Tricolor terá  a oportunidade de olho no olho, respirar fundo e dizer: Libertadores, enfim sós !

Avalanche Tricolor: Prá comemorar o centenário

Camisa em comemoração ao centenário do primeiro Gre-Nal

Caxias 4 x 0 Grêmio do B
Gaúcho – Estádio do Centenário

Caprichoso o destino que programou para o próximo domingo um Gre-Nal quando na véspera o Inter completa 100 anos de fundação. A lógica colocaria os dois grandes do futebol gaúcho frente à frente daqui uma semana, provavelmente. Mas o inesperado resultado desta quinta-feira à tarde – que, convenhamos, não é dia de jogar bola -, em um estádio que leva o nome de “Centenário”,  nos propiciou a oportunidade de participarmos desta festa, e na casa do aniversariante.

Teremos a possibilidade de reviver as emoções do primeiro confronto entre as duas equipes que fizeram o futebol do Rio Grande do Sul destaque mundial. Foi a 100 anos, também, que o torcedor experimentou pela primeira vez o sabor desta disputa.

No dia 18 de julho de 1909, no estádio da Baixada, com cinco gols de Booth, quatro de Grünewald e um de Moreira, o Grêmio aplicou uma goleada histórica no tradicional adversário: 10 a 0. Resultado marcante que os gremistas decidiram lembrar com uma camisa comemorativa, neste 2009. A minha já está em casa pronta para ser vestida mais uma vez com o orgulho que tenho do meu time.

E se mais uma vez as linhas tortas nos empurraram para este caminho, precisamos agora convencer aqueles que forem escalados a vestir o Manto do Imortal, no domingo, que há uma história a ser honrada. A nossa história

Avalanche Tricolor: Noves fora

Entra de uma vez, deve pensar Makelele (Foto: Grêmio.net)

Grêmio 2 x 0 São Luis
Olímpico – Gaúcho

Segunda-feira, 7 e meia da noite. Arquibancada quase vazia, via-se muito mais faixas e bandeiras do que torcedores. O barulho que sempre toma conta do Olímpico era quase um ruído por trás da transmissão do PFC – que voltou a apresentar problemas no sinal, por três ou quatro vezes. Os loucos da Geral estavam lá porque sempre estão. O Grêmio também estava porque é obrigado a dividir a saga da Libertadores com jogos pelo Campeonato Gaúcho.

Foi, aliás, o primeiro jogo de uma série de quatro que serão disputados em apenas nove dias. Desses, um para garantir presença entre os classificados à próxima fase (já foi), outro para se manter em primeiro lugar no grupo (será quinta à tarde), o terceiro válido pelas quartas-de-final do Estadual (no domingo). Para fechar a sequência, dois dias depois da disputa de uma das partidas eliminatórias do Gaúcho, pega o Aurora pela Libertadores (na terça).

Mal tratado pelos cartolas, ao Grêmio resta encarar este desafio e provar a todo jogo que é capaz. Hoje, foi com os titulares e mostrou o que os comentaristas gostam de chamar de “volume de jogo” excepcional. Pouco deixou o adversário fazer em campo. Vitor, sério, praticamente não sujou o uniforme. Mesmo assim, a bola parece ainda ser um obstáculo a ser vencido. Apesar de bem cuidada, tocada com carinho, deslocada para que se apresente diante do gol, teima em não entrar.

É certo que entrou duas vezes, hoje, pelos pés de Makelele, o simpático coringa, e de Reinaldo, talvez o último dos atacantes na lista de preferência do torcedor (a propósito, bonito gol fez Reinaldo).  Assim como também é certo que a bola entrou no gol adversário sempre que mais precisamos: na Libertadores. Mas bem que poderia ser um pouco mais generosa nem que fosse por gratidão ao time que tantas vezes estará em campo na semana que apenas começa.

Das brigas no futebol

Abro este espaço para chamar sua atenção para texto publicado semana passada aqui no blog e assinado pelo nosso colunista Carlos Magno Gibrail. Depois do que aconteceu no Pacaembu, em São Paulo, no Maracanã, no Rio, vale reflexão mais séria sobre o tema.

Leia aqui “Do futebol e a fábula” 

Ouça o que disseram, nesta segunda, nossos entrevistados na CBN:

Ministro dos Esportes, Orlando Silva, em entrevista ao Heródoto Barbeiro

Profª Flávia da Cunha Bastos, de Administração Esportiva da Escola de Educação Física e Esportes – USP

Advogado Maurício Krieger, especializado em direito esportivo

O futebol e a fábula

Por Carlos Magno Gibrail

Torcida virtual no Museu do Futebol, por Regia Sofia

O futebol, esta grande paixão nacional, parece bem com a moral da fábula “O velho, o menino e o burro” que demonstra a impossibilidade de se contentar a todos. Fato que seria comemorado por Nelson Rodrigues: a unanimidade é burra.

O presidente Lula assinou na sexta-feira 13, três medidas que fazem parte do plano de ações para a Copa do Mundo de 2014. Entre elas, o  projeto de lei que criminaliza os atos de violência dos torcedores e das torcidas organizadas, tanto nos estádios e arredores quanto no trajeto para as partidas. Assinou, também, um decreto que amplia as exigências técnicas para funcionamento dos estádios e um termo de cooperação técnica para monitorar o acesso de torcedores. Os projetos serão encaminhados ao Congresso e Lula já pediu urgência na aprovação.

