Avalanche Tricolor: Seleção ? Que droga !

Everaldo, lateral do Grêmio na seleção de 70 (Imagem: Gremio.Net)Está no estatuto. A bandeira do Grêmio tem uma estrela dourada. E passou a brilhar ao lado do distintivo muito antes de os clubes brasileiros vulgarizarem este símbolo colando na camisa uma estrela para qualquer título que tenham conquistado. A do Grêmio é homenagem a Everaldo, titular da lateral esquerda da seleção brasileira de futebol tri-campeã em 1970, que viria a morrer em acidente de automóvel alguns anos depois.

Lembro pouco dele jogando, mas tenho na memória o dia em que chegou a Porto Alegre e foi recebido com as honras de um campeão mundial. Havia até um apartamento que foi pintado de verde e amarelo para comemorar a conquista. Um orgulho para os gremistas. Não o apartamento. O Everaldo, lógico.

Lembrei dele e da estrela que o representa na tarde dessa quinta, assim que a repórter reproduzia na TV a lista dos jogadores convocados para a seleção brasileira que disputará duas partidas pelas Eliminatórias e participará da Copa das Confederações. Muitos anos depois de Everaldo, e muito tempo após o último jogador gremista ter sido chamado para representar o Brasil, Victor “o melhor goleiro do País” está convocado.

Meu filho, o de 12 anos, não pensou duas vezes: “O Victor vai para a seleção ? Que droga !”. No primeiro raciocínio dele, o Grêmio ficaria sem um dos seus principais jogadores na Libertadores. Para concluir: “Ele vai ser vendido lá pra fora e não volta mais”.

Do orgulho que senti ao ver Everaldo na seleção à “droga !” gritada por meu filho contra a convocação de Victor há uma enorme distância que não se justifica pela diferença de gerações, mas pelo que fizeram com o futebol brasileiro.

Hoje, ninguém mais se entusiasma com o escrete canarinho, apenas para usar expressão dos tempos em que era um orgulho ver os ídolos do seu time serem convocados.  Principalmente, se o seu time está em meio a competição importante como a Libertadores da América. Mais ainda quando se sabe que você perde alguém considerado fundamental para a segurança da sua equipe em troca deste ser apenas mais um no grupo da seleção.

No futebol brasileiro, o torcedor tem mais satisfação de ostentar a estrela de um título nacional ou sul-americano na sua camisa do que aumentar a constelação da CBF.

Avalanche Tricolor: “Vencedor é …”

“…  aquele que tem a capacidade de arriscar”

Paulo Autuori

Paulo Autuori, nosso comandante chegou

A principal contratação do Grêmio, neste ano, não estará em campo, mas ao lado dele orientando o Imortal Tricolor. Paulo Autuori chegou nesta segunda-feira, se apresentou e falou sobre seus desafios que tem como principal meta chegar a final do Mundial Interclubes. Reproduzo algumas das frases do técnico durante entrevista coletiva e demais informações publicadas no site Grêmio.net tão imparcial quanto pretende ser esta coluna que escrevo hoje em edição extraordinária:

Paulo Autuori foi apresentado oficialmente, na Sala de Conferência do Estádio Olímpico, no começo da tarde desta segunda-feira. Ele estava no Catar, dirigindo o Al-Rayyan, e assume o grupo em meio à disputa do Campeonato Brasileiro e da Libertadores.

O treinador chega com o histórico de campeão do torneio continental em duas oportunidades, comandando Cruzeiro (1997) e São Paulo (2005). Além disso, ainda conquistou o Mundial de Clubes com o time paulista.

Ficha Técnica:

Nome: Paulo Autuori de Melo
Nascimento: 25/08/1956
Local: Rio de Janeiro (RJ)
Clubes: Portuguesa-RJ, América-RJ, São Bento-SP, Marília-SP, Bonsucesso-RJ, Botafogo-RJ, Vitória-POR, Nacional-POR, Marítimo-POR, Benfica-POR, Cruzeiro, Flamengo, Internacional, Santos, Alianza Lima-PER, Sporting Cristal-PER, Seleção Peruana, São Paulo, Kashima Antlers-JAP e Al-Rayyan-CAT.
Títulos: Campeonato Brasileiro (1995), Campeonato Mineiro e Libertadores (1997), Campeonato Peruano (2001, 2002), Libertadores e Mundial de Clubes (2005).

Confira algumas frases do novo comandante gremista:

Motivo pelo qual aceitou vir para o Grêmio:
“Após o primeiro contato, eu me fiz as perguntas que sempre faço antes de qualquer decisão. Aonde? Quando? Com quem? Respondidos esses questionamentos, me decidi. É o clube certo, com uma história grandiosa. São as pessoas certas, no momento certo”.

Desafio de estar no Grêmio?
“Não quero ser melhor que ninguém. Eu pretendo lutar contra mim mesmo e ser mais do que aquilo que já sou. É um desafio grande voltar ao Brasil, deixar a qualidade de vida que deixei no Catar. Estou pronto para voltar, de ser questionado, chamado de burro. Eu quero provar a mim mesmo que estou pronto para esta volta”.

Negociação com o Grêmio?
“Foi um processo atípico, de rara convicção. A direção teve a capacidade de correr riscos. Isso é uma mensagem para mim e para os jogadores. Só é vencedor aquele que tem a capacidade de se arriscar”.

Categorias de Base:
“Eu sempre falo de conceitos e não de pessoas. O futebol não pode mais fechar os olhos para as Categorias de Base. E, como tenho convicção nisso, acredito em um trabalho de integração e interação entre a equipe principal e as Categorias de Base” 

Avalanche Tricolor: Que vá apitar …

Atlético – MG 2 x 1 Grêmio

Brasileiro – Belo Horizonte


Houve quem duvidasse da primeira frase da última edição da Avalanche quando me referi a camisa 13 que vesti na época em que joguei basquete. Mas joguei, sim. Quem sabe um dia me entusiasmo e publico alguma imagem daquele tempo. Hoje não tem clima para tal. Nem tanto pela derrota. Estas fazem parte do esporte e quando raras, causam poucos estragos.

Prefiro dedicar este espaço para falar daqueles com quem briguei boa parte dos 13 anos em que estive em uma quadra: os juízes. Hoje preferem chamá-los de árbitros, apesar de entender que juiz é mais apropriado, pois são responsáveis por garantir a justiça dentro de campo no que se refere as regras do esporte.

Pavio curto e estilo de jogo aguerrido me levavam ao transtorno sempre que a injustiça sinalizada por estes atingia a mim e ao meu clube. Várias vezes tive de ir embora mais cedo, me envolvi em discussões e bate bocas que revertiam em expulsão. Tinha muita dificuldade para compreender por que eles erravam tanto. E por que pareciam sempre errar contra mim.

Talvez nem errassem tanto nem erravam sempre contra mim, mas era a impressão que eu tinha.

Poucas coisas me tiravam do sério tanto quanto o erro cometido por má-fé ou desrespeito. O juiz que assinalava uma falta com a clara intenção de me prejudicar.  Ou que, abusando de sua autoridade, me agredia com palavras. Incomodava-me o poder dele. Sem direito de resposta e sem a permissão para argumentar e provar minha razão.

Por isso, compreendo a indignação de Souza contra o juiz Wilson Luiz Seneme quando foi punido com cartão amarelo. A falta foi dura, o cartão foi justo. A reação de Seneme, não. Foi desrespeitosa, o levou a perder autoridade dentro de campo. A dar razão ao reclamante.

“O que se pede de um juiz é educação. Eu não fui contestar a falta, só fui dizer que não foi intencional, até pedi desculpas para o cara. Mas ele começou a falar que ia me expulsar, e tive que empurrar ele senão o juiz ia me beijar”, foi a explicação de Souza, irônico, no intervalo do jogo.

Seneme não iria parar por aí. Foi injusto em dois momentos decisivos da partida. E nos dois prejudicou o Grêmio. Não deu um penâlti de um lado, alegando bola na mão, e deu do outro, alegando mão na bola. Expulsou o volante Adílson quando o jogo estava empatado. Deu um escanteio contra o Grêmio contrariando a sinalização do seu auxiliar na jogada que antecipou o gol de desempate. Decidiu a partida em favor do Atlético, o time da casa.  E antes de sair de campo ouviu Souza perguntar: “É este o melhor árbitro de São Paulo?“.

No meu tempo de jogador de basquete não seria capaz de usar desta ironia em uma momento de injustiça como o proporcionado por Seneme. Que vá apitar jogos de futebol …

Avalanche Tricolor: Minha camisa 13

Camisa 13

Grêmio 2 x 0 San Martin (Peru)
Libertadores – Olímpico Monumental

Foram 13 anos jogando basquete, boa parte vestindo a camisa 13 do Grêmio. Tempo em que aprendi muitas das coisas que me ajudam hoje a trabalhar em grupo, construir uma família e me relacionar com diferentes pessoas. Guardo com orgulho, a camisa branca com o símbolo do tricolor no lado esquerdo e o número costurado no direito. É a marca de uma época importante na minha vida.