“O ministro e as carteirinhas” Juca Kfouri; “Stalinismo no futebol” Fernando Rodrigues; “Todos fichados” Folha; são algumas das manchetes desfavoráveis.

Embora reclamado há muito pela mídia geral e especializada, pela autoridade geral e policial, pela população em geral e esportiva, o combate a violência é uma unanimidade em termos de apelos para o seu controle. Afinal só de mortes são mais de sete por ano, além de inúmeras ocorrências policiais.  De torcedores e de policiais.

Mas há acusações políticas eleitorais. “Dentro do projeto da Folha de São Paulo de contribuir para a eleição de José Serra, em 2010, vale tudo.
 A coluna do Fernando Rodrigues, neste sábado, é um bom exemplo disso. O Projeto de Lei, que modifica o Estatuto do Torcedor foi escolhido para ser o alvo das críticas”. Casa do Torcedor.

O Clube dos Treze declarou ontem que apóia em princípio as medidas e está disposto a discutir as carteirinhas, pois acredita que o cadastramento possa ser feito sem elas.

“De vez em quando a PM também faz coisas que não deve, passa dos limites, agride sem necessidade. Como seremos penalizados, eles [policiais militares que cometerem abusos] também tem que ser”. Presidente da Força Jovem do Santos Futebol Clube, Pedro Luiz Ribeiro Hansen.

“Violência gera violência. Às vezes, têm só dois elementos brigando numa arquibancada, a polícia chega agredindo geral e a coisa se espalha”. Presidente da torcida rubro negra Jovem Fla, do Flamengo, Leonardo Sansão.

O projeto de lei anunciado pelo governo define formalmente as torcidas organizadas como pessoas jurídicas de direito privado, que podem responder civilmente pelos danos causados por qualquer um de seus associados no local da competição, nas imediações ou no trajeto de ida ao jogo e de volta da partida.

O mérito da questão é criminalizar algo que é crime em seu sentido real e figurado. Agressões de torcedores e policiais e o impedimento do maior espetáculo da terra que é o futebol ao vivo, aos cidadãos verdadeiros, são efetivamente um crime.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e toda quarta está aqui no blog na torcida para que um dia estádio de futebol seja como sala de espetáculo. E desta Organizada eu faço parte.

Veja mais fotos de Regia Sofia, no Flickr.

Avalanche Tricolor: Dar a vida

 Ronaldo Tcheco

Santa Cruz 3 x 2 Grêmio
Gaúcho – Santa Cruz/RS

Há quem dê ao Divino a autoria pelo belo roteiro que o futebol nos oferece a cada momento. Quando Ronaldo sobe mais alto e com a cabeça – a mesma que nunca foi muito boa, seja dentro da área ou fora do campo – marca o gol de empate no último minuto do clássico, o primeiro de seu re-retorno, tem quem diga que foi o dedo de Deus. Afinal, ele parecia estar morto para a bola, mas renasce. Está vivo.

Creio que Ele tenha muitas preocupações para ficar a escrever estas histórias. Mas, com toda a certeza, o futebol está sempre a nos oferecer bons momentos para serem contados. Foi assim com o Grêmio na Segunda Divisão do Campeonato Brasileiro quando tínhamos todos os motivos para não lembrar daquela passagem. Foi assim nas duas vezes nas quais conquistamos o título nacional (1981 – 1996), quando precisamos sair atrás na decisão para a glória no jogo final.

Houve partidas memoráveis que nem mesmo a derrota diminuiu o orgulho de ser tricolor. Lembra a Guerra de La Plata ? Foi contra o Estudiantes, em 1983, quando se disse que os gremistas quase morreram em campo. E não era figura de linguagem.

Hoje, após mais uma derrota no Campeonato Gaúcho – ruim, mesmo que se esteja jogando com um misto frio -, dos poucos jogadores lúcidos dentro de campo, o capitão Tcheco conversou com os repórteres ainda no péssimo gramado do estádio dos Plátanos, em Santa Cruz do Sul: “O Grêmio chegou em um momento que, depois de tanta crítica, se a gente comprar um circo, o anão cresce”.

Por mais torto que possa parecer este meu pensamento, você que é Imortal Tricolor vai entender: o Grêmio chegou no momento certo para voltar a vencer. Perdeu seu principal volante machucado durante partida sem qualquer importância, antes mesmo da estréia na Libertadores; jogou fora o primeiro turno contra o “tradicional rival”; indignou sua torcida; aumentou a pressão sobre o técnico; empatou com o Ypiranga em casa; e perdeu o rumo em Santa Cruz.

É assim que tem de ser conosco. É assim que os Deuses do Futebol – sim, estes estão soltos por aí a nos pregar peças – nos forjam para as conquistas. E o fazem para nos capacitar a vitória na mais importante delas, a da Libertadores, a que nos levará ao topo da América para de lá chegar ao Mundo.

Para esta caminhada, Tcheco não deixou dúvidas: “Vamos dar a vida”.

Nos acréscimos:

Foi fenomenal ver Ronaldo marcar o gol nos acréscimos do clássico. Foi piada pronta ver que, pesado, o alambrado despencou. Foi sem graça, o pessoal ter reclamado da falta de sensibilidade do árbitro que aplicou a lei e puniu com cartão amarelo a comemoração quando o próprio atacante disse ter sido irresponsável.