Quando chegou em casa a camisa oficial da campanha do Grêmio na Libertadores com o número 13 nas costas não tive como não me emocionar. Olhei cada detalhe da manga à parte interna da gola. Os símbolos do time e da competição, as informações que lembram as vitórias do Imortal na copa sul-americana gravadas na etiqueta interna. E, claro, vesti a camisa como se estivesse me preparando para entrar em campo e mais uma vez defender as cores do tricolor.

Imagino ter sido a mesma sensação que o ala direita Jadílson teve hoje quando foi chamado pelo Marcelo Rospide para entrar no segundo tempo. Era dele a camisa que ganhei. Havia usado na penúltima rodada da fase de grupos, na vitória por 3 a 0 contra o Universidad, no Chile. O jogador que tem tido poucas chances entre os titulares foi muito bem, aproveitando o espaço que havia para chegar ao ataque. Torci muita para que a camisa 13 fizesse o seu gol, também.

Quem marcou foi a 7 de Jonas – melhor em campo – e a 20 de Herrera – que está de volta. Poderia ter sido a 16 de Maxi – de um talento que satisfaz -, a 8 de Souza – impedido de jogar pela água e pelo pontapé adversário -, a 10 de Tcheco – nosso capitão – até mesmo a 15 de Thiego – zagueiro que apareceu a frente duas ou três vezes. Quando falamos no manto do tricolor o número às costas é o que menos interessa.

Ao vestir esta camisa, nossos jogadores incorporam a história de um time forjado pela crítica ácida dos comentaristas e a desconfiança das demais torcidas mas que impõe respeito e, por isso, faz a melhor campanha desta Libertadores a despeito de considerarem fracos aqueles que derrotamos até aqui. Sim, foram fracos diante da grandeza do Grêmio e sua camisa tricolor.

Avalanche Tricolor: Te espero na Quarta !

Souza é o craque do momento

Grêmio 1 x 1 Santos
Brasileiro – Olímpico

Ver o Grêmio disputar o Campeonato Brasileiro era um orgulho para a torcida que na época se satisfazia com os títulos regionais. Cruzar com os times do centro do País, leia-se Rio e São Paulo, era sempre uma façanha. Os craques do futebol nacional jogavam por lá. Lembro que ganhei a camisa de um jogador que fazia sucesso no Fluminense, antes mesmo de ter uma oficial do Grêmio. E naquele tempo, camisa oficial não se vendia na loja, tinha de se ganhar na lábia.

Apesar desta suposta diferença entre os que atuavam no que a imprensa nacional considerava grandes times, o Grêmio sempre fez bonito nos torneios brasileiros de futebol. Em 59, na primeira Taça Brasil, ficou em terceiro lugar. Em 67, ficou entre os quatro melhores na edição inicial do Torneiro Roberto Gomes Pedrosa, o Robertão. Em 71, quando a competição se transformou em Campeonato Brasileiro, ficou para a história o gol do argentino Scotta, em 7.08, o primeiro da competição. Foi na vitória por 3 a 0 contra o São Paulo, no estádio do Morumbi (sempre foi um salão de festas do tricolor gaúcho).

Nada supera, porém, os títulos de 1981 e 1996, Dá para colocar nesta lista, a subida para a primeira divisão, em 2005. Tudo isso deu ao Grêmio o primeiro lugar no ranking da CBF que calcula as vitórias, também, nas Copas do Brasil da qual somos os maiores campeões.

Os tempos são outros. O Brasil ficou pequeno após as conquistas das Libertadores e do Mundial. E por mais importante que seja estrear em uma edição de Campeonato Brasileiro como neste domingo, no estádio Olímpico, não se pode esquecer que o que vale mesmo é quarta 13.05, no mesmo local, contra o San Martin.

É lá que a bola cabeceada pelo Maxi Lopez não pode acertar no poste como hoje. É lá que a cobrança de falta do Souza tem de escorregar para dentro da rede e não ser espalmada pelo goleiro. Que o passe do Tcheco tem de chegar no pé de seus colegas. Que as jogadas de fundo do Ruy tem de alcançar a cabeça de nossos grandalhões. Que o Fábio Santos tem de saber porque vai ao ataque.

É lá, na disputa por uma vaga nas quartas-de-final da Libertadores da América, que o técnico interino Marcelo Rospide – que recebeu hoje sua primeira vaia – tem de aprender que o Grêmio precisa jogar sempre no campo do adversário e o esquema com um só atacante já custou a cabeça de um treinador.

Se tudo isso for feito, o empate contra o Santos nesta abertura de Campeonato Brasileiro nem será lembrado pelos torcedores.

Avalanche Tricolor: Anarquistas, graças a Deus !

 

Festa dos Imortais (imagens reproduzidas da SporTV)

U.San Martín 1 x 3 Grêmio

Libertadores – Lima/Peru

 

Há quatro jogos sem treinador, o Grêmio alcança sua quarta vitória consecutiva e volta para Porto Alegre com a classificação às quartas-de-final praticamente garantida. Uma conquista que se iniciou na perna direita de Souza que com o lado de fora do pé driblou a violência e com o peito do pé esquerdo fechou a bela jogada.

 

A confirmação do bom resultado surgiu nas cabeçadas certeiras de Maxi Lopez, atacante que redescobriu o caminho do gol ao vestir a camisa do Imortal. Já está contaminado.

 

Com o jogo resolvido, a TV peruana decide fechar a imagem no banco do Grêmio e mira em Mauro Galvão, dos grandes zagueiros que o País teve, gesticulando para o time que tocava bola no gramado. Alguém deve pensar que errou o diretor de TV pois supostamente o técnico é Marcelo Rospide que já havia aparecido gritando alguma coisa qualquer, um pouco antes.

 

Verdade é que o Grêmio talvez esteja implantando um novo sistema de gestão esportiva, o Anarquismo. Ideia política que surge lá por meados do século 19 desvirtuada mais à frente. Hoje, há quem tenha no anarquismo sinônimo da falta de ordem. Ledo engano. Prega-se é a falta de coerção, a eliminação total de governos compulsórios. A união dos jogadores, o abraço na comemoração de cada gol, a vibração do grupo dá sinais de que não se deve descartar esta possibilidade.

 

Estarei delirando ? Bem provável, mas por que não acreditar.

 

Sem a mão pesada do técnico, o Imortal Tricolor supera seus adversários um atrás do outro, consagra-se com a melhor campanha da Libertadores, faz mais gols do que todos os demais, leva muito menos e se classifica com antecedência. Chega a enganar os críticos que até aqui subestimaram nossas vitórias.

 

Enquanto todos disputam jogos de Libertadores, “e sabemos que Libertadores é diferente” (dizem os fanáticos pelo lugar-comum), os adversários do Grêmio “não tem expressão, são fracos, de pouca qualidade”. É o que ouço. Pelo menos, é o que mais ouço.

 

Que continuem a olhar com desdém este time que me faz dormir esta noite um pouquinho mais próximo do seu terceiro título sul-americano.

Canto da Cátia: Canto de campeão

Imagens da festa de campeão da Cátia Toffoletto

Perdeu o foco da máquina, mas não a festa de campeão. Para quem sofreu há um ano na Segundona, a conquista do Paulista, neste domingo, tinha de ser mesmo comemorada pela Cátia Toffoletto que saiu às ruas assim que se encerrou a final. Era tanta alegria que não dava para conter até segunda, por isso ela já mandou hoje mesmo estas imagens da festa familiar em homenagem ao 26º Campeonato Paulista do Corinthians.

Avalanche Tricolor: O Melhor

Souza marcou dois e um foi um golaço

Grêmio 3 x 0 Boyacá Chicó

Libertadores – Olímpico

De três dedos, com a bola em velocidade, na entrada da área, cabeça erguida, olhos em busca dos companheiros e atento no movimento dos adversários. Souza marcou um dos mais belos gols desta Libertadores ao encobrir o goleiro do Boyacá aos 12 minutos do primeiro tempo. Lance que completava um série fulminante de ataques iniciados assim que o árbitro deu o apito inicial.

Em campo, estava o Grêmio da Libertadores. E o sobrenome se faz necessário, porque o Imortal quando entra para disputar a competição que realmente nos interessa é o Tricolor que queremos e conhecemos. É o time que leva e é levado pela sua torcida. Que mesmo sem ter, ainda, seu técnico-titular , mantém a personalidade.

Foi assim durante toda esta primeira fase. Mesmo quando as bolas não entraram, lá estava o Grêmio defendendo como sempre, atacando como nunca. Levando o goleiro adversário ao seu esforço máximo para evitar a goleada, exagerando nos chutes que encontravam o poste ou o travessão, no caminho do gol.

A goleada desta noite apenas confirmou esta personalidade. Fez do Grêmio a melhor campanha da Libertadores até aqui com 16 pontos ganhos.

Com apenas um gol tem a  defesa menos vazada. E a defesa de um pênalti por Vítor, comemorado pelos companheiros como poucas vezes vi, simboliza este desempenho lá atrás.

Com 11, tem o ataque mais eficiente. Ainda haverá alguém a nos chamar de retranqueiro ? Limitado ? Que nosso ataque é mediano para não chamá-lo de medíocre ? Com certeza.

Nunca disputamos a Libertadores como favoritos. Não será diferente neste ano. Por isso, é hora de descansar, treinar, concentrar e se preparar para a etapa mais difícil desta caminhada rumo ao terceiro título sul-americano.

E claro, festejar (com comedimento), pois contra todos os prognósticos o Grêmio é o Melhor.

Pacaembu ‘corinthiano’: Plebiscito, sim e não

Ouvir o paulistano em plebiscito para saber se a prefeitura deve promover a concessão do estádio do Pacaembu para o Corinthians foi a proposta do economista e atual presidente do Palmeiras, Luiz Gonzaga Beluzzo, um dos entrevistados sobre o tema no CBN São Paulo.

O diretor de marketing do Corinthians, Luiz Paulo Rosenberg, claro, defendeu o negócio e aceita explorar apenas o estádio de futebol, deixando o Museu e o clube esportivo por conta da cidade ou qualquer outras solução que apresentem.

Já Ienedes Benfatti, da Associação Viva Pacaembu, segue firme no discurso contrário a exploração pelo Corinthians. A entidade luta há muito tempo para impedir a ampliação das atividades futebolísticas, culturais e religiosas no estádio, devido ao transtorno que estes eventos geram à vizinhança.

Nessa terça-feira, voltaremos ao tema com o secretário municipal de Esportes Walter Feldmann

Ouça as entrevistas de hoje e deixe a sua opinião:

Entrevista de Ienedes Benfatti, da Associação Viva Pacaembu (SOU CONTRA)

Entrevista de Luiz Paulo Rosenberg, diretor de marketing do Corinthians (SOU A FAVOR)

Entrevista de Luiz Gonzaga Beluzzo, presidente do Palmeiras (MUITO ANTES PELO CONTRÁRIO)

Palco da final faz aniversário e pode ser ‘vendido’

Estádio do Pacaembu fotografado por Andre di Lucca, no Flickr

“A inauguração oficial do Estádio Municipal de São Paulo, que se realizou na tarde morna e luminosa de ontem, constituiu um espetáculo de inédita beleza e sadio entusiasmo, enchendo de alegria e legítimo orgulho os olhos e o espírito de toda a multidão ali presente às cerimônias de abertura da majestosa praça que lhe dá a primazia na América do Sul, em mais esse setor.”

Com este texto, o jornal O Estado de São Paulo abriu a reportagem sobre a inauguração do estádio municipal Paulo Machado de Carvalho, apelidado Pacaembu, devido ao nome do bairro onde foi construído e inaugurado, em 27 de abril de 1940. O futebol só chegou ao gramado no dia seguinte, pois à festa de abertura reservou-se cerimônias oficiais com desfile de 10 mil atletas, entoar de hinos e discursos, com destaque a fala de Getúlio Vargas, presidente da época, e pouco querido na terra dos bandeirantes.

O aniversariante da semana voltará a sediar uma final de Campeonato Paulista de Futebol, domingo que vem, na qual o Corinthians, que não apenas jogou na inauguração como foi o time que mais vezes disputou partidas por lá, tem ampla vantagem sobre o Santos.

Não é desta final, porém, que pretendo escrever agora. Mas do Pacaembu, transformado em uma espécie de segunda casa (ou seria a primeira ?) do Corinthians ao não ter um estádio próprio capaz de receber partidas de futebol. Há 69 anos tem sido assim. E por uma dessas desavenças da administração não-profissional do futebol brasileiro, o será mais uma vez no fim de semana. Os 40 mil lugares serão poucos para abrigar o entusiasmo corinthiano embalado pela presença de Ronaldo com a camisa 9 e a proximidade do título estadual.
